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Quando o Maracanã era o ex-libris do Brasil

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Sim, decerto que o leitor compreendeu bem o título. Não querendo que o mesmo se transforme em blasfémia, vou, por ora, explicar o porquê de tal adjetivação.

Por falar em adjetivos, importa referir o porquê de o estádio se ter assim chamado. É que naquela zona da cidade do Rio de Janeiro habitavam muitos passarinhos, que os índios, outrora, chamaram maracanãs-guaçu, devido ao intenso barulho que faziam com as asas, fazendo lembrar um constante chocalho.

A construção do recinto começou em 1948. Mas antes houve vários retrocessos no projeto. Relembre-se que o Brasil já sabia que iria organizar o primeiro Mundial do pós-guerra. Era preciso dotar a capital – Brasília ainda nem sequer era sonhada – de um grande estádio. Muitos criticaram o projeto, concebido inicialmente para albergar cerca de 150 mil almas. Os mais céticos consideravam esta uma estrutura faraónica, impossível de sair do papel, mesmo pelos arquitetos e engenheiros mais megalómanos. Mas o que é certo é que, dois anos depois, com a ajuda de apenas 1500 trabalhadores (a que se vieram juntar mais 2000 nos meses finais), o Maracanã ficou pronto. Ressalve-se que, depois disso, levou várias obras de melhoramento, mas estava pronto para receber a Copa que se avizinhava. O Maracanã era, oficialmente, o maior recinto desportivo do mundo.

Por certo, o mais atento leitor também já deve ter reparado que o Estádio do Maracanã tem o nome oficial do Jornalista Mário Filho. Nada melhor do que homenagear um dos grandes defensores do projeto de papel para a realidade e igualmente um dos melhores homens da imprensa e das letras brasileiras do século XX.

Tudo estava pronto. A inauguração aconteceu ainda em junho, dia 16, de 1950. Seleções carioca e paulista jogaram entre si, e a sorte sorriu aos visitantes: 3-1 foi o placard final. Mas o melhor (ou pior) ainda estava para vir. No Mundial, os canarinhos jogaram cinco de seis partidas naquele anfiteatro – à época, havia muito menos estádios e também menos possibilidades de viagem. O primeiro jogo deu 4-0 para o Brasil sobre o México. Mas não foi nem esse nem os outros três que ficaram mais conhecidos. Quando os brasileiros precisavam apenas de um empate para se sagrarem (pela primeira vez) campeões do mundo, eis que o Uruguai venceu 2-1. Ainda por cima a perder por 1-0 quase até ao fim. Duzentas mil pessoas – sim, leu bem – o maior público de sempre no querido Maraca, viram um desastre a que os bicampeões do mundo uruguaios chamariam Maracanazo. A lenda duraria. Mas o Brasil aprendeu a lição. Nunca mais jogou de branco e a partir daí tornou-se a seleção mais titulada em Mundiais. Superstições.

A primeira página do jornal “Mundo Esportivo”, aquando da derrota em 1950 Fonte: impedimento.org
A primeira página do jornal “Mundo Esportivo”, aquando da derrota em 1950
Fonte: impedimento.org

As décadas seguintes seriam do Botafogo de Garrincha, do Fluminense de Rivelino, e depois do Flamengo de Zico, o melhor artilheiro (ainda) daquele estádio. O Vasco da Gama também ganhou muitos triunfos com Roberto Dinamite ao comando. O estádio Jornalista Mário Filho voltou a receber o Mundial, em 2014. Agora com obras e uma redução para 78 mil lugares. Já não tem aquela magia e encanto. Com dois anéis e um peão. O célebre peão, onde as pessoas, como o nome indica, ficavam de pé. Onde se vê a alegria dos anos 70 e 80. Era menos confortável. Mas todos podiam ver o jogo. Talvez ferido no orgulho, o Maraca nem se dignou a receber o Brasil na final. Porventura já estivesse à espera de outro Maracanazo. Aconteceu algo bem pior em terras mineiras. Mas é melhor nem lembrar. Para o ano, o Maracanã será o palco principal do futebol nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Será agora que a seleção do Brasil quebrará o enguiço de não vencer uma medalha de ouro nas Olimpíadas? O Maracanã lá estará para responder, sempre alegre e sorridente, pensando: “tens uma dívida para me saldar. Já lá vão mais de 60 anos. E que tal se for agora?”.

Foto de Capa: culturaeviagem.wordpress.com

É humano

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cab premier league liga inglesa

A desilusão é um lugar comum ao ser humano. É quase inevitável lidarmos com ela ao longo da vida, especialmente se fomos criados com a segurança de que o mundo estaria desinfectado de ganância e egoísmo. Elas existem porque o ser humano existe, e, por muito que se confie numa pessoa, ela quererá, muitas das vezes, aquilo que melhor serve os seus interesses e não os de quem lhe é próximo ou os da instituição que representa.

Porque a competitividade é algo que também assiste à natureza humana. É por isso que encaramos actos de bondade com desconfiança e vemos como “pretextos” grande parte dos elogios que nos fazem. Tem de haver um interesse por trás, porque é assim que o mundo funciona, cada vez se quer saber menos dos outros e mais de si.

Isso vem à tona quando “se perde a cabeça”, quando se deixa cair a carapaça social que reveste o animal de índole egoísta que habita dentro de nós. Aí passam a conhecer-se as intenções, a índole e a vontade de cada um de nós. É raro deixarmo-nos desproteger dessa maneira porque fomos educados no sentido de travar instintos animalescos, mas às vezes deixamo-nos ficar mal e cometemos erros que mancham a nossa reputação e podem mesmo ferir a das entidades que representamos.

Assim aconteceu com Steven Gerrard e o seu Liverpool no último jogo dos reds. O eterno capitão do eterno emblema da cidade dos Beatles entrou ao intervalo do jogo contra o rival Manchester United para substituir Adam Lallana e depois de ter dado o pontapé de saída e conseguir mostrar, nos primeiros seis toques que deu na bola, que vinha emprestar uma dinâmica diferente ao jogo, entrou de forma descabida sobre Juan Mata e, instantes depois, pisou, sem dó nem piedade, o tornozelo de Ander Herrera numa reacção intempestiva a um carrinho do adversário.

O resultado não podia ser outro: cartão vermelho. 48 segundos depois de ter entrado em campo, com a equipa a perder por 1-0 e com 45 minutos pela frente, o capitão, o líder incontestável do balneário do Liverpool, o jogador em quem os adeptos mais confiam, a reputação de figura respeitável que se estende muito além do clube, do país e do continente onde joga cometera um erro infantil, digno de uma pessoa guiada por instintos e sem racionalidade.

Os seus companheiros de equipa deram uma excelente resposta, conseguindo disputar a segunda parte do encontro com um dos maiores rivais de sempre de “igual para igual”. É certo que ficaram meio abalados com a expulsão do capitão e líder da equipa e consentiram o 2-0 passados seis minutos de ficarem em desvantagem numérica. Mas a equipa partiu para cima do rival em busca de, pelo menos, um ponto e ainda conseguiu reduzir e obrigar os red devils a suar para garantirem mais uma vitória…

Quão relevantes teriam sido os golos de Juan Mata, ontem, caso Gerrard não tivesse sido expulso? Fonte: Facebook do Manchester United
Quão relevantes teriam sido os golos de Juan Mata, ontem, caso Gerrard não tivesse sido expulso?
Fonte: Facebook do Manchester United

… que é bem mais que isso. É o cavar de um fosso pontual para a concorrência, liderada, precisamente, pelo Liverpool na luta por um lugar na Champions do próximo ano. Agora os reds estão a cinco pontos do rival, a seis do acesso directo à liga milionária e a 10 do líder Chelsea (que tem um jogo a menos).

O Liverpool vinha a evidenciar sinais de retoma de um início de temporada difícil até este encontro, tendo, inclusivamente, batido o campeão Manchester City em Anfield Road e o Southampton no dificílimo Saint Mary’s. Curiosamente, durante o período em que superou estes duros obstáculos, Steven Gerrard não esteve presente, por lesão.

O capitão voltou a ter disponibilidade, mas Joe Allen, o seu subtituto, tem vindo a exibir-se de forma irrepreensível na sua substituição, destacando-se sobretudo no capítulo do passe na primeira fase de construção dos reds, altura do jogo em que o Liverpool tem sentido muitos problemas esta época, e o lugar cativo de Gerrard no onze parece estar a expirar 14 anos depois.

Deve ser frustante sentir a força do tempo a abater-se sobre as capacidades de um jogador (e ele tê-las-à sentido, de outra forma não teria assinado contrato com os LA Galaxy, em vigor a partir do Verão, rumando a uma liga menos competitiva que a inglesa), ainda para mais num tão influente como Gerrard. Mas isso não devia fazer dele o jogador intempestivo que nunca foi e que em 497 jogos apenas foi expulso por 6 vezes.

A carapaça social e profissional caiu, e o jogador respeitável foi, por 2 segundos, um humano guiado por um ego ferido e sem controlo das emoções. Deixou os adeptos, que tantas vezes alegrara e que tanta esperança nele ainda depositam, desiludidos por, momentaneamente, não terem no seu capitão a tal figura imperturbável que sempre os representara. Afinal, Gerrard é também humano.

Foto de Capa: Facebook do Liverpool

‘Podcast’ Bola na Rede – 84.º Programa

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O Podcast ‘Bola na Rede’ com as explicações para os desaires de Benfica e FC Porto. Toda a jornada analisada por Francisco Manuel Reis (FCP), Francisco Vaz Miranda (SLB) e João Almeida Rosa. Mário Cagica Oliveira está na moderação.

Bola na Rede – 84.º Programa by Bola Na Rede on Mixcloud

Os pecados de Jesus

cabeçalho benfica

«O empate é um resultado que pode deixar os adeptos algo desiludidos. Mas eu, como treinador, já perdi muitos jogos porque jogando ao ataque e a outra equipa em contra-ataque marca e ganha. (…) Podíamos não ganhar, mas era muito importante não perder. Esta é uma ideia que, no futuro, devemos de ter presente.» Giovanni Trapattoni, treinador italiano campeão pelo Benfica em 2004/05.

Não é por acaso que começo o texto com uma citação de um dos mais titulados treinadores da história do futebol. Trapattoni, pese embora todo o pragmatismo que lhe é reconhecido, é um vencedor. Conhece o futebol como poucos e está habituado à pressão de vencer. Ganhou diversos títulos e calou críticos pelo mundo fora. Está-se nas tintas para o futebol espetáculo e sempre foi muito criterioso na busca pelo resultado que queria (ou que lhe fosse possível alcançar).

Apontem-lhe todos os defeitos que quiserem, mas nunca lhe retirem o mérito de saber ler um jogo. Uma característica ao alcance de poucos e que tem escapado a Jorge Jesus, desde que pegou na equipa do Benfica. Apesar de apresentar um futebol espectacular e vistoso, a formação encarnada continua a pecar em pormenores. Ligeiros detalhes que, numa primeira instância, parecem não fazer a diferença, mas que, no fim das contas, acabam por ser decisivos para as grandes decisões.

Falta de pragmatismo

Ao contrário de ‘Trap’, Jesus é incapaz de não arriscar. Uma característica que é altamente prejudicial para um treinador de uma equipa que procura títulos de forma consistente. Jesus é um extraordinário treinador que consegue tirar o melhor partido de cada jogador, mas releva ainda uma enormíssima lacuna na leitura pragmática dos jogos. Bastará, para isso, olhar para as derrotas do Benfica nesta temporada. Para além do merecido desaire em Braga, Jesus perdeu mais dois jogos no campeonato, frente a Paços de Ferreira e Rio Ave. Em ambos os jogos, esteve mais próximo de empatar do que perder. E em ambos os jogos, foi derrotado nos instantes finais.

Em Paços de Ferreira, Jesus podia ter conseguido o empate. Mas preferiu arriscar a vitória num panorama que não lhe era favorável. Via-se que os jogadores estavam desmotivados, que os processos de jogo teimavam em não aparecer e que parecia difícil chegar ao golo. O treinador do Benfica leu mal o jogo e acabou por sair derrotado. Podia ter 1 ponto, mas acabou por sair sem nenhum.

Em Vila do Conde, a história repetiu-se. Jesus teve o jogo na mão, quis controlar e dilatar a vantagem e acabou por sair pela terceira vez na temporada sem qualquer ponto no bolso. Depois da expulsão de Luisão (85’), não quis apenas agarrar o empate. Voltou a tentar vencer um jogo que já estava condenado ao fracasso. Resultado: o mesmo do que em Paços de Ferreira. Podia ter 1 ponto, mas acabou por sair sem nenhum.

Pode parecer pouca coisa, mas não é. Revela muita da ambição desmedida de Jesus. Ninguém me saberá dar razão, mas eu mantenho aqui a aposta de que se Jesus tivesse um pouco da mentalidade de Trapattoni para estes momentos, nunca perderia nenhum dos dois jogos.

"Jesus não sabe reagir à adversidade. Qualquer adepto do Benfica já percebeu que não há um ‘plano B’ no esquema do técnico encarnado" Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
“Jesus não sabe reagir à adversidade. Qualquer adepto do Benfica já percebeu que não há um ‘plano B’ no esquema do técnico encarnado”
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Dificuldades para ler um jogo

Jesus não sabe reagir à adversidade. Qualquer adepto do Benfica já percebeu que não há um ‘plano B’ no esquema do técnico encarnado. Aliás, até há, mas é ineficaz. Sempre que está em desvantagem ou que procura um golo (tome-se como exemplo o jogo em Paços de Ferreira – saída de Samaris e entrada de Derley e de Braga – saída também do grego para a entrada de Jonas) Jesus tira um elemento do meio-campo – por norma, o trinco – e coloca mais um avançado em jogo. Fica, portanto, com três jogadores na frente de ataque (apoiados por dois extremos) e UM jogador no meio-campo. Sim, UM JOGADOR para recuperar bolas, fazer transições entre a defesa e o ataque e ser o principal (e único) responsável pelo equilíbrio da equipa. Certamente que não sou ninguém para ensinar o que quer que seja a Jesus acerca de tática, mas parece-me lógico que a colocação de mais elementos na frente de ataque não implica maior perigo na defesa adversária. Com esta habitual mudança, apenas consegue desequilibrar a equipa e permitir que o adversário tenha maior facilidade para dominar o meio-campo e fazer mais transições rápidas em contra-ataque. Perdeu assim em Paços. Já perdeu assim no passado. E vai continuar a perder no futuro, se continuar a fazê-lo.

Incapaz de lidar com a pressão

Não é de hoje. Jesus não consegue lidar com a pressão. É incapaz de controlar a ansiedade de vencer e isso não se vê apenas nos jogos. Percebe-se também através da comunicação. Jesus começa a acusar a pressão quando não se sente confortável com alguma situação mais problemática. O facto de não conseguir admitir fracassos e/ou erros revela insegurança. Veja-se, por exemplo, o caso recorrente de fingir despreocupação com a aproximação do FC Porto na tabela classificativa, usando o já habitual argumento de que “quem está em primeiro é o Benfica”. Não precisarei de ajudar muito os adeptos do Benfica a fazerem uma viagem no tempo nos dois campeonatos consecutivos perdidos com vantagens de 4 e 5 pontos a poucos jogos do fim. Jesus foi desvalorizando a aproximação do FC Porto e depois acabou por ser ultrapassado. Esta é a maneira que encontra para disfarçar receios e medos que estão à vista de todos. Todos sabemos que Jesus está com medo. Que estes 3 pontos de vantagem lhe estão a tirar o sono. Mas claro que isto ele nunca vai admitir.

Por tudo isto, Jesus, peço-te, que me deixes dirigir a ti, neste último parágrafo: O que te resta agora? Experimenta deixar a arrogância de lado e ser um pouco mais racional. Percebe que até o mais ínfimo detalhe faz a diferença numa prova de regularidade. Estás, constantemente, a perder o controlo nos jogos fora de casa. Se não dá para ganhares o jogo, pelo menos, tenta não o perder. Se tivesses aceitado o empate em Paços e em Vila do Conde, terias agora 5 pontos de vantagem para o FC Porto. Não te condeno a ambição, mas peço-te mais racionalidade. Afinal, não é por acaso que já deixaste escapar dois campeonatos devido a pequenos pormenores… Mas eu sei que um dia vais deixar de ser teimoso. Ainda vais a tempo…

Olheiro BnR: Raphael Guzzo

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O facto de o Sporting ser a equipa dos chamados “três grandes” que melhor aproveita a sua formação está longe de significar que Benfica e FC Porto não apresentem também inúmeras pérolas, a quem, na maior parte das vezes, apenas falta espaço para provarem que poderiam ter impacto nas respectivas equipas seniores.

De qualquer maneira, Luís Filipe Vieira prometeu recentemente que esse paradigma iria mudar no Benfica, e se a entrada a espaços de Gonçalo Guedes nas contas de Jorge Jesus parece ser a confirmação das palavras do presidente encarnado, é igualmente certo que existem muitos outros jogadores a lutarem pela mesma oportunidade, sendo um claro exemplo o do médio-centro Raphael Guzzo, que vai evoluindo, por empréstimo, no líder da Segunda Liga, o Desportivo de Chaves.

Brasileiro de nascimento, português de coração

Raphael Gregório Guzzo nasceu a 6 de Janeiro de 1995 em São Paulo, Brasil, mas cedo rumou para Portugal, tendo sempre actuado nas selecções jovens lusas, pelas quais soma 52 internacionalizações e quatro golos. Aliás, recentemente, o jovem de 20 anos confessou mesmo que recusou um convite para representar a selecção canarinha de sub-20, preferindo continuar a jogar pelo país que cedo o acolheu.

Quanto à sua carreira clubística, essa começou no Flaviense, tendo depois Raphael Guzzo saltado para o Desportivo de Chaves, emblema que representou até 2008, ano em que se mudou para o Benfica, clube ao qual está vinculado até ao momento e pelo qual já representou as equipas de iniciados, juvenis, juniores e seniores (ao nível da equipa B).

Raphael Guzzo nasceu no Brasil, mas é internacional pelas camadas jovens portuguesas Fonte: Facebook Oficial de Raphael Guzzo
Raphael Guzzo nasceu no Brasil, mas é internacional pelas camadas jovens portuguesas
Fonte: Facebook Oficial de Raphael Guzzo

Estreou-se na Segunda Liga aos 18 anos

Raphael Guzzo estreou-se na Segunda Liga, ao serviço da equipa B do Benfica, no dia em que completou 18 anos, ou seja, a 6 de Janeiro de 2013, num duelo diante do Santa Clara (1-1), nos Açores. Aliás, nessa mesma temporada de 2012/13, o internacional sub-20 português haveria de somar ainda mais 12 jogos pela equipa secundária das águias.

Ainda assim, em 2013/14, naquele que era o segundo ano de júnior, o Benfica entendeu por bem que Raphael Guzzo evoluísse em exclusivo na equipa de juniores e, na actual temporada, optou por cedê-lo ao Desportivo de Chaves, clube que lidera a Segunda Liga e onde o jovem médio-centro tem sido peça fundamental, somando 29 jogos e seis golos.

Talento e classe no meio-campo

Raphael Guzzo pode fazer todas as posições do meio-campo central, mas a posição onde consegue apresentar maior produtividade é a “oito”/”box-to-box“, que parece talhada para o estilo de jogo do internacional sub-20 português, marcado pela inteligência posicional, evoluída visão de jogo, excelente técnica individual e boa capacidade de passe.

Muito dinâmico e fortíssimo nas transições, há ainda outro aspecto que rapidamente salta à vista no futebol do jovem luso-brasileiro e que passa pela enorme classe com que se passeia pelos relvados, algo que não invalida, que, ao mesmo tempo, consiga apresentar uma inata capacidade de trabalho que lhe permite ser forte na marcação e na rápida recuperação do esférico.

Inegável, acima de tudo, é que o Benfica tem em Raphael Guzzo um futebolista que poderá vir a trazer-lhe grandes mais-valias desportivas e financeiras. Haja coragem em apostar nele.

 Foto de Capa: Facebook Oficial de Raphael Guzzo

Sporting 4-1 Vit. Guimarães: Como tornar fácil um jogo difícil

O Sexto Violino

Sporting-Marítimo: 3-0 ao intervalo, 3-2 aos 53 minutos; Sporting-Penafiel: 2-0 aos 8 minutos, 2-2 aos 43. Em casa, foram estes os jogos em que os homens de Marco Silva mais perto estiveram de resolver cedo a contenda. Porém, tanto num caso como no outro, a vantagem inicial acabou por se esfumar. Nas partidas disputadas fora de portas, só contra o Gil Vicente o Sporting conseguiu acabar cedo com as dúvidas. Agora, frente a um dos adversários teoricamente mais fortes (e que infligira, na primeira volta, aquela que continua a ser a derrota mais pesada da época leonina, apenas igualada no Dragão), a equipa de Alvalade decidiu finalmente um jogo ainda na primeira parte. E que diferença que um golo cedo faz!

Em parte devido a alguma imaturidade da equipa, mas sobretudo por causa das falhas defensivas que têm sido uma constante nesta época, o Sporting tem-se visto demasiadas vezes atrás dos seus adversários no marcador. Tal facto significa um esforço redobrado para chegar a uma vitória que nem sempre surge. Mas hoje os erros defensivos não apareceram… Ou, melhor dizendo, apareceram quando já era demasiado tarde para o Vitória recuperar.

Começando pelo início, o Sporting chegou à vantagem na primeira vez que foi à baliza adversária, quando até eram os forasteiros que criavam mais perigo – relativo, é certo. O tal golo madrugador (bom cruzamento de Carrillo e João Mário a fazer de Slimani), que tão poucas vezes tem surgido a favor do Sporting, abalou o Vitória. Não só os minhotos não reagiram à desvantagem, como os leões passaram de uma atitude algo expectante e apreensiva para uma posição mais confortável. Depois do 1-0 a equipa passou a ter mais bola, como gosta, e o marcador voltou a funcionar após uma jogada alucinante: Miguel Lopes enviou um “míssil” à barra e Douglas fez uma grande defesa a remate de Nani. Na sequência, Jorge Sousa assinalou um penálti que se aceita, já que a bola ia para a baliza se não fosse o braço de Josué. Com o 3-0 antes do intervalo (Miguel Lopes a assistir com qualidade e desta vez foi mesmo Slimani a marcar um golo “à Slimani”), o Vitória parecia definitivamente arrumado.

LEGENDA Fonte: Sporting Clube de Portugal
Com a expulsão de Paulo Oliveira, Marco Silva enfrenta novos problemas na defesa
Fonte: Sporting Clube de Portugal

E, se é verdade que a equipa de Rui Vitória não conseguiria mesmo qualquer ponto, não é menos verdade que voltou a entrar melhor do que o Sporting após o descanso. Com o jogo ganho, os leões baixaram o ritmo, a defesa foi dando espaços e permitiu algumas aproximações dos vimaranenses à sua baliza (mérito também para a atitude destes últimos que, mesmo a perder por 3-0, nunca viraram a cara à luta). Porém, ora os centrais ora Patrício resolveram com relativa serenidade.

Este último protagonizou duas excelentes intervenções na segunda parte, mas borraria a pintura com uma abordagem anedótica ao lance do golo sofrido. Ainda assim, o tento de honra apontado por Kanu, já depois de Nani ter feito o 4-0 na transformação de novo penálti, repôs alguma justiça num jogo onde até aí quase tudo tinha corrido bem aos leões. Mas raro é o jogo em que a equipa de Alvalade consegue manter as suas redes invioladas, e hoje não foi excepção. Mais um lance caricato naquele que foi o 23º golo sofrido pelos verdes e brancos, contra 13 do Benfica e 11 do FC Porto. E, com a expulsão de Paulo Oliveira (há necessidade de a equipa se expor tanto?), continuam os problemas na defesa leonina…

No entanto, nem tudo o que tem a ver com o sector mais recuado é mau. Para além da agradável exibição de Miguel Lopes, também Ewerton merece destaque pela positiva. O Sporting sofreu hoje o primeiro golo com o brasileiro em campo – golo em que, de resto, o número 5 dos leões não teve qualquer culpa. Agilidade, calma, critério, bom jogo aéreo, técnica, experiência e um par de bons cortes. A confirmar as boas indicações – e sem desprimor para Tobias, que é jovem e poderá evoluir – está encontrada a dupla de centrais para o próximo ano: a mais recente contratação do clube poderá formar um eixo sólido com Paulo Oliveira. E o Sporting bem precisa…!

Para finalizar, nota apenas para a quarta partida seguida em que Montero não joga. Com todo o respeito por André Martins, jogador de quem nem desgosto (desde que na posição de Adrien), é incompreensível o colombiano até já ter sido ultrapassado pelo médio nas opções que Marco Silva lança no decorrer do encontro…

 

A Figura:

Colectivo do Sporting – um golo madrugador ajuda a desbloquear o resultado e a serenar a equipa. A partir do 1-0, o Sporting jogou como mais gosta. Vários jogadores fizeram boas exibições, mas foi a solidez do conjunto, sobretudo na primeira parte e com bola, que tornou fácil um jogo difícil. Menção honrosa para o bom desempenho de Miguel Lopes.

O Fora-de-jogo:

Rui Patrício – Mais um jogo em que a equipa sofre golos, mais um lance caricato desta vez protagonizado pelo guarda-redes. Patrício certamente saberá que sair a uma bola e mudar de ideias a meio caminho é o pior que um guardião pode fazer. A sorte é que o resultado já estava feito… Embora não seja suficiente para o apontar como “fora-de-jogo”, nota também para João Mário, que marcou um golo mas não deslumbrou. Perdeu várias bolas e continua macio na recuperação defensiva.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

À mulher de César não basta querer, é preciso assumir

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eternamocidade

A semana que agora termina foi possivelmente uma das mais difíceis em termos emocionais para o FC Porto. Penso que a melhor forma para sustentar esta argumentação se baseia na capacidade com que os adeptos portistas subiram ao céu e desceram à terra em breves momentos. Por outras palavras, para o universo portista, esta semana foi carregada de emoções: desde a vitória sofrida frente ao Arouca ao sorteio maldito da Liga dos Campeões, passando pela derrota do rival em Vila do Conde até ao empate amargo na Choupana.

Assim de repente, os quatro argumentos acima descritos podiam dar origem a um filme brilhante de Manoel de Oliveira. Bem vistas as coisas, quem é que poderia arriscar há uma semana que o FC Porto iria ter tantas dificuldades para ganhar ao Arouca, que iria ter a “sorte” de apanhar a melhor equipa do mundo, de ver finalmente o rival perder pontos e de, mesmo assim, só conseguir aproveitar esse deslize de forma tão agridoce? Bom, os quatro argumentos da semana portista mostraram bem aquilo que é o futebol e a forma como os estados de espírito podem mudar num instante. Enquanto adepto, não me preocupou ir às redes sociais e ter visto, depois do sorteio da Liga dos Campeões, comentários a preverem uma sentença humilhante para o FC Porto na Champions ou mensagens de esperança de um apuramento épico para as meias finais. Enquanto adepto, não me preocupou, depois do desaire do Benfica em Vila do Conde, ver portistas a acharem que finalmente tinha sido dado o passo de que precisávamos para chegar ao primeiro lugar. Enquanto adepto, o que me preocupa é que estes estados de alma – encaixados de forma tão perfeita naquilo que representa ser um adepto – passem de uma forma tão irracional para uma equipa como a de Lopetegui.

Não, não pense que venho para aqui com o argumento de que o FC Porto só empatou na Choupana porque soube do resultado do Benfica e por isso os jogadores acusaram a pressão. Desculpe-me o termo, mas a hipótese de sequer pensar que isso poderá ter acontecido, para mim, não passa de ficção. E infelizmente o digo. Aliás, o problema da equipa portista esta temporada tem sido completamente contrário a isso. Durante várias jornadas, com a equipa a ver o Benfica a não ceder, sinceramente nunca me pareceu que o FC Porto fosse a jogo mais pressionado por entrar a sete pontos da liderança. Talvez tenha sido impressão minha, mas sinceramente nunca me pareceu que esse fantasma tenha pairado nos jogadores. As sete vitórias seguidas para o campeonato – sem um único golo sofrido – e o apuramento brilhante para os quartos de final da Liga dos Campeões demonstravam uma equipa na plenitude dos seus recursos e ainda com muito para disputar até ao final da temporada.

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O belo golo de Tello não apaga uma exibição fraca do FC Porto na Choupana
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

Contudo, inexplicavelmente, os problemas que afetaram a equipa no primeiro terço da temporada voltaram a atacar na Madeira. Tal como já havia acontecido no Estoril, em Alvalade, no Bessa ou nos Barreiros, a falta de intensidade e dinâmica da equipa voltaram a aparecer. Esse sim é, no meu entender, o principal problema do FC Porto esta temporada. Mais do que andar ao sabor dos resultados que os adversários fazem, o que me parece é que a equipa tem dificuldades em ter um passo firme e seguro. Quando falamos numa prova de regularidade como é o campeonato nacional, a pedra fulcral para ser bem sucedido tem a ver com a sua capacidade de ser regular e consistente. Ao olhar para os portistas, dificilmente consigo encontrar essas caraterísticas que não apenas de forma momentânea.

Como é que se explica que se façam exibições tão brilhantes, como contra Sporting e Basileia, e depois se façam jogos tão pobres, como frente a Marítimo e Nacional? Não estará a existir um foco excessivo na Liga dos Campeões, quando o campeonato deveria ser o objetivo mais importante, por ser o mais realista? Penso que é relativamente a esta última questão que reside um dos principais problemas da equipa ao longo da época. Se bem se recorda, caro leitor, na primeira volta o FC Porto perdeu pontos com Boavista e Estoril, depois de ter vencido Bate Borisov e Atlético de Bilbau, respetivamente. Esses foram apenas os dois exemplos mais flagrantes desta falta de regularidade e, sobretudo, de capacidade de treinador e jogadores terem bem presente aquilo que deve ser a prioridade da época portista: o campeonato.

Bem sei que não devemos ter o pensamento provinciano de achar que a Champions é apenas uma competição para fazer “boa figura”; ainda assim, e porque considero que a racionalidade deve estar acima de tudo o resto, creio que tem sido pela falta de realismo que o FC Porto tem deixado fugir o pássaro que está mais à sua mão, ou seja, a Liga Portuguesa. De facto, ao olhar para os portistas e para o seu maior rival, o Benfica, cada vez mais fico com a sensação de que, se não acabarmos este campeonato em primeiro lugar, será muito mais por demérito nosso do que por mérito do adversário. Com esta expressão possivelmente estarei a ser injusto para com o nosso rival, mas esta é uma afirmação que sustento em virtude daquilo que tenho visto em alguns momentos e que sei que o FC Porto desta temporada pode fazer.

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O sorteio da Champions ditou um confronto com o Bayern de Munique. 
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

Para os mais otimistas, o empate na Choupana foi um “mal menor”, pois permitiu, ainda que de forma (algo) ilusória, considerar que, a partir de agora, só dependemos de nós próprios para chegar ao título. Sim, essa é uma afirmação verdadeira, mas considerar razoável uma vitória por pelo menos dois golos na Luz é uma hipótese utópica que o treinador e os jogadores não podem sequer considerar. Provavelmente não será essa a mensagem que sairá para fora, mas penso que está à vista de todos que ficar a um ou a três pontos do rival não é a mesma coisa. É claro que o mais provável é que, estando a um ou a três pontos de distância, teríamos sempre que ganhar na Luz. O problema é que agora não basta ganhar na Luz, é preciso fazê-lo com autoridade. E isto porque, como já aconteceu em outras ocasiões deste campeonato, fiquei com a impressão de que a cabeça dos jogadores estava bem longe do terreno de jogo.

Enquanto portista, sempre soube que um plantel com tanta qualidade teria sempre os dois lados da moeda. Por um lado, era evidente que a qualidade de jogo iria aumentar, porque os artistas são significativamente melhores. Por outro lado, fiquei sempre com a impressão de que um dos principais riscos que o FC Porto corria ao ter tantos jogadores “com mercado” era o de, em vários momentos da temporada, perder o norte daquilo que verdadeiramente era importante para o clube: a conquista do campeonato. Com um treinador jovem, que se quer mostrar ao país de onde saiu, e com jogadores de inegável qualidade que querem voltar igualmente de onde vieram, para mim era óbvio que esta ilusão pela Champions, em detrimento do campeonato, podia acontecer. O meu medo é que, com o monstro Bayern a bater à porta, este deslumbramento ainda venha a ser pior. A cerca de dois meses de terminar a época, acho que o melhor seria mesmo alguém entrar no balneário e pôr a equipa com os pés na terra. Sonhar será sempre permitido, e o melhor sítio para o fazer é sem dúvida na Champions. Mas, por favor, não se esqueçam do ditado: “mais vale um pássaro na mão do que dois a voar”. Não deixem o campeonato fugir. Basta acreditarem que é possível. E, claro, sempre com racionalidade e cabeça.

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

Ser açoriano ainda é um problema para os continentais

cab desportos motorizados

Quem leu o meu artigo de antevisão pode comprovar que disse que José Pedro Fontes era o principal candidato à vitória, mas existem coisas que não mudam e Ricardo Moura ser o piloto mais rápido e consistente do Nacional de Ralis é uma delas. Como diria Mourinho, em condições normais Ricardo Moura é campeão, em condições anormais Moura é um dos candidatos.

O ano passado foi um destes anos anormais, e as várias desistências, com especial destaque para a do Vinho Madeira – devido a ter levado ao fim prematuro da temporada a nível nacional -, fizeram de 2014 uma temporada muito difícil para o açoriano no campeonato nacional, já que no regional açoriano as dificuldades não apareceram.

No passado fim de semana, o açoriano foi o vencedor do Serras de Fafe estando sempre na liderança da prova e controlando-a como queria. Miguel Campos e João Barros tiveram, igualmente, um ritmo muito forte, mas não suficiente para bater Ricardo Moura.

Como todos os interessados já estão fartos de ouvir do Serras de Fafe, vou agora falar do tema do título deste artigo. Depois da vitória, as redes sociais e os comentários nos sites da especialidade voltaram a encher-se de ataques a Moura, por mil e um motivos, de quem – na sua maioria – não consegue ver um açoriano ser melhor que os continentais; isto vê-se nas mais variadas coisas. Vir das ilhas ainda significa ser inferior para muitos dos continentais.

Ricardo Moura Fonte: Facebook de Ricardo Moura
Ricardo Moura
Fonte: Facebook de Ricardo Moura

A crítica mais usada é a de que o açoriano apenas ganha porque tem apoios públicos do Governos dos Açores; apoio este, dado ao campeão açoriano, no valor de 64 mil euros e em troca de patrocínio no carro da marca Açores. Não deixam de ser curiosas estas críticas todas dos continentais pelo dinheiro público ser gasto desta forma, quando em 2010 todos atacavam o Governo central por não dar 2 milhões de euros à Virgin para que Álvaro Parente fosse piloto de testes desta equipa inglesa. Mas não foi só para este piloto que muitos portugueses “choraram” por não haver apoios públicos, quer nos desportos motorizados, quer noutras modalidades. Talvez para estes ser do continente já seja merecedor de apoios públicos.

Outra das coisas mais apontadas a Ricardo Moura é a de ele ser profissional de ralis, o que não é verdade. Isto, contudo, já entra na vida privada do piloto, pelo que não vou aprofundar o assunto, dizendo apenas que o atleta está ligado à construção civil. Apesar disto, Moura é talvez o mais profissional a preparar tudo aquilo de que precisa para uma prova, o que faz muita diferença na estrada, como se pode ver.

Para finalizar, quero apenas relembrar mais uma das muitas “postas de pescada que atiram”. Segundo muitos, o açoriano só ganha porque não tem adversários à altura e porque o seu carro é de topo – pelos vistos, mais seis R5 e três S2000 não foram suficientes para o derrotar. Já para não falar de que, em 2013, Bernardo Sousa – para mim, o mais rápido piloto português, e curiosamente também de uma ilha (Madeira) – também perdeu o campeonato para o Moura. Com certeza que nesse ano o madeirense perdeu todo o seu valor, recuperando-o em 2014.

Foto de capa: Facebook de Ricardo Moura

CD Nacional 1-1 FC Porto: Choupana sem Luz

a minha eternidade

O Futebol Clube do Porto deslocou-se à Madeira para defrontar o Nacional de Manuel Machado. No Estádio da Choupana (que etimologicamente significa cabana ou palhota) os dragões fizeram uma exibição desinspirada, pouco pressionante defensivamente, desgarrada em termos de construção ofensiva e com falta de destreza e frescura física individuais. A pensar na Luz, os jogadores emanaram uma negritude futebolística, não só pelas razões anteriormente referidas, mas também pela enorme desilusão e mágoa pelo não aproveitamento total da derrota do Benfica.

Os azuis e brancos apresentaram-se na sua estrutura habitual, o 4x3x3, com Helton na baliza; Alex Sandro, Ivan Marcano, Maicon e Danilo a completar o quarteto defensivo; Casemiro jogou como pivot defensivo com os médios interiores Evandro e Herrera à sua frente; o trio de ataque foi composto por Brahimi, Tello e Aboubakar.

A principal lacuna a reter desta exibição dos portuenses foi o facto de estes não terem conseguido impor de uma forma tão incontestável como habitualmente o seu estilo de jogo. A usual troca de bola impositiva não aconteceu, foram poucas as recuperações conseguidas em zona alta, bem como as segundas bolas ganhas na batalha do miolo. Em vários momentos da partida, o rumo dos acontecimentos foi conveniente aos madeirenses, que partiram o jogo, forçaram as transições rápidas e um jogo mais esticado na frente, não possibilitando o tradicional “embalo circular” com que o Porto tranquiliza os adversários até encontrar espaço para um repentismo mortífero que faça estremecer o marcador.

FC Porto Nacional
O golo do Nacional foi um balde de águia fria para os ‘dragões’
Fonte: Nacional da Madeira

As substituições são lógicas mas não surtiram nenhum melhoramento substancial no jogo da equipa. Rúben Neves entrou para o lugar de Casemiro, amarelado num lance despropositado da sua parte, que condicionou o próprio (perdendo agressividade) e a equipa (visto que o jovem português não é defensivamente tão robusto). Quintero substituiu Evandro sem trazer magia ao jogo. Se em anteriores partidas o colombiano estava desligado dos mecanismos globais da equipa, neste encontro, nem uma jogada individual lhe saiu. Por último, entrou Ricardo Quaresma para render o argelino Brahimi. O português criou mais reboliço nos 15 minutos em que esteve em campo do que o seu companheiro de sector em 75.

O Porto pode estar um pouco feliz (apesar deste dissabor) porque ganhou um ponto ao Benfica na luta pelo troféu (estando agora a três do rival). É indubitável que os dragões apenas dependem de si para ser campeões. Devem lamentar, ainda assim, o facto de não terem conseguido colocar o Benfica numa situação aflitiva. Os nortenhos não foram hábeis o suficiente para criar um enquadramento fantasmagórico para os seus rivais, onde o peso histórico dos traumas recentes fosse o mote para a descrença global dos encarnados. Assim, o medo cénico que os lisboetas iriam sentir continua ainda dormente num subconsciente longínquo.

A Figura

Tello – Marcou um golo espectacular de pé esquerdo e ainda assistiu Danilo e Aboubakar para remates perigosíssimos. Nota-se, como venho escrevendo, que é em zona interior que é decisivo. Deve ser trabalhado para actuar em zona central, não para se fixar nesse espaço constantemente, mas para o invadir em velocidade.

O Fora-de-Jogo

Brahimi – João Aurélio, defesa direito do Nacional, foi o melhor elemento em campo. O argelino do Porto foi incapaz de se superiorizar ao seu marcador directo. Tentou (e bem) ir para o centro para conquistar espaço, mas nem nesse naco de terreno fez a diferença. Quaresma, pelo menos nestes jogos da Liga, deve ser titular. É o mais desequilibrador. Tello e Brahimi devem ficar com a outra vaga e descansar para o jogo contra o Bayern. Vão ser indispensáveis para o contra-ataque rápido.

Temos cartaz oficial para o Estoril Open

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cab ténis

Está na rua o cartaz oficial e (quase) completo do Millenium Estoril Open, onde só lesões de última hora podem trocar as voltas à organização. Não há top’10, mas há top’20 e um quadro de inscritos equilibrado, que pode não garantir o melhor torneio mas garante bons jogos com tenistas jovens e menos jovens a pisarem o “pó de tijolo” do Estoril.

Para além de Nick Kyrgios, que vai estar lesionado até bem perto da data do Estoril Open, numa má noticia para os portugueses, que esperavam um australiano na melhor forma; e de Borna Coric, confirmado um dia antes da lista completa pela organização, estarão no Estoril Open tenistas como Feliciano Lopez, Richard Gasque e o vencedor da última edição do Portugal Open, Carlos Berlocq.

Não destaquei aqui os melhores tenistas mas sim aqueles que considero darem melhor espectáctulo, embora faltem ainda outros como Tommy Robredo, Kevin Anderson, e até mesmo um dos tenistas com melhor técnica no circuito, o cipriota Marcos Baghdatis, actualmente orientado pelo português António Van Grichen.

Isto tudo para dizer que o cartaz não é mau. Pelo contrário, é bem bom e bem equilibrado, tendo em conta que o último inscrito, Ricardas Berankis, ocupa o 76.º lugar no ranking mundial.

A organização tem ainda quatro wild-cards para atribuir, sendo que é neste ponto que a estratégia é totalmente desconhecida: serão os convites para dar à “prata da casa”, a tenistas como Gastão Elias e Rui Machado, ou até mesmo Frederico Gil (embora seja pouco provável, dado o actual momento do português), ou serão para surpreendentemente apresentar algum tenista de top contratado à última da hora.

O leque de jogadores que a equipa de João Zilhão, novo director do torneio, reuniu não garante assim que quem não acompanha ténis vá propositadamente ao Estoril para assistir a este evento, mas garante certamente que os adeptos da modalidade se desloquem ao clube para assistir a este renovado torneio. Quem acompanha ténis sabe que tem aqui matéria prima para bons embates, com tenistas para todos os gostos e feitios, isto já para não falar de características específicas de alguns deles que são verdadeiramente apaixonantes.

Claro que, a par de todos estes jogadores, temos ainda o português João Sousa, que será um dos grandes, senão mesmo o maior atractivo, desta edição do Estoril Open, e que é a grande aposta da organização, acima de qualquer “estrela” do ténis.

O tenista português tem estado a fazer uma temporada assente no piso rápido, mas todos esperam que chegue em boa forma à terra batida do Clube Ténis do Estoril para fazer valer o estatuto que lhe tem sido atribuído neste evento.

Foto de Capa: Millenium Estoril Open