O futebol asiático tem vivido um crescendo incrível nos últimos tempos. Os países orientais têm investido no futebol com largos milhões, mas não só em comprar estrelas reformadas. Os países asiáticos têm investido na formação e na abertura ao resto do mundo, e as mais recentes estrelas, como Son Heung-Min ou Kagawa, têm comprovado isso.
É um mercado para o qual se deve olhar mais e com infinitas oportunidades, numa altura em que o mercado sul-americano começa a ficar saturado. No Oriente podemos encontrar outro tipo de jogadores, com características diferentes e que podem levar a uma grande melhoria no futebol europeu. Son é o mais recente, e sonante, exemplo. O jovem sul coreano já nos tinha deixado de água na boca ao serviço do Leverkusen, onde jogava na zona central do último terço, umas vezes como médio ofensivo, outras como avançado. Nos Spurs tem-nos deliciado com uma jogabilidade que ocupa toda a frente de ataque. Tem jogado na ala direita, lugar preferencial para receber a bola com o requinte de Eriksen e de a entregar com toda a precisão coreana a Kane. A verdade é que Son não se limita à ala direita, entrando várias vezes para o corredor central, uma das principais razões que explicam as últimas excelentes exibições que culminaram com 3 golos em 3 jogos.
Son tem tudo o que um outro qualquer bom médio ofensivo europeu ou sul-americano poderia ter: qualidade de passe, velocidade e um excelente remate à distância. O que o diferencia? O rigor, a cultura táctica que tão bem caracteriza os orientais, tanto no desporto como em tantas outras coisas da vida. Son tem uma excelente cultura táctica, sabe ler o jogo e não faz um acto sem um propósito. Com isto podia-se pôr de parte a criatividade, uma vez que esta é uma qualidade que tantas vezes se opõe ao rigor e precisão, mas não. Son consegue alienar a criatividade, consegue romper e desmarcar companheiros de equipa, marcar e dar a marcar. É isto que faz dele uma das maiores promessas do mundo, são estas as características que, na Coreia, lhe valeram o apelido de ‘Sonaldo’.
Legenda: O sul coreano é a mais recente estrela a actuar em White Hart Lane Fonte: Facebook Oficial do Tottenham
O futebol asiático já teve um representante de peso na Premier Legue, de seu nome Kagawa. Infelizmente não deu certo, a meu ver pelo facto de tanto Ferguson como Moyes insistirem de forma abusiva em colocá-lo na lateral esquerda quando o japonês é um nítido 10, de alma entregue ao jogo para percorrer todo o campo, dar e receber e, de vez em vez, desencantar um belo golo. Agora é a vez de Son; os primeiros tempos prometem e o facto de jogar na lateral direita e não como segundo avançado fazem esquecer o que poderiam ser as suas maiores debilidades na liga inglesa: o jogo aéreo e o seu físico. O facto de jogar onde joga dá-lhe liberdade para romper e maior competência para cruzar do que para cabecear. Em poucas palavras: tem tudo para dar certo!
Esperemos que este homem deixe a Europa de olhos em bico, que dê alento a esta equipa londrina, que tanto precisa. Acima de tudo, que seja um “embicar” de olhos para todos os olheiros começarem a olhar mais para o Oriente como uma janela de oportunidades, como um mercado emergente onde se podem inventar bons negócios e onde se podem achar grandes pérolas com características muito enriquecedoras, sobretudo para equipas que apostem no rigor táctico.
Primeiro vou falar sobre um assunto já habitual nas minhas colunas semanais, isto é, o resumo da jornada da Liga Sport Zone de futsal, o principal escalão do nosso país. Atendendo ao que se tinha visto há menos de um mês, na Supertaça, as expectativas no que concerne ao jogo entre o SL Benfica e a AD Fundão estavam bastante elevadas. E, para não variar, a partida que decorreu no passado fim-de-semana no Pavilhão Municipal do Fundão não as defraudou em nada. Foi um duelo emocionante, com bons golos, muita emoção e alguma polémica à mistura, que começou com o Benfica a dominar as operações e a criar algumas situações de perigo, embora desta feita o Fundão se mostrasse bem mais atrevido do que na Supertaça, repartindo as ocasiões de perigo com os encarnados.
Até que, aos cinco minutos, e após uma bela jogada coletiva das “águias “, Ré aparece solto à entrada da área, conseguindo desfeitear Iogo Barro e inaugurar assim o marcador. Depois vem a fase turbulenta do jogo, com dois lances polémicos na área do Benfica; primeiro, com cerca de 10 minutos no encontro, Alessandro Patias toca com a mão na bola e o árbitro não tem dúvidas em apontar para a marca de grande penalidade, mas pouco depois voltou atrás na decisão. Não deu para perceber o que o árbitro assinalou, por isso não me vou alongar mais; e, pouco depois, o guarda-redes Juanjo toca com as mãos na bola no limite da área e recebe cartão amarelo. Ora, vendo a repetição várias vezes, dá a sensação de que o GR benfiquista está no limite da área, logo dentro. A polémica está na cor do cartão a mostrar a Juanjo, que caso o juiz da partida entenda que o guardião espanhol comete infracção, é automaticamente vermelho. Voltando ao encontro, eis que aos 13 minutos Tiago Soares empata, num contra-ataque rápido, em que a bola embateu no guarda-redes encarnado e entrou lentamente na baliza do Benfica. Perto do intervalo, o golo de Fernando Wilhelm, que desempatou o jogo a favor das “águias”. O jogo manteve este resultado até quase ao fim, altura em que Alessandro Patias aproveita o 5×4 da turma beirã para marcar o golo que resolve o jogo e fixa o resultado final, 1-3 a favor do Sport Lisboa e Benfica.
O Sporting entrou a perder mas conseguiu dar a volta Fonte: Facebook Futsal Sporting
De resto, destaque para a vitória natural do Sporting Clube de Portugal frente ao Modicus por 7-1, apesar de ter começado a perder, com um golo de Gabriel. Mas, a partir daí, notou-se bem a diferença de andamento entre as duas formações e o avolumar do resultado registou-se de forma natural. O Sporting Clube de Braga venceu a Quinta dos Lombos por 4-0, com um triunfo construído por inteiro na segunda metade; entre os 22 e os 27 minutos surgiram todos os 4 golos bracarenses.
Os Leões de Porto Salvo foram surpreendidos em casa pela Burinhosa, equipa do distrito de Leiria, que foi até aos arredores de Lisboa vencer por 1-3. Destaque também para a campanha 100% vitoriosa do SL Olivais, que partilha a liderança com o SL Benfica, e que nesta jornada foi vencer a Coimbra, no reduto do CS São João (4-7). O Belenenses logrou vencer no terreno do Gualtar, por 3-5. A equipa do distrito de Braga partilha a lanterna vermelha com o CS São João, com três derrotas em outros tantos jogos, e, embora ainda haja bastante tempo para recuperar, não é claramente uma posição cómoda para se estar. Finalmente, empate entre Rio Ave e Boavista, com a turma de Vila do Conde a somar o seu primeiro ponto nesta edição do campeonato.
Há coisas que já se sabe desde o início, e que Ogier ia ser o campeão do mundo de ralis de 2015 é uma delas. Foi preciso esperar até ao fim de semana passado para o título ser confirmado, mas já há muito que se sabia que mais cedo ou mais tarde Sébastien Ogier iria chegar ao seu terceiro título consecutivo, quando ainda faltam três provas para o fim do WRC.
O homem da Volkswagem venceu a sua sétima prova deste ano e mostrou, mais uma vez, que é o homem a bater. A marca alemã também tem o carro a bater, já que os três primeiros lugares do Mundial são ocupados pelos três pilotos da VW.
A prova do título foi na Austrália, e a VW quase conseguia o pódio completo, mas uma penalização de 10s a Mikkelsen a duas especiais do fim atirou o finlandês para o quarto posto. O pódio ficou assim com Ogier, Latvala e Meeke, que conseguiu assim meter o seu DS3 WRC entre os Polo WRC. O britânico ainda chegou a liderar a prova, mas o último dia não lhe permitiu chegar à vitória.
Em Portugal, a uma prova do fim, ainda não temos campeão, depois de um Rali de Mortágua onde Fontes começou por dominar mas dois azares o afastaram da vitória e depois levaram mesmo à desistência.
Um destes homens será o campeão nacional de 2015 Fonte: www.sportmotores.com
Mas Ricardo Moura não conseguiu aproveitar da melhor maneira esta desistência e ficou em terceiro lugar, a apenas meio segundo de Carlos Martins, que conseguiu o seu segundo pódio do ano e igualou o seu melhor resultado no Nacional de Ralis. A vitória foi para o campeão nacional Pedro Meireles, que assim se estreou a ganhar com o Fabia R5.
O meio segundo que separou Moura do segundo lugar e os consequentes menos três pontos na classificação podem ser decisivos numa luta pelo título, que se espera até à última no Rali do Algarve, que se disputa em novembro. O açoriano queixou-se do tempo que perdeu na quarta especial, pois ficou a apanhar o pó levantado pelo carro de Fontes, que tinha parado para trocar um pneu, mas de nada serviu esta queixa.
Para o Algarve as contas são as seguintes: Fontes vai em primeiro com 145,5 pontos enquanto Moura vai com 136, no entanto, as piores pontuações de cada um são descontadas e, neste caso, Fontes perde 1,5 pontos e Moura apenas 0,5, ou seja, a diferença pontual à partida é de 8,5 pontos.
Para Moura ser campeão as vitórias em especiais serão fundamentais, já que sem estes 0,5 pontos/especial apenas a vitória de Moura e o quarto lugar de Fontes dariam o título ao piloto açoriano.
O dinheiro não pode comprar tudo. É insignificante (ou devia ser), mesmo quando os sonhos nos hipnotizam e nos deixamos levar para uma realidade onde queremos ficar. Não há dinheiro que pague a imaginação e a magia que vem atrás dela.
Ou vice-versa. Riyad Mahrez tem-nos exemplificado isso mesmo desde o começo da Premier League, quando parte das alas para o meio, conduzindo a bola numa progressão que deixa um rasto de fantasia e que nos leva, numa viagem alucinante, para um futebol utópico, em que o talento e o trabalho de um jogador é tudo o que importa no desporto, uma realidade na qual vencem os bons da fita, os ilusionistas da bola, os “entertainers”, ladrões de espectáculo, razões da atenção e do preço do bilhete. Atracções principais que nos remetem para tempos que a indústria e o dinheiro tentam destruir, mas cuja memória jamais será apagada. São tempos idos, em que a comissão de um empresário não tinha influência na transferência de um jogador, em que o amor à camisola significava alguma coisa e em que os contratos eram cumpridos.
Tempos ingénuos, talvez, mas livres da malvadez que a ganância arrasta e em que uma das coisas que compensava o sacrifício de uma semana “encharcada” de trabalho eram os raios de sol emanados pelo espectáculo, a magia de um qualquer talento que enchesse as tardes dos fins-de-semana.
Mahrez não faz valer o fim-de-semana para o comum adepto de futebol, mas consegue remeter-nos, em fracções de segundo, com uma simulação, um drible ou um passe magistral, para os tempos mais puros da bola.
No último fim-de-semana, voltou a brilhar. A sua equipa estava em dificuldades e conseguiu inverter o rumo dos acontecimentos. De penalty reduziu uma desvantagem de dois golos e, cerca de 15 minutos mais tarde, serviu Vardy para a igualdade. Assim terminou o encontro, 2-2 e mais um ponto somado para o Leicester num terreno sempre complicado como o Stoke-on-Trent, frente a jogadores como Shaqiri, Odemwingie, Bojan ou Peter Crouch.
Quando a bola chega aos pés de Mahrez, o futebol é outro. Fonte: Facebook do Leicester
Essa foi a última. A primeira aconteceu em casa, frente ao Sunderland, a quem apontou dois golos, atirou uma bola ao poste e serviu de responsável para uma exibição fantástica da sua equipa (jogador da jornada, para o Bola na Rede – http://www.bolanarede.pt/internacional/ligainglesa/liga-inglesa-uma-primeira-jornada-refrescante/). Seguiu-se o West Ham, e o argelino voltou a não desiludir. Mais um golo e contribuição decisiva para a vitória sobre uma equipa que havia vencido o Arsenal no Emirates, na jornada passada. O Tottenham foi o adversário que se sucedeu e voltou a ser a fiugra do jogo, com um golo (numa resposta imediata ao tento adversário), uma bola ao poste e muito futebol, que ajudou a sua equipa rumo a um ponto precioso frente a um adversário com mais responsabilidades. Esteve um bocado apagado frente ao Bournemouth, mas “voltou” ante o Aston Villa – a perder por 2-0, o Leicester, impulsionado pela crença e a magia de Mahrez, deu a volta ao marcador, com o argelino a contribuir com duas assistências.
Uma regularidade destas não se compra. São momentos mágicos que alegram as vidas dos adeptos dos foxes e de muitos adeptos de futebol, que já despertam a curiosidade dos tubarões europeus e que, ao mesmo tempo, os envergonham pelo custo que Mahrez teve e tem para o Leicester – recebe meio milhão de libras ao ano, o valor pago, por exemplo, pelo Liverpool a um jogador como Roberto Firmino (com rendimento desportivo incomparável, de tão baixo, ao de Mahrez esta temporada) ao fim de 1 mês de trabalho e o preço pago pela sua transferência foi de 750 mil euros… cerca de 39 vezes menos que o dispendido pelo brasileiro!
A magia de Mahrez ilustra que o dinheiro não compra tudo e que, com um bom departamento de scouting e bons potenciadores de talento, embora não se podendo voltar atrás, pode dar-se o passo em frente que o desporto (e não a indústria) mais bonito do mundo ficou de dar por imposições… empresariais.
Não se fala de outra coisa no mundo do futebol em Portugal nos últimos dias e as capas dos principais jornais desportivos fazem referência a este assunto diariamente. O extremo peruano ainda não mostrou interesse em renovar o seu vínculo contratual com os leões, e os dirigentes leoninos já o afastaram da equipa principal, o que levou a que, no encontro frente ao Lokomotiv, Carrillo não tenha sequer sido convocado, contribuindo para o aumento da polémica em torno deste tema.
A novela ‘renovação de Carrillo’ já se vem estendendo há alguns meses, mas agora o assunto intensificou-se, ainda para mais com o interesse de Benfica e FC Porto em adquirirem o atleta já no mercado de transferências de Janeiro. Os dirigentes leoninos colocaram mão no assunto, deixaram o jogador de fora do jogo da Liga Europa, e enquanto não renovar contrato não joga mais com a camisola verde e branca.
A ausência do extremo peruano é uma dor de cabeça para JJ Fonte: Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal
Mas agora, não é disso que estamos aqui a tratar. Afinal, quem é que JJ tem para suceder ao extremo internacional peruano?!
As alternativas são escassas; três, para ser mais específico: Carlos Mané, Gelson Martins e Bryan Ruiz são as cartas que o técnico tem à sua disposição.
Comecemos por Mané. É um jovem já com provas dadas na equipa principal dos leões e tem tudo para se tornar num grande jogador. Com a provável saída de Carrillo, o extremo português tem o seu lugar no onze de JJ ainda mais vincado.
Na sua terceira época no plantel principal, Mané será a aposta mais natural Fonte: Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal
Bryan Ruiz também é hipótese para substituir o peruano, no entanto, a posição natural do costa riquenho é a posição ‘10’. Jorge Jesus pode colocá-lo a jogar numa das extremas (se bem que a sua preferencial seja a esquerda). Poderia ter sido uma boa alternativa no jogo frente ao Lokomotiv; colocar Carlos Mané na direita, e BryanRuiz na esquerda.
Ruiz tem sido opção regular, mas continua sem convencer Fonte: Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal
Gelson Martins tem muito potencial, não digo que não, mas ainda tem de crescer muito como jogador. Ainda é muito ‘virgem’, precisa de minutos e, acima de tudo, experiência neste tipo de competições de grande nível. Foi um erro ter colocado um jovem que ainda nem meia dúzia de jogos fez pela equipa principal a jogar de início, com toda a pressão que envolve um jogo da Liga Europa.
A nova pérola leonina tem-se afirmado na equipa principal Fonte: Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal
Em suma, na minha opinião a melhor alternativa a Carrillo, no caso de este se ir embora, passará por colocar Ruiz a jogar na posição de extremo, pelo menos até abrir o mercado de Inverno. E, depois, ir ao mercado reforçar-se com um extremo que tenha provas dadas, para lutar logo pelo seu lugar no onze de JorgeJesus.
Mas uma coisa é certa: se Carrillo não quer renovar, que não jogue mais com o leão ao peito!
Fonte da foto de capa: Fonte: Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal
Cada dinastia tem, em média, direito a dois ou três reis – só em Espanha, existem tronos e reis para todos os gostos. No pavilhão, rodeado por torreões com cestos, governa Pau Gasol, um catalão que necessita, apenas, de uma bola laranja para derrubar Impérios inteiros. Durante todo o último mês, este gigante carregou sobre a Europa do basquetebol – num campeonato disputado em quatro países (Letónia, Croácia, Alemanha e França), devido à instabilidade na Ucrânia. A “fúria” derrubou turcos, germânicos, tomou a Bastilha e, vencidas as grandes batalhas, recuperou o “seu” trono, numa final de consagração, perante uma esforçada Lituânia.
Foi o terceiro título europeu da Espanha (2009, 2011 e 2015), talvez o mais difícil – e que, a certa altura, chegou mesmo a parecer improvável. O exército “rojo” apresentou-se privado de jogadores como os “norte-americanos” Marc Gasol, Ricky Rubio e José Calderón e Juan Carlos Navarro, do Barcelona; na fase de grupos, somou duas derrotas (com a Sérvia e a Itália) e chegou com (muitas) dificuldades aos oitavos-de-final, após uma apertada vitória (por 77-76) sobre a Alemanha.
Pau Gasol liderou a “fúria” espanhola
No entanto, nunca um jogador terá sido tão decisivo como Pau Gasol, o destruidor de sonhos: como o da França, campeã em título, a quem marcou 40 (!) pontos, na meia-final da prova, cruelmente disputada em território gaulês – a certeza de o basquetebol ser um jogo colectivo saiu, dessa vez, algo combalida. No final, o balanço é esclarecedor: Gasol fixou médias de 25,6 pontos, 8,4 ressaltos e 2,3 desarmes de lançamento; a eleição de melhor jogador do campeonato foi unânime. O poste dos Chicago Bulls – e que bem lhe fica aquele encarnado – atinge, aos 35 anos, a sua plenitude enquanto atleta e basquetebolista.
Terminada a final de Lille, com o placard a marcar 80-63 para a Espanha, Sua Majestade levantou os braços para o público e, ao som dos (muitos) assobios franceses, festejou o regresso ao trono do basquetebol europeu – curiosamente, ao mesmo tempo, o seu súbdito Filipe II aplaudia nas bancadas.
Na ressaca de uma derrota caseira pouco expectável frente ao Lokomotiv, o Sporting apresentou-se em Alvalade para o jogo frente ao Nacional da Madeira disposto a continuar na liderança da Liga NOS. De novo sem o André Carrillo nos convocados, Jesus voltou a apostar em Gelson Martins no onze titular; Slimani também voltou ao onze, assim como Naldo, num sinal claro de que este jogo era de vital importância para Jorge Jesus e seus discípulos.
O início da partida trouxe Slimani a tentar agitar as águas de forma célere, mas com o passar dos primeiros quinze minutos o jogo acabou por entrar num registo mais morno. Gelson conseguiu aqui e ali chamar a atenção do público presente, público esse que tanto anseia por ver na jovem pérola leonina o substituto natural do extremo peruano. Do lado oposto, Ruiz parecia ser a peça menos em foco dos leões, com algumas decisões lentas e faltas de entendimento com a linha avançada.
À passagem da meia hora de jogo, Nuno Sequeira foi expulso por acumulação de amarelos, após falta sobre Islam Slimani, ficando algumas dúvidas sobre a severidade com que o árbitro Fábio Veríssimo puniu o defesa do Nacional da Madeira. Apesar de ter aumentado o perigo perto da baliza dos madeirenses, os leões voltaram a ter dificuldades num capítulo essencial do jogo, a finalização, sendo assim natural o nulo com que se chegou ao intervalo, mas não sem antes de Slimani ter visto a cartolina amarela, após protestos.
Slimani e Teo foram de novo aposta na frente de ataque Fonte: Facebook do Sporting Clube de Portugal
Uma primeira parte que veio, um pouco contra as primeiras impressões da partida, mostrar as fragilidades que o Sporting tem no que toca a criar situações claras de golo. Muita posse, algum caudal ofensivo de relevo, mas poucas oportunidades para fazer golo.
Foi sobre este mesmo registo que se iniciou o segundo tempo. Slimani, sempre ele, chegou a ter por duas vezes a hipótese de alvejar a baliza do Nacional, mas em ambas as situações a concretização não foi a ideal. A primeira mexida de Jorge Jesus, com a entrada de Montero para a saída do compatriota Gutiérrez , fez mexer o jogo leonino, conseguindo “el avioncito” entender-se de forma mais concisa com Slimani; mas o Sporting começava a dar sinais de intranquilidade, contra um Nacional reduzido a dez elementos e cada vez mais preocupado em defender o resultado que lhe garantia um ponto, começando a jogar com o relógio e com o nervosismo leonino.
O jogo foi se desenrolando até aos derradeiros minutos, com um Sporting instalado no meio campo contrário, com muita posse de bola mas raramente incomodando Rui Silva, que continuava a perder muito tempo nas reposições de bola. O golo leonino acabou por surgir numa jogada de entendimento entre dois jogadores lançados por Jorge Jesus na segunda parte; Mané assiste Fredy Montero com um pormenor digno de relevo e o avançado “cafetero” atira para o solitário tento da partida.
Esta foi a primeira vitória do Sporting de JJ sem golos sofridos para o campeonato, um registo que já não acontecia desde a conquista da Supertaça de Portugal frente ao rival Benfica. O Sporting continua a ser uma equipa em construção e em crescimento, mas com um claro défice na concretização. Este jogo demonstrou também a importância que Super Sli tem na equipa verde e branca. O argelino é a principal referência no ataque, servindo também de um apoio para tabelas para os seus colegas.
A Figura:
Curva Sul – Na primeira noite de Outono, que trouxe consigo o frio, os adeptos leoninos demonstraram a lealdade habitual, com a presença de trinta mil pessoas nas bancadas. Bastante bom para um jogo realizado às 21 horas de uma segunda feira.
O Fora de jogo:
Bryan Ruiz – O costa-riquenho continua sem deslumbrar em Alvalade. Um jogo a passada lenta, com demora nos processos e repetidas faltas de comunicação. A precisar de descanso após dois anos com poucas férias.
Calor abrasador no Restelo para receber duas equipas que ainda procuravam a primeira vitória na presente edição do campeonato. Ao trazer um motivador empate da Polónia na estreia na fase de grupos da Liga Europa, o Belenenses podia, pois, encarar o encontro de hoje com optimismo. Procurando um golo cedo para desatar o jogo, foi o Belenenses que partiu para cima do Moreirense logo nos primeiros minutos. Mesmo com a equipa de Miguel Leal a apresentar bons argumentos ofensivos – a ausência de Rafael Martins é uma grande baixa neste Moreirense – para contrariar o teórico favoritismo da equipa do Restelo, foi a equipa de Sá Pinto a inaugurar o marcador. Nem dez minutos se tinham passado quando um bom cruzamento rente à relva de Carlos Martins encontrou Luís Leal solto na área, que não teve dificuldades em encostar para as redes de Stefanovic.
O golo do cabo-verdiano mexeu com o Moreirense e a equipa visitante tomou as rédeas do jogo até ao intervalo. Ora por Iuri Medeiros – o extremo emprestado pelo Sporting oferece boa mobilidade ao ataque -, ora por Ramón Cardozo, o conjunto de Miguel Leal assustou Ventura por diversas vezes. Ainda assim, era o Moreirense a jogar e o Belenenses a marcar: a meio da primeira parte, um excelente envolvimento ofensivo dos azuis do Restelo culminou no segundo golo, apontado por Miguel Rosa. Mais uma assistência para Carlos Martins e o Belenenses colocava-se confortável no jogo. O resultado ao intervalo poderia ter sido ainda mais pesado para a equipa de Moreira de Cónegos, pois o penálti falhado por Carlos Martins (falta de Danielson sobre Luís Leal) praticamente sentenciaria de imediato a partida. Ao intervalo era mais feliz a equipa mais eficaz e não aquela que explanava o melhor futebol no relvado do Restelo.
Pouca gente no Restelo para assistir à primeira vitória do Belenenses no campeonato
Com uma confortável almofada no marcador, ao Belenenses apenas cabia gerir a vantagem alcançada nos primeiros 45 minutos. Soube fazê-lo de forma tranquila, já que o Moreirense não foi capaz de manter a toada ofensiva que demonstrara na primeira parte e várias vezes se deixou cair na armadilha do fora-de-jogo. Ventura foi quase um mero espectador durante toda a recta final do encontro. A quebra da energia eléctrica, que interrompeu o encontro durante cerca de 20 minutos, fez esmorecer ainda mais a pouca dinâmica que ambas as equipas trouxeram dos balneários. Vitória justa do Belenenses, que deu uma resposta positiva à goleada sofrida na última jornada no Estádio da Luz, já depois do bom resultado europeu na Polónia. Ainda assim, melhor o resultado propriamente dito do que a exibição, visto que a madrugadora vantagem permitiu à equipa da casa instalar-se a seu bel prazer no encontro. Os reforços Luís Leal e Kuca dão bastante mobilidade e criatividade no sector ofensivo do conjunto de Sá Pinto e fazem deste Belenenses um candidato aos lugares europeus nesta época.
A Figura:
Carlos Martins – Apesar de ter saído aos 60 minutos, dando lugar a Sturgeon, o médio português fez as duas assistências para os golos da vitória. Mesmo om o desperdício um castigo máximo, a dinâmica ofensiva que imprimiu resultou em várias boas combinações com o trio da frente: Kuca, Miguel Rosa e Luís Leal.
O Fora de jogo:
Moreirense – Apesar da boa imagem deixada na primeira parte, a classificação nao mente: 0 vitórias em 5 jornadas são o espelho de uma equipa que ainda se está a encontrar e se viu hoje privada daquele que é o seu melhor jogador: Rafael Martins. Ao Bola na Rede, Miguel Leal disse que a equipa está algo intranquila por jogar bem mas não obter bons resultados, mas refere que a falta de conhecimento entre os jogadores é um dos motivos para a ausência de triunfos. Ainda assim, o técnico deixou uma mensagem de confiança, afirmando que, assim que estiver mais entrosada, esta equipa conseguirá aliar as boas exibições aos bons resultados.
O meu interesse pelo SD Eibar surgiu há sensivelmente treze anos, quando um dos melhores jogadores russos dos últimos 25 anos se juntou à equipa Basca após uma saída algo conturbada do Sporting de Gijón. Igor Lediakhov, conhecido em Espanha como El Mago de Sochi, teve uma carreira extremamente bem conseguida ao serviço da formação asturiana, chegando mesmo a capitanear a equipa numa ou noutra ocasião mas, por motivos alegadamente de ordem financeira, saiu pela porta pequena do El Molinon e colocou o Sporting de Gijón em tribunal por uma alegada dívida de uns quantos milhares de Euros.
Embora tenha despertado a minha total atenção, a carreira de Igor Lediakhov no SD Eibar foi curta, durando apenas uma temporada. O renegado génio russo contava já com 34 anos quando chegou à formação basca e a sua passagem por Ipurua foi indubitavelmente modesta e com poucos motivos de destaque, tirando talvez o facto de ter sido expulso com um duplo amarelo no seu jogo de estreia no Estádio Municipal de Ipurua.
Igor Lediakhov – O talentoso número 10 russo que me fez olhar para o SD Eibar com outro interesse Fonte: ss.sport-express.ru
Dessa equipa do SD Eibar pouco ou muito pouco há a destacar. A formação basca estava afundada na 2.ª divisão espanhola desde a temporada 1988-89 e, apesar de por lá terem passado jogadores como Xabi Alonso, como o talentoso avançado uruguaio Federico Magallanes ou como o lendário defesa direito basco Aitor López Rekarte, o SD Eibar nunca conseguiu carimbar a sua presença na divisão de elite do futebol espanhol, até que, na temporada passada, pela mão de Gaizka Garitano, atingiu tal majestoso feito pela primeira vez em 75 anos de história.
A aguerrida formação basca deu boa conta de si na fase inicial da temporada passada, mas o elevado nível de exigência da Liga BBVA foi, porventura, demasiado pesado para uma equipa lutadora e sem a experiência dos grandes palcos. O SD Eibar terminou a época em 18.º lugar, estando por isso sujeito a uma penosa descida de divisão, que iria certamente encarcerar o clube basco na Liga Adelante por mais alguns anos. Contudo, a estrelinha da sorte acompanhou os Armeros, uma vez que motivos de ordem financeira ditaram que o Elche FC, que havia terminado em 13.º lugar, acabasse despromovido na secretaria, permitindo ao conjunto basco regressar ao convívio dos grandes sem que nada tivesse feito para isso.
Após o último jogo da temporada passada, onde o SD Eibar venceu de forma contundente o Córdoba CF, vitória que, na prática, não foi suficiente para manter a equipa na Liga BBVA, o seu treinador, Gaizka Garitano, que tanto tinha dado à formação basca em apenas três anos como treinador principal, decidiu que era tempo de pôr fim ao forte vínculo que existia entre ambos e apresentou a sua demissão. Foi já sem treinador que o SD Eibar ficou a saber que se manteria no primeiro escalão do futebol espanhol e a direcção do clube entendeu trazer, para substituir Garitano, um homem que conhecia bem os cantos à casa e que conta já com um currículo interessante como treinador, de seu nome José Luis Mendilibar. Aos 54 anos de idade, o treinador, natural de Zaldívar, no País Basco, teve uma experiência extremamente negativa na temporada passada ao serviço do Levante UD, sendo despedido ao fim de apenas oito jornadas, durante as quais o clube da Comunidade Valenciana apenas venceu um jogo.
José Luis Mendilibar – O novo homem forte do SD Eibar Fonte: As.com
O Ipurua não é desconhecido de Mendilibar, uma vez que o treinador basco teve já uma passagem (de certa forma bem sucedida) pelo SD Eibar. Na temporada de 2004-05, após trabalhar para o modesto Lanzarote UD, Mendilibar chega à formação basca e, nessa mesma época, coloca o SD Eibar às portas da primeira divisão, já que terminou o campeonato em 4.º lugar.
O mundo do futebol dá muitas e longas voltas e, mais de uma década depois, Mendilibar está de volta a uma equipa que bem conhece, tendo desta vez como objectivo principal manter os Armeros na Liga BBVA. À semelhança do que sucedeu na temporada transacta, a nova campanha do SD Eibar começou com um bom nível e, no final da primeira ronda, a formação basca era líder da Liga BBVA na companhia de Barcelona, Celta de Vigo, Atlético Madrid e Espanyol. Mendilibar reagiu a esse momento histórico de forma curiosa e considerou mesmo o facto de ser líder como algo anedótico:“Lo importante es la victoria, el liderato es anecdótico, sirve para saber que hay que guardar los periódicos para recordarlo pero nada más”.
Após dois triunfos consecutivos frente ao Granada CF e ao Athletic Club, o SD Eibar ficou muito perto de fazer o pleno ao fim de três jogos, mas um falhanço clamoroso nos últimos minutos de jogo em La Rosaleda frente ao Málaga CF fizeram o emblema basco perder os dois primeiros pontos da temporada. No passado Sábado, perante os seus fervorosos adeptos, os Armeros não foram capazes de levar de vencida o poderoso Atlético Madrid. A equipa de Diego Simeone foi, ainda assim, obrigada a puxar dos galões para derrotar a formação basca, que tentou, por diversas ocasiões, através de um futebol rápido mas bem sustentado, incomodar a baliza de Oblak.
Ser derrotado pelos Colchoneros não envergonha ninguém, e o que fica na retina para já é o jogo do passado dia 30 de Agosto, onde os homens de Mendilibar venceram os seus vizinhos e rivais do Athletic Club. O antigo avançado do Real Murcia e do Barcelona B, Saúl Berjón, foi possivelmente o homem em maior destaque naquele fim de tarde no Ipurua, marcando o primeiro golo da sua equipa e contribuindo com uma assistência para o segundo do jogo, da autoria de Adrián González.
O novo SD Eibar de Mendilibar conta, obviamente, esta temporada com um plantel mais “rico”, em termos de qualidade, do que aquele que Gaizka Garitano teve à sua disposição na temporada passada. O avançado Sergi Enrich, proveniente do Numancia, o jovem internacional Sub-21 italiano Simone Verdi, que chegou este Verão por empréstimo do AC Milan, Adrián González, um antigo internacional jovem espanhol proveniente do Elche CF, o talentoso avançado Borja Baston, que pertence aos quadros do Atlético de Madrid mas que esteve em grande nível na temporada passada ao serviço do Real Zagaroza, e o internacional bósnio Izet Hajrovic, que chegou por empréstimo do Werder Bremen, conferem à equipa outra solidez, qualidade e experiência, algo que lhe faltou em momentos decisivos durante a época passada.
Sergi Enrich – Um dos nomes em destaque deste novo SD Eibar Fonte: diariovasco.com
O SD Eibar é um daqueles clubes que ainda nos fazem gostar do futebol puro e de todas aquelas idiossincrasias do desporto rei. O emblema basco é uma equipa que “honra al fútbol”, como escrevia o El País há mais de uma década após uma resistência estóica perante um Real Madrid galático, com Ronaldo, Figo e Zidane, num jogo a contar para a Copa del Rey.
No futebol como na vida, nem sempre a sorte protege os audazes. Felizmente para o FC Porto, nesta noite, no clássico, isso não aconteceu. Mas vamos por partes: FC Porto e Benfica entravam no Estádio do Dragão em alta depois de bons resultados na Liga dos Campeões. O ponto que os separava era praticamente insuficiente para se criar qualquer tipo de favoritismo prévio. No lado portista, Lopetegui fez 3 alterações relativamente ao onze que havia começado o encontro em Kiev: retirou Bruno Martins Indi, Herrera e Danilo Pereira para colocar Marcano, Imbula e Corona. Rui Vitória acabou por, tal como se esperava, dar mais consistência ao miolo: retirou Talisca da posição 8 e colocou André Almeida para a luta tática que aconteceria no meio campo.
Este é, porventura, um dos clássicos que se revelou mais um “jogo de espelhos”. Com duas partes tão distintas, é difícil encontrar um ponto de equilíbrio nas exibições dos dois conjuntos. O primeiro tempo foi quase todo encarnado: com uma postura intensa, dinâmica e dominadora, o Benfica dos primeiros quarenta e cinco minutos foi uma excelente surpresa. Com Nélson Semedo e Eliseu a secarem por completo Brahimi e Corona, o FC Porto foi um completo deserto de ideias durante o primeiro tempo. A falta de ligação entre os setores foi uma evidência e a tomada de decisões foi quase sempre errada. Rúben Neves e André André eram os únicos elementos esclarecidos num FC Porto que entrou apático, insuficiente e sem capacidade de se sobrepor ao adversário. Um adversário que, apesar de só ter criado em perigo em dois cantos – para duas belas defesas de Casillas a cabeceamentos de Mitroglou – foi sempre mais afoito e pragmático durante esse período. Sem deslumbrar, o Benfica ia tendo bola e sobretudo ia controlando os espaços perante um FC Porto completamente desligado, sem garra, intensidade e atitude nos duelos.
Porém, o panorama mudou completamente na segunda parte. Neste verdadeiro “jogo de espelhos”, parece que os balneários provocaram uma verdadeira metamorfose na equipa portista. Quem olhara para a primeira parte e a comparava com a segunda, ficava com a sensação de que os jogadores e a equipa não eram os mesmos. Tal como deveria ter acontecido desde o início, até por jogar em casa; o segundo tempo trouxe um FC Porto muito mais pressionante e agressivo taticamente. Neste aspeto, a subida de rendimento do meio campo foi aspeto fundamental para a crescente exibição da equipa. Imbula subiu no terreno e, com André André mais perto de Aboubakar, os portistas foram criando mais perigo e aproximando-se mais vezes da baliza de Júlio César. Durante este período, e tal como acontecera com o Benfica na primeira parte, também o FC Porto teve dois lances para fazer o golo e com os mesmos protagonistas: no primeiro, André cruzou de forma perfeita para Aboubakar cabecear ao poste; no segundo, o ex-médio do Vitória Guimarães fez um passe teleguiado para Aboubakar permitir a defesa da noite ao guarda redes brasileiro.
Rui Vitória esteve mal nas substituições Fonte: Facebook SL Benfica
No duelo dos bancos, Lopetegui ganhou aos pontos a Rui Vitória: com as entradas de Danilo e Varela para os lugares de Rúben Neves e Corona, o FC Porto ganhou maior sobriedade nas transições e mais consistência no momento defensivo. Imagem diferente viu-se do lado encarnado, com Rui Vitória a retirar Jonas do terreno para colocar Talisca. O Benfica ficou menos perigoso, recuou ainda mais as suas linhas e foi cada vez mais confiando no destino de que o empate já seria um bom resultado tendo em conta as incidências e a segunda parte benfiquista.
Todavia, e depois de ter feito uma exibição de encher o olho, o minuto 86 foi o momento chave do jogo. Num dos lances mais bonitos do clássico, Varela assistiu de bandeira para André André finalizar com êxito perante um imponente Júlio César. É certo que, com tão pouco tempo para terminar o jogo, aquele seria o momento do jogo. Numa jogada coletiva – das poucas que teve no clássico – o FC Porto concluiu da melhor maneira uma segunda parte de qualidade e onde não deu hipóteses ao adversário. Agora, resta perguntar é o porquê da equipa não ter demonstrado na primeira parte a imagem da segunda. Perante este Benfica, Lopetegui não podia ter demorado tanto tempo a mudar as peças e a colocar o FC Porto a explorar os pontos fracos do adversário. Felizmente para os portistas, no jogo desta noite, a sorte protegeu os audazes. E isto porque, mais do que tudo, não havia outro que merecesse mais marcar e ganhar este clássico. Falo de André André, que fez um jogo de outro mundo e que provou que quem sai aos seus, nunca desilude.
Figura do Jogo: André André – A exibição do internacional português merece todos os elogios. Do primeiro ao último minuto, o médio portista encheu o campo, ganhou quase todos os duelos do meio campo e acabou a dar a vitória ao FC Porto. Depois das boas exibições de Arouca e Kiev, André continua a ser uma das revelações da época.
Fora de Jogo: Primeira parte do FC Porto – Demorar quase 40 minutos para fazer um remate à baliza é suficiente para demonstrar a inoperância portista no primeiro tempo. A equipa foi sempre amorfa, pouco intensa e por isso acabou por ver o Benfica jogar durante a primeira parte. No clássico desta noite, a equipa ainda foi a tempo de emendar a mão mas, noutras ocasiões, isso pode não bastar.