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Os bons problemas de Jorge Jesus

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O treinador do Sporting disse na passada quinta-feira, em Moscovo, que a vitória frente ao Lokomotiv lhe tinha aumentado um problema. Sendo brincadeira ou não, o que é certo é que o técnico leonino vê crescerem a olhos vistos alguns bons problemas para as suas escolhas.

O Sporting venceu na Rússia sem Rui Patrício, Jefferson, Paulo Oliveira, William Carvalho, Teo Gutiérrez e com Slimani a entrar apenas na segunda parte. Isto só vem confirmar que o plantel do Sporting não é assim tão curto como pode parecer à primeira vista. Um dos setores onde isso é mais visível é o centro da defesa. Há muitos anos que o Sporting não estava tão bem servido de centrais, com 3/4 boas opções à disposição da equipa técnica. Talvez desde 2001/02, época em que Phil Babb, André Cruz e Beto eram três jogadores que garantiam segurança na posição e que foram campeões no clube.

Depois de vários anos em que Anderson Polga, Tonel, Maurício ou Marcos Rojo foram as principais referências defensivas, parece que este ano existe um trio que descansa JJ: Paulo Oliveira, Ewerton e Naldo. Na minha opinião, os dois primeiros são a melhor dupla possível. O internacional português é um dos portos seguros onde a equipa pode depositar toda a confiança. Muito forte na marcação e na antecipação, Paulo Oliveira é, juntamente com o guarda redes Rui Patrício, o patrão da defesa verde e branca. Um jogador com níveis de atenção e concentração elevadíssimos e que se esforça ao limite em todas as jogadas, mesmo ao gosto do treinador e dos adeptos. A nível técnico, ainda pode melhorar alguns aspetos, mas não nos podemos esquecer de que só tem 23 anos…

Paulo Oliveira é uma das vozes de comando da defesa verde e branca. Fonte: Sporting CP
Paulo Oliveira é uma das vozes de comando da defesa verde e branca.
Fonte: Sporting CP

No que toca ao seu parceiro do lado, esta pode estar uma das grandes dúvidas de Jorge Jesus. Ewerton tem vários pontos a seu favor na corrida pelo lugar com Naldo: dos dois, é o mais experimentado em competições europeias, já jogou anteriormente no futebol português, devido à passagem pelo Braga, e por ter chegado na época passada; joga preferencialmente com o pé esquerdo e é melhor tecnicamente. Por isso, parece-me que Ewerton leva alguma vantagem. Contudo, Naldo tem estado muito bem esta temporada, se calhar acima das expetativas da maioria dos sportinguistas. O antigo jogador da Udinese e do Getafe teve alguns percalços, nos jogos com o Tondela e o CSKA Moscovo, mas foi crescendo e apresenta-se agora como uma alternativa bastante válida para os momentos em que Ewerton estiver indisponível, mordendo mesmo os calcanhares ao seu compatriota na luta pela titularidade.

Um pouco mais atrás nesta particular competição interna parece-me estar Tobias Figueiredo. O jovem internacional sub 21 tem muito potencial e uma estampa física adequada para a posição, mas falta-lhe ter mais calma em alguns momentos do jogo e melhorar (bastante) a nível técnico.

Porém, acho que um empréstimo não é solução. Tobias deve ficar no clube, atuando na Taça da Liga e quando for necessário nas outras competições, e treinando com os seus atuais companheiros, sob as ordens de Jorge Jesus. Depois de nomes como Daniel Carriço (já há alguns anos) ou Eric Dier, tenho esperança de que Tobias Figueiredo, Ruben Semedo (que está emprestado ao Vitória de Setúbal) e, daqui a dois ou três anos, Domingos Duarte sejam os próximos defesas centrais formados em Alcochete a serem importantes no plantel do Sporting.

No meio campo, já sabíamos que Jorge Jesus tinha boas opções. Tendo em conta que atua preferencialmente com dois elementos na zona central do terreno, era previsível que William Carvalho, Adrien, Aquilani e João Mário fossem suficientes para assegurar a qualidade da zona intermediária leonina, sendo ajudados ainda pelo potencial de Bruno Paulista. Felizmente, não têm havido grandes impedimentos físicos ou disciplinares que impeçam JJ de utilizar os seus atletas preferidos neste setor, possibilitando ainda que o treinador tenha começado a utilizar (com bastante sucesso) João Mário a partir do flanco direito, onde no início da época André Carrillo era elemento quase imprescindível. Ao contrário do que diziam os (a)normais “arautos da desgraça”, o Sporting é capaz de jogar bem e de vencer sem “La Culebra”.

Esta ausência do peruano também permitiu escancarar as portas da equipa às duas mais recentes pérolas de Alcochete: Matheus Pereira e Gelson Martins. O jovem português, depois de um Mundial sub 20 bastante positivo, entrou a todo o gás nesta temporada e o último jogo dos leões, em Moscovo, foi o melhor exemplo disso. Fazendo uso da sua movimentação rápida e do seu drible desconcertante (ainda se lembram do bailado sobre Eliseu em Alvalade?), Gelson fez uma excelente exibição, marcando um golo e tendo ainda uma assistência que valeu meio golo para Matheus Pereira, dado que deixou o jovem brasileiro na cara do guardião adversário.

Matheus continua ainda um pouco atrás do seu companheiro, mas também está a aproveitar muito bem as oportunidades que lhe são concedidas, tendo apontado já três golos na Liga Europa. Não me admirava nada que, tendo em conta a provável ausência de Teo Gutiérrez, Jesus aposte num destes dois elementos como titulares frente ao Belenenses, desviando Bryan Ruiz para o centro do terreno, no apoio a Slimani. A opção mais provável é jogar Montero atrás do argelino, mas as boas exibições dos dois miúdos na Rússia podem abrir lugar a uma surpresa no onze de segunda-feira. Para quem vê o futuro dos extremos como risonho, há que lembrar ainda a boa progressão de Iuri Medeiros no Moreirense.

O que é certo é que, esta época, o Sporting já tem banco de suplentes capaz para ajudar a equipa habitual a lutar pelo título, o que não aconteceu em épocas anteriores.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

Diários do Leste: Zuev, Melkadze e a Academia do Spartak

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Moscovo, 25 de Novembro de 2015

Num início de tarde cinzento, igual a tantos outros do mês de Novembro na capital russa, com os termómetros a marcarem -1º C, o Spartak-2 (equipa de reservas do Spartak Moscovo) media forças com o FC Yenesey no campo número 4 da Academia do emblema Moscovita e somava a sua décima primeira vitória da época, o que os colocava na sétima posição de uma liga extremamente competitiva, como é o caso da FNL (Segunda divisão do futebol russo).

Acabados de chegar ao nível 2 da hierarquia do futebol daquele país, após terem terminado em 1º lugar na 3ª divisão na temporada passada, a equipa do Spartak-2, comandada pelo antigo internacional russo e discípulo do mestre Oleg Romantsev, Yevgeni Bushmanov, e formada na sua totalidade por jovens jogadores oriundos da academia do clube, tem dado muito boa conta de si e apresenta, como muitos defendem, o melhor futebol daquele escalão composto por 20 equipas separadas entre si por cerca de 7500km.

Numa primeira parte de elevada intensidade e durante a qual a equipa da casa conseguiu com alguma facilidade impor o seu estilo de jogo, o famoso Spartakovskaya (uma espécie de tiki-taka criado e desenvolvido por Konstantin Beskov há mais de 30 anos), o Spartak-2 remeteu o adversário para o seu meio-campo defensivo, proporcionando-lhe poucas hipóteses de resposta. Depois de várias tentativas frustradas pelo experiente guarda-redes do FC Yenesey, Giorgi Shelia, veio ao de cima o talento de um jovem jogador do Spartak que dá pelo nome de Aleksandr Zuev. Aos 34 minutos de jogo, o versátil extremo de apenas 19 anos recebeu a bola de Denis Davydov, “partiu os rins” a um adversário e, de pé esquerdo,fuzilou um desamparado Shelia, que pouco ou nada podia fazer para evitar o primeiro golo do emblema moscovita.

Aleksandr Zuev tem sido um dos nomes em destaque no Spartak-2 esta temporada, de tal forma que já mereceu a confiança de Dmitri Alenichev, treinador da equipa principal do Spartak Moscovo, em várias ocasiões. Zuev nasceu em Kostanay, no Cazaquistão, em 1996, e fez parte não só da excelente formação russa que venceu o Campeonato da Europa de Sub-17 em 2013, mas também da equipa de Sub-19 que terminou no segundo lugar no Campeonato da Europa disputado na Grécia em Julho deste ano.

Aleksandr Zuev no exacto momento em que bateu Giogi Shelia  Fonte: 1fnl.ru
Aleksandr Zuev no exacto momento em que bateu Giogi Shelia
Fonte: 1fnl.ru

Zuev é um jogador versátil, que pode actuar como extremo, na esquerda ou na direita, ou em posições mais interiores, como segundo avançado ou assumindo o papel de trequartista, servindo de ligação entre o meio-campo e a frente de ataque. Dotado de uma técnica muito acima da média e com um poder de drible notável para um atleta da sua idade, Zuev é o típico extremo russo, que junta às habituais características de um jogador da sua posição uma capacidade admirável para organizar os movimentos atacantes da sua equipa.

Numa das suas aparições na primeira equipa do Spartak esta temporada, Zuev, em conjunto com Davydov, foi o grande responsável pela reviravolta no resultado na Arena Khimki contra o Dynamo Moscovo, onde o extremo, que entrou em jogo ao minuto 59, foi um autêntico quebra-cabeças para o experiente Aleksei Kozlov.

De regresso ao frio e cinzento início de tarde moscovita do passado dia 25 de Novembro, centramos agora atenções noutro jovem jogador, Georgi Melkadze, que, apesar de apenas ter participado em pouco mais de 20 minutos na partida contra o FC Yenesei, tem sido um dos elementos mais importantes da equipa orientada por Yevgeni Bushmanov.

Melkadze, de apenas 18 anos, é já um valor seguro do futebol russo. Nascido em Moscovo, mas com raízes georgianas, o jovem médio de ataque já apontou cinco golos esta temporada, dois deles no início do mês de Novembro frente ao FC Tosno. Melkadze tem sido uma presença constante nas selecções jovens da Rússia e fez, tal como Zuev, parte da equipa que terminou em segundo lugar no Campeonato da Europa de Sub-19 em Julho deste ano.

Georgi Melkadze em acção no pouco tempo em que actuou frente ao FC Yenesei Fonte: 1fnl.ru
Georgi Melkadze em acção no pouco tempo em que actuou frente ao FC Yenesei
Fonte: 1fnl.ru

No passado mês de Junho, num jogo de má memória para o Spartak Moscovo, Melkadze estreou-se pela primeira equipa do emblema moscovita numa derrota caseira perante os vizinhos do CSKA Moscovo, por uns contundentes 4-0. Melkadze entrou aos 59 minutos para o lugar de Kim Källström e, apesar do mau rendimento geral de toda a equipa, conseguiu ainda assim causar uma excelente impressão. Melkadze é um armador de jogo por defeito, mas desempenha na perfeição as funções de um médio box-to-box, uma vez que é dotado de uma capacidade de drible assinalável e também de uma visão de jogo muito acima da média. O seu envolvimento constante nos movimentos de ataque da sua equipa permitem-lhe aparecer em zonas de finalização com muita frequência, algo que se reflecte no número de golos que já anotou esta temporada.

Este Spartak-2, que já serviu de rampa de lançamento de jogadores como Anton Mitryushkin, Ilya Kutepov, Aleksandr Zotov e Denis Davydov, todos eles presenças habituais na equipa principal dos Krasno-Belye esta temporada, continua, por força de um trabalho notável do seu treinador – Yevgeni Bushmanov – a forjar jogadores como Aleksandr Zuev e Georgi Melkadze e a dá-los de bandeja a Dmitri Alenichev, que tem em mãos a hercúlea tarefa de voltar a acordar este gigante adormecido do futebol russo e europeu.

Foto de Capa: Site oficial do Spartak

E agora, benfiquistas?

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Benfiquistas, já deu para perceber que a equipa deste ano já não é o Benfica ao qual fomos habituados ultimamente.

Com a derrota na Supertaça, um início de campeonato quase desastroso e a eliminação da taça de Portugal, os adeptos já perceberam que este vai ser um ano diferente, um ano de sofrimento e de muitos nervos. Apesar de uma boa campanha europeia, a equipa vermelha e branca dá mostras de fragilidade. Com vitórias quase arrancadas a ferros em alguns jogos, o Benfica mostra que ainda tem muito trabalho pela frente.  A juntar às falhas que apresentamos em algumas ocasiões junta-se a pouca qualidade de alguns jogadores que ocupam certos sectores do terreno de jogo.

Como já disse anteriormente, este Benfica não tem um médio de transição, ou não tinha até eu ter visto um miúdo chamado Renato Sanches terça feira passada. Desde janeiro, altura em que Enzo Perez rumou ao Valência, que eu não via um médio vir buscar jogo atrás e transportá-lo para a frente do terreno no meio campo benfiquista.

Renato Sanches estreou-se a titular frente ao Astana Fonte: Sport Lisboa e Benfica
Renato Sanches estreou-se a titular frente ao Astana
Fonte: Sport Lisboa e Benfica

Não temos um lateral esquerdo em condições, pois o Eliseu, como já referi anteriormente, não é um jogador ao nível do Benfica. Fraco no um para um e com uma técnica muito peculiar, o lateral esquerdo compromete bastante a defesa encarnada.

Com as lacunas que o nosso plantel apresenta teremos então de olhar para esta época como um ano de transição. Uma época onde temos de experimentar, temos de dar minutos a jogadores que ainda não foram aposta. A bem dizer, temos de procurar formar um grupo forte para o que ainda resta desta época e para a época seguinte.

Depois de toda a pressão a que a equipa foi sujeita, devido a o nosso passado recente ter sido um passado ganhador, juntamente com o facto de o treinador mais ganhador da história do Benfica ter saído para o nosso maior rival e a perda de alguns jogadores chave em relação à época passada, como Lima e Salvio, a equipa precisa de se unir outra vez, precisa de voltar a ganhar, e voltar a ganhar à Benfica. Com boas exibições e com garra acima de tudo.

Como já disse em textos anteriores, o Benfica precisa de que os adeptos estejam do lado da equipa. Apesar deste mau momento que estamos a passar a equipa precisa de sentir que estamos com eles, não só nos bons mas também nos maus momentos. Por isso, benfiquistas, vamos continuar ao lado da nossa equipa e, acima de tudo, vamos mostrar todo o nosso apoio e todo o nosso amor por este clube.

Foto de Capa: Sport Lisboa e Benfica

CD Tondela 0-1 FC Porto: Simplesmente medonho

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Confrangedor. Não há outra palavra que me venha à cabeça para descrever a exibição portista esta noite em Aveiro. Sem chama, sem garra, sem intensidade, sem nada. Não se viu FC Porto com o Tondela. Quanto muito, vimos 11 jogadores com uma camisola que mais uma vez não foi respeitada. Exibição pálida e tristonha que ainda foi pior comparativamente ao do encontro com o Dínamo Kiev.

Comecemos por falar do onze inicial: torna-se quase inútil sequer comentar as escolhas de Lopetegui.  No jogo com os ucranianos, o espanhol decidiu utilizar apenas três médios, num jogo onde a solidez defensiva era fundamental. Esta noite, com o último classificado do campeonato, o treinador decide colocar quatro centrocampistas, numa decisão sem qualquer explicação aparente. Para além do sistema, é igualmente relevante os protagonistas escolhidos: Bueno raramente tinha sido opção e, do nada, aparece a titular; André André, de longe o melhor médio dos dragões, é mais uma vez afastado para uma faixa onde só a espaços é importante.

Foi assim, num mar de dúvidas inexplicáveis, que o FC Porto entrou no relvado. Do outro lado, um Tondela que, apesar do último lugar no campeonato, cedo mostrou que não estava ali para facilitar. Linhas bem juntas, pressão perto da defensiva contrária e uma solidez que promete ter os seus frutos a médio prazo. Do outro lado, uma exibição fantasmagórica durante a primeira meia hora. Objetivamente, só aos 28 minutos, quando Brahimi sacou um coelho da cartola, é que se viu FC Porto. A liderança no marcador era mentirosa, tal tinha sido a falta de qualidade exibicional. Até ao intervalo, as coisas melhoraram um pouco com Brahimi, André André e Aboubakar a conseguir criar perigo. Aliás, o ex-médio do Vitória Guimarães e o avançado camaronês podiam mesmo ter fechado o resultado já sobre o intervalo, mas ambos falharam o golo.

maicon
Maicon comprometeu ao fazer grande penalidade
Fonte:diariodigital.sapo.pt

No segundo tempo, aconteceu o que seria quase impensável. O FC Porto apareceu ainda mais apático, com um estilo de jogo absolutamente medíocre. Os minutos iam passando e o jogo sonolento dos dragões ia fazendo perigar o resultado. Já com Lopetegui há muito expulso do banco, as substituições feitas pelos adjuntos ainda pioraram a situação. De facto, acabar um jogo contra o último classificado com dois trincos é algo que não lembra a ninguém. Rui Bento quis aproveitar a oportunidade e lançou trunfos à procura do empate. A grande penalidade de Maicon sobre Murillo foi a chance de ouro que procurava mas Chamorro, perante Casillas, permitiu a defesa ao espanhol.

Nas bancadas, ouviam-se insultos aos jogadores do FC Porto; no relvado, sobravam poucas palavras para a atitude da equipa. Vitória sofrida e vergonhosa de um dragão que continua a desiludir tudo e todos. Os três pontos rumam à invicta mas, mais importante que o resultado, desta noite fica uma pálida imagem que não se pode repetir. Este FC Porto parece perdido, sem identidade e, se algo não melhorar, dentro de pouco tempo, o filme da época passada pode voltar a ser uma realidade.

 

Figura do Jogo: Casillas – Depois do erro com o Dínamo Kiev, o guardião espanhol voltou a ser decisivo. A defesa na grande penalidade foi determinante para a conquista dos três pontos no jogo com o Tondela.

Fora de Jogo: Exibição portista – Há poucas palavras que possam descrever o que se viu em Aveiro. O FC Porto continua uma sombra do que já foi e a exibição deste sábado foi uma prova disso. A paciência começa a esgotar-se.

Claques: entre canções e furacões

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sporting cabeçalho generícoUm jogo de futebol tem vários elementos, dentro e fora de campo. Para além das três equipas no terreno de jogo, existe o que se costuma intitular como o 12° jogador: os adeptos.

Durante a minha ida a Alvalade, no jogo da Taça de Portugal, vi homens e mulheres, crianças e idosos unidos por uma paixão irracional, o futebol. Mas, mesmo assim, o melhor estava dentro do estádio. As claques.

Senti-me uma criança ao entrar para as bancadas e a ver os holofotes ligados, os jogadores a aquecer e as claques do Sporting, na bancada oposta à minha, a afinarem vozes para o espetáculo que estava prestes a começar. É impossível ficar quieta e calada perante o ambiente que estas estavam a criar, pelos ritmos das canções e pela emoção que se sentia.

Já sabia que ia ser assim, 90 minutos – que passam a 120- a motivar todos os jogadores dentro de campo, não deixando nenhum para trás, ficando tudo de si também ali, dentro das quatro linhas. Mas, não consigo explicar porquê, fico sempre sem palavras perante a força de todos os que fazem parte das claques, estes que também fazem com que o público apoie a sua equipa e a deixar o jogo com uma energia inigualável.

 

A massa adepta do Sporting no apoio à equipa Foto: Sporting CP
A massa adepta do Sporting no apoio à equipa
Foto: Sporting CP

Fiquei também bastante impressionada, pela positiva, pela originalidade das tarjas criadas e dos cânticos entoados. Se bem, que neste ultimo ponto, há uma coisa a criticar: quando insultam os adeptos das claques contrárias. Não me venham dizer que o futebol não é para meninas e que assim é que se vê a nossa força; não é assim. Não precisamos de rebaixar ninguém para nos tornarmos grandes. Na verdade, somos gigantes, vergam-se pelo poder da nossa voz e pela qualidade da nossa equipa. Devemos apoiar os nossos e ignorar os outros. Ninguém tem uma voz como a nossa. Ninguém cala o rugido do leão.

Posto isto, desenganem-se os mais céticos, os que não acreditam no fenómeno que são as claques do Sporting. Respondo-vos já à primeira pergunta que surge nas cabeças: isto não se passa apenas em casa. Passa-se em todos os estádios em que o Sporting é recebido como visitante, como aconteceu na passada quinta-feira em Moscovo. Apesar do frio que decerto se sentia na capital russa, ouviam-se vozes portuguesas puxar pelos leões em cada lance de ataque, em cada golo e cada calafrio. Faziam-se ouvir até que as vozes doessem.

Sinto que é disto que também é feito o Sporting Clube de Portugal. De jogadores e adeptos. Porque, todos juntos somos mais fortes. Ninguém para o leão.

Foto de Capa: Sporting CP

Carta Aberta a: Julen Lopetegui

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Caro Julen Lopetegui (queria chamar-lhe mister mas nem isso consigo),

Comecei a colaborar com o Bola na Rede há pouco tempo e, por isso, tomei a liberdade de me certificar de que nunca tinha recebido nenhuma carta aberta. Engano meu. Não sou o primeiro a escrever-lhe mas, espero, vou ser o último. Gostaria, porém, de citar o que o meu colega Alcino Rodrigues escreveu aquando da carta aberta que este escreveu em maio último:

Se ficar na próxima época tenha consciência e assuma para si mesmo que falhou rotundamente em várias ocasiões. O fracasso pode ser um grande aliado mas há que ter a humildade de percebê-lo como um instrumento de realização, que já foi usado por muitas pessoas de grande sucesso que souberam aproveitá-lo. Não espere obter resultados diferentes se fizer sempre a mesma coisa, que eu também não…

E agora aproveito para o citar a si nas declarações que proferiu hoje (27 de novembro), poucos dias após o desaire em pleno Dragão frente ao Dinamo Kiev:

As reações do público são soberanas. Perdemos um jogo em 18 e o público reage como reage. Aceitamos e de bom grado. O público é soberano e tem sempre razão.

A arrogância com que profere estas palavras assinalam o seu fim no Futebol Clube do Porto. A primeira derrota da época 2015/16 deverá marcar o seu fim como treinador dos azuis-e-brancos. E quer saber porquê? Porque não é capaz de admitir que errou. Porque não é capaz de assumir que a derrota frente ao Dinamo Kiev começou ainda antes do apito inicial, nas opções técnicas que tomou. Menospreza a opinião pública porque esta não se alicerça em toda a sabedoria futebolística com que toma as suas opções. Pois bem… além de arrogante tem pouco caráter.

O que é que eu faço aqui com estes plebeus? Fonte: FC Porto
O que é que eu faço aqui com estes plebeus?
Fonte: FC Porto

Depois do jogo é fácil falar? Sim, claro que é. Mas antes do jogo também é fácil perceber que há opções que têm tudo para correr mal. E não é isso que o impede de as tomar. Opções que, em jogos cruciais, continuam a deitar tudo a perder. É conservador. Tem medo. Tem receio mesmo sendo treinador do Futebol Clube do Porto.

Julen, o problema não está na primeira derrota. Está nas exibições da equipa. Não há evolução, não há um fio condutor, não há ideias… Somos demasiado previsíveis e incapazes de manter o nível exibicional perante a rotatividade. E não há milagres para tanta incompetência da sua parte. As vitórias são algo natural no seio portista porque os jogadores são melhores. Se eu juntar dez jogadores num campo e colocar os cinco melhores numa equipa, o mais natural é que estes vençam nove em dez jogos. No mínimo! Mesmo que nunca se tenham visto na vida. Mesmo que não se conheçam. Mesmo que não falem a mesma língua. São melhores e vão, naturalmente, vencer.

O futebol até tende a ser bastante simples. Operacionalizar e interiorizar os processos é que é mais complicado. Mas nem isso você consegue. Pode ter a teoria toda na cabeça mas não consegue que os jogadores correspondam com aquilo que você exige. E a minha pergunta é: a culpa é dos jogadores?

Há ainda outro ponto em que gostava de me debruçar. Saiu este sábado (27 de novembro) a convocatória para o encontro em Aveiro frente ao Tondela. Corona e Imbula de fora porquê? São os bodes expiatórios que encontrou para justificar a derrota consentida? Então e o Casillas não sai porquê? É imprescindível? É que o erro que o espanhol cometeu é clamoroso e acabou com todas e quaisquer expetativas de recuperação. O ano passado fez o mesmo com Fabiano. Este ano, Cissokho também já passou pelo mesmo.

Quero pedir-lhe um favor! Já que estamos a deixar de fora os culpados do último desaire, deixe-se a si de fora. Diga ao Rui Barros para assumir a equipa.

Caro Julen… até pode conseguir vencer um troféu interno ou o apuramento para os oitavos de final da Liga dos Campeões. Mas o seu tempo aqui já acabou. Cumpra os requisitos mínimos para que consiga sair pela porta média. A grande nunca será sua e a pequena já está entreaberta. Assuma de uma vez por todas que é um fracasso como treinador de futebol.

Espero que estejas contente. Bateste mais um recorde. És, neste momento, o único visado a receber duas cartas abertas no Bola na Rede. Festeja lá isso e atira à cara dos adeptos se quiseres.

Foto de Capa: FC Porto

Nuno e o mistério do Twitter

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Nuno Espírito Santo, treinador do Valência, já tem conta no Twitter. No entanto, passado mais de uma uma semana da sua criação, dia 19, Nuno não segue ninguém, Nuno nada diz. A sua conta limita-se a estar ali, como se tentasse passar despercebida e vai, desse modo, aumentando a expectativa sobre qual será a sua primeira ação naquela rede social.

O mistério tem uma explicação simples, a meu ver. Depois de um arranque muito mau, que levou à contestação dos adeptos, o Valência surpreendeu ao ir a Vigo golear o Celta, a grande sensação do campeonato espanhol, por 5-1. Assim, as duas semanas de pausa das seleções foram um pouco mais tranquilas para Nuno. No regresso da Liga Espanhola, o Valência recebia o recém-promovido Las Palmas e o treinador português terá pensado que essa seria uma boa oportunidade para vencer e se estrear tranquilamente no Twitter.

O problema é que o Valência empatou com o Las Palmas, a contestação dos adeptos subiu ainda mais de tom e o Twitter do Nuno continuou por estrear. De resto, não seria nada fácil explicar a exibição do Valência em apenas 140 caracteres, de tão má que foi. Ao empate com o Las Palmas, seguiu-se a derrota a meio da semana em São Petersburgo, que deixou a equipa de Nuno em risco de ser eliminada da Liga dos Campeões. E Nuno continua sem dar uso ao seu Twitter…

Nuno durante um treino do Valência Fonte: Facebook Oficial do Valência CF
Nuno durante um treino do Valência
Fonte: Facebook Oficial do Valência CF

É como se a conta tentasse passar despercebida, mas não passa. Nuno não mexe no Twitter, mas a sua conta mexe com o Twitter, contando já com mais de 7500 seguidores. Alguns deles estão tão chateados que, se fosse possível, optariam por perseguir Nuno, em vez de o seguir. No Mestalla, o cântico que mais se ouve é o Nuno Vete Ya, pedindo a saída do treinador, cântico que tem como correspondente na internet a hashtag #NunoVeteYa, que vai fazendo sucesso, por estes dias. Além disso, os memes mostrando o pedido Nuno Vete Ya multiplicam-se, havendo um em que até o Rei Juan Carlos aparece a perguntar “¿Nuno, por qué no te vas?”

A conta do Twitter é nova, mas a foto de capa não deve ser, porque aí o treinador português aparece a sorrir, algo que já não acontece há algum tempo. Por trás, vê-se a imagem do Mestalla cheio e, felizmente, as imagens não têm som, porque já sabemos o que é que os adeptos estariam a cantar.

Este domingo, o Valência vai ao terreno do Sevilha, de onde Barcelona e Real Madrid já saíram derrotados esta época, e, na jornada seguinte, recebe o Barcelona, sendo que, pelo meio, tem um jogo fácil para a Taça. Assim, o silêncio de Nuno online arrisca-se a continuar por mais algum tempo. Para já, o que eu lhe sugeriria era que, na sua descrição, onde se lê “Perfil oficial de Nuno Espírito Santo, entrenador del Valencia CF”, acrescentasse: “Por enquanto, por enquanto…”.

Fonte: Facebook Oficial do Nuno Espírito Santo

Señor Lopetegui, a paciência esgotou

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Inadmissível e incompreensível. Os erros repetem-se sistematicamente e parece não haver fim para a teimosia de Julen Lopetegui. O treinador do FC Porto está novamente em xeque, ainda que apenas aos olhos dos adeptos, que alegam a insistência recorrente (passe o pleonasmo) em determinadas ideias que, já se percebeu, estão longe de funcionar e de beneficiar o rendimento desportivo da equipa. No início da época, fui um dos defensores da permanência do basco. Não é segredo. No entanto, tornou-se incomportável assim continuar e, inevitavelmente, juntei-me ao coro de detratores do atual técnico azul e branco.

A derrota caseira com o Dínamo Kiev (0-2) foi a gota de água que fez transbordar o depósito que, esta época, se ia enchendo ao mesmo ritmo que o da temporada passada encheu. Se o FC Porto estava a um mero ponto da qualificação e podia alcançá-lo frente a uma equipa que seria teoricamente inferior, porquê inventar? Porquê mudar o sistema tático que tem sido matriz na Liga dos Campeões? Porquê colocar André André no banco? E, mais grave, porquê tirar Maxi Pereira ao intervalo para colocar o médio em campo? Decerto que para tapar um buraco não é necessário abrir outro, tendo em conta o leque de opções que o plantel oferece a Lopetegui…

Agora, a continuidade na Champions parece mais longe do que perto. E, se olharmos para o campeonato, os dividendos da campanha portista traduzem-se nos mesmos valores dos da época que findou com a vitória do Benfica.

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Terá chegado a hora de Lopetegui fazer as malas?
Fonte: stuff.co.nz

O futebol praticado continua longe de convencer e do nível idealizado e desejado. Se já assistimos a laivos de belíssimas exibições coletivas, essas mesmas exibições não tiveram continuidade. Nunca. E, mesmo que aleguem a construção de uma nova equipa em relação àquela que foi trabalhada no último ano, eu respondo com a necessidade de, por esta altura, já ser mais que tempo de ter determinados processos de jogo fundamentais interiorizados e postos em prática.

E, o mais inadmissível: o disparate na conferência de imprensa. O discurso de Lopetegui na antevisão ao jogo com o Tondela foi desligado de nexo e disparatado. Caso não tenha percebido, os adeptos do FC Porto distinguem-se dos outros pela exigência acima da média que colocam “em cima” dos jogadores que defendem as cores, que, por sua vez, eles apoiam. O portista fica satisfeito apenas e só com a vitória. É essa a máxima e a premissa que sempre guiou os dragões.

Pois bem, Señor Lopetegui, se todos já percebemos os erros e o mister não… A solução parece estar à vista: faça uma análise rigorosa e repense o caminho que quer seguir ao leme do clube de brasão abençoado nas mãos, ou então, obviamente, demita-se. Porque pior que cometer os erros é repeti-los, sabendo que já deram mau resultado. E uma vez, e outra, e outra…

A minha primeira grande discordância com Jorge Jesus

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sporting cabeçalho generícoNo lançamento do jogo de Moscovo, na habitual conversa com os jornalistas, Jorge Jesus voltou a lembrar que as prioridades do Sporting, neste momento, são as competições nacionais. Não o tendo afirmado, é claro para todos que à cabeça está a conquista do campeonato, obviamente. Mas JJ foi ainda mais longe quando afirmou que a Liga Europa “não é a melhor para recuperar o que há muito o Sporting não tem”. Não podia estar mais em desacordo, o que fundamentarei a seguir.

Em primeiro lugar não é demais recordar que não foi assim há tão pouco tempo que o Sporting esteve numa final da competição e ainda há menos tempo chegou à meia-final. Não é o mesmo que vencer a competição mas também não são tantos clubes assim que no decurso deste curto século se possam gabar de o ter conseguido e os que os podem fazer são nomes importantes no cartaz do futebol europeu.

Por outro lado, se o objectivo é restaurar o prestígio internacional o Sporting não se pode dar ao luxo de abdicar das oportunidades que lhe aparecem pelo caminho. Ou pode um subnutrido dar-se ao luxo de escolher o menu da próxima refeição?

O futebol é demasiado contingente para se poder adivinhar qual a competição que será mais fácil de conquistar, de entre todas aquelas em que participa. Quem pode afirmar que, de entre todas, a Liga Europa é menos fácil e menos prestigiante de vencer que, por exemplo, o campeonato nacional ou a Taça de Portugal? Como podemos saber que colocar os ovos todos no cesto do campeonato vai pagar mais, negligenciando de todo a competição da UEFA, escusando sequer a gestão das expectativas em função do jogo que se segue?

Já ontem, no final do jogo, JJ reconheceria que a possibilidade de qualificação lhe acarreta um problema na tomada de decisão relativamente à gestão dos jogadores para os compromissos consecutivos com o Besiktas (LE), Moreirense (campeonato) e Braga (Taça de Portugal). JJ deixou no ar que as possibilidades agora acrescidas de qualificação o impediriam de, à semelhança do que fez anteriormente, abdicar dos melhores para, dessa forma, ter, por via de maior descanso, os jogadores mais importantes com maior disponibilidade física e mental. Ora isto é desperdiçar o ensinamento mais relevante do jogo (resultado e exibição) de ontem.

Sporting Lokomotiv
O Sporting entrou ontem em campo com cinco dos habituais titulares
Fonte: Sporting CP

Ao contrário do jogo com o Skenderbeu, onde, dos habituais titulares, apenas Adrien e Patrício jogaram, ontem JJ incluiu, além do já referido Adrien, Naldo, Ewerton, João Mário e Bryan Ruiz. Ora isto é completamente diferente de jogar com uma equipa onde nove jogadores não jogam com regularidade, não tendo por isso a rotina nem o ritmo dos que o fazem habitualmente. Isto não esquecendo a importância que as diferenças de qualidade individual e experiência aportam ao jogo colectivo.

Tudo isto serve para dizer que concordando com a importância relativa de cada competição, onde à cabeça está a conquista do campeonato, a gestão do esforço dos jogadores é perfeitamente possível, desde que não seja levada ao extremo, como aconteceu com o Skenderbeu, com os resultados que se conhecem.

O modelo radical então usado é pernicioso para todos porque, se as derrotas são inevitáveis, as que surgem de forma próxima da humilhação carregam um potencial negativo onde é mais fácil florescer a dúvida do que a segurança. Num plantel carregado de jovens jogadores isso é um aspecto que tem de ser gerido com o maior cuidado.

A resposta ontem dada por Gélson (sobretudo) e Matheus seguramente não surgiu do acaso. Rodeados de bons jogadores, como Montero, Ruiz, Adrien e João Mário, devidamente respaldados por Ewerton e Naldo, as possibilidades de mostrarem o inegável talento que possuem aumentam exponencialmente, ao invés de terem os seus nomes inscritos num rol de meninos à procura da afirmação.

Foto de Capa: Sporting CP

NBA: Golden State cada vez mais históricos

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cab nbaQuem me conhece sabe que sou um grande fã de Desporto, no geral; no entanto, não há nenhum como o Basquetebol. Há uns meses, escrevi sobre o quão belo era o estilo de basquetebol praticado pelos San Antonio Spurs, aquando da conquista do título máximo do principal escalão a nível mundial.

Hoje, escrevo novamente sobre uma equipa que está a pegar na liga e torná-la no seu recreio. Escrevo, naturalmente, sobre os Golden State Warriors e sobre o seu mais recente recorde. Para quem não está a par do acontecimento, os Golden State Warriors venceram ontem os Los Angeles Lakers (uma equipa que, por si só, anda a precisar de um texto para gozar com eles) e atingiram a sua 16.ª vitória em, adivinhem lá, 16 jogos. Sabem quantas vezes isso foi conseguido na NBA? Sabem? Zero.

Numa liga que já vai com 66 anos de história, nunca nenhuma equipa tinha conseguido um começo perfeito ao fim de 16 jogos. É preciso recuar 20 anos para chegarmos a uma que conseguiu, em 15 jogos, ganhar todos – os Houston Rockets do lendário Hakeem Olajuwon.

Voltando apenas quatro meses atrás: depois do magnífico triunfo dos Golden  State perante os Cleveland Cavaliers, que resultaria no coroar desta equipa, a maior parte da liga preparou-se e fez de tudo para conseguir contratar as principais estrelas que acabavam o contrato. Inúmeras trocas foram feitas, e Bob Myers, o diretor desportivo da equipa, seguiu um dos lemas mais conhecidos do mundo: “Em equipa que ganha não se mexe”. Sem perder jogadores importantes e sem grandes adições, a equipa, que está a “trucidar” e a abalroar tudo e todos, é praticamente a mesma que acabou a época transata.

Por algumas vezes já me referi a este grupo de atletas com uma capacidade única como “equipa”. Porque é isso mesmo que eles são. Apesar de terem aquele que é por muitos considerado o melhor jogador do mundo, Steph Curry (que está a jogar maravilhosamente bem sozinho – tem mais triplos feitos do que algumas equipas, nesta temporada), todo o grupo faz o que lhe pede e joga de uma maneira muito altruísta.

Este grupo é absolutamente soberbo. É das poucas equipas na liga inteira que, após realizarem as substituições naturais no decorrer jogo, e sentarem os jogadores que começam no cinco inicial, não perdem qualidade e continuam a ser extremamente competitivas.

Curry é o líder dos Warriors Fonte: theplayoffs.com.br
Curry é o líder dos Warriors
Fonte: theplayoffs.com.br

Percamos um bocadinho para analisar o que esta equipa tem de tão especial: tem em Klay Thompson um atirador furtivo, que está num nível muito acima do normal e que é capaz de defender qualquer jogador na ala. É a partir daqui que tudo começa a ter piada – temos Harrison Barnes, que pode jogar em qualquer posição dos extremos de forma bastante eficaz (não lhe é pedido para fazer muito ofensivamente e mesmo assim ele é capaz de se sobressair); temos Draymond Green, que tanto pode jogar como um extremo-poste ou como poste, e, apesar de o seu tamanho ser bastante abaixo do que é normal nessa posição, Draymond defende qualquer jogador muito bem e ataca ainda melhor, sendo inclusive o líder em assistências da equipa; e depois temos o australiano Andrew Bogut, que consegue ancorar a defesa que tantos problemas causa a todas as equipas.

Poderia continuar a escrever sobre o resto da equipa, que tem ainda Andre Igoudala, o MVP das finais, a revelação deste ano, o poste Festus Ezeli, e, basicamente, o resto da formação, mas não pretendo alongar-me em individualidades.

Os Warriors já vão com 16 vitórias neste início de ano, e muito se especula sobre se conseguirão atingir o tão badalado recorde dos Bulls de Michael Jordan, que conseguiram 72 vitórias num total de 82 jogos. Pelo andar da carruagem conseguirão fazer isso, se bem que muito ainda pode acontecer – pode haver lesões, pode haver algum azar -, mas ninguém lhes irá tirar o mérito daquilo que já foi alcançado: um título, um MVP, e já vão com um recorde de vitórias no início do ano. Vamos ver quem e o que é que os pode parar.

Outra coisa bastante impressionante é o público fervoroso sempre presente na Oracle Arena. Já há muitos anos que é considerada pelos jogadores e treinadores da liga uma das arenas mais barulhentas dos Estados Unidos da América.

Pessoalmente, preferia ver a minha equipa a bater estes recordes; contudo, pelo bem da beleza do desporto, espero que os GSW continuem a batalhar contra tudo e todos! Já Pat Riley diz: “estamos perante o começo de uma dinastia”. Espero também ver Steph Curry a eclipsar os seus próprios recordes e a tornar-se o melhor lançador que alguma vez jogou basquetebol, se é que ainda não o é.