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Académica 1-1 Belenenses: Triste sina ver-me assim

futebol nacional cabeçalho

Diz-se, na cidade dos estudantes, que a “Queima é em Coimbra e o resto são fitas”. Algo que pode ser discutido até à exaustão sem se chegar a qualquer conclusão, porém, é legítimo afirmar-se que não há outra cidade no mundo inteiro com um clube que respire tanto a tradição académica como a própria Académica e que, por isso, a Queima das Fitas tenha uma importância maior em Coimbra do que noutras cidades.

Na tarde quente de Sábado, 9 de Maio de 2015, sentiu-se o pulsar da vida académica e da tradição futebolística no Estádio Cidade de Coimbra, das bancadas, salpicadas a negro pelas capas dos mais de 1400 estudantes (entrada gratuita para os “trajados”) presentes, para o campo, onde jogavam dois históricos emblemas do futebol nacional.

Tal como, provavelmente, muitos dos estudantes de Coimbra após uma “noite do parque” (começaram ontem), o jogo demorou a acordar e parecia, ele próprio, ressacado de uma noite bem regada, não querendo fazer “muito barulho” (situações de perigo iminente), que só foi ouvido a espaços, com dois remates perigosos de parte a parte. O primeiro por Ricardo Dias, aproveitando a passividade academista, e o segundo por Aderlan na sequência de uma jogada de fino recorte por parte dos estudantes, com a bola a ir de um flanco ao outro com passes ao primeiro toque e que terminou com um disparo fantástico de Aderlan, correspondido numa grande defesa de Ventura.

A equipa da Académica tem a manutenção quase garantida Fonte: Facebook da Académica
A equipa da Académica tem a manutenção quase garantida
Fonte: Facebook da Académica

No segundo tempo, o jogo pareceu acordar e o espírito festivo parecia estar de volta, impulsionado por um futebol de circulação mais rápida (conforme afirmou Jorge Simão na conferência de imprensa). Não houve mexidas de jogadores até ao minuto 66 mas houve na mentalidade dos jogadores, com a bola a circular mais perto de ambas as áreas e com mais motivos de entretenimento. Fernando Alexandre, após jogada de insistência perto da baliza do Belenenses, rematou por cima e Carlos Martins aproveitou, tal como Ricardo Dias no primeiro tempo, o espaço concedido pela Académica à entrada da sua grande área para rematar com perigo, perto do poste da baliza defendida por Cristiano.

Depois do tal minuto 66, começaram a verificar-se as mexidas nas equipas, e a primeira foi mesmo a mais decisiva para agitar o encontro – entrou Hugo Seco e saiu Marcos Paulo. O extremo formado na Académica acusou a motivação de estar em plena Queima das Fitas e a importância deste jogo para os adeptos, dando rasgos de irreverência a um jogo que deles carecia, inventando oportunidades de perigo prometedoras, uma delas com um final feliz – Rafael Lopes respondeu da melhor maneira ao cruzamento do 77 e inaugurou o marcador. Até ao final, a Académica soube suster o ímpeto ofensivo do Belenenses mas não evitou a triste sina (do “Fado do Estudante”, imortalizada por Vasco Santana no “Pátio das Cantigas”) de manter uma série de jogos sem vencer – aos 92 minutos, uma bola que era suposto ser cruzada por Fábio Nunes terminou, graças a um desvio involuntário de Aderlan, no fundo das redes de Cristiano e sentenciou o resultado.

Figura do jogo:

Ricardo Dias – A par de Pelé, foi um tampão importante no meio-campo do Belenenses e esteve em evidência a nível posicional na primeira parte, impedindo o ascendente da Académica e conseguindo criar oportunidades com a envolvência ofensiva. No fundo, o líder da intensa batalha táctica vivida durante esse período. Na segunda, foi um dos motores da equipa. Incansável.

Fora de jogo:

Marcos Paulo – O brasileiro, de regresso ao onze, acusou a pressão. Esteve deslocado da sua posição habitual e, talvez por isso, foi a imagem da desinspiração ofensiva que tomou conta da Briosa durante o primeiro tempo. Depois de ter saído, a equipa melhorou.

Momento do jogo:

66 minutos – Hugo Seco entrou e mudou muita coisa no jogo. É certo que a segunda parte já tinha demonstrado que se estava a fugir do marasmo que tinha sido o primeiro tempo, mas com o extremo português houve irreverência e a confirmação de um jogo que justificou minimamente o preço do tempo empregue pelos espectadores.

Benfica 4-0 Penafiel: A4 para o bicampeonato

Terceiro Anel
Não, não estou a falar da importante auto-estrada do Norte do país, mas sim da via aberta para o título que se desenhou depois do esclarecedor triunfo do Benfica por 4-0, diante do Penafiel. Só por manifesta incompetência o campeão nacional poderá deixar fugir a hipótese de se sagrar bicampeão nacional, 31 anos depois, numa altura em que os comandados de Jorge Jesus até se podem dar ao luxo de perder em Guimarães, na próxima jornada. Já o Penafiel acabou por ver consumada a descida de divisão, cenário que se afigurava como mais do que provável de há algum tempo a esta parte.

Perante cerca de 58 mil espectadores no Estádio da Luz, o Benfica entrava em campo com a convicção de que só um cataclismo evitaria uma vitória na partida desta tarde. E de facto, as águias geriram o desafio quase a seu belo prazer, não obstante a atitude personalizada do conjunto duriense. Sem nada a perder, o Penafiel nunca estacionou o autocarro e tentou sempre fazer a vida negra ao Benfica, mas a diferença de potencial dos dois plantéis é avassaladora e a partir do primeiro golo dos encarnados a sentença final foi quase ditada. Mas desengane-se quem pensa que o Benfica realizou uma grande exibição. A equipa da Luz jogou o suficiente para ultrapassar mais um obstáculo rumo ao título, apesar de aqui e ali ter havido nota artística, sendo o primeiro golo do desafio a prova viva disso.

Numa excelente jogada de combinação entre Jonas, Maxi Pereira e Lima, o avançado brasileiro não perdoou e bateu o guarda-redes iraniano, Haguigui, através de um portentoso cabeceamento. A partir dali, e com maior ou menor dificuldade, o Benfica foi sustendo o ímpeto penafidelense, numa partida marcada por um ritmo algo lento para o qual também contribuiu o calor que se fez sentir na cidade de Lisboa. Até que aos 30 minutos surgiu o segundo momento que fez estremecer a Luz: o 2-0 para o campeão nacional obtido por intermédio de Jonas em mais um excelente lance individual (e vão 28 golos em todas as competições para o dianteiro brasileiro, que assim voltou a igualar Jackson Martínez na lista dos melhores marcadores do campeonato). Estava praticamente garantida a 26ª vitória da prova para o Benfica, estava o Penafiel praticamente condenado à descida de divisão.

~Lima continua a ser importante Fonte: Facebook do Sport Lisboa eBenfica
Lima continua a ser importante
Fonte: Facebook do Sport Lisboa eBenfica

Na etapa complementar o cenário não se alterou. Futebol algo previsível, toada morna, Estádio da Luz em festa a celebrar um possível bicampeonato que caminha a passos largos para se tornar bem real. Jorge Jesus pôde ir rodando a equipa, retirando do terreno um apagado Sulejmani para a entrada de Ola John e substituindo um Salvio em risco de exclusão e vindo de lesão por Talisca. Pelo meio, e num ápice, mais dois golos para o Benfica que fizeram o resultado final, por intermédio de Pizzi, num remate colocado, e através de Lima, que aproveitou uma tremenda fífia de Romeu Ribeiro, chegando assim aos 17 golos na liga, entrando assim de uma forma clara na luta pelo título de melhor marcador deste campeonato.

O técnico do Benfica certamente que só não contou com a amostragem de um cartão amarelo a Samaris, que o impossibilita de dar o seu contributo à equipa no importantíssimo jogo de Guimarães. Todavia, nem isso fez esmorecer os ânimos dos adeptos benfiquistas que proporcionaram, do princípio ao fim, um ambiente muito festivo nas bancadas da Luz. Ainda houve tempo para Rúben Amorim alinhar no meio-campo do Benfica, por troca com Samaris, e para assistir a um ou outro assomo de ambas as equipas, destacando-se o irrequieto Aldair, jogador da equipa duriense que também entrou no segundo tempo.

No final da partida, sentimentos completamente antagónicos. Um Benfica em estado de alegria, ainda que controlada, com a plena consciência de que para a semana a nação benfiquista poderá entrar em polvorosa (poucos acreditarão que o FC Porto perca o desafio de amanhã). Em contraste fica a tristeza da equipa do Penafiel, que acaba por ter uma passagem por este campeonato sem honra nem glória, apesar de ficar a ideia no ar de que com Carlos Brito mais cedo ao leme deste conjunto… as coisas talvez pudessem ter sido diferentes.

Por último, e como nota final, um elogio para a dupla Lima/Jonas: é um regalo ver estes dois avançados em acção. Total entrosamento, conjugação de operariado e de classe, conjugação de eficácia e de classe. Com estes dois futebolistas na frente, e num momento de forma tão apurado como aquele por que estão a passar neste momento, é normal que o Benfica esteja tão perto de almejar o êxito.

Figura do jogo: Lima – Grande exibição do avançado brasileiro que está a atravessar um notável momento de forma. Numa altura em que se fala sobre a sua permanência na Luz, ficou mais uma vez provado que Lima continua a ser muito útil ao campeão nacional.

Fora-de-jogo: Penafiel – Não tanto por esta partida, em que o Penafiel se apresentou de uma forma bastante digna, mas sim pelo campeonato realizado. Com claras debilidades no plantel, cedo se percebeu que muito dificilmente a equipa duriense continuaria no escalão maior do futebol português. Talvez Carlos Brito seja mesmo o homem certo para recolocar o Penafiel no trilho dos bons resultados.

FC Porto ou Sporting, quem é melhor?

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cab andebol

FC Porto em 1º com 62 pontos, Sporting em 2º com 58. Assim terminou a fase regular do Campeonato Fidelidade Andebol 1. Os dragões somaram 20 vitórias e apenas duas derrotas (ABC em casa e Benfica fora, este último já com as contas decididas), enquanto os leões registaram 17 triunfos, dois empates (Benfica e Sp. da Horta, ambos fora) e três derrotas (os dois jogos com o FC Porto e um desaire surpreendente com o ISMAI, em casa). Tendo em conta não só os números mas também o próprio jogo jogado, a conclusão é simples: os dragões são os grandes favoritos nesta final do regressado playoff. Para aqui chegar, o clube da Invicta eliminou o Passos Manuel nos quartos-de-final (2-0) e o Benfica nas meias-finais (3-0). Já o Sporting superiorizou-se ao Sp. da Horta na primeira ronda (2-0) e ao ABC na segunda (3-1).

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A final do playoff disputa-se à melhor de três

 

FC PORTO

Vantagens: os azuis-e-brancos são hexacampeões, terminaram a fase regular no primeiro posto (garantindo assim a importante vantagem no factor-casa) e têm um plantel experiente, profundo e consolidado – Wilson Davyes saiu, mas o lateral-esquerdo Gilberto Duarte continua no clube e tem sido determinante. Os comandados de Ljubomir Obradovic dispõem, de resto, de óptimas soluções para todos os sectores: Alfredo Quintana e Hugo Laurentino na baliza, Daymaro Salina e Alexis Hernández como pivots, o já mencionado Gilberto Duarte e Michal Kasal na lateral-esquerda (o checo é, aos 21 anos, um dos elementos com maior experiência internacional da equipa, tendo participado no Europeu 2014 e no Mundial 2015), João Ferraz a lateral-direito e ainda os pontas Mick Schubert, à esquerda, e Ricardo Moreira, o carismático capitão, à direita. Miguel Martins, central, é, a par de Kasal, um dos jovens mais promissores.

Destaque individual: precisamente Gilberto Duarte, um dos melhores andebolistas portugueses. Com um porte físico notável e dono de um remate poderoso, o lateral é a maior referência numa equipa onde não falta qualidade. No primeiro jogo da meia-final do playoff apontou 10 golos ao Benfica e, na fase regular, tinha sido o carrasco do Sporting ao marcar, no último segundo, o golo do triunfo portista no reduto dos leões.

Jogo colectivo: o FC Porto é, no seu conjunto, uma equipa agressiva, muito forte fisicamente e com uma vasta variedade de recursos, mostrando grandes argumentos tanto na procura do jogo interior como através das pontas. Os dragões jogam a um ritmo alto, desgastam o adversário no ataque e manietam muitas das iniciativas deste no momento de defender. Frente a uma equipa do Sporting mais repentista mas menos imponente nos duelos de corpo a corpo, poderá passar por aqui um eventual sucesso azul-e-branco.

Pontos fracos: poucos duvidam da superioridade dos dragões, uma vez que os primeiros são uma equipa mais madura e, sobretudo, mais regular do que os leões. Porém, o sistema de “mata-mata” pode pesar, já que, desde 2012, o FC Porto perdeu três vezes contra o Sporting na Taça e uma vez na Supertaça. Só este ano a história foi diferente, com a equipa de Obradovic a levar os verde-e-brancos de vencida na Supertaça por 29-28. A excessiva dependência de Gilberto Duarte também cabe nesta categoria, especialmente se o Sporting conseguir contrariar as acções do jogador.

Probabilidade de conquistar o campeonato: 75%

 

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Gilberto Duarte é a maior figura dos dragões e quer voltar a festejar
Fonte: fcporto.pt

 

SPORTING CP

Vantagens: as transições e jogadas rápidas são uma das imagens de marca do conjunto leonino e também um dos melhores argumentos para desmontar a defesa portista. A fome de títulos e o facto de alguns jogadores, como o central Rui Silva, o ponta-direita Pedro Portela e o lateral-esquerdo Fábio Magalhães, terem amadurecido, também poderão jogar a favor da equipa verde-e-branca.

Também o regresso de João Antunes à modalidade é uma boa notícia para o Sporting, que ganha assim uma arma defensiva e um complemento a Bruno Moreira para a posição de pivot. A experiência de Pedro Solha na ponta-esquerda e a grande meia-distância do lateral/central Frankis Carol também poderão fazer a diferença, assim como o facto de os leões terem no regressado Bosko Bjelanovic e no lateral-direito Pedro Spínola, ex-FC Porto, duas opções que acrescentam valor. Na baliza, Ricardo Candeias está de pedra e cal.

Destaque individual: embora o central Rui Silva (que irá, ao que tudo indica, reforçar os dragões no próximo ano) seja o estratega da equipa, o ponta-direita Pedro Portela é talvez o atleta “mais” deste Sporting. Jogador fisicamente potente, exímio nos remates cruzados e competente a defender, executa com critério e tem claramente nível para actuar numa liga mais competitiva. Exibiu-se a bom nível na eliminatória com o ABC, conseguindo 6 golos no primeiro jogo e 7 nos outros dois. É o terceiro melhor marcador do campeonato, com 177 golos.

Jogo colectivo: os homens de Frederico Santos apostam em transições rápidas e em reacções quase imediatas nas reposições de bola após os golos sofridos. Aproveitando o facto de o adversário ainda não estar bem posicionado, os leões dão frequentemente preferência ao efeito-surpresa em detrimento do ataque organizado. Se, por um lado, esta escolha permitirá mascarar um pouco a menor imponência física face ao FC Porto, por outro poderá levar, pontualmente, a decisões precipitadas (sobretudo se os leões não souberem prolongar os ataques quando estão a ganhar e concretizar de seguida) e a um cansaço superior ao desejável. No entanto, se a estratégia tem dado resultados, não se espera que a equipa abdique dela.

Pontos fracos: É mais fácil encontrá-los no Sporting CP do que no FC Porto. O peso do factor histórico (os leões não ganham no Porto há largos anos e terão forçosamente de o fazer para serem campeões) pode levar a quebras psicológicas nos momentos decisivos – este ano, nos três jogos realizados contra o FC Porto, o emblema de Alvalade perdeu pela margem mínima e sempre no último minuto. A equipa de Frederico Santos é algo inconstante, podendo aliar bons momentos na partida a largos minutos sem conseguir concretizar e com uma proliferação intrigante de falhas técnicas. Na baliza, apesar de Ricardo Candeias ter muito valor, o FC Porto leva alguma vantagem – o suplente leonino Ricardo Correia é nitidamente menos opção do que Hugo Laurentino, o seu homólogo azul-e-branco. O Sporting também é menos incisivo nos duelos físicos do que o rival.

Probabilidade de conquistar o campeonato: 25%

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Pedro Portela terá de estar a bom nível se o Sporting quiser contrariar o favoritismo portista
Fonte: sporting.pt

 

Foto de capa: site oficial do FC Porto

Gosto de Marco Silva, e então?

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O Sportinguista é um ser estranho. Eternamente insatisfeito, agindo como uma aleta, movimenta-se ao sabor do vento procurando sempre o norte, mas muitas vezes sem o conseguir alcançar.

De quando em vez coloco-me a pensar na facilidade com que as pessoas mudam de opinião,  no que hoje é branco mas que amanhã, só porque ouviram o Zé dos Plásticos a refilar com o Bruno, com o Marco ou com o Nani, já tudo está mal e é preciso mudar tudo de novo. Esquecem-se de que as coisas boas crescem devagar, não se pode colher os frutos no dia seguinte a semear a terra.

E não digo que isto acontece apenas com os outros Sportinguistas e num mundo distante do meu. Às vezes basta ter um almoço com o meu pai – sim, aquele que me ensinou o que é verdadeiramente o Sporting – para perceber que os anos de desgaste de Roquettismo e a falta de títulos na equipa sénior de futebol começam a levar a melhor sobre o amor incondicional que vi nele durante mais de dois anos.

Pior do que estes casos de desgaste, de cansaço e de algumas mágoas, é o caso dos sportinguenses. O sportinguense é um adepto, por vezes até sócio, que é um “António Variações”, nunca se decidindo e achando sempre que está tudo mal só porque sim. Passo a explicar: o sportinguense vai ao estádio duas vezes por ano, mas sentado na sua poltrona passa os dias a postar coisas contra a actual direcção, porque os anos de má gestão do passado é que eram. Para este espécime, Leonardo Jardim é o melhor treinador de sempre, e Marco Silva é horrível, a pior coisa que já aconteceu no futebol leonino e que é para ir para a rua, mais que não seja porque – supostamente – é adepto dum clube rival. Mas o próximo treinador do Sporting ainda irá ser pior, e então aí ficará um eterno saudosista do actual treinador do Sporting. Esta classe de adeptos são os verdadeiros arautos da desgraça, preferindo enfatizar o mau e remetendo para um plano secundário tudo o que se passa de bom no clube.

Quando corre tudo bem, as frases dum sportinguense possuem sempre um “mas”: “mas há quinze dias empataste com X”, “estamos na final da Taça mas o campeonato está uma desgraça”. Tudo serve para alimentar este complexo de”Velho do Restelo”.

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A vitória frente ao Schalke 04 em Novembro é um dos bons exemplos na melhoria do futebol leonino
Fonte: Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal

Marco Silva não é o melhor treinador do mundo, honestamente nem o considero superior a Jorge Jesus, por exemplo. No entanto, o trabalho dele no Sporting tem vindo a ser manifestamente bom, ainda que nesta fase da época o futebol não seja tão atractivo como o de um passado recente. O treinador leonino comete erros, já questionei na bancada muitas das suas decisões técnicas; mas qual é o treinador que não erra? Quem não toma más decisões no seu trabalho e não aprende com essas atitudes?  Quantas vezes a teimosia de JJ ou de Lopetegui já lhes custou pontos e vitórias?

O futebol de Leonardo Jardim era, na minha opinião, muito resultadista, procurando sempre a vitória mas raramente encantando os Sportinguistas e, quiçá, os sportinguenses também. O actual técnico leonino procura um futebol mais vistoso, pecando no excesso de dependência dos extremos e de cruzamentos para a área, algo que também criticava em Jardim. Ainda assim, os jogos que vi o Sporting fazer no Dragão para a Taça, contra o Chelsea em casa e nos dois jogos frente ao Schalke 04 encheram-me as medidas e digo que já desde o tempo de Boloni ou Peseiro que não via o Sporting jogar de uma forma tão bonita e cativante.

A saída de Marco Silva seria um regresso ao ponto zero, seria prejudicial a um clube que pretende a breve trecho ser campeão nacional de futebol e seria um erro de gestão por parte de Bruno de Carvalho. Para além dos erros de arbitragem que prejudicaram o Sporting em algumas partidas, não podemos esquecer que os leões têm um orçamento de tostões quando comparado com os milhões dos seus dois rivais. Este ano, até o Braga gastou mais dinheiro em transferências do que o clube de Alvalade.

A vitória na Taça de Portugal irá determinar o sucesso ou o fracasso da temporada leonina, no entanto não deverá nunca pôr em causa a continuidade de Marco Silva à frente do futebol do Sporting.

Para terminar, gostava de fazer uma pergunta a todos os sportinguenses de teclado, que atrás do seu monitor são o pináculo da gestão desportiva ou os melhores treinadores de Football Manager que o mundo já viu. A todos eles pergunto: já carregaram neste link? https://missaopavilhao.pt

 Foto de Capa: Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal

Adeus, 12.º jogador

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O verdadeiro adepto nunca abandona a equipa. O verdadeiro adepto está sempre no estádio a apoiar independentemente do momento que a equipa esteja a viver. Mas, sejamos sinceros, o FC Porto já viveu melhores dias. Depois do empate na Luz, muitos foram os dissidentes que baixaram a cabeça, baixaram os braços, que deixaram de acreditar. Não os culpo.

Não culpo nenhum adepto portista por já não acreditar que é possível. Diz-se que o tamanho da desilusão é diretamente proporcional ao tamanho das expetativas criadas. E as expetativas não foram criadas tendo em conta apenas a hegemonia dos últimos 30 anos. Foram alicerçadas também no orgulho ferido da má época de 2013/14. Foram fortalecidas com o vislumbre do plantel para o novo ano, com as boas exibições da pré-época e do play-off da Liga dos Campeões. As expectativas foram, acima de tudo, fundamentadas pela qualidade individual do FC Porto, que se destacava das demais equipas da Primeira Liga.

Foram demasiadas desilusões: na Taça de Portugal, em casa, frente ao Sporting; na Taça da Liga, onde desde há muito tempo se assumem posturas distintas dentro e fora do campo; no Allianz Arena, depois de um resultado favorável que deixou o universo portista a sonhar. Mas se o resultado desfavorável frente a uma das melhores equipas da atualidade foi, por muitos, compreendido, nada poderá desculpar a incapacidade portista no jogo da Luz quando se exigia sangue, suor e lágrimas para inverter um resultado desfavorável de dois golos no confronto direto. Para piorar a situação, os dois que eram vistos como as “vozes” do balneário terminaram o jogo a sorrir e a abraçar o adversário.

Não culpo nenhum adepto portista por já não acreditar que é possível. E aqui entro no cerne da minha crónica de hoje. Uma equipa de futebol é muito mais do que onze jogadores dentro de um campo retangular. É muito mais do que uma formação a fazer uma bola rolar de um lado para o outro à procura das redes da baliza adversária. São também as horas de sono de cada jogador no dia anterior. É a refeição comida antes de cada partida. É o grão de areia dentro da chuteira que incomoda e não deixa jogar. “É muito mais do que aquilo que imaginamos. E uma das coisas que o FC Porto parece esquecer, várias vezes, é que uma equipa de futebol é também os seus adeptos. E, neste momento, a relação do FC Porto com os seus adeptos não é a melhor. Mas um adepto está lá sempre a apoiar nos bons e nos maus momentos. Quer dizer… está lá se o deixarem! O futebol praticado não é, vastas vezes, o melhor. A vontade de apoiar a equipa quando já pouco há a fazer é escassa… e, ainda por cima, o adversário é o Gil Vicente, penúltimo classificado.

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Tabela de preços dos bilhetes para o FC Porto-Gil Vicente

Parece-me completamente descabido que o FC Porto coloque, por exemplo, preços de 30€ para as bancadas centrais ou de 20€ para as laterais. Mais do que isso: acho inadmissível. Parece que o clube está completamente alienado da conjuntura económica atual do país e do contexto desportivo em que se encontra neste momento.

Quando deveria ser o primeiro a dizer e a mostrar que o título da Primeira Liga ainda é possível, o FC Porto diz aos seus adeptos que quantos menos melhor e que não precisa de apoio.

Adeus, 12º jogador.

Foto de capa: fcporto.pt

Eduardo Berizzo e o Celta de Vigo: O bom filho a casa torna

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cab la liga espanha

Numa semana em que foi apontado como o possível sucessor de Marcelo Bielsa ao leme do Olympique Marselha para a próxima época, olhamos para o trabalho que Eduardo “Toto” Berizzo tem vindo a levar a cabo no Celta de Vigo, ao mesmo tempo que analisamos o regresso do filho pródigo a uma casa que bem conhece.

A saída de Luis Enrique para o Barcelona no passado Verão havia aparentemente deixado um vazio difícil de colmatar no Celta, mas o clube viguês encontrou em Eduardo Berizzo, um antigo jogador do clube, o homem certo para dar continuidade ao projecto a que o treinador asturiano tinha dado início na temporada passada.

Em 2012, Berizzo assumiu o comando do O’Higgins FC e orquestrou uma autêntica revolução naquele histórico clube chileno, da qual resultou a conquista do Torneo de Apertura 2013-14 (o primeiro na história do clube) e da Supercopa do Chile.

El Toto herdou um Celta altamente organizado e completamente reestruturado após a breve passagem de Luis Enrique pelos Balaídos na temporada passada. O antigo internacional espanhol pôs fim a um período de mediocridade dos celestes, colocando a equipa no top 10 da liga espanhola, e deixou ao seu sucessor a pesada responsabilidade de dar continuidade a esse trabalho, algo que muitos julgavam impossível quando o técnico asturiano chegou à equipa, em Junho de 2013.

Berizzo não só deu continuidade ao trabalho do actual timoneiro do Barcelona como também fez o Celta melhorar em diversos aspectos. A equipa galega entrou na Liga BBVA a todo o vapor, conseguindo resultados memoráveis, como uma vitória sem espinhas em Camp Nou diante do poderoso Barça, um empate a dois golos no Vicente Calderón e os três pontos no dérbi galego contra os seus eternos rivais, o Deportivo da Corunha.

Este novo super Celta, que se manteve invicto até Outubro, começou a perder força, curiosamente, após derrotar o Barcelona de Luis Enrique. Os homens de Berizzo entraram então numa série absolutamente catastrófica de resultados com oito derrotas em dez jogos, algo que colocou um ponto final na lua-de-mel do treinador argentino ao leme dos celestes.

Eduardo Berizzo, o timoneiro de um Celta rejuvenescido
Eduardo Berizzo, o timoneiro de um Celta rejuvenescido
Fonte: moiceleste.com

El Toto é, contudo, um verdadeiro guerreiro (provou-o enquanto jogador, estivesse em campo ou no banco de suplentes, de onde já orientava a equipa como se fosse um treinador experiente) e a série de maus resultados do Celta não o fez perder o entusiasmo nem a confiança nos seus jogadores. Quando os meios de comunicação começaram a gizar a sua saída de Vigo, Berizzo reuniu as tropas, sacudiu a poeira e colocou novamente o Celta na rota certa.

“Mis equipos muestran su fútbol, pelean los partidos, no se lo hacemos fácil al rival. No sólo tenemos que tratar de jugar bien, también debemos saber comportarnos dentro de un fútbol directo, con oficio, donde haya que ponerse el overol.”

Um apaixonado pelas ideias de Marcelo Bielsa (com quem trabalhou na selecção do Chile, entre 2007 e 2010), Berizzo implementou no Celta um futebol de ataque, de posse de bola efectiva e de movimentos rápidos no último terço do terreno. Baseando as suas ideias num 4-3-3 híbrido, onde os jogadores dispõem de liberdade criativa, o técnico argentino construiu uma equipa que apresenta um futebol ofensivo de elevada qualidade e que é capaz de olhar nos olhos qualquer adversário (que o digam Barcelona e Atlético Madrid, que já tombaram às mãos do clube viguês esta temporada, ou até mesmo o super Real Madrid, que passou momentos bastante difíceis nos Balaídos há duas semanas atrás).

Contando com um grupo de jogadores altamente dedicados e que rapidamente absorveram a mística do clube galego, como por exemplo Nolito, Augusto Fernández e Krohn Dehli, e recorrendo à chamada prata da casa, como são os casos de Sergio Alvárez, Hugo Mallo, Santi Mina e Álex López, Berizzo conseguiu contornar os problemas financeiros do clube viguês, criando uma equipa de guerreiros que lutam em cada jogo pelos três pontos até ao apito final.

Enquanto jogador, Berizzo viveu com o Celta momentos verdadeiramente memoráveis, pelas melhores e piores razões, fazendo parte daquela equipa liderada pelo “El Zar” Mostovoi que caiu nos quartos-de-final da Taça UEFA, às mãos do Barcelona, na temporada de 2000-01, e também daquela equipa que desceu às catacumbas da segunda divisão espanhola quatro anos mais tarde.

Aos 45 anos, Eduardo Berizzo é seguramente um dos treinadores mais talentosos a trabalhar no velho continente e, caso continue ao comando do Celta, irá certamente dirigir a equipa viguesa aos grandes palcos europeus a muito curto prazo.

Foto de Capa: Facebook da página moiceleste

Incontestável

cab premier league liga inglesa

Minuto 69. Os corações dos adeptos apertam com o perigo que o adversário acaba de criar. A vantagem está garantida, mas é mínima e, por isso, vulnerável. Se fosse outro jogo qualquer não havia problema, mas tratava-se da primeira oportunidade de a equipa conseguir recuperar um título que lhe fugia há cinco anos e que iria interromper o domínio dos mesmos de sempre. Aqueles rivais da mítica cidade que iam “trocando” o título entre si desde há quatro anos a esta parte. 1460 dias.

Ou seja, aquele remate perigoso que o adversário fez podia prolongar o calvário de 1460 noites dormidas como não-campeões, exactamente o oposto daquilo que supostamente estariam destinados a ser.

O sofrimento prolongou-se com o tempo e as oportunidades falhadas. O tempo que demorava o dobro daquilo que demoraria até então e as oportunidades que eram falhadas tanto de um lado como do outro e não definiam nada, deixavam tudo em aberto. Os batimentos cardíacos aumentavam, o fôlego desaparecia, o suor escorria e a preocupação agigantava-se. O cenário de se somarem 7 noites às 1460 passadas sem o rótulo de campeão era para lá de indesejável, perto de ser agoniante.

82 minutos, perigo ainda maior, mas o guarda-redes salva. Canto para o adversário. Minuto 89, mais um canto para o adversário. Minuto 90, outro, e o capitão cai no chão para tentar terminar com o sofrimento… mas só o prolongou. O árbitro dera 2 minutos de compensação, mas foram 5 os que se jogaram. O adversário habitava agora no meio-campo contrário e ia moendo o juízo dos sofredores, acentuando a ansiedade… até que três apitos soaram, e terminou.

Os corações bateram mais depressa, a respiração parou, o suor passava de corpo para corpo nos abraços dados nas bancadas e a preocupação dava lugar ao alívio. Esta era a primeira noite em 1461 que os adeptos do Chelsea iriam dormir como campeões.

Os pilares do sucesso por papéis – os quatro da defesa e “o” desequilibrador Fonte: Facebook do Chelsea
Os pilares do sucesso por papéis – os quatro da defesa e “o” desequilibrador
Fonte: Facebook do Chelsea

Para que isso acontecesse foi preciso sofrer e lutar muito, como só verdadeiros gladiadores seriam capazes de fazer. Podem-se apontar falhas técnicas num ou noutro jogo, algumas tácticas em outros tantos, mas será muito complicado encontrar uma vez em que a equipa se tenha “desposicionado” emocionalmente do objectivo que tinha em mente. Os blues foram sempre muito racionais e excelentes gestores de “caos”, quando esse fazia o favor de entrar num jogo. Mesmo no 5-3 contra o Tottenham a equipa soube reagir ao assomo de inspiração do adversário e deu aí uma grande prova da fibra do seu carácter.

Já tinha feito referência ao defeito que Mourinho apontou a si mesmo – estar sempre a melhorar. E está mesmo. No plano táctico, continua exímio, apesar das consequências nefastas que isso traz para a espectacularidade de um jogo, mas é sobretudo ao nível da inteligência emocional que vai dando mostras de que é o melhor do mundo, com tudo o que isso engloba. O nível de gestão das emoções, quase sempre à flor da pele em jogos tão intensos e competitivos como os do futebol inglês, é quase perfeito, percebendo-se o dedo do Special One.

O Chelsea foi a equipa mais adulta da Premier League e o facto de ter passado a época toda na liderança é sintomático disso mesmo. Dominou o campeonato do princípio ao fim e não cabe na cabeça de ninguém outro justo vencedor desta edição do campeonato inglês.

Mourinho iguala Manuel José no número de títulos e passa a fazer-lhe companhia no topo da classificação de treinadores com mais conquistas somadas. Reafirmou-se como o melhor de sempre, entre os técnicos lusos. Tornou-se o campeão incontestável, tal como o Chelsea deste ano.

Entre as promessas da direcção e as promessas do treinador

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a norte de alvalade

De vez em quando é importante fazer uma pequena revisitação ao passado, especialmente quando as  épocas caminham para o seu final. Essa é talvez a melhor forma de percebermos o que aconteceu às promessas feitas e também o que aconteceu com as nossas próprias expectativas. É dessa retrospectiva que nasce o artigo de hoje.

As promessas da direcção

A nove de Abril do ano passado, Bruno de Carvalho prometia, à saída de um jantar com o “grupo parlamentar Sportinguista”, “mexidas cirúrgicas para a próxima época“. Um tema amplamente debatido já por ocasião da primeira época ao comando dos destinos do clube e que se tem mantido entre os assuntos mais polémicos.

Ora, a promessa de “mexidas cirúrgicas” saldou-se pela aquisição de André Geraldes, Nabby Sarr, Paulo Oliveira, Rabia, Jonathan Silva, Orioll Rosel, Ryan Gauld, Slavchev, Sacko e Tanaka, num total de dez jogadores. A estes somou-se uma única incorporação de um jogador oriundo da formação, João Mário. Tobias Figueiredo é chamado já numa segunda fase, para cobrir a saída de Maurício para Itália. Nani é de outro campeonato e por isso tem parágrafo à parte.

A ideia mais comum de “mexidas cirúrgicas” acabou suplantada por uma abundante intervenção. Porém, os resultados desta enxertia de novos órgãos estiveram longe de ser felizes, sendo notória a existência de um número muito razoável de rejeições ou nulo aproveitamento.

Vejamos: se a Gauld ninguém negará o talento, pode colocar-se a utilidade da sua contratação para um plantel onde já havia Medeiros e num clube que tem que administrar o dinheiro ao cêntimo. Mas, enfim, jogadores de talento têm sempre lugar e não podem ser considerados inutilidades ou muito menos maus investimentos. Ao central francês podemos juntar Rábia, Slavchev Sacko, que desperdiçaram todas as oportunidades concedidas para justificar a preferência. Geraldes não se percebe, e o exotismo de Tanaka não se traduz na qualidade que é exigível.

Mas mais importante parece-me a constatação de que, para um grande número de jogadores chegados o ano passado, já cá havia jogadores melhor habilitados para o desempenho das mesmas funções. As comparações foram feitas já várias vezes ao longo da época, pelo que é fastidioso repeti-las (André Geraldes/Esgaio/Cédric/Miguel Lopes – Sarr, Rabia/Tobias, Semedo, Reis – Slavchev/Wallyson, Sacko/Chaby, Podence, Martins, só para falar nos mais óbvios).

Paradoxalmente a direcção haveria de realizar de forma surpreendente aquilo que se pode considerar uma cirurgia de elevado acerto: Nani. O que é difícil de perceber aqui é o critério. Obviamente que não temos possibilidade de contratar jogadores de valia semelhante para a defesa, meio-campo e ataque. Mas parece acima de discussão que o critério que prevaleceu foi a da quantidade e não o da qualidade. Acontece que a segunda é indispensável para cumprir as promessas de “lutar pelo título” de podermos partir na tão famigerada “pole position“. Quer uma quer outra estiveram sempre muito longe de poder suceder.

Marco Silva fez algumas promessas do início do campeonato Fonte: Sporting CP
Marco Silva fez algumas promessas do início do campeonato
Fonte: Sporting CP

As promessas de Marco Silva

No dia da sua apresentação, Marco Silva proferiu uma afirmação que subentendia uma ideia base para o futebol que queria que a equipa praticasse:

«O Sporting tem de dominar os jogos, comandar em posse, procurar o golo sistematicamente. Ser uma equipa equilibrada mas ambiciosa, a querer vencer todos os jogos».

Não deixando de ser uma ideia genérica, também não deixava de ser apelativa, antes pelo contrário. Porém a sua colocação em prática teve vários engulhos, o que redundou em perda de pontos numa fase muito precoce da prova. Cedo se conseguiu vislumbrar que as dificuldades pela frente iam ser muitas, o que foi possível constatar ao fim de quatro jornadas.

No que diz respeito ao trabalho específico do treinador pode considerar-se como atenuante o facto de, pelo menos em hipótese, não estarem ainda devidamente interiorizadas as ideias preconizadas. No entanto, sem desculpas, a falha principal residiu sobretudo no equilíbrio. 

Geralmente a equipa, nos jogos domésticos, foi quase sempre ambiciosa, procurou dominar em posse e foi uma equipa com tendência atacante. No entanto aponto três falhas cruciais que contribuíram para resultados comprometedores:

1 – Sobretudo nas primeiras jornadas vimos uma equipa a subir no terreno, procurando pressionar alto e reduzir os espaços, sem contudo conseguir controlar o espaço sobrante nas suas costas. Tal falha deveu-se em grande parte à (i) qualidade dos intervenientes (Maurício e Sarr, sobretudo) e deficiente leitura de jogo que lhes permitisse antecipar os movimentos dos adversários, mas também (ii) às suas características, que os deixava em desvantagem em relação aos adversários mais velozes. Um treinador tem de perceber as limitações dos seus jogadores, de forma a, ao invés de as expor, lhes potenciar as qualidades.

Essa proposta parece ter sido progressivamente abandonada por Marco Silva, sendo notório nos últimos jogos uma linha mais descida. Esta mudança, conjugada com o facto de qualquer um dos defesas centrais actuais ser melhor do ponto de vista técnico, contribuiu para estabilizar o sector. Valha a verdade que ter que jogar com oito duplas de centrais diferentes deve ter constituído um sério obstáculo à consolidação de processos.

2 – Várias foram as vezes em que a equipa ficava desequilibrada e não sabia responder de forma adequada ao momento da perda da posse de bola. É verdade que o recomeço de William chegou a ser penoso, registando erros comprometedores e pouco habituais nele. A isto somaria muitos erros de Adrien em posse e de posicionamento. Aqui convém salientar que, com Marco Silva, a sua área de intervenção se alargou, o que não estou certo de que esteja de acordo com o que ele pode dar. 

3 – Várias vezes se falou na falta de jogo interior. Neste aspecto há que conceder que nenhuma equipa em Portugal tem o seu jogo atacante tão bem estruturado e é tão eficaz como o SLB. Por exemplo, quem tiver presente o primeiro golo deles no último jogo (Gil Vicente) percebe o que tento dizer. É nesse sentido que deveria crescer o nosso processo ofensivo, e isso depende muito do trabalho do treinador, da operacionalização do treino mas também muito da qualidade e talento individual dos jogadores. Ambas as condicionantes deveriam crescer para o Sporting poder estar à altura das suas ambições.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

Jogo Interior #10 – O líder faz-se ou o líder nasce?

jogo interior

A partir da compreensão de que só é possível extrair e disponibilizar o potencial de um atleta havendo um relacionamento primeiramente humano e social, antes de profissional, táctico ou estratégico, o líder vive de todos os compromissos emocionais que assume com ele próprio e com os seus liderados. A base da sua liderança configura-se, na minha opinião, através do seu empenho e eficiência em facilitar o desenvolvimento dos seus atletas, de forma que eles sintam que o seu desempenho e evolução é efectivo.

“Quando o líder efectivo dá o seu trabalho por terminado, as pessoas dizem que tudo aconteceu naturalmente.” Lao Tsé

Tal como refere Jorge Araújo, “o acto de liderar, na actualidade, implica que a autoridade de quem dirige, mais do que imposta, seja reconhecida. Mais do que um conceito abstracto, pressupõe determinadas atitudes e comportamentos ao serviço de um trabalho de equipa.” Ao líder são exigidas flexibilidade e criatividade que induzam nos seus colaboradores a capacidade de gerirem o inesperado, sempre presente na realidade complexa e turbulenta que nos rodeia.

A Liderança em si é transversal. Existe no nosso dia-a-dia. No nosso quotidiano, no nosso trabalho, na nossa família. Num contexto colectivo desportivo tem umas características especiais. Uma das características é a competição. Embora a competição também seja transversal em diversas dimensões da nossa vida, a competição desportiva encerra um conjunto de vectores que lhe transfere uma certa especialidade. A competição mexe com emoções, com valores éticos, com moral, com o Ego. Não consigo conceber um líder que não lidere com alma. Um líder que não entregue a sua capacidade de servir e não se coloque plenamente disponível para os seus liderados. Um líder que vai à frente a desbastar as silvas, a desbravar o caminho, é um líder que, através do seu exemplo, desenvolverá novos líderes no seu grupo. A partilha, a dedicação e o altruísmo são algumas características demonstradoras da sua excelência.

O líder com alma Pensa, Age e Comunica a partir do centro do seu Ser. Comunica de dentro para fora. Percebe, sabe e transmite primeiro o “Porquê” da sua mensagem, seguido do “Como” e por final de “O Quê”, como forma de demonstrar significado e propósito. Esta forma de Pensar, Agir e Comunicar incute compromisso (“engagement”), força (“empowerment”) e motivação (“drive”). “Um líder está orientado para a acção. Só através da acção é que é possível materializar uma visão. Mas a visão e a acção devem ser compatíveis; para que isso aconteça, é necessário competência. Essa competência adquire-se à medida que se vai avançando, estimulando aqueles que nos rodeiam e recrutando-os para a nossa missão.” Este recrutamento tem a sua origem nos tais “engagement”, “empowerment” e “drive”. Esta acção compatível com a visão vem da alma do líder. E a alma do líder floresce do seu próprio autoconhecimento. Um líder que lidera com alma é um especialista do seu próprio Ser.

A alma do líder é uma força poderosa e uma incontornável mais-valia, principalmente para os liderados. A possibilidade de usar a alma como centro de decisões é inata. Somente o aumentado autoconhecimento do líder lhe permite explorar uma “ferramenta” natural esquecida por muitos, no sentido de auxiliar a satisfação das necessidades dos liderados, nomeadamente os que trabalham em equipa. A presença de espírito do líder permite aos liderados ir aonde poucos foram e alcançar o que poucos alcançaram. Se partilhar desta forma de pensar, agir e comunicar estará muito à frente da maioria dos líderes porque percebeu o poder oculto das ligações emocionais e do valor da consciência expandida.

O desafio neste momento é tornar as suas acções o mais eficazes possível. Cada vez que nos dirigimos a uma equipa comprovamos o que Italo Magni, um orador premiado, disse em tempos: «Se falarmos com a cabeça, estaremos a falar-lhes à cabeça. Se falarmos com o coração, estaremos a falar-lhes ao coração. Se falarmos com a vida, iremos tocar as vidas deles».

Diego Simeone Fonte: Facebook de Diego Simeone
Diego Simeone
Fonte: Facebook de Diego Simeone

Do ponto de vista do líder e da sua forma de pensar, agir e comunicar, ele tem uma clara percepção de que liderar com alma é o melhor caminho, e de que é preciso ter liderados que façam parte da organização, grupo ou equipa, não porque querem isso, ou precisem ou gostem disso, mas porque acreditam no que o líder acredita. Obviamente acreditar no mesmo implica gostar disso e ter um sentimento de pertença em relação a isso. Um líder que lidera com alma é decisivo no grupo do qual faz parte porque lhe molda a cultura, lhe confere a visão, solidifica as relações emocionais entre os membros, produz o ambiente desafiador – a ambição que faz membros funcionar nos limites ou até ultrapassá-los.

É o promotor constante de uma visão galvanizadora, de um projecto que escreve a história de cada um dos elementos do grupo. A vontade de mudar a história, o rumo dos acontecimentos, de forma brutal – de se tornar imortal – é o combustível para a vida de um líder com alma. Esta narrativa parece um pouco romântica e até utópica mas mesmo quando Galileu disse ao mundo que a Terra é que girava à volta do Sol a maioria condenou-o pela radicalidade da sua afirmação pois a resistência à mudança é uma força negativa para a evolução e para o crescimento.

Neste momento alguns leitores podem pensar: “Mas eu sou apenas um treinador vulgar de uma equipa de miúdos de 12 anos…”. E daí? Qual é o problema? Na minha perspectiva não existe problema nenhum e só nos traz ganhos este tipo de aprendizagem. Porque não aprender com os melhores, perceber o que eles fazem, adaptar a nós e experimentar em nós, parar, observar e reflectir acerca dessas práticas? Ser um líder não é ser Deus. Não é algo inatingível. Algumas características são inatas e alguns já nascem com elas, outros têm de trabalhar e esforçar-se um pouco mais. Outras características são desenvolvidas, a partir do autoconhecimento. Mourinho sabe disso. Guardiola, idem. Phil Jackson sabia disso. Ferguson também.

É simplesmente impossível alguém se tornar um bom líder sem ser um bom comunicador. E isto não significa ser um bom conversador – é uma grande diferença. A chave para se tornar um comunicador hábil raramente é encontrada naquilo que é ensinado na formação, na escola e mesmo na educação obtida pelos nossos pais. Desde os nossos primeiros dias na sala de aula somos treinados para nos concentrarmos na pronunciação, no vocabulário, na presença, no léxico, na gramática, na sintaxe e afins. Por outras palavras, somos ensinados a concentrarmo-nos em nós mesmos. Sem querer menosprezar todas estas coisas, que são bastante importantes para a nossa aprendizagem, são os elementos mais subtis da comunicação que raramente são ensinados em sala de aula (os elementos que interferem noutros) que os líderes procuram aprender.

Então em que é que ficamos?

O verdadeiro líder é aquele que aponta o caminho. Aquele que traz consigo uma confiança brutal que ilumina com um foco potente. É aquele que inspira uma visão partilhada, entendida no seu grupo e comprometida com ele, e que desafia o que está estabelecido constantemente. Ele permite que quem está ao seu redor aja e demonstre as suas ideias, discutindo assertivamente, alinhando-as com os valores e princípios do grupo. O líder desenvolve e incentiva a coragem nos seus liderados.

Todas estas capacidades são inatas, ou seja, nascem connosco, ou são passíveis de ser aprendidas e desenvolvidas? Acho que são as duas coisas, embora todas as pessoas sejam diferentes e não possam funcionar através de “receitas”. O que é para um pode não ser para outro, e cada um de nós tem o dever de fazer desenvolver a sua liderança para crescer por dentro e fazer crescer os outros à sua volta. Ao líder são requeridas flexibilidade e criatividade que inspirem nos seus colaboradores a habilidade de gerirem o imprevisível, constantemente presente na realidade complexa e buliçosa que nos circunda. E tudo é possível adquirir de uma forma ou de outra, tendo nada à nascença ou tendo muito…

“O desafio da liderança é ser forte mas não rude; ser bondoso mas não fraco; ser ousado mas não agressivo; ser atencioso mas não preguiçoso; ser humilde mas não tímido; ser orgulhoso mas não arrogante; ter humor mas sem loucura.”, Jim Rohn

Bibliografia

“Liderança: Reflexões sobre uma experiência profissional” – Jorge Araújo

“Como Ser Um Treinador de Excelência” – Alcino Rodrigues

“A Alma do Líder” – Deepak Chopra

 

Foto de capa: John Tlumacki

Parabéns, Coli… Benfica!

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atodososdesportistas

O campeonato ainda não acabou e, num passado recente, fomos habituados pelo grande Vítor Pereira a tirar o “pão da boca” ao Benfica precisamente a partir desta ponta final. Mas Vítor Pereira ganhava os clássicos (nunca perdeu um para o campeonato), coisa que parece ser o “tendão de Aquiles” de Lopetegui – só dizimou o Sporting no Dragão.

Posto isto, como reconhecedor do mérito que é ganhar uma “maratona” como é um campeonato, venho por este meio parabenizar o Benfica por este quase “mito” que é ganhar um bi-campeonato para os lados de Lisboa, coisa que no Porto tem sido tão normal como comer uma francesinha ao domingo. Mas este campeonato é ganho devido a dois grandes “pilares”: JJ e #colinho. Depois de, na época passada, a determinada altura, eu ter escrito na página da Comunidade deste mesmo site que o Benfica era a melhor equipa a jogar futebol no Mundo, este ano tenho que dizer que o que vão ganhar é fruto da magia de um dos melhores treinadores de futebol do Mundo e de umas ajudas que fazem deste um dos campeonatos mais adulterados da história do futebol português.

Um Benfica que perdeu o “11” base da época passada, em condições normais, seria como o Porto “pós Mourinho” – quase impossível de se sagrar campeão. Mas aí entrou a mestria e astúcia de JJ, e com “peaners” construiu uma equipa… sem equipa. Fez de Jardel um senhor (em quem vejo muito mais qualidade do que em Luisão, desde há algum tempo!), de Pizzi um novo “8”, conseguiu extrair de Jonas o instinto goleador e ainda ter toda a magia dos magos Gaítan e principalmente Sálvio. Mas essa astúcia, em condições normais, valia-lhe um 2.º lugar a léguas daquela que é a melhor equipa em Portugal de momento: Porto.

O FC Porto foi a melhor equipa deste campeonato Fonte: FC Porto
O FC Porto foi a melhor equipa deste campeonato
Fonte: FC Porto

Mas aí entrou o segundo “pilar” deste benfica: o #colinho. Não sou de me queixar ou desculpar com arbitragens (vejam o meu texto do título da época passada, onde critiquei veementemente a gestão do Porto e prestei imensos elogios ao Benfica) mas este ano foi por demais. Antes do campeonato começar, já se sabia no seio da FPF que se queria um Benfica campeão. Não foi um erro, dois, três… Todos, repito, TODOS os jogos em que o Benfica ganhou com dificuldade ou empatou (que não foram muitos, mas os suficientes) tiveram ajudas altamente vincadas dos trios de arbitragem (para não falar de jogos em que golearam mas que começaram com certos escândalos, como o dos 5 ao Setúbal, a título de exemplo).

A isto juntam-se a mais de metade de campeonato que os vermelhos acabaram a jogar com mais jogadores que o adversário, as entradas “catedrais” a que já nos habituamos e que deixam os jogadores que vestem Benfica em campo (lembre-se Gaítan e Fesja no último clássico, ou Maxi em quase todos os jogos…) e os foras-de-jogo “de 3 pontos” que já valeram preciosos pontos… Só por alto, este campeonato está “forjado” com pelo menos 10 pontos a mais para a equipa de JJ.

Não escrevo isto com azia ou com a pretensão de tirar o mérito a JJ (o único a quem pode ser atribuído mérito este ano); escrevo apenas porque os “arautos da verdade”, liderados pelos papagaio João Gabriel e Rui Gomes da Silva, gostam de mencionar coisas do passado já julgadas em tribunal e até algumas não comprovadas. Com este campeonato perderam a pouca moral (embora pensem que tenham muita) que já tinham para falar de arbitragens num futuro a médio prazo. Ah, e pelo meio, se possível, ganhem coisas a nível internacional, para comprovarem, como o Porto fez, que é mesmo o melhor a nível nacional.

Não posso apontar o dedo ao meu clube. Sem fazer uma época de sonho como no ano de Villas-Boas e com um dos melhores planteis da sua história mas com jogadores que vieram de realidades diferentes, a verdade é que o conjunto de Lopetegui fez uma época “normal” e mais do que suficiente para se sagrar campeão nacional. Os motivos acima expostos explicam o que impediu (ou vai impedir) tal coisa.

Com um Jorge Jesus mais maduro, este ano tenho 99,9% de certeza de que o Benfica não irá facilitar nestas últimas rondas (veja-se o grande jogo que os vermelhos fizeram na casa do Gil Vicente – onde, pelo sim pelo não, estava o curioso Capela para “segurar” a coisa, caso fosse preciso) e o bi-campeonato (que já tanto vi vir para as Antas ou Dragão) irá para a Luz. Sem vergonha ou azia, mas com um sentimento de uma grande impureza e injustiça, ainda assim… PARABÉNS, BENFICA.

PS: Escusa o leitor de vir com a lengalenga do “vai ao youtube”; “um portista falar de arbitragens”, etc., que o meu texto refere-se a este ano e somente isso. Falar sobre coisas que, não provadas, já julgadas e com pena cumprida ou apenas “mitos”, é coisa que não me assiste e com a qual não me dou ao trabalho de perder tempo.

Foto de Capa: FC Porto