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Lima, o homem-sombra de que a Luz terá saudade

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O sucesso tem o seu preço e o do Benfica tem sido a enorme cobiça aos seus principais ativos, que têm tornado cada defeso numa autêntica novela e debandada no plantel principal, sobretudo no onze base. Basta recuarmos dois anos para perceber que tudo está diferente e que quase todos os protagonistas já mudaram de ares. Oblak e Siqueira foram para Madrid, Garay está na Rússia, Maxi foi para Norte, Matic é peça fundamental no esquema de Mourinho, Enzo rumou a Valencia para ser companheiro de Rodrigo e André Gomes, Markovic representa o Liverpool, Cardozo está na Turquia para onde Artur foi este ano e, por último, Lima rumou ao Dubai para ganhar a sua reforma dourada. Luisão, Salvio e Gaitán são exceções, embora El Zurdo esteja sempre nas bocas do mundo para uma eventual trasnferência, mas a saída nunca foi consumada. Será este ano?

Com tantas mudanças e alterações no onze base era normal que qualquer equipa se ressentisse, mas o Benfica tem dado provas de uma estrutura forte que não abala com a saída de ninguém e está sempre pronta a responder às adversidades. Esse é um dos méritos de Luís Filipe Vieira, a construção de um clube sólido e estável, e era também um dos méritos de Jorge Jesus, de preparar todos os jogadores para responderem positivamente sempre que chamados a intervir, sendo mais ou menos utilizados. Apesar de todas as épocas existir um 11 base, JJ conseguiu incutir as dinâmicas coletivas em todos os elementos que passaram pelo Seixal e reduzir assim o impacto de saídas de jogadores preponderantes. Saiu Javi e Witsel e muitos anunciaram o fim do Benfica, mas mal sabiam que no laboratório já Matic estava super afinado e pronto a brilhar e que Enzo Perez podia ser um 8 de grande qualidade, em vez de extremo. Os dois saíram e Fejsa, Samaris e Pizzi deram conta do recado. Garay saiu, Jardel afirmou-se e ninguém se queixou. Idas perspicazes ao mercado supriram outras ausências, tendo como maior exemplo a aquisição de Jonas. Alguém se lembra de Rodrigo?

Por fim, dou o exemplo de André Almeida, que, a meu ver, é um exemplo claro de que as dinâmicas coletivas estavam bem incutidas. O internacional português fazia de defesa-direito, esquerdo e a posição 6 (lembram-se do jogo em Alvalade?) de forma satisfatória, sem nunca ser brilhante, mas sem comprometer.

"Vou guardar o Benfica no meu coração! Estou contente pelo trabalho que fiz no Clube. Agradeço ao Presidente, aos meus colegas e o carinho dos adeptos que carregam a mística Benfiquista" - Lima
“Vou guardar o Benfica no meu coração! Estou contente pelo trabalho que fiz no Clube. Agradeço ao Presidente, aos meus colegas e o carinho dos adeptos que carregam a mística Benfiquista” – Lima

Podia continuar a enumerar algumas destas trocas, mas elas estão bem presentes na memória de todos e, hoje, são poucos os benfiquistas que choram e que fazem de uma transferência o fim de uma equipa. É fruto da estabilidade e da solidez que o clube vive, e Rui Vitória só dará continuidade a este facto, também ele habituado, embora num clube de nomeada mais baixa, a dar resposta a muitas ausências e saídas do plantel. É um treinador que valoriza as dinâmicas coletivas e as põe acima de tudo e acima das individualidades.

Ora, este ponto a favor de Rui Vitória e a forma bastante positiva como, num passado recente, o Benfica tem saído dos defesos deixam-me mais tranquilo em relação à saída de Lima, uma peça essencial nos últimos anos na Luz.

O brasileiro nunca foi uma figura de proa, uma estrela, nunca foi o ídolo do Terceiro Anel e foi até criticado várias vezes, inclusive no início da temporada que findou, por escassez de golos e erros gritantes de finalização. Lima sai agora da Luz, sem o “barulho” que outros fizeram, sem o “choro” da maior parte dos adeptos, mas o camisola 11 fará tanta ou mais falta que todos os outros. Não digo com isto que Lima é insubstituível porque não o é, aliás, o Benfica não tem jogadores com esse estatuto, mas o goleador será um dos mais difíceis de substituir por parte da estrutura.

É certo que muitas vezes Lima nos pôs os nervos em franja com os seus falhanços, desacertos ou faltas de inspiração, mas foram muitas mais as vezes em que nos fez levantar da cadeira e vibrar. Como gritamos com aquela bomba frente à Juventus que nos pôs na final de Turim! Alguém se esqueceu? E aquele hábito natural de marcar no Dragão? Foram dois tentos no ano passado quando, para todos, iríamos ser goleados. As saudades que vamos ter tuas quando lá voltarmos…

 70 golos de águia ao peito em 3 anos, com uma média de 23,33 tentos por época

70 golos de águia ao peito em três anos, com uma média de 23,33 tentos por época

Existem poucos jogadores com as características de Lima: trabalhadores, possantes, que conseguem viver na sombra de outra referência sem serem afetados por isso e mesmo assim fazerem golos atrás de golos. São 70 os golos que Lima fez em três épocas de águia ao peito, um número bastante interessante para um avançado que, como tantas vezes ouvi dizer, “se esforça muito mas não marca golos”. Lima marcava, dava a marcar e também salvava golos! Era o primeiro elemento a defender e era fundamental na transição ataque-defesa de Jorge Jesus.

Lima foi quase sempre o homem-sombra do ataque benfiquista, ora com Cardozo, ora com Rodrigo e por fim com Jonas. Os golos, esses, foram sempre partilhados e nunca os números do seu parceiro foram muito superiores aos seus. Tacuara fez 33 golos em 2012/13 contra 30 de Lima, Rodrigo fez 18 em 2013/14, tendo Lima feito 21 e, por último, Jonas fez 31 com o camisola 11 a fazer 19.

O avançado brasileiro é um daqueles jogadores com quem é fácil fazer parelha e que ajuda a sobressair o colega de forma imediata, com a sua tamanha humildade e sacrifício de equipa. Que o diga Jonas, que chegou, viu e venceu!

 Formou com Jonas uma das melhores duplas atacantes dos últimos anos

Formou com Jonas uma das melhores duplas atacantes dos últimos anos

O ex-Valencia foi o jogador que mais brilhou ao lado de Lima e o que melhor interpretou as suas movimentações. Jogavam quase de olhos fechados e basta analisar as estatísticas e perceber que, esta época, o Benfica começou a melhorar quando os dois coabitaram no mesmo onze e se começaram a entender. A partir daí, os golos de ambos não mais pararam.

Jonas formará, agora, uma dupla com outro jogador ou atuará sozinho na frente de ataque, num dilema que Rui Vitória terá de resolver. Jonathan é uma estrela a precisar de ser lançada para a pista e está na linha da frente da sucessão, já que Nelson Oliveira não parece a melhor alternativa. Uma ida ao mercado para trazer um avançado é uma solução bem real, mas confesso que preferia ver o uruguaio como o eleito, tal como escrevi há algumas semanas. É um talento e não pode ser desperdiçado! Para além disso tem características que assentam perfeitamente no 4-4-2 e que deverão combinar bem com Jonas (se este não sair).

Seja o que for que Rui Vitória escolher, Lima deixará sempre saudades para os benfiquistas que gostam verdadeiramente de futebol e do jogo, ao contrário daqueles que apenas querem saber quem empurra a bola lá para dentro. E até desses Lima devia receber um aplauso, ou melhor, 70 aplausos!

Todas as imagens são do Facebook do Benfica

Tour de France 2015: Froome no topo do Olimpo

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C’est fini! Mais um ano, mais uma Volta à França e mais um sentimento de querer que tudo volte atrás para termos o privilégio de voltarmos a assistir a três semanas como estas, do melhor que o ciclismo mundial pode dar. De entre os “Fantastic Four” presentes nesta prova, Chris Froome mostrou ser o mais fantástico de todos e garantiu a sua segunda vitória no Tour de France!

O britânico da Sky (curiosamente, tal como em 2013, depois de vencer o Dauphiné venceu também o Tour) teve uma prestação muito boa, visto que foi dos poucos favoritos a não perder tempo na 1.ª semana (tal como disse, o essencial dela era mesmo o não perder tempo mais do que ganhá-lo, e isso veio a revelar-se decisivo), dominou e conquistou na 2.ª e controlou as perdas na 3.ª semana – tivesse ele estado ao lado de Quintana nas últimas etapas de montanha e teria sido mesmo um Tour a roçar o perfeito. Aliás, nesta última semana há que destacar a capacidade de sofrimento, a coragem e o esforço de Chris Froome, que teve um tratamento injusto por parte do público (devido a meros rumores e a coisas que ninguém, neste momento, consegue provar; até parece que, por uma melhor prestação de alguém ou por um certo domínio, o tema “doping” tem de vir logo ao de cima, é inacreditável) – assobios, cuspidelas, receio por ter aquela sensação de que a qualquer momento alguém lhe fosse empurrar e, por fim, até mesmo teve que levar com urina em cima… atitudes reprováveis de certas pessoas que só mancham esta grande modalidade e a própria Volta à França. Posto isto, será que terá Froome vontade de voltar para o próximo ano ou noutro ano qualquer? Veremos, mas é algo a refletir.

Respondendo à minha pergunta aquando da “previsão” deste Tour de France 2015, não, não foi um dos melhores de sempre. Primeiramente, desde cedo começou a tornar-se numa luta a dois homens – Quintana e o próprio Froome – e o britânico de origem queniana até a poucas etapas do fim estava a mostrar uma grande superioridade perante todos, tal como a sua equipa, a Sky, que fez uma corrida excelente e mostrou estar sempre presente para Chris Froome (quer nas etapas planas, quer na montanha, quer no pavé; quer nos bons, quer nos menos bons momentos, realmente foi um merecido triunfo também para esta excelente equipa).

Chris Froome festeja a vitória com a sua equipa Sky  Fonte: sapo.pt
Chris Froome festeja a vitória com a sua equipa Sky
Fonte: sapo.pt

Depois, tivemos a classificação dos pontos a voltar a não ter muita história. Apesar das quatro vitórias de André Greipel (o único que ainda “ameaçou” o 1.º lugar desta classificação, a par do vencedor), o carismático Peter Sagan continua sem dar hipóteses à concorrência e voltou a levar a camisola verde para casa – o novo sistema de pontos até acabou por beneficiá-lo mais, quando se previa que fosse ocorrer o contrário (nem Degenkolb – o favorito a lutar com Sagan pela camisola – conseguiu contrariar o domínio do ciclista da Tinkoff; aliás, o ciclista da Giant não conseguiu dar uma vitória à sua equipa, foi Geschke a fazê-lo brilhantemente numa fuga). A classificação da juventude também ficou decidida a partir do momento em que Quintana conquistou a 2.ª posição da classificação geral e nunca mais saiu de lá. Só mesmo a classificação da montanha teve alguma emoção, sendo que o novo sistema de pontuação beneficiou os homens que lutam pela vitória na geral e, portanto, Chris Froome levou também esta camisola para casa, que só ficou decidida no último dia e com vários ciclistas a poderem vencer até ao final (Romain Bardet provavelmente teria vencido, não fossem as alterações em termos de pontuação para esta classificação).

Schalke 04 0-0 FC Porto: Sem criatividade

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tinta azul em fundo brando pedro nuno silva

No quarto jogo da pré-época portista, os dragões encontraram o velho conhecido Schalke 04. Desta vez não estava em causa a passagem aos quartos-de-final da Liga dos Campeões mas mais um jogo de preparação que serviu para testar a equipa de Lopetegui. O onze titular portista apresentado foi Iker Casillas; Ricardo Pereira, Lichnovsky, Marcano e Alex Sandro; Evandro, Rúben Neves e Sérgio Oliveira; Varela, Aboubakar e Brahimi. Havia portanto que testar alguém novo no centro da defesa, já que, com as indefinições da pré-época, não se saberá se Lichnovsky não terá que ser chamado ao longo da época 2015/2016.

O jogo começou repartido, com o Porto a tentar manter a posse de bola e o Schalke 04 a aproveitar bem os espaços deixados no meio-campo para fazer o contra-ataque rápido. Por isso mesmo, a primeira grande oportunidade foi alemã – um grande remate de primeira de Huntelaar para uma excelente defesa de Iker Casillas. Os extremos Varela e Brahimi (principalmente o argelino) viram-se muitas vezes obrigados a recuar  no terreno para receber a bola, já que houve dificuldade do meio-campo em transportar a bola para o ataque. Aos 20 minutos, houve um lance perigoso a favor do Porto, com Alex Sandro (capitão) a adiantar-se na lateral e a acertar no poste com um remate cruzado.

Oportunidades para o Porto foram escassas, registando-se apenas alguns rasgos individuais que deram cor ao futebol portista. Varela quer mostrar-se a Lopetegui e pareceu bastante envolvido no jogo e com arranques rápidos, mas a falta de rotinas ainda é visível na equipa portista. Ricardo não é lateral (ainda), Sérgio Oliveira não é médio de transição de combate e Evandro não é certamente um 10 – os últimos dois parecem ter as posições trocadas. Notou-se um atraso na preparação em relação aos alemães. que conseguiram criar mais perigo resultante do jogo colectivo e do grande talento de Draxler. Aos 44’, defesa de improviso de Casillas depois de um cruzamento (não parece ter tocado em ninguém) traiçoeiro do Schalke. E assim fechou a primeira parte do jogo.

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O Schalke teve as melhores oportunidades de golo
Fonte: Facebook Schalke 04

Na segunda parte entraram Helton, Maxi, Maicon, André André e Cristian Tello (o Schalke que apresentou o mesmo onze). O Porto entrou mais enérgico, pressionando o adversário na saída de bola e demonstrando vontade de fazer o golo, mas a primeira oportunidade foi alemã – aos 58’, Helton, numa saída rápida, cobriu a baliza e evitou o primeiro tento do jogo. Aos 61’, entrou Danilo Pereira para o lugar de Ruben Neves, que voltou a apresentar apontamentos de classe nos passes e visão de jogo. Aos 63’, entrou Bueno para o lugar de Evandro, mais uma vez reforçando a ideia de que foi contratado para a posição de médio ofensivo e não de avançado.

Não houve grandes oportunidades de parte a parte durante o segundo tempo e nem a entrada de Adrian e André Silva mexeram muito com a equipa, que se mostrou mais equilibrada a jogar em 4-2-3-1. Continua a faltar posse de bola ofensiva, isto é, ter a bola no meio-campo do adversário e perto da área. Ou realmente é um problema de metodologia ou, apesar dos inúmeros médios que temos, falta um médio criativo que consiga ter bola – um Óliver! De resto, confesso que gosto do toque de bola de Bueno e estou curioso para ver o que sai deste jogador.

Outro pormenor importante é o ponta-de-lança; temos que encontrar um pivot ofensivo, sob risco de virmos a ter dificuldades em produzir jogadas de perigo, coisa que aliás já vem acontecendo nestes jogos. A SAD certamente está a trabalhar nesse dossier. Faltou Imbula neste jogo e, se tivesse que arriscar, o meio-campo será entregue a Danilo Pereira, Imbula e a um terceiro médio, que é alguém que está para vir ou será o nosso velho conhecido Herrera, que jogará mais adiantado no terreno. Ruben Neves e André André estão bem e têm qualidade a nível da primeira fase de construção – aí parece um problema resolvido! Falta então a criatividade do último passe.  Vamos ver que evolução e que novidades nos traz o nosso Porto, numa altura em que já não estamos longe do inicio do campeonato.

Figura do Jogo: Brahimi – Sem fazer um jogo brilhante, foi quem segurou mais a bola e de quem veio mais fantasia.

Fora-de-jogo: Aboubakar – Muito apagado no jogo, a bola não lhe chegou mas também não a soube procurar.

México 3-1 Jamaica: Aztecas vencem a Gold Gup – e, desta vez, foi limpo…

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México e Jamaica defrontaram-se na final da Gold Cup, contrariando todas as previsões que davam como quase certa uma final entre mexicanos e a equipa da casa, os EUA. A verdade é que os jamaicanos chegaram ao jogo decisivo por mérito próprio, apresentando inclusivamente o melhor registo de golos sofridos da competição (apenas 3). O México, por sua vez, era o ataque mais concretizador (13 golos), mas a verdade é que para isso muito contribuiu o primeiro jogo, frente a Cuba, que os aztecas venceram por 6-0. Depois disso o México empatou sempre e, quando ganhou, fê-lo apenas no prolongamento e sempre através de penáltis – com a agravante de o lance contra a Costa Rica, nos quartos-de-final, ser bastante duvidoso e de o castigo máximo frente ao Panamá aos 90’, que levou a partida para prolongamento, ser inexistente. Pode dizer-se, por isso, que a final devia ter-se disputado entre jamaicanos e panamenhos.

Mas, se a presença mexicana na final é imerecida, o triunfo na partida decisiva é incontestável. A equipa de Manuel Herrera, disposta num 3-5-2, foi quase sempre superior à Jamaica, mesmo não podendo contar com Carlos Vela e com o portista Herrera. Tirando os primeiros 15 minutos, em que os jamaicanos empurraram o adversário para o seu meio-campo fazendo-se valer de uma boa estampa física, jogando a um ou dois toques e envolvendo os laterais no jogo ofensivo, o México conseguiu mandar na partida com naturalidade. A maior objectividade e serenidade iniciais do conjunto treinado pelo alemão Winfried Schäfer foram sendo suplantadas pela maior técnica, experiência e organização colectiva dos mexicanos.

Os aztecas fizeram valer a sua superioridade no meio-campo, tanto numérica como de qualidade, para impor o seu futebol à Jamaica. O virtuoso Andrés Guardado mostrou ser, uma vez mais, a figura principal da sua equipa, mas Jesús Dueñas (substituiu Herrera no onze) foi uma agradável surpresa e mesmo Jonathan dos Santos, não sendo um trinco (contra adversários melhores terá mais dificuldades se actuar nessa posição), realizou um bom jogo em virtude de ter sido muito mais requisitado na construção do que no momento defensivo. Nas laterais, Paul Aguilar cumpriu à direita mas, no flanco contrário, Miguel Layún esteve em foco, procurando invariavelmente o jogo interior para provocar desequilíbrios. Na frente, Oribe Peralta esteve sempre mais fixo do que Jesús Corona, mas foi este último quem, fazendo uso da sua boa agilidade e capacidade de drible, protagonizou mais lances de perigo. Já os centrais Diego Reyes, Francisco Rodríguez e Oswaldo Alanís tiveram uma noite tranquila, bem como o guardião Guillermo Ochoa.

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Guardado e Watson foram os melhores das respectivas equipas, mas foi o mexicano quem mais brilhou
Fonte: Facebook Oficial Selección Nacional de México

O primeiro golo do México surgiu aos 31 minutos, por intermédio de Guardado. Livre a meio-campo, bola alta para Dueñas na direita, cruzamento e vólei tecnicamente perfeito com o pé esquerdo do número 18, sem deixar a bola bater no chão. Os mexicanos estavam confortáveis no jogo e poderiam ter ficado ainda mais, caso o árbitro tivesse expulsado, como devia, o capitão da Jamaica, Rodolph Austin.

O segundo tempo começou com novo golo do México. O central Michael Hector atrapalhou-se com a bola no meio-campo, o jovem craque Corona conduziu-a até à entrada da área e rematou cruzado de pé esquerdo. 2-0 para a Verde, que confirmava na prática o seu favoritismo teórico. A partir daí o jogo perdeu interesse, com o México a controlar de forma tranquila e a Jamaica não conseguir reagir às contrariedades. Aos 60’ a história da partida teve o seu ponto final, quando o desastrado Hector colocou a bola nos pés de Peralta e este aumentou a vantagem. A boa entrada em campo da Jamaica já era, por esta altura, uma memória distante.

Daí para a frente, jogou-se para cumprir calendário. Os caribenhos queriam mas não podiam, e o México geria a seu bel-prazer. Até final os mexicanos podiam, mesmo em ritmo de passeio, ter marcado por mais uma ou duas vezes, mas foram os Reagge Boyz que chegaram ao golo, por intermédio do suplente Darren Mattocks. Prémio de consolação para uma equipa que, pese embora a derrota, alcançou a sua melhor classificação de sempre na Gold Cup, superando o 3º lugar de 1993. O México, por seu turno, confirmou a sua supremacia continental: venceu três das últimas quatro edições da Gold Cup e dobrou o número de conquistas dos EUA, o principal rival (10 contra 5). Vitória indiscutível da melhor equipa em campo – que, contudo, e conforme já se disse, não devia ter marcado presença na final.

Última nota para a exibição da Jamaica, que realizou uma grande competição. Plenamente conscientes das suas fragilidades, os jamaicanos apostaram num 4-4-2 com dois avançados móveis (Simon Dawinks e Giles Barnes). Apesar de tecnicamente limitada, equipa esteve muito organizada e agressiva (por vezes demasiado) até sofrer o 2-0. Je-Vaughn Watson foi o maior destaque pela positiva, emprestando muito músculo ao meio-campo e apoiando algumas vezes o ataque, fruto de uma enorme disponibilidade física. O extremo-esquerdo Jobi McAnuff também não esteve mal. Contudo, apesar de algumas boas indicações, os Reagge Boyz foram macios e pouco criativos no último terço, mostrando não terem armas para contrariar o México. Tirando os primeiros minutos, raramente chegaram à área adversária. O golo de Mattocks caiu do céu.

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Corona esteve em bom plano e não engana: é craque
Fonte: Facebook Oficial Selección Nacional de México

 

A Figura

Andrés Guardado – melhor jogador mexicano na Gold Cup e na final. Foi o mais esclarecido mesmo quando era a Jamaica que controlava, fazendo uso da sua inteligência, visão de jogo, condução e técnica de passe para levar a sua equipa para a frente. Pisou zonas mais interiores do que seria de esperar, mas é aí que rende mais. Grande golo a desbloquear o marcador. Corona (pode ter um grande futuro), Layún e Dueñas foram os outros jogadores em maior destaque.

O Fora-de-Jogo

Verdade desportiva – Desde a fase de grupos – onde só ganhou a Cuba – que o México não marcava um golo sem ser de penálti. Tanto contra a Costa Rica (castigo máximo aos 120+4’) como frente ao Panamá (aos 90+10’) foram evidentes a más decisões dos árbitros. Premeditado? Ninguém o saberá dizer, mas a verdade é que o Panamá foi arredado da final por uma péssima decisão. Mais um exemplo de como quem rejeita a introdução de tecnologias no futebol está a contribuir para a perpetuação da mentira. Quando ao jogo propriamente dito, o central jamaicano Hector esteve péssimo em dois dos três golos sofridos pela sua equipa e terá de ser o destaque negativo.

 

Foto de capa: Facebook Oficial Selección Nacional de México

NY Red Bulls 2-1 Benfica: Só faltou marcar mais do que o adversário

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Ainda não foi desta que o Benfica de Rui Vitória conseguiu vencer um jogo na pré-temporada. Os encarnados sucumbiram à maior eficácia dos norte-americanos e somam, já, três encontros sem vencer na fase de preparação para 2015/2016.

O resultado, segundo Rui Vitória, deverá ser relativizado e é nesta altura que, segundo o ribatejano, se deve errar de forma a mitigar os efeitos de um eventual erro em plena competição. Será dada, por isso, maior importância aos processos assimilados pela equipa do que propriamente ao resultado. A exibição terá, portanto, mais valor.

O adepto poderá não o ver assim, mas se, de facto, a exibição contar mais que o resultado, então Rui Vitória tem motivos para estar satisfeito. A nível físico apenas a espaços se foi notando a diferença de ritmo competitivo entre as duas equipas. A nível táctico, o Benfica, não esteve irrepreensível, mas foi notória a segurança da equipa na sua própria organização, quase não se notando a integração de oito caras novas no onze titular face ao utilizado diante da Fiorentina (entre elas, as de Ederson, Nélson Semedo, Carcela, Taraabt e Jonathan Rodríguez, que não integraram o plantel principal no ano passado) e a espécie de nuance introduzida por Rui Vitória neste encontro: jogo mais perto de um 4x2x3x1 que de um 4x4x2, com Taraabt mais recuado do que Jonas no papel de “segundo avançado”.

Pizzi esteve em destaque Fonte: Facebook oficial de Pizzi
Pizzi esteve em destaque
Fonte: Facebook oficial de Pizzi

Essa segurança permitiu ao Benfica um jogo mais desinibido desde o início, com excelente envolvência ofensiva desde os defesas laterais (especialmente Nélson Semedo, a revelar-se uma boa surpresa) aos alas, passando pela zona central, onde Pizzi foi o maestro de uma orquestra que, aos poucos, parece ir sendo afinada. Foi assim que o Benfica chegou ao golo. Uma bola cruzada por Nelson Semedo ressaltou para Carcela, que ao tentar contornar o adversário ofereceu a bola a Pizzi para o português, destemido romper pela grande área e atirar a contar para o golo inaugural.

A partir daqui, o Benfica fechou-se bem e continuou a ter bom caudal ofensivo, sobretudo no lado direito, com Carcela em evidência, revelando um entendimento notável tanto com Pizzi como com Jonathan Rodríguez e Taraabt. Não fosse o desposicionamento de Sílvio, por duas vezes apanhado a defender demasiado por dentro, e a exibição seria quase irrepreensível até ao momento em que Luisão teve um erro clamoroso: ao querer atrasar a bola para Ederson de primeira, o passe saiu curto e Wright-Phillips não perdoou e empatou o encontro, deixando-o assim até ao intervalo.

Durante o descanso houve muitas alterações do lado dos New York Red Bulls – “sobreviveu” apenas um dos centrais a esta “enchurrada” e o novo onze impôs mais dificuldades ao Benfica. Porém, essas dificuldades foram sendo contornadas pela rebeldia de iniciativas individuais levadas a cabo por Djuricic ou pelas excelentes combinações de uma sociedade que promete fazer sucesso na criação de perigo para as balizas contrárias: Pizzi/Carcela. Faltou sempre o mais importante para o resultado, os golos, mas aquilo que o Benfica fez para o conseguir revelou que há armas ofensivas quase suficientes para continuar a causar o pânico às defesas que defronta, mesmo sem contar com as principais.

Na defesa, ainda foram merecidos alguns reparos, nomeadamente na zona em frente à grande àrea, com os médios a acusarem a falta de ritmo competitivo no segundo golo da formação norte-americana: Grella simulou e quer Pizzi, quer  Samaris cairam para o mesmo lado, deixando uma brecha para o jogador dos New York Red Bulls assinar o golo da noite.

Mas de resto nada a apontar, a não ser a falta de eficácia. A eficiência dos demais processos ofensivos, a circulação de bola e a organização defensiva demonstram estar a ser bem trabalhadas de forma a chegar ao dia 9 de Agosto com a equipa devidamente preparada para um dos jogos mais importantes da época – a Supertaça é o primeiro jogo a doer e vale um título contra a equipa do antigo treinador.

Só resta mesmo marcar mais golos do que o adversário…

 

A Figura

Pizzi – Comandou o processo ofensivo benfiquista e partiram dele as principais iniciativas dos encarnados até à sua saída. Foi ele o responsável pelo futebol vertiginoso que já se vê, a espaços, na nova águia. O golo coroou aquela que viria ser uma das melhores exibições de um jogador do Benfica nesta pré-temporada.

O Fora-de-Jogo

Luisão – Errou clamorosamente no primeiro golo dos New York Red Bulls e voltou a a errar num passe que saiu demasiado curto, mas que foi corrigido por Samaris. O capitão continuou a ser a voz de comando habitual, mas a nível técnico esteve muito abaixo do que dele é esperado e isso custou caro ao Benfica.

 

GP da Hungria: cette victoire est pour vous, Jules!

cab desportos motorizadosA Fórmula 1 imprevisível, cheia de incógnitas, acontecimentos inesperados, reviravoltas de arrepiar e corridas alucinantes está de volta. Pelo menos esteve, este domingo, no Grande Prémio da Hungria. O circuito de Hungaroring é conhecido por dificultar as ultrapassagens, mas os pilotos quiseram provar o contrário e arriscar intensamente. Uma corrida cheia de imprevistos e incidentes mas que foi, sem sombra de dúvida, a melhor do campeonato até agora. Na qualificação, nada de anormal. Lewis Hamilton voltava a sair da primeira posição com o colega de equipa Nico Rosberg ao seu lado. Mas os Mercedes voltaram a mostrar algumas susceptibilidades no arranque: Sebastian Vettel – que partira da segunda linha – conseguiu um arranque canhão e colocou-se na liderança da prova, seguido de imediato pelo outro Ferrari, Raikkonen. A primeira volta foi um pesadelo para a Mercedes: depois de perderem o comando do GP, a equipa teve de lidar com a saída de pista de Lewis Hamilton. Apesar de ter conseguido evitar as barreiras, o inglês voltou à pista para ocupar um modesto 10º lugar. E, como não podia deixar de ser, culpou Rosberg pelo seu despiste…

Por esta altura, Rosberg pressionava os dois Ferrari e Hamilton começava a sua subida vertiginosa pela classificação. Aceleração que se provaria gorada: quando o inglês estava já em quarto e a ganhar mais de 1s por volta ao colega de equipa, entrou o safety-car. O Force India de Hulkenberg desintegrou-se no fim da recta da meta (os veículos da dupla Hulkenberg/Perez voltam a mostrar pouca segurança e qualidade dos materiais) e obrigou os pilotos à velocidade controlada. Quando o safety-car saiu de pista, Hamilton arrancou – mais uma vez – bastante mal e tocou em Ricciardo. Depois de regressar às boxes para trocar a asa dianteira, posicionou-se em 13º lugar.

Vettel celebra a vitória Fonte: Facebook de Sebastian Vettel
Vettel celebra a vitória
Fonte: Facebook de Sebastian Vettel

Depois de Raikkonen abandonar, com problemas no motor, Rosberg estava virtualmente na liderança do campeonato. O alemão estava na segunda posição e Lewis Hamilton rodava, surpreendentemente, fora dos pontos. Mas, como já sabemos, a corrida só termina com a bandeira de xadrez. Numa tentativa aventureira de ultrapassar Rosberg, Ricciardo provocou um toque entre os dois veículos: um dos pneus traseiros do Mercedes furou imediatamente e a asa dianteira do Red Bull ficou seriamente danificada. Quando Nico Rosberg regressou das boxes estava em oitavo lugar, atrás de Lewis Hamilton! Na Hungria, nada correu bem à Mercedes.

Ricciardo perdeu o segundo lugar para o colega de equipa, o russo Daniil Kvyat, mas assegurou o último lugar do pódio. Vettel, esse, só teve de fazer um bom arranque e controlar a corrida a partir daí. O alemão concretizou uma vitória a la Mercedes. Num fim-de-semana altamente marcado pela morte de Jules Bianchi, a Ferrari venceu e dedicou o GP ao piloto que, inevitavelmente, viria a ser parte da equipa. O hino alemão tocou quase coladinho ao italiano e é caso para dizer que as duas melodias foram feitas para estar juntas. Outrora Schumacher, agora Vettel.

Nota positiva para a McLaren, que viu Fernando Alonso conquistar a melhor posição da época: um quinto lugar. A F1 entra agora num período de férias e regressa a 23 de Agosto, para o Grande Prémio da Bélgica – ainda com Lewis Hamilton na frente da classificação. O circuito de Spa-Francorchamps é rápido, mítico, espectacular, e exige uma relação de machine over man. Em tudo favorece os pilotos da Mercedes.

Anton Mitryushkin – A nova Cortina de Ferro do futebol russo

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Se tivesse seguido as pisadas do seu pai, o jovem prodígio do Spartak Moscovo Anton Mitryushkin seria hoje jogador de hóquei no gelo, um desporto altamente popular em toda a federação russa e na ex-União Soviética, onde Vladimir se afirmou na modalidade durante a década de 1980.

Anton, por seu lado, já afirmou por diversas vezes nutrir pouco encanto pelo desporto que fez do seu pai um dos heróis soviéticos há mais de 30 anos e, brincando um pouco com a situação, deu como desculpa o tamanho da bola (ou melhor, disco) para a sua falta de interesse pelo hóquei no gelo.

Anton Mitryushkin nasceu em Krasnoyarsk, a terceira maior cidade da Sibéria, mas aos sete anos de idade mudou-se para Rostov, onde viria a dar os primeiros passos no futebol ao serviço do FC SKA Rostov-on-Don. Quatro anos mais tarde, Anton mudou-se para o outro clube da região, o FC Rostov, e foi durante a sua curta passagem por esta equipa que o jovem guarda-redes foi chamado para representar uma espécie de selecção local num torneio promovido pela DFL (uma organização pública que promove vários torneios com vista ao desenvolvimento de jovens jogadores no futebol russo). Foi nessa mesma competição que o jovem Anton conseguiu despertar a atenção dos olheiros do Spartak Moscovo, que estavam presentes no torneio, e, como consequência, com apenas 14 anos de idade, mudou-se de malas e bagagens para a academia do clube (Tarasovka), na capital russa.

A vida em Moscovo era bem diferente daquela que tinha em Rostov, mas isso não impediu que Anton continuasse o seu desenvolvimento como guarda-redes e também como homem. A academia do Spartak, uma das melhores do antigo bloco de Leste, proporciona aos jogadores todo o acompanhamento de que necessitam quer na vida pessoal, quer na vertente desportiva e isso possibilitou a Mitryushkin tornar-se num jogador com uma maturidade e uma verticalidade impressionantes, especialmente para alguém que conta apenas com 19 anos de idade.

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Anton ao lado do seu ídolo de infância Rinat Dasaev
Fonte: sports.ru

O trabalho desenvolvido no e pelo Spartak Moscovo proporcionou a Anton a possibilidade de representar o seu país primeiro na selecção de Sub-17 e mais recentemente ao serviço dos Sub-19 e dos Sub-21. Em 2013, no Campeonato Europeu de Sub-17, que teve lugar na Eslováquia, com apenas 17 anos de idade, Anton liderou e capitaneou a sua selecção com distinção, levando-os à vitória na final contra a poderosa formação italiana. Mitryushkin foi considerado o melhor jogador do torneio e teve um papel preponderante na meia-final e na final, defendendo uma mão cheia de grandes penalidades e marcando ele próprio o penúltimo penálti no jogo contra a Suécia na meia-final.

O talento do jovem Anton não está, no entanto, circunscrito à defesa de grandes penalidades. Mitryushkin possui uma agilidade notável para alguém com 1,89 m de altura e é também detentor de um posicionamento absolutamente fantástico, que lhe permite um controlo quase total do jogo aéreo e das bolas junto ao chão, que são na grande maioria das vezes o calcanhar de Aquiles dos guarda-redes com a sua envergadura. O estilo de Anton confunde-se não poucas vezes com o do seu ídolo de infância, o lendário Rinat Dasaev. A extraordinária frieza que demonstra, algo muito pouco comum para alguém com a sua idade, e os seus movimentos dentro da pequena área trazem-nos à memória o homem que em 1988 foi considerado o melhor guarda-redes do Mundo pela IFFHS e que ficou conhecido no velho continente como “A Cortina de Ferro” ou simplesmente como o “Gato”.

Mitryushkin tem a felicidade de poder treinar actualmente com o seu ídolo de infância, uma vez que Rinat Dasaev faz parte da equipa técnica do Spartak Moscovo, acompanhando muito de perto o desenvolvimento de todos os guarda-redes do clube. Dasaev, por seu lado, teve também curiosamente a mesma possibilidade que hoje em dia proporciona a jovens como Anton, já que privou durante muito tempo com o seu mentor, o inconfundível e incomparável Lev Yashin.

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Uma das muitas defesas de Anton na final do Euro Sub-19, contra a Espanha
Fonte: Página de VK de Anton Mitryushkin

A nível internacional, o sucesso de Anton Mitryushkin não se ficou apenas pelo Campeonato Europeu de Sub-17, uma vez que foi também a estrela maior da sua selecção no Campeonato Europeu de Sub-19 que recentemente terminou na Grécia. Sob a batuta de Dmitry Khomukha, a equipa russa, da qual faziam parte muitos dos jogadores que já se haviam sagrado campeões na Eslováquia em 2013, chegou de forma algo surpreendente à final do torneio, mas caiu frente à poderosa armada espanhola, diga-se de forma inteiramente justa. Mitryushkin, por seu lado, voltou a demonstrar toda a sua qualidade e, durante a final, fez de tudo o que era possível e impossível para adiar os golos da selecção espanhola.

Ao serviço do seu clube, no entanto, as coisas não têm corrido tão bem ao jovem Anton e muitos peritos na matéria questionam quando terá ele a oportunidade de mostrar todo o seu valor na primeira equipa do Spartak. A chegada de Dmitri Alenichev ao comando do histórico emblema moscovita poderá proporcionar a Anton uma oportunidade de ouro para lentamente poder ganhar o seu espaço na equipa, já que é sabido que um dos objectivos do novo treinador e do renovado departamento de futebol é dar lugar aos jovens que são formados na academia do clube. Actualmente na baliza do Spartak está Artem Rebrov, um guarda-redes experiente e capitão de equipa, cuja carreira demonstra alguma inconsistência e não faz, nem fez nunca, esquecer outros grandes nomes que defenderam as redes do clube, como Rinat Dasaev e Stanislav Cherchesov. Anton, que já afirmou ter como objectivo de carreira tornar-se o dono da baliza do Spartak, terá, por isso, de ser paciente e aguardar serenamente pela sua oportunidade, que irá certamente surgir mais cedo do que aquilo que todos esperam.

Foto de capa: redwhite.ru

Manchester United 3-1 Barcelona: Surpresa com dedo de Van Gaal

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Em mais um duelo de gigantes na Internacional Champions Cup, Manchester United e Barcelona proporcionaram um excelente espetáculo de futebol com os britânicos a levarem de vencida os campeões europeus por 3-1. Nos onzes iniciais, Van Gaal e Luís Enrique não surpreenderam: no lado inglês, o técnico holandês optou por colocar já um onze inicial muito aproximado daquele que certamente iniciará a Premier League; na equipa catalã, Enrique – não contando ainda com os titulares Dani Alves, Mascherano, Neymar e Messi – procurou dar mais consistência no meio campo do Barça, colocando quatro homens nessa zona do terreno (Busquets, S. Roberto, Iniesta e Rakitic). Em contrapartida, a equipa do United teve no onze três dos reforços para esta época: o lateral direito Darmian, o médio centro Schneiderlin e o jovem avançado holandês Memphis Depay.

Apesar das ausências importantes no onze, a verdade é que o Barcelona entrou a todo o gás no encontro desta noite. Aliás, nos primeiros dez minutos, assistimos a um ritmo de jogo verdadeiramente alucinante, com o perigo a rondar as balizas de De Gea e Ter Stegen. Do lado catalão, Suárez (num remate ao poste) e Sergi Roberto criaram duas excelentes oportunidades para marcar; no M. United, Wayne Rooney teve bem mais eficácia que os adversários e acabou por, no primeiro remate da sua equipa, inaugurar o marcador, aos sete minutos, na sequência de um cabeceamento após um canto. O avançado inglês aproveitou a falta de marcação de Adriano para fazer o primeiro para o United, num lance que se revelou decisivo no encontro.

Com o golo, a verdade é que o Manchester United acabou por assentar a sua estratégia. Ciente de que não poderia discutir o jogo pelo jogo com o Barça, a equipa de Van Gaal não teve qualquer receio em jogar com a estratégia para controlar os catalães. Para isso, a importância das dinâmicas de Depay e Rooney foram fundamentais, tendo em conta as limitações que ambos os jogadores foram provocando na primeira fase de construção ofensiva catalã. Durante esse período, e apesar do maior controlo da bola pelo Barça, foi o United a estar perto de marcar, com Young a proporcionar aos 27 minutos uma excelente intervenção a De Gea. Surpreendidos pela capacidade tática do adversário, o Barcelona, apesar da boa dinâmica que foi tendo, não conseguiu acercar-se com a frequência pretendida do último terço do terreno. Para que isso tenha acontecido, em muito contribuiu a capacidade defensiva de Mata e Young, que não raras vezes impediram o jogo em profundidade de Adriano e Jordi Alba. Ainda assim, a vantagem do Manchester ao intervalo era injusta, tendo em conta o número de oportunidades que o Barça continuava a desperdiçar. Até ao fim do primeiro tempo, em duas ocasiões, Suárez esteve muito perto de marcar (numa a bola foi ao poste e na outra De Gea parou o remate do avançado uruguaio).

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Suárez foi o espelho da ineficácia catalã
Fonte: Facebook FC Barcelona

O segundo tempo acabou por trazer um ritmo mais pausado ao encontro. Em virtude das diversas alterações que Van Gaal e Luís Enrique promoveram nas suas formações, Barça e United acabaram por diminuir de intensidade na segunda parte. Ainda assim, isso não invalidou a criação de lances de perigo em ambas as balizas. Aliás, aos 61 minutos, o árbitro da partida anulou (o lance deixa muitas dúvidas) um golo a Luís Suárez após excelente jogada de entendimento com Pedro Rodriguez, um dos maiores agitadores do jogo catalão. A diferença é que o Manchester United voltou a ser mais eficaz e, apenas quatro minutos após o golo anulado ao uruguaio – e já depois de imensas alterações na equipa -, os ingleses chegaram mesmo ao segundo golo, por intermédio de Jesse Lingaard, que aproveitou um lance muito bem construído no lado esquerdo do ataque do United. Sergi Roberto – que jogou adaptado a lateral direito no segundo tempo – teve muitas culpas no cartório mas isso não tira o mérito a um golo muito bem construído pelos ingleses e onde se provou a inteligência com que Van Gaal preparou a sua equipa para o jogo desta noite.

Jogando sempre mais no contra ataque e na inteligência posicional, os red devils iam vencendo por dois golos de vantagem. Até ao final do encontro, as caras novas de ambas as equipas procuraram mostrar aos seus treinadores que também são opções válidas para a nova temporada. Por isso, não foi de estranhar que o golo tenha surgido em ambas as balizas: depois de duas tentativas de Rakitic, o Barça conseguiu reduzir o marcador para 2-1 ao minuto 90 após um excelente remate de pé esquerdo do médio Rafinha. No lado inglês, foi a vez de Januzaj – em mais um erro defensivo do Barça, desta vez de Bartra – fechar o marcador em 3-1 apenas um minuto depois do golo da equipa espanhola. Num jogo com um ritmo bastante interessante tendo em conta a fase da pré temporada, o Manchester United acabou por levar a melhor numa partida onde a tática se superiorizou à técnica. Ainda assim, ficaram boas impressões de duas equipas que provaram ter armas suficientes nos plantéis para fazer excelentes épocas a nível interno e nas competições europeias.

A Figura:
Estratégia do Manchester United –
É indiscutível considerar-se que muito do mérito da vitória inglesa frente ao Barça teve que ver com a estratégia pensada por Van Gaal. Fazendo do jogo posicional a sua principal arma, os ingleses souberam aproveitar as debilidades defensivas contrárias para chegar a uma vitória surpreendente frente ao campeão europeu.

O Fora-de-Jogo:
Erros defensivos do Barcelona – Três golos sofridos devido a três erros defensivos são uma fatura demasiado alta para uma equipa que é campeã europeia. Adriano, Sergi Roberto e Bartra foram os réus dos erros que impediram o Barça de fazer um resultado melhor frente ao Manchester United. Se no ataque a equipa demonstrou uma boa dinâmica, a nível defensivo ficaram muitas lacunas para Luís Enrique corrigir.

Quaresma, morro contigo

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a minha eternidade

Ricardo Quaresma transferiu-se do Futebol Clube do Porto para o Besiktas, da Turquia, por 1,2 milhões de euros. Depois da sua segunda passagem pelo clube, ao fim de um ano e meio de excelentes prestações, o “Harry Potter” azul e branco não entra no planeamento para esta época portista. O treinador espanhol Julen Lopetegui afirmou peremptoriamente que não iria dar ao atleta o tempo de jogo que este reivindica e incontestavelmente mereceria pela sua qualidade. A relação não muito cordial entre os dois já remonta à temporada passada, tendo Q7 perdido a braçadeira por algumas atitudes intempestivas.

Não estou a escrever com o intuito de absolver ou condenar a estrutura do Porto, o treinador, ou o próprio jogador por este desfecho. Pretendo antes encetar um epílogo (precipitado é certo) que enforme uma – a minha – visão sobre este futebolista, melhor… acerca do seu génio. O “Cigano”, como é apelidado devido à sua etnicidade, durante toda a carreira teve detractores implacáveis que o desclassificavam e fãs extasiados que o endeusavam como sendo um magnífico jogador. Compreendo as duas posições e assumo-me próximo dos “religiosos”. Advogar que Quaresma é um excelente futebolista não será uma afirmação protegida pela infalibilidade. Mas quem o despreza está muito mais longe de lhe atribuir uma avaliação justa, visto que não reconhece que os seus pés foram moldados pela genialidade do Deus da circunferência.

Interessa, portanto, estabelecer esta pequena precisão ao nível de pensamento para categorizar Quaresma e o julgar com a justeza merecida. Alguém genial não precisa de ser muito bom (constante, produtivo), por exemplo, no seu trabalho (neste caso profissional de futebol). Os analistas mais especializados e o público em geral, para com esta individualidade, partem de premissas erradas quando o criticam (no sentido avaliativo). Invariavelmente tentam ajustar as suas prestações e as suas escolhas de carreira com a valia das suas capacidades inatas, do seu talento, do seu… génio.

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No FC Porto, Quaresma voltou a recuperar o seu lugar na Selecção Nacional
Fonte: fpf.pt

Isto é um labor mental que de nada vale exercitar. O pensamento de que ele deveria ser melhor do que é se fosse mais inteligente ou contido, ou que poderia ser Cristiano Ronaldo (tanto serve aqueles que o pretendem diminuir, como quem o pretende elevar). Quaresma é aquilo que é e deve ter muito orgulho no que conseguiu. Problematizem-no pelo que é e foi, não pelo que poderia (como saber?) ter sido… Na minha opinião pessoal, para além de ungido com o toque de midas da criatividade, é também um grande jogador, muito útil às equipas onde passou e com um rendimento estável. Não concordando, admito alguma legitimidade a opiniões contrárias, porque também falhou em alguns momentos em que podia ter feito melhor.

Não tenho dúvidas em relação ao seu profissionalismo, atitude, vontade, afinco, tenacidade e companheirismo. A sua autoconfiança é justificada, bem como o seu individualismo (com tamanha destreza não vai jogar fácil ao lado). O que terá sido algo prejudicial para a condução da sua carreira foi o factor psicológico de excessiva carência que lhe denoto. Quaresma tem de ser amado incondicionalmente (por todos no clube), sente-se bem se for a estrela entre os seus pares e quando todos lhe endossam a bola para resolver o jogo. A sua técnica letal germina quando é o principal jogador do onze. Se os outros o acompanham nesse reconhecimento de jogador primordial vai para cima do oponente sem temor. Já com os seus dez colegas “encavalitados” sobre si fica mais leve e solto para gingar.

Por isso, talvez, não tenha vingado no Barça (muito novo), Inter e Chelsea (titular e “menino” de Scolari, perdeu espaço depois da saída do técnico brasileiro) – nesses clubes foi mais difícil (mesmo impossível) atingir esse estatuto de jogador-chave. Por isso brilhou na cidade invicta. O FC Porto tem o tamanho e estatuto ideal para ele. Um clube sem “vacas sagradas” onde o “Mustang” pode arrancar a solo e driblar dois, três, quatro (sem no treino levar um pontapé de algum “Materazzi”)… No Porto, coroado por Jesualdo Ferreira (que o compreendeu plenamente), pôde ser a mais cintilante estrela da constelação, tendo o jogo exclusivamente mecanizado em seu torno, ficando incumbido de o acelerar, numa acção colectivamente centrípeta por si subordinada. No Dragão não apenas existiu tolerância, como se fomentou que o artista fizesse bonitos, se instigou o drible, o cruzamento e remate… de trivela (consegue efeitos na bola que mais ninguém no mundo é capaz).

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Em 2014/2015, Quaresma nunca conviveu bem com a sua não indispensabilidade
Fonte: ricardoquaresma.net

Por isso diz “sentir saudades” do “clube do coração” e do “seu Norte”. Terra que o norteou pelos caminhos mais sublimes e que ele abrilhantou. O seu potencial inefável aí se consubstanciou, numa adopção mútua de sentimentos de pertença, embora não de nascença, um filho citadino de espírito e carácter. Quaresma muitas vezes disse que dava a vida pelos portuenses azuis e brancos. Para disseminar todo o seu potencial necessita de ser incondicionalmente amado, como foi (em muitos momentos no Porto). Retribuo-lhe essa afectuosidade dizendo-lhe: “Quaresma, morro contigo”. Se algum seu treinador lhe transmitir essa carga emocional, uma simbiose inabalável nascerá. Deste modo, qualquer timoneiro terá reciprocidade em campo de Quaresma. Ou melhor, do homem que não joga futebol nem faz golos; no fundo, não é sequer futebolista – é um oleiro de chuteiras que cria obras-primas. Fundador de uma estética é, de facto, anunciante da ressurreição divina.

Foto de capa: Página de Facebook de Ricardo Quaresma

Benfica 0-0 Fiorentina (4-5 nas g.p.): Ainda em assimilação de ideias

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Segundo jogo de pré-época, outro teste exigente, frente à Fiorentina, de Paulo Sousa. Já sem Lima, havia a curiosidade de saber qual seria a táctica que Rui Vitória utilizaria. Sem o brasileiro, o plantel do Benfica adequa-se ao 4-3-3 que Rui Vitória gosta de utilizar. Ainda assim, Rui Vitória não alterou muito o modelo tácito. A única alteração foi o facto de colocar um ponta de lança sozinho na frente(Jonas) com um jogador atrás a apoiá-lo, como uma espécie de 10(a honra coube a Jonathan).

A primeira parte foi típica de um jogo de pré-época, jogada a um ritmo calmo, bastante equilibrado, com duas equipas com treinadores novos, que querem implementar os seus estilos, e os jogadores ainda a assimilarem. No entanto, a nota mais vai para o Benfica, que teve mais bola, que mostrou boa troca do esférico na saída para o ataque. Oportunidades, só uma para cada lado.

Apesar de no papel Talisca e Gaitan eram os extremos, foi curioso ver que ambos apareceriam muitas vezes no meio, abrindo espaço para Jonathan nas alas, que esteve sempre muito activo. Fica a ideia de que se Rui Vitória quiser apostar nesta forma de jogar, terá de pedir aos laterais para aparecerem mais subidos. Só com mais pendor ofensivo destes é que este modelo resultará.  Samaris também apareceu mais solto, graças à presença de Fejsa. Será interessante ver como funcionará esta dupla. Num 11 já muito bem conhecido pelo universo benfiquista, os olhos estavam postos em Jonathan Rodriguez, o único da equipa inicial que não jogou a época passada. O avançado esteve em bom plano, mostrando boa qualidade, tanto no meio como nas alas, segura bem a bola e tem agressividade. Nota-se que se quer mostrar e a continuar assim será um jogador com quem Rui Vitória poderá contar.

 

Ola John tarda em aparecer Fonte: Facebook do Benfica
Ola John tarda em aparecer
Fonte: Facebook do Benfica

A segunda começou mais animada. A Fiorentina atirou à barra(melhor oportunidade da partida), e Jonas, logo a seguir, igual a sí próprio, tira um adversário da frente e rematou ao lado. As equipas pareciam vir um pouco mais animadas para este segundo tempo. Com a expulsão de Luisão, o Benfica teve de se adaptar à inferioridade numérica e pouco mais se viu dos encarnados. Os italianos tiveram mais bola, mais iniciativa, mas poucos lances de verdadeiro perigo. O jogo voltou ao ritmo de treino, e ambos os treinadores aproveitaram para mudar as equipas.

Nesta segunda parte o destaque vai para Ola John, mas pela negativa. O holandês continua a não convencer. Lento a decidir, sem o ritmo de explosão que já mostrou no Benfica, arrisco-me a dizer que esta será a época decisiva para o jovem jogador. Apesar de ter tido alguns rasgos de qualidade com Jorge Jesus, o holandês nunca se impôs, verdadeiramente, mesmo com Gaitan e Salvio de fora. Se não conseguir vingar com Rui Vitória, penso que o melhor é mesmo sair e o Benfica conseguir algum retorno financeiro. Para já, não tem convencido na pré-época.

Com um ritmo destes, o jogo só poderia acabar a 0. Nos penalties, Carcela falhou e o conjunto de Paulo Sousa venceu por 5-4. Nestes jogos, e sendo apenas o segundo da pré-temporada, o resultado é o que menos interessa. Ainda há muito trabalho pela frente, a forma física não é a melhor, mas o mais importante destes jogos é implementar ideias. Rui Vitória terá de aproveitar os próximos 3 jogos para ver se realmente este modelo de colocar os extremos a jogar no meio resulta. Se quiser mesmo seguir com essa ideia, será necessário ir ao mercado buscar um lateral com características ofensivas. Um avançado também será uma contratação a ter em conta, apesar de Jonathan ter-se mostrado a um bom nível e ser um jogador a ter em conta. Agora é acreditar no trabalho do mister e esperar pela SuperTaça.

Foto de capa: Facebook do Benfica