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Borussia Dortmund 1-0 Bayern Munique: Oportunismo venceu inefácia

Cabeçalho Liga Alemã

Encontro entre os dois principais emblemas do futebol alemão, com o Borussia Dortmund a receber e a bater a formação do Bayern Munique por uma bola a zero.

Tuchel, que nunca tinha conseguido levar de vencida a formação bávara, apresentou se com um 5-3-2, alinhado no eixo com Ginter-Papastathopoulos-Bartra, Piszczek e Schmelzer nas alas, apostou num triângulo invertido sobre o meio-campo formado por Weigl, Gotze e Schurle, soltando Aubameyang e Adrian Ramos na frente de ataque.

Já do lado bávaro, Ancelotti não surpreendeu e apostou num 4-3-3 típico, alinhado com Alaba, Hummels, Boateng e Lahm no quarteto defensivo, Xabi Alonso, Kimmich e Thiago Alcantara no meio campo, com Ribery, Lewandowski e Muller na frente de ataque.

Os homens da casa, empoleirados na sempre impressionante Muralha Amarela, entraram com um ritmo de jogo frenético de passe rápido e de jogadas de entendimento, especialmente devido ao envolvimento de Piszczek no momento ofensivo, a procurar transposições no flanco direito e triangulações entre ele, Gotze e Aubameyang, e foi assim que o Dortmund chegou ao golo da vitória, logo aos 11 minutos: insistência de Schurle, que conquista a bola em duelo aéreo com Xabi Alonso, com Aubameyang a devolver a Piszczek, que tocou para a direita para Gotze, que encontrou novamente Aubameyang solto de marcação no coração da pequena-área, com o gabonês a desviar com classe para o seu 12.º golo na presente edição da Bundesliga.

Depois do golo, o ritmo que o Borussia imprimiu no jogo desde o apito inicial foi-se desvanecendo, e a espaços, o Bayern assumiu o comando do jogo, correspondendo sempre ao estilo característico dos bávaros de posse de bola e pressão ofensiva, mas que, infelizmente para os tetracampeões alemães, se provou inócuo até ao descanso.

Na segunda parte, logo no primeiro minuto, o Dortmund voltou a assustar, mas Aubameyang, isolado na cara de Manuel Neuer, não conseguiu transpor o guardião alemão. O domínio do Bayern continuou a mostrar-se avassalador, mas tão avassalador como inofensivo, não tendo o ataque bávaro sido capaz de por à prova os reflexos de Roman Burki, com excepção a um disparo de meia distância de Xabi Alonso, que viu as suas ambições esbarrem na trave da baliza de Burki.

Mérito para Thomas Tuchel, respondeu à entrada do irrequieto Douglas Costa “trancando” o flanco direito (o mais perigoso do Bayern Munique, muito por conta das limitações de Bartra, amarelado desde o minuto 19) fazendo entrar Durm para o lugar de Schurle e Gonzalo Castro para o de Gotze, secando assim a criatividade e perigosidade que Ancelotti tentou imprimir com a entrada de Douglas Costa, com a deslocação de Muller para o lado de Lewandowski e com as deambulações de Ribery para a zona central.

Surpreendentemente, ainda que tivesse sido amplamente dominado durante toda a partida, foi o Dortmund que dispôs das melhores oportunidades de golo, tendo Aubameyang disfrutado de duas situações de um para um com Manuel Neuer, mas nunca conseguiu transpor a enorme mancha do número um dos bávaros.

Tendo concedido a primeira derrota para o campeonato, a segunda da Era Ancelotti, o Bayern Munique é relegado para o segundo posto da Bundesliga, a três do surpreendente líder RB Leipzig, e vê o Dortmund, que ocupa agora o terceiro lugar, encurtar a diferença pontual para apenas três pontos.

O jovem que brilha no Mar – Entrevista a André Teixeira

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O jovem talentoso André Teixeira, de 23 anos, tem realizado uma época de grande nível ao serviço do Leixões SC, sendo um dos jogadores em maior destaque na Segunda Liga Portuguesa. Formado no FC Porto, onde foi capitão de equipa nos escalões de formação, chegou a internacional nas seleções jovens de Portugal e passou também por clubes como o Belenenses, Trofense e Mafra. Um valor seguro do futebol Português que a curto prazo estará no patamar de Primeira Liga, pois potencial e margem de progressão não lhe faltam.

Bola na Rede (BnR): Fizeste a formação num grande clube como o FC Porto, foste internacional pelas seleções jovens de Portugal, sentiste muitas diferenças na mudança para o Belenenses?

Andre Teixeira (AT): Não senti muitas diferenças, o Belenenses é um clube de dimensão relativamente grande, já foi campeão nacional e as condições que nos ofereciam eram boas.

BnR: Muitos jovens jogadores sentem dificuldade na transição do futebol de formação para o futebol sénior, isso aconteceu contigo?

AT: Senti um pouco, ainda para mais vinha da formação do FC Porto, onde na maioria dos jogos a bola quase não chegava a defesa, estávamos quase sempre com bola e em ataque, no futebol sénior isso não acontece. Eu comecei na Segunda Liga, que é muito competitiva, os ritmos as intensidades são diferentes e é normal sentir alguma dificuldade no início.

BnR: Estas num clube histórico como o Leixões, com uma massa adepta enorme e muito entusiasta e por vezes muito exigente. Como jogador sentes essa pressão?

AT: Não sinto pressão, sinto exigência, e isso é bom. Quem quer ser jogador tem que estar preparado para isso, o jogador tem de saber lidar com isso, e no fundo os adeptos só nos querem ajudar.

BnR: Concordas que o Leixões é um gigante adormecido, um clube claramente de Primeira Liga?

AT: Sim, sem dúvida, mesmo em termos de condições, que são bastante boas, e pelo seu passado, já ganhou uma Taça de Portugal e poucos clubes se podem gabar de ter a história do Leixões. Acredito que com esta nova direção e com este projeto podem acordar o gigante adormecido.

BnR: Como avalias a época ate ao momento, quer individual quer coletivamente?

AT: Individualmente penso que tenho feito uma boa época, bastante regular. Coletivamente as coisas não estão a correr bem ao nível dos resultados, a equipa joga bem mas os resultados não aparecem, mas temos condições para fazer mais e melhor e penso que vamos conseguir fazer um campeonato tranquilo.

André Teixeira em acção pelo Leixões Fonte: Leixões SC
André Teixeira em acção pelo Leixões
Fonte: Leixões SC

BnR: Este fim-de-semana vão jogar com o Oriental para a Taça de Portugal, o Leixões tem muita tradição nesta competição, acreditas no sonho de chegar ao Jamor?

AT: Sonhar todos podemos sonhar, acredito que se trabalharmos se dermos sempre tudo em campo podemos fazer uma gracinha, mas neste momento o objetivo é jogo a jogo, tentar passar a próxima eliminatória.

Dez anos de São Patrício

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Faz hoje dez anos que se estreou na baliza do Sporting Clube de Portugal o melhor guarda redes da Europa, um dos melhores do mundo e, indiscutivelmente, o melhor que vi jogar em Portugal.

Rui Patrício iniciou a carreira com um penálti defendido no “Caldeirão” dos Barreiros e, hoje em dia, as grandes penalidades são apenas um de muitos pontos fortes que norteiam a sua carreira. Patrício é um guarda redes seguro e tranquilo, que já aguenta o barco do Sporting, como titular, há nove anos. Já foi ele a salvar um barco naufragado por diversas vezes, já passou por muitas tempestades, e agora é um dos comandantes de um navio poderoso, que ambiciona conquistar tudo em Portugal. Entrou como “bombeiro” na Madeira, devido às lesões de Ricardo e Tiago, e fez apenas esse jogo nessa época, a de 2006/07.

Depois disso, saltou para a titularidade na época seguinte, ganhando o lugar a Stojkovic, e não mais o largou. Já foi comandado por treze técnicos em Alvalade, o que mostra bem a instabilidade que teve de combater e também ajuda a explicar um dos pontos que falta numa carreira construída a pulso: o título de campeão nacional. Mas Rui ainda o vai conquistar com a camisola do Sporting, acredito bastante nisso. Rui Patrício joga no seu clube do coração e não é um jogador típico de futebol. Se assim fosse, já teria ido para o estrangeiro, apenas para ganhar mais dinheiro. Rui preferiu permanecer em Alvalade e aí também houve mérito do Sporting, que sempre soube conservar aquele que é o maior símbolo do clube na atualidade. É certo que Adrien Silva e William Carvalho, principalmente o primeiro, também têm algum protagonismo, mas não chegam ao patamar onde está o guardião.

Manchester United 1-1 Arsenal: Golpe no Teatro

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Cabeçalho Liga Inglesa

Os dois lados tinham algo a provar. O United queria mostrar que a boa exibição na última jornada tinha sido mais que um momento feliz e o Arsenal tinha a intenção de se afirmar como candidato ao título depois de perder a liderança na última jornada. Mourinho queixava-se da simpatia e do respeito que os media nutriam por Wenger, lembrando que tinha ganho o último título “há 18 meses, não há 18 anos”, enquanto que o técnico francês procurava a primeira vitória contra o português em 12 partidas disputadas.

Neste contexto, como equipa, o United parecia ser a equipa com mais necessidade de se impor. E, de facto, entrou com mais vontade.
A equipa não se ressentiu das ausências de Zlatan e Bailly no onze inicial e entrou agressivo, com interessante circulação de bola, aproveitando a largura oferecida por Rashford que, frequentemente, descaia para as alas em busca de jogo, ainda que deixasse o eixo do ataque desprovido de uma referência. Uma acção anulou a outra, portanto, e a equipa não conseguia criar perigo, ainda que revelasse consistência e critério na forma como geria a posse, não permitindo que uma perda de bola trouxesse dissabores.

Nao resultavam os flancos, o United explorava o meio e, pelo corredor central, encontrou brechas (Elneny revelou-se permeável, falhando ao substituir Xhaka). Pogba foi importante para as abrir. Primeiro ao servir Mata, que se esquivou a marcação e rematou para defesa difícil de Cech e, depois, ao assumir papel importante na construção de um lance concluído por Martial, que também encontrou no guardião checo um obstáculo à felicidade.
Os Red Devils terminavam o primeiro tempo claramente por cima.

Rashford, ao dar largura ao ataque, ajudou ao ascendente dos Red Devils na primeira parte Fonte: Manchester United
Rashford, ao dar largura ao ataque, foi importante na primeira parte
Fonte: Manchester United

Ciente da superioridade do rival, o Arsenal acertou posicionamentos e começou a sair de forma cirúrgica para o ataque, porém, apesar de ter apanhado o United em contrapé, isso não trouxe grandes dividendos ofensivos, apesar de neutralizar o ataque adversário… até entrar Rooney.
Com a chegada do 10 do United, para o eixo do ataque, Rashford encostou-se à esquerda e Mata passou a pisar terrenos mais centrais e a equipa espevitou.
Carregou sobre o último terço contrário, fazendo cheirar a golo. E ele surgiu, naturalmente. Herrera, lançado sobre a direita por Pogba, procurou a linha de fundo, e cruzou para trás onde apareceu Mata a atirar a contar. 1-0.

Esperava-se uma reacção do Arsenal. Não existiu. O United continuou a gerir a posse com eficácia, e esteve sempre mais perto do 2-0 do que o seu rival do 1-1. Mas o futebol é cruel.
Numa iniciativa (a única), já em desespero, pela direita, Chamberlain fugiu a Blind e procurou a cabeça de alguém. Surgiu a de Giroud, e a bola entrou, fixando o resultado final a 2 minutos do fim. O United tentou reagir, mas não houve tempo. Estava confirmado o golpe de teatro… no teatro dos sonhos.

Ninguém saiu contente de Old Trafford. O United, apesar de revelar grande consistência e vincar superioridade sobre o adversário, não conseguiu “provar” isso no resultado, o Arsenal, apesar de ter tido a sorte do seu lado, mantém-se fora da liderança …

… e Wenger não conseguiu vencer Mourinho. Outra vez.

 

GD Chaves 0-0 (3-2 g.p.) FC Porto: Em Chaves tens de ser valente!

fc porto cabeçalho

Numa eliminatória da Taça marcada, mais uma vez, pelo regresso tardio dos internacionais aos trabalhos dos respetivos clubes, o FC Porto deslocou-se a Chaves para defrontar o Desportivo local, com sérias ambições de seguir em frente na prova…mas as perninhas tremeram. Nuno Espírito Santo surpreendeu ao colocar de início dois jogadores que poucos minutos haviam somado esta época: André André e Varela. Se a entrada do primeiro se compreende, uma vez que A. André era um nome com fortes possibilidades de figurar no onze inicial, já a do segundo causa alguma estranheza por ser feita em detrimento de Brahimi, que se apresentou em bom nível ao serviço da sua selecção e acalentava esperanças de voltar a ser titular.

À parte disso, os dragões apresentaram-se no esquema habitual, em 4-1-3-2, com Sá para o lugar de Casillas na baliza, Maxi, Felipe, Marcano e Telles a completarem o quarteto defensivo habitual, Danilo a assumir as rédeas do meio campo, Varela na direita, A. André na esquerda e Otávio como maestro no apoio aos avançados Jota e André Silva. O início do jogo foi aquilo que se esperava, como é habitual nos jogos da Taça, com o Chaves a criar alguns calafrios com rápidos contra ataques e cruzamentos perigosos a aproveitar as dificuldades que Alex Telles estava a sentir com as constantes subidas de Perdigão e Paulinho. Só a partir do quarto de hora o FC Porto conseguiu assentar o seu jogo, baseado em transições rápidas, bem delineadas pela dupla atacante. Mas aqui reside um problema antigo: a finalização continua desafinada e exemplo perfeito disso é o minuto 22, quando Jota, isolado por André Silva, contorna o guarda redes na quina da área, perde ângulo, deixa atrás para Otávio que, mesmo estando a 25 metros da baliza, tem obrigação de rematar enquadrado quando esta está deserta. E a contenda foi-se mantendo até ao intervalo.

André Silva falhou o último penálti do FC Porto; Fonte: FC Porto
André Silva falhou o último penálti do FC Porto;
Fonte: FC Porto

A etapa complementar não trouxe novidades, à exceção do número de remates dos azuis e brancos, que foi subindo para a casa das duas dezenas. Aqui há a destacar a enorme exibição de António Filipe, sempre atento a negar as tentativas de André Silva, Jota e Varela. Também infeliz esteve André André, quando viu uma bola que levava o selo de ‘golo do ano’ ser-lhe devolvida pela barra que, segundo relatos de quem viu, ainda está neste momento a abanar. O Porto carregava, o Chaves remetia-se à defesa, mas a bola teimava em não entrar e, finalmente, NES percebe que tem de mexer. Aos 78’ entra a torre belga lá para o meio, tentando beneficiar do jogo mais direto que os portistas imprimiam na fase final, e sai Var…Otávio?! Sai Otávio, que estava cansado é certo, mas continua em campo o jogador mais errático da noite: Silvestre Varela. Mas do ‘drogba da caparica’ falaremos depois. Isto porque a noite era, mais uma vez, negra em termos de aproveitamento. Nem Depoitre, nem a sociedade Jota-Silva conseguia fazer as redes balançar. E chegávamos ao prolongamento. Ninguém merece tamanho sofrimento.

Para a meia hora final (que não o foi) NES opta por Layún e Evandro, deixando de fora A. André e Varela. Nuno fez, finalmente, a sua parte. Agora só faltava alguém substituir o…árbitro. João Capela padece da mesma patologia que a maioria da secção arbitrária deste país: não consegue levar o apito à boca de cada vez que existe um penálti a favor do FC Porto. Hoje, foram mais dois (três se quisermos ser rigorosos) e, correndo sempre o risco de serem falhados, eram oportunidades soberanas para os dragões acabarem ali com um jogo em que foram francamente superiores e avassaladores durante os 120 minutos. Mas isso não bastou.

Penáltis: Os deuses do futebol não querem nada connosco. A maré (oceano, se preferir) de azar teima em ficar. É o segundo amargo de boca em menos de duas semanas, mas há que apontar já baterias ao importante teste de terça feira, na Dinamarca.

Têm a palavra Nuno Espírito Santo e os seus pupilos. Força mental precisa-se!

Manchester (not so) United

Cabeçalho Liga Inglesa

Por decisões técnicas ou administrativas, seja no futebol jogado nas 4 linhas ou pela forma como as temporadas são preparadas, o Manchester United tem-nos habituado recentemente a uma forma verdadeiramente esquizofrénica. Capaz do melhor e do pior, de apresentar um futebol combativo e aguerrido, que noutros momentos se converte num esquema totalmente apático, passaram pelo mítico banco de tijoleira do Teatro dos Sonhos, desde o fim da Era Ferguson, David Moyes, Ryan Giggs, Louis Van Gaal e, desde o início da presente temporada, aquele que é, na minha opinião, o melhor treinador português de todos os tempos, José Mourinho.

Mas até os melhores têm fases complicadas, e se os Red Devils estão, desde a saída de Sir Alex, à procura de uma nova identidade, também Mou tem estado arredado da sua melhor forma, incapaz de tornar a provar ao mundo a genialidade que por todos lhe foi reconhecida e que lhe permitiu entrar no grupo exclusivo de treinadores que conquistaram 3 Ligas dos Campeões em 3 clubes distintos. Juntando a esse muitos outros sucessos, o Special/Happy One recebeu um testemunho que lhe estava “destinado” ao herdar o legado de Ferguson enquanto responsável técnico do Man Utd, e a expectativa que se gerou em torno do clube dificilmente poderia ser maior. Depois de uma temporada frustrante em que o United não foi além de uma qualificação europeia para a Liga Europa, terminando em 5º lugar na Premier League em igualdade pontual com o City, que se qualificou para a Liga dos Campeões.

Mourinho tem estado alinhado com a má forma dos 'red devils' Fonte: Manchester United
Mourinho tem estado alinhado com a má forma dos ‘red devils’
Fonte: Manchester United

Com Mourinho chegaram também nomes como Ibrahimovic e Paul Pogba, dois dos jogadores mais carismáticos do futebol do século XXI. Criaram-se assim condições para que o United se reerguesse e tornasse a ser um nome no futebol inglês que capaz de provocar calafrios a qualquer adversário. Porém, fruto de uma irreconhecível inconsistência e solidez no momento defensivo e ausência de ideias e velocidade no jogo ofensivo, o Manchester United não assegura regularidade exibicional a nenhum adepto, simpatizante, ou mero espectador de futebol. Tal como Forrest Gump e a sua caixa de chocolates, só abrindo a caixa, vulgo, só com o apito inicial, se saberá como é que o United se vai apresentar, em que modelo, com que níveis de concentração e com que qualidade exibicional. Se por um lado, não existe o frenético caudal de Alex Ferguson, desapareceu, por outro, a solidez e inteligência que outrora se reconheceu a Mourinho.

SC Praiense: Humildade e um colectivo forte para subir à Segunda

Cabeçalho Futebol Nacional

A par do Benfica e do Merelinense, são a equipa com o melhor registo nos campeonatos portugueses. Na Taça de Portugal chegaram a assustar o Sporting e receberam elogios pela sua postura em campo. O SC Praiense lidera a Série F e quer mostrar que nos Açores também há bom futebol. Definem-se como uma equipa humilde e com um colectivo forte e querem dar à região outro representante na Segunda Liga. O presidente, Marco Monteiro, e o treinador, Francisco Agatão estiveram à conversa com o Bola na Rede.

Francisco Agatão

 “Somos uma equipa humilde, com identidade própria e com um grande espírito de grupo”

Bola na Rede: O que o fez aceitar este desafio no Praiense?

Francisco Agatão: Aceitei porque é um desafio aliciante, também pelo facto de gostar dos Açores, onde estive 10 anos. Por ser uma equipa quer subir a outros patamares, com gente ambiciosa e trabalhadora.

BnR: Esperava este grande arranque de temporada?

FA: Trabalhamos para que isso aconteça mas nem nos meus melhores sonhos esperava que tivéssemos um arranque tão positivo e fértil em vitórias. Sabemos que cada vez mais vamos ser postos à prova, as equipas que nos defrontam têm um factor acrescido de ganhar a uma equipa que ainda não perdeu e isso apenas valoriza o nosso trabalho e motiva a equipa para continuar esta caminhada.

BnR: Qual tem sido o segredo?

FA: Trabalho. Uma organização colectiva forte, uma equipa disponível e humilde e a partir dai as coisas são mais fáceis. Há um enorme espírito de grupo, com jogadores de qualidade que fazem a diferença.

BnR: O Praiense pode ocupar o lugar do Santa Clara como o representante máximo do futebol nos Açores?

FA: Não, nem temos essa pretensão de substituir ninguém. O Santa Clara é um clube com um passado rico, principalmente na Segunda Liga, onde já conquistou o título. O Praiense está numa caminhada que o pode levar a outros patamares, mas temos de estar preparados e não dar passos maiores do que a perna.

BnR: Como define a sua equipa?

FA: Definiria como uma equipa humilde, com identidade muito própria. O facto de sermos um grupo unido, combativo e com grande espírito de grupo de sacrifício faz toda a diferença e é isso que mostramos em campo, a equipa luta sempre pela vitória, tem esse espírito. E tudo graças à humildade, que é a grande arma deste grupo

BnR: O Praiense é um clube semi-profissional, onde há jogadores com outros trabalhos. É difícil treinar um clube assim?

FA: Sim, não é fácil. Eu joguei como profissional e é diferente treinar às horas que são mais oportunas ou treinar sempre depois do trabalho. Treinar um jogador que só joga futebol é muito diferente do que treinar um jogador que depois de um dia de trabalho ainda tem de levar com o treinador. Procuramos conjugar as coisas no sentido de tirarmos dos jogadores o máximo das suas potencialidades. Não é uma situação fácil mas temos conseguido contornar como mostram os nossos resultados.

Fonte: Facebook de Francisco Agatão
Fonte: Facebook de Francisco Agatão

BnR: A exibição contra o Sporting e toda a visibilidade que o Praiense teve durante a semana foram uma montra para os jogadores. Acha que haverá propostas?

FA: Sim, antes do jogo com o Sporting já sabíamos que existiam jogadores que estavam a ser observados e claro que uma montra como o jogo com o Sporting ajuda ainda mais. Estamos preparados para o que possa vir a acontecer e se houver boas propostas, temos de aceitar, são as regras do mercado.

BnR: Como se prepara um jogo deste género, contra o Sporting, sem fazer com que o plantel se deslumbre?

FA: É uma tarefa fácil e ao mesmo tempo difícil. É fácil porque o nome do Sporting motiva os jogadores por natureza. É difícil pelo mediatismo que este jogo dá, há que manter a mesma postura, a mesma humildade e foi nesses pontos que nos focamos no nosso trabalho. Tentamos passar a mensagem de que era apenas mais um jogo, apesar de ser uma grande montra, e foi isso que aconteceu. Demos uma imagem de uma equipa organizada colectivamente, que não colocou o autocarro à frente da baliza, quis jogar o jogo pelo jogo. Conseguimos isto tudo de uma forma brilhante, principalmente por parte dos jogadores.

BnR: Faltam 8 jornadas para o fim da 1ªfase do CNS acabar. Já se assume como um candidato à subida?

FA: Não. Seria utópico da minha parte assumir isso. Primeiro porque ainda não conquistamos os lugares que dão acesso à fase da subida e segundo porque sabemos que há equipas que do ponto de vista orçamental estão muito mais preparadas do que nós. Os orçamentos não ganham jogos mas ajudam a conseguir melhores jogadores. Ainda não conseguimos garantir esses lugares de subida e por isso é prematuro falar de um futuro que ainda não conhecemos. Vamos preparar-nos e trabalhar e, principalmente depois do jogo em Alvalade, onde as pessoas enalteceram o comportamento da equipa, mais importante se torna continuarmos a passar essa imagem dentro de campo e irmos ganhando jogos para garantirmos um dos dois primeiros lugares que dão logo a manutenção directa e o acesso à fase da subida.

BnR: Têm sido muitas as equipas do CNS que na Taça lutam de igual para igual com equipas de escalões superiores. Há cada vez mais qualidade no CNS?

FA: Sim, há qualidade a todos os níveis, quer a nível dos treinadores, quer a nível dos jogadores. Já há clubes, alguns da primeira liga, que se reforçam com jogadores do CNS, o que demonstra que há qualidade, trabalho e a diferença que existe em relação às equipas da Primeira e Segunda Liga já não é tão acentuada. Alguns pormenores podem fazer a diferença mas do ponto de vista técnico e táctico as diferenças já não são muito grandes.

BnR: E isso de certa forma ajuda o jogador português a chegar à Primeira Liga?

FA: Acredito que sim. O CNS é uma rampa de lançamento para os jogadores. Quando estava no Operário, lançamos alguns jogadores para outros voos e para clubes de maior dimensão. Foi como disse na questão anterior há muita qualidade do CNS e pode servir de rampa de lançamento na carreira dos jogadores.

O “problema” do Hóquei em Patins na TVI24

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Cabeçalho modalidadesComo começar? Sinceramente, não sei. Talvez pelo início, como se costuma dizer sempre entramos neste estilo de conversas. Vamos lá então!

Tal como é do conhecimento público, desde meados do mês de setembro, a TVI24 adquiriu, se é que se pode dizer assim, os direitos do campeonato nacional de hóquei em patins para os próximos quatro anos. Mais precisamente, a estação de Queluz garantiu, pelo menos para este ano e segundo informação comercial divulgada, a transmissão de 40 jogos no total do campeonato. Fazendo as contas, este acordo prevê a emissão em direto de 1 jogo por jornada e abre a possibilidade de existirem jornadas com mais do que um jogo transmitido, tendo em conta que o campeonato tem 26 jornadas.

Até aqui, tudo bem. O hóquei em patins está assim numa esfera mais ampla e, visto que a Bola TV apenas está disponível na operadora MEO, há a possibilidade de existirem mais do que um jogo em direto em algumas jornadas. A juntar a isto, também foram anunciados programas que iriam ter por base a divulgação de histórias, que deem a conhecer melhor a modalidade.

As transmissões começaram em setembro, primeiro com emissão de três jogos da Elite Cup, aos quais se seguiu a Supertaça António Livramento e, por fim, já em outubro, tiveram inicio as transmissões do campeonato nacional, com o jogo de abertura a ser a receção do bicampeão Benfica ao jovem conjunto do Valongo. A esta transmissão seguiram-se os diretos dos seguintes jogos:

2ª Jornada: Juv.Viana-FC Porto

2ª Mão da Taça Continental: SL Benfica-OC Barcelos

3ª Jornada: SL Benfica-OC Barcelos

Portugal é o campeão europeu e detentor dos dois troféus europeus de clubes Fonte:hoquei em patins
Portugal é o campeão europeu e detentor dos dois troféus europeus de clubes
Fonte:hoquei em patins

Deste modo, após quatro semanas de transmissões, isto sem contar com os jogos da Elite Cup e Supertaça, a TVI24 tinha emitido três jogos do campeonato nacional e um jogo extra, o encontro da 2ª mão da Taça Continental entre Benfica e Barcelos. Muito bem, temos a transmissão de um jogo extra, algo que é sempre bom para os amantes da modalidade. Contudo, que sentido faz transmitir esta 2ª mão quando a primeira não o foi? Pelo menos, para mim, não faz. Ainda para mais, quando esse jogo tinha transmissão em direto na BTV, assim como na internet no canal de Youtube da CERS TV. Apesar disto, compreendo que a TVI24 quisesse manter o que tinha escrito na informação comercial, que diz o seguinte:

“Transmissão de 40 jogos, das 26 jornadas, do Campeonato Nacional de Hóquei em Patins, que decorre entre outubro de 2016 e junho de 2017, com paragem de 2 semanas em dezembro (Natal e Ano Novo)”.

Isso eu consigo compreender apesar de, tal como mencionei acima, não fazer grande sentido. Todavia, no fim de semana posterior a este jogo, a TVI24 voltou a transmitir um Benfica-Barcelos, embora desta vez o jogo corresponde-se á 3ª jornada do campeonato. Isto eu já não consigo entender, mas não houve mais nenhum jogo nessa semana? Claro que houve! Tirando o Porto e o Sporting que jogavam em casa e, por isso, os seus jogos tinham transmissão garantida pelos seus canais televisivos, o jogo entre a UD Oliveirense, um dos quatro candidatos ao título e a Juv.Viana, equipa que tinha dado uma grande resposta frente ao Porto na semana anterior, não seria um jogo de interesse e digno de transmissão na TVI24? Aproveitando para relembrar, ainda, que jogando o Benfica em casa o encontro teria emissão em direto na BTV.

Mais uma semana e mais um jogo do Benfica, desta vez, contra a Juv.Viana. Nada a apontar ao jogo, bem pelo contrário, este terá sido um dos melhores até ao momento nesta temporada. No entanto, á 4ª jornada, o Benfica já era o campeão das transmissões, este com três contra apenas uma do Porto e zero do Sporting, falando apenas dos grandes.

Sporting CP 5–1 SC Praiense: Teste fácil antes de gigante

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Num jogo que se antevia aparentemente fácil para o Sporting, Jorge Jesus decidiu apresentar um onze sem muitos dos nomes habituais, também para dar minutos a outros jogadores do plantel. No entanto, deixou no banco alguns jogadores que lhe poderiam dar uma certa estabilidade, como Gelson Martins, Ruben Semedo e Schelotto. Ainda assim, para esta quarta eliminatória da Taça de Portugal Placard, mandou a jogo Adrien Silva, para que este ganhe cada vez mais ritmo de jogo.

A equipa açoriana entrou com vontade de jogar de igual para igual, acabando por surpreender Beto com um excelente golo de Filipe Andrade, logo aos dois minutos. O guarda-redes do Praiense lançou a bola longa e o avançado rematou com bastante força, sem hipótese para o guarda-redes leonino. Percebia-se que a estratégia da equipa da Ilha Terceira era sempre por a bola o mais próximo  possível da área leonina, aproveitando o pontapé forte de Tiago Maia. Este acabou por mostrar também qualidade logo numa grande defesa que tirou um golo certo ao Sporting.

O Sporting Clube de Portugal não baixou o ritmo de jogo, com Castaignos a estar bastante presente nos ataques dos leões. Contudo, a sorte não estava a favor, já que quando não estava o guardião da equipa forasteira, era o poste que não deixava a bola entrar na baliza do adversário. Finalmente, após um canto marcado por Jefferson, Paulo Oliveira, sem oposição, cabeceia a bola para o poste contrário, fazendo assim o empate, numa altura em que o Sporting dominava o jogo, apesar de ser mais ineficaz.

Adrien foi uma das peças importantes neste jogo Fonte: Facebook Oficial de Adrien
Adrien foi uma das peças importantes neste jogo
Fonte: Facebook Oficial de Adrien

Ainda assim, o jogo continuava a ser todo controlado pelo Sporting, com um ritmo mais baixo, com Jesus a ser bastante interventivo para dentro de campo, o que não surtia muito efeito para os jogadores, que mostravam não ter assim tanta ligação como se pensaria, indo o jogo para o intervalo com o empate, uma surpresa para os adeptos que se deslocaram ao estádio.

A segunda parte começa com um Sporting mais atacante e com a mesma posse de bola, beneficiando logo de um penálti, convertido com sucesso por Adrien Silva. Os leões colocavam-se assim em vantagem perante um Praiense que se notava mais cansado e que mal chegava à baliza de Beto. Devido à fadiga acumulada pelos jogadores da equipa açoriana, o Sporting chega facilmente ao terceiro tento, marcado por Bruno César que, depois de uma boa jogada de entendimento com o capitão, rematou junto ao poste, dilatando assim o resultado frente à equipa do Campeonato de Portugal Prio.

Numa altura em que Gelson Martins já estava em campo, o jogo tornou-se um pouco mais veloz, sendo mais uma dor de cabeça para a defensiva do Praiense, à qual trocava as voltas constantemente, à procura de mais um golo para a sua equipa. Este acabou por chegar, não pelos pés do menino prodígio, mas sim por André, que na primeira jogada em que tocou na bola, encostou de primeira para dentro da baliza, após um passe longo bem medido por Bruno César. Começava assim a avolumar-se um resultado mais esperado pelos adeptos, que ainda tiveram tempo para cantar novamente um golo de André, que em dez minutos foi capaz de bisar, novamente assistido por Bruno César.

O jogo ficou então marcado pela surpresa inicial do golo do Praiense, mas pela vitória esperada do Sporting Clube de Portugal. É de fazer notar, no entanto, que apesar da derrota algo pesada para a equipa açoriana, é de louvar o seu trabalho até chegar a este jogo, mostrando que o Campeonato de Portugal Prio está a evoluir e que tem bastantes equipas que poderão dar luta neste tipo de competições, mostrando que vale a pena apostar no futebol como acontece. 

Um dia especial em Madrid

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Sábado há dérbi em Madrid. É para o campeonato, mas podia bem ser a final da Liga dos Campeões, como aconteceu em Milão, no último confronto entre Atlético e Real Madrid ou, em Lisboa, dois anos antes. Este Atlético joga o futebol mais bonito da era Simeone, mas é também o que fez o pior arranque de campeonato em termos de pontos. Do outro lado, o Real vai em primeiro, mas ninguém parece muito convencido com a qualidade do seu futebol (nem os seus próprios adeptos). Não faltam motivos de interesse.

Durante a semana, quase não se falou noutra coisa e o jornal Marca pediu aos seus leitores que votassem no jogador que deveria ser capa do jornal de sábado. Isto pode parecer uma ação para aproximar o jornal dos leitores, mas desconfio que, como jogo é tão imprevisível, os jornalistas da Marca inventaram isto para não terem de ser eles a arriscar um palpite sobre quem será a figura do encontro. Todos os jogadores eram elegíveis, mas o jornal preparou logo seis capas: Griezmann, Torres e Carrasco do lado do Atlético e Ronaldo, Bale e Modric, do lado do Real.

Na final de Milão, Ronaldo marcou o penálti decisivo, depois de Juanfran falhar. Como será sábado?  Fonte: Facebook Oficial do Real Madrid C.F.
Na final de Milão, Ronaldo marcou o penálti decisivo, depois de Juanfran falhar. Como será sábado?
Fonte: Real Madrid C.F.

O resultado da votação mostra que os espectadores conseguem ver além das maiores estrelas e, por isso, nas bancas haverá uma capa com Carrasco, o belga que atravessa o melhor momento da sua carreira, e outra com Modric, que regressou de lesão recentemente. Mas a escolha poderia ter recaído em muitos outros jogadores: Oblak poderá ser decisivo na baliza e Saúl Ñiguez poderá inventar mais um daqueles golos que gosta de fazer nos grandes jogos. (Basta lembrar o pontapé de bicicleta que marcou a Casillas ou o golo “à Messi” que fez ao Bayern, o ano passado). Também há que ter em conta o mágico Marcelo, que vai tirando adversários do caminho sem nunca precisar de acelerar muito, ou Isco que parece ter o lugar assegurado no onze inicial devido à lesão de Kroos. No centro da defesa, Sergio Ramos e Godín também poderão perfeitamente ser os homens do dérbi, seja pelo que cortam cá atrás ou pelos golos que marcam lá à frente. São muitos os candidatos a figura do jogo, de ambos os lados. Só uma coisa é certa e, por isso, dará título à capa, seja qual for o jogador que lá apareça: “Hoy es un día especial – los dérbis son más que un partido.”

Isso é tudo o que sabemos por agora, mas o que realmente importa é saber quem ocupará a capa no domingo. Se querem o meu palpite, terá de se guardar um espaço importante para o Barcelona, que recebe o Málaga sábado à tarde e poderá muito bem terminar o dia em primeiro lugar, caso o Real não vença o dérbi. Um Atlético – Real Madrid num sábado às 19h45 podia bem ser a final da Liga dos Campeões, mas, em Espanha, o principal favorito a ser campeão continua a ser o Barcelona.

 

Foto de capa: Atlético de Madrid