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Spartak de Moscovo – Alenichev e o Gigante com Pés de Barro

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“Joguem com alma” – foi isto que Dmitri Alenichev pediu aos seus jogadores antes da partida com o FC Ufa da passada sexta-feira, jogo a contar para a primeira ronda da RPL (Primeira Liga Russa). De acordo com o capitão de equipa do Spartak Moscovo, Artem Rebrov, o seu novo treinador tem passado aos jogadores uma mensagem de tranquilidade, ao mesmo tempo que lhes tenta reacender a paixão por jogar bom futebol.

O Spartak Moscovo está actualmente a atravessar um período decepcionante da sua longa e gloriosa história. O gigante moscovita não vence a liga russa desde 2001, nem sequer uma competição oficial desde 2003. Esta longa travessia no deserto pareceria algo altamente improvável se estivéssemos a olhar para os triunfos dos Народная команда (equipa do povo) durante a década de 1990 e para as fantásticas campanhas realizadas, dentro e fora de portas, durante os anos 80.

Foi, curiosamente, uma abrupta descida de divisão e consequentes mudanças no departamento técnico em 1976 que possibilitaram ao Spartak reformular-se enquanto equipa e, ao mesmo tempo, marcar uma posição firme no futebol da ex-União Soviética. A chegada de Konstantin Beskov, um homem claramente à frente do seu tempo, permitiu ao Spartak vencer a 2ª divisão do futebol soviético na época seguinte à sua despromoção e duas temporadas depois sagrar-se campeão da Liga Suprema do Futebol Soviético (Высшая лига), quebrando assim um penoso jejum de uma década. Beskov mudou o Spartak para sempre e provocou, ao mesmo tempo, um autêntico turbilhão no futebol do antigo império soviético. O gigante moscovita deixou de ser aquela valente equipa que se afirmou, e de que forma, durante o pós-2.ª Guerra Mundial, e que foi oscilando entre o bom e o medíocre durante mais de uma década, para passar a ser um autêntico tormento à hegemonia do Dynamo Kiev de Valeriy Lobanovskiy e um acérrimo candidato ao título época após época.

A equipa foi amadurecendo e, após anos de trabalho intenso, já em plena Glasnost, o Spartak sagrou-se campeão em 1987, numa campanha durante a qual apenas conheceu o sabor da derrota por três vezes. O Spartak tinha, à época, uma equipa fantástica e era considerado por muitos a equipa que jogava o melhor futebol no antigo bloco de leste. Conduzidos dentro de campo pelo verdadeiro maestro soviético, Fyodor Cherenkov, os Красно-белые (os vermelhos e brancos) punham em prática aquilo que décadas mais tarde veio a chamar-se tiki-taka e que não era mais nem menos do que uma versão melhorada e mais elaborada do Passovotchka, do lendário Boris Arkadyev, que Konstantin Beskov e, mais tarde, Oleg Romantsev desenvolveram na primeira equipa e na academia do Spartak.

Konstantin Beskov – O homem que revolucionou o futebol do Spartak Fonte: SportStories
Konstantin Beskov – O homem que revolucionou o futebol do Spartak
Fonte: SportStories

Numa entrevista a um jornal desportivo espanhol há alguns anos atrás, o antigo jogador do Spartak, do SL Benfica e do Celta de Vigo, Aleksandr Mostovoi, que trabalhou com Beskov e Romantsev no gigante moscovita, afirmou que a equipa jogava praticamente de olhos fechados e muito raramente necessitava de olhar para o lado para saber se o seu companheiro de equipa estava lá para receber a bola. Esse Spartak que Mostovoi descreveu foi precisamente a equipa que, na época de 1990-91, atingiu as meias-finais da extinta Taça dos Clubes Campeões Europeus, caindo nas mãos do poderoso Olympique de Marseille de Jean-Pierre Papin e Abédi Pelé. Essa gloriosa caminhada ficou marcada pela estrondosa vitória por 3-1 no Santiago Bernabéu, com dois golos de Dmitri Radchenko e um de Valeri Shmarov, e pela eliminação do SSC Napoli de Diego Armando Maradona na marcação de grandes penalidades num Central Lenin Stadium em Moscovo (actual Luzhniki) a rebentar pelas costuras, com mais de 86 mil espectadores nas bancadas. Foi precisamente Aleksandr “El Zar” Mostovoi que marcou o penálti decisivo nesse jogo, aproveitando da melhor forma o falhanço de Marco Baroni e levando ao desespero um Diego Maradona que raramente foi capaz de pôr à prova a bem organizada defesa moscovita.

Aleksandr Mostovoi e Diego Maradona no Spartak vs Napoli de 1991 Fonte: Spartak World
Aleksandr Mostovoi e Diego Maradona no Spartak vs Napoli de 1991
Fonte: Spartak World

A queda da União Soviética e as mudanças geo-políticas que assolaram a então mais extensa nação do mundo tiveram também um impacto profundo no futebol e em todas as outras modalidades desportivas. Contudo, o Spartak Moscovo cresceu consideravelmente no meio da anarquia que foram os primeiros anos de “democracia” de Boris Yeltsin e a equipa moscovita, liderada pela genialidade errática de Oleg Romantsev, conquistou a então recém-criada Liga Russa nove vezes entre 1992 e 2001. O histórico treinador russo e antigo jogador do Spartak, que foi também presidente do clube durante um período considerável de tempo, conseguiu construir e reconstruir a equipa, sobrevivendo às constantes saídas dos melhores jogadores época após época.

Oleg Romantsev – O génio errático do futebol russo Fonte: vk.com
Oleg Romantsev – O génio errático do futebol russo
Fonte: vk.com

Foi numa dessas equipas que Romantsev lançou o actual treinador do Spartak Moscovo e antigo jogador do FC Porto, Dmitri Alenichev. O antigo internacional russo chegou ao clube em 1994, proveniente dos vizinhos e rivais do Lokomotiv Moscovo, e rapidamente se tornou num dos meninos de ouro de Oleg Romantsev. Yegor Titov, agora um dos adjuntos de Alenichev no Spartak, fazia também parte dessa equipa e não há muito tempo lembrou numa entrevista o “medo” que os jogadores tinham de Romantsev, recordando que Oleg havia ficado profundamente chateado com o facto de Alenichev não ter tido coragem para lhe comunicar atempadamente a sua ida para o AS Roma em 1998 e que esteve sem lhe dirigir a palavra durante alguns anos.

A saída de Romantsev da estrutura da equipa em 2003 marcou o início da longa travessia no deserto do Spartak, aquela que cabe agora a Dmitri Alenichev terminar. A sua tarefa não se afigura, contudo, nada fácil, uma vez que o antigo médio do FC Porto está obrigado a começar tudo, ou quase tudo, do zero, fruto das épocas de histeria colectiva que têm vindo a assolar a equipa há mais de uma década.

Depois de uma caminhada firme e bem sucedida com o Arsenal Tula, Alenichev e os seus adjuntos, Dmitri Ananko e Yegor Titov, têm agora em mãos a tarefa de reabilitar um gigante com pés de barro, que viu a sua estrutura “apodrecer” lentamente, vítima de negócios ruinosos e engenharias financeiras altamente dúbias, levados a cabo por uma direcção mercantilista cuja única preocupação se prendia com a forma mais rápida de obter dinheiro.

Para a nova época, que teve início na passada sexta-feira frente ao FC Ufa (2-2 foi o resultado final do jogo), Alenichev fez regressar à equipa o capitão da selecção russa, Roman Shirokov, que esteve por empréstimo no FC Krasnodar na temporada passada, em virtude de um “castigo” aplicado pela direcção do clube, assim como todos os outros jogadores que estavam fora por empréstimo, tendo ainda conseguido assegurar as contratações do talentoso médio de ataque búlgaro Ivelin Popov, do central russo Vladimir Granat e do avançado cabo-verdiano Zé Luís, proveniente do SC Braga.

Conseguirá Alenichev devolver a glória ao Spartak? Fonte: Spartak World
Conseguirá Alenichev devolver a glória ao Spartak?
Fonte: Spartak World

Segundo testemunhos recentes dos jogadores, Alenichev, que tem um relacionamento muito próximo com todos os membros da equipa, tem procurado instituir um estilo de jogo muito semelhante àquele que aprendeu com um dos seus mentores, Oleg Romantsev, e que é, na verdade, a essência do futebol do Spartak. Mas tal implementação levará tempo e será precisamente de tempo que o antigo menino de ouro dos Спартачи (Spartachi) mais necessitará para construir uma equipa à sua imagem, uma equipa que honre os pergaminhos de um clube que conseguiu em tempos desafiar o poder instituído e que graças a isso se tornou na mais popular equipa de todo o vasto território do antigo império soviético.

Foto de Capa: Spartak de Moscovo

Real Madrid: habemus crise?

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cab la liga espanha

Não fui, decerto, a única a ficar desagradada com a contratação de Rafa Benítez pelo Real Madrid. Era – tenho de o assumir – grande defensora de Carlo Ancelotti, e, depois da saída do Italiano, creio que um clube destes merecia um treinador com mais elasticidade táctica, inteligência futebolística e títulos na bagagem.

O Real perdeu esta semana, nos penáltis, com a Roma, na International Champions Cup. Ainda que este tenha sido um jogo de preparação, em que a equipa está ainda embrionária e sem fundações, já se pode fazer uma breve análise: o Real Madrid está frágil, sem bases, com um meio-campo pouco fluido e que pouco ajuda os homens da frente. A dupla Ronaldo-Bale continua a não funcionar (dois egos demasiado grandes que não coexistem), Odegaard é demasiado inexperiente para a posição que procurou ocupar e Benítez ainda não tem controlo nos seus rapazes.

Por muito que Iker Casillas tenha perdido a preponderância no colosso espanhol nos últimos anos, era uma voz activa no balneário. Era o mais antigo, o mais experiente, o que tinha o maior amor à camisola. Como Nélson no Sporting. Moreira no Benfica. E quando um jogador no espectro de Casillas decide sair – não para acabar a carreira, mas para outro clube – o restante plantel ressente-se. Rafa Benítez é uma cara nova que não transmite conforto, o eterno capitão saiu, e os merengues ficaram “órfãos”. Resta-nos esperar para ver se alguém se assume como líder, se os blancos se enchem de força, e se o próximo campeonato espanhol vai ser a grande batalha a dois a que já nos habituou.

Quanto ao mercado de transferências, o Real Madrid ainda não fez grandes manchetes de jornais. Saiu Khedira, regressou Casemiro. Danilo já era aquisição confirmada e Casillas reforçou o Porto. As últimas notícias dão conta da possível saída de Benzema para Inglaterra. Se tal boato se confirmar, seja qual for o valor exorbitante a que este mercado de 2015 já nos habituou, fica a pergunta: que jogador, de qualquer liga, de qualquer país, pode substituir Benzema neste Real? O francês passou os últimos anos a formar uma dupla mortífera com Cristiano Ronaldo, a servi-lo, a desmarcá-lo, a jogar como o segundo avançado que não é. E depois disso, ainda havia tempo para ser o típico ponta-de-lança infalível.

O Real Madrid ensaia uma nova equipa para esta época com Rafa Benítez Fonte: Real Madrid
O Real Madrid ensaia uma nova equipa para esta época com Rafa Benítez
Fonte: Real Madrid

O último grande rombo foi feito por Santos Márquez, empresário de Casillas. Segundo este, a cedência dos direitos de imagem de Ronaldo a Peter Lim foi o primeiro passo para a saída do Português do clube espanhol. O empresário desfere também duras críticas a Florentino Pérez ao dizer que “Isto não normal. O Real Madrid parece que não existe. Há um presidente e abaixo disso está o clube. O Florentino está acima do bem e do mal. É o mais honesto em relação a contratos, mas está a carregar contra a galinha dos ovos de ouro, que é a equipa”.

Não acredito em Benítez, não acredito neste Real; ainda assim, não acredito que Ronaldo saia e não acredito que esta equipa não dê suor e lágrimas para atingir os seus objectivos.

Não sei se haverá motivos suficientes para dizer que o Real Madrid está em crise. Não sei também se podemos dizer que a próxima época irá ser parca em resultados e concretizações. Tudo isto ao destino, e a Benítez, pertence.

Foto de Capa: Camilo Rueda López

Mundial Futebol Praia’15 – Pegadas de um sonho só nosso!

cab futebol de praia

Lembram-se daquele célebre dia 4 de julho de 2004, quando Charisteas fez um golo que gelou o Estádio da Luz e pôs um país em lágrimas? Na altura, era o Euro 2004 que perdíamos. Lembram-se daquela geração de ouro que tivemos em 2011 e que no Mundial de Sub 20 apenas perdeu devido a um golo fortuito em pleno prolongamento? Lembram-se de uma das gerações com mais futuro no futebol português e que perdeu há dias uma final na decisão pelas grandes penalidades? Os três momentos que aqui coloquei são apenas aqueles que mais estão na minha memória e que refletem a tristeza por uma derrota de Portugal.

É certo que a emoção de uma final em futebol de onze não é sequer comparável com a emoção que senti hoje nas bancadas do Estádio da Praia da Baía, em Espinho. Mas não foi por isso que o nervosismo e ansiedade foram menores. E isso aconteceu porque invariavelmente Portugal tem a tendência de ficar sempre à porta das grandes vitórias. Há quem lhe chame o triste fado lusitano, há quem pense que é o destino e outros, como eu, acreditam que a falta de competência e felicidade em alguns momentos têm andado demasiadas vezes de mãos dadas quando se refere à nossa seleção. Este domingo, eram apenas 9h30 quando cheguei à Praia da Baía. Muito provavelmente, deve-me estar a considerar um louco por ir tão cedo para uma fila quando o primeiro dos dois jogos do dia apenas se disputava às 17 horas. Àquela hora, com o sol ainda escondido por entre as nuvens, não era o primeiro a chegar. Já lá estavam centenas, como se este domingo fosse o dia mais importante das suas vidas. As horas passaram, o calor chegou e com ele veio a enchente que se esperava e que em pouco mais de meia hora encheu por completo o Estádio. O número de adeptos à espera de entrar nas barreiras era proporcional ao tamanho do sonho de todos os portugueses: depois de tantos pontapés ao lado, esta tinha que ser a nossa final e o nosso mundial.

3 segundos de jogo e primeira explosão de alegria: como em tantas outras ocasiões durante a última década, Madjer arrancou um pontapé de pé esquerdo como só ele sabe. Foi a primeira vez que a bola ficou nas redes do guarda redes Jo. Era o primeiro passo rumo ao título. Para todas aquelas almas que durante horas a fio ali ficaram à espera para entrar no Estádio, não haveria melhor maneira para Portugal retribuir o esforço. De forma categórica, a seleção punha-se numa vantagem que haveria de ser decisiva. No meio destas contas, há que falar igualmente do outro finalista, o Taiti. Uma equipa absolutamente genial e cuja imprevisibilidade do seu jogo foi cativando o público português durante os últimos dez dias. Ganharam à Rússia e eliminaram Irão e Itália para chegarem ao jogo decisivo. Ali, perante milhares de portugueses, viram-se de caras com uma desvantagem precoce. Ainda assim, não foi por isso que a seleção de Tehina Rota abrandou o ritmo. Sem nunca fugirem à sua ideia de jogo, foram para cima de Portugal à procura de um título inédito. O problema para os asiáticos é que esta tarde estava destinada a ser nossa. Tão simples quanto isso.

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Foram milhares os adeptos na Praia da Baía
Fonte: lusogolo.com

Aos 6 minutos de jogo, Madjer, numa assistência brilhante, pôs a bola em Belchior. O movimento, tantas vezes repetido ao longo da competição, finalmente dava frutos. Era o segundo golo de Portugal, num remate colocadíssimo de pé direito do talentoso avançado. Nova explosão de alegria em Espinho e a certeza, para os 3500 adeptos, que a vitória estava mais perto. Desengane-se, porém, quem acha que a final deste domingo foi um mar de rosas para os jogadores portugueses. O Taiti, mesmo em desvantagem numérica, nunca virou a cara à luta e sempre procurou ir à procura de um resultado que fizesse história. Para que isso não tivesse acontecido, em muito contribuiu a qualidade das defesas de Elinton Andrade e a segurança defensiva mais uma vez presente na exibição da seleção nacional. O segundo período chegou e com ele assistiu-se a um ritmo mais calmo imposto por Portugal. Não havia razão para que isso não acontecesse e era inclusive a melhor forma para parar a capacidade ofensiva do Taiti. Percebeu-se ao longo de jogo que este foi um adversário bastante estudado por Mário Narciso: conhecedor de que a seleção do Taiti é uma equipa que gosta mais de explorar os espaços e as transições; decidiu dar a posse de bola ao adversário e explorar as costas do adversário, com a velocidade sobretudo de Belchior. Aos 16 minutos, nova machadada nas aspirações do Taiti. Desta vez, tinha sido a vez de Coimbra faturar, desviando de forma subtil mas decisiva um passe em forma de remate do guarda redes Andrade.

É certo que ainda faltavam 20 minutos para terminar a partida, mas o 3-0 no marcador indiciava um final feliz para a equipa portuguesa. É caso para dizer que a alegria portuguesa teve o primeiro travão logo no reatamento após o golo de Coimbra. Num remate fortuito – no qual Elinton Andrade não ficou bem na fotografia – Labaste reduziu o marcador, dando justiça àquilo que havia sido a produção ofensiva do Taiti até àquele momento. Com o golo, a motivação dos asiáticos aumentou. A velocidade do seu jogo foi maior e a intensidade com que Labaste, Taiarui, Li Fung Kuee e companhia começaram a trabalhar a jogo ofensivo  tornou-se cada vez mais perigosa para a seleção portuguesa. Por isso, apenas dois minutos após o primeiro golo, Li Fung Kuee – num remate soberbo ao ângulo de baliza de Andrade – reduziu para apenas um golo de diferença o marcador. O Estádio da Praia da Baía gelava e o sofrimento pairava novamente em Espinho.

Os minutos que se seguiram ao segundo golo do Taiti foram de verdadeiro sufoco para os milhares de adeptos portugueses. Afinal de contas, o triplo falhanço dos jogadores nacionais (Bruno Novo falhou um penálti, Belchior falhou por duas vezes isolado) fez com que o nervosismo se tenha apoderado dos adeptos. Felizmente, esse sentimento acabou por não passar para dentro do campo, visto que Portugal nunca se mostrou verdadeiramente preocupado com a desvantagem mínima no marcador. Bem vistas as coisas, esta também durou apenas dois minutos, visto que Bruno Novo, após um brilhante livre direto, voltou a recolocar Portugal com dois golos de vantagem.

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Portugal sagrou-se finalmente Campeão do Mundo
Fonte: Facebook Seleções Portugal

O terceiro período acabou por não trazer grandes alterações ao figurino geral da partida. No lado português, a tranquilidade pelos dois golos de vantagem fazia com a seleção tenha jogado mais na expetativa do que na procura por mais golos. O Taiti procurava a todo o custo o golo e a verdade é que foram várias as oportunidades que a seleção asiática foi desperdiçando, com Fung Kuee e Labaste como os principais responsáveis. A equipa de Rota haveria de chegar ao 4-3 no marcador, com a estrela da equipa Fung Kuee a desviar da melhor forma um passe do guarda redes Jo. Com todo um terceiro período ainda por disputar, a ansiedade e o nervosismo voltaram a tomar conta dos adeptos. O problema é que, ao contrário do que havia sucedido na primeira ocasião, desta vez a ansiedade também passou para os jogadores portugueses. A verdade é que depois de dois períodos em que a exibição portuguesa tinha roçado a perfeição, o terceiro período acabou por redundar em demasiados erros não forçados dos jogadores portugueses. A qualidade no passe baixou e à medida que os minutos iam passando o espectro do empate ia-se aproximando. Felizmente, os nervos dos milhares de portugueses acabaram por sucumbir à alegria no último minuto de partida, no quinto e decisivo golo português. Com o Taiti completamente balanceado para o ataque, Coimbra decidiu colocar uma bola com conta, peso e medida para o pé esquerdo de Alan. Com um chapéu perfeito ao guarda redes adversário, o veterano da seleção portuguesa dava a alegria final ao público português. A vitória estava conquistada. O título era finalmente nosso.

Até ao apito final do árbitro da partida, foi apenas o tempo para que o público do Estádio da Baía se enchesse de orgulho pela conquista portuguesa. Depois do título alcançado em 2001 – ainda sem a égide da FIFA – Portugal voltou a ser o capitão maior das areias mundiais. Capitaneado por um soberbo Madjer e liderado por um tremendo Alan, a seleção portuguesa decidiu construir desde o primeiro momento a sua própria sorte. Terminado o Mundial, é caso para dizer que a vitória lusitana foi tremendamente justa, tendo em conta a qualidade com que Portugal brindou quase todos os adversários. E sim, agora podemos ser nós a festejar. Depois de tantas desilusões e finais perdidas, finalmente chegou a nossa hora. Se calhar não foi onde queríamos e como queríamos mas o que interessa é que finalmente aconteceu. Portugal está no topo do mundo do futebol de praia e por isso as nossas pegadas vão ficar na história. Tão simples quanto isso.

 

P.S – A Rússia terminou o Mundial no terceiro lugar após vitória inequívoca por 5-2 frente à Itália. Os russos foram sempre melhores e a vantagem no marcador apenas peca por escassa. Do lado soviético, marcaram Peremitin (duas vezes), Shaikov, Romanov e Paporotnyi. No lado italiano foi a vez de Palmacci e Marinai fazerem o gosto ao pé.

 

Figura do Dia: Portugal – Durante o mundial, a seleção liderada por Mário Narciso viveu vários altos e baixos. O jogo frente ao Senegal foi sem dúvida a pedra num sapato que acabou por assentar da melhor forma à nossa seleção. Depois dessa derrota, as exibições vieram em crescendo e a conquista do título mundial é totalmente justa. Portugal é campeão do Mundo!

 

Fora de Jogo: Demasiada procura e pouca oferta – A partir do momento em que a FPF anunciou que os convites para o campeonato do Mundo seriam grátis, facilmente se percebeu que a confusão para o acesso ao Estádio seria uma constante. Não contesto que os bilhetes fossem grátis mas penso que não fez sentido a FPF não ter posto qualquer limitação no número de convites atribuído por dia. Claramente foi o pior fator deste Mundial.

Benfica 2-3 PSG: Quem quiser entrar… Vai ter muito que melhorar

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Foi com uma derrota que o Benfica deu início aos jogos de preparação para a época 2015/16 frente ao PSG, em partida a contar para a International Champions Cup, competição que reúne algumas das principais equipas europeias e americanas. 3-2 foi o resultado que favoreceu os franceses, com o golo da vitória a surgir bem perto do fim.

Embora o resultado seja sempre o que mais conta num jogo de futebol, nesta fase importa analisar a performance coletiva de cada equipa e a capacidade dos reforços. Ora, de reforços a primeira parte nada trouxe, já que Rui Vitória, em estreia no banco encarnado, optou por manter um elenco muito próximo do que tornou o Benfica de JJ campeão nacional. Sílvio surgiu no lugar de Maxi e Talisca no de Salvio, remodelando assim a asa direita dos encarnados.

O sistema também não mudou e o Benfica beneficiou disso para se impor no jogo e se superiorizar a um PSG bastante desfalcado, sem Ibra, Cavani, Lavezzi, David Luiz ou Thiago Silva. Os jogadores já se conhecem de olhos fechados e foram fazendo boas combinações, mostraram grande mobilidade e foram cercando a área dos franceses. A única grande diferença em relação ao esquema de JJ estava em Talisca, que, ao contrário de Salvio, pisava muito os terrenos centrais, tal como Gaitán. Os dois eram os organizadores de jogo e iam abrindo espaços na defensiva parisiense. A ala direita ficava, quase exclusivamente, a cargo de Sílvio.

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Este foi o primeiro 11 de Rui Vitória ao serviço do Benfica
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Se ofensivamente o Benfica, com os principais protagonistas, parecia bem oleado, defensivamente as coisas mudam de figura. Jardel e Luisão não estiveram muito felizes e os espaços entre lateral e central foram frequentemente aproveitados pelos atacantes franceses. A carga física da pré-época foi, certamente, um dos motivos para este desacerto, já que foi visível o cansaço em Luisão e Sílvio.

E foi precisamente de uma má abordagem de Jardel que surgiu o golo inaugural. O central tentou antecipar-se a Augustin, mas o avançado foi mais esperto e com um toque tirou-o do caminho. Surgiu Luisão, mas o camisola 29, descaído para o lado direito, não hesitou e atirou a contar.

Estavam corridos 29 minutos de jogo e o golo acontecia um bocadinho contra a corrente. Talisca encarregou-se de repor a justiça e empatar o jogo aos 33’ com um remate fora da área, que surpreendeu Trapp, e Jonas completaria a reviravolta aos 42’ na melhor jogada do encontro. Gaitán recuperou no miolo, Lima recebeu, de costas para a baliza, deu a Pizzi, que dominou, levantou a cabeça e isolou Gaitán. O maestro argentino sentou o guardião Trapp e deu a Jonas para este encostar.

O intervalo chegaria e os benfiquistas ficariam com a certeza de que o melhor reforço para esta época se chama Nico Gaitán. Para além disso, é de registar a excelente exibição de Talisca, muito influente na manobra coletiva da equipa e o homem de maior perigo para as redes adversárias, e para a continuação do esquema por parte de Rui Vitória.

Na segunda parte, os reforços. Carcela e João Teixeira acompanharam André Almeida nas entradas ao intervalo e mais tarde Nelson Oliveira, Paulo Lopes, Lisandro, Marçal, Ola John, Lindelof, Gonçalo Guedes e Cristante tiveram a sua oportunidade. Esta roda viva das substituições quebrou a qualidade de jogo do Benfica e, com a utilização de jogadores que nunca jogaram juntos, a fluidez e a ligação entre setores foi-se perdendo.

Do lote de jogadores que não figuraram no anterior plantel, João Teixeira foi o elemento mais em foco, mostrando uma boa qualidade de passe, boa leitura de jogo e ocupação de espaços e uma excelente maturidade. Não teve problemas em assumir a bola, jogando no meio dos grandes como se um jogo de equipas B se tratasse. Já na pré-época passada mostrou ser um jogador acima da média e esperemos que este ano tenha mais oportunidades.

Carcela acanhou-se no início, mas com o passar do tempo foi ganhando confiança e procurando o jogo. A toada lenta e as paragens não permitiram ver muito mais, mas notou-se que é jogador para rasgar o jogo e fazer muitas diagonais da direita para o centro. Precisa de confiança e de ganhar entrosamento com os colegas.

Os restantes “reforços” tiveram pouco tempo. É de salientar só a infelicidade de Lindelof no terceiro golo. O sueco escorregou e permitiu ao avançado francês ir na direção da área benfiquista e servir Digne, que rematou fortemente à figura de Paulo Lopes. Aparentemente fácil, o lance, só que o guardião português complicou e meteu a bola na baliza. Antes já Lucas tinha convertido uma penalidade, cometida por Samaris.

Nem um minuto para Taarabt, o reforço mais sonante até ao momento Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Nem um minuto para Taarabt, o reforço mais sonante até ao momento
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Guedes várias vezes tentou a jogada individual, sempre sem efeito; Marçal esforçou-se e tentou sair para o ataque sempre que pôde, e Nelson Oliveira foi quase uma nulidade. Precisa de mais esforço, mais confiança e rotinas. Talvez com um avançado como Jonas ao lado consiga ser mais eficaz e mais útil no coletivo, já que não tem características de ponta-de-lança fixo. Mesmo assim, aos 87’ tentou dar um chapéu ao guarda-redes recém-entrado, Sirigu, mas o italiano brilhou. No canto, Lisandro atirou de cabeça à figura do habitual titular na baliza do PSG.

Assistimos a uma segunda parte desconcertada, com muitos erros individuais e coletivos, muitos passes errados e muitas alterações, que custaram a derrota ao Benfica, depois de ter saído a vencer para o intervalo, após uma primeira parte com nota positiva. Há ainda muito trabalho a ser feito e Rui Vitória já leva daqui muitos pontos para trabalhar. Uma nota para Taarabt, o reforço mais sonante, que neste primeiro jogo nem sequer foi utilizado: o que se passará com o marroquino?

As Figuras: Talisca e Gaitán – O argentino apareceu como se nem férias tivesse tido. A bola com ele é sempre bem tratada e, quando chega a si, a probabilidade de existir perigo aumenta. É um mágico e por isso não admira tanta cobiça. Talisca regressou das férias, recarregado e parecido com aquele que desatou a marcar golos no início da última época. É um talento puro que motivado é difícil de parar, mas precisa ainda de ser moldado. Bom início para já.

O Fora-de-jogo: Segunda parte – Mal jogada pelo Benfica, que sentiu muito as alterações e perdeu o fio do jogo. Os que entraram nada acrescentaram e a falta de entrosamento entre os vários jogadores foi por demais evidente. Precisam de melhorar caso aspirem a roubar o lugar a algum titular.

Está aberta a caça ao “onze” no reino das estrelas

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Foram duas equipas ainda à procura de ritmo competitivo aquelas que se apresentaram em Melbourne, na Austrália, num estádio de 100 mil lugares que se encontrava quase lotado. Para o Real Madrid foi o jogo de estreia da pré-época. Já a AS Roma fez a sua segunda partida de preparação. Foi, contudo, a estreia de espanhóis e italianos na edição 2015 da Internacional Champions Cup, onde o Benfica também participa.

O Real começou em 4-4-2, com Ronaldo e Bale na frente de ataque. Benítez começa assim a reformular a equipa pela base, já que os merengues alinhavam maioritariamente em 4-3-3, tanto sob comando de Mourinho como sob a liderança de Carlo Ancelotti, embora o treinador italiano tenha utilizado o sistema de dois avançados em alguns jogos da época passada.

Na primeira parte, sinal mais para a AS Roma. Os italianos mostraram segurança no passe, grande disponibilidade ofensiva, rapidez. Rudi Garcia tem beneficiado, ao longo dos dois anos em que comanda a equipa, de uma estabilidade no plantel, que se revela crucial a cada começo de época. A equipa vem das férias com a ideia de jogo do ano anterior, salvo um ou outro ajuste, já tem os processos interiorizados e, assim, tudo se torna mais fácil.

Já no Real, a realidade é outra. Uma mudança de treinador traz quase sempre ideias de jogo novas, métodos de treino diferentes. Benítez é o primeiro espanhol a treinar o Real desde 2009. A fornada de estrelas em ascensão que chegaram serão peças importantes mas tudo indica que o núcleo duro da equipa transite da época passada.

Depois da saída de Casillas, Keylor Navas deve assumir a baliza merengue Fonte: Facebook do Real Madrid
Depois da saída de Casillas, Keylor Navas deve assumir a baliza merengue
Fonte: Facebook do Real Madrid

As mudanças no onze merengue começam desde logo pela baliza. Com a inesperada saída de Casillas para o FC Porto, Keylor Navas deve assumir a titularidade. Fez duas grandes defesas no jogo de hoje e embora não tenha a dimensão de Casillas, é um nome que não levanta grande contestação junto dos adeptos. Deverá estar em vantagem sobre a mais recente contratação do Real para a baliza, o ex-Espanhol Kiko Casilla, que não embarcou com a equipa por ainda estar a fazer exames médicos em Espanha mas que muitos apontam ser mais um promissor jovem guarda-redes espanhol. Sendo assim, Florentino Pérez parece ter desistido de De Gea.

Na defesa, e agora que a possibilidade de Sergio Ramos se transferir para Manchester se tornou mais remota (Benítez já lhe terá dito que conta com ele), a dúvida parece estar essencialmente no outro central. Ainda não se percebe vai ser Pepe ou Varane a ocupar esse lugar. Se por um lado, com 32 anos, Pepe acumula mais experiência e ainda mantém as qualidades que o caracterizam (bom jogo aéreo, instinto goleador, vantagem no confronto físico), também é verdade que o francês é dez anos mais novo, reúne igualmente esses atributos e junta-lhe outro, essencial num central moderno, a rapidez (que já vai faltando ao português). Terá ainda uma larga margem de progressão.

No lado esquerdo, não se vislumbra ninguém capaz de competir com Marcelo. Agora que Fábio Coentrão nem sequer embarcou com a equipa (está lesionado na coxa e só deverá voltar em Agosto), a concorrência ao lugar do brasileiro fica a cargo de Nacho. É um promissor defesa espanhol, promovido à equipa principal por Mourinho, que também pode jogar no eixo defensivo. Já não é um menino, tem 25 anos e nunca saiu do Real, onde foi formado. Pela qualidade, merecia jogar com mais regularidade e, por isso, sair por empréstimo por uma época poderia ser uma boa solução.

Mais concorrido parece ser a ala direita da defesa. No jogo de hoje, a titularidade foi entregue a Carvajal mas nada garante que Benítez mantenha a escolha. O espanhol tem exibições relativamente constantes, mas arrisca demais no ataque, o que acaba por descompensar a equipa e lhe dificulta as tarefas defensivas. A contratação de Danilo por mais de 30 milhões tem de querer dizer algo. Não significa que o brasileiro tenha a passadeira estendida até ao onze inicial mas, se se adaptar depressa e bem e assimilar as ideias do treinador, tem todas as condições para ficar com o lugar. Arbeloa já dificilmente entrará na luta.

Carvajal e Danilo vão lutar pelo lugar de defesa direito Fonte: Facebook do Real Madrid
Carvajal e Danilo vão lutar pelo lugar de defesa direito
Fonte: Facebook do Real Madrid

No meio-campo, antevê-se uma disputa renhida, principalmente pelo lugar de médio defensivo. O regresso de Casimiro, que tinha sido emprestado ao FC Porto, e a contratação do também brasileiro Lucas Silva acrescentam qualidade à equipa. Casimiro é um 6 possante, com um bom sentido posicional mas que ainda não terá capacidade para competir com Illarramendi pelo lugar. O espanhol ex-Real Sociedad fez praticamente todos os jogos na Liga o ano passado e partirá em vantagem.

Mantendo-se a aposta de Benítez no 4-4-2, o lugar de extremo esquerdo deve ser de Jesé Rodriguez, como aconteceu no jogo deste sábado. O espanhol pode atuar em qualquer das alas por causa da sua polivalência, é forte no um para um e tem um remate potente e instantâneo. Vai ter a concorrência de um russo, Denis Cheryshev, resgatado ao Villareal.

Quanto à posição mais avançada do meio campo, Isco e Kroos são as opções mas não é de afastar a hipótese de jogarem em simultâneo, como aconteceu em mais de 50 jogos na última temporada.  O menino norueguês Martin Odeggard foi hoje utilizado de início mas os seus 16 anos não lhe devem permitir um lugar no plantel. Tem de ganhar volume físico, noções táticas e tudo o resto antes disso. Depois, restarão 3 lugares para 4 estrelas. Uma terá de ficar de fora ou não necessariamente. Vejamos: no jogo diante da AS Roma, Benítez não tinha James Rodriguez (está ainda de férias por ter estado ao serviço da Colômbia na Copa América). Optou por deixar Benzema no banco (um erro na minha opinião) e colocar Ronaldo e Bale na frente. Se eu estivesse no lugar do técnico espanhol, colocaria Ronaldo e Benzema como a dupla atacante. E Bale a extremo direito, por ser a posição onde o galês mais rende. James ficaria de fora. Era a estrela sacrificada. É sempre difícil fazer escolhas destas.

Por falta de espaço, fica por analisar ao pormenor a AS Roma, que, pelo que demonstrou neste jogo, tem nesta época condições para não se ficar pelo já habitual segundo lugar da Série A e lutar pelo título com a Juve até ao fim. A partida terminou empatada a 0 e foi sempre marcada pelo equilíbrio, tendo a formação romana ganho nos penáltis por 7-6. O melhor em campo foi Gervinho. O costa marfinense continua, aos 28 anos, a ser rei e senhor do drible, finta e tudo o que mais possa baralhar o adversário. Rápido, determinado, tecnicista, merecia mais troféus no currículo (tem apenas uma liga francesa). Destaque ainda para a qualidade e classe que Totti ainda sustenta, à beira dos 39 anos, e para a promessa que é o médio ofensivo belga Nainggolan.

Foto de capa: Facebook do Real Madrid

Mundial Futebol Praia’15 – Nada como o bê à bá rumo ao título!

cab futebol de praia

Dez anos depois, Portugal está novamente na final de um Campeonato do Mundo de Futebol de Praia. Com a vitória por 4-2 frente à Rússia, a bicampeã mundial em título, a seleção nacional assegurou o apuramento para o jogo decisivo, onde procurará a conquista do primeiro título de campeão da sua história, enquanto competição sob a égide da FIFA. A equipa liderada por Mário Narciso entrava para esta meia final com uma ausência de vulto: Jordan Santos. Sem o experiente jogador português, o técnico optou por colocar Bruno Novo no seu lugar, mantendo o restante “5 titular”, com o guarda redes Elinton Andrade e os jogadores de campo Madjer, Torres e Belchior.

Frente a uma seleção com a qual tinha perdido há bem pouco na meia final dos Jogos Europeus, em Baku (derrota de Portugal frente à Rússia por 2-1), a seleção nacional entrou bem na partida, impondo um ritmo que lhe permitiu controlar os destinos da partida. A verdade é que o estilo cerebral em que o jogo se foi envolvendo acabou por ser do agrado de ambas as formações, que fazem do poderio coletivo a sua principal arma. Por isso, a toada geral do encontro foi a de grande equilíbrio, com ambas as equipas a respeitarem-se e não permitirem espaços que lhes poderiam ser fatais. Sendo assim, era expectável que as bolas paradas pudessem ter um papel absolutamente determinante no decorrer do marcador. De facto, foi assim que surgiu o primeiro golo da partida, apontado aos oito minutos pelo russo Makarov, na sequência de um livre direto cujo remate de pé direito só parou no fundo das redes do guarda redes Elinton Andrade.

Apesar do golo sofrido, a seleção portuguesa não se desorganizou e é caso para dizer que não poderia ter tido melhor reação. E isso porque, até ao final do primeiro período, Jordan Santos e Bê Martins – na sequência de um excelente pontapé de pé esquerdo e de um livre direto superiormente executado – deram uma preciosa vantagem de 2-1 a Portugal no final do primeiro período. A reação dos bicampeões do mundo não tardou e, logo no primeiro minuto do segundo tempo, um cabeceamento de Dimitri Shishin após um lançamento de linha lateral (a defesa portuguesa ficou toda a dormir) deu empate aos russos. O problema para a equipa de Likhachev veio logo após, pois, nos festejos, Shishin teve um gesto impróprio para as bancadas, o que levou o árbitro da partida a expulsar por vermelho direto o jogador russo. Este foi mesmo um dos principais momentos da partida: não tanto pelo aproveitamento de Portugal da inferioridade numérica russa – visto que a seleção não conseguiu marcar em vantagem numérica – mas mais pela falta a partir daquele momento de um dos jogadores mais importantes da seleção russa.

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Bê Martins foi a figura da vitória de Portugal
Fonte: Facebook Seleções Portugal

Até ao final do segundo período, aquilo que se viu foi um jogo verdadeiramente amarrado taticamente, onde apenas Makarov e Zé Maria estiveram perto de fazer o gosto ao pé. O terceiro e último tempo começou da mesma forma, com muito mais cabeça do que coração no areal da Praia da Baía, em Espinho. As equipas continuavam num verdadeiro “jogo de sombras” e, à medida que os minutos passavam, facilmente se chegava à conclusão de que apenas uma bola parada ou um lance de génio individual ou coletivo poderiam resolver a segunda meia final da competição. É caso para dizer que as previsões acabaram por acontecer pois, a dois minutos do final, Alan cavou uma falta a meio campo que deu o segundo amarelo e respetiva expulsão a Krash e permitiu a Bruno Novo fazer um excelente remate que só parou no fundo da baliza de Bukhlitsky. As 3 500 pessoas que encheram o Estádio da Praia da Baía explodiram novamente de alegria e só tiveram que esperar mais meio minuto para festejarem definitivamente o apuramento para a final do Campeonato do Mundo. Já bem perto do último minuto do jogo, após assistência com a mão de Elinton Andrade, Bê Martins (bisou no encontro) fez o 4-2 final com um remate colocadíssimo de pé esquerdo.

Depois da derrota em 2005 frente à França nas grandes penalidades no Mundial disputado no Rio de Janeiro, a seleção portuguesa volta ao jogo decisivo do Campeonato do Mundo de Futebol de Praia. Pela primeira vez sobre a égide da FIFA, Madjer e companhia terão a oportunidade de fazer história. E nada melhor do que poderem encerrar esta campanha de ouro com uma vitória em casa, perante milhares de adeptos que têm sido a força desta equipa. Já só falta um degrau para atingir o tão ambicionado título mundial. É preciso acreditar que o sonho é possível!

O outro finalista do Campeonato do Mundo é o surpreendente Taiti, que venceu a Itália por 3-1 nas grandes penalidades, após o 6-6 no tempo regulamentar e prolongamento. Depois do quarto lugar alcançado no último mundial, realizado em 2013 no seu país, a seleção asiática continua a surpreender na Praia da Baía. Impulsionada pelas referências Jo, Taiarui, Labaste, Fung Kuee e Benett, a seleção de Tahina Rota surpreendeu hoje a equipa italiana depois de uma exibição onde o seu estilo irreverente voltou a ter frutos.

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O Taiti vai à procura de um inédito título mundial
Fonte: Facebook Beach Soccer Fan Page

A equipa do Taiti, tal como já havia acontecido nos outros seus jogos, entrou muito forte no encontro e adiantou-se no marcador logo no primeiro minuto, através de um golo de Taiarui. Apesar de ter estado sempre na frente do marcador, a verdade é que a seleção asiática encontrou uma equipa italiana que deu uma forte réplica e que procurava dar continuidade às boas exibições produzidas durante a competição. O empate da equipa de Esposito aconteceu mesmo aos quatro minutos, quando o inevitável Palmacci restabeleceu a igualdade. Nesse mesmo minuto, Labaste – uma das principais figuras da equipa do Taiti – fez o 2-1 após um forte remate que permitiu à sua seleção ir para o final do primeiro período em vantagem. Tal como no primeiro tempo, os asiáticos – empurrados por uma fantástica falange de apoio – voltaram a entrar melhor no segundo período, e Bennett, aos 14 minutos, fez o 3-1 para a sua seleção.  O jogo ia correndo de forma intensa e equilibrada, com a Itália a não conseguir parar o ímpeto de uma seleção que joga constantemente sob um ritmo frenético. Também por isso os italianos passaram a jogar mais no erro do adversário, sobretudo na procura de bolas paradas que lhes permitissem reentrar na decisão da partida. E assim aconteceu, com Gori, na sequência de um livre, a reduzir a desvantagem dos italianos aos 22 minutos. Para os transalpinos, a desvantagem mínima durou pouco pois, na sequência de uma jogada estudante num pontapé de canto, Tavanae recolocou o Taiti a vencer por dois golos, tendo sido com o marcador em 2-4 que a primeira meia final da competição se encaminhou até ao término do segundo tempo.

O terceiro e último período trouxe uma seleção italiana com mais projeção para o ataque. A desvantagem era preocupante e, com apenas doze minutos para jogar, os italianos sabiam que tinham de arriscar tudo na procura por outro resultado. Aos 26 minutos, em mais uma bola parada, Dario Ramacciotti reduziu para a Itália, mas, tal como tinha ocorrido no segundo tempo, o Taiti voltou a repor a vantagem de dois golos nesse mesmo minuto, após um golo de Bennett, que bisava assim na partida. Di Palma e Tepa, aos 28 e aos 33, na sequência de dois livres diretos, fizeram mais um golo para cada uma das equipas, o que fazia prever que, a tão pouco tempo do final do jogo, nada pudesse retirar o Taiti da grande final do Campeonato do Mundo de Futebol de Praia.

A questão é que, nos instantes finais do terceiro período, os jogadores italianos conseguiram encontrar forças para recuperarem de um 4-6 para um 6-6. Com os golos aos 35 minutos de Carosiniti e Gori (este de grande penalidade), a equipa transalpina levou o jogo para um prolongamento de três minutos que acabou por não ter qualquer golo. A decisão da meia final teve mesmo que ir para a marca das grandes penalidades, onde Palmacci permitiu a defesa a Jo. No último e decisivo remate, Fung Kuee não desperdiçou a oportunidade de colocar o Taiti pela primeira vez na história na final de um Campeonato do Mundo. Para a seleção asiática, só falta bater a seleção anfitriã no jogo decisivo para fazer história no futebol de praia. Quanto à Itália, e apesar da boa campanha, mais uma vez fica à porta da grande decisão e vai ter que se contentar com o jogo de atribuição do terceiro e quarto lugares, frente à ainda bicampeã mundial Rússia.

 

Figuras do Dia: Portugal e Taiti – É inevitável  destacar as duas formações que conseguiram um histórico apuramento para a final do Campeonato do Mundo. Apesar de terem tido percursos diferentes na competição, facilmente se chega à conclusão de que a final deste domingo será disputada pelas duas melhores equipas ao longo do Mundial. Com estilos de jogo diferentes, o jogo decisivo será certamente empolgante e com um resultado imprevisível.

Fora de Jogo: Shishin – Numa seleção que ainda é bicampeã mundial, não podem existir comportamentos como o de Shishin esta tarde. O gesto obsceno com que brindou o público após o seu golo foi o ato mais lamentável ocorrido durante este mundial. Foi expulso e acabou por prejudicar a sua seleção. Coincidência ou não, a verdade é que, depois de ter sido retirado de jogo, a Rússia nunca mais se encontrou no jogo desta meia final, frente a Portugal.

O bichinho de campeão já morde…

hic sunt dracones

Paremos por aqui, caro leitor. Provavelmente, se chegou aqui através do Facebook, já terá visto muitos comentários jocosos ou até mesmo depreciativos em relação a este artigo. A probabilidade de mais de 90% deles nem sequer se terem preocupado em conhecer o contexto da frase proferida é grande.  Sabe quem me conhece e talvez alguns daqueles que me seguem desde a primeira hora que não sou pessoa de embandeirar em arco, cantar vitória antes do final. Mas, que me desculpe a minha faceta ponderada, não há como não me sentir já campeão. 

Há um mês atrás escrevi uma rubrica (http://www.bolanarede.pt/nacional/porto/todos-na-casa-de-partida/), onde mencionava o facto de não acreditar que o FC Porto partisse em vantagem por ser o único, dos três potenciais candidatos ao título, a não trocar de treinador. Mas perante um mercado de transferências estupidamente louco como este não há como não achar que os equipamentos do próximo ano vão ser mesmo muito bonitos (referência ao facto de a beleza dos equipamentos depender do escudo de campeão nacional). 

Quero muito acreditar em Iker Casillas. Nos últimos anos fui um dos grandes críticos do espanhol, achando que ele já não era o grande guarda-redes que foi capaz de ombrear com jogadores como Buffon, Van Der Sar e outros tantos. Mas o ar agastado, o cansaço emocional que lhe revia em Madrid desapareceu. Vejo um novo Casillas nos trabalhos de pré-época. E a esperança de ver um dos melhores do mundo a defender as redes do FC Porto continua a crescer de dia para dia.

A mística do dragão, o poder dos guerreiros Fonte: Facebook do FC Porto
A mística do dragão, o poder dos guerreiros
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

Maxi, lamento mas quanto a ti a minha opinião não é melhor. Gosto da entrega que colocas em cada lance, da agressividade e da garra com que te dedicas ao jogo. Mas, para mim, o futebol é muito mais do que isso. Atrevo-me a dizer que muitas vezes isso nem serve para nada. Felizmente para nós, passaste os últimos anos com um dos melhores, que te ensinou bastante sobre o jogo jogado. Mas não te acho um jogador capaz de perceber o contexto onde está inserido e de encontrar as melhores soluções a cada momento. Eras o Maxi que eras porque vivias no sistema de Jesus há muitos anos. Mas espero estar enganado. 

Neste momento, só falta um avançado de topo e, talvez, um médio criativo para o meio campo (Bueno?). Fala-se em Llorente e Mitrovic. Se um ou outro vierem, não há como não encomendar as faixas logo no início. Lopetegui, já não te perdoo mais. És, talvez, o treinador com maior autonomia decisória da história do FC Porto. Contratas por milhões, mandas embora jogadores que eram considerados símbolos (apesar de eu nunca ter gostado muito de Quaresma)… Quero mesmo ser campeão. E sei que o digo com o mercado de transferências ainda a meio. Ainda há muito caminho por percorrer, muitos jogadores a entrar e outros tantos a sair. Esperemos que o figurino dos três potenciais campeões ao título não mude muito. Em maio? É para festejar. Ou antes, se possível.

Mister, vamos lá ser campeões?

Mundial Futebol Praia’15 – Capitão ditou a sentença: as meias finais!

cab futebol de praia

Mais um jogo, mais uma vitória e mais um passo rumo ao título mundial. Em passo firme, Portugal ultrapassou esta quinta-feira mais um duro obstáculo rumo ao objetivo que todos os portugueses querem: o campeonato do mundo. O jogo não era fácil; afinal de contas, era a temível Suíça de Ott e Stankovic que apareciam no caminho da seleção nacional. Também por isso, mais uma vez o Estádio da Praia da Baía encheu-se de fé e de esperança de que as meias finais fossem um objetivo ao alcance dos comandados de Mário Narciso.

A primeira explosão de alegria veio logo aos dois minutos: Leu atrasou mal a bola ao guarda-redes Valentin e ela acabou mesmo por entrar na baliza suíça. Sem fazer grande coisa por isso, Portugal apanhava-se numa vantagem importante na partida. A verdade é que nos minutos seguintes a seleção nacional teve alguma felicidade, sobretudo devido às duas bolas enviadas aos ferros por Stankovic e Noel Ott. O golo do empate acabou mesmo por surgir, já no último minuto do primeiro tempo, com Ott, após assistência de Borer, a desfeitear o guarda-redes Elinton Andrade, dando justiça ao resultado no final do primeiro período. Tal como havia acontecido na primeira parte, Portugal entrou bem no segundo período. Ainda assim, se no primeiro caso isso tinha acontecido mais por demérito suíço, agora isso acontecia pelo forte domínio que os jogadores portugueses impuseram aos suíços. Não foi por isso de estranhar que no espaço de 3 minutos a seleção tivesse chegado a 3 golos, por intermédio de Madjer (excelente remate de pé esquerdo), Elinton Andrade (o guarda-redes português fez um golo de levantar o estádio) e Belchior, na sequência de um livre direto. O 4-1 no marcador era um resultado perfeitamente tranquilo e inteiramente justo para aquilo que se via no areal da Baía em Espinho: impulsionados por um tremendo Coimbra e um letal Madjer, a seleção portuguesa ia banalizando uma equipa suíça que só em rasgos individuais de Ott e Stankovic ia incomodando as redes lusitanas. Até ao final do segundo período, Stankovic, com um forte remate de pé esquerdo, ainda reduziu para os helvéticos, que levaram o resultado a 4-2.

O último período acabou por não trazer diferenças de maior ao nível do jogo. Portugal continuava superior em todos os momentos do jogo e sobretudo a nível defensivo continuava perfeitamente imperial. A dupla Jordan Santos e Rui Coimbra chegava para as encomendas, enquanto, no ataque, Belchior, Alan e Madjer eram um verdadeiro quebra-cabeças para os defesas suíços. Aos 25 minutos, acabou por surgir o momento alto da tarde, com Madjer, ainda antes do meio campo, a fazer, com o seu pé esquerdo, um remate em arco soberbo que só parou no fundo das redes suíças. Apenas dois minutos depois, foi a vez de outra das figuras da exibição portuguesa, Coimbra, fazer o 6-2 e pôr um ponto final na partida. Até ao final do encontro, Ott ainda reduziu de grande penalidade e Madjer ainda completou o hat trick, mas esses foram já dois momentos que vieram apenas reafirmar aquilo que se tinha visto durante a esmagadora maioria do encontro. Portugal fez uma exibição de luxo e acabou por vencer de forma inesperadamente tranquila. Agora, segue-se a bicampeã mundial, Rússia, num duelo que recorda a meia final dos Jogos Europeus nos quais os russos bateram Portugal por 2-1. Depois do jogo desta quinta feira, é caso para dizer que um Portugal a grande nível poderá atingir o sonho. Já está muito perto. Só resta continuar a acreditar.

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Portugal está a um pequeno passo da final
Fonte: Facebook Seleções Portugal

O jogo de abertura dos quartos de final era porventura o encontro mais equilibrado do dia. E isso porque se defrontavam aquelas que são, muito provavelmente, as duas melhores equipas do mundo do futebol de praia. Rússia e Brasil subiam ao areal da Praia da Baía com o único objetivo possível: o apuramento para as meias finais. O alinhamento previsível do quadro não seria este mas a derrota dos russos contra o Taiti precipitou esta espécie de “final antecipada”.

A verdade é que o estádio da Praia da Baía se encheu para ver um duelo que foi a todos os níveis emocionante. Num primeiro tempo bastante intenso e recheado de emoção, foram os bicampeões mundiais a entrar melhor, com Paporotnyi e Skharin, na sequência de dois lances de bola parada, a adiantarem os russos no marcador. O resultado não era totalmente justo porque a Rússia apenas jogava na expetativa dos erros brasileiros que acabaram por acontecer. Apesar de estar em desvantagem, a equipa canarinha dava espetáculo no areal e o seu domínio acabaria por trazer resultados no primeiro período. Com os golos de Mão (excelente golo de baliza a baliza do guardião brasileiro), Datinha (na sequência de um livre direto) e Mauricinho (na sequência de um contra ataque), o Brasil chegava ao final do primeiro período com um 3-2 no marcador que se ajustava.

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A Rússia apontou o golo decisivo a 10 segundos do fim
Fonte: Facebook Beach Soccer Fan Page

Ainda assim, o primeiro período parece ter sido o único em que o Brasil verdadeiramente esteve em campo esta tarde. Quem comparar o primeiro com o segundo período verá que no segundo tempo o Brasil simplesmente não existiu na Baía. As triangulações já não saíram, o jogo ofensivo fluido era agora previsível e as oportunidades que se sucediam eram agora apenas esporádicas. Para além do demérito brasileiro, para esta inversão da tendência da partida muito contribuiu a Rússia, que, depois de um primeiro período onde apenas foi reativa, no segundo tempo surgiu com vontade de mudar o rumo do encontro. Isso acabou mesmo por acontecer, com o golo de Shishin aos 13 minutos a dar o empate a três golos, resultado com o qual se concluiu o segundo período. No terceiro e último período, e ao contrário do que seria de esperar, as equipas não tiveram receio de cometer erros que pudessem ser fatais. Aos 29 minutos, Peremitin aproveitou um novo erro defensivo num canto para fazer o 4-3 para os russos. Dois minutos mais tarde, foi a vez de Bokinha, numa grande penalidade discutível, a fazer novamente o empate para o Brasil. Aos 31 minutos, o ping-pong no marcador continuou, com Romanov a restabelecer a liderança russa no marcador após um bom trabalho individual. Pensava-se que, a cinco minutos do fim, o golo do camisola 3 da seleção russa seria decisivo. Acabou por não ser, em virtude do golo salvador de Bruno Xavier aos 33 minutos, que levou a canarinha até ao prolongamento.

No tempo extra, e apenas com três minutos para jogar, percebia-se o medo que ambas as equipas tinham. O momento era decisivo e qualquer lance podia dar um golo decisivo. Entre lances perigosos de um e de outro lado, acabou por se superiorizar a Rússia a 10 segundos do fim, quando Skaikov, após um brilhante lance individual de Shishin, fez o 5-6 decisivo, que põe a Rússia no caminho de Portugal nas meias-finais do campeonato do mundo. É certo que o equilíbrio com que se desenrolou a partida poderia ter levado o jogo a cair para qualquer lado. Ainda assim, depois de feitas as contas ao jogo, acabou por se superiorizar a racionalidade russa face à emotividade brasileira. Fazendo da coesão defensiva o seu ponto mais forte, os bicampeões mundiais continuam na estrada para o tri. Agora, segue-se Portugal no caminho da seleção de Likhachev.

O terceiro jogo destes quartos de final foi talvez o menos interessante de todos os que vimos nesta quinta-feira. Isso deveu-se sobretudo ao equilíbrio tático que, quer a Itália, quer o Japão, evidenciaram ao longo de todo o encontro. Não se pode dizer que o comportamento expectante que ambas as seleções apresentaram tenha sido uma verdadeira surpresa, porque esse foi o tónico que demonstraram ao longo da competição. Mais do que serem equipas vertiginosas em termos ofensivos, a Itália e o Japão fazem da coesão defensiva a sua principal arma.

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Zurlo foi novamente decisivo na Itália
Fonte: Facebook Beach Soccer Fan Page

Por isso, o golo de Ozu Moreira, logo no primeiro minuto da partida, não foi argumento suficiente para que italianos e japoneses mudassem o destino de uma partida taticamente tão amarrada. A vantagem conseguida permitiu aos nipónicos uma margem para se imporem no terreno, mas nem isso foi suficiente para que a Itália se sentisse verdadeiramente desconfortável em campo. Aliás, e mesmo que as oportunidades não tenham sido em número acentuado, a verdade é que coube sempre à seleção transalpina as rédeas da partida. Isso deveu-se em grande parte à incapacidade de uma seleção japonesa demasiado centrada na capacidade defensiva e de criar desequilíbrios de Ozu Moreira. Até ao final do primeiro período, a Itália acabou mesmo por colocar em pratos limpos a situação, empatando o resultado por intermédio do inevitável Emanuelle Zurlo.

O segundo tempo acabou por ser mais do mesmo, com a Itália, mesmo sem nunca impor um ritmo demasiado elevado, a estar por cima das operações. Aliás, apenas a exibição de Terukina foi suficiente para que os tiffosi não tenham chegado mais cedo a uma vantagem que já faziam por merecer. Essa reviravolta no marcador acabou por surgiu já bem perto do fim do segundo período, com Ramacciotti, num excelente golo de pé esquerdo, a fazer o 2-1 para os italianos. No derradeiro período, o Japão conseguiu soltar um pouco as suas próprias amarras e, muito em virtude do espírito do avançado Goto, foi à procura de um golo que a recolasse no caminho das meias-finais. Esse tento acabou por surgir pelo próprio Goto, aos 26 minutos, na sequência de um pontapé livre brilhantemente executado pelo jogador nipónico. A Itália acabou por reagir muito bem ao empate japonês e, por intermédio de Gori, Palmacci e Zurlo, a seleção de Massimiliano Esposito foi mostrando que não queria levar o jogo para prolongamento. A melhor qualidade da sua seleção, aliada à capacidade técnica dos seus atletas, fez com que o golo decisivo tenha mesmo surgido, já no penúltimo minuto do encontro, por intermédio da figura da partida, Emanuelle Zurlo, que bisou no encontro. Agora, para os italianos, segue-se o Taiti no caminho para a final.

No último encontro do dia, Irão e Taiti proporcionaram um encontro bastante entretido e emocionante. À partida, para esta competição, apostar-se num duelo nos quartos de final entre estas duas seleções seria algo de impensável, tendo em conta os grupos em que se encontravam. A verdade é que o Irão eliminou a favorita Espanha, enquanto a seleção da Polinésia Francesa havia derrotado a Rússia, terminando o Grupo D em primeiro lugar. Por isso, eram duas verdadeiras equipas surpresa as que se encontravam neste último duelo dos quartos de final.

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O Taiti repete a presença nas meias finais do Mundial
Fonte: Facebook Beach Soccer Fan Page

O jogo acabou por corresponder às expetativas e ambas as seleções demonstraram no areal da Praia da Baía as qualidades que as trouxeram a esta fase. No lado iraniano, é importante o destaque para o guarda-redes Hosseini (mais uma bela exibição), para Akbari e para a referência Mohammad Ahmadzadeh. Do lado do Taiti, a seleção liderada por Rota sustentava o seu jogo ofensivo no perigoso tridente composto por Labaste, Bennett e Li Fung Kuee. Numa partida sempre pautada pelo equilíbrio, o Taiti acabou por estar consecutivamente à frente do marcador. No primeiro período, Bennett e Ahmadzadeh, aos 10 e 12 minutos respetivamente, fizeram um golo para cada equipa, o que foi ao encontro do que se viu em campo. O segundo período acabou por não trazer nada de novo: do lado do Taiti, e ao contrário do que se havia visto no jogo com a Rússia, a seleção não conseguiu ter um jogo tão fluido e consistente; na equipa do Irão, a inspiração ofensiva estava demasiado centrada em Ahmadzadeh, que não dava para todas as encomendas. Também por isso, o segundo tempo acabou por resultar somente em mais um golo para cada uma das equipas, por Bennett (bisou na partida) e Morshedi.

O terceiro e último período trouxe duas seleções com cariz mais ofensivo: o Taiti lançou-se à procura da vitória e finalmente começaram a surgir fogachos da qualidade que esta seleção indiscutivelmente tem. O Irão ia levando o jogo como queria, tendo em conta que o ritmo baixo lhe era favorável. O problema para a equipa asiática foi o de ter que correr sempre à procura do resultado: depois do 3-2 de Tepa, Mesigar fez, na sequência de uma grande penalidade, o empate para o Irão. Aos 29 minutos, Li Fung Kuee, que havia feito um póquer à Rússia, fez novo golo para o Taiti, a que o Irão voltou a responder logo a seguir, por Mokhtari. Contudo, esta toada de parada e resposta acabou por terminar com o golo decisivo apontado à boca da baliza por Taiarui aos 31 minutos. O 5-4 do Taiti acabou por ser o canto do cisne para uma equipa do Irão que acabou por ser eliminada após uma excelente prestação no Mundial. Segue para as meias finais a equipa mais forte e que repete uma presença entre as quatro melhores equipas do mundo, tal como havia acontecido em 2013, no mundial disputado no seu país. Para o Taiti, segue-se agora a toda poderosa Itália, num duelo que promete rumo à final do Campeonato do Mundo, em Espinho.

 

Figura do Dia: Madjer – A exibição do capitão português foi a todos os níveis notável. Três golos decisivos, sendo que o segundo será certamente um dos melhores, senão mesmo o melhor, de toda a competição. Portugal chega em verdadeiro ponto de rebuçado à meia-final frente à Rússia, e muito disso se deve à qualidade que o capitão da seleção portuguesa tem demonstrado.

Fora de Jogo: Bruno Xavier e Stankovic – Depois de visto e revisto o Mundial destes dois excelentes jogadores fica a sensação de que ambos poderiam ter dado bem mais nas areias de Espinho. É certo que o Brasil e a Suíça também não estiveram coletivamente na melhor das formas, mas a verdade é que se esperava mais de dois dos melhores jogadores do mundo.

O caso William e que “Manel” fará o lugar. Ou devíamos ir ao mercado?

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a norte de alvalade

A lesão de William rebentou que nem uma bomba. A sua ausência é com toda a certeza muito mais do que uma péssima notícia. Representa, a par da lesão de Ewerton, uma forte contrariedade e uma aparente diminuição da nossa capacidade competitiva. Enquanto se elaboram as mais escabrosas teorias da conspiração à volta do sucedido, é minha opinião que, acima de tudo, parece estarmos presentes frente a um daqueles casos em que todos falharam.

Falhou a equipa médica da federação, que não terá valorizado as queixas do jogador, não tendo por isso agido preventivamente, realizando exames complementares de diagnóstico. Falhou o jogador mais ou menos pelas mesmas razões. Falhou o departamento de futebol do clube por, talvez também pelas mesmas razões, não se ter inteirado do estado dos seus jogadores no final da competição. Falha que, por não ter nenhum alerta a montante, é desculpável mas não pode deixar de servir como ensinamento.

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William vai falhar pelo menos 10 jogos oficiais
Fonte: foxsports.com.br

Por outro lado, esteve muito bem o departamento médico do clube por ter actuado de imediato perante queixas não muito relevantes, actuação que certamente contribuiu para que o problema não se tornasse ainda maior e mais grave. O que rejeito liminarmente é que o jogador tenha jogado lesionado com conhecimento de algum responsável, seja ele médico e/ou técnico ou federativo.  É já um lugar comum dizer-se que uma crise é também uma oportunidade. Fazendo jus às suas origens, William é desde o seu aparecimento, não um eucalipto, mas um frondoso embondeiro sob o qual não há mais espaço para nenhuma outra árvore, apenas erva rasteira. O afastamento prolongado de William representa isso mesmo – uma oportunidade – para os jogadores que, estando já no plantel, viviam sob a sua enorme sombra.

Os principais candidatos são Oriol Rosell, Wallison e Palhinha. Isto porque não me parece crível que JJ abdique de um jogador com um perfil físico de baixa envergadura para o lugar de William. Ora Palhinha está lesionado, pelo que a luta será, para já, a dois. Wallison já jogou e foi até o primeiro jogador a marcar nesta nova época, frente à equipa B. Rosell tem de subir muito os níveis de intensidade com que nos habituou. As suas aparições no ano passado deixaram um rasto misto, de aparente potencial contrastando com pouco nervo e capacidade de reacção. Tem a seu favor, quanto a mim, a falta de continuidade, o que normalmente é fatal para alcançar o ritmo de que um jogador necessita para vingar. Há sempre a possibilidade de procurar fora de casa a resolução do problema que a ausência de William agora suscita. Uma solução em que os constrangimentos de ordem financeira constituem o principal entrave logo à partida. Mas, atendendo às ambições e aos compromissos do clube, talvez deva ser uma possibilidade a contemplar de imediato se se entender que não há solução satisfatória nos quadros do clube. É que William só poderá regressar em Outubro mas a possibilidade de a boa forma acontecer em simultâneo, não sendo impossível, é também remota. E até Outubro grande parte da sorte da época pode muito bem estar traçada.

Uma Maxi bomba no eixo Dragão-Luz

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Maxi Pereira é reforço do FC Porto. Depois de infindáveis rumores e entre avanços e recuos, aí está mais uma contratação-bomba, poucos dias depois de Iker Casillas ter sido anunciado como jogador dos dragões. Pela ordem natural dos acontecimentos, Maxi será o substituto direto de Danilo na lateral-direita dos azuis e brancos. Depois do impasse em redor do seu futuro, e das já conhecidas “trocas e baldrocas” geradas pelo seu empresário, Maxi tem agora um contrato de quatro temporadas à sua espera na Invicta. Portistas e benfiquistas já deveriam estar habituados a estes volte-faces de última hora, mas a troca de camisola do uruguaio assume uma relevância quase histórica.

Acima de tudo, esta transferência representa (mais) um rude golpe no seio do balneário da Luz. Depois de Jorge Jesus ter trocado de “casa” na Segunda Circular, é a vez do subcapitão dos encarnados fazer as malas rumo ao outro rival. Se Rui Vitória considerava essencial a renovação de Maxi, para ser uma extensão sua no grupo de trabalho que vai comandar esta época, viu agora desaparecer um dos seus maiores alicerces para o novo desafio que enfrenta. Maxi era o “jogador à Benfica”. Será “jogador à Porto”?

Numa primeira instância poder-se-ia avançar que sim. Maxi Pereira é um jogador aguerrido, com muito coração e que raramente desiste de um lance. Sua a camisola em todos os jogos e, para ele, os amigáveis são para levar tão a sério como uma final europeia. É o protótipo de jogador que cairia no goto da massa associativa dos dragões. Mas este é um caso muito particular que merece ser revisto mais a fundo.

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Maxi passou oito anos de águia ao peito. Quão estranho será vê-lo de azul e branco?
Fonte: Sport Lisboa e Benfica

Esta é, para mim, a contratação mais anti-natura que vi no FC Porto nos últimos tempos. Estamos a falar de um jogador com 31 anos, que vem para substituir um dos melhores laterais direitos da atualidade. Maxi não é um prodígio de técnica e isso é algo que, no futebol idealizado por Julen Lopetegui, pode ter consequências nefastas. Além do mais, nas oito épocas que passou ao serviço do Benfica, gozou de uma impunidade tremenda. Não é o jogador que quero para substituir Danilo. Foi aquele adversário que criou ódios de estimação entre os adeptos portistas e que vai totalmente contra a política de contratações do clube: é um jogador que não se vai valorizar e que já está na curva descendente. O salário não será baixo. Tem fragilidades defensivas e é, por vezes, demasiado trapalhão. E, hoje em dia, no Dragão, não se exalta um jogador porque é muito esforçado. Tem de ser, efetivamente, um bom jogador, na plenitude de todos os recursos técnicos e táticos.

Vale pela “facada” ao maior rival do FC Porto? É inegável que este é uma machadada nas aspirações benfiquistas e a oportunidade de negócio foi boa, porque vem a custo zero; mas Maxi é daqueles jogadores que eu não queria ver com a camisola às riscas vestida e de brasão abençoado ao peito. Porque os contras são mais do que os prós. E (acusem-me da irracionalidade que quiserem) porque simplesmente não faz sentido. Tenho dito.

Foto de capa: Página do Facebook da Seleção Uruguaia de Futebol