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Três à Retaguarda

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Itália, o berço da pizza, da pasta, da ópera e do Roberto Di Baggio. Sim, jamais pensaria fazer um artigo sobre algo oriundo do Futebol italiano sem mencionar, ainda que ao de leve, um dos meus jogadores preferidos. Mas não é dele que falamos. Quando pensamos na terra dos romanos e associamos a isso o Futebol vem-nos à cabeça o AC Milan no tempo de Kaká, o Inter de Mourinho, Totti, e a mais recente hegemonia da Juventus. É mais do que isto. Estamos a falar de uma nação tetracampeã mundial, o último do quais em 2006, na final que ficou marcada pela famosa cabeçada de Zidane a Materazzi.

“Em Itália o Futebol é mais lento”. Ouvi isto numa conversa de café com amigos. Não é que o Futebol seja mais lento, mas há uma razão e fundo para se dizer isto. Em vez de lento, em Itália, o Futebol é mais estratégico. Está tudo ligado à tática e à principal característica de boa parte das equipas italianas: saber defender.

A velocidade de jogo depende tudo daquilo que está no papel: a tática. O tempo encarregou-se de munir os italianos com uma capacidade de adaptação que lhes permitiu criar algo de absolutamente invulgar e com resultados fantásticos: o Três-Quatro-Três.

A ideia de abordar um jogo de Futebol com três defesas parece quase suicida, mas facto é que os italianos e alguns países da América do Sul já o fazem há algum tempo. O problema disto estava na forma como aquilo que estava escrito era transposto para o relvado. Inicialmente, os três defesas estavam lá, e quando digo três defesas são três centrais de raiz. Se há skill pelo qual o defesa-central não é muito conhecido, embora hoje em dia menos, é a rapidez. Ora, isto fazia com que a equipa ficasse mais permeável à abordagem dos atacantes adversários. E a compensação? Perguntam vocês. Essa era outra dor de cabeça. Quando as coisas apertavam, passava-se a ter cinco em vez de três defesas, que, por norma, eram os dois médios mais recuados.

Jardel ainda não contabilizou qualquer minuto, em jogos oficiais, esta época Fonte: Instagram de Jardel
Jardel ainda não contabilizou qualquer minuto em jogos oficiais esta época
Fonte: Instagram de Jardel

Este modelo de jogou começou a ganhar novos fãs. Primeiro com o Chile de Sampaoli e, mais recentemente, com um oriundo do país de Júlio César: António Conte. O atual treinador do Chelsea começou por usar este esquema na Série B, com o Siena, em 2011, quando terminou em segundo lugar na Série B. Garantida a promoção, o ex-jogador da Juventus recebeu um convite para ir treinar a Vecchia Signora.

Conte foi treinador da Juve durante três anos e três vezes campeão. Chiellini, Barzagli e Bonucci eram os três defesas com os quais Conte contava, tanto na Juventus como na seleção italiana, que treinou, aí sim sem grande brio, durante dois anos. Hoje, estes papéis são representados por David Luiz, Gary Cahill e Azpilicueta.

Em Portugal ainda não se vê muito disto. Começam a surgir vislumbres e pequenas adaptações, exemplo do Benfica que, no último jogo com o Belenenses em casa, acabou com Lisandro, Jardel e Luisão em campo, sendo Salvio substituído por Chiren, fazendo com que Eliseu (de todos) subisse no terreno e ficasse senhor e dono da ala esquerda.

Contudo, ainda não há quem arrisque mais do que isto. E porquê? O Futebol em Portugal ainda é um pouco como a sua gente: fechado. Não me cheira que tão cedo algum treinador da primeira liga veja o 3-4-3 como uma alternativa táctica plausível. Estamos demasiados habituados a ter 4 defesas e isso, por cá, tem dado resultado.

Lá fora, na Inglaterra e Itália joga-se desta forma com bastante facilidade. Nas terras da senhora Majestade começou com o Chelsea, depois veio o Tottenham e nesta altura West Ham, Southampton, Arsenal e até o United de Mourinho usam o 3-4-3.

Por cá, vamos ter de esperar. Honestamente, neste Benfica este esquema táctico só resultaria se a tripla defensiva fosse composta por André Almeida, Jardel e Kalaica/Luisão com Grimaldo e Cervi a fazerem os corredores, Fejsa e Pizzi a dividirem o meio-campo com o sérvio mais recuado e Jonas, Seferovic e Salvio/Rafa na frente.

Artigo revisto por: Ana Rita Cristóvão

Projetos que valem ouro

Cabeçalho Futebol NacionalPara quem pensa que o mundo do Futebol é só jogar e marcar golos está muito enganado. Muitos clubes, para sobreviver, necessitam de investimentos de terceiros, caso contrário o clube pode ter de fechar as portas.

Longe vão os tempos em que equipas como o Ajax, o Estrela Vermelha ou o Steaua de Bucareste ganhavam Ligas dos Campeões. O Futebol tornou-se cada vez mais num negócio apetecível para os homens mais poderosos do mundo.

Apesar de ser mais habitual ouvir falar em investidores de clubes internacionais, Portugal não fica atrás. Exemplo disso temos: Rio Ave, Portimonense, Chaves, Feirense e o próprio Cova da Piedade.

O Rio Ave, equipa de Vila do Conde que tem consolidado nos últimos a sua posição no Futebol português, é um dos clubes com apoio financeiro. Neste caso, o clube viu-se acompanhado da ajuda por parte do Grupo Fosun, uma empresa chinesa que deu, inicialmente, uma verba de dez milhões de euros para a construção da SAD do clube, empresa essa com ligações ao empresário Jorge Mendes.

Para além das verbas investidas no clube, têm sido alguns os jogadores de qualidade que o empresário português tem colocado no clube. Na última época, Gil Dias e Adama Traoré, ambos vindos do Mónaco, outro clube com ligações ao empresário, foram dois dos jogadores com maiores pergaminhos a representar o clube do Norte. Para além destes, grandes jogadores têm passado por Vila do Conde, à cabeça: Fábio Coentrão, Ederson, Rafa Soares, Krovinovic, Hassan, Heldon, entre outros.

Portimonense, um clube recém-chegado ao principal escalão do Futebol português, é outro bom exemplo. Numa primeira fase, foi necessário solucionar os problemas que o clube tinha. A equipa passava por uma fase complicada quando Theodoro Fonseca decidiu investir na turma de Portimão. A verdade é que, fruto de um trabalho consolidado e bem estruturado, a equipa do sul do país foi conseguindo galgar terreno em busca do seu lugar ao sol no Futebol português. Também no caso da equipa de Portimão, são muitos os nomes de qualidade que têm passado pelo clube. Um deles, a estrela da companhia, Paulinho.

Outro bom exemplo de gestão é o do Desportivo de Chaves. A equipa transmontana tem vivido um verdadeiro conto de fadas no Futebol português. Ainda há uns anos a equipa batalhava nos pesados campos do CPP e agora é um dos clubes mais respeitados do Futebol nacional. Tudo graças a um investidor: Francisco Carvalho, presidente honorário do clube, homem que ficou conhecido por ter ganhado uma grande fortuna no famoso “euromilhões”. O transmontano foi responsável pelo salto competitivo que a equipa de Chaves tem dado nas últimas épocas. Com um projeto muito bem orquestrado pelos seus dois filhos, a equipa tem conseguido voltar a recuperar a glória de outros tempos. Na temporada passada, que marcou o regresso da equipa à competição maior do Futebol português, o clube transmontano foi uma das principais sensações da prova. É importante referir os dias negros que o clube passava há cinco/seis anos. Hoje em dia, o clube respira saúde financeira e esta época poderá ser um dos grandes candidatos a lutar pela qualificação para a Europa.

Também o CD Aves, clube recém-chegado ao principal escalão do Futebol nacional, tem sido notícia por receber apoio financeiro na construção do seu plantel. Aliás, esta época, o Aves tem sido a equipa mais em voga no mercado de verão. Foram quase duas dezenas os jogadores a entrar no plantel da equipa avense. Entre os nomes maiores que reforçaram o clube, destaque para: Nélson Lenho, Fachini, Salvador Agra, Derley, Braga, Gonçalo Santos, Amilton. São muitos os jogadores de qualidade a representar o elenco orientado por Ricardo Soares, também ele contratado para o projeto. Depois de uma subida de divisão há já muito esperada, a equipa da Vila das Aves pretende garantir, pela primeira vez, a manutenção na Primeira Liga. Neste caso, e em comparação com o Portimonense, a equipa das Aves optou por um projeto mais arriscado. O Portimonense decidiu manter a grande maioria do plantel e o próprio treinador, responsáveis pela conquista da Segunda Liga enquanto o Aves decidiu dispensar muitos jogadores e contratar outros para o seu lugar.

O chaves foi uma das sensações da temporada passada, com boas prestações no campeonato e na taça de Portugal. Fonte: GD Chaves
O GD Chaves foi uma das sensações da temporada passada, com boas prestações no campeonato e na taça de Portugal.
Fonte: GD Chaves

Notas de destaque também para clubes como o Feirense e, na Segunda Liga, para o Cova da Piedade, um dos clubes com maior orçamento na prova.

Mas, indo ao que interessa, é prejudicial ou não a existência de investidores nos clubes nacionais? A resposta deve ser ponderada. Há bons exemplos de gestão no Futebol português de clubes que conseguiram manter um equilíbrio nos seus planteis, nos seus projetos, que não tentaram dar o passo maior do que a perna e que mantiveram o seu projeto. E, numa altura em que o Futebol gera cada vez mais dinheiro, será cada vez mais inevitável que apareçam mais casos destes no Futebol em geral. O que se deve perceber é que há uma barreira entre o investidor e as pessoas que, efetivamente, gerem o clube. E isso tem acontecido em alguns clubes portugueses.

Nesta temporada, curiosidade para ver como se sairão os dois recém-promovidos no campeonato, Portimonense e Aves, clubes que têm recebido injeções de dinheiro de investidores e que optaram por dois projetos completamente distintos. Numa altura em que o campeonato nacional é considerado, cada vez mais, como desnivelado ou pouco competitivo, urge a necessidade de surgirem projetos destes. Sim, para os românticos do Futebol, não é algo necessariamente positivo, mas temos de enquadrar que o Mundo está em mudança e que o Futebol, tal como o mundo, não irá voltar ao que era há vinte anos atrás. Infelizmente.

Foto de Capa: Rio Ave FC

Artigo revisto por: Ana Rita Cristóvão

Girabola’17: o que esperar do último terço do campeonato?

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Cabeçalho Futebol InternacionalApós o compromisso internacional dos Palancas Negras, que terminou com a qualificação da seleção angolana para o CHAN’18, é tempo de voltar de novo as atenções para o Girabola e para o que ainda falta jogar do campeonato. Como seria de prever, o título será discutido até à última jornada pelas 4 equipas apontadas todas as edições como favoritas a serem campeãs: 1.º de Agosto, Recreativo do Libolo, Petro de Luanda e Kabuscorp, embora esta época haja um intrometido nesta disputa – o Sagrada Esperança.

Certamente, muitos adeptos pensariam que a equipa do Dundo não seria capaz de permanecer grande parte da época com um ritmo competitivo de alto nível, mas a verdade é que conseguiu manter-se nos lugares cimeiros da classificação – está no 4.º lugar, com 38 pontos conquistados. Aconteça aquilo que acontecer nas últimas 9 jornadas, a equipa treinada pelo turco Ekrem Asma pode já ser vista como a “Equipa Revelação” da edição de 2017 do campeonato angolano, dado que se intrometeu na luta dos 4 crónicos candidatos ao título, situação que é positiva para o crescimento competitivo do Girabola.

No que diz respeito ao campeão 1.º de Agosto, a equipa de Rambé & Companha está no 1.º lugar da tabela e parece estar em melhores condições para revalidar o título, embora ainda tenha 4 jogos exigentes – recebe em casa os três restantes candidatos e a equipa-surpresa até ao final do campeonato. Caso vença essas quatro partidas caseiras, os Militares muito dificilmente não terminaram a época a celebrar o bicampeonato.

O Petro de Luanda parte para o último terço do campeonato no 2.º posto, com 44 pontos e menos duas partidas jogadas, mas também pode aspirar a vencer o título, que lhe escapa desde 2009. Para recuperar o atraso em relação ao seu rival, a equipa petrolífera conta com o seu avançado brasileiro Tiago Azulão, o melhor marcador da prova até ao momento (11 golos marcados), sendo que a sua inspiração e assertividade serão fundamentais para o Petro se manter na luta pelo troféu de campeão.

1.º de Agosto e Petro de Luanda partem à frente da restante concorrência na luta pelo título Fonte: Girabola Zap
1.º de Agosto e Petro de Luanda partem à frente da restante concorrência na luta pelo título
Fonte: Girabola Zap

Quanto aos outros dois candidatos, Kabuscorp e Rec. Libolo, partem para a reta final numa situação menos favorável: estão ambos obrigados a vencer os seus jogos e a ter de esperar por escorregadelas dos dois primeiros classificados, situação que até poderá acontecer, visto que, nas últimas jornadas, as equipas estão mais preocupadas em pontuar para atingir os seus diferentes objetivos, não querendo dar, assim, tanto espetáculo nos jogos disputados.

Na parte final da tabela, a luta pela permanência no principal escalão do futebol angolano será igualmente interessante de se acompanhar: existem cinco equipas separadas por poucos pontos (entre 2 a 4 pontos) e que tudo farão para garantir a sua salvação no Girabola, sendo elas o Santa Rita de Cássia, JGM do Huambo, Progresso da Lunda Sul, Académica do Lobito e ASA. Qualquer um dos clubes tanto poderá festejar a permanência no final da prova, como chorar a despromoção – tudo depende do desempenho que terão nos encontros que faltam jogar.

Em conclusão, creio que estão reunidas as condições para se assistir a uma reta final de campeonato de qualidade, cuja máxima que irá imperar na mente de todos os envolvidos na competição (jogadores, treinadores, dirigentes e adeptos) será: “Todos os pontos contam!”. Que se comece a jogar o que falta do Girabola´17!

 

Artigo revisto por: Ana Rita Cristóvão

Estética ou segurança? Ferrari ou Mercedes?

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Cabeçalho modalidadesA tradicional pausa de verão na Fórmula 1 é sinónimo de que o campeonato está a meio. É também quando os rumores das entradas e saídas de pilotos surgem, e, inevitavelmente, é quando as especulações dos acontecimentos da primeira metade do campeonato acontecem e se faz uma reflexão.

Uma primeira metade de campeonato claramente dominada entre Ferrari e Mercedes, com Sebastian Vettel e Lewis Hamilton, respectivamente, numa disputa genuína e taco-a-taco, onde o respeito e a competição têm falado sempre mais alto neste despique, apesar do episódio insólito, que também dá sal ao duelo, ocorrido no circuito de Baku, no Azerbaijão.

Em relação ao chamado segundo-piloto, Bottas tem-se destacado pela positiva e está bastante perto do seu companheiro de equipa, não podendo a equipa, para já, decidir quem é que ataca o título. Já Raikkonen tem-se revelado inconstante, em termos de exibições e resultados, capaz do melhor e do pior num espaço de 15 dias, tendo sido já “apertado” pelos superiores, pois o papel do finlandês é de protecção em relação ao alemão da Ferrari.

A Red Bull tem vindo, paulatinamente, a subir de performance e, acredite-se ou não, a verdade é que podem interferir bastante na luta pelo título entre a Ferrari e Mercedes.

O chamado ‘mercado de transferências’ encontra-se quente, com Vettel e Raikkonen a terminarem o contracto com a Ferrari no final da presente temporada. Já Bottas tem apenas este ano de contracto com a Mercedes e o desejo de Hamilton correr pela Ferrari é antigo, já para não falar que Verstappen proferiu publicamente que deseja ter o melhor carro, independentemente da cor.
No entanto, não é expectável que surjam ‘bombas’ de última hora. O previsível é que a Ferrari mantenha a dupla mas por apenas um ano e, como manda a tradição, que a apresentação seja feita no Grande Prémio de Itália em Monza. Na mesma linha deverá ir a Mercedes e a Red Bull, ao manterem as mesmas duplas. Tudo aquilo que seja fora deste alinhamento pode ser considerado surpresa.

O ‘Shield’ em acção era a alternativa ao ‘Halo’ Fonte: FIA
O ‘Shield’ em acção era a alternativa ao ‘Halo’
Fonte: FIA

Faltando ‘apenas’ nove Grandes Prémios até à final, a luta entre Ferrari e Mercedes, Vettel e Hamilton, será até à última volta da última corrida. O equilíbrio é grande e, certamente, que ninguém se conseguirá impor a ninguém. Em teoria, os circuitos são, maioritariamente, favoráveis à Mercedes. Porém, na prática, todos sabem que existem surpresas.

Tudo a pensar no final de 2018, onde Vettel e Hamilton ficam livres e podem rumar a qualquer equipa, talvez uma troca por troca, e com Ricciardo e Verstappen a preencherem as duplas da frente, o que seria, no mínimo, aliciante. A política da Ferrari não é ter dois pilotos de ponta, por isso talvez seja impossível juntar dois leões numa jaula. O mesmo se pode dizer em relação à Mercedes: certamente que ninguém espera um Bottas na luta com Vettel pelo título. Quem está à espreita a assistir a este jogo de cadeiras é a Red Bull, não tendo um monolugar competitivo, não terá outro comportamento senão aquele que tem tido. Já na Mclaren, Alonso está saturado de andar a competir em ‘maus timings’ e, com a idade a avançar e o desejo da Indy500, é provável que o campeão de 2005 e 2006 se retire da modalidade, apesar do progresso que o motor Honda tem vindo a ter. Na Williams, Felipe Massa já demonstrou vontade de continuar a correr, ainda que pudesse fazer melhor figura ao dar lugar aos mais novos e possíveis talentos.

O Legado de Bolt

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Cabeçalho modalidadesBolt acabou a sua carreira no Atletismo.

Ainda parece uma frase estranha, mesmo já tendo passado mais de uma semana, mas é verdade. Usain Bolt, o maior sprinter de todos os tempos, não voltará mais a pisar uma pista de atletismo, pelo menos competitivamente. A despedida, em Londres, não foi a que o atleta mais desejaria, nem a que os muitos fãs em redor do mundo sonharam. Mas estes campeonatos mundiais não serão suficientes para beliscar o que Bolt conquistou e o que fez pelo desporto. Se alguém tem dúvidas, basta pensar que até 2008 havia a “Jamaica de Bob Marley” e hoje temos a “Jamaica de Marley e Bolt”.

Como em tudo o que é bom, ao terminar, as marcas ficam. Existe um vazio por preencher. É inegável que o jamaicano fez pelo Atletismo aquilo que nunca ninguém havia feito antes: colocou milhões de fãs pelo mundo a torcer por um corredor, como se de uma equipa de futebol se tratasse; fez com que norte-americanos, ingleses ou franceses esquecessem as cores nacionais e se pintassem, nos seus estádios, com as cores da bandeira jamaicana, mesmo com atletas nacionais em prova. Será um efeito que tão cedo dificilmente será repetido.

Fonte: barcin.com
Fonte: barcin.com

Como atleta, Usain é (foi) um fora de série (nunca esta palavra fez tanto sentido). Bateu recordes mundiais dos 100 e dos 200 metros, ultrapassando barreiras que se pensavam quase impossíveis de serem batidas e ambos os recordes nunca, passados oito anos de Berlim, estiveram alguma vez em risco de caírem. Nunca ninguém ainda conseguiu sequer aproximar-se de ambas as marcas. Os recordes vão cair, estamos certos disso. Não há recordes imbatíveis. Poderão demorar mais dez anos, poderão demorar 20, 30, 40. Mas cairão. A prova disso está, por exemplo, na forma como Wayde van Niekerk pulverizou o recorde dos 400 metros de Michael Johnson, que se pensava imbatível. Mas os seus títulos mundiais e as suas medalhas de Ouro consecutivas, desde os Jogos Olímpicos de Pequim em 2008, essas permanecerão para sempre com ele, e esse recorde de medalhas de Ouro em eventos globais, sim, será bem mais difícil de alguém o bater.

CD Feirense 2-1 FC Paços de Ferreira: E ao cair do pano… A primeira vitória

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Cabeçalho Futebol NacionalTerceira jornada em Santa Maria da Feira, com o Feirense a receber a equipa do FC Paços de Ferreira, naquele que foi o derradeiro encontro da jornada. Ainda sem qualquer vitória no campeonato, a equipa da casa entrou em campo com o intuito de vencer a formação pacense, que também ainda estava sem qualquer vitória na competição, e assim subir na classificação, saindo da segunda metade da mesma. Já o Paços, com uma derrota e um empate, era 15º e procurava, certamente, também uma vitória para ascender na tabela classificativa.

Com as bancadas do Marcolino de Castro ainda um pouco despidas de adeptos, a partida iniciou-se e começou em campo a batalha pelos três pontos, mas apenas depois da realização de um minuto de silêncio em memória das vítimas do incidente na Madeira.

Foi a equipa da casa a tomar a iniciativa do jogo nos minutos inicias, tentando responder ao pedido dos adeptos que iam cantando “Hoje é para ganhar!”. Tiago Silva foi o primeiro a tentar o golo com um remate perigoso de fora da área, mas que saiu por cima da baliza de Mário Felgueiras.

Nos minutos seguintes, viu-se mais do Paços de Ferreira e este chegou mesmo ao golo, o primeiro da partida. Uma falta de atenção na defesa da equipa da Feira permitiu a Welthon isolar-se em direção à baliza de Caio e atirar a contar para o 1-0. Excelente resposta da equipa forasteira ao perigo criado pelo Feirense nos minutos iniciais.

Após o golo pacense, e como se esperava, o Feirense cresceu no jogo, ia tendo mais bola, mas ia rematando menos do que o adversário, que podia ter marcado mais um num lance muito perigoso na área da equipa fogaceira. No entanto, mesmo com menos remates, a equipa do Feirense conseguiu chegar ao empate por intermédio de Etebo, ao minuto 32. Um bom lance de ataque da equipa resultou num cruzamento da direita que encontrou a cabeça de Etebo. O nigeriano só teve que encostar para o fundo da baliza. Igualdade reposta no marcador, num jogo que ainda antes do intervalo teve de ser interrompido por motivos relacionados com a iluminação.

O jogo este interrompido por alguns minutos Fonte: Bola na Rede
O jogo esteve interrompido por alguns minutos
Fonte: Bola na Rede

Reatado o encontro, não mais houve tempo para lances de grande relevância e o jogo foi para intervalo com o resultado justamente fixado em 1-1. Uma primeira parte bem disputada, marcada, essencialmente, por um certo equilíbrio entre as duas equipas, embora com uma ligeira superioridade do Feirense, que fazia prever uma boa segunda parte.

Segunda parte que começou, mais uma vez, com o Feirense por cima. Aos 49 minutos, na cobrança de um livre, Tiago Silva enviou a bola ao poste e fez estremecer os adeptos visitantes, que viam a sua equipa incapaz de criar qualquer perigo e de ameaçar o Feirense.

Apesar da boa primeira parte, a segunda ficou marcada por vários momentos de menor intensidade. Durante vários minutos não se viu qualquer oportunidade de golo e o entusiasmo nas bancadas diminui também ligeiramente, dada essa menor intensidade do jogo.

Até que, finalmente, aos 79 minutos, o jogo voltou a aquecer, com uma bola enviada ao poste por Etebo. Cabeceamento como manda a lei, de cima para baixo, e uma excelente defesa de Mário Felgueiras a desviar a bola para o poste direito da baliza, impedindo assim o golo.

Praticamente no final da partida, aos 90 minutos, Carlos Xistra assinalou uma grande penalidade a favor do Feirense, por mão na bola de Marco Baixinho, mas ainda necessitou de consultar o vídeo-árbitro, consulta essa que demorou vários minutos.

Tiago Silva encarregou-se de bater a grande penalidade e não vacilou. Estava feito o 2-1 e a vitória não mais escaparia à equipa da casa!

O 2-1 manteve-se até ao final, num jogo que valeu, sobretudo, pela primeira parte, onde a intensidade foi muito maior do que na segunda e onde as equipas pareceram lutar mais pelo golo. O resultado ajusta-se, embora o empate também se justificasse. Foi a primeira vitória no campeonato para o Feirense, que ascendeu assim ao oitavo lugar da tabela classificativa. Quanto ao Paços, desceu para o 15º posto e continua em busca da sua primeira vitória.

Como nota final e apaixonado pelo futebol, desagrada-me bastante ver casos como o que se viu hoje no Marcolino de Castro. Carlos Xistra tem que consultar o vídeo-árbitro durante alguns minutos para assinalar aquilo que antes dessa consulta já tinha assinalado. O futebol é feito de erros. Se Xistra errasse, teria sido normal, mas parece que não (pelo menos sem ainda ter visto as imagens televisivas). O futebol é um jogo de decisões rápidas e isso estende-se aos árbitros. Com o vídeo árbitro perde-se um pouco, a meu ver, a essência deste jogo. Jogo esse que sempre nos apaixonou à sua maneira, com erros sim, mas à sua maneira…

Este não foi o primeiro caso nem será com certeza o último.

Podem argumentar que o futebol se torna mais justo com esta medida, mas a que custo…?

A posição 8

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Há muitas épocas que o Benfica tem vindo a jogar com a posição 8 e talvez este seja o ano em que há uma maior oferta de jogadores com diferentes características.

Fonte: Facebook Oficial de Pizzi
Fonte: Facebook Oficial de Pizzi

Começando pelo nosso “Zidane”, o camisola 21, Pizzi, é sem dúvida um dos elementos mais importantes do 11 e oferece ao jogo uma qualidade que o destaque dos seus colegas. A visão de jogo, a técnica e os passes a rasgar, principalmente, para as alas, mostrar que Pizzi pode, muito em breve, ser alvo dos milhões do estrangeiro. Já com 27 anos, se ambiciona voos mais altos, está na hora de dizer adeus e distribuir todo o seu talento por outros estádios. A sua já vasta experiência fazem dele uma opção também para as alas do Benfica; um fenómeno muito frequente na estratégia de Rui Vitória.

SOS Renovação

fc porto cabeçalho

O FC Porto está bem e recomenda-se. Com maior ou menor brilhantismo foi ultrapassado as, ainda poucas, batalhas que foi tendo e a confiança e esperança nas bancadas parece renovada.

Posto isto, torna-se difícil e até contraproducente estar a abordar aspetos menos positivos e mais alarmantes para a nação Azul e Branca. No entanto, e reconhecendo que a gestão da nova época parece estar a ser gerida com pinças (já não era sem tempo), há ainda algo que me preocupa. O FC Porto tem, no seu plantel, um sem número de atletas em situação contratual periclitante e não mostra capacidade nem pujança financeira para chegar a acordo com os mesmos. Esta é uma questão premente e deve ser uma das prioridades da SAD, visto tratar-se de um dossier de extrema relevância para o futuro desportivo e financeiro do clube.

Os casos mais preocupantes são os de Ivan Marcano e Vincent Aboubakar que dentro de 4 meses serão livres de assinar por qualquer outro clube. Os dois jogadores são fundamentais na estratégia de Sérgio Conceição e importa garantir que ambos têm e mantêm o foco no coletivo e nos objetivos do clube e tentar a permanência de ambos para o ano seguinte. Na mesma situação está Diego Reyes que, pese embora não tenha a mesma importância ou relevância na equipa, não deixa de ser um jogador de qualidade e, até à data, a única alternativa válida à dupla de centrais titular (Felipe/Marcano). Iker Casillas também termina contrato em 2018 mas é um caso diferente e de exceção.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

Depois existem ainda os casos de Brahimi, André André, Herrera, Ricardo e Dalot que cumprirão estes requisitos no próximo verão sendo as situações do argelino, tanto pelo já elevado salário que aufere como pela sua importância na equipa, e do lateral direito português, pela baixa cláusula de rescisão estipulada no atual contrato (25 milhões de euros), as mais bicudas. Tal como Casillas, Maxi junta-se a estes em igual regime de exceção pela avançada idade e rendimento principesco.

A doutrina divide-se quanto à resolução deste tipo de situações. É certo que o FC Porto ou qualquer outro clube não podem nem devem ficar reféns de qualquer jogador mas não é menos verdadeiro que a opção de colocar de parte jogadores que se recusam a renovar não traz qualquer benefício para nenhuma das partes.

Assim, cabe à SAD liderada por Jorge Nuno Pinto da Costa encontrar as soluções ideais e procurar garantir as verbas necessárias para resolver, pelo menos, os casos mais desconfortáveis. Exige-se um comportamento homogéneo com todos os jogadores e que não se aja de forma diferente consoante uma melhor ou pior situação de tesouraria, já que em anos passados os jogadores eram quase marginalizados e, atualmente, dadas as debilidades financeiras do clube, todos parecem contar para o Totobola.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Gato preto, gato branco

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Ah, Bruno Fernandes, aquele tiro do meio da rua foi como uma fúria de um touro enraivecido em plena arena. Foi um pontapé na ansiedade e na utopia criada em redor da equipa por falta de golos. Foi o momento certo para mostrar que esta é altura para invocar o verbo presente. Ah, Batta, como o mister te chama, o tanque argentino é exímio a dar cobertura à muralha defensiva e ainda consegue empolgar o ataque com a sua força, técnica e raça, que fazem dele o verdadeiro leão em campo. Ah, Bas Dost, em boa hora regressas aos golos, com a pontaria letal e precisão de outros tempos. Ah, aquela defesa com jogadores tão experientes como imperiais, que criam uma barreira quase impossível de penetrar.

Que Sporting esteve ali em Guimarães? Que equipa foi esta que se soltou e fez uma exibição quase perfeita? Chegar cedo aos três secos, no berço da pátria, foi uma sensação de déjà vu, que ainda gerou mais desconforto aos adeptos. É verdade! Os mais cépticos só entraram em modo seguro quando o mágico Bruno Fernandes soltou mais uma batata para as redes do Miguelito Silva. Esse garoto que estava acostumado a assombrar-nos com defesas monstruosas.

Bruno Fernandes foi o melhor jogador em campo em Guimarães Fonte: Sporting CP
Bruno Fernandes foi o melhor jogador em campo em Guimarães
Fonte: Sporting CP

Foi o momento certo para dar uma resposta e galvanizar a equipa para o jogo mais importante deste início de temporada. O gato preto que passou em Alvalade, na primeira mão do playoff da Champions, vai ficar fechado e enclausurado num beco sem saída. Aquele 5-4-1 da equipa romena, FCSB, com os dois médios a taparem, com unhas e dentes, Adrien Silva e Battaglia deixou o Sporting ausente de ideias e sem construtor de jogo ofensivo. Podence é um jogador rápido, que perde fulgor e qualidade quando é retirado da ala para o corredor central. É notório, nas suas movimentações, que tem o hábito constante de querer sair do meio para a lateral: é tão evidente como o Eliseu acabar a carreira sem um cartão vermelho directo por agressão ou entradas perigosas.

Como um enredo de Emir Kusturica, a equipa de Bucareste criou um sistema altamente defensivo, sem progressão no campo e repleto de destruição ou procura pelo golo. Ausente desta melancolia esteve Alibec, que parecia querer furar as redes de Rui Patrício como um louco a entrar nas promoções das lojas da Primark. Estava previsto, e foi escrito, que este osso seria muito mais difícil de devorar do que o osso Setubalense. Que a equipa teria de fazer muito mais se quisesse sair vitoriosa. E não fez, tudo porque a orquestra montada não estava tão afinada como esteve agora em Guimarães. Com Bruno Fernandes em campo, o Sporting ganha um maestro. Ao mesmo tempo, solta Adrien para a zona de combate com a cobertura genial do tanque Batta. A mudança de Acuña e de Gelson Martins oferece ao jogo a possibilidade de atacar mais a zona central. Liberta o ataque do jogo crónico e aborrecido pelos corredores laterais e daqueles cruzamentos sistemáticos à espera que alguém tenha um momento fortuito como aqueles que aguardam por um prémio do Euromilhões.

Esta quarta-feira, o Sporting enfrente o FSCB em Bucareste. Um encontro que se prevê extremamente difícil para equipa de Alvalade Fonte: Sporting CP
Esta quarta-feira, o Sporting enfrenta o FSCB em Bucareste. Um encontro que se prevê extremamente difícil para a equipa de Alvalade
Fonte: Sporting CP

Desta forma, o gato branco irá, com certeza, brindar o Sporting nesta segunda mão do playoff. A vitória é tão obrigatória como a qualidade e diferença de valores que separam estas duas equipas. Não há espaço para desculpas, não é o momento para nos fecharmos. É sim a altura ideal para explodirmos e acatarmos a responsabilidade que nos é incutida: estarmos na fase de grupos da Champions League.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

Artigo revisto por: Ana Rita Cristóvão

Federer e Nadal em luta.. outra vez

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Se alguém lhe dissesse que Nadal e Federer iriam acabar o ano como os dois melhores no ranking ATP, o que diria? Esta questão pode por-se desde há quase 5 anos, tantas foram as vezes em que o “tribunal popular” decretou o fim das lendárias carreiras de ambos. A última vez que isso aconteceu foi no ano de 2010, e, desde então, o “jogo da cadeira” tem sido jogado entre Djokovic, Murray, Federer e Nadal, apenas.

Na última semana, Rafael Nadal beneficiou da desistência de Roger Federer e Andy Murray, destronando o escocês e regressando ao número um do ranking, algo que não acontecia desde 6 de julho de 2014. Mas a luta pelo topo da classificação está longe (muito longe) de estar acabada. Os dois “trintões” estão (ao contrário do que muitos profetizaram) bem vivos e recomendam-se (que o digam Andy Murray e os restantes “miúdos” do circuito!).

Fonte: Wimbledon
Fonte: Wimbledon

Djokovic não poderá intrometer-se nesta batalha (em que, em condições normais, seria forte candidato à vitória), uma vez que decidiu parar até ao fim do ano, por se debater com problemas físicos. A queda do líder Andy Murray, essa, era meramente uma questão de tempo. O escocês tem-se debatido com sérios problemas na anca e tem quase tantos pontos a defender (5.460 pontos, provenientes do bom final de época realizado em 2016) quanto aqueles que conseguiu conquistar ao longo da atual temporada. É aí que reside a maior diferença de Roger Federer e Rafa Nadal para o resto da concorrência. Devido a lesões e também por opção técnica, estes dois optaram por fazer longos períodos de pausa durante a época passada. Nadal esteve fora os meses de junho, julho, novembro e dezembro e, durante o tempo que competiu, fê-lo de forma completamente atípica, perdendo na terceira ronda em Cincinnati, quarta ronda no US Open, terceira ronda no ATP500 de Beijing, e segunda ronda no último torneio que jogou, o ATP1000 Shanghai. Fruto destes resultados e dos períodos de descanso, Nadal terminou o ano em nono e (agora a parte que o favorece) defende apenas cerca de 300 pontos até ao fim da época. Roger Federer ainda tem as contas mais facilitadas e apenas verá o seu saldo pontual aumentar, uma vez que decidiu que não jogaria mais na época transata depois de Wimbledon, ou seja, tem zero pontos para defender.

Até ao fim do ano, o circuito profissional masculino prevê a realização de mais duas provas ATP1000 e 1 Grand Slam, ou seja, apenas nestes três torneios, estarão 4.000 pontos em disputa. E isso muda tudo no que toca à discussão pela liderança do ranking.

Fonte: Sports Tennis
Fonte: Sports Tennis

Agora que Rafael Nadal tem 30 anos e Roger Federer acabou de completar 36, o mundo do desporto vê-se na obrigação de se curvar novamente perante estes dois embaixadores do ténis e de uma rivalidade tão histórica quanto saudável. São ambos um verdadeiro exemplo a seguir dentro, e fora de court e por isso deixo-lhes (com muita esperança que leiam este artigo!) o meu mais sincero obrigado. A todos os restantes adeptos e simpatizantes da modalidade digo: é hora de apertar o cinto e acompanhar de perto esta corrida que promete muita emoção até ao número um do ranking mundial.

Foto de Capa: Australian Open

Artigo revisto por: Francisca Carvalho