Início Site Página 11979

O “efeito Conceição”: Fim da hegemonia do SL Benfica?

0

fc porto cabeçalho

São avassaladoras as diferenças entre o atual FC Porto e o da época transata no que ao futebol praticado diz respeito. Até prova em contrário, esta parece ser a mais bem preparada equipa do FC Porto desde a saída de Vítor Pereira, com um modelo de jogo já bem definido, com ideias de equipa “grande” e competência coletiva em todos os momentos do jogo.

Os adeptos do FC Porto têm referido insistentemente que Sérgio Conceição trouxe garra e uma atitude diferente à equipa. Porém, o que Conceição trouxe foi uma maior organização, assente num modelo de jogo que potencia as individualidades. Os jogadores do FC Porto não correm mais do que na época passada, mas correm melhor.

Defensivamente muito se elogiava o FC Porto de Nuno Espírito Santo. Contudo, o êxito defensivo da equipa assentava essencialmente na qualidade dos cinco futebolistas mais recuados ao nível dos duelos individuais, ou seja, o mérito era sobretudo dos jogadores (pelas suas caraterísticas) e não do trabalho do treinador. Atualmente, a somar aos jogadores (que, na linha defensiva, são praticamente os mesmos), existe organização, entenda-se, processos bem definidos que começam logo na pressão alta realizada pelos médios e avançados.

A competência coletiva do FC Porto cresceu exponencialmente Fonte: FC Porto
A competência coletiva do FC Porto cresceu exponencialmente
Fonte: FC Porto

Ofensivamente as diferenças são assombrosas. Uma equipa que outrora “esticava o jogo na frente”, insistentemente, através de bolas longas a partir dos defesas centrais ou laterais, é hoje uma equipa na qual Danilo recua para junto dos centrais e Óliver, Brahimi e Corona baixam para receber o primeiro passe que sai da construção. O FC Porto é hoje uma equipa “de posse”, mas não de posse sem objetividade tal como se verificava na “era Lopetegui”; existe capacidade de acelerar o jogo através de passes verticais que conduzem à criação de desequilíbrios nas defesas adversárias.

É por tudo isto que o FC Porto parece hoje, muito mais do que nos anos anteriores, uma equipa capaz de lutar pela conquista da Liga NOS. Ainda não sofreu golos e não se afigura fácil, para qualquer adversário, desmontar um misto entre organização defensiva e competência individual nos duelos defensivos. Por outro lado, tem marcado muitos golos mas, acima de tudo, tem conseguido criar oportunidades claras para chegar ao golo, em grande número, em todos os jogos disputados até ao momento.

O FC Porto tem demonstrado grande poder ofensivo Fonte : FC Porto
O FC Porto tem demonstrado grande poder ofensivo
Fonte : FC Porto

Porém, nem tudo é perfeito! O FC Porto tem um plantel “curto” e com alternativas de qualidade individual claramente inferior à dos futebolistas que integram o onze-tipo. Para além disso, existe um problema na linha ofensiva: tanto Soares como Aboubakar são futebolistas que, pese embora sejam possantes fisicamente e, dessa forma, desgastem as defesas adversárias, têm pouco critério com bola e apresentam claras limitações ao nível da tomada de decisão. O caso de Marega é ainda mais grave, visto tratar-se de um jogador com tremendas dificuldades (inclusivamente técnicas) no momento de organização ofensiva. Neste cenário, não se compreende o empréstimo de Rui Pedro ao Boavista FC.

No cômputo geral, e ainda que o SL Benfica apresente mais soluções individuais (embora, pela primeira vez nos últimos anos, com lacunas em algumas posições) e um super-Jonas na frente de ataque, este FC Porto parece capaz de desafiar o tetracampeão nacional na luta pela conquista da Liga NOS. O desfasamento qualitativo entre as duas equipas, sobretudo no plano coletivo, parece ter-se dissipado e, quando assim é, as probabilidades de sucesso repartem-se. Será este o “ano do dragão”?

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Portugal 2-0 País de Gales (Sub 21): Nova fornada de talento, a mesma qualidade

Cabeçalho Seleção Nacional

Foi num Estádio Municipal de Chaves bem composto e com um relvado em más condições que a selecção nacional portuguesa de sub-21 iniciou a sua campanha de qualificação rumo ao Europeu de 2019 em Itália, campanha essa que arrancou, desde já, com uma vitória frente ao País de Gales.

Após algumas mexidas na selecção nacional por efeitos de idade, pois alguns jogadores deixaram de ter idade para representar esta selecção, muita da base da qualidade manteve-se, pegando logo em Renato Sanches, Gonçalo Guedes, Ruben Neves… Qualidade essa que vem agora a ser complementada pela nova “fornada” de talento da geração seguinte, falo nomeadamente de jogadores como Xadas.

Portugal apresentou por isso um onze cheio de qualidade e talento para o seu primeiro jogo de qualificação, um onze de deixar muitos países a roerem-se de inveja. Portugal iniciou o seu jogo algo nervoso e o País de Gales aproveitou-se dessa situação para arrancar com algum domínio durante os primeiros cinco/dez minutos, situação que se veio a reverter quando a selecção portuguesa se libertou do nervosismo, a qualidade portuguesa começou a vir ao de cima e começou-se a ver uma excelente troca de bola e um excelente “tratamento” da mesma por parte de alguns jogadores, evidenciando-se Renato Sanches, Gonçalo Guedes, Xadas, Gil Dias e João Carvalho, o relvado por vezes, mesmo assim, dificultava a construção de jogo de Portugal.

As oportunidades aos 12, 13 , 15 , 18 e 20 minutos foram a prova do quanto Portugal carregava sobre a área galesa, sempre com os mesmos protagonistas, a nossa seleção esteve mais perto de marcar do que nunca durante este período e a bola parecia não querer entrar, mas tal foi a insistência portuguesa que Gonçalo Guedes conseguiu arrancar um penalty aos 23 minutos que foi concretizado com categoria por Rúben Neves, estava assim inaugurado o marcador em Chaves e Portugal chegava finalmente ao golo que tardava, dado o número de oportunidades.

Portugal inaugurava o marcador mas nem por isso tirou o pé do acelerador e o que se viu foi um contínuo “carregamento” sobre o meio campo galês que não tinha sossego, as oportunidades portuguesas sucediam-se umas atrás de outras e não é de admirar que, ainda antes do intervalo, Portugal tenha chegado ao segundo golo, uma combinação perfeita entre o trio Renato Sanches-Xadas-Gil Dias com Gonçalo Guedes a finalizar da melhor maneira aos 40 minutos, terminava assim uma primeira parte de grande qualidade da equipa de Rui Jorge, resultado curto tendo em conta o número de oportunidades que Portugal desperdiçou.

A segunda parte trouxe um jogo diferente e, consequentemente, um Portugal diferente, que tirou o pé do acelerador e passou a praticar um futebol de mais controlo do resultado, o que permitiu ao País de Gales praticar um futebol mais confortável e com mais oportunidades, a bola ao poste aos 60 minutos traduzia o domínio do Pais de Gales nesta fase do jogo. O resultado ficaria sentenciado aos 82 minutos com a expulsão de Chris Mepham, a partir daqui o País de Gales quebrou fisicamente e Portugal voltou a dispor de algumas oportunidades para aumentar o marcador, a bola ainda foi introduzida dentro da baliza no período de descontos, mas o golo seria anulado por fora de jogo.

Terminava assim o jogo em Chaves, com um resultado feito na primeira parte, o melhor período de Portugal, e onde melhor pudemos ver o que esperar desta geração para esta qualificação, prometeram muito e não desiludiram, veremos se será mais uma qualificação tranquila, estão reunidas todas as condições para tal, outra vez.

 Foto de capa: FPF

Carta Aberta a Bruno Magalhães

cartaaberta

Bruno,

Foi assim que nos dirigimos a ti nos diversos autógrafos pedidos (o mais antigo que encontrámos já data de 2003, do Rali dos Açores), nos tímidos “boa sorte” desejados, e é assim que hoje te falamos. Não nos conheces (seria impossível, com tantas abordagens das mais variadas pessoas, com as mais variadas idades!), mas nós, assim como todos os fãs de rali, conhecemos-te.

Estás, neste momento, a disputar uma das mais duras batalhas da tua carreira: a luta por ser campeão europeu de ralis. Há pouco mais de um ano, o país parou para assistir à tão desejada conquista do Campeonato da Europa de futebol, depois da tragédia grega de 2004. O desporto nacional tem vindo a evoluir num sentido bastante positivo e tu fazes parte dessa evolução. Estás a 23 pontos da liderança do europeu, faltam dois ralis. É difícil? Sim. Afinal, estás a lutar contra o actual bicampeão europeu, Kajetan Kajetanowicz, que está tão empenhado na vitória quanto tu.

E tal como o teu adversário não facilita, também a constante falta de apoios das empresas portuguesas tem sido notória. A dúvida sobre se terás patrocinadores mantém-se a cada inscrição num novo rali, o teu futuro é sempre uma incerteza.

A 1 de Abril deste ano, ganhaste o Rali dos Açores e colocaste Portugal em mais um primeiro lugar. No entanto, e ao contrário do que seria de esperar, essa vitória não surtiu os efeitos desejados – as marcas mantinham a falta de disponibilidade para apoios. Disseste, no final deste Rali, “ganhámos o nacional, estamos à frente no campeonato da Europa e agora vamos para casa!”. Não foste para casa, mas as condições para continuares têm sido más.

É a Seajets que nos permite sonhar com o título europeu Fonte: ERC
Fonte: ERC

Conseguiste ir às Canárias e manter a liderança do ERC, mas… em vez de ganhares apoios, perdeste um. O sonho parecia próximo do fim. A apenas poucos dias do Rali da Grécia conseguiste confirmar a presença nos dois ralis seguintes, graças a um patrocínio grego. É estranho, sim: eras o líder do europeu e, mesmo assim, só na Grécia conseguiste dinheiro para continuar.

Para nós é estranho reconhecer que se não fosse uma empresa grega, os portugueses não teriam o prazer de te ver brilhar, mas, ao mesmo tempo, deixa-nos felizes que no estrangeiro o teu valor seja reconhecido. Tal como em tantos outros exemplos de talento e profissionalismo portugueses, o estrangeiro, por vezes, dá mais condições e reconhecimento do que o próprio país. Não culpamos as marcas nacionais, mas questionamos o porquê de ser assim. Queremos acreditar que não se trata de falta de apoio e de vontade de te ver vencer, mas sim impossibilidade, medo do risco, incerteza quanto ao retorno.

Estamos a duas semanas da próxima prova do ERC e, enquanto os teus principais rivais treinam para o rali em Itália, a tua luta é outra: a procura de apoios. Sabemos que a situação é totalmente desmotivadora e frustrante para ti e, por isso, é a ti que esta carta se dirige.

A tua dedicação, assim como a do Hugo Magalhães, é inspiradora. A tua força dá-nos a certeza de que a frase “todos os caminhos vão dar a Roma” foi criada para este teu momento. Estaremos deste lado a apoiar-te.

Conta connosco,

Francisca Carvalho e Rodrigo Fernandes

Foto de Capa: Bruno Magalhães

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

Pavilhão João Rocha, o sonho de todos os Sportinguistas

0

sporting cp cabeçalho 2

Esta semana, arrancam os jogos oficiais do Sporting Clube de Portugal no recém inaugurado, Pavilhão João Rocha. Na próxima quarta-feira, o Andebol leonino defronta o Fafe em jogo a contar para a primeira jornada do campeonato nacional. Já no domingo, os pupilos de Nuno Dias jogam contra os Leões de Porto Salvo, na primeira jornada da fase regular da Liga.

Este foi um sonho de todos os sportinguistas, para os atletas, para treinadores e para estruturas das modalidades. O último jogo disputado na Nave de Alvalade foi a 3 de Janeiro de 2004, treze anos depois o Sporting tem a sua casa para as modalidades.

Com o Pavilhão João Rocha a tornar-se realidade, as equipas de Andebol, Futsal, Hóquei em Patins, e Voleibol que regressa este ano ao Sporting, vão ter a sua casa e as condições necessárias para enfrentar os seus desafios.

No andebol, os campeões nacionais, vão defrontar o Fafe na primeira jornada, numa época com objetivos claros: revalidar o título nacional, vencer a Taça de Portugal e a já conquistada presença na fase de grupos da Liga dos Campeões. Que os comandados de Hugo Canela vençam neste seu primeiro jogo no Pavilhão João Rocha.

O andebol e o futsal já começaram a época a conquistar objetivos Fonte: Sporting Clube de Portugal
Futebol feminino, andebol e futsal já começaram a época a conquistar objetivos
Fonte: Sporting Clube de Portugal

Os leões de Nuno Dias, depois de conquistarem a Supetaça, disputam a primeira jornada da fase regular no próximo domingo. O Sporting inicia assim a sua caminhada para mais um título frente aos Leões de Porto Salvo, agora treinados por Jorge Monteiro, que esteve muitos anos ligado ao futsal de formação. Os bicampeões nacionais têm como objetivos maiores a conquista do tricampeonato e da UEFA Futsal Cup e ainda, a Taça de Portugal e a Taça da Liga.

O Sporting espera assim arrancar os seus jogos no novo pavilhão com duas vitórias, mas essencialmente perante os sportinguistas com casa cheia. Que o Pavilhão João Rocha seja não só a casa das modalidades, mas uma autêntica fortaleza repleta de vitórias, títulos e conquistas, como outrora aconteceu com a Nave de Alvalade.
Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal
artigo revisto por: Ana Ferreira

A utilidade de Samaris

0

sl benfica cabeçalho 1Por estes dias, existem questões com um grau de dificuldade acima da média, que dificultam a capacidade que temos para responder. Será que a Terceira Guerra Mundial vai acontecer? Qual é a posição da China no meio disto tudo? Onde anda o Big Big Mac? Entre elas, está uma à qual vou procurar ajudar a responder: qual é a utilidade do Samaris para esta temporada?

Parece que o grego está a perder o pouco espaço que já tinha no plantel. Até aqui, ele era uma das duas hipóteses para o sector mais recuado do meio-campo do Benfica, sendo que a outra era o titularíssimo Fejsa. Contudo, a concorrência foi, a seu tempo, começando a ser um problema para Samaris.

Dividir o poleiro de médio-defensivo com o sérvio era mais do que aceitável e até se pede que uma equipa que quer lutar pelo campeonato, taça e ir longe na Champions tenha, pelo menos, duas alternativas para cada uma das posições.

Contudo, o problema começou a surgir quando o Benfica comprou Filipe Augusto e, no espaço de meia-época, o brasileiro ganhou o estatuto de número dois nas escolhas de Rui Vitória, para o mesmo lugar que Samaris.

Samaris perdeu espaço na equipa encarnada Fonte: SL Benfica
Samaris perdeu espaço na equipa encarnada
Fonte: SL Benfica

Convém dizer que, entre os adeptos e simpatizantes do Benfica, Samaris não é o nome mais consensual. É um pouco como a maionese, uns gostam, outros nem por isso. E percebe-se. Já demonstrou ser capaz do melhor e do pior. Causou impacto logo na primeira temporada de águia ao peito, ao completar 37 jogos oficiais, números que foram melhorados na época seguinte, com 41 jogos e dois golos.

Daí para a frente, implementou-se a era da inconsistência nas exibições de Samaris. O espaço para jogar começou a ser cada vez menor, apesar dos 32 jogos realizados na temporada passada, devido à lesão de Fejsa.

Esta temporada, o Benfica já realizou cinco partidas e o melhor que vimos de Samaris foi o relaxe natural do grego sentado no banco de suplentes. Não que não esteja em pulgas para ir para dentro de campo, mas a verdade é que a probabilidade de tal acontecer laje na fugaz hipótese de Fejsa voltar a atravessar um longo período lesionado e de tal coincidir com uma lesão de Filipe Augusto.

Só assim é que Samaris poderá ir a jogo, e se a isto juntarmos o que parece ser um Rui Vitória não muito convencido com o real valor dele, então o grego, que não saiu neste mercado de transferências, corre sérios riscos de o fazer no mês de Janeiro.

Em jeito de conclusão, a utilidade de Samaris para esta temporada está perto de ser nula.

Foto de Capa: SL Benfica

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

Previsão da Época 2017/18: Atlantic Division

0

Cabeçalho modalidadesDepois de termos dado a conhecer o que devem os adeptos esperar da divisão do Pacífico, passamos para o outro lado dos Estados Unidos, com a divisão do Atlântico. Os vencedores do Este na fase regular da temporada passada, Boston Celtics, reforçaram-se, Nets, Knicks e 76ers continuam a tentar crescer e os Raptors procuram dar o passo seguinte no desenvolvimento da sua equipa.

boston celtics

A equipa com maior impacto no mercado deste verão foi a de Boston. Os Celtics conseguiram Gordon Hayward e, apesar de não terem trocado por Paul George ou Jimmy Butler, a espera compensou-os com a chegada de Kyrie Irving, por troca com Thomas, Crowder e Zizic. Será que isto chega para destronar os Cavs? Talvez não. Mesmo que a tendência desta equipa seja melhorar ao longo do tempo, não vejo sequer uma revalidação do título da fase regular. Principalmente porque LeBron deverá ter um daqueles anos para mostrar que ainda é o melhor da liga. E ainda porque os Celtics perderam os seus dois melhores defensores do cinco inicial (Bradley e Crowder), há ainda a ausência de um poste dominador debaixo do cesto e o banco da equipa não é muito extenso. Haverá, claro, esperança no rápido desenvolvimento de Jaylen Brown, Terry Rozier e Jayson Tatum, para além do fator-estrela de Kyrie Irving e Gordon Hayward, porém parece faltar ainda qualquer coisa para realmente perturbar os Cavaliers.

Mbappé junta-se à galaxia formada na capital

0

Cabeçalho Liga FrancesaMbappé, para minha surpresa, abandonou o Mónaco ainda nesta última janela de transferências. Sobre esse assunto, o que posso dizer, abertamente, é que, pouco antes desta mesma ação negocial se ter concretizado, admirava veemente a continuidade do jovem no clube do principado. O clube que escolhera, entre deles que provocavam muito mais entusiasmo e vontade de ingressar de imediato na sua escola de formação, foi o Mónaco, que não era, claramente, nada comparável ao sucesso e boa reputação de clubes na altura interessados nesse miúdo chamado Kylian.

Esperava que o agora adulto Kylian Mbappé fosse capaz de tomar a decisão que tinha tido outrora, e resistir ao assédio quase pornográfico realizado ao jogador, praticamente, durante todo o Verão. Assédio esse que não se prendia unicamente ao proveniente da capital francesa, mas por uma teia de indivíduos ligados ao desenlace da transferência em si. Sejam eles jogadores, amigos, e ainda os verdadeiros amigos. Reconheço que é muito difícil resistir e rejeitar qualquer uma das últimas propostas que o agente do muito promissor avançado recebeu, ainda mais na conjuntura atual a nível de mercado, em que inúmeros interesses pessoais/cooperativos se associam, de uma maneira ou de outra, a este processo negocial. Ter um miúdo de 18 anos, quase literalmente, nas suas mãos, reúne muita divergência, muita licitação, elevadas quantias.

A quantia, nesta cerimónia contratual, chegou aos 180 milhões de euros, mas toda a burocracia que impede a aristocracia abastada e ao mesmo tempo responsável pela direção dos clubes, onde injetam capital próprio no projeto do clube. Para o ano é que chegará. Por agora, no papel, fica carimbado com a situação a regime de empréstimo, não de aquisição. Mesmo assim, o sucesso desportivo, cobre o investimento efetuado, e ainda dá lucro. A venda de camisolas, por parte dos clubes, rende muito mais do que se imagina. Daí saírem novos modelos da camisola oficial do clube todos os anos, para não falar das alternativas, ou 3º kit, T-shirts oficiais personalizadas, e ainda as réplicas. E o dinheiro, bem, sai mais limpo…

Mbappé, com o 10 estampado na camisa do Mónaco, foi basicamente pré época… Fonte: Okdiario.com
Terá Mbappé um substituto à altura no Mónaco?
Fonte: Okdiario.com

Pese a minha preferência em Leonardo Jardim para continuar a trabalhar este diamante em bruto que, com a missão de “carregar a equipa às costas”, pelo menos ser nele depositada toda a esperança principalmente em circunstâncias de aperto. Uma equipa que iria trabalhar, incansavelmente, para que tivesse o espaço suficiente para fazer os seus malabarismos e, do nada, sacar uma valente cavalgada em direção à baliza, conseguindo ir ultrapassando os obstáculos, algumas vezes de uma forma um tanto atabalhoada, mas eficaz. Tantas bolas este homem entregava, na cara do guarda redes, ao colega em melhores condições; outras em que tinha a confiança no pico, e atirava ele mesmo. Um grande jogador e tão jovem. E agora com o 10, que lhe ficava tão bem naquelas cores, entendia-se esplendidamente com Falcao, formavam uma dupla temível. Que agora enfrentou o seu término. Volta a usar o “seu” 29, que a título de curiosidade, é um número negro para o futebol português.

Vai para o PSG com uma grande equipa à sua espera. E outra vedeta, também jovem, mas já com experiência. Embora a sua experiência não se compare à de Neymar, o francês já demonstrou que sabe lidar com a pressão. Desfará rapidamente qualquer dúvida que exista em relação à sua qualidade. Recorde-se, inclusivamente, a situação em que se deparou quando ainda nem sequer atuava na equipa principal do Mónaco. Tecnicamente, exigiu, por via do seu agente, mais minutos, a titularidade. O seu pai foi abordado pelos media a respeito do assunto em causa, e também não se acanhou na hora de prestar as declarações. Muita confiança este jovem Kylian. Sou um grande fã, e confesso que apenas não fico extasiado com esta aquisição devido ao teor tão “cheat”, parece batota quando alguns clubes se superam a outros por força financeira. Fora isso, que grande aquisição! O projeto parisiense vai além de Neymar. A título de empréstimo (era a única maneira de escapar ao “fairplay” financeiro impingido pela UEFA), chega ao PSG, uma potência a curto prazo. Se já não o é.

Com Cavani, Pastore, Draxler, Neymar elegíveis para a frente de ataque, creio que é claramente percetível que os três eleitos para as posições em questão, sempre que aptos, serão N, M e C. Serão elas as três letras constituintes da próxima grande sigla do futebol mundial? Tem tudo para ser. Não imagino sequer como poderá não o ser. Sou sincero.

Apesar da desilusão em ver Mbappé ir para o tubarão francês, não estou insatisfeito, mas sim em pulgas de ver estas equipas em ação. Tanto o descaradamente desfalcado, desarmado Mónaco; bem como este mais do que bem munido Paris, reúnem toda a minha atenção esta época. Destas lutas David Golias, à imagem do que o Bayern faz com o Dortmund, dá gosto de ver, o desfecho muitas vezes surpreende. Da equipa brilhante montada por Nasser Al Khelaifi, o detentor da Oryx Qatar Sports Investments, que para além deste cargo, tem ainda o privilégio de pertencer à família real do Qatar; à equipa do principado monegasco, que agora sem Germain, tem obrigatoriamente de evitar ou superar perdas de jogadores lá da frente, que com esta saída à última da hora se tornam ainda mais indesejáveis. Enquanto o trabalho de Unai Emery é um luxo; o de Leonardo Jardim é o oposto disso. No final de contas saberemos quem irá alcançar algo ainda mais importante do que luxúria. Algo imaterial, mas intemporal…

 

Foto de Capa: Paris Saint-Germain FC

Artigo revisto por: Beatriz Silva

Os eSports como mercado sustentável

0

Cabeçalho modalidadesDesporto ou lazer, certo é que os eSports ou desportos electrónicos vieram para ficar. E não se limitam a ficar. Crescem. Muito! Estamos a longas distâncias dos primórdios da competição electrónica, com eventos pelo puro “bragging right” ou por prémios simbólicos. Embora imaturo quando comparado com as estruturas dos desportos tradicionais, o mundo dos eSports caminhou para uma profissionalização ainda em fase de ajuste. Há contratos, ordenados, prémios de jogo, valores de passes… Ainda recentemente, e na senda da sua vitória no The International 7 que os catapultou para o topo das equipas que mais dinheiro angariaram de sempre, o co-CEO dos Team Liquid afirmou que alguns dos seus jogadores auferem de um salário entre os 100.000 e os 200.000 dólares anuais.

A questão, pertinente, que muitos colocam é: “De onde vem este dinheiro”? E outras perguntas poderiam ser feitas, como “Porquê?” ou “Até quando?”. Pois bem, como aqui abordámos há umas semanas, a instituição de um videojogo como esport pode (e cada vez mais é esse o caso) partir de um planeamento orientado para tal por parte da empresa responsável pelo seu desenvolvimento. É uma maneira de prolongar o período de exposição e rentabilização. Em busca desse período extenso de rentabilização há, então, algum investimento que, por vezes, é levado a cabo pelos responsáveis pelo desenvolvimento. A ideia é dar um objectivo à massa de jogadores, fazê-la crescer e organizar-se de forma competitiva. Eventualmente, ir reduzindo o investimento e colher apenas os frutos dos investimentos passados.

As receitas do mundo dos eSports continuam a crescer
Fonte: Newzoo / Esportsinsider

Essa é, então, a primeira fonte do dinheiro que surge nos eSports. Aquela que faz com que o jogo ganhe massa crítica. Jogadores a trazerem mais jogadores. Jogadores a organizarem, participarem e assistirem a eventos. A segunda parte daí e é provavelmente a maior fonte de dinheiro do desporto, transversalmente: a publicidade.

Os eSports são terreno fértil para campanhas publicitárias. Mais do que fértil até, são o terreno ideal. O mercado coloca filtros a si mesmo. É preciso ter o equipamento, é preciso ter o jogo, é preciso ter melhores acessórios e melhor hardware… Essas barreiras de entrada permitem com que o levantamento feito ao público afecto aos eSports revele uma faixa sócio-económica relativamente bem definida. O grau de dificuldade do jogo colabora também com uma faixa etária. É, portanto, possível categorizar com bastante acuidade os diferentes estratos e agir sobre eles enquanto push de marcas, bens e serviços. E sendo que vivemos naquela que é conhecida como a Era da Informação, esta vai sendo obtida e catalogada em eventos e transmissões dos mesmos.

Os 10 piores centrais do Benfica dos últimos 25 anos

0

sl benfica cabeçalho 1Top 10 piores centrais do Benfica –

Fonte: AP Photo/Bernat Armangue
Fonte: AP Photo/Bernat Armangue

Edcarlos – Chegou em 2007, assinou por quatro anos, mas no segundo foi logo emprestado. Não deixou saudades a ninguém. A quantidade de vezes que comprometeu a equipa fez com que ninguém o quisesse ver por perto.

O fecho do mercado azul e branco

0

fc porto cabeçalho

A janela de transferências encerrou à meia noite da passada quinta feira e, com isso, o prazo para o FC Porto inscrever novos jogadores (exceptuando jogadores sem clube) chegou, igualmente, ao fim.

Estes dois meses de mercado trazem à tona três conclusões ou confirmações principais: 1. A situação financeira do clube é, ao que parece, bem mais preocupante do que se pensava. 2. O FC Porto tinha, nos seus quadros, um conjuntos de jogadores de enorme qualidade que estavam a ser desaproveitados. 3. O FC Porto parte para a nova época com um plantel substancialmente mais carenciado do que o dos dois rivais de Lisboa.

Foi um período de mercado que terá ficado aquém das expectativas dos portistas mas que acaba por ser um mal menor quando se verifica que a espinha dorsal da equipa que terminou a época 16/17 se mantém no seu essencial. Não foi preciso ou não terá sido possível chegar aos tais 100M€ em vendas, relevando-se apenas as alienações dos passes de André Silva (38M€), Rúben Neves (18M€) e Bruno Martins Indi (8M€), sendo que apenas o jovem ponta de lança português era um titular da equipa e que o central holandês nem sequer fazia parte do plantel que esteve às ordens de Nuno Espírito Santo.

Quanto a entradas e como tem sido badalado um pouco por toda a opinião pública e publicada regista-se somente a chegada de Vaná Alves (guarda-redes oriundo do Feirense) que terá custado qualquer coisa como 1M€ e a inscrição de alguns jovens desconhecidos para a generalidade dos adeptos e que deverão alinhar pela equipa B. Assim o principal e melhor reforço do clube terá sido mesmo Sérgio Conceição.

Sérgio Conceição entrou com o pé direito na Liga Fonte: FC Porto
Sérgio Conceição entrou com o pé direito na Liga
Fonte: FC Porto

Retomando as conclusões abordadas no começo do presente artigo, começa a parecer evidente que a SAD portista vive, atualmente, com a corda no pescoço e sem qualquer tipo de margem de manobra e capacidade negocial no mercado. É público que Sérgio Conceição esperava a chegada de novos jogadores (prioridade dada a um avançado e a um médio) e que a administração do clube batalhou, sem sucesso, até aos últimos minutos de dia 31 para oferecer ao treinador, pelo menos, um jogador do seu agrado. Todas as ofertas foram recusadas e a contenção imperou na hora de chegar a outros valores. Uns chamar-lhe-ão gestão responsável, outros, mais atentos, olharão para tal facto como consequência primordial de uma gestão irresponsável e danosa.

Mas não é hora de dividir, é tempo de convergir e unir esforços. O treinador e os adeptos terão que se contentar com um leque de jogadores que é rico em qualidade mas pobre em quantidade. Parece, a menos que alguns jogadores se revelem, esta época, bem acima do esperado, um plantel substancialmente mais curto do que o dos principais rivais, sendo que, no entanto, contém um conjunto de jogadores, nomeadamente os onze mais utilizados (com Soares no lugar de Marega), com enorme categoria e, possivelmente, suficiente para consumo interno.

Portanto, as questões física e disciplinar desempenharão, a meu ver, um papel decisivo na época do FC Porto e deverão ser geridas com pinças pelo corpo técnico.

Por fim, ressalvar o meritório trabalho da SAD na redução de custos e da massa salarial com a rescisão de contrato com mais de 15 atletas e os regressos de alguns emprestados, com Aboubakar, Marega, Hernâni ou Diego Reyes à cabeça, que prometem vir a ser tremendamente úteis no desenrolar da época desportiva.

Findo o mercado, segue-se uma longa, exigente e fundamental época desportiva e, como tal, não quero deixar de concluir este artigo de balanço do mesmo com um apelo à união e competência de todos os envolvidos no dia-a-dia do clube para que possamos, finalmente, estar na Avenida dos Aliados, na Alameda do Dragão e um pouco por todo o mundo a festejar o tão ambicionado título de campeão nacional.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Pedro Couto