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Treinadores que mais vezes orientaram o FC Porto: Miguel Siska

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fc porto cabeçalhoA história do FC Porto é construída por figuras emblemáticas que mesmo depois de nos terem deixado, permanecem para sempre imortais e cujas suas conquistas e feitos estão até aos dias de hoje escritas com letras de ouro nos alicerces da história do clube e do futebol português. Hoje recordamos Miguel Siska. Indiscutivelmente, uma das figuras do FC Porto que mais deu de si ao clube que tanto amou.

Mihaly Siska, húngaro de nascença, mas português de alma e coração, chega a Portugal com apenas 18 anos para servir as redes do FC Porto. Apesar da tenra idade, Siska foi aos poucos conquistando grande reputação e destaque na baliza dos azuis e brancos e é até hoje recordado como o primeiro grande guarda-redes a atuar pelo FC Porto, assim como o primeiro grande guarda-redes estrangeiro a alinhar em Portugal.

Enquanto jogador foi determinante na conquista dos primeiros títulos do clube a nível nacional, sendo peça fundamental nos dois Campeonatos de Portugal ganhos em 1924/25 e 1931/32.

Siska foi um dos melhores guarda-redes estrangeiros da história do FC Porto Fonte: Memória Azul
Siska foi um dos melhores guarda-redes estrangeiros da história do FC Porto
Fonte: Memória Azul

Figura grande e única do clube, Siska apresenta-se como um caso de sucesso de uma adaptação invejável daquele que foi um dos primeiros estrangeiros a alinhar em Portugal. Mihaly Siska admirava tanto o FC Porto, a cidade e o nosso país que viria mesmo a naturalizar-se português, passando a adotar o nome de Miguel Siska.

Devido a problemas de saúde retirou-se dos campos em 1934, assumindo a função de treinador em 1938 e logo na época de 1938/39 viria a assumir o comando técnico do seu clube do coração. Com apenas 32 anos, Miguel Siska foi um dos mais jovens treinadores da história ao comando do FC Porto demonstrando a mesma dedicação e empenho ao clube aquando dos seus tempos de guarda-redes. Mostrou-se igualmente fundamental e decisivo conquistando logo na sua época de estreia o campeonato nacional da I Divisão e no ano seguinte voltaria a repetir a façanha. As épocas de Siska enquanto treinador do FC Porto foram tão positivas que ainda hoje as suas conquistas e recordes são falados, mantendo o seu nome e a sua memória imortal. Recordo-me do nome de Miguel Siska ser falado na época em que André Villas-Boas venceu o campeonato nacional sem derrotas, obtendo 84 dos 90 pontos disponíveis. Este registo memorável do jovem treinador só ficava mesmo atrás do registo de, nem mais nem menos, Miguel Siska. O treinador naturalizado português conquistou na sua segunda época no comando técnico dos dragões 94,4 por cento dos pontos possíveis realizando um campeonato quase perfeito.

Na época passada, o nome lendário de Siska voltaria novamente a ser mencionado isto porque, Nuno Espírito Santo tornava-se no segundo ex-guardião a assumir o comando técnico dos Dragões, seguindo o caso de Miguel Siska. Ainda esta época, uma vez mais o nome de Siska volta a ser falado e uma vez mais pelos melhores motivos. Desta vez em comparação com o registo demolidor de início de temporada protagonizado por Sérgio Conceição que só fica atrás, uma vez mais, da fantástica época de 1939/40 em que Miguel Siska conseguiu dez vitórias em dez jornadas.

Fonte: Bola na Rede
Fonte: Bola na Rede

Verificámos que Siska elevou a fasquia e que ainda hoje os seus recordes mantêm-se intactos e que assim deverão permanecer durante muitos anos. Siska está à frente de todos, é um pioneiro, um exemplo e uma referência.

Nota pessoal: É bom conhecer os homens que cavaram os alicerces do acervo que honra e enobrece a nossa alma de portistas. Siska foi guarda-redes, treinador e secretário do clube durante 23 anos dos 18 aos 41 anos. Uma vida dedicada ao clube, literalmente! Estou rendido a esta figura lendária e emblemática que foi um homem que marcou não só uma época no clube como em todo o futebol nacional.

 

Foto de Capa: https://bibo-porto-carago.blogspot.pt

Futebol não tem de ser à noite! – O “pack” família

Cabeçalho Futebol NacionalDesde há uns anos a esta parte, o futebol em Portugal tem sido transferido para o horário noturno pelas estações televisivas. Desta forma, controlam a audiência, os shares e as subscrições para este “conteúdo televisivo”, conduzindo tudo isto a seu bel-prazer. Mas falar em estações televisivas, no seu plural, é um erro. Quase não se pode dizer que haja mais do que um canal que transmita o nosso campeonato – à exceção de um canal de um clube e que, bem ou mal, se sabe a polémica que o envolve.

Não se pode, ainda assim, discutir a forte ação e mobilidade dessa empresa, a SportTV, nesta secção da indústria do futebol, a dos direitos televisivos. No entanto, discutível é a forma como permitem o acesso dos espectadores aos seus conteúdos; a forte limitação quanto ao acesso, os preços e até os horários a que obrigam a realização dos jogos. Pena é que não hajam mais canais para ombrear neste mercado (cada vez mais) monopolizado.

O FC Barcelona-RC Celta de Vigo da passada jornada teve início às 12h Fonte: FC Barcelona
O FC Barcelona-RC Celta de Vigo da passada jornada teve início às 12h
Fonte: FC Barcelona

Em tempos, e segundo os saudosistas, “é que era”. “O futebol antes é que era puro”, “não havia isso da violência”, “as claques só queriam saber de apoiar a sua equipa”, “havia amor à camisola”, dizem eles, os saudosistas, os mesmos que parecem esquecer a passagem de Futre e Derlei pelos três grandes ou a troca de João Pinto. Não está em causa o compromisso destes três excelentes profissionais e hábeis jogadores, mas, como hoje, jogavam e davam tudo em campo pela equipa que lhes pagava o ordenado. Simples. Os saudosistas são os mesmo que parecem esquecer que se não fossem as claques, os seus clubes, nos jogos internacionais, jogavam em ambientes verdadeiramente hostis, sem qualquer apoio, enquanto assistem em casa, no sofá. Nem tudo era assim tão puro mas é verdade que de então se podem tirar excelentes exemplos.

Este que vos escreve e pretende que reflitam sobre este assunto, aos cinco ou seis anos de idade, há mais de 15 anos atrás, deslocou-se em família ao então reduto do SC Braga, o mítico Estádio 1º de Maio, e assistiu a um jogo entre a equipa local e o FC Porto. Sim, é verdade, foi possível que uma família acompanhada de um menor, bem “menor”, assistisse a um jogo de futebol, que hoje seria considerado de risco elevado, sem problemas. Bem ao estilo de qualquer jogo na altura. E a bancada era mista, não havia qualquer aconselhamento para se dividir os adeptos conforme a sua preferência clubística.

Sporting e o Papão Natal

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sporting cp cabeçalho 2Desde bem pequenos que nos habituámos a ser ameaçados pelo “papão” sempre que não seguíamos as regras que os adultos nos impunham. Portanto podemos considerar que este “ser” serviu, não só para nos aterrorizar, mas ajudar a educar-nos, ainda que através do medo.

Ora, muitos dos nossos rivais, se não todos, estejamos nós bem ou mal classificados, sempre nos relembram o mês de Dezembro, ou mais resumidamente a época do natal, quando nos querem tentar recordar que já estamos longe da luta pelo título, ou que se está a chegar o momento de começar a perder o “comboio”, conforme cada situação.

Isto surgiu, não porque vivamos uma malapata à “Bella Gutman”, como nos querem fazer crer, mas apenas porque durante muitos anos fomos de tal forma incapazes em termos de competitividade (e, como sabemos, muitas vezes não exclusivamente por culpa própria) que, efectivamente, depois de três meses de competição já estávamos longe dos primeiros lugares.

Estamos habituados a ouvir piadas do Sporting associado ao Natal Fonte: rubenval.blogspot.pt
Estamos habituados a ouvir piadas do Sporting associado ao Natal
Fonte: Ricardo Galvão Cartoon

Esse papão que nos tentam criar no subconsciente cada vez é menos realista muito porque nos últimos anos nem na páscoa nos mete medo. Costuma-se dizer que há males que só se tornam fortes se acreditarmos que efectivamente existem, e não acreditando, os mesmos perdem força até que desapareçam. Assim sucede aos jogadores do Sporting, ao acreditarem em si mesmos, nas suas qualidades, e que, se lutarem e correrem muito mais que os outros conseguem lutar -pelo menos lutar – por títulos até maio.

Nestes últimos anos, o papão natal está a desvanecer-se, e este ano, mais uma vez, estamos a receber indicadores de que esse “monstro” vai receber mais um tratamento de desprezo por parte da nossa equipa de futebol. O papão vê-nos a encostar novamente ao primeiro lugar, logo nas primeiras horas do malfadado mês de Dezembro, e quase apanhava mais um susto não fosse aquele autogolo do Coates em Alvalade contra o “Barça”, ou mais um golo tardio da “Juve”. Por este andar, o “bicho” não tarda a fazer as malas e a abalar para outras paragens. Algo que me faz acreditar ainda mais nisso é o facto de as equipas treinadas por Jorge Jesus, por regra, fazerem segundas voltas mais fortes que as primeiras.

Leões à procura do Tri na Taça da Liga

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Cabeçalho modalidadesComo já vem sendo hábito nestas últimas temporadas (esta é a terceira edição consecutiva) ficámos a conhecer os oito clubes qualificados para a Taça da Liga de futsal, que são os conjuntos que, no final da primeira volta se colocaram nos oito lugares cimeiros.

Para enquadrar melhor o nosso estimado leitor, vamos começar por dizer quem se conseguiu qualificar. Para além do Sporting CP, do SL Benfica, do SC Braga/AAUM, da AD Fundão, do CF “os Belenenses “El Pozo”, MODICUS e do Futsal Azeméis, que repetem a sua presença (terceira vez no caso dos seis primeiros clubes e a segunda para a equipa de Oliveira de Azeméis), apenas temos um estreante absoluto nesta competição, a equipa gondomarense do Unidos Pinheirense, que tem logo uma “praxe” de fogo, mas já lá iremos.

A fase final disputa-se a Sul do país, mais concretamente em Sines, já se realizou o sorteio dos quartos-de-final e meias-finais, garantindo desde já que não há derby antes da eventual final. O tal adversário do U. Pinheirense é o Sporting, duplo e, até à data, único vencedor da prova.

O ano passado foi assim e há dois anos também. Será desta que temos um vencedor diferente?
 Fonte: Sporting CP
O ano passado foi assim e há dois anos também. Será desta que temos um vencedor diferente?

Fonte: Sporting CP

O Benfica, desta feita, evitou a sua “besta negra”, o Fundão (recordo que o conjunto encarnado foi sempre afastado na ronda inicial contra a equipa beirã), calhando uma formação forte, o Belenenses, que se qualificou com dificuldade, mas é tradicionalmente uma equipa competitiva e com boa qualidade de jogo. Nos outros jogos, destaque para o embate entre Braga/AAUM e MODICUS, terceiro e quarto classificados do escalão máximo do futsal sénior português. O outro jogo coloca frente a frente o duplo finalista da prova, a Desportiva do Fundão contra a equipa aveirense do Futsal Azeméis.

O emparelhamento das meias-finais ditou que o vencedor do jogo entre leões e Pinheirense terá pela frente o Fundão ou o Futsal Azeméis, enquanto que a outra semifinal sairá dos encontros de Benfica ou Belenenses contra o Braga ou o conjunto de Sandim.

Será que vamos ter o vencedor do costume ou o seu eterno rival da Luz poderá chegar ao título? Ou iremos ter uma equipa nova a aparecer na grande final, à semelhança do Fundão nos últimos dois anos? Os dados estão lançados, resta-nos esperar pelo próximo mês de Janeiro para termos em Sines uma semana que se prevê de grande futsal, onde as equipas mais fortes do país vão lutar e dar tudo para conquistar esta taça relativamente recente, mas é do interesse de todos os emblemas participantes.

Foto de Capa: Sporting CP

Conor McGregor: Como abalar a UFC em 5 passos

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Cabeçalho modalidadesAntes de me debruçar sobre o tema desta semana, gostava de fazer uma breve referência ao evento UFC 218.

Para quem estava à espera de surpresas, deve ter sido uma verdadeira desilusão. Holloway voltou a bater Aldo por knockout, reforçando assim o seu estatuto de campeão da divisão de Featherweight. Francis Ngannou atropelou Alistair Overeem, inflingido um novo knockout no record de MMA do holandês. Por fim, o que dizer do já apelidado combate do ano entre Justin Gaethje e Eddie Alvarez (Gaethje já é sinónimo de espetáculo). Eu disse que ia ser breve.

Mas o que se passa afinal com Conor McGregor? O irlandês, desde o money fight com o veterano e invicto Floyd Mayweather, está afastado do octógno e bem longe das cogitações para uma presença num cartaz da UFC. McGregor tem sido mais associado a invasões de combates e rixas em pubs.

Conor McGregor à saída do tribunal  Fonte: The Irish Times
Conor McGregor à saída do tribunal
Fonte: The Irish Times

A ausência de McGregor deixou a casa a arder, num mundo quase infinito de possibilidades para o seu regresso.

1. O antipático “El Cucuy”

Tony Fergunson, o campeão interino da divisão de Lighwelterweight, está determinado em enfrentar McGregor para a unificação do título da divisão. Para os mais esquecidos, McGregor é o atual campeão da categoria, depois de ter batido de forma brilhante Eddie Alvarez. Fergunson rejeita todas as possibilidades que excluam McGregor. Talvez pretenda legitimar o seu estatuto de campeão depois de bater Kevin Lee, ou beneficiar da bolsa monetária atribuida num combate dessa dimensão. Mas será que Fergunson é suficiente para retirar Conor do seu iate?

2. Max Holloway quer provar um irish coffe

Aldo passou à história e o havaiano não perdeu tempo em apontar lanças ao irlandês. McGregor conquistou o título da divisão Featherweight frente a Aldo (13 segundos !!!), sendo que Holloway vê aqui uma oportunidade para subir mais um patamar de sucesso na UFC. Um combate frente a McGregor seria notável para a carreira de Holloway. Mas este combate será suficiente para retirar McGregor de uma discoteca?

3. Ele voltou, Khabib Abdulmanapovich Nurmagomedov

A sério, se me obrigarem a escrever o nome deste homem novamente… Khabib está de regresso depois das múltiplas lesões e problemas de peso, tendo pela frente o ágil Edson Barboza. Este é um regresso bastante aguradado, sendo que durante vários meses se especulou um combate entre o invicto lutador do Daguestão e McGregor. Pois bem, está mais perto do que nunca, basta que consigam obrigar o irlandês a despir o seu fabuloso casaco de pele e que Khabib consiga vencer Barboza.

4. Nate, Nate, três vezes Nate

E se houvesse um Nate Diaz vs Conor McGregor III ? Fantástico !!! Os fãs não diriam que não a um cartaz com tão ilustres protagonistas. A possibilidade de Nate defrontar o atual campeão da divisão de Welterweight, Tyron Woodley, está afastada. Desta forma, o caminho está mais desimpedido para a trilogia, só têm de obrigar McGregor a sair da mansão.

5. Um sonho chamado GSP

Este é, porventura, o cenário mais improvável. Em primeiro lugar, a categoria de peso em que McGregor e GSP teriam de se encontrar. O combate tem sido pedido pelos fãs nas redes sociais, mas a fantasia tem limites, até mesmo para alguém tão determinado quanto Dana White. E será que o canadiano tem o que é preciso para despertar o interesse da conta bancária de McGregor?

Dana White tem um problema. Ronda Rousey, uma das figuras da organização, está afastada e, ao que parece, de forma definitiva. Jon Jones está afastado depois de falhar novamente o teste de despiste de drogas, tal como Lesnar. Ou seja, as principais figuras da UFC estão afastadas e bem longe dos octógonos. O regresso de McGregor tarda em chegar e Dana estar em combustão.

Foto de Capa: Adam Hunger-USA TODAY Sports

Chris Froome e um 2018 para a história?

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Cabeçalho modalidadesO passado dia 29 de Novembro podia ter sido um dia normal no mundo do ciclismo não fosse o breve vídeo de Christopher Froome a anunciar que iria mesmo participar na edição do Giro de 2018.

Desde então, tem existido alguma discussão sobre se esta foi realmente a melhor decisão ou não para o britânico, que irá também lutar, novamente, pelo Tour de 2018. A verdade é que esta até acaba por ser uma opção mais natural do que seria de esperar, principalmente pelo ano de 2017 que Froome teve e pelo que ainda poderá conquistar nestes próximos tempos, enquanto está ao seu melhor nível.

Existem várias razões para o vencedor do prémio Velo d’Or para melhor ciclista do ano aceitar esta mesma calendarização e estes desafios que se seguem, tais como:

1) Poderá tornar-se no primeiro ciclista, desde Bernard Hinault (na época de 1982/83), a ganhar as três Grandes Voltas de forma consecutiva;

2) Caso consiga vencer o Giro, o único Grand Tour que lhe falta no palmarés, o líder incontestável da Team Sky juntar-se-á a Jacques Anquetil, Felice Gimondi, Eddy Merckx, Bernard Hinault, Alberto Contador e Vincenzo Nibali como os únicos ciclistas que conquistaram as três maiores provas do panorama velocipédico mundial;

3) Depois de conquistar Tour-Vuelta, se conseguir a “dobradinha” Giro-Tour, Froome tornar-se-á no primeiro ciclista a consegui-lo desde a falecida lenda do ciclismo italiano, de seu nome Marco Pantani (em 1998);

4) Por fim, aliado a um percurso favorável para as suas caraterísticas, segundo fontes ligadas ao ciclismo, o britânico recebeu 2 milhões de euros só para aceitar correr no Giro deste próximo ano.

Iremos ter Chris Froome a festejar novamente em dose dupla? Fonte: Facebook Oficial de Christopher Froome
Iremos ter Chris Froome a festejar novamente em dose dupla?
Fonte: Facebook Oficial de Christopher Froome

Tendo em conta a possível concorrência (a maior parte dos grandes nomes estará mais concentrado na vitória no Tour, muito provavelmente), é de esperar que Froome seja o favorito à vitória e continue com a melhor equipa em prova, tal como tem acontecido desde os últimos anos, especialmente nas Grandes Voltas.

Se existem riscos? Claro que sim. Por exemplo, este próximo Tour é uma enorme oportunidade para o já vencedor por quatro vezes da prova conseguir chegar às cinco vitórias e igualar o restrito grupo com este mesmo número de vitórias na prova e que grupo…formado por Hinault, Merckx, Indurain e Anquentil. Com o desgaste que o Giro irá proporcionar, será mais complicado para o campeão britânico conseguir lutar pelo primeiro lugar (ainda assim, se alguém pode conseguir, esse alguém é Froome – e, tal como foi destacado pelo próprio, a semana extra de descanso entre ambas as provas poderá fazer a diferença).

Mas se não forem corridos riscos também às vezes é difícil chegar aos grandes feitos. O ano de 2017 provou exatamente isso, com Froome a correr o risco de estar na Vuelta para a vencer, depois de ter vencido um Tour, e a realidade é que ganhou mesmo e voltou a fazer história. História é o que esperará igualmente fazer em 2018 e essa será outras das forças que o motivará para conseguir alcançar mais incríveis feitos para o ciclismo, na atualidade. O britânico sempre tentou estabelecer bons objetivos e arriscar assim que fosse possível, tal como vimos neste ano.

Chris Froome sabe que estará futuramente num “Hall of Fame” do Ciclismo. Mas também sabe que para estar no topo dos topos, no Olimpo, é preciso conquistar ainda mais provas (principalmente quando comparado com Merckx ou Hinault). É exatamente isso que ele vai tentar este ano e acredito/espero que ele consiga voltar a fazer história! Mas é mesmo esperar para ver…até porque 2018 promete – e muito.

 

A consistência em detrimento da eficácia

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sl benfica cabeçalho 1Como consequência dos maus resultados nesta fase inicial da temporada, o técnico encarnado sentiu necessidade de alterar o esquema tática da equipa. De um esquema que primava pela dinâmica ofensiva passou a apostar num meio campo mais consistente e capaz de assegurar uma maior segurança à linha defensiva. Porém, isso significa abdicar de um futebol elegante e vincadamente de ataque. É preciso perceber que marcar muitos golos e atacar com regularidade não é sinónimo de jogar bem. O jogo em si vai muito além daquilo que são as estatísticas dos golos marcados ou do número de ataques efectuados.

O Benfica do 4-4-2 tinha mais sucesso porque havia por norma um jogador que estava num forte momento de forma e que acabava por desequilibrar ofensivamente, mais do que propriamente aquilo que a equipa era capaz de construir. Talvez seja esse o maior problema da equipa este ano. Depende demasiado daquilo que Jonas ou Pizzi fazem.

Esta adaptação, com a inclusão de mais um médio criativo como Krovinovic e abdicando de um dos jogadores da frente, é uma tentativa de implementar a construção do jogo de forma faseada e a começar desde a defesa. Os dois jogadores, Pizzi e Krovinovic, vão permitir ter superioridade numérica no miolo do terreno, criar apoios aos laterais e ao mesmo tempo avançar no terreno, seja numa aproximação aos extremos ou mesmo numa incursão pelo meio. Da mesma forma que ofensivamente vai ganhar por depender menos da inspiração dos jogadores da frente, na defesa vai ganhar mais um jogador no apoio às tarefas defensivas, nomeadamente quando é necessário compensar as laterais aquando da subida no terreno de um dos laterais.

Contudo, e pela lógica normal, se por um lado ganha mais um jogador no meio campo, por outro perde a influência na área adversária, o que naturalmente resultará numa quebra da eficácia dos avançados. Primeiro porque apenas vai estar na área um jogador e segundo porque a bola chegará menos vezes e com menos esclarecimento a Jonas, Jiménez ou Seferovic.

Krovinovic apresenta-se como o principal candidato a ocupar a nova posição do meio campo Fonte: SL Benfica
Krovinovic apresenta-se como o principal candidato a ocupar a nova posição do meio campo
Fonte: SL Benfica

Os 72 golos marcados na temporada passada tornar-se-ão uma meta difícil de alcançar a jogar num sistema tático que conta apenas com três jogadores exclusivamente de ataque, bem como irá exigir ao avançado e aos extremos maior disponibilidade física para, caso seja necessário, pressionar a primeira linha de construção da equipa adversária. Sobretudo o jogador da frente, que se crê que nos próximos tempos continue a ser Jonas, ficará com um papel ingrato na estratégia da equipa.

Em qualquer tática, seja ela qual for, há pontos fortes e pontos fracos, no entanto é preciso é que em função das características dos jogadores que compõem o plantel o treinador saiba escolher o sistema que melhor se adequa à equipa. Rui Vitória apercebeu-se disso e optou pela consistência. Resta ver se a mudança não é apenas na forma como a equipa se dispõe em campo.

Foto de Capa: SL Benfica

A crise nos defesas-centrais em Portugal

Cabeçalho Futebol NacionalDesde que me lembro, uma coisa pela qual o futebol português se destacava, era por possuir muitos defesas-centrais de qualidade, tanto a nível de clubes, como a nível da selecção nacional.

O FC Porto, desde há muito que iniciou uma longe tradição com defesas-centrais. Começando por António Lima Pereira, passando por outros nomes portugueses e estrangeiros como Celso, Geraldão, Fernando Couto, Aloísio, Jorge Costa, Jorge Andrade, Ricardo Carvalho, Pepe, Bruno Alves, Otamendi e Mangala.

O Sport Lisboa e Benfica também já dispôs nas suas equipas dfesas centrais de grande categoria a nível nacional e internacional. A nível nacional teve Germano, Humberto Coelho, António Bastos Lopes; estre estrangeiros teve os internacionais brasileiros Mozer, Aldaír e Ricardo Gomes, aquele que seria o primeiro capitão estrangeiro da história do clube. Já neste século teria também Luisão, David Luiz e Garay.

O Sporting, não tendo tanta tradição, também já teve alguns defesas centrais de craveira internacional como os brasileiros Ricardo Rocha, André Cruz e Anderson Polga, o holandês Stan Valcx, ou o marroquino Naybet.

Como tal, a selecção nacional também já teve defesas-centrais de grande qualidade a representarem a equipa das quinas ao mais alto nível: Jorge Costa, Fernando Couto, Beto, Jorge Andrade, Ricardo Carvalho, Pepe, Bruno Alves…

Rúben Dias é das maiores promessas do futebol nacional Fonte: Facebook Oficial Sport Lisboa e Benfica - Formação
Rúben Dias é das maiores promessas do futebol nacional
Fonte: Facebook Oficial Sport Lisboa e Benfica – Formação

No entanto, eu tenho andado a verificar que esta posição tem estado em crise no futebol português, não só pela escassez de defesas centrais jovens de grande qualidade, como pela dificuldade que alguns defesas-centrais estrangeiros que por cá passaram têm tido em afirmar-se em ligas de um patamar competitivo superior.

Nesta segunda situação, verificam-se nos casos de Mangala e de Lindelof. Sendo que até o argentino Otamendi, só agora na sua 4ª época no estrangeiro parece afirmar-se no actual líder da Premier League.

Na primeira situação, o caso é um pouco mais complexo. Nesta década, têm sido vários os bons resultados alcançados pelas nossas selecções jovens nas competições internacionais. Como tal, têm sido alguns os defesas-centrais referenciados como promessas do futebol nacional. Porém, por um ou por outro motivo, estes tardam em afirmar-se no panorama do futebol nacional. E com isso, os defesas-centrais chamados à selecção nacional são quase sempre jogadores experientes. Na última Taça das Confederações, Luís Neto era o central mais “jovem” com 29 anos.

Porém, acredito que essa fase pode acabar com o aparecimento de Rúben Dias, que aos 20 anos, já tem sido titular na equipa principal do Benfica e mostra um grande perfil de líder. Tendo em conta os anos em que o futebol português anda a reclamar por um defesa-central jovem de grande qualidade, não ficaria admirado se este estivesse entre os 23 eleitos para o Mundial na Rússia.

Mas não fica por aqui. Há outros defesas-centrais que podem vir a dar que falar no futuro, tais como Ricardo Ferreira, Domingos Duarte, Francisco Ferreira, Jorge Fernandes ou Diogo Queirós. Esperemos que estes tenham mais sorte que outros que acabaram por estagnar.

 

Foto de Capa: FC Porto

Os 10 melhores momentos do derby de Manchester

Cabeçalho Liga Inglesa

Domingo é dia de jogo grande em Inglaterra, naquele que é um dos maiores derbys do mundo futebol e que já vem de há muito anos… Viajei ao passado e estes são os melhores momentos dos duelos entre os dois grandes de Manchester.

Maturidade Tática do FC Porto de Sérgio Conceição

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fc porto cabeçalho Quando no início da época foi anunciada a contratação de Sérgio Conceição para orientar os “Dragões” a minha reação não foi propriamente de grande entusiasmo. Particularmente, sou admirador de treinadores mais racionais e menos emocionais. É evidente que a competência é sempre o critério de avaliação mais importante, mas os treinadores muito emocionais, aqueles que gerem o grupo de uma forma muito intensa, são sempre uma aposta mais arriscada e, na minha opinião, o FC Porto precisava e precisa de estabilidade. Por isso achei que Sérgio Conceição não seria a escolha mais acertada.

Feita esta introdução e passados alguns meses desde o início da época, a minha avaliação do trabalho realizado pelo técnico dos azuis e brancos é extremamente positiva. Ao nível da comunicação tem sido exemplar, quer para dentro do grupo quer para fora (imprensa e adeptos). Ao nível tático mostrou uma maturidade e racionalidade que me surpreendeu, a forma como trabalha a equipa em função do adversário tem sido notável. Cometeu um erro, que foi o jogo em casa com os turcos do Besiktas JK, mas o mais importante é que percebeu o erro e desde esse momento a equipa ficou muito mais equilibrada, com as alternâncias táticas que vão sendo feitas entre o 4-3-3 e o 4-4-2, com ambos os sistemas a apresentarem várias variantes.

Neste momento, qualquer adversário que defronta o FC Porto tem dificuldade em antecipar de que forma Sérgio Conceição vai colocar “as peças” em campo, e mesmo durante os encontros as alternâncias que vão sendo feitas mostram o excelente trabalho que o treinador portista tem vindo a realizar.

Sérgio Conceição tem o plantel e os adeptos do seu lado Fonte: FC Porto
Sérgio Conceição tem o plantel e os adeptos do seu lado
Fonte: FC Porto

As duas últimas partidas (frente a SL Benfica e AS Monaco FC) são bons exemplos disso. Contra os encarnados o FC Porto entrou num 4-4-2 clássico, com Herrera no corredor direito e Marega a explorar o espaço entre Grimaldo e Jardel. Um 4-4-2 que rapidamente se podia transformar num 4-3-3 com a passagem de Herrera para o corredor central ficando Marega na ala direita. Contra o AS Monaco FC o FC Porto entrou num 4-2-3-1, com André André a fazer a função de “10”. Esta capacidade de variar sistemas táticos e movimentações mantendo o alto rendimento e potenciando ao máximo a qualidade dos jogadores é obra de uma equipa técnica liderada por Sérgio Conceição que, para mim, tem sido uma agradável surpresa.

O plantel não é extenso mas isso, na minha opinião, não é um problema quando existe uma equipa B. Até digo mais: esse tem que ser o caminho! Um plantel mais curto é mais fácil de ser motivado, visto que todos são opção regularmente, e é mais fácil lançar jovens valores cujos custos são bem mais baixos. Só esta época já cinco jogadores da equipa B tiveram oportunidades na equipa principal: Jorge Fernandes, Dalot, Luizão, Galeno e André Pereira. Em suma, se no início da época não era um admirador e um entusiasta da opção por Sérgio Conceição, passados seis meses estou convertido.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira