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O dia do Leão mostrar o nervo

sporting cp cabeçalho 2Aproxima-se, a passos largos e a um ritmo vertiginoso, o dérbi de 22 de abril entre o Sporting Clube de Portugal e o Sport Lisboa e Benfica. Um jogo de paixão exacerbada, de nervos à flor da pele e arrebatador do ponto de vista emocional.

É o dia em que, ao acordar, o pensamento não está no trabalho que está por fazer ou no despertador que está por desligar, mas está na camisola que está por vestir, no cachecol que está por colocar ao pescoço e no leão que vamos envergar ao peito com todo o orgulho e toda a paixão. É aquele dia em que tudo fica para trás em prol do clube e em prol da vitória.

Alvalade vai encher, tentando criar um ambiente infernal para os rivais Fonte: Sporting CP
Alvalade vai encher, tentando criar um ambiente infernal para os rivais
Fonte: Sporting CP

O dia no trabalho não será produtivo, pois o pensamento, invariavelmente, estará no jogo. Estará nas opções que achamos que o treinador deve tomar, nos amigos com quem vamos ver o jogo, na redondinha que sonhamos ver entrar na baliza do adversário ou na letra do “Mundo Sabe Que”, que vamos entoar a plenos pulmões de cachecol bem erguido. O dérbi entre o Sporting e o Benfica é o jogo de futebol por excelência em Portugal. É aquele jogo que, em caso de derrota, torna o dia seguinte num inferno pelo gozo dos amigos ou colegas de trabalho ou que, em caso de vitória, torna o dia seguinte num paraíso em que vamos de peito feito gozar com essas mesmas pessoas, apenas satisfeitos pela vitória do nosso clube.

E quem são as pessoas mais importantes para realizar este desejo dos adeptos? O treinador e os jogadores. Quanto a Jorge Jesus, espero que tome as melhores decisões possíveis. Prefiro ver Paulo Oliveira a Ruben Semedo, prefiro Jefferson a lateral esquerdo em relação a Bruno César, mas o treinador é que sabe. Espero que voltemos a ver um Jorge Jesus hiperativo no banco, com berros para toda a gente e a toda a hora. Esse é o melhor JJ, o treinador que mexe com a cabeça dos jogadores e com os nervos de toda a gente no estádio.

Manchester United FC 2-1 RSC Anderlecht: Mourinho agarra-se à boia

Cabeçalho Futebol Internacional

O Manchester United partia para este jogo com a condição de favorito reforçada, depois do empate a uma bola em Bruxelas. Dessa forma, os belgas sabiam que se quisessem passar às meias-finais da Liga Europa teriam de marcar no ‘teatro dos sonhos’. Mas a tarefa não se avizinhava fácil, pois é sabido que a equipa de José Mourinho olha para esta competição como a boia de salvação da época.

Depois de um início equilibrado e com a turma belga a tentar colocar em sentido os da casa, os red devils chegam ao primeiro golo num contra-ataque muito bem desenhado, a culminar com uma autêntica bomba de Mkhitaryan, já dentro da área, não dando qualquer chance ao guarda-redes belga. Aos 22’ há um revés para o treinador português, com a lesão de Marcos Rojo, que o obrigou a mexer na defesa quando não tinha centrais de raiz no banco.

A equipa de Manchester abanou um pouco com a alteração e o Anderlecht ganhou outra moral. Depois de uma oportunidade criada por Acheampong, com resposta à altura do guardião Romero, os visitantes chegaram mesmo ao golo por intermédio de Hanni numa jogada de insistência. A eliminatória estava agora empatada e com tudo em aberto, com o Manchester United a parecer meio perdido no jogo, não conseguindo ligar as jogadas de ataque e a viver de rasgos de Rashford e Ibrahimovic.

Para a segunda metade o Anderlecht baixou um pouco as suas linhas, mas com uma boa organização espreitava o contra-ataque sempre que podia, deixando os comandados de Mourinho em sentido. Duas equipas com medo de arriscar muito, pois um golo sofrido poderia deitar tudo a perder, principalmente para os da casa. À passagem do minuto 70, duas claras oportunidades desperdiçadas por Rashford e Ibrahimovic, após erros da defesa visitante.

Por esta altura era Pogba que carregava o Manchester às costas. O francês enchia o meio-campo, defensiva e ofensivamente, com constantes recuperações de bola e ainda com fulgor para aparecer na área contrária, a dar apoio aos seus avançados. Mas parecia ser o único em campo que não estava à espera do apito final. Numa segunda parte em que os ingleses até podiam ter decidido a eliminatória, chegava-se ao prolongamento e havia pelo menos mais meia hora de decisões.

Sofiane Hanni no momento do golo que igualou o jogo e a eliminatória Fonte: GettyImages
Sofiane Hanni no momento do golo que igualou o jogo e a eliminatória
Fonte: GettyImages

Para o tempo-extra mais uma contrariedade para Mourinho, que se viu privado de Ibrahimovic por lesão. Os ingleses mantinham alguma superioridade, mas não a conseguiam transformar em golo. Quando os nervos pareciam querer apoderar-se da equipa, aparece o menino Rashford a fazer o 2-1, ele que vinha subindo de produtividade no jogo e era dos que mais mostravam perigo. Relevo para a assistência de Fellaini, entretanto lançado no jogo por Mourinho, através de uma situação em que é fortíssimo o jogo aéreo.

Uma certeza a partir de agora: não haveria desempate por grande penalidade. Até ao final do jogo, os belgas a tentarem a reviravolta através de bolas longas para a área, mas o Manchester United a aguentar e a conseguir o apuramento para as meias-finais da Liga Europa.

Num jogo que a qualquer altura poderia pender para qualquer um dos lados, o resultado ajusta-se, pois foram os diabos vermelhos a ter mais oportunidades de golo e a querer mais passar à fase seguinte. Mantém-se, assim, vivo o desejo de Mourinho de vencer a competição europeia em que estava inserido esta época, amenizando de alguma forma as desilusões que tem sofrido na Premier League.

Foto de Capa: GettyImages

Máquina do tempo: Noite mágica de Benni

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fc porto cabeçalhoNo dia 25 de Fevereiro de 2004, o FC Porto recebeu o “gigante” Manchester United em jogo a contar para os oitavos de final da Liga dos Campeões.

Uma vitória por 2-1, numa grande noite do FC Porto e com um ambiente absolutamente fantástico no Dragão.

O FC Porto alinhou da seguinte forma: Vítor Baia, Paulo Ferreira, Jorge Costa, Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Pedro Mendes, Maniche, Deco, Alenichev (Jankauskas), Carlos Alberto (Ricardo Fernandes), Benni McCarthy (Bruno Morais).

Uma equipa fantástica, treinada por José Mourinho, que espalhou classe pela Europa fora, acabando por conquistar a Liga dos Campeões diante o Mónaco, com uns concludentes 3-0, na célebre final de Gelsenkirchen.

Assisti a este grande jogo numa zona privilegiado do estádio do Dragão (num camarote), com todo o conforto, mas o jogo foi de uma intensidade tal e o ambiente vivido era tão mágico que passei mais tempo em pé do que sentado.

Benni arrasou nesta noite. Fonte: Kick off
Benni arrasou nesta noite
Fonte: Kick off

O homem da noite foi Benni McCarthy, ao apontar os dois golos (29 e 78 minutos). O Manchester era uma super equipa, marcou primeiro por Fortune, aos 14 minutos, mas esta equipa do FC Porto nunca se dava por vencida e conseguiu dar a volta ao resultado com uma exibição de luxo.

É difícil de explicar o ambiente que se vivia para quem não esteve no Estádio ou para quem não é portista, foram épocas em que os adeptos acreditavam que éramos capazes de tudo, de vencer qualquer equipa. Na época anterior, tínhamos ganho a Liga Europa (onde também estive presente) e a equipa e o treinador davam tanta confiança aos adeptos que o céu era o limite.

Uma equipa barata, com muitos portugueses (neste jogo foram oito de início), mas com uma garra do tamanho do mundo. Mas não era só garra, era também muita classe: Deco ou Alenichev eram classe pura, Jorge Costa e Costinha (antes quebrar que torcer), Vítor Baía, um “monstro na baliza”, e muitos mais exemplos poderia dar da qualidade desta equipa. E José Mourinho que foi o grande arquiteto destas conquistas.

Esta época, foi a ultima vez que um clube fora dos quatro grandes países (Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália) dominadores do futebol Europeu conseguiu ganhar uma Liga dos Campeões, por aqui se vê a grandeza do feito do FC Porto nesta época.

Uma noite mágica das muitas que tive o prazer de viver, quer nas Antas, quer no Dragão!

Foto de Capa: Dailymail

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

Chapecoense, Rui e Eusébio: Perdoem-lhes porque eles não sabem o que fazem

sl benfica cabeçalho 1

Foi num jogo que opôs dragões e águias no Dragão Caixa que tudo começou. A claque azul e branca cantou “Quem me dera que o avião do Chapecoense fosse do Benfica”. Após este episódio, veio-se a saber que este cântico já teria sido entoado no clássico no Estádio da Luz, numa partida para o campeonato. Desta forma, tudo começou e até hoje continuou a enegrecer a imagem dos grandes clubes em Portugal.

Passados alguns dias, a claque benfiquista, como que em resposta, numa partida frente ao Sporting no Pavilhão da Luz, para o campeonato nacional também da modalidade de andebol decidiu entoar “Foi no Jamor que o lagarto ardeu, na final da Taça o very-light é que o f*deu”, além dos assobios a relembrar o som que se ouviu antes do very-light da claque do Benfica matar o adepto Sportinguista, Rui Nunes, na final da Taça de Portugal, no Jamor, em 1996. Estava assim iniciado o arrastamento dos leões para a polémica dos cânticos.

Não tardou a resposta do clube leonino, tendo a claque verde e branca cantado sobre a grande lenda do clube encarnado, e do futebol nacional, Eusébio. “Onde está o Eusébio” foi o que se ouviu no Pavilhão da Luz, num jogo de futsal entre as duas equipas de Lisboa. Completaram, assim, eles mesmo a inclusão na polémica das claques que enojam os adeptos por todo o mundo do desporto.

Em menos de duas semanas, as claques dos três grandes em Portugal, provaram ainda serem demasiado pequenas para o clube que pretendem representar. De modo algum, as instituições que apoiam, aprovariam cânticos e ataques repugnantes como os que se têm passado nos últimos dias pelas modalidades que colocam frente a frente os três clubes ditos grandes. São atos vergonhosos e hediondos estes que vêm do lado de seres humanos que vestem as camisolas do respetivo clube e se deslocam aos estádios e pavilhões com o intuito de apoiar o clube do coração. Amam o clube, mas o clube não vos ama, muito menos as vossas atitudes. A pequenez de todas as claques é evidente, pois nenhuma teve a decência de manter uma postura correta, não respondendo na mesma moeda a cânticos como os que são entoados pelos campos portugueses. No momento onde a cautela seria a atitude chave para ficar por cima, todas decidiram colocar-se ao nível abaixo de zero de consideração.

O início deu-se com a claque portista, mas, na verdade, tanto podia ter sido iniciada pela claque benfiquista ou sportinguista. Os dragões fizeram a fogueira, os restantes colocaram palha seca, aumentando o fogo. O desporto tem a particularidade de mover multidões com o mesmo propósito, servir de união entre netos e avôs, marido e mulher, pais e filhos, tios e sobrinhos. É repugnante o facto de um pai ter de recear que o filho poderá presenciar atitudes grotescas do clube do coração ao vivo e a cores, tal como as mesmas por parte do rival que ataca o emblema que o rapaz trás no lado esquerdo do peito.

Rockets, Wizards, Warriors: Estofo para a segunda ronda?

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Cabeçalho modalidadesEsta madrugada, três equipas aumentaram a sua vantagem nos playoffs para 2-0. Rockets, Warriors e Wizards partem para os jogos fora com 100% de triunfos em casa.

Ao contrário do que aconteceu no primeiro jogo, este foi bastante equilibrado. Os Rockets encontraram mais dificuldades no caminho para a vitória e os OKC mostraram que não se dão por derrotados. Apesar de uma exibição de excelência por parte de Westbrook, que se tornou no primeiro jogador de sempre a fazer um triplo duplo com mais de 50 pontos nos playoffs, a equipa de Oklahoma não foi capaz de chegar à tão desejada vitória. Em desvantagem durante três quartos, os homens de D’Antoni só conseguiram passar para a frente do marcador no último período. Os 35 pontos de Harden foram uma grande ajuda para a equipa, mas o segredo da vitória veio do banco: Eric Gordon marcou 22 pontos, Lou William 21 e Nenê 7. Ou seja, 50 pontos saíram diretamente do banco de suplentes dos Rockets, enquanto do dos Thunder saíram apenas 24.

Destaque, então, para Westbrook, que volta a mostrar que é um monstro, e para Eric Gordon e Lou Williams, dois 6th man, que foram importantíssimos para a equipa.

Fonte: NBA
Fonte: NBA

Os Golden State Warriors voltaram também, como seria de esperar, a vencer. Depois de vencer por 12 pontos no primeiro jogo, a equipa de Kerr venceu por 29 pontos (110 – 81). Mesmo sem Durant e Livingston, Curry e Thompson não precisaram de números e prestações de outro mundo para os Warriors ganharem folgadamente. O jogador com mais pontos marcados foi mesmo o camisola 30, com 18, mas o destaque vai para JaVale McGee, que marcou 16 pontos e foi o mais eficaz em campo: 100% de eficácia. Draymond Green volta a realizar um grande jogo, alcançando o duplo-duplo, com 10 assistências e 12 ressaltos.

Em Washington, houve, mais uma vez, um confronto equilibrado. À semelhança do que aconteceu no primeiro jogo, a diferença no marcador não chegou a 10 pontos e John Wall voltou a ser o homem do jogo. Os Wizards seguem para Atlanta com uma vantagem de dois, mas sem nada garantido ou favoritismo assumido.

 Foto de capa: NBA

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

Legalizar ou não legalizar? Eis a questão

Cabeçalho Futebol Nacional

Esta época e em pleno país campeão europeu, as claques têm sido tristemente marcadas por várias atitudes dignas de um país de terceiro mundo. Desde a visita ao centro de alto rendimento dos árbitros, o vandalismo a estabelecimentos que pertencem a árbitros ou aos seus familiares, etc. Mas o que mais tem marcado as claques pela negativa nos últimos tempos foram os episódios verificados na semana passada nos jogos de andebol e futsal.

Desejar a morte dos jogadores de um clube rival, desrespeitar a morte do maior símbolo do futebol português e fazer chacota com a morte de um adepto no Jamor (que, para além de adepto de futebol era também um ser humano e pai de família), é a prova de que quando a rivalidade clubística é levada demasiado a sério, faz com que os adeptos tenham uma mentalidade pequena, suja e atrasada.

Uma coisa é mandar piadas e picardias a adeptos de clubes rivais, até porque sempre defendi que um pouco de humor e sátira não faz mal a ninguém, mesmo que seja contra o nosso clube. Mas quando a vida das pessoas é metida ao barulho, o cenário muda drasticamente de figura. A rivalidade clubística e o respeito pela vida humana não têm nada a ver uma coisa com a outra, mas existem pessoas que não sabem separar o trigo do joio. E não se trata apenas de elementos das claques, trata-se também de alguns dirigentes dos clubes envolvidos que comentam estes acontecimentos de forma facciosa.

Mas os acontecimentos sucedidos na semana passada voltam a colocar na mesa uma questão que tem sido debatida há muito tempo: para quê a legalização das claques?

O Sporting CP e o FC Porto têm claques legalizadas. E nas claques do SL Benfica esta questão também já levantou polémica, principalmente quando no decorrer do jogo entre o SL Benfica e o FC Arouca na época passada, houve elementos do No Name Boys à pancada entre si por causa dessa mesma questão. Foi certamente um acontecimento que deixou o Jorge Maurício às voltas no túmulo, mas os motivos destes confrontos são contos de outro rosário que pouco interessam para este caso.

Eu não tenho nada contra a legalização das claques, desde que esta seja um meio útil para banir todos os comportamentos indignos que envergonham a sociedade e os clubes que as claques representam. Num país sério e onde não haja medo de se aplicar a lei, os elementos das claques legalizadas seriam identificados e registados, e pensariam duas vezes antes de armarem confusão.

Fonte: XXX
A JuveLeo e os Super Dragões juntaram-se na criação da claque “Ultras Portugal”
Fonte: Facebook Oficial de Macaco Líder

Mas o que se vê por aqui é o espelho do nosso sistema judicial. Ao contrário do que muitas vezes possa parecer, leis é coisa que não falta em Portugal. O que falta é gente que a queira aplicar de forma séria e isenta. As multas de cinco ou dez mil euros que os clubes pagam quando as claques causam danos nos estádios não podem ser considerados um verdadeiro castigo. Estas penas leves dão origem a impunidade. E são cada vez mais os exemplos de impunidade que se verificam no nosso futebol. E essa impunidade está bem patente quando o Fernando Madureira vangloria a legalização da sua claque como se um troféu se tratasse.

E falando em Fernando Madureira, falamos também no líder da claque que a Federação Portuguesa de Futebol organizou. Na minha opinião, não faz sentido a selecção nacional ter direito a uma claque organizada, porque sendo a selecção nacional a “selecção de todos nós”, não creio que esta deva ter uma claque constituída por um grupo de marginais, independentemente do seu clube.

Todas estas situações fazem com que a legalização das claques e a identificação dos seus elementos seja inútil. Mas o principal problema não é esse. O principal problema e aquele que causou os acontecimentos verificados na semana passada, é a rivalidade clubística de muitos dos seus elementos, que nalguns casos é tão grande que os adeptos até desejam que jogadores portugueses fracassem no estrangeiro só porque provêm de um clube rival (casos de Renato Sanches, André Gomes e João Mário à cabeça).

Enquanto prevalecerem esta mentalidade clubística e esta impunidade perante a lei, a legalização das claques não passará de uma mera inutilidade.

Foto de capa: Facebook Oficial dos Super Dragões

Onde fica Caxias?

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De há uns tempos para cá temos seguido, através da comunicação social, a saga de um fugitivo da lei que insiste em desafiar as autoridades com frases provocadoras. E não sei se é alguma moda psico-sociológica mas a verdade é que se está a tornar um hábito desafiar as autoridades deste país.

Não sei se é devido ao facto de os prevaricadores acharem que são mais espertos que a justiça, se acham os elementos de segurança incompetentes, ou simplesmente estes últimos não impõem  respeito por passarem a imagem de que, com um maço de cigarros, algumas senhas de refeição, um saquinho de “branca”, ou uma ou duas notas se pode comprar a liberdade.

Aconteceu com este provocador, e acontece com muitos agentes do futebol português, em que há jogadores que agridem e reincidem, que têm a conivência da comunicação social, e onde os próprios treinadores tornam violência  numa história de embalar em que o suposto agressor nunca poderia ser considerado culpado porque é um bom rapaz, quase como um filho (também deve bater palminhas aos filhos quando estes erram), e que aprendeu a falar a língua de Camões como ninguém (as primeiras palavras terão sido “foi na bola“, ou a declamação de “Os Lusíadas“). Passar-se por ridículo é o preço que se paga de bom grado por tentar desculpar o indesculpável, sabendo que não será dada qualquer relevância ao caso.

Treinador dos encarnados
Treinador das águias desculpa o seu jogador de uma agressão pelos bons exemplos do dia-a-dia
Fonte: SL Benfica

Esta moda continua com o estado de impunidade que algumas claques gozam através do alto patrocínio de presidentes de clubes,  e mais uma vez, como não poderia deixar de ser, da comunicação social. Porque há uns que não podem sequer desejar que a vida de algumas pessoas se extinga, mas outros podem mesmo pôr termo à vida de alguém, sendo aclamados durante anos sem que seja  dada qualquer relevância ao caso, senão quando os mesmos são visados com o mesmo tipo de tratamento (Não estou a defender nenhuma das partes, apesar de mesmo assim considerar mais grave o acto de matar ao de desejar o falecimento de alguém).

Eles fazem-no porque sabem que o podem fazer,  sem que alguém, algum dia, os questione. Porque não há melhor aluno que estes meninos de coro guiados pela cartilha de quem não deseja que se fale dos outros pela frente, e por trás transmite directrizes de bem falar sobre tudo e todos, passando a imagem de santo e imaculado. O mesmo que anda a coleccionar dividas exorbitantes em bancos, escusando-se a pagá-las para que depois alguém lhas venha perdoar,  sendo que neste caminho várias famílias vêm a sua vida arruinada por uma meia dúzia de falhas de pagamento de trezentos euros a essas mesmas instituições bancarias, ou ficarem sem as suas poupanças devido a bancos que fecham portas ou são vendidos por valores bem inferiores às da tal dívida que ninguém deseja cobrar.

Foto de Capa: Getty Images

O Herói de Sines – Entrevista a Márcio Madeira

entrevistas bola na rede

O futebol de hoje em dia, é cada vez mais corrompido pelo dinheiro. Longe vão os tempos onde vários jogadores permaneciam a carreira toda no clube de formação. Se em Itália há Francesco Totti, em Portugal há Márcio Madeira. O jogador de Sines, formado no Vasco da Gama, abdicou de tudo, para voltar a ser feliz na terra que lhe viu nascer. Márcio Madeira é hoje um verdadeiro exemplo de que o amor à camisola ainda existe, felizmente.

Bola na Rede: Márcio, num mundo do futebol onde impera o dinheiro, as contratações milionárias, as trocas constantes de clubes, você consegue fugir a este paradigma. Como é que começou a sua carreira no Vasco da Gama e porque razão quis voltar a “casa” ? Puro amor à camisola?

Márcio Madeira: Comecei a jogar futebol no Vasco da Gama com 10 anos, na altura não havia equipa de infantis e fui fazer as captações com os iniciados que era o escalão acima. As coisas correram bem e fiquei na equipa, jogava pouco pois os meus colegas tinham 13 ou 14 anos mas foi importante para mim estar entre os mais velhos. A razão do meu regresso teve a ver com o falecimento da minha Mãe, foi uma altura complicada para mim a nível emocional e necessitei de voltar a casa para estar junto da minha família que passava por uma fase difícil na altura. Foi algo natural e que ganhou uma dimensão que não esperava, mas como já referi algumas vezes, vivemos numa sociedade com os valores alterados, o que eu fiz foi o mais normal possível de quem está a sofrer a dor de um luto, recorri e apoiei-me no meu pai, nos meus irmãos e nos meus amigos de infância.

BnR: Atravessou um momento difícil na carreira. Quer nos explicar como aconteceu e de que forma ultrapassou isso?

MM: Na altura estava no Nacional quando tive o primeiro impacto, o diagnóstico da doença que a minha Mãe sofria foi como um murro no estomago que me levou ao tapete a mim e à minha família. Foram alguns anos de uma luta dura e muito sofrida que terminou da pior forma. Ninguém se prepara para perder quem mais ama. Por muito que nos digam ou que nos façam entender nunca se está preparado. Gostava de vos explicar como se ultrapassa a situação mas a verdade é que ainda não a ultrapassei logo também não vos sei dizer. Vou sobrevivendo e lidando o melhor que posso com as muitas saudades que tenho.

BnR: Pretende continuar no Vasco da Gama por muitos anos? Acha que há condições para o clube conseguir subir degraus?

MM: Não gosto de fazer planos a longo prazo, acho que sou a prova viva de que isso nem sempre resulta como pensamos, se me perguntasse há alguns anos atrás se eu estaria onde estou hoje com 31 anos, eu dir-lhe-ia que não. Mas a vida tem esta magia, leva-nos por caminhos que julgamos não ser possíveis e por escolhas que nem sempre dependem só da nossa vontade. Respondo-lhe dizendo que nesta altura estou muito feliz aqui e que espero ficar por muitos e bons anos, chegará o dia em que não conseguirei ajudar mais dentro de campo mas fora serei sempre uma mais valia.

BnR: Foi você que veio ajudar o Vasco da Gama, ou o Vasco da Gama que o ajudou a si?

MM: Numa primeira fase sem duvida que o Vasco da Gama é que me ajudou, deixaram-me treinar mesmo sem saber se eu aceitaria jogar, e mais tarde quando aceitei trataram-me sempre com muito carinho, ainda hoje o fazem. Eu só lhes trouxe a visibilidade que tiveram outrora, nada de novo portanto. Não desequilibrava como hoje faço talvez porque eu também estava desequilibrado emocionalmente. Encontrei de novo a estabilidade aqui e depois claro fiz e faço o que melhor sei.

BnR: Não acha que teria condições para jogar num clube de primeira ou Segunda Liga?

MM: Nesta altura tenho bastantes dúvidas, adaptei-me ao futebol distrital e ganhei outras qualidades que talvez na I ou na II Liga não sejam tão valorizadas. Perdi outras que tinha porque aqui não utilizava tanto. E a questão física, acho que nesta altura não tenho condições físicas para jogar profissionalmente, aqui treinamos muito menos vezes que o necessário para estar noutros patamares. A vida é fértil em surpresas mas acho que já não me guarda nenhuma desse género.

Carta Aberta ao Plantel do Benfica

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Meu querido plantel, se a memória não me falha é a segunda vez que faço isto. Tenho a certeza absoluta de que já o fiz ao nosso timoneiro, não sei se ele a leu ou não, mas se o fez fico feliz e também ficaria se vocês a lessem.

Cabe-me alertar-vos para três tipos de circunstância que devem ser da vossa preocupação. Em primeiro lugar, o calendário. Bem sei que não se deve entrar em campo a pensar e outra coisa que não o jogo que vão jogar e o tipo de ensinamentos que o mister passou durante os treinos, mas peço-vos que tenham consideração para os cinco jogos que faltam até ao final desta longa aventura previamente conhecida como campeonato.

Penso que é o Hélder Conduto, que nos comentários típicos de quem joga Fifa, diz que, “é o relógio que anda e o tempo não pára e é ele quem dita o rumo das coisas”, e tem razão. Mas mais do que o trabalho que o relógio tem há outro tipo de máquina que também anda e funciona à base de Benfica, o coração. Sempre que vocês entram em campo, sempre que há uma notícia sobre o clube ou sempre que alguém diz Benfica, ele bate e também sofre e para que não sofra muito pensem que cinco vitórias nos próximos cinco jogos, seis se pensarmos na final da Taça, acalma-o bastante.

Nessa linha de pensamento vem o segundo ponto, o jogo de sábado. O ano passado o receio era o mesmo e o peso também. Mais uma vez, o jogo em Alvalade tem o condão de ser importante na atribuição do título deste ano, mas desta vez os da casa não entram, de forma directa, nas contas. O que é pior. Infelizmente para nós este é o campeonato deles. Têm o terceiro lugar assegurado e há muito que andam em campanha para evitar que cheguemos ao tetra. É triste, eu sei, mas só há uma coisa a fazer, conquistar os três pontos e sair de Alvalade no lugar a que estamos habituados, em primeiro.

É preciso esta união Fonte: SL Benfica
É preciso continuar unido
Fonte: SL Benfica

E assim chego ao último dos meus apelos/circunstâncias, a vitória. Tudo o que roda e gira em torno do desporto é a conquista. Podemos perder horas a falar de como o Atlético o ano passado poderia ter ganho a Champions, de como o Espanhol em 2007 esteve tão perto de vencer a Taça UEFA ou de como nós estivemos, por duas vezes, perto de vencer a Liga Europa, mas isso pouco ou nada vale. Quem as ganhou é que sorriu, celebrou e festejou, com os companheiros e os aficionados, o levantar do caneco e parada de autocarro pelas ruas.

Nos últimos três anos fizemos disso ali como quem sobe a Avenida em direcção ao Saldanha. Lotamos esplanadas, enchemos café, fizemos das ruas o nosso estádio e da rotunda o nosso trono. Este jogo, tal como o do Porto, não é decisivo no verdadeiro sentido da palavra e está protegido pela matemática e eventualmente pela sorte, mas é dos mais importantes. Só têm uma coisa a fazer, ganhá-lo.

Foto de capa: SL Benfica

AS Mónaco FC 3-1 BVB Dortmund: Jardim pela primeira vez nas meias da Champions

Cabeçalho Futebol Internacional

Depois de conseguir sair da Alemanha com uma vitória por 3-2 na primeira mão dos quartos-final, o Mónaco sabia que bastava gerir esta vantagem para carimbar o passaporte para a meia final da prova. Esta noite, em frente aos seus adeptos, a equipa de Leonardo Jardim voltou a vencer o duelo com o Dortmund e assume-se como uma candidata a vencedora da competição.

A partida não poderia ter começado da melhor forma para a equipa da casa, que logo aos três minutos abriu o marcador. O futuro Thierry Henry francês, Mbappé, após um ressalto na área rematou junto ao poste esquerdo da baliza alemã e colocou a eliminatória em 4-2. Apesar da boa entrada dos vermelhos e brancos, os visitantes ameaçaram o golo através de um livre perigoso de Nuri Sahin perto do primeiro quarto de hora da primeira parte.

Com 20 minutos de jogo intensos, o Mónaco chegou ao segundo golo depois de um bom trabalho de Thomas Lemar que assistiu Falcão para um remate de cabeça que não deu qualquer hipótese a Burki.  Perto da meia hora, e com a eliminatória bastante desfavorecida para os visitantes, Thomas Tuchel colocou Dembelé em campo para conseguir chegar ao último terço do campo. Contudo, o Mónaco conseguiu sempre travar as investidas e alemãs e foi para o intervalo com um resultado bastante confortável.

No segundo tempo o Borussia entrou melhor e conseguiu desfazer o nó da defesa da casa. Dembelé desmarcou Marco Reus, que já dentro de área, fez um excelente trabalho antes de bater o guarda-redes e colocar o resultado em 2-1. Sempre com mais bola, os visitantes tentavam criar lances propícios a golo, mas sempre sem resultado, já o Mónaco cada vez que saía com rapidez, conseguia sempre assustar a defensiva alemã. Aos 65’ Falcão teve a oportunidade de bisar na partida, mas rematou por cima da barra.
De cima dos 10 minutos finais, novamente Thomas Lemar cruza para dentro de área onde encontra Valere Germain para este rematar para o meio da baliza e colocar um ponto final na eliminatória.

A equipa francesa segue em frente na prova e espera agora novo sorteio para saber com quem vai jogar na meia-final da Liga dos Campeões. O Dortmund cai nos quartos, e diz adeus à maior e mais prestigiada prova de clubes.