Jogador de classe mundial e lenda viva do desporto rei, Xabi Alonso transporta toda a classe do futebol para dentro das quatro linhas e, certamente, faz o futebol parecer tarefa fácil ao olho do comum adepto. Com 114 internacionalizações pela seleção de Espanha e com passagens por três históricos do futebol (Liverpool, Real Madrid e Bayern Munique), o médio basco é um autêntico maestro em campo.
O internacional espanhol destaca-se pela sua apurada técnica com bola e pela excelente qualidade de passe, de tal nível que porventura somente o mítico Andrea Pirlo evidencie, nos dias que correm, tamanha capacidade no capítulo do passe. Xabi Alonso efetua passes longos com tal naturalidade e execução que aparenta estar a trocar a bola com um colega perto de si. Também o remate de longa distância é uma das armas que tem no seu vasto arsenal, característica patenteada nos golos de belo efeito que tem marcado ao longo da sua carreira.
A elevada cultura e leitura de jogo que demonstra, aliadas a uma inteligência tática adquirida com a experiência que já tem dentro das quatro linhas, permitem a Alonso controlar o ritmo das partidas e assumir a batuta do jogo, sendo assim o pêndulo e o principal motor de construção de jogo e circulação de bola da sua equipa.
O médio basco deixou um vasto legado no Liverpool, quando assinou pelo Real Madrid em 2009. Ao serviço dos madrilenos somou vários triunfos e títulos e foi com alguma surpresa para muitos adeptos que assinou pelo Bayern Munique aos 32 anos. Surpreendente, mas não para todos. Pep Guardiola sabia bem o que estava a fazer quando pediu a sua contratação: Alonso era a peça fundamental de que o meio-campo dos bávaros necessitava para praticar um futebol sustentado na posse de bola, bem ao estilo daquilo a que o técnico espanhol nos tem habituado. Guardiola tinha em Xabi Alonso o maestro de que necessitava para completar a sua orquestra em Munique.
Guardiola viu em Xabi Alonso o maestro ideal para a sua orquestra bávara Fonte: FC Bayern Munique
Xabi Alonso é um jogador galardoado e o seu currículo evidencia-o bem: um Campeonato do Mundo e dois Europeus ao serviço da seleção espanhola, duas Ligas dos Campeões (2004/05 no Liverpool e 2013/14 no Real Madrid), uma Supertaça Europeia, uma Liga Espanhola, uma Bundesliga, duas Taças do Rei, uma Taça de Inglaterra, uma Supertaça Espanhola e uma Supertaça Inglesa. Aos 33 anos, Xabi Alonso é mais um caso exemplificativo de que a idade no futebol não passa de apenas um número e não tem obrigatoriamente que se refletir na eficiência de um jogador dentro das quatro linhas.
O que o médio basco já não tem em velocidade tem em cérebro e experiência, fatores que lhe permitem manter os índices e a qualidade de jogo que tem evidenciado ao longo da sua carreira. Xabi Alonso continua a ser um jogador fundamental, que marca a diferença nas partidas, e aparenta estar ainda longe de pendurar as botas. E nós, adeptos do desporto rei, agradecemos!
Na antevisão do jogo do Sporting com o Lokomotiv de Moscovo, Jorge Jesus disse que ia jogar com os que achava os melhores para aquele jogo, afirmando também que iria manter as opções que já tinha tomado quanto às suas prioridades (admito que não tenha sido com estas mesmas palavras).
Contudo, ao ouvir estas declarações passou-me pela cabeça que o técnico fosse lançar uma equipa totalmente renovada relativamente à que tinha alinhado de início no sábado contra o SL Benfica, acabando por mostrar assim que a Liga Europa estava totalmente colocada de lado.
No entanto, Jesus decidiu que ainda se queria manter – ou pelo menos tentar – na luta pelo apuramento por mais uns tempos e lançou alguns dos habituais titulares juntamente com algumas das novas promessas leoninas. O Sporting entrou em campo com uma defesa e um ataque totalmente remodelados, juntando-se Brian Ruiz a jogar ao meio, sustentados pelos médios habituais, Adrien e João Mário. Ao ver este alinhamento, diria que estava em campo uma equipa equilibrada, apesar do pouco entrosamento da defesa (o que poderia correr mal contra avançados russos tão rápidos).
Juntava-se a isso o facto de o Sporting não conseguir ganhar fora para as competições europeias há bastante – demasiado – tempo e, como tal, ganhar na Rússia seria algo que não se adivinhava nada fácil.
Com o início do jogo e um erro madrugador de Adrien, a equipa moscovita acabou por se adiantar no marcador e a tarefa de “matar borregos” antigos se afigurava mais difícil.
Montero: um golo, duas assistências e uma exibição de gala Fonte: Sporting CP
No entanto, o Sporting tinha pela frente uma equipa que dava preferência às saídas em contra-ataque, remetendo-se à defesa e dando o domínio de jogo ao Sporting, que começou a trocar a bola quase sempre no meio campo adversário. Com constantes trocas de posições entre os 4 avançados (sim, porque não jogámos com ponta de lança), tornou-se complicado para a defesa russa, forte e pesada, acompanhar o ataque leonino.
E foi com estas trocas em que, ora entrava o Ruiz na área, ora descia o Montero para fazer passes de rotura, com Matheus Pereira e Gelson a flectirem para o meio que os de Alvalade conseguiram fabricar os seus golos quatro golos. A este quarteto tivemos um meio campo soberbo, com João Mário mais a sair com bola e Adrien a recuperar bolas, a fazer cortes… mostrando-se incansável.
Foi um bom jogo da equipa leonina na generalidade, com alguns erros na defesa que deram os dois golos moscovitas, juntando-se o cansaço dos dois do meio campo que trabalharam muito e que perto do fim da partida já não conseguiam acompanhar a rapidez dos avançados russos.
Quanto aos suplentes que entraram, deixo uma palavra para André Martins que tem um toque de bola fantástico. Não fosse a irregularidade e seria de um jogador de top.
Devo dizer que, para mim, o segredo desta vitória esteve em dois jogadores. Adrien a recuperar bolas e a construir jogo (com a ajuda de João Mário), e Montero, que não se deu à marcação dos pesadões russos e assim teve liberdade para fazer vários passes de morte para os seus companheiros da frente.
Finalmente, o leão devorou dois borregos que já se estavam a tornar velhos demais para mastigar, juntando-se a isto o facto de se manter na corrida pela qualificação para a próxima fase da Liga Europa.
A Figura:
Adrien e Montero – O capitão leonino está numa forma assombrosa, limpando o meio campo e entendo-se às mil maravilhas com João Mário. Já “El Avioncito”, após alguns jogos de menor fulgor, rubricou uma exibição de encher o olho, jogando e fazendo jogar. O golo e as assistências não chegam para descrever a excelente exibição de Montero.
O Fora de Jogo:
Defesa do Sporting – Contra uma equipa preparada para jogar em contra-ataque, e após a lição aprendida em Moscovo há três meses, esperava-se uma linha defensiva mais atenta e que não permitisse liberdades como as que Maicon e Miranchuk tiveram nos golos russos.
Numa noite fria no Estádio do Restelo, Belenenses e Lech Poznan não foram além de um empate a zero, em jogo a contar para a 5.ª jornada do Grupo I da Liga Europa.
Com ambos os conjuntos a necessitarem de uma vitória, a partida ficou marcada por algum equilíbrio na primeira meia hora, pese embora a iniciativa atacante tenha pertencido maioritariamente, nesse período, ao Belenenses. O perigo esteve longe das duas balizas até aos 35’, altura em que o clube da cruz de Cristo teve uma oportunidade de ouro para inaugurar o marcador. Dudka agarrou Tiago Caeiro na grande área e o árbitro norte-irlandês, Stephen Bell, assinalou o correspondente penálti, só que na conversão do mesmo Tiago Silva rematou por cima. Daí até ao intervalo os comandados de Ricardo Sá Pinto carregaram em cima da equipa polaca, com Tiago Caeiro e Tiago Silva a desperdiçarem boas ocasiões de golo.
Na segunda parte, a qualidade de jogo desceu bastante. Ambas as equipas encaixaram uma na outra e proporcionaram um pobre espectáculo, apenas animado pela ruidosa e numerosa claque do Lech Poznan. A precisarem de ganhar para continuar a sonhar com a qualificação – a Fiorentina vencia em Basileia por 2-1 – ambos os conjuntos pouco ou nada fizeram para procurar o golo. A grande oportunidade de perigo deu-se aos 75’, numa bola ao poste enviada pelo ataque polaco, enquanto do lado do Belenenses, e para se ter uma ideia, a única oportunidade digna de perigo apareceu apenas aos 80 minutos, num remate ao lado.
Será em Florença que o Belenenses jogará a sua continuidade na Liga Europa Fonte: CF “Os Belenenses”
Nos últimos minutos o desafio abriu um pouco mais, mas continuaram a imperar as jogadas com mais coração do que cabeça. Contas feitas, verificou-se um empate justo, sendo que Belenenses e Lech Poznan até mantêm hipóteses de apuramento na competição, apesar da missão do clube português se afigurar complicada na última ronda, já que está obrigado a vencer no terreno da Fiorentina, orientada por Paulo Sousa.
Na conferência de imprensa, em resposta ao Bola na Rede, Sá Pinto pediu mais respeito pelos seus jogadores e pelo facto de ainda estar na luta pela qualificação para os 1/16 avos de final da Liga Europa, reiterando que os seus jogadores estiveram sempre mais perto do golo. O técnico dos azuis do Restelo também afirmou que o segredo desta campanha europeia tem passado pelo grande espírito de união, ambição e dedicação do plantel.
A Figura:
Filipe Ferreira – Boa exibição do lateral-esquerdo, sempre envolvido nas manobras ofensivas da equipa; um dos melhores na noite de Belém.
O Fora de jogo:
Baixa qualidade da segunda parte – Poucas oportunidades de golo, muitas perdas de bola, desinspiração a mais num desafio onde se pedia a vitória a ambas as equipas.
Reportagem e Texto de André Conde e João Rodrigues
Mister Lopetegui! Tenho tentado defendê-lo com unhas e dentes. Tenho apresentado argumentos que me fazem confiar e acreditar num FC Porto campeão no final da presente época apesar de, cada vez mais, achar que o Sporting é o verdadeiro candidato ao título. Já defendi que “Ainda bem que há Lopeteguis“, como também já demonstrei toda a minha crença no seu (limitado) trabalho – “Perfeição Lopeteguiana“.
Mas porra, mister! Há alturas em que não há qualquer argumento capaz de limpar ou de reforçar a sua frágil imagem. Vou ser sincero consigo. Ainda não vi o jogo da última terça-feira, frente ao Dinamo Kiev, mas tenho-o ali guardado para ver. A emoção diz-me para não ver, que não vale a pena assistir a tamanho descalabro – uma das palavras utilizadas para descrever a partida num dos fóruns que frequento. Já a razão diz-me para ver para poder perceber porque é que jogámos mal.
Como é que se pode deitar tudo a perder quando temos a faca e o queijo na mão? Estamos a jogar em casa, somos superiores… Para quê entrar a medo com Danilo e Rúben Neves? E as substituições? Tirar Maxi Pereira para fazer entrar André André e mexer em quatro posições? Não há quem o entenda. Defende-se dizendo que depois de jogo é fácil falar? Mister, não é pelas vitórias ou pelas derrotas. Não interessa se ganhou ou se perdeu. Se inventou, vai levar na cabeça. Até ao dia em que conseguir provar que não se trata de invenções mas de adaptações capazes de resultar, de baralhar o adversário, de provocar surpresa a conjuntos preparados para enfrentar outro tipo de esquema, outros tipos de jogadores azuis-e-brancos.
“Guardiola, diz-me como ser capaz em momentos cruciais”. Fonte: elcorreo.es
O grande problema é ser conservador. Prefere jogar pelo seguro, porque não é irreverente. Tem medo. Quem joga para os serviços mínimos está sempre mais perto de perder do que de ganhar. As vitórias são quase um efeito colateral de ser treinador do FC Porto. Mas já reparou como tem falhado em alturas cruciais? Nesses momentos não tem de inventar. É jogar com a melhor equipa, com os melhores jogadores à disposição e da forma a que estes estão habituados.
Quero que fique ciente de uma coisa, Mister Lopetegui. Mesmo que aconteça uma grande hecatombe futebolística, mesmo que o FC Porto vá ganhar a Inglaterra ou que o Dinamo não consiga superiorizar-se no próprio terreno, mesmo que seja campeão… Espero que no final do ano faça o favor de deixar o FC Porto. Ou então que faça o favor de tirar umas férias com o seu grande amigo Guardiola. Pode ser que aprenda alguma coisa.
Concluída que está a Ronda de Elite da UEFA Futsal Cup, é hora de analisar as hipóteses do representante nacional SL Benfica na final four da principal competição Europeia de clubes, que se irá realizar no decorrer do mês de Abril de 2016. Olhando apenas para os outros três oponentes, é claramente o Inter Movistar que se destaca dos demais, tendo dois jogadores portugueses no seu elenco: o mágico Ricardinho, atualmente o melhor jogador de futsal do mundo e que durante alguns anos encantou os adeptos encarnados, sendo ainda idolatrado no seio da família benfiquista, e o também excelente Cardinal, embora não tão brilhante como o seu compatriota, mas igualmente eficaz, cumprindo na perfeição o seu principal papel de pivô, isto é, marcar golos.
Está aqui apresentado o mais forte candidato ao troféu europeu, não só pelo contingente luso acima descrito, mas pelo seu plantel extremamente forte e equilibrado e pelo forte histórico na competição: já a venceu por três ocasiões – em 2004, 2006 e 2009 -, sendo por isso a formação mais consistente em termos de resultados e o conjunto com mais vitórias desde a criação da prova em 2001, com a particularidade de já não participar desde a época em que perdeu na final com o Benfica (2009/10) por 3-2, após prolongamento.
O SL Benfica é único vencedor português em 2009/2010. Irá a história repetir-se este ano? Fonte: UEFA
Este que é, até à data, o único título português na competição. De resto, temos uma equipa russa, o Gazprom Urga Yugorzk, que é uma estreia absoluta na competição, pois só na época transata conseguiu ser campeã nacional, e, por conseguinte, garantir o seu passaporte para a edição deste ano, mas que tem a seu favor o facto de já ter eliminado o campeão em título, o Kairat Almaty (Cazaquistão) na Ronda de Elite e contar nas suas fileiras com alguns jogadores brasileiros naturalizados russos, entre os quais Eder Lima ou Robinho, pelo que deve ser encarada com a máxima seriedade e respeito, caso calhe em sorte ao conjunto encarnado.
E, por fim, o ASD Pescara, que também se estreia na UEFA Futsal Cup, pois também em 2014/15 foi pela primeira vez campeão nacional. Pessoalmente, considero esta a equipa “menos forte” das quatro presentes, embora os clubes italianos historicamente tenham de ser levados em conta, pois já conquistaram uma edição deste troféu, em 2010/11, através do Montesilvano, perante o Sporting CP. Apresentados os adversários do SL Benfica na decisiva final four, é de esperar enorme equilíbrio nas partidas, faltando saber o sorteio, que se deverá realizar algures na primavera de 2016, e também a cidade onde este torneio se irá realizar.
Mas, atendendo à qualidade dos adversários, repetir 2010 não vai ser certamente tarefa fácil para as águias; no entanto, como se costuma dizer, tudo é possível. Eu diria que o ideal é evitar o Inter Movistar nas meias-finais, enfrentando logo o Pescara ou o Urga Yugorzk, para depois numa eventual final tentar derrubar o gigante espanhol. Mas, lá está, isto é apenas uma previsão; o mais importante é a equipa de Joel Rocha encarar cada jogo com concentração e máxima ambição, para no fim poder dizer-se que a equipa deu tudo o que tinha e para no fim cá estarmos a elogiar a prestação portuguesa na Champions do futebol de salão.
As contas estavam feitas: uma vitória colocava o Benfica imediatamente nos oitavos de final da Champions. Contudo, o cenário adivinhava-se difícil, com a equipa a ter de enfrentar uma viagem de mais de 6000 quilómetros, temperaturas negativas, um relvado sintético e uma equipa que ainda não tinha perdido em casa esta época na prova milionária. Num jogo decisivo para o Astana, que tinha de ganhar para ainda manter viva a remota possibilidade de apuramento, Rui Vitória voltou a surpreender tudo e todos, lançando Renato Sanches no onze inicial – aposta arriscada num jogador que ainda só tinha cumprido um jogo pela equipa principal dos encarnados, diante do Tondela. Foram, desta forma, cinco (!) os jogadores portugueses que alinharam a titulares, o que, num jogo das competições europeias, já não se via há muitos anos.
O Benfica entrou bem na partida, com uma boa circulação de bola entre os vários setores e com Gonçalo Guedes a deixar dois avisos à baliza adversária ainda antes do quarto de hora – numa das jogadas o português ganha espaço, vem para dentro e remata forte com o pé direito, o que pode ser uma indicação para o treinador o coloque a jogar mais vezes a extremo-esquerdo. O Astana foi equilibrando o jogo e chegou ao 1-0 num lance onde ficaram bem visíveis as fragilidades dos dois defesas laterais encarnados. Kabananga, um possante avançado congolês que foi uma dor de cabeça para o Benfica durante todo o jogo, desmarcou-se na esquerda (Sílvio não acompanhou) e tirou um cruzamento milimétrico para Twumasi encostar sem dificuldades – perante a passividade de Eliseu. Não me canso de dizer: Eliseu não tem qualidade para jogar no Benfica. Pode ter raça e entrega ao jogo mas não começa a ser por demais evidente a falta de capacidade física e o deficiente posicionamento em campo. Quando o mercado reabrir, Vieira tem de dar prioridade a duas posições: uma é a de defesa-esquerdo e a outra é a de número 8, ou seja, um médio box-to-box para jogar à frente de Samaris e dar apoio aos avançados (que falta fazes, Enzo!).
Talisca tarda em convencer Fonte: Sport Lisboa e Benfica
A equipa cazaque desdobrava-se bem no contra-ataque, tirando partido da rapidez e assertividade dos seus avançados. À passagem da meia hora, surgiu o segundo golo. Livre marcado de forma tensa e, mais uma vez, a defesa do Benfica não mostrou reação. Não o posso garantir, mas se Luisão estivesse em campo a comandar a defesa, este golo dificilmente teria acontecido. Que falta fez o nosso capitão, tantos foram os erros de posicionamento defensivo. Os encarnados até não tinham grandes dificuldades em chegar junto da área contrária mas faltava sempre clareza no último passe, na tabela, na triangulação. Até que Jonas decidiu descomplicar: veio até à ala, fugiu pelas costas do lateral e fez um cruzamento perfeito para um bom cabeceamento de Jiménez. Jogada dos livros, simples e eficaz e o jogo estava relançado (2-1).
Uma segunda parte bem menos interessante foi sinónimo de menos oportunidades de golo em ambas as balizas. O jogo de paciência ia-se prolongando: o Benfica não estava disposto a arriscar demasiado cedo com medo de se desequilibrar e de poder sofrer um terceiro golo; ao Astana interessava-lhe manter a vantagem diante do líder do grupo. Mas como no futebol não existem pactos de não-agressão, Jiménez voltaria a fazer mexer o marcador aos 72 minutos. André Almeida, que tinha entrado pouco antes para a saída por lesão de Sílvio – as queixas no joelho podem significar um regresso a uma lesão antiga (é muito azar para o próprio e para uma equipa que não pode contar com Luisão, Nélson Semedo e Salvio) – , cruzou para a área e o mexicano, com alguma sorte à mistura, rematou para o fundo das redes. Até ao apito final, nenhuma das equipas fez o suficiente para merecer os três pontos, portanto o empate acaba por ser justo. Premeia o atrevimento e a concentração do Astana e a boa resposta do Benfica a uma desvantagem de dois golos num jogo fora de casa. Nota ainda para a boa exibição de Renato Sanches, que mostrou em alguns momentos a sua capacidade de acelerar o jogo através de imprevisíveis mudanças de velocidade no miolo.
Depois da mais recente derrota com o Sporting (injustificável a derrota, a eliminação da Taça, a mediocridade da equipa nesse jogo, a arbitragem de Jorge Sousa) , o Benfica fica, assim, muito perto do apuramento para a próxima fase da Champions. Os jogadores saberão se o conseguiram já hoje apenas no avião de regresso a Lisboa. Depois de várias épocas de boas campanhas na Liga Europa (com duas finas até), fechou a hora de voltarmos a ser presença assídua na fase a eliminar da Liga dos Campeões. A nossa história e a qualidade do plantel assim o exigem.
O Benfica não conseguiu o triunfo no Cazaquistão, trouxe apenas um ponto para Lisboa e fica à espera que o Atlético de Madrid dê uma ajudinha, mas isso para mim é tudo “peaners”. O que mais importou neste jogo, na minha opinião, foi analisar a exibição de Renato Sanches, em estreia, e só tenho a dizer que o “puto” é o parceiro ideal para Samaris.
A equipa anda desde o início de época à procura do elemento ideal para jogar ao lado do grego. Começou Fejsa, já por lá andaram Talisca e André Almeida, e, finalmente, chegou a vez do «menino» do Seixal. Num jogo em que o Benfica esteve longe de ser bom, Renato Sanches foi o melhor. Aliás, era aquele o jogador que se estreava na Europa e que era pela primeira vez titular nas «águias»? Não me pareceu.
Uma maturidade fora do normal, a assumir a bola, a não ter medo de caminhar com ela e criar desequilíbrios, e, depois, um «pulmão» tremendo a defender e a equilibrar o conjunto de Rui Vitória. Falhou alguns passes, é certo – às vezes o coração foi mais forte do que a razão -, mas há ali talento e muita qualidade. Deixo ainda para registo aquele passe perfeito a isolar Gonçalo Guedes, que na cara do golo desperdiçou.
Renato Sanches foi o melhor em campo na estreia
Não tenho dúvidas de que é já a melhor opção para o Benfica e em Braga espero vê-lo no onze, sobretudo devido à ausência de Samaris.
Quanto ao resto do jogo é de salientar mais uma boa entrada dos “encarnados”, a pressionar, a dominar o adversário, mas à primeira adversidade quebraram, outra vez. O golo do Astana veio contra a corrente da partida e quase fez KO ao Benfica. Os cazaques jogavam direto nas linhas e o adiantamento dos laterais encarnados estava a descompensar a defesa. No primeiro golo, Eliseu chega atrasado e deixa o seu oponente cabecear, enquanto Sílvio está demasiado aberto na perda de bola de Jiménez.
O 2-0 acontece num mau comportamento defensivo e numa falha de marcação numa bola parada, onde o Benfica esta época não tem sido forte. A partir daí, e quando parecia que tudo ia desabar, a equipa organizou-se. Sílvio e Eliseu não subiram tanto e impediram o Astana de ganhar na profundidade, e Samaris e Sanches agarraram o controlo do miolo. Pizzi foi importante e mostrou que tardou em ser opção. Com o regresso de Gaitán, em Braga, espero que passe para o meio, atuando ao lado do “menino”.
Guedes foi sempre desconcertante para os adversários e Jonas “acordou” para o jogo. O Benfica empatou numa altura decisiva, a chegar ao intervalo, pelo «quase» sempre perdido Raúl Jimenez. O golo deu confiança e na segunda parte o controlo da partida foi sempre das «águias».
O mexicano voltaria a marcar, algo inédito, e colocou justiça no marcador. O Benfica partia então para a procura do golo que podia dar o apuramento, mas… Rui Vitória mexeu mal.
Talisca entrou e o Benfica tremeu porque perdeu força e intensidade no meio-campo. O brasileiro é curto para aquela posição e até para o Benfica. Precisa de acrescentar muito mais para poder ser opção.
Mesmo assim, Sanches aguentou as hostes e o Astana já nem constituía perigo, mas o Benfica preocupou-se mais com não perder do que com ganhar. Cristante ainda entrou para controlar.
Será que o italiano aos poucos pode aparecer na equipa? Desejava que sim.
Hoje, o Benfica merecia ganhar, é certo, mas foi penalizado pelo desacerto defensivo inicial e pelo pouco risco de Rui Vitória, o que até é perceptível, nesta fase que a equipa atravessa.
A Champions está encaminhada e eu volto a pedir: façam no campeonato o que fazem na Europa e o Benfica vai crescer!
A Figura:
Renato Sanches – Estreia a titular, estreia na Europa e uma exibição excelente para um menino de 19 anos. Que o futuro estava assegurado com ele já esperava, mas de que no presente seria a melhor opção não estava certo. Bela surpresa!
O Fora-de-Jogo:
Talisca – Entrou e complicou. O Benfica estava bem, mas perdeu o domínio total da partida e demonstrou que não é opção para jogar ali. Nem passes nem remates. Descompensou a equipa e espero que em Braga não entre no relvado.
Mais um jogo contra a equipa de Carnide, mais uma vitória e até aqui tudo normal! O que não é normal foi aquilo que se passou e tem vindo a passar após o jogo!
A direcção encarnada, com a clara intenção de afastar o foco da equipa e do seu (insuficiente) treinador, começa a disparar na arbitragem, quando, no geral, a turma leonina pode-se considerar mais prejudicada que os seus adversários.
Mas falar em arbitragem quando se perde – e bem – um jogo e se está num momento de contestação dos adeptos é útil para atirar “areia para os olhos” dos mais inocentes. E até aqui… tudo bem (ou não).
Agora o que eu não consigo aceitar é o discurso do Rui (mais derrotas que) Vitória(s)… o desespero dele no final do jogo… tudo bem… não sabe mais e não consegue mais com a equipa que tem! E verdade seja dita, a sua direcção preocupa-se mais com Jorge Jesus do que com ele, o que não deve facilitar nada a sua vida e o seu trabalho.
A culpa de Gaitán ter perdido os sentidos e jogado os 120 minutos, também é culpa de Jorge Sousa? Fonte: SL Benfica
Termina o jogo e Rui sai disparado para a flash interview a dizer que tem “dois jogadores a caminho do hospital… Um, infelizmente num lance aparatoso e onde não há maldade de ninguém ou propósito em aleijar (o mesmo já não se poderá dizer de alguns jogadores que equipam de vermelho) e outro num choque cabeça com cabeça com um adversário, quase no início da partida.
Atenção que Nico Gaitán lesiona-se a meio da primeira parte, perde inclusivamente os sentidos em campo… e que faz Rui Vitória? Mantém-no em campo até ao minuto 120. Sim, eu sei que ele é o melhor jogador da equipa encarnada, mas nada justifica o prejudicar a saúde de alguém em prol de um jogo… (até poderia ser mais grave e arriscar-se a perder um jogador muito mais tempo).
Rui, com a saúde não se brinca e espero e desejo sinceramente que os teus dois jogadores recuperem rapidamente.
Difícil de explicar que se passou no Dragão nesta noite friorenta em que se jogou a 5.ª jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões. O Porto complicou as contas todas (que como já tinha dito no rescaldo do último jogo não eram favas contadas) e está obrigado a ganhar o próximo jogo em Stamford Bridge para depender só de si. Se quiser andar de calculadora na mão pode empatar desde que o Dínamo não ganhe em casa ao Maccabi (cenário pouco provável). Para se perceber o descalabro que foi o jogo, caso perdesse só pela diferença de 1 golo apenas precisaria de empatar em Londres… inimaginável esta noite!
O Dínamo bateu o Futebol Clube do Porto com dois golos sem resposta e nem deu hipótese aos Dragões para esboçar uma resposta visível face ao que se estava a passar no relvado. Uma equipa que foi uma sombra de si, nunca conseguiu ganhar o meio-campo e deixou-se dominar pela teia defensiva (sem “estacionar o autocarro”) dos ucranianos. A culpa não pode morrer solteira e há muitas para distribuir.
Comecemos pelo melhor Porto ou pelo médio Porto – aquele que esteve em campo até aos 20 minutos. Lopetegui deixou André no banco e entrou com Imbula, Danilo e Rúben Neves que apoiavam Brahimi, Tello e Aboubakar no ataque. Quis dar musculo Lopetegui mas a estratégia saiu-lhe muito furada. Danilo embora seja o médio mais eficaz no corte não dá velocidade ao jogo, Rúben dá velocidade e pouco choque defensivo e Imbula dá… dores de cabeça! Este Porto enganou no início com circulação de bola lenta e com algumas jogadas que até podiam levar perigo (nunca eminente!); exemplos são o remate (3’) e cabeceamento de Danilo (7’), pontapé de Brahimi (13’) e alguns cruzamentos (19’ e 23’) para a área do Dinamo de Kiev. Uma amostra de posse de bola sem alma e a que os ucranianos responderam com perigo real geralmente com cruzamentos da direita (29’ e 33’ são oportunidades claras para os de Kiev). Este perigo era causado não só por uma noite menos inspirada de Layún (quem não esteve desinspirado?!) como pelas falhas de marcação de Imbula e pela falta de ajuda de Brahimi ao lateral. No lado oposto as coisas também não estavam famosas embora Ruben Neves e Tello fossem mais eficazes na ajuda a Maxi Pereira.
A partir dos 20 minutos entramos no mau – 11 jogadores em campo à procura de saber o que fazer à bola. Sobrava alguma ambição que dava esperança aos adeptos. O golo ucraniano surgiu de penalty aos 33 minutos, num daqueles lances que não se marca no Camp Nou, Bernabéu ou Old Trafford mas que o espanhol, rigoroso na análise às faltas portistas, assinalou. Confesso que no estádio fiquei com a sensação que foi uma decisão exagerada mas o leitor pode tirar as suas conclusões já que deve ter tido acesso a várias repetições de vários ângulos. Estava feito o primeiro, prometia ser uma noite difícil – o adversário era duro – mas havia esperança. Só se conseguiu esboçar uma reação ao golo nos últimos minutos da primeira parte embora as torres de leste resolvessem sempre o problema nos cruzamentos para a área. Quando o Porto se preparava para fazer um cruzamento o burocrata espanhol mandou todos para o balneário.
André André foi suplente frente ao Dínamo Kiev Fonte: Facebook FC Porto
A segunda parte começou com uma surpresa: Maxi saiu (sem a velocidade de outrora!) e entrou André André. O Porto organizava-se com Danilo a central, Layún na direita e Martins Indi a lateral esquerdo – provavelmente Lopetegui previu a possibilidade de ter que jogar com 3 centrais. O Porto ainda tentou fazer algo do jogo e foram várias as vezes que se aproximou da área mas a falta de clarividência no ultimo passe foi tão grande que não sobram praticamente jogadas de relevo! E à medida que os Dragões mostravam aos visitantes que estavam frágeis os ucranianos cresciam, com Junior Moraes a ganhar entre os centrais portistas, com os médios a ganharem as segundas bolas e com os centrais a não darem hipótese a Aboubakar e companhia. O único que ainda parecia que sabia o que estava a fazer em campo era o jovem capitão portista embora seja demasiado macio a defender. E mais uma vez o Dínamo foi crescendo e foi criando perigo – o Porto parecia uma equipa cansada, demasiado espaço entre linhas, jogadores que não recuperavam e passes falhados de levar à loucura os adeptos portistas. E se achavam que já tinham visto tudo então o que se passou aos 66’ deixou todos em choque: a entrada da versão muito má!
Brahimi faz um mau passe (foram tantos!) o Dínamo de Kiev contra-ataca e Casillas “frangou”! O que se adivinhava difícil parecia agora impossível. Osvaldo e Corona entraram mas a equipa estava perdida e o Dínamo sabia ao que vinha – nunca o Porto conseguiu fazer uma jogada com pernas, tronco e membros. Aos 78’ ainda houve uma bola no poste de Shovkovsky mas o Dínamo foi sempre mais venenoso no contra-ataque do que os Dragões. O Porto perdeu a batalha do ataque, do meio-campo e da defesa e perdeu porque a estratégia foi má, as escolhas foram más e a concentração foi inexistente.
Lopetegui está a perder crédito junto dos adeptos (alguns já muito críticos), falhou ao não perceber que Imbula não está entrosado na equipa e Danilo não dá suficiente velocidade no jogo; falhou ao não conseguir posicionar as peças em campo de forma a haver sempre linhas de passe; falhou ao não corrigir a distância que havia entre linhas… o que me leva a crer que o cerne do erro não foi só a análise. Lopetegui não preparou bem a equipa a nível táctico mas essencialmente a nível mental. O Porto esteve ausente, desconcentrado – falhou recepções (a bola parecia que batia em mecos), passes, jogadas… ficou uma preparação mental por fazer! Pergunto ainda: O que adianta ter um bom porte físico quando não se é ágil, rápido nem agressivo? Veja-se o Barcelona por exemplo para se perceber que para ganhar uma bola a agilidade, rapidez e agressividade conseguem suplantar o porte físico dos adversários. A situação é crítica, o risco de ficarmos pelo caminho é sério e analisando com frieza até é o mais provável. Pode ser que o grupo tome consciência do que se passou e que brilhem em Inglaterra, resta-nos essa esperança.
A Figura:
Rúben Neves – Circulou a bola entre o bem e o razoável e posicionou-se bem. Faltou agressividade a defender, o menos mau portanto.
1) AS BOLAS AO POSTE – Quando, em 1995, José Roquette chegou ao cargo de presidente do Sporting, disse que, com ele, o clube seria duas vezes campeão em cada três anos e deixaria de estar dependente das bolas que vão ao poste e não entram. O discurso era tão ambicioso quanto irrealista: o que, na prática, se seguiu foi o esvaziamento do “Sporting-clube” e a criação do “Sporting-empresa”. O emblema de Alvalade perdeu património, associados e competitividade, entrando num ciclo cada vez mais dramático que quase culminou na dissolução do clube, em 2013. Os dois campeonatos ganhos entre 2000 e 2002 serviram de balão de oxigénio às chamadas direcções “roquettistas”, que encontraram nos sócios o apoio de que necessitavam.
Serve tudo isto para falar do dérbi de sábado e, em particular, de um minuto que poderia ter sido decisivo, mas não foi. Começa justamente numa bola ao poste, enviada por Slimani à baliza de Júlio César. A partida tinha começado pouco tempo antes e o Sporting enjeitava, assim, uma possibilidade flagrante de ferir de forma quase irreversível um Benfica já de si fragilizado. Pouco depois, confirmava-se que as consequências do falhanço do argelino eram as piores possíveis: o Benfica chegava ao golo. A equipa de Rui Vitória alcançava, por fim, aquilo que não tinha conseguido obter nos dois encontros anteriores com o Sporting, com a agravante de se ter adiantado no marcador.
É aqui que entram as inevitáveis comparações do actual Sporting com o Sporting pré-2013. Até há dois anos, num cenário idêntico, a equipa entraria em pânico com o golo sofrido, enquanto o adversário se galvanizava. Agora já não. A primeira parte dos leões não foi bem conseguida mas, ainda assim, chegou para anular a vantagem encarnada e pôr fim ao anti-jogo do adversário – que, de resto, apostou mais nesse esquema do que o Arouca tinha feito contra o Sporting na última ronda. A partir de então a história do jogo mudou, assim como a História recente do Sporting tem mudado muito nos últimos tempos.
Para além da evidente superioridade da equipa de Jorge Jesus face ao rival de Lisboa, a entrega dos atletas permitiu ir buscar um jogo que, até há não muito tempo, estaria irremediavelmente perdido desde o fatídico minuto em que os leões enviaram uma bola ao ferro e as águias marcaram. Afinal de contas, mais do que dizer, para fins eleitorais, que o clube vai deixar de depender dos azares e das bolas nos ferros, é preciso criar condições para que tal aconteça. E, ao contrário do Sporting de Roquette, o actual Sporting está a criá-las, doa a quem doer.
2) O MEDO MUDOU DE LADO – Um outro aspecto que mostra bem a mudança de paradigma actualmente em curso no Sporting são duas declarações de Jorge Jesus. O treinador leonino não as proferiu esta semana, ou sequer este mês, mas elas estão carregadas de carácter simbólico e exemplificam aquilo que era e o que é actualmente o Sporting (e, por arrasto, o Benfica). Infelizmente não consegui recuperar textualmente uma das declarações, pelo que a cito de cor. Numa entrevista nos seus primeiros tempos de leão ao peito, Jorge Jesus mencionou o facto de, quando representava o clube da Luz, ter sempre a sensação de que os verde-e-brancos já partiam para o campo apáticos e psicologicamente condicionados quando jogavam contra clubes grandes. Se este facto era evidente aos olhos do mais leigo dos adeptos, claro que o melhor treinador em Portugal não deixaria de o explorar. E, com efeito, os jogadores do Sporting pareciam encolher quando iam ao Dragão ou à Luz. Isso, obviamente, era meio caminho andado para a derrota.
Agora as coisas mudaram, e aqui entra a segunda frase de JJ que não esqueço: após a conquista da Supertaça, em Agosto, o treinador não se coibiu de dizer que “o Benfica teve medo do Sporting”. Eu, que tinha ido ao Algarve de propósito para ver o jogo e que, nessa altura, ouvia a conferência de Jesus no carro, à espera de poder sair do parque de estacionamento sobrelotado, não pude esconder o sorriso. Para alguém que, como eu, exasperava com o temor com que os jogadores do Sporting defrontavam os rivais, aquele era um momento altamente simbólico. Muito mais do que uma “bicada” no Benfica, aquela frase representava um corte definitivo com o passado recente. A partir daquela noite de início de Agosto, o medo tinha mudado de lado. E os episódios seguintes, tanto dentro de campo como fora dele, só o têm vindo a confirmar.
Slimani é, neste momento, sinónimo de pânico para os benfiquistas Fonte: Sporting CP
3)O DÉRBI – Muita da incapacidade do Sporting tinha, portanto, uma dimensão psicológica. Contudo, se os méritos de Jorge Jesus se limitassem a esse campo, ele seria psicólogo e não treinador de futebol. O trabalho que o técnico dos leões tem feito no Sporting, desde o tal campo mental até à imposição do seu esquema táctico e das suas rotinas, merece todos os elogios. No dérbi, Jesus soube ver que o Benfica iria abdicar do ataque organizado e fechar-se no seu meio-campo, pelo que a entrada de Gelson merece todos os aplausos.
A forma como o treinador tem moldado João Mário e tirado partido da sua versatilidade também é digna destaque, não esquecendo ainda o equilíbrio defensivo, que deu alguns dissabores no início da época mas que melhorou com o tempo de trabalho e com os regressos de William e Ewerton. A equipa do Sporting mantém-se serena em qualquer zona e a pressão constante “engole” os adversários. Em suma, o cunho de Jesus é cada vez mais evidente, embora as curtas soluções para as alas sejam um problema. Por último, convém dizer que a linha defensiva que terminou o jogo era composta por João Pereira e Esgaio nas laterais, e Tobias ao lado de Paulo Oliveira. A qualidade individual no sector não abundava, mas as ocasiões consentidas foram poucas ou nenhumas. Mérito para os jogadores e para o treinador.
4) AFINAL, QUEM SÃO OS CALIMEROS…? O glorioso Benfica, aquele que é o maior clube de Portugal (“o segundo maior é o “anti-Benfica”, dizem muitos benfiquistas – ai os complexos de superioridade…) e cujos adeptos dizem nunca falar de arbitragens, tem protagonizado cenas tristes, não só no tratamento a Jorge Jesus como na ressaca das várias derrotas recentes. Desta vez querem a todo o custo castigar Slimani (e provavelmente conseguirão). De nada interessa que o golo do Benfica tenha sido precedido de falta, que Jardel tenha placado Adrien sem bola e quando já tinha amarelo (percebo que Jorge Jousa possa não ter visto estes dois lances, mas isso é mais um ponto a favor do vídeo-árbitro que o Sporting defende mas cuja proposta o Benfica ridicularizou) ou que Samaris tenha feito penálti sobre Slimani (não acho um lance evidente, mas o penálti de que os benfiquistas se queixam sobre o seu capitão também não o é). A conduta de Eliseu também foi irrepreensível. O que interessa é tentar a todo o custo afastar na secretaria um dos jogadores-chave do Sporting. Isto vindo de um clube que até há bem pouco tempo contava com os préstimos de Javi Garcia e Maxi Pereira, é preciso não esquecer. De facto, há situações irónicas.
Este triste espectáculo é, ao mesmo tempo, deprimente e delicioso. Deprimente porque nenhuma outra palavra ilustraria melhor tamanha desorientação e perda de dignidade; delicioso porque aqueles que chamavam “calimeros” aos Sportinguistas estão, eles próprios, a privar-se de um dos seus pseudo-argumentos favoritos. Os benfiquistas que fizeram pouco da proposta sobre o vídeo-árbitro, porque não lhes interessava, talvez para a próxima pensem duas vezes. E já se dá aqui de barato o facto de dizerem que têm mais razões de queixa do que o Sporting .
Depois da queda dos mitos do ano da fundação, do número de sócios, do suposto facto de só os outros serem “antis” e, agora, dos “calimeros”, só falta mesmo cair o mito de Vieira, “o estruturador”. Mas, pela parte que me toca, não há pressa nenhuma.
Para que a memória não se perca, aqui ficam os vídeos de dois dos maiores roubos em dérbis a que já assisti. Aos que hoje se queixam sem razão nenhuma – estão mesmo muito mal habituados – respondo com aquilo que tantas vezes tive de ouvir quando me queixei: “joguem à bola e marquem mais golos do que nós”.