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Académica 0-2 Boavista: A moleza e uma sentença

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Parecia estar escrito que seria hoje o dia em que José Viterbo abandonaria a sua cadeira de sonho. É que o Boavista já fora o “carrasco” de Paulo Sérgio (depois de perder com os axadrezados, foi demitido) e as circunstâncias em que a Académica se encontrava (“são as que são”, disse José Eduardo Simões) faziam antever que algo iria mudar. Foi Viterbo quem tomou a iniciativa, ainda que aquilo que os jogadores têm feito esteja claramente abaixo daquilo que podem dar, e o jogo desta tarde foi evidência disso mesmo.

O calor dá moleza, mas não exagerem! A forma como a Académica (não) entrou em campo deixou transparecer um conjunto de jogadores que ainda associava o calor às férias e à falta de compromisso, algo que jamais pode acontecer entre profissionais de qualquer tipo, muito menos jogadores de futebol a jogar ao nível nacional mais alto. Assim se explica o golo madrugador do Boavista (ainda não estavam decorridos 30 segundos), “patrocinado” pela passividade de Ricardo Nascimento e Emídio Rafael, que permitiu a Zé Manuel fugir à marcação para inaugurar o marcador.

Um balde de água fria que não acordou os jogadores da Briosa. A equipa limitava-se a ver a tripla do ataque boavisteiro (Uchebo, Luisinho [“foi um jogo especial, passei dois dos melhores anos da minha vida em Coimbra”, disse em conferência de imprensa] e Zé Manuel) a criar perigo (Zé Manuel esteve por duas vezes perto do golo), rodando entre as três posições da frente de ataque de um 4x3x3 bem montado por Petit, que também impedia que alguns assomos de responsabilidade de vários jogadores da Académica se convertessem em situações de perigo – primeiro remate dos estudantes aos 43 minutos, por Ivanildo, de longe.

Ao intervalo, a Académica parece ter despertado para a realidade. As férias tinham acabado, mas já se tinha dado uma parte de avanço. O Boavista mantinha a boa organização (excelente prestação da dupla Idris/Ruben Gabriel) e impedia que as intenções de criar perigo do adversário passassem disso mesmo. Aliás, o risco que José Viterbo correu ao colocar Hugo Seco (saiu Leandro) e Gonçalo Paciência (substituiu João Real, lesionado) apenas se traduziu num único remate, muito longe da baliza de Mika.

É certo que a Briosa conseguia penetrar o meio-campo contrário, mas esbarrava na boa organização axadrezada. A Académica tinha a bola nos pés, o Boavista o jogo nas mãos. E assim foi passando o segundo tempo, com poucas oportunidades de perigo mas com alguma vontade por parte da Briosa. Porém, as intenções, por si só, foram insuficientes para mudar o rumo da história de um início de época desastroso e de um jogo que parecia ter a sua sentença escrita à partida – oportunidades flagrantes na segunda parte apenas para o lado do Boavista. Uma deu golo, com Anderson Carvalho a responder da melhor maneira a um canto de mangas arregaçadas. A outra, com Zé Manuel isolado perante Trigueira, terminou com boa defesa do guardião.

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José Viterbo foi alvo da primeira chicotada psicológica da Liga
Fonte: Facebook da Académica

No clássico (Boavista tem 52 presenças na Liga, a Académica 63) mais pobre da jornada, imperou a equipa mais bem organizada. O Boavista voltou a marcar, dois jogos depois de não o conseguir (questionado sobre se já existia plena afinação dos processos ofensivos, Petit disse ao Bola na Rede que estes ainda estavam a ser trabalhados, e que as bolas que não entraram em Braga e no Bessa acabaram por entrar hoje).

A Briosa voltou a desiludir, e José Viterbo, “como bom academista que me considero”, disse, apresentou a demissão, aceite por José Eduardo Simões, que, num momento presenciado pelo Bola na Rede, abraçou, lavado em lágrimas, o agora antigo treinador da Briosa.

Um jogo, muita moleza e uma sentença.

Figura do jogo:

Petit – A forma como o Boavista se dispôs em campo tem o dedo do treinador. A solidariedade de todos os jogadores e a forma como se entregaram ao jogo parece ser o transfere, do banco para o campo, da personalidade do treinador.

Contou com um golo madrugador, é certo, mas a forma como dispôs o xadrez foi a chave para a vitória.

O Fora-de-jogo:

Leandro- Aos 9 minutos era amarelado, ao intervalo era substituído. Um dos jogadores dos quais mais se esperava desiludiu. Foi macio no “seu” meio-campo e não conseguiu penetrar o contrário, revelando-se uma das figuras da permissividade da Briosa.

Foto de capa: Facebook da Académica

GP de Singapura: Pausa na hegemonia dos Mercedes – Vettel ainda existe

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O Grande Prémio de Singapura traz consigo uma enorme legião de fãs; o facto de acontecer durante a noite provoca um boost na curiosidade dos aficionados da F1. E, sem surpresas, a prova asiática voltou a ser palco das qualificações e classificações mais atípicas do Mundial.

A Fórmula 1 é muitas vezes acusada de previsibilidade: determinada equipa ganha sempre, tal piloto é campeão logo no primeiro GP, falta competitividade e concorrência. Combato estas opiniões com diversas evidências do contrário, mas é sempre difícil convencer os críticos. Este fim-de-semana, em Singapura, serve de exemplo para todas essas mentes iluminadas que acreditam no aborrecimento deste desporto.

A maré alta da Mercedes não durou para sempre. Na qualificação, Hamilton conseguiu apenas o quinto posto, e o colega de equipa Rosberg não alcançou mais do que a sexta posição. Ambos os pilotos se queixaram de problemas no monoveículo, especialmente nos pneus: depois da polémica em Monza, que causou uma suspensão da classificação final até decisão do comité, a equipa das “flechas de prata” voltou a ter dificuldades em imprimir os seus objectivos nos Pirelli. Lewis Hamilton disse que “os pneus simplesmente não funcionaram. Escorregavam em todo o lado. Nunca tínhamos visto algo como isto”. Já Rosberg queixava-se da falta de aderência e sentia-se desapontado, seguindo a linha de Toto Wolff e Niki Lauda: os três diziam que a prova seria complicada e que um terceiro lugar era praticamente um milagre.

Por seu lado, Sebastian Vettel conseguiu a sua primeira pole na Ferrari, Ricciardo saiu em segundo, e Raikkonen e Kvyat completavam a segunda linha.

Quanto ao arranque, pouco a dizer. Os Mercedes conseguiram um início competitivo, Vettel segurou a liderança e Max Verstappen ficou parado no grid; o jovem holandês teve de sair do pit-lane com voltas de atraso. Os três da frente fugiram – Kvyat, Hamilton e Rosberg não conseguiam aproximar-se.

Mais uma vez, o safety-car voltou a ser decisivo. As duas entradas da velocidade controlada criaram as oportunidades para as duas paragens estratégicas, causando a constância visível na frente da classificação. A primeira foi devido a um acidente entre Massa e Hulkenberg: o toque foi inteiramente por culpa do alemão da Force India, que acabou por abandonar – perderá três posições na grelha do próximo Grande Prémio. O segundo carro entrou devido a um acontecimento absolutamente insólito; um espectador passeava, calmamente, na berma da pista. Estranho, inédito, surpreendente, mas, acima de tudo, muito perigoso.

E se a qualificação já havia sido problemática para a Mercedes, o GP revelou-se, também, muito difícil. Depois de ultrapassar Kvyat, Lewis Hamilton encontrava-se já na quarta posição, pronto para atacar o pódio. Eis se não quando o motor do Mercedes ficou sem potência e o piloto inglês perdeu diversas posições, chegando à 16.º. Depois de a equipa dizer que não encontrava nenhum problema eléctrico com o veículo, Hamilton abandonou; o campeão do mundo em título desistiu pela primeira vez na temporada, no dia em que poderia ter igualado o número de vitórias de Ayrton Senna.

Os três primeiros controlaram a corrida de início ao fim, Nico Rosberg seguiu-os de longe. Max Verstappen leva a nota mais positiva do GP: o prodígio da Toro Rosso subiu de último a oitavo em 47 voltas. Muito graças aos safety-cars, é verdade, mas o jovem piloto conseguiu as ultrapassagens mais arriscadas e espectaculares da noite. Enfrentará problemas “diplomáticos”, depois de ignorar a ordem da equipa para deixar o colega Carlos Sainz passar à frente. Rebelde. Temos piloto para os próximos anos.

Sebastian Vettel feliz com a vitória Fonte: Facebook Scuderia Ferrari
Sebastian Vettel feliz com a vitória
Fonte: Facebook Scuderia Ferrari

A grande nota negativa é, mais uma vez, da McLaren. Problemas mecânicos levaram ao quarto abandono duplo da época, quando ambos os pilotos estavam a rodar nos pontos. Também Felipe Massa foi o protagonista de um abandono inglório, depois de lutar contra problemas no motor do seu Williams.

Sebastian Vettel alcançou a sua quarta vitória em Singapura e tornou-se o terceiro piloto com mais vitórias na história da F1, atrás apenas de Michael Schumacher e Alain Prost. A Ferrari voltou aos pódios, a dobrar, e Ricciardo conquistou um valioso segundo lugar para a Red Bull. Segue-se o Grande Prémio de Suzuka, no Japão, no fim-de-semana de 25 a 27 de Setembro. Adivinho um regresso às vitórias da Mercedes mas, a partir de agora, com uma perseguição mais cerrada da Ferrari e da Red Bull.

Foto de capa: Facebook Scuderia Ferrari

FC Porto–Benfica: A ideia da força contra a força da ideia

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O clássico dos clássicos está aí à porta. Não, não é o Real – Barça que desperta a paixão de milhares de milhão. É o Porto – Benfica do nosso Portugal, das dezenas de milhões. O jogo que faz os portugueses esquecerem tudo o resto e não deixa ninguém indiferente. É um confronto de ideais e ideologias. As de Lopetegui e as de Rui. Vitória? Já andou mais longe, mas amanhã é o teste a doer. E para Julen também. Ninguém se esqueça que o Porto do espanhol ainda não venceu as águias.

Hoje em dia, chegamos ao Dragão e vemos uma matriz que, se não é inédita, não deve andar longe de tal, na equipa que lá habita. A ideia da posse de bola e ‘tiki-taka’ à FCP aliou-se, até ver, àquilo que gosto de chamar “ideia da força”. Já o referi em textos anteriores e adquire uma importância maior na antecâmara da receção ao maior rival. Ao futebol tecnicista que o “tricotado” exige, alia-se o músculo de um meio-campo de choque e combate: Danilo, Imbula e Herrera/André André. Esta será, decerto, o alinhamento que Lopetegui vai fazer subir ao relvado. E é a derradeira prova de fogo para a eficácia anunciada mas ainda não totalmente comprovada do trio.

No entanto, André André pode jogar na ala. O quê? Sim, já o fez na ponta final do jogo de Arouca e não deixou o crédito em mãos alheias. No entanto, colocar o ex-Vitória na ala pode significar algum receio da parte do timoneiro portista, algo que não é aceitável num jogo em casa perante o mais sério concorrente ao título nacional. Apostar em Corona ou Varela (embora prefira o mexicano) será a posição a tomar.

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Maxi será o jogador em foco do clássico
Fonte: Facebook FC Porto

Do lado do Benfica, finalmente começam a ver-se da tão preconizada “ideia de jogo”. Futebol de cariz ofensivo, mas com maior critério na posse de bola a meio-campo. Não é um modelo de jogo tão apelativo como o de Jorge Jesus? Com certeza que não, mas, se bem aplicado e traduzido em campo, será mais seguro.

Samaris tem-se assumido como o patrão do meio-campo e da equipa. Se na época passada o grego não me encheu as medidas, por esta altura parece um jogador mais completo e consciente daquilo que são as exigências de jogar no Benfica. É claro que a maior solidariedade do miolo vermelho acaba por beneficiar o médio que chegou do Olympiakos há uma temporada, dado que não é apanhado sozinho, em situação de contra-pé e costuma ter uma “muleta” a seu lado ou relativamente próxima, seja ela o outro médio-centro ou o extremo do 4-4-2 de Rui Vitória.

Na frente de ataque das ‘águias’, já não há Lima. Há Mitroglou, um jogador que faz lembrar Cardozo na postura e abordagem ao jogo. Mais leve que o paraguaio, parece igualmente “preguiçoso”, mas o instinto matador está lá e, até ao momento, tem bastado colocarem-lhe a bola à mercê, redonda. Jonas é indiscutível e Jiménez, não obstante os bons predicados que tem deixado quando entra, terá de esperar pela sua vez.

Os dados serão lançados pelos técnicos. O jogo já começou há muito cá fora e será interessante ver como encaixam os dois sistemas e modelos de jogo, tão distintos entre si. Um dos duelos de ideais mais interessantes dos últimos anos que, aliados ao fervor natural de jogo grande, podem proporcionar um espetáculo de nível elevadíssimo. Cá estaremos para ver. Venha ele.

Paços de Ferreira 0–3 Rio Ave: Castores engolidos em casa

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O Paços de Ferreira averbou a primeira derrota no campeonato, e logo de forma estrondosa. A equipa orientada por Jorge Simão foi goleada em casa pelo Rio Ave, deixando-se igualar na tabela pelos vilacondenses.

Após um início mais atrevido dos visitados, que tiveram como ponto alto um cabeceamento de Diogo Jota para defesa atenta de Cássio logo aos cinco minutos, os “verde e brancos” equilibraram mais o jogo e começaram a subir no terreno. Pedro Martins já pôde utilizar Tarantini no meio campo e Héldon na frente, duas unidades que se revelaram decisivas para a segurança patenteada pelo Rio Ave em campo. Apesar de tudo, as oportunidades eram nulas, com as equipas a terem dificuldade em chegar com eficácia ao último terço do campo. À passagem da meia hora, Roderick Miranda, regressado à titularidade devido à lesão contraída por André Vilas Boas frente ao Sporting, esqueceu-se de onde estava e atrasou mal o esférico para o guarda redes. Valeu a falta de pontaria de Edson Farias que, após fintar Cássio, rematou para as malhas laterais.

Após este susto, surgiram os dois golos dos rioavistas na primeira parte. Aos 37 minutos, Edimar e Marvin Zeegelaar trabalharam bem no flanco esquerdo e o holandês cruzou para o encosto de Héldon ao primeiro poste. Os “castores” ainda não tinham digerido a primeira machadada quando sofreram a segunda. Christian calculou mal um atraso para Fábio Cardoso e entregou a bola a Héldon que, isolado perante Marafona, não perdoou e aumentou a vantagem dos vilacondenses. O caboverdiano emprestado pelo Sporting, que jogou como ponta de lança devido às lesões de Guedes e Yazalde, estava de pé quente e materializou em golo as duas chances que teve.

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Heldon foi a figura da partida, ao marcar 2 golos
Fonte: Facebook Oficial Rio Ave

Assim, ao intervalo, Jorge Simão estava condenado a tentar mudar o jogo na segunda parte e introduziu Roniel e Fábio Martins para tentar mexer com o ataque. Contudo, a equipa do Paços esteve muito amorfa a nível ofensivo, sempre manietada por um Rio Ave que pareceu ter  tudo controlado, com boas prestações de Wakaso, Tarantini e João Novais (substituiu Pedro Moreira, que se lesionou) no miolo do terreno. A segunda parte primou por um Rio Ave mais expectante, dando a iniciativa ao Paços e tentando aproveitar eventuais erros da equipa da casa. Não houve muitas chances para marcar e o jogo aproximou-se do fim de forma tranquila.

Até ao apito final, mais um golo, um golaço de Edimar. Lionn mergulhou à entrada da área pacense, mas o árbitro considerou falta e providenciou a Edimar um livre direto a cerca de 20 metros da baliza de Marafona. O lateral esquerdo brasileiro disparou forte, com a bola a bater na trave antes de se anichar nas redes “amarelas”.

3-0 é um resultado demasiado pesado, mas penaliza a gritante inoperância do Paços de Ferreira a nível ofensivo. O avançado João Silva raramente tocou na bola e a percentagem de passes falhados a meio campo foi demasiado alta. A equipa de Jorge Simão fez o seu pior jogo da época e foi goleada em casa por um Rio Ave que continua a jogar bom futebol, muito bem comandado pelo seu treinador Pedro Martins. Retirando os grandes, é das equipas que melhor joga em Portugal e penso que terá legítimas aspirações a lutar pelos lugares europeus, caso tenha sorte com as lesões, o que não tem acontecido nestas primeiras jornadas.

 

A Figura: Heldon – O atacante caboverdiano emprestado pelo Sporting portou-se como um verdadeiro goleador, apontando os dois primeiros golos do Rio Ave na partida. Já antes disso, Heldon estava bastante mexido, com as suas movimentações a colocarem muitos problemas a Miguel Vieira. Bela exibição do avançado, que mantém uma relação especial com o treinador, Pedro Martins.

Fora de Jogo: Inoperância do Paços de Ferreira – Retirando Diogo Jota, mais ninguém do ataque pacense esteve bem. No meio campo, existiram muitos passes falhados e raramente a equipa ganhou segundas bolas aos jogadores do Rio Ave. Os “castores” mostraram falta de agressividade e, perante uma equipa como o Rio Ave, isso paga-se muito caro.

Jogadores que Admiro #41 – Paolo Maldini

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20 de janeiro de 1985: uma razia de lesionados no AC Milan antes de um jogo frente à Udinese, obrigou Nils Liedholm a levar jovens para o banco de suplentes. Entre eles, um jovem de 16 anos, que viria a entrar no decorrer da partida. Depois disso, é a história que quase todos sabem. Foi a muralha defensiva milanesa, ganhou tudo que havia a ganhar, capitaneou a equipa durante muitos anos e tornou-se uma lenda do clube e do futebol mundial.

Foram 31 anos a vestir as cores do AC Milan, tendo entrado para os escalões de formação em 1978 e encerrado a sua longa carreira em 2009. Tem um percurso quase único e quase irrepetível nos dias que correm. A paixão pelo clube é superior a tudo que pudesse surgir e qualquer proposta para retirar Paolo de San Siro poderia soar a insulto.

O sangue rossoneri corre-lhe nas veias e ver Paolo Maldini com outra camisola que não aquela, seria algo muito estranho. O defesa seguiu as pisadas de seu pai, Cesare Maldini, também um histórico do conjunto de Milão, que em 1963 ergueu a taça de campeão europeu de clubes. Superar o pai não seria nada fácil, mas Paolo conseguiu-o. Paolo Maldini é a Lenda do AC Milan e dificilmente alguém irá suplanta-lo. Foram 902 oficiais com o símbolo do Milan ao peito e um total de 25 títulos, a maioria levantados por si.

Para além dos números, Maldini conquistou o respeito de todos os adeptos e futebolistas e será um exemplo para os mais novos, de como saber estar e jogar futebol. Ao nível do relvado, tenho que dizer que foi o defesa que mais me impressionou desde que vejo futebol, com uma frieza e calma notável, em cada desarme ou disputa de bola.

Paolo era um monstro na defesa disfarçado de cavalheiro! Preferencialmente jogava no centro da defesa, mas a sua qualidade e conhecimento sobre o jogo permitiam-lhe fazer a posição de defesa-esquerdo melhor que muitos laterais de raiz. Qualidades? Basta dizer que não tinha pontos fracos. Não tinha mesmo. Jogava bem com os dois pés (esquerdo era o melhor) e a sua técnica era apurada. Não ficava atrás de muitos artistas e a sua capacidade de cruzamento era acima da média. Que o digam, Shevchenko, Inzaghi, George Weah, entre outros…

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Maldini é a Lenda do AC Milan e o eterno capitão
Fonte: Facebook Paolo Maldini

Na área do adversário também sabia usar a sua impulsão e capacidade de cabeceamento. Não fez muitos golos (40 em toda a carreira, divididos entre clube e seleção,) é certo, mas fazia mossa nos lances de bola parada. Lá atrás era imperial! Outra coisa que me impressionava em Maldini era a sua capacidade de lutar, de desarmar quase em “silêncio”, dando a impressão que aquilo era demasiado simples e fácil. Era limpo no seu jogo e não dava muito nas vistas neste capítulo como, por exemplo, Materazzi, Stam, Samuel, Puyol, Pepe, Chiellini ou Sérgio Ramos. Aliás basta olhar para as estatísticas e reparar que Maldini só foi expulso por 4 vezes numa carreira de 24 anos como profissional.

Ao contrário de outros lendários e duradouros jogadores do futebol italiano, como Totti, De Rossi, entre outros, a Maldini não faltaram títulos! O jogador venceu 5 Ligas dos Campeões (incrível!), a primeira delas na época 1987/88, frente ao Steaua de Bucareste, por 4-0. Tinha 19 anos. Um ano mais tarde, o AC Milan foi bicampeão europeu, perante o Benfica, e Maldini estava uma vez mais no onze.

Não demorou a vencer a terceira, foram só precisos esperar 4 anos para o Milan vergar o Barcelona, na final de Atenas, por 4-0. Aos 25 anos, Maldini já somava 3 títulos máximos de clubes, algo invejável. Nenhuma destas taças foi levantada como capitão de equipa, mas o italiano iria cumprir esse sonho em 2003, frente à Juventus, após uma vitória nos penalties.

Na temporada de 2006/2007 viria a ganhar a sua última Liga dos Campeões, contra o Liverpool, numa vingança do que tinha acontecido dois anos antes, quando os ingleses venceram os italianos, nas grandes penalidades, depois de estarem a perder por 3-0 ao intervalo. Maldini marcou nessa final e mesmo assim não levantou a taça! Esse tento deu ao capitão milanês o record de golo mais rápido de uma final da Liga dos Campeões.

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Maldini conquistou por cinco vezes a Liga dos Campeões
Fonte: imortaisdofutebol.com

É um dos jogadores mais bem-sucedidos na Europa do futebol, acrescentando às Ligas dos Campeões, 4 Supertaças europeias, 2 Taças Intercontinentais e 1 Campeonato do Mundo de Clubes. São 12 títulos europeus, quase tantos como os que ganhou internamente (13). Maldini colecionou 7 Serie A, 5 Supertaças de Itália e apenas 1 Taça do país.

Individualmente, Maldini foi eleito o melhor defesa a atuar na Europa em 2006/07, esteve na equipa do ano para a FIFA em 2005 e fez por 3 vezes parte do onze ideal dos Campeonatos da Europa (1988, 1996 e 2000). Na Squadra Azzurra, Maldini nunca venceu nenhum título apesar da participação em 3 Europeus (1988, 1996, 2000) e em 4 Mundiais (1990, 1994, 1998 e 2002). Ficou em 2º lugar nos torneios de 1994 e 2000. Foi 126 vezes internacional, marcando 7 golos. Maldini renunciou À seleção em 2002, mas em 2006 foi convidado a integrar a equipa que ia disputar o mundial da Alemanha. Rejeitou e a Itália acabou Campeã do Mundo, para pena do eterno capitão milanês.

Uma carreira recheada de sucesso e respeito, que ficou marcada pela despedida azeda do San Siro. Em 2009, no seu último jogo, frente à Roma, o AC Milan perdeu por 3-2 e no final, quando Maldini dava a última volta àquele relvado enquanto jogador, uma fação radical dos Tiffosi assobiou-o, entristecendo o eterno capitão, que após essa época viu a “sua” camisola 3 ser retirada. E se foi assobiado em casa, no último jogo da carreira, Maldini foi aplaudido e ovacionado por todos em Florença, tendo assim uma despedida merecida e sendo este um sinal de respeito para um jogador que muito fez pelo futebol italiano e pelo Milan. Foram os adversários a aplaudi-lo! Eu aplaudi em casa aquele que será sempre um gentleman das defesas e uma muralha quase inultrapassável! É um ídolo para mim e para todos os que gostam de futebol. Já tenho saudades, Maldini…

O futebol de formação na sua essência

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Como o leitor mais atento do Bola na Rede já percebeu, sou um dos redactores do espaço Porto neste sítio, com alguns textos também no âmbito da “Carta Aberta a…” ou “Jogadores Que Admiro”. Porém, fui desafiado pelo diretor-geral do BnR a partilhar um pouco da minha experiência enquanto treinador de formação de futebol, quer no âmbito competitivo, quer no âmbito apenas lúdico.

Para isso, tenho de fazer uma pequena introdução sobre mim e sobre o meu trabalho, para que o leitor possa enquadrar-se na realidade da qual estou a falar. Tenho 23 anos e o curso de treinador de futebol – UEFA B (nível I) desde os meus 17 anos (no qual fui o mais novo formando nesse curso), entre várias formações de treino de guarda-redes, futebol em geral ou até de psicologia no desporto (uma área incrivelmente interessante!). Nesse contexto, e durante estes últimos 6 anos, estive sempre ligado ao futebol enquanto treinador (1 ano infantis do CCD Bairro da Conceição, Escola do Benfica de Beja, Geração de Génios – Faro e caminho para a minha 3.ª época enquanto treinador da formação do Sporting Clube Farense) e tive a oportunidade de aprender junto da formação do Real Betis Balompié (“Betis de Sevilha”) ou do Vitória Sport Clube (“Vitória de Guimarães”).

Tudo isto em escalões competitivos e não competitivos, mas todos ligados à formação. Fora da formação fiz ainda parte da equipa técnica de Sub-23 do Sporting Clube Farense (equipa entretanto extinta). Actualmente, divido o meu tempo entre universidade e duas equipas: 2009 (6 anos – não competitiva) e 2006 (9 anos – competitiva). Apresentações feitas, passemos ao real motivo deste texto.

Para mim, quando falamos de formação, falamos em algo muito mais abrangente que o próprio futebol, e desde logo não me sinto “treinador” ou “mister” de meninos de 6 anos,  vejo-me muito mais como um professor, alguém que está dia-a-dia a trabalhar para que, além das acções coordenativas que esperamos que os pequenotes aprendam, da introdução das regras do futebol e do objectivo gradual de evoluírem do “1×1” para “3×3” e finalmente para o futebol de “5×5”, também possam aprender regras e valores que são muito importantes nesta fase de crescimento.

Não falamos, portanto, de um “regime militar” mas sim de um aquisição de normas que devem ser seguidas para que todos se sintam parte de um grupo, de uma equipa. E nisto, dentro da minha forma de trabalhar, encaro os pequenotes como pequenos-adultos, e regi-me sempre por 3 regras: 1- quando alguém fala, ninguém mais fala; 2- se alguém quiser falar, levanta o dedinho e espera por autorização do professor e 3- quando o professor apita, ninguém continua a dar chutos na bola. São 3 regras simples e de fácil percepção para as crianças, fazendo com que se sintam adultas ao mesmo tempo que implantamos alguma autoridade e controlo entre eles, pois reservo-lhes o poder de me chamar também a atenção se eu desrespeitar alguma das regras.

Desde a minha chegada ao Sporting Clube Farense sempre me identifiquei com os pressupostos que passam pela formação: “FORMAR. Ganhar 20-0 é algo que não passa pelos principais objectivos, é preferível em certos jogos utilizar os jogadores que se calhar têm um pouquinho mais de dificuldade em relação aos colegas de equipa, de forma a motivá-los e mostrar que todos contam. Outra coisa, a importância da derrota e o saber perder também está incutido no espírito dos treinadores: mentalizar desde cedo que os homens se vêem nas derrotas torna qualquer criança mais forte e mais sensível à humildade na hora de saber ganhar.Este último parágrafo foi retirado de uma entrevista que concedi o ano passado ao blog “distritaldebeja”, mas que me parece que transmite bem aquilo que pretendemos dos nossos pequenotes. É importante perceber que falo apenas do futebol de formação, pois a base piramidal continua a ser aquela que move e moverá o futebol e o desporto no geral: uma grande base cria as condições para aqueles que realmente num futuro tenham apetência e condições claramente superiores possam, talvez, singrar e serem jogadores de um outro patamar. E nisto posso acrescentar que na formação do Sporting Clube Farense vemos os nossos treinadores da formação (até ao escalão de infantis) com “plantéis” compostos por uma média de 25/30 jogadores.

É mais difícil de trabalhar? Sim. Mas é mais desafiante e sentimos que estamos realmente a fazer um bem maior à sociedade e ao futuro de meninos que acarretam o lema “És de Faro, és Farense” e sonham poder vestir a camisola de leão ao peito. Posso ainda acrescentar (devidamente autorizado) que o regulamento do nosso clube prevê a formação de duas equipas por escalão e, dentro daquilo que é a nossa linha de pensamento, dar a oportunidade igual a todas as crianças, tendo também em conta que existem sempre 4/5 meninos que se destacam e que, naturalmente, acabam por jogar um pouquinho mais.

E nisto olhamos para as equipas em redor da nossa cidade e deparamo-nos com duas tristes realidades: equipas que não aceitam certos meninos com mais dificuldade pois o lema é “ganhar e golear a todos custo” e vemos outras que não conseguem sequer formar um escalão por falta de jogadores, pois os pais preferem ver o filho jogar menos mas estar no Farense a ir para um clube de uma dimensão um pouquinho menor mas jogar o dobro ou o triplo do tempo e assim equilibrar o acentuado diferencial que vemos entre certas equipas. Mas a culpa não é das crianças, e vou agora abordar aquele que é, para mim, o maior mal da formação: os pais.

“Treinadores de bancada”, “Mourinhos de café” ou “Mestres da táctica” são coisas com que diariamente os treinadores têm de lidar, e não existe nada pior que estar a dar um treino ou estar num jogo e ouvir os pais a mandarem o seu “bitaite” para o filho, dizendo coisas que, na grande maioria dos casos, não fazem sentido. É preciso perceber que um pai/mãe não vai à escola dizer que o professor está a ensinar mal, e no treino desportivo deveria ser igual! Um treinador para os pais depende dos resultados, mas na realidade isso é um factor que, na formação, pouco nos importa.

É melhor ganhar que perder, é certo, mas existem valores bem maiores que esses. Como em tudo, existem excepções, e ao longo destes anos tenho lidado com pais/mães fantásticos mas também “apanhei” pessoas egoístas, más por natureza e sem qualquer sentido de responsabilidade perante a formação, e aí como podemos transmitir aos meninos certos valores como o “pede desculpa ao colega e ajuda a levantar”, quando o mesmo chega no final do jogo ao pé do pai/mãe e ouve “fizeste bem, da próxima bate mais forte”, ou ouvir da bancada nomes que são dirigidos ao treinador e que se sabe que é o que vão transmitir ao pequenino em casa. Mas este é um problema que só terá solução quando existirem condições como nos três grandes: os pais não podem assistir aos treinos e nos jogos, caso levantem demasiados a voz no sentido de melindrar a dignidade de alguém, são proibidos de frequentar as instalações desportivas desse mesmo clube. E sabemos que é uma realidade ainda impossível de se concretizar em clubes financeiramente menos apetrechados.

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Posto isto, existe uma reflexão que acho importante para todos aqueles que, directa ou indirectamente, participam na formação dos pequenotes: quero ter um Cristiano Ronaldo em casa ou uma criança que, consoante a sociedade mais ou menos padronizada em que vivemos, consiga crescer dentro dos valores básicos e que possa, um dia, singrar em algo que o faça realmente feliz? Se conseguir ser os dois, fantástico! Mas todos sabemos que não é assim que funciona. No fundo, o maior prémio que um professor/treinador/pai ou mãe pode ter é um grande SORRISO na cara de uma criança que com pouco está feliz e sentir que fez algo de bom por nos ver como seu reflexo.

Da minha parte, continuarei a seguir as minhas 3 regras fundamentais e a fazer o meu trabalhinho junto daqueles de que mais gosto e com os quais me sinto bem: os meus pequenotes.

Não sendo eu um treinador-modelo e tendo a humildade de saber que tenho muito mais para aprender do que para ensinar (muito mais!), sinto que sigo as linhas de orientação mais correctas durante o meu trabalho, e tal como os meus pequenotes no final dos treinos, vou sempre embora com um sorriso na cara e feliz, mesmo que o dia não tenha sido o melhor de todos.

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Obrigado ao BnR pela oportunidade que me deu de partilhar um pouco da realidade que vivemos e parabéns por esta excelente iniciativa, que espero que se possa alastrar a mais treinadores das formações deste país, quem sabe, numa nova rubrica?

Processo Carrillo: Da Exigência à Indigência

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Contrariamente ao que me parecia ser a melhor opção de gestão do problema da (não) renovação de Carrillo, o Sporting acabou por decidir afastá-lo da equipa titular. Todavia, as declarações de JJ no final do jogo obrigam a alguma contenção nos comentários sobre a matéria, uma vez que aquelas deixam em aberto a possibilidade de o jogador, ao contrário do que foi assumido pela generalidade das opiniões expressas, estar de regresso à equipa já no próximo jogo com o Nacional. A possibilidade de fazer o jogador descansar e amadurecer ideias deve ser considerada. Antes assim seja, embora me pareça que o treinador pretendeu apenas ganhar tempo, esperando um entendimento entre as partes.

A confirmar-se a decisão de afastar Carrillo, esta de certa forma surpreende-me. Como ontem aqui afirmei, o facto de se ter optado por manter o jogador nos nossos quadros, quando o podia ter vendido, indiciava que na SAD se acreditava na renovação. O afastamento do jogador, mais do que o próprio, pune no imediato o clube. Por uma série de razões:

– A radicalização da posição do empregador (SAD) com o empregado (Carrillo) cria o clima oposto para um entendimento;

– Suspender o jogador foi confirmar aos quatro ventos a existência de problemas. Equivale a deitar sangue ao mar infestado de tubarões. Obviamente que os principais clubes e agentes já tinham sinalizado a situação, a confirmação serve de encorajamento a quem quer o jogador;

– Ao contrário do que possa parecer, o Sporting não tem um plantel onde o talento abunda e Carrillo foi, a par de Nani, o jogador mais importante da época passada. Nani já saiu e não tem substituto à altura, e o mesmo acontecerá se Carrilo for suspenso. O Sporting fica a perder;

– Tendo em conta o que é dito no parágrafo anterior, o jogador deveria continuar a dar o seu contributo à equipa, pelo menos até Dezembro, altura em que o clube poderia substituí-lo. Num cenário em que o clube tenha a certeza de que o jogador já está comprometido com terceiros, mais de que uma decisão intempestiva de mero adepto de bancada, pede-se a defesa dos interesses do clube baseada na racionalidade;

– Não faz sentido ter um jogador sob contrato, precisar dele e pagar-lhe para não jogar. Tê-lo a jogar é também uma forma de o valorizar, caso ainda subsista a ténue hipótese de o transferir em Janeiro.

Quanto vale afinal Carrillo?

Para muitos, agora que se parece configurar a possibilidade de partida do jogador, Carrillo não vale nada, não justificando tanto dispêndio de tempo ou recursos. Outros preferem ir vaticinando um futuro entregue ao anonimato. Não me parece que os primeiros tenham razão e o futuro não se pode adivinhar. Carrillo tem ainda muita coisa para fazer para podermos considerá-lo um grande jogador, o que, quanto a mim, pode vir a ser. Mas no presente o jogador é um dos mais importantes do plantel e a sua saída enfraquece a equipa e as nossas pretensões.

Tempo de rumores

Sem ter chegado ao extremo em que se encontra a renovação de Carrillo, este momento reporta-me ao tempo em que Adrien negociava a renovação de contrato. Iniciava-se a última época em que aquele vigoraria e não faltavam certezas, como não faltam agora, de que o jogador já se tinha comprometido com outro clube – na altura falava-se no FCP. Havia até quem se dispusesse a testemunhar ter visto isto e aquilo. O mesmo sucede já com Carrillo.

O processo 'Carrillo' está a marcar a atualidade leonina Fonte: Sporting Clube de Portugal
O processo ‘Carrillo’ está a marcar a atualidade leonina
Fonte: Sporting Clube de Portugal

Da exigência à indigência

Falar no caso de Adrien obriga também a ver as diferenças de posicionamento de uma parte importante dos adeptos. Na altura a não renovação atempada do contrato de Adrien era entendido como uma manifestação de incompetência. Hoje, no caso de Carrillo, diaboliza-se o jogador, “um ingrato”, o agente, ou, ao detentor do passe, isenta-se de qualquer responsabilidade a SAD, como se nas últimas três épocas não tivesse havido tempo mais do que suficiente para prevenir a actual situação.

Por que se deixou arrastar este processo? Pelo facto de passe do jogador pertencer a um fundo? Porque os seus representantes não se dispõem a negociar? Por causa de comissões exigidas?  Em todo este processo, que a bem do clube se espera ainda que possa terminar bem, há muita coisa por explicar e que não se pode ficar pela habitual desculpabilização com o inimigo externo. Se ao menos se aprender com os erros já não se perde tudo.

Alguns comentários aproximam-se muito da indigência intelectual que, em última análise, significa um convite ao descuido e à negligência. Esta postura é prejudicial para o clube e pode ajudar a explicar por que tantas vezes não se sente a direcção obrigada a resolver matérias simples e que dependem apenas da sua acção: o relvado continua aquilo que se vê, o site é uma novela mexicana, cujo final foi mais uma vez anunciado, e onde ainda há dias se punha a equipa de andebol na Turquia, quando esta se dirigia para a Suíça. Mais uma AG marcada em cima do joelho, com anúncio de mais uma alteração estatutária que a generalidade dos sócios desconhece para votar no imediato. A loja do clube embaraça quem lá acorre acompanhado.

Sejamos claros: não é fácil para quem dirige o Sporting concorrer no meio onde se insere, especialmente quando tem que contratar ou renovar com jogadores. Os meios são escassos, a situação económico-financeira do clube é do conhecimento de todos. Depois podemos estar perante um caso em que não há nada a fazer, se o jogador, de forma legitima, quiser dar curso à sua carreira noutro clube. Aí  a questão da competência não faz qualquer sentido.

Eventualmente poder-se-ia prevenir a chegada ao extremo em que agora estamos. Carrillo não beneficiou dos primeiros dois anos em que o clube viveu em permanente instabilidade. E nos últimos dois foi ficando esquecido, enquanto se renovava com uns e se aumentavam outros. Enquanto Carrillo foi crescendo em importância para a equipa, o Sporting esqueceu-se do presente, preferindo gastar o melhor dos seus recursos em jogadores “com futuro”, como Gauld, Slavchev e agora com Paulista. O que está agora a suceder com Carrillo é o resultado das opções anteriormente feitas.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

Liga Inglesa: Vitórias procuram-se

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internacional cabeçalho

Depois da relativa facilidade com que o Chelsea conquistou a Premier League na época transacta, o clube orientado por José Mourinho entrou com o pé esquerdo nesta nova temporada, começando por perder a Supertaça Inglesa diante do Arsenal (primeira derrota de Mourinho perante Wenger) e conquistando apenas quatro pontos nos primeiros cinco jogos do campeonato, concedendo uns inconcebíveis doze golos e marcando apenas sete (o ano passado em trinta e oito jornadas sofreram apenas trinta e dois golos).

Após a dominadora primeira parte da época 14/15 os pupilos de Mourinho abrandaram na segunda volta, limitando-se a gerir a confortável vantagem que merecidamente tinham conquistado, apoiando-se numa das defesas mais sólidas da Europa, descurando o espectáculo e abundando o pragmatismo.

A equipa que passou meio ano em modo de gestão para ser campeã, está agora com dificuldades em meter a segunda e alcançar um ritmo mais elevado, estando a sofrer com quebras de rendimento de quase toda a equipa, mas principalmente dos pilares da vitória do ano passado. Terry começou finalmente a acusar a sua idade, Ivanović tornou-se batível na defesa e um desastre nos movimentos ofensivos, Matić, a grande referência e equilíbrio do meio campo dos Blues parece perdido em campo e Hazard, o melhor jogador da edição da Premier League que passou, ao deixar de estar “preso” à ala ganhou mais liberdade mas parece ter perdido eficácia e capacidade de decisão, tornando-se muito menos incisivo e contribuindo largamente para o jogo mastigado e sem ideias do Chelsea.

Esta quarta-feira o Chelsea alcançou uma vitória importante perante o Maccabi para a Liga Dos Campeões, marcando quatro golos e não sofrendo nenhum, sendo mesmo o único clube inglês a ganhar na primeira ronda da competição, que contou com derrotas desapontantes do Arsenal em Zagreb, do United em Eindhoven e do City em casa perante uma Juventus em “crise interna”.

Apesar do reduzido nível de competitividade que o Maccabi apresentou, o Chelsea finalmente apresentou um futebol fluido, rápido e incisivo, muito por causa da boa reacção que a equipa teve às mexidas que Mourinho efectuou no onze, abdicando de Terry, Ivanović, Matić e Diego Costa (entrou no decorrer da primeira parte para o lugar do lesionado Willian).

Diego Costa e Óscar tranquilizaram os blues Fonte: BPI - Ben Queenborough
Diego Costa e Óscar tranquilizaram os blues
Fonte: BPI – Ben Queenborough

A defesa que parecia velha e cansada levou uma injecção de juventude, o treinador português passou (finalmente) Azpilicueta para a sua posição natural na direita e apostou no lateral ganês Baba na esquerda, ganhando a equipa velocidade e profundidade, entregando o eixo defensivo à dupla Cahill-Zouma que esteve bastante certinha. No meio campo efectuou duas alterações importantíssimas, beneficiou do regresso do criativo Oscar que tinha estado lesionado e veio criar e desbloquear diversas situações no ataque com a sua qualidade técnica e irreverência em campo e a inclusão do jovem Ruben Loftus-Cheek, que acabou por ser imenso no meio campo do Chelsea, acabando por ser eleito o homem do jogo e demonstrando mais uma vez que merece uma oportunidade à frente de jogadores como Mikel e Ramires. Com a infeliz lesão de Willian antes da meia hora de jogo o sempre trabalhador Rémy que começou o jogo a ponta de lança foi encostado à ala para abrir espaço para Diego Costa na frente de ataque, que aos 58 minutos combinou de forma magistral com Fàbregas para apontar um dos golos da jornada europeia.

Hazard desperdiçou uma grande penalidade e infelizmente parece teimar em arrancar, isto numa altura em que o Chelsea não conta com Willian e Pedro por lesão, pode tornar-se ainda mais preocupante.

Hazard tem tido um início de época desinspirado Fonte: Getty Images Sport
Hazard tem tido um início de época desinspirado
Fonte: Getty Images Sport

Este sábado o Chelsea tenta então não ficar definitivamente arredado da luta pelo título, apesar de ser ainda muito cedo, uma derrota ou mesmo um empate com o Arsenal em casa, deixaria os Blues demasiado atrás do demolidor City, que não deverá ter dificuldade em conquistar três pontos frente ao West Ham em casa vindo da sua habitual ressaca europeia.

Mourinho não deve olhar para trás e tem de voltar a apostar na mesma defesa que jogou contra o Maccabi a meio da semana, não pode ter “medo” de dar a titularidade a Loftus-Cheek ao lado de Matic, pois o jovem inglês parece estar mais que preparado para assumir um papel muito maior na equipa e mostrar ser a solução para o actual problema do meio campo dos Blues. Sem Pedro e Willian, com o regresso de Oscar e a indiscutibilidade de Hazard e Diego Costa, a única dúvida assentaria numa aposta em Rémy ou no irregular Fàbregas, no primeiro caso Rémy e Hazard jogariam nas alas com Oscar no meio e Costa na frente e no segundo Fàbregas jogaria à frente da dupla de meio campo e Hazard-Costa-Oscar constituiriam o tridente ofensivo da equipa, ambos encaixáveis no habitual 4-2-3-1 de Mourinho que se desdobra num 4-3-3.

Fica a dica com toda a humildade para uma possível receita de sucesso para o Chelsea (tentar) virar a sua sorte na Premier League, de um apoiante incondicional de José Mourinho para o caso de ele estar a ler o Bola na Rede (porque não estaria) sexta à noite de forma a desanuviar antes do encontro de sábado. De qualquer forma em Mourinho confiamos, e se alguém tem capacidade para triunfar depois de tanta adversidade é o “the Happy One”.

Possível 11 contra o Arsenal: Begovic; Azpi-Cahill-Zouma-Baba; Matic-RLC-Fàbregas; Hazard-Costa-Oscar.

Fonte da Foto de capa: Instagram Oficial do Chelsea F.C.

O milagre de Rui Vitória

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Para medir o meu mundo, bastam-me 200 quilómetros. É essa a distância entre os meus lares: o do nascimento e o de adopção. Da minha terra natal guardo memórias e histórias para contar – neste texto, recorro abusivamente à mais célebre de todas; trata-se de uma lenda popular, de tradição oral, que atravessou séculos e celebrizou uma das rainhas do nosso país (canonizada e padroeira da tal cidade): conta-se que Isabel de Aragão era muito generosa; mas o seu marido, o Rei D. Dinis, nem por isso. Certo dia, a rainha saiu do castelo para distribuir pão pelos pobres. Pelo caminho o rei surpreendeu-a e, de imediato, a inquiriu desconfiado sobre o que levava consigo. D. Isabel terá exclamado “São rosas, Senhor!” e, de seguida, expôs num pânico resignado o conteúdo do regaço do seu vestido. Aos olhos dos presentes surgiram rosas formosas e sadias, ao invés do pão que a rainha inicialmente ocultara. Perante tão belo feito a maioria esqueceu-se do essencial – o inoportuno “outro lado da questão” a que, por gosto pessoal e teimosia, insisto em chamar de “realidade”: o povo não se alimenta de rosas e, naquele dia, alguém terá ficado com fome.

O caso do Benfica de Rui Vitória parece-me idêntico. O povo precisa de pão – assim se alimenta a ambição e a glória. Este ano, todavia, por opção do rei ou por qualquer outra imposição (nunca devidamente esclarecida), as reservas são curtas e ao treinador foi pedido o milagre de alimentar os pobres com flores. Com o fecho do mercado de transferências, dizem-me que apenas importava a permanência de Gaitán. Infelizmente – e contra a minha vontade – vejo-me obrigado a discordar. O problema (para mim!) reside no “outro lado da questão”: como benfiquista, mantenho-me sempre ocupado com o que está por resolver.

Os jovens jogadores não podem – no Benfica ou noutro qualquer lugar – “queimar” etapas no ciclo crescimento Fonte: Sport Lisboa e Benfica
Os jovens jogadores não podem – no Benfica ou noutro qualquer lugar – “queimar” etapas no ciclo de crescimento
Fonte: Sport Lisboa e Benfica

Rui Vitória carrega no regaço do seu fato de treino sementes muito promissoras. É inegável o selo de qualidade do Seixal, consequência de um trabalho iniciado e excepcionalmente desenvolvido durante vários anos. Os resultados começam a surgir em cadência natural, para benefício de selecções jovens, da nossa equipa principal e de Jorge Mendes. No entanto, são as exigências incontornáveis e imediatas do Benfica que julgo permanecerem por acautelar. Percebendo pouco de jardinagem, recorro ao bom senso – e a uma despretensiosa experiência na observação de situações similares – para justificar os receios perante a (notória) ânsia por atalhos no processo de crescimento dos nossos jovens jogadores. Os livros indicam-nos que uma semente dormente deitada ao solo requer água, calor e oxigénio. Dentro das quatro linhas, os mais novos precisam de tempo e de espaço – atribuir tarefas e obrigações antes do tempo pode, eventualmente, ser contraproducente no presente e, em último caso, inviabilizar o futuro. Na realidade, o Benfica vive (viveu e viverá) de vitórias; jamais de promessas. No terceiro anel, ninguém se senta aguardando paciente que o fruto amadureça.

Perante o actual cenário, não posso deixar de admirar a desusada coragem de Rui Vitória. O técnico do Benfica assume o (arriscado) projecto sem lamúrias: aproveitou o interregno das provas internas (corrigindo como pôde a malvada pré-época) e, com trabalho e humildade, tem evoluído favoravelmente – com melhor futebol e, sobretudo, um discurso mais seguro e assertivo. Porém, para chegar à Primavera falta ultrapassar o Outono e o Inverno. Rui Vitória tem menos recursos que o seu antecessor e uma margem de erro diminuta. Em épocas recentes o povo era alimentado por homens feitos (como Pablo Aimar, Oscar Cardozo ou Lima). Se em Maio as rosas nos tiverem bastado, enviarei um dossiê sobre Rui Vitória ao adepto do San Lorenzo residente em Roma.

Foto de Capa: Sport Lisboa e Benfica

Liga Alemã: Meier a recuperar o tempo perdido

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A liga alemã voltou, depois de um interregno para jogos entre selecções, e assistimos a muitos golos, um regresso feliz do melhor marcador da época transacta e às dificuldades – que já se começam a tornar habituais – do Bayern quando defronta o Augsburgo.

A Baviera voltou a ser palco de mais um jogo sofrido e tudo por causa de um clube que tem vindo a causar problemas a Guardiola desde a sua chegada. O Augsburgo adiantou-se por parte de Esswein e a reviravolta viria com alguma polémica. Numa jogada individual fantástica de Lewandowski, o Bayern conseguiu chegar ao empate. Perto do fim o Bayern teve direito a uma grande penalidade, algo duvidosa, ganha por Douglas Costa, que permitiu a Müller marcar mais um golo, dar a vitória ao seu clube e isolar-se na frente dos melhores marcadores.

Thomas Tuchel continua o seu percurso extraordinário. 9 jogos oficiais, 9 vitórias. O Dortmund não teve tarefa fácil e começou mesmo a perder o jogo, através dum golo de Sobiech – jogador que marcou a dobrar nesta partida. O jogo teria um protagonista muito azarado – Felipe. O defesa-central do Hannover 96 fez um golo na própria baliza e causou dois penáltis. Dia horrível para o jogador, que ajudou a criar condições para a vitória do Dortmund. Do lado dos amarelos e negros houve um golo fantástico de Mkhitaryan, Aubameyang a dizer presente com dois golos na luta pelo topo dos goleadores e Hummels em dia não, tendo culpas no cartório nos dois golos da equipa adversária.

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Meier, o melhor marcador da época passada, regressou em grande
Fonte: Facebook do Frankfurt

Dia de regressos a abrilhantar o fim-de-semana na Alemanha. O Frankfurt segue em 4º lugar e continua a mostrar uma força ofensiva extraordinária. Seferovic e Castaignos vinham brilhando desde o início do campeonato, mas agora está de volta Alexander Meier, artilheiro-mor da época passada. O regresso do gigante alemão foi fantástico; acertou no fundo das redes por três vezes. O avançado holandês, que começa a mostrar o que prometeu, também foi responsável por dois golos, levando para já quatro golos em quatro jornadas. O Colónia sofre assim a sua primeira derrota neste campeonato e logo com o resultado de 6 a 2. Claudio Pizarro também está de volta ao Bremen e mostrou serviço logo no primeiro jogo. A equipa orientada por Viktor Skrypnyk  venceu fora o Hoffenheim, que continua órfão de Roberto Firmino, e teve em destaque Junozovic e o melhor marcador estrangeiro da Bundesliga, os destaques de uma partida que acabou com o resultado de 1-3.

As equipas que compuseram os lugares cimeiros na época passada têm sofrido alguns calafrios esta época. O Gladbach continua a sua senda penosa pelo campeonato alemão e foi atropelado pelo Hamburgo em casa. A equipa orientada por Favre, melhor treinador da época passada, parece sem ideias e desgastada. O Hamburgo, por seu lado, teve em Lasogga a inspiração necessária e conquista assim a segunda vitória no campeonato; o Leverkusen perdeu em casa com o recém-chegado Darmstadt. Os pupilos de Roger Schmidt nunca conseguiram superar a barreira intransponível que foi Christian Mathenia e acabaram a zeros na partida de estreia de Chicharito. O Darmstadt continua sem perder e é, neste momento, uma das surpresas iniciais; o Wolfsburgo também ficou a zeros e foi perder pontos na casa do Ingolstadt, num jogo onde Draxler foi dos poucos a tentar remar contra a maré.

O FC Schalke 04 conseguiu a sua segunda vitória no campeonato, contra o Mainz, e chegou-se à frente na luta pelos lugares cimeiros. Huntelaar foi o responsável por desbloquear o resultado. O Hertha de Berlim também se colocou nos lugares europeus depois de vencer o Estugarda por 2 a 1.

O tema central da agenda internacional são os refugiados e é de ressalvar o apoio que os clubes alemães deram neste assunto. O Bayern Munique entrou em campo com crianças refugiadas e outros clubes mostraram solidariedade através da oferta de bilhetes para assistirem aos jogos ao vivo. Num fim-de-semana onde voltaram a existir muitos golos, fora de campo marcou-se pontos pelas milhares de pessoas que fogem do seu país devido à guerra.

Jogador da Semana:

Alexander Meier – Depois de uma lesão que o afastou por cinco meses, o possante alemão entrou de rompante nesta nova época ao marcar três golos no seu primeiro jogo. O trio com Seferovic e Castaignos promete aterrorizar as defesas alemãs e elevar o Frankfurt a outros lugares.

Treinador da Semana:

Armin Veh – Depois de uma má experiência no Estugarda, o ex-jogador alemão tem sido a surpresa deste campeonato. O 4º lugar e os 12 golos marcados são a prova de que teremos uma equipa de ataque e sem medos para a época de 2015/2016.

Foto de Capa: Facebook do Bayern