Início Site Página 12248

Sporting 1-3 Lokomotiv: É este o futuro sem Carrillo

sexto violino

Não, André Carrillo não é o super-homem. Sim, há mais jogadores à face da terra, como disse hoje Dias Ferreira. É também verdade que a derrota não se explica apenas com a ausência do peruano – provavelmente nem foi essa, até, a principal causa do desaire. Mas o pior que os Sportinguistas podem fazer é desprezar o impacto que La Culebra tinha na equipa, e o seu carácter fulcral no que às hipóteses do Sporting nas competições diz respeito. Quem diz que Carrllo “joga zero” – como hoje ouvi ao chegar a Alvalade – ou que é facilmente substituível por qualquer Gelson, Mané ou Matheus Pereira, que não venha daqui a uns tempos queixar-se por o Sporting andar a jogar mal e a perder pontos. O primeiro capítulo de uma saga que se pode revelar trágica para os leões teve lugar hoje, em Alvalade.

Com Carrillo fora dos convocados, afastado pelo presidente, chegou a pior exibição da época e, como consequência, a primeira derrota merecida da era Jorge Jesus. O treinador optou por rodar um pouco o onze, chamando à equipa João Pereira, Tobias Figueiredo, Carlos Mané, Gelson Martins e Fredy Montero. O primeiro tempo foi muito morno, apesar de os leões terem tido mais bola do que o adversário. A verdade é que o Sporting voltou a não ter sorte, sofrendo golo da primeira vez que o Lokomotiv foi com perigo à área contrária. Um mau passe de Gelson originou um rápido contra-ataque pela esquerda, conduzido por Niasse, que permitiu a Patricio uma primeira defesa. O guardião, contudo, não teve hipótese de impedir a recarga de Samedov, de cabeça. O Sporting complicava, assim, um jogo em que era favorito.

O golo sofrido colocou aos leões, pela primeira vez nesta época, o cenário de desvantagem, pelo que seria curioso ver como a equipa de Jesus reage às contrariedades. Mas a verdade é que, ao longo de toda a primeira parte, o Sporting não deixou nunca de mostrar dificuldades em chegar à baliza do Lokomotiv. Os verde-e-brancos rondavam a área mas estavam pouco clarividentes, e também não ajudava o facto de o adversário se ter fechado ainda mais apos o golo, apostando apenas em contra-ataques pela certa. O Sporting, sem grande presença na área, insistia nos cruzamentos, secundados por um futebol lento, pálido e previsível. Não é de estranhar, portanto, que a melhor oportunidade dos primeiros 45 minutos tenha surgido através de um canto, quando Paulo Oliveira ficou a centímetros do golo.

Após o intervalo, as coisas pareciam mudar: aos 50’, Montero recebeu de Mané e empatou com um remate potente sobre a direita, quando o ângulo já não era o melhor. No entanto, a esperança durou pouco. Apenas 6 minutos depois, Niasse apanhou a defesa em contrapé, cavalgou pela esquerda – sempre por ali – e permitiu que Samedov bisasse com um toque frio, tão frio como o inverno moscovita e a exibição dos russos em Alvalade. No melhor período do Sporting, os de leste regressavam ao comando da partida e iriam consolidar a sua vantagem pouco depois. Niasse fartou-se de assistir e quis o protagonismo para si, concretizando após boa jogada individual. O Sporting mostrou claras dificuldades para parar jogadores velozes, e não é de hoje…

montero capa
Montero marcou o golo leonino, mas o processo defensivo esteve, uma vez mais, a níveis pouco aceitáveis
Fonte: Sporting Clube de Portugal

Até final manteve-se o jogo mastigado, com o Sporting a jogar aquilo que o Lokomotiv deixava, e só através de um remate de André Martins os leões criaram perigo. Houve também um penálti por marcar a favor dos portugueses, mas isso não explica o desaire. A forma como Jesus colocou o Sporting a jogar exige um bom finalizador de cabeça, o que faz com que Slimani seja um elemento indispensável da equipa. Não estando o argelino em campo, como não esteve até meio do segundo tempo, os leões não podem jogar como se estivesse. A isto acresce o facto de o Sporting, ao envolver muito os laterais no ataque (William também faz muita falta a proteger a defesa), ser muitas vezes apanhado em contrapé e sem capacidade de apanhar os “velocistas” adversários. Contudo, como a equipa de Alvalade precisava de marcar, neste jogo tem algumas atenuantes, apesar de ser obrigatório referir que Jesus ainda não acertou nesse aspecto.

Sendo justos, no entanto, há também que dar mérito à estratégia do Lokomotiv – facilitada, é verdade, pelo golo madrugador. Mas a verdade é que os russos defenderam muito bem, nunca se desequilibrando nem permitindo que o Sporting chegasse com perigo à sua baliza. Nos raros ataques a turma de leste privilegiou o lado esquerdo, aproveitando a capacidade do veloz Niasse para cair nas alas. Manuel Fernandes, de regresso a Portugal, não fez uma partida de encher o olho (nem podia, dada a estratégia montada pelo treinador), mas ajudou a sua equipa a fechar e a anular a força ofensiva leonina, que hoje esteve pouco mais do que incipiente.

O Sporting fez, como já se disse, a sua pior exibição da temporada. Jesus perdeu para o seu homólogo russo no capítulo estratégico, a defesa esteve muitíssimo permeável (não se admite sofrer três golos de uma equipa que jogou em contra-ataque), o meio-campo não cobriu a defender e pouco construiu a atacar, e o ataque não teve nem espaço nem arte para resolver. Gelson foi quem mais se mostrou, mas de modo algum fez esquecer Carrillo. Por enquanto, o jovem português é, como o próprio Jesus admitiu numa entrevista recente, apenas um projecto de futebolista; o peruano, por outro lado, faz parte do presente.

Não se entenda, lendo o título deste texto, que sem Carrillo o Sporting perderá todos os jogos. Mas só com ele em campo, a jogar aquilo que sabe, os leões terão capacidade para atingir aquilo a que se propuseram para esta época. E, como os clubes existem para ganhar títulos, pede-se ao presidente que reconsidere a decisão de afastar da equipa um dos melhores jogadores do campeonato. No ano passado, Maxi Pereira estava na mesma situação no Benfica mas jogou até ao fim, ajudando o seu clube a alcançar os resultados que se conhecem. Há que seguir o mesmo caminho com Carrillo, caso contrário não só não se impede o atleta de sair a custo zero, como não se aproveita o enorme contributo desportivo que ele pode oferecer. Encostar André Carrillo será uma desião trágica, a pior que o Sporting pode tomar.

A Figura:

Niasse – O ponta-de-lança senegalês fez jus ao nome do clube que representa: foi uma autêntica locomotiva! E a defesa do Sporting a vê-la passar… Dos seus pés saíram duas assistências e um golo. Fulcral.

O Fora-de-Jogo:

Tobias Figueiredo – Jesus apostou nele e perdeu. O destaque negativo podia ser todo o sector defensivo, porque todos os elementos pareceram estar a competir para ver quem ficava pior na pintura. Mas ninguém foi pior do que Tobias. O treinador também tem, no entanto, culpas no cartório, porque previu mal a estratégia do Lokomotiv – se o adversário tem elementos rápidos, das duas uma: ou os laterais não sobem tanto, ou tem de haver quem compense essas subidas.

Slovan Liberec 0-1 Sp. Braga: Um início com tudo sob controlo

0

liga europa

O que mais se desejava concretizou-se, e a fase de grupos da Liga Europa abriu com uma vitória lusa em solo estrangeiro, com o Sp. Braga a bater o Slovan Liberec (segunda vez em dois jogos entre ambas as equipas, depois do 4-0 em 2006) na República Checa, confirmando a sua apetência para jogos fora do país nesta competição – não perde desde 2011, altura em que o Lech Poznan (que defronta o Belenenses) derrotou os bracarenses por 1-0.

Desde cedo foi perceptível a ambição dos orientados por Paulo Fonseca e respectiva equipa técnica, colocando em campo o 4x4x2 que também tem sido usado na Liga e que neutralizou, quase de forma automática, o 4x5x1 do Slovan Liberec, travando qualquer euforia que pudesse existir pelo facto de voltar a jogar na fase de grupos da Liga Europa, perante um público que ainda tinha bem fresca a memória da vitória por 2-1 sobre o Estoril em 2013, no primeiro jogo em casa desta formação nessa edição da Liga Europa.

O Braga provou que não era esse Estoril, que não se desconcentraria como desconcentraram os canarinhos (Bruno Miguel foi expulso aos 37 minutos!) e soube matar os intentos do Slovan Liberec pela raiz, com duas carraças  (Rui Fonte e Crislan) no ataque, pressionando a primeira fase de construção do adversário, que, sendo dificultada, tinha muitos problemas em atravessar o autêntico muro que Mauro e Vukcevic, o duplo-pivô com pares de pulmões inesgotáveis, formaram.

Foi, assim, sem surpresa que o Braga controlou grande parte do primeiro tempo e que só tenha existido (quando existiu) pressão dos checos pelas laterais. Aliás, foi daí que veio a única oportunidade de perigo no primeiro tempo para os da casa, com Sural (que marcara ao Estoril) a responder, de cabeça, a uma boa iniciativa do lado direito do ataque checo e que obrigou Matheus a grande defesa.

Alan e André Pinto a caminho de Liberec, onde viriam a ser importantes para o sucesso bracarense Fonte: Facebook Oficial do Sp. Braga
Alan e André Pinto a caminho de Liberec, onde viriam a ser importantes para o sucesso bracarense
Fonte: Facebook Oficial do Sp. Braga

O intervalo chegou, e o Slovan Liberec apareceu mais solto. Mas isso não quer dizer que estivesse mais atrevido. É que o Braga não lhes permitiu veleidades e soube explorar o facto de os checos ficarem partidos para explorar a velocidade do seu ataque (nomeadamente Rafa) em cada recuperação de bola, acontecendo, dessa forma, o golo do Braga, com Mauro (auxiliado por Vukcevic, claro está) a recuperar a bola no meio-campo bracarense, dando imediatamente para Alan, que lançou Rui Fonte, que não desperdiçou a oportunidade de criar perigo e cruzou para Rafa, que respondeu da melhor maneira ao passe do avançado contratualmente ligado ao Benfica.

Estava inaugurado o marcador, e o Braga voltou a sentar-se, confortável, na sua teia táctica, não permitindo uma reacção checa ao seu golo para além de uma desconcentração de Baiano, que defendeu demasiado por dentro e permitiu a Bartl rematar perto do poste esquerdo da baliza arsenalista. Fora isso, não houve grandes situações de perigo e até foi o Braga a estar perto do segundo, com Rafa a falhar, de forma algo escandalosa, o golo que podia dar maior tranquilidade (segurança já havia) ao resto do jogo.

Não foi assim, foi de outra maneira. Paulo Fonseca retirou Rui Fonte e colocou Ricardo Ferreira (central), colocando as trancas à porta da sua defesa, que não voltaria a conceder oportunidades de perigo, confirmando os primeiros três pontos nacionais na Liga Europa 2015/2016.

A Figura: Rafa (Sp. Braga)

Pode ter falhado um golo que não devia e até pode ter deixado o egoísmo tomar conta de si em algumas situações, mas Rafa foi decisivo nesta vitória do Braga. Não só pelo golo que apontou mas pelo que fez jogar a sua equipa e pelo papel defensivo que soube desempenhar na perfeição, enquanto médio direito de um 4x4x2 mais defensivo, que pautou os bracarenses após o golo.

O Fora de jogo: Coufral (Slovan Liberec)

Djavan e Rafa fugiram-lhe muitas vezes, e numa delas foi mesmo fatal, pois o português marcou mesmo. Não teve opositores fortes, é certo, mas, a apontar uma figura do desaire checo, será o seu lateral direito.

Foto de Capa: Sporting Clube de Braga

Portugueses na Champions: Histórico CR7!

internacional cabeçalho

O Bola na Rede inicia hoje a rubrica ‘Portugueses na Champions’ com um apanhado da participação dos portugueses na Liga dos Campeões, a principal prova da Europa. Nesta lista de destaques não estão incluídos elementos de equipas do nosso campeonato.

 Jogadores:

Cristiano Ronaldo (8) – O português voltou a estar em grande na liga milionária. Contudo, o facto de 2 dos 3 golos terem sido através de grandes penalidades tira algum brilhantismo à exibição do madeirense. (Real Madrid)

Pepe (5) – O luso-brasileiro não começou o jogo no 11 titular e só entrou no começo da segunda parte, mas a verdade é que não comprometeu e a defesa madrilena terminou o jogo sem sofrer golos. (Real Madrid)

Tiago (6) – Apesar dos 34 anos, Tiago parece continuar a ser aposta forte de Diego Simeone. O internacional português, que foi titular e jogou os 90 minutos, apresentou sempre um nível bastante aceitável. (Atlético de Madrid)

Danny (6) – O português, capitão de equipa do Zenit, continua a merecer a total confiança de André Vilas Boas. Foi titular e jogou os 90 minutos numa importante vitória da equipa russa frente ao Valência. (Zenit)

Luis Neto (4) – O antigo jogador do Nacional da Madeira saltou do banco para ajudar a segurar a vitória, no entanto, parece ainda não se ter conseguido impor no plantel russo. (Zenit)

André Gomes (7) – Apesar da derrota dos comandados de Nuno Espírito Santo, o ex-Benfica entrou na segunda parte e marcou o golo que na altura colocava o resultado num 2-2; Excelente exibição de André Gomes. (Valência)

João Cancelo (6) – Como é habitual, o internacional sub-21 português esteve sempre melhor a atacar do que a defender, contudo, estreou-se a marcar na liga milionária e teve uma prestação bastante aceitável. (Valência)

Anthony Lopes (5) – O resultado mancha um pouco a estreia do guarda redes português na Liga dos Campeões (empate a uma bola frente ao Gent). Uma exibição nada de espetacular, mas sem comprometer. (Lyon)

Hernâni (3) – Curiosamente, Hernâni tinha-se estreado na Liga dos Campeões pelo Futebol Clube do Porto frente ao Bayern de Munique, mas as memórias são certamente melhores do que as de jogo desta quarta-feira. (Olympiacos)

Antunes (5) –Jogou os 90 minutos e o resultado até pode nem ter sido mau de todo, mas o Dínamo sofreu 2 golos e por isso atribuo nota 5 a Antunes. (Dínamo Kiev)

Miguel Veloso (6) –A idade parece não contar para Miguel Veloso, só foi substituído aos 86 minutos e é, sem margem para dúvidas, uma peça fulcral na equipa ucraniana. (Dínamo Kiev)

Eduardo (7) – O internacional português foi titular e a vitória frente ao Arsenal terminou um jejum de 16 anos do Dínamo de Zagreb sem vencer na fase de grupos da liga dos campeões. (Dínamo Zagreb)

Ivo Pinto (7)  – Outro dos 3 portugueses que foram titulares na vitória do Dínamo frente ao Arsenal. Uma exibição sem falhas contribuindo, assim, para a vitória do coletivo. (Dínamo Zagreb)

Paulo Machado (7) – Passados alguns problemas na fase inicial da temporada, Paulo Machado foi titular e afirma-se como uma das peças fundamentais na manobra ofensiva do Dínamo. (Dínamo Zagreb)

 Treinadores:

Marco Silva (3) – Aguentou até pouco depois do intervalo, mas a verdade é que se esperava algo mais da equipa grega orientada por Marco Silva. (Olympiacos) 

José Mourinho (6) – Vive tempos bastante difíceis, José Mourinho. A vitória de ontem por 4-0 vai ajudar a acalmar os ânimos Londrinos. (Chelsea)

Nuno Espírito Santo (4) – Não vencer em casa numa competição como a Liga dos Campeões e sobretudo com um adversário direto na luta pelo playoff pode colocar em causa as aspirações do Valência na liga dos campeões. (Valência)

André Vilas Boas (8) – Os rumores que ditavam a saída do anterior treinador do Futebol Clube do Porto perderam, certamente, força com a vitória de ontem. O treinador português não podia ter pedido melhor começo da liga milionária. (Zenit)

Jogador da Jornada: Cristiano Ronaldo

Treinador da Jornada: André Vilas Boas

Ausentes: Beto e Daniel Carriço, no Sevilha; Vieirinha, no Wolfsburgo; Rúben Vezo, no Valência e Gonçalo Santos, no Dínamo de Zagreb.

Foto de Capa: UEFA Champions League

Lokomotiv Moscovo – A locomotiva russa voltou a acender a sua fornalha

0

internacional cabeçalho

Em 21 de Novembro de 2002, o Lokomotiv Moscovo sagrava-se pela primeira vez na sua história campeão da Rússia, num pouco habitual playoff contra os seus vizinhos e rivais CSKA Moscovo, após terem terminado o campeonato com o mesmo número de pontos. O jogo disputou-se no velho estádio do Dynamo, na capital russa, e teve como herói aquele que muitos consideraram um dos melhores jogadores russos do últimos 20 anos, Dmitri Loskov. O número 10 e capitão do Lokomotiv marcou o único golo da partida, logo aos seis minutos de jogo, e carimbou assim a primeira de duas ligas russas que os homens dos caminhos de ferro iriam vencer no espaço de três anos. Dessa excelente equipa do início do século faziam parte, para além de Dmitri Loskov, um jovem de extraordinário talento chamado Marat Izmailov, o actual central do CSKA Moscovo Sergei Ignashevich, o antigo guarda-redes de FC Porto e SL Benfica, Sergei Ovchinnikov, e um avançado de extraordinário talento que acabou por passar ao lado de uma grande carreira chamado Ruslan Pimenov. Esta equipa, superiormente orientada por Yuri Semin, esteve em especial destaque ao longo de aproximadamente oito anos, marcando presença em duas meias-finais da extinta Taça das Taças, em 1998 e 1999. A saída do seu carismático treinador em 2005 marcou o início do declínio da equipa, que desde essa altura apenas conseguiu vencer duas Taças da Rússia (Кубок России), uma em 2007 e outra na temporada passada.

Dmitri Loskov - O eterno número 10 do Lokomotiv Moscovo Fonte: rusfootball.info
Dmitri Loskov – O eterno número 10 do Lokomotiv Moscovo
Fonte: rusfootball.info

Após duas experiências mal sucedidas com treinadores de gabarito internacional (primeiro Leonid Kuchuk, em seguida Miodrag Bozovic), a direcção do Lokomotiv Moscovo decidiu entregar os destinos da equipa a um homem que conhece bem os cantos à casa e que faz parte das sucessivas equipas técnicas do emblema moscovita desde 2008, de seu nome Igor Cherevchenko. O jovem treinador de 41 anos, nascido em Dushanbe, no Tagiquistão, conseguiu ainda assim, e no meio de tamanha turbulência, conduzir a equipa à vitória na Taça da Rússia, batendo na final o FC Kuban, em Astrakhan, por 3-1 após prolongamento.

Após ter conseguido tamanho feito, Cherevchenko mereceu a confiança de Olga Smorodskaya, a Chairman do emblema moscovita, e, verdade seja dita, até ao momento tem feito por merecer a sua posição.

O Lokomotiv Moscovo ocupa neste momento o segundo lugar da Liga Russa, atrás do CSKA Moscovo, e até ao passado Sábado mantinha um excelente registo de cinco vitórias e dois empates em sete jogos, com apenas quatro golos sofridos. De forma algo inesperada, a visita dos homens da capital russa à República do Tartaristão para enfrentar o Rubin Kazan terminou na primeira derrota da temporada, por uns contundentes 3-1. Os паровозы deixaram ficar para trás uma actuação ténue, muito distante daquilo que conseguem na realidade fazer, e nem a ausência, por lesão, de Alan Kasaev explica tamanho desaire.

Igor Cherevchenko, que curiosamente venceu a Taça da Rússia com o Lokomotiv Moscovo como jogador (1996, 1997, 2000, 2001) e como treinador (2014-15), apresenta geralmente a sua equipa num já quase clássico 4-2-3-1 (não existem muitos treinadores oriundos do antigo espaço soviético a jogar com este esquema táctico), com dois “homens de trabalho” à frente da linha de defesa e um trio de jogadores bastante rápidos e de elevada bitola técnica no apoio ao avançado. Na baliza do Lokomotiv, encontramos Guilherme, um guarda-redes brasileiro de 29 anos que chegou à capital russa em 2007, proveniente do Atlético Paranaense. Guilherme oscila entre o muito bom e o medíocre e tem como pontos fracos a saída dos postes e alguns, não raros, momentos de desatenção completa.

Cherevchenko tem feito um bom trabalho no Lokomotiv Fonte: Facebook do Lokomotiv
Cherevchenko tem feito um bom trabalho no Lokomotiv
Fonte: Facebook do Lokomotiv

O quarteto defensivo é geralmente formado por quatro jogadores bastante experientes: Roman Shishkin, na lateral direita, e o internacional uzbeque Vitaly Denisov, do lado esquerdo, formam uma parelha de laterais com propensão para subir no terreno mas que por vezes se expõe em demasia, deixando os centrais algo desamparados. No centro da defesa estão dois jogadores croatas, o capitão de equipa, Vedran Corluka, e Nemanja Pejcinovic, que chegou na temporada passada do OGC Nice. À frente do seu bloco defensivo, Cherevchenko utiliza geralmente dois jogadores com tarefas mais defensivas e de circulação de bola na zona intermediária. O congolês Delvin N’Dinga, que chegou esta temporada por empréstimo do AS Monaco, e o internacional russo Dmitri Tarasov têm sido os eleitos para assumir essas funções, mas existem também o internacional ucraniano Taras Mykhalyk e o armador de jogo russo Aleksandr Kolomeytsev, ambos de excelente qualidade, que espreitam sempre por um lugar no onze.

O tridente que faz a ligação entre o sector intermédio e a linha da frente é provavelmente o ponto mais forte deste Lokomotiv de Igor Cherevchenko. Os irrequietos internacionais russos Alan Kasaev e Aleksandr Samedov (que marcou um golo de belo efeito na partida do passado Sábado) desempenham a função de extremos e transformam-se em médios ala durante o próximo defensivo. Quer Kasaev, quer Samedov são jogadores bastante experientes, que acrescentam bastante sabedoria e qualidade à equipa e são geralmente um perigo constante para as linhas defensivas adversárias. Mais pelo meio, numa função que tem um pouco de organizador de jogo e de box-to-box, temos Aleksei Miranchuk, um jovem internacional de apenas 19 anos com um talento muito acima da média e que pensa quase todo o jogo de ataque da sua equipa. Chegou à primeira equipa pela mão do actual técnico do West Ham, Slaven Bilic, que na época 2012-13 reparou naquele jovem jogador da academia do clube e confidenciou ao seu conterrâneo Vedran Corluka que ali estaria a próxima jóia da coroa do Lokomotiv. Até ao momento, não parece ter-se enganado.

xx Fonte: fclm.ru
Alan Kasaev – Um dos jogadores do Lokomotiv em maior destaque esta temporada
Fonte: fclm.ru

Lá na frente, Igor Cherevchenko tem optado pelo avançado senegalês Baye Oumar Niasse, um atleta possante e bastante móvel que causa habitualmente bastantes problemas aos centrais adversários. Para além de Niasse, existem também o avançado sérvio Petar Skuletic, um jogador completamente diferente do seu colega de posição, mas que já marcou por duas vezes na Liga Russa esta época, e o brasileiro Maicon, um médio altamente versátil, de vocação bastante ofensiva, que pode actuar como avançado centro ou segundo avançado.

Da equipa do Lokomotiv Moscovo faz também parte o internacional português Manuel Fernandes, que, esta época, com alguma estranheza, não tem feito parte das opções de Igor Cherevchenko.

O Lokomotiv Moscovo actual tem muito pouco ou até mesmo nada a ver com aquele que Yuri Semin conduziu a resultados gloriosos há mais de uma década; ainda assim, trata-se de uma equipa consistente, com princípios de jogo bem vincados, que pode causar muitos problemas ao Sporting CP de Jorge Jesus, caso este não esteja num dia particularmente inspirado.

Foto de Capa: bk-ru.com

Liga Espanhola: Quando a fome dá em fartura

0

cab la liga espanha

A jornada 3 da Liga Espanhola teve como principal ingrediente um confronto de gigantes candidatos ao título, no qual o Barcelona logrou importante vitória contra o Atlético Madrid, graças ao talento do inevitável Leo Messi, o que ofereceu a liderança isolada do campeonato aos atuais campeões em título. No entanto, o maior destaque desta ronda vai para o “rival” de longa data de La Pulga, Cristiano Ronaldo, que, após duas primeiras jornadas sem sentir o sabor do golo, deu um pontapé (ou melhor, cinco) nesse jejum e assinou uma manita na estrondosa goleada (6-0) do Real Madrid ante o Espanyol.

Os merengues entraram em campo antes do embate entre Barça e Atleti e com uma vitória sobre o Espanyol poderiam pôr pressão sobre os conjuntos rivais. A turma de Rafa Benítez respondeu da melhor forma possível e atropelou completamente o adversário. Quem mais contribuiu para tal foi o internacional português Cristiano Ronaldo, que precisava e muito de voltar a fazer o que melhor sabe: marcar golos. CR7 fez uso da expressão popular “não há fome que não dê em fartura”, pois foram cinco as vezes que fez balançar as redes da baliza adversária. Pelo meio, Karim Benzema também teve tempo para fazer o gosto ao pé e Gareth Bale demonstrou a sua capital importância no esquema de Benítez, ao estar presente em quatro dos golos que abafaram um Espanyol adormecido.

Poucas horas depois, Atlético Madrid e Barcelona mediram forças no Vicente Calderón, num jogo que, tal como seria de esperar, encheu as medidas dos adeptos. Com Messi a começar o encontro no banco de suplentes, os colchoneros aproveitaram para fazer uma constante pressão alta sobre os blaugrana, bem ao estilo do que Diego Simeone tem feito no comando do Atleti. Sempre a adotar o contra-ataque como melhor arma ofensiva, a equipa da capital espanhola chegou à vantagem por intermédio de Fernando Torres, que teima em ser decisivo no que concerne a partidas deste nível. Mas a celebração não durou muito, pois Neymar empatou com um soberbo livre de execução perfeita. Perto da hora de jogo entrou em campo Leo Messi… e cerca de quinze minutos depois estava a Pulga a fazer golo e dar o importante triunfo (2-1) aos catalães.

aa
O inevitável Leo Messi voltou a dar uma vitória importante ao Barcelona
Fonte: Facebook do Barcelona

A liderança da liga fica, assim, nas mãos do Barcelona, que até esta jornada a partilhava com outras três equipas (Atlético Madrid, Celta de Vigo e Eibar), que não conseguiram os três pontos nesta jornada. O Celta de Vigo consentiu um empate caseiro (3-3) ante o Las Palmas, que jogou cerca de 80 minutos com menos um jogador graças à expulsão de Javi Varas, partida na qual os golos foram o prato do dia. Já o Eibar continua a surpreender pela positiva e também se mantém invicto na liga, ao conseguir empatar sem golos no terreno do Málaga, que continua sem marcar no campeonato.

O Valência rebateu a “crise” de resultados a nível do campeonato e alcançou a primeira vitória nesta edição da Liga Espanhola. O conjunto de Nuno Espírito Santo foi ao terreno do Gijón vencer por 1-0 com golo solitário de Paco Alcácer já nos minutos finais da partida, tento que deu o primeiro triunfo na liga aos che… algo que o Sevilha ainda não pode dizer, pois com o empate (1-1) no reduto do Levante, os andaluzes somam agora apenas dois pontos em três jornadas, algo curto para as ambições dos blanquirrojos.

O Villarreal continua sem conhecer o sabor da derrota na liga e nesta jornada triunfou fora de portas face ao Granada, por 3-1… resultado que o Deportivo também conseguiu no terreno do Rayo Vallecano. Já o Athletic Bilbao também protagonizou esse mesmo resultado contra o Getafe, partida na qual Aduriz manteve a sua veia goleadora e Raúl García já faturou pelo seu novo clube. De salientar que o Bilbao e o recém-promovido Bétis, que venceu a Real Sociedad por 1-0, foram as únicas equipas que conseguiram alcançar triunfos caseiros nesta terceira jornada da Liga Espanhola.

Jogador da Semana: Cristiano Ronaldo (Real Madrid)

Respondeu, e de que forma, à falta de golo que começava a preocupar os adeptos merengues, ao marcar cinco na partida contra o Espanyol. O internacional português isola-se, assim, no topo da lista dos melhores marcadores da Liga Espanhola e, agora que o golo apareceu, certamente que podemos esperar ainda mais por parte de CR7.

Treinador da Semana: José Luis Mendilibar (Eibar)

Mais uma jornada decorrida e o Eibar continua invicto na liga. Após uma época em que o clube só se manteve na primeira divisão na secretaria, Mendilibar pegou na equipa e certo é que o saldo até então tem sido excelente. Duas vitórias e um importante empate nesta jornada, com apenas um golo consentido, fazem do Eibar uma das surpresas do campeonato, situação que advém da capacidade do seu técnico.

Foto de Capa: Facebook do Barcelona

 

Dínamo Kiev 2-2 FC Porto: FC Porto desperdiça pé quente de Aboubakar

hic sunt dracones

A maior competição europeia de clubes está de volta! E, com o regresso da Liga dos Campeões, regressa também o FC Porto, que ousou, no ano passado, chegar aos quartos-de-final. Depois da vitória em Arouca, a equipa de Lopetegui apanhou o avião até à capital da Ucrânia para defrontar o Dínamo Kiev.

O Estádio Olímpico de Kiev foi o palco da estreia dos dragões na edição de 2015/16 da Liga dos Campeões. Uma estreia com imensas novidades. Para além de Indi no centro da defesa, devido ao castigo de Marcano, Julen Lopetegui alinhou com um meio campo composto por Danilo, Rúben Neves, Herrera e André André. Na frente? Brahimi a fazer companhia a Aboubakar.

Para além disso, destaque também para o facto de o FC Porto vestir de “cacau” e da presença do treinador portista Julen Lopetegui na bancada, com Rui Barros a comandar a equipa no banco de suplentes.

Apesar de uma pobre primeira parte, o primeiro sinal de perigo surgiu logo aos nove minutos, fruto de uma falha individual do guardião portista. Após um canto marcado por Miguel Veloso, Casillas tenta agarrar a bola mas deixa-a escapar, deixando-a à mercê dos jogadores do Dínamo Kiev, e Maxi deu o corpo às “balas” antes de Casillas corrigir o erro.

O jogo continuava lento, sem ideias, com poucas ocasiões de perigo e muitas perdas de bola. Os anfitriões demonstravam qualidade a sair com a bola controlada das zonas de pressão, e assim nasceu o primeiro golo, aos 20 minutos. No lado direito do ataque, Garmash consegue furar a defensiva portista e cruza rasteiro para a área. Miguel Veloso falha o primeiro remate mas a bola acaba por sobrar para Gusev, que, livre de marcação, consegue bater Casillas e inaugurar o marcador.

A resposta do FC Porto foi imediata. Três minutos volvidos, Maicon descobre Layún na esquerda do ataque. O lateral esquerdo consegue ultrapassar o primeiro adversário e acaba por cruzar com conta, peso e medida para a cabeça de Aboubakar e para o golo do empate.

Já em cima do intervalo, o Dínamo conseguiu demonstrar o grande buraco existente na defesa do FC Porto. Gusev cruza para o coração da área, onde aparece Garmash a rematar para uma enorme defesa de San Iker. Empate a uma bola ao intervalo e o FC Porto sem convencer na Ucrânia.

Era intensa a luta pela posse de bola Fonte: Facebook Uefa
Era intensa a luta pela posse de bola
Fonte: Facebook Uefa

O primeiro sinal de perigo após o descanso surgiu apenas aos 58 minutos, através de uma bola parada. Rybalka faz falta sobre Brahimi em zona frontal, perto da área anfitriã, e Maicon assume a marcação e faz a bola passar bem perto da baliza do guardião Rybka.

O receio de entrar em falso no primeiro jogo era grande por parte de ambos os conjuntos, e a falta de criatividade e de algum risco eram notórios. O Dínamo Kiev continuava a defender com dez homens atrás da linha da bola, e os dragões não conseguiam ultrapassar a muralha ucraniana. Rui Barros mexeu finalmente na equipa, a menos de meia hora para o final do jogo, fazendo entrar Tello para a saída de Herrera. O FC Porto regressava à tática habitual, que tantas alegrias deu em Arouca, e André André começou logo a destacar-se, conseguindo mesmo ameaçar a baliza contrária com um remate que acabou por passar perto do alvo.

Mas foi o Dínamo que esteve perto do golo aos 75 minutos, com um remate de Garmash de fora de área, depois de um bom entendimento da frente de ataque, que acabou por desviar em Maicon e quase traiu o guardião Casillas.

Já com Corona em campo, o FC Porto foi-se aproximando da baliza adversária e, aos 80 minutos, o mexicano ganhou a bola na linha, fletiu para o meio e rematou para boa defesa de Rybka. Na marcação do pontapé de canto, Maxi cruza para a área, o guardião da casa falha o corte e Aboubakar aproveita para bisar no encontro.

E, quando se pensava que os dragões poderiam sair de Kiev com uma vitória, Buyalskiy gelou toda a comitiva azul-e-branca. Grande passividade de Casillas e da defensiva portista que o número 29 da equipa da casa aproveitou para empatar a partida. 

Buyalskiy empatou à beira do final do encontro Fonte: Facebook UEFA
Buyalskiy empatou à beira do final do encontro
Fonte: Facebook UEFA

A figura:

Aboubakar – O camaronês tem crescido a olhos vistos e isso também se tem traduzido em golos. Apesar de ter tido sorte no segundo golo, Aboubakar foi decisivo na partida ao marcar dois golos.

O Fora-de-jogo:

A defensiva do FC Porto – A forma como a equipa sofre os dois golos é inadmissível numa equipa que ambiciona chegar longe na Liga dos Campeões. O FC Porto poderia ter saído de Kiev com uma vitória e com um resultado importantíssimo para as contas do apuramento. Mas vacilou.

Imagem de capa: Facebook UEFA

Olheiro BnR – André Silva

0

olheiro bnr

Com seis golos em seis jogos disputados na edição 2015/16 da Segunda Liga, André Silva está a confirmar todas as elevadas expectativas que já lhe são imputadas há algum tempo, percebendo-se que passará certamente por ele um melhor futuro da posição “nove” da selecção nacional portuguesa.

Nascido a a 6 de Novembro de 1995, em Gondomar, André Miguel Valente da Silva ainda passou pelas camadas jovens do Salgueiros e do Boavista, mas tem sido no FC Porto, clube que representa desde 2011, que tem consolidado o seu estatuto de grande promessa do futebol luso.

Afinal, depois de um percurso goleador pelos juniores azuis-e-brancos, André Silva cedo deu o salto para a equipa sénior, onde evolui na equipa B desde 2013/14, acumulando neste momento um total de 16 golos em 61 jogos oficiais na Segunda Liga.

Brilho estende-se às selecções nacionais

A verdade é que esta aura goleadora de André Silva está longe de se extinguir no FC Porto, uma vez que o ponta de lança português também tem marcado o seu percurso pelas selecções jovens lusas com uma quantidade extensa de golos, sendo o mais recente exemplo o hat-trick que fez à Albânia (6-1) na sua estreia ao serviço dos sub-21.

Em grandes competições internacionais, há ainda que destacar os quatro golos que apontou já este ano no Campeonato do Mundo de sub-20, prova em que Portugal atingiu os quartos de final, e os cinco que apontou no Campeonato da Europa de sub-19 do ano transacto, competição onde Portugal foi vice-campeão.

André Silva é visto como o futuro '9' da seleção
André Silva é visto como o futuro ‘9’ da selecção

Aliás, o fantástico percurso de André Silva na “Equipa das Quinas” explica-se facilmente pela quantidade de golos que já apontou, sendo que, entre os sub-16 e os sub-21, o atacante acumula um total de 31 tentos em 68 internacionalizações.

Um verdadeiro homem de área

André Silva é precisamente aquilo que mais tem escasseado no futebol português, mais concretamente um puro “nove” de área, que se destaca essencialmente por ser um finalizador frio e eficaz, que raramente desperdiça uma verdadeira oportunidade de golo, seja com a cabeça ou com os pés.

Muito trabalhador, tecnicamente competente e com uma maturidade assinalável para os seus 19 anos, o jogador do FC Porto B é também um ponta de lança que joga muito bem de costas para a baliza, apresentando igualmente uma mobilidade assinalável, sabendo cair para os flancos sempre que necessário.

Pela sua envergadura física (185 cm e 77 kg) e referida capacidade de trabalho, é também um atacante que vai desgastando as defesas contrárias, sendo claro que se trata de um “nove” completo e que, a manter a evolução, chegará certamente aos grandes palcos nacionais e internacionais, com claro benefício para o FC Porto e para o futuro próximo da selecção nacional A.

Foto de capa: dragaodoente.blogspot.pt

Futsal: Fundão e Benfica com vitórias complicadas antes do reencontro

0

cab futsal

No que diz respeito à 2.ª jornada da Liga Sport Zone de Futsal, o principal escalão português, há que realçar as vitórias sofridas, tanto no SL Benfica x Leões de Porto Salvo como na AD Fundão x CS São João. Num pavilhão da Luz bem composto, o Benfica teve um início de jogo perfeito: aos 5 segundos já vencia, com um golo do brasileiro naturalizado japonês Rafael Hemni.

O jogo manteve este parcial até ao início da 2.ª parte, altura em que se tornou eletrizante, com 4 golos em 5 minutos: primeiro, o golo do melhor marcador do campeonato, Diogo Santos, aos 24 minutos; depois, Alessandro Patias inscreve o seu nome no marcador aos 25 minutos; Xavi, aos 26, volta a empatar o jogo, desta feita a 2 bolas; Patias bisa aos 28, para gáudio dos adeptos das “águias”, que aos 36 minutos voltam a festejar, graças a um tiro exterior de Fernando Wilhelm, que ainda desvia num adversário, enganando assim o guarda-redes dos Leões e garantindo o triunfo encarnado por 4-2.

A grande figura do encontro, Alessandro Patias (centro da imagem, camisola 8)                                 Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica Modalidades
A grande figura do encontro, Alessandro Patias (centro da imagem, camisola 8)
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica Modalidades

Destaco também a extraordinária reviravolta da AD Fundão no jogo com o CS São João, em tudo igual à verificada na Supertaça, embora neste caso tenha sido o Fundão feliz no fim do encontro, pois à imagem do que sucedeu nesse jogo com o SL Benfica a equipa teoricamente menos poderosa esteve a vencer 0-3 mas acabou por perder 6-3. A diferença é que foi graças a uma segunda parte de luxo que o Fundão logrou vencer e autenticamente virar o resultado do “avesso”, pois foi na etapa complementar que a Desportiva marcou todos os seus 6 golos.

De resto, é de ressalvar também a vitória do SL Olivais no Restelo, frente ao Belenenses, por 2-4, num jogo em que o Olivais marcou os seus 4 golos na 1.ª metade e o Belém só na 2.ª conseguiu reduzir a diferença no marcador; a vitória da Burinhosa ante o Rio Ave, por 4-1, conseguindo a reviravolta no marcador após o golo inaugural da turma vila-condense; a vitória tangencial do Boavista sobre o Modicus, por 3-2; e finalmente a vitória da Quinta dos Lombos sobre o Gualtar por 4-1, num duelo entre equipas recém-promovidas ao escalão maior do nosso futsal. Há mais um encontro referente a esta jornada, entre o Sporting CP e o Sporting de Braga, mas foi adiado para o dia 28 de Outubro, conforme já havia avançado no artigo anterior.

Na próxima jornada, marcada para o próximo fim-de-semana, o grande encontro irá opor o SL Benfica à AD Fundão, uma reedição da Supertaça. É certo que, baseando-nos no jogo que vimos há muito pouco tempo, o encontro irá certamente ter muitos motivos de interesse e será um jogo extremamente equilibrado. Até me arriscaria a dar um prognóstico, mas é, como se diz na gíria futebolística, um encontro de “tripla”, na medida em que qualquer resultado é possível. Nos outros jogos, o Sporting de Braga recebe a Quinta dos Lombos, o Gualtar recebe o Belenenses, o Rio Ave defronta o Boavista, o CS São João joga em Coimbra com o SL Olivais, os Leões de Porto Salvo recebem a Burinhosa e o Modicus recebe o Sporting CP.

Foto de Capa: Facebook Oficial do AD Fundão

Liga Inglesa: Naismith deu três tiros de partida

0

internacional cabeçalho

A jornada cinco da Premier League abriu com um estrondo. Um estrondo daqueles que só se ouve quando um gigante tomba com aparato, emaranhado nos seus próprios problemas e, ironicamente, impotente para os resolver. Este era o retrato do Chelsea em Goodison Park, onde foi derrotado pelo Everton, que contou com a habitual inspiração de Naismith para marcar aos “grandes”, embora desta vez se tenha superado a si mesmo – um hat-trick, depois de sair do banco dos suplentes, aos nove minutos. O Chelsea afunda-se cada vez mais e vê a liderança fugir-lhe ao “controle”, pois os rivais directos vão fazendo pela vida, e conseguindo. É que o United, no jogo da jornada, bateu o Liverpool, no clássico, por 3-1 (Martial estreou-se a marcar e Benteke assinou um golo candidato ao prémio Puskas), o Arsenal recebeu e bateu o Stoke por 2-0 e City foi ao terreno do Palace vencer por 1-0 (golo do miúdo Iheanacho, sob o minuto 90), cavando, ainda mais , o fosso para o campeão nacional, que já está a 11 pontos, e mantendo o registo imaculado de cinco jogos a vencer…

“Naismith, na imagem, o nome da jornada”

… uma série brilhante que o Leicester quase consegue igualar, pois, a par dos citizens, são a única equipa da Premier League que ainda não perdeu durante esta temporada, estando já em segundo lugar, contribuindo, para isso, a vitória imposta ao Aston Villa, em casa, num jogo incrivelmente emocionante, com Mahrez, Vardy e companhia a perder por 2-0 até ao minuto 71, altura em que Laet reduziu, catapultando os foxes para uma exibição de luxo, culminada com o 3-2 final, com o patrocínio, já habitual, de duas assistências de Riyad Mahrez e uma exibição fantástica, algo a que os adeptos do Leicester já se vão habituando…

… mas não são os únicos a “depender” de uma estrela. Dimitri Payet também vai fazendo grandes exibições e, desta vez, foi o responsável único dos dois golos do West Ham ao Newcastle, que fixaram o resultado final e devolveram as vitórias caseiras a Upton Park, uma sensação parecida que os adeptos do Tottenham terão tido, quando viram o chapéu de Mason entrar caprichosamente na baliza de Pantilimon (Sunderland), e que fixou o resultado final em 1-0, que significou, para os Spurs, a primeira vitória da época…

… o mesmo aconteceu em Watford, com os orientados por Quique Flores a garantirem uma vitória importante, e logo contra uma das equipas sensações desta época – Swansea – que não conseguiu brilhar, desta vez frente a um recém promovido, um estatuto partilhado por Norwich e Bournemouth, que se enfrentaram, no terreno dos “canários”, com estes a saírem vitoriosos, por 3-1, num jogo em que Hoolahan foi o animador de serviço, estando em dois golos…

… palavra que não se ouviu no The Hawthornes, onde West Bromwich e Southampton não contaram com a inspiração dos nomes sonantes que têm nos respectivos ataques.

Jogador da Semana: Steve Naismith (Everton)

Entrou para o lugar de Besic, que por sua vez substituiu Cleverley. Resultado? Magnífico. Um hat-trick ao campeão que comprova a apetência do escocês em marcar aos grandes, e que o ligou, umbilicalmente, a um dos jogos com maior repercussão mediática da jornada futebolística deste fim-de-semana, em toda a Europa.

Treinador da Semana: Alex Neil (Norwich)

Depois de ter sido alvo de algumas críticas após os primeiros encontros, sobretudo pela permeabilidade defensiva, o jovem técnico escocês soube afinar processos e oferecer aos adeptos uma equipa dominante em todos os capítulos de jogo, impondo a seu lei sobre o rival. Venceu, como equipa grande repleta de mérito, o Bournemouth.

Fonte de Fotografia de Capa: Facebook Oficial do Norwich

Estamos mais fracos ou mais fortes?

0

tinta azul em fundo brando pedro nuno silva

Já vem sendo tradicional em todos os defesos e inícios de época a hiperbolização das contratações portistas. Quer seja por entusiasmo ou para colocar pressão no Porto, os comentários andam todos à volta das “super” equipas que o Porto compra (note-se que não é constrói). Mas o quão boa é esta equipa? Será melhor que a do ano passado? O que nos mostraram estas primeiras 4 jornadas?

Do onze habitualmente titular do ano passado as mexidas foram muitas, e os atletas contratados para substituir os transferidos ainda deixam algumas reservas.

Na baliza estamos seguros – Casillas dá garantias suficientes e está em melhor forma do que nas últimas épocas no Real Madrid. A contratação do guardião espanhol não só acrescenta responsabilidade, experiência e qualidade como pode garantir aos Dragões outro tipo de retornos resultantes da sua exposição mediática. De resto, é parte absolutamente crucial para as equipas portuguesas como referi anteriormente.

Nas laterais dois sentimentos diferentes – Maxi está à altura de substituir Danilo (no entanto não houve melhoria), enquanto Cissokho/Layún parecem não dar garantias suficientes de estar à altura de Alex Sandro. No entanto é imperativo que um jogador tenha alguma margem de erro no início até se sentir em casa. Cissokho já teve um erro grave, e Layún apareceu muito verde frente ao Arouca. Muito cedo para tirar conclusões firmes sobre a ala esquerda da defesa portista.

Cissokho tem o lugar em perigo no FC Porto Fonte: Facebook Oficial do FC Porto
Cissokho tem o lugar em perigo no FC Porto
Fonte: Facebook Oficial do FC Porto

No meio-campo apenas ficou Herrera, o “elo mais fraco”. A contratação que sempre defendi como mais urgente e imperativa era um médio transportador de bola. E ele chegou sob a forma de 20 milhões de euros – Imbula. Embora tenha pormenores interessantes e uma pujança que Herrera nunca demonstrou, ainda não fez um jogo verdadeiramente esclarecido, sendo recorrente ser substituído por André André (que tem estado bem). Casimiro também parece ter um substituto à altura – Danilo Pereira, um jogador que dá as garantias físicas que Ruben Neves não dá, embora perca para o jovem portuense noutros pontos, como na visão e profundidade de jogo.

O grande lugar vago que ficou por preencher foi o de número 10! Depois de muita especulação, o certo é que não chegou nenhum maestro ao Dragão que se aproximasse da craveira de Oliver Torres. A contratação de Corona antevia a mudança de Brahimi para o centro, mas esta alteração foi sol de pouca dura, talvez vítima do jogo colectivo pouco conseguido ante o Belenenses.

No ataque ganhámos um Varela motivado e um extremo que no primeiro jogo fez dois golos (Corona). Nos extremos parece que estamos bem servidos; já no ataque, a surpresa foi a boa adaptação de Aboubakar à nova responsabilidade. Não tem a qualidade na recepção de bola nem a inteligência na temporização que tinha Jackson mas é mais atrevido, possante e parece mais rápido. A juntar a este novo Aboubakar há um Osvaldo que é uma incógnita. Talento ele tem, mas que versão de Osvaldo veremos no Porto?

Esta equipa de Julen Lopetegui parece mais forte Fonte: Facebook Oficial do FC Porto
Esta equipa de Julen Lopetegui parece mais forte
Fonte: Facebook Oficial do FC Porto

Então, respondendo à pergunta do título, parece (penso que ninguém consegue responder com toda a certeza a esta pergunta) que o Porto está um pouco mais forte. Não nas individualidades que compõem os onze jogadores titulares, mas como equipa e plantel (maior e mais completo). Encontraram-se respostas a alguns problemas que tínhamos, principalmente no meio-campo.

Fica a incógnita do número 10 e um sabor agridoce em relação à defesa, já que tem experiência mas falta capacidade técnica. A facilidade de circulação de bola na defesa é essencial na forma como Lopetegui quer que os azuis e brancos joguem – uma análise para outro texto. Mas no final desta semana vamos ter uma ideia mais claro do que vale este Porto de Lopetegui versão 2.0.

Foto de Capa: Facebook Oficial do FC Porto