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FC Porto 3-1 União da Madeira: Rodar para a liderança

tinta azul em fundo brando pedro nuno silva

Na segunda jornada da Taça da Liga, FC Porto e União da Madeira defrontaram-se no Estádio do Dragão, com a equipa portuense a apresentar um onze alternativo: Helton, Ricardo, Reyes, Marcano, Jose Ángel, Campaña, Ruben Neves, Evandro, Quintero, Ivo Rodrigues e Adrián López foram titulares. Ivo Rodrigues fez o seu primeiro jogo pela equipa A, mas o destaque foi para Helton – o capitão voltou, para alegria dos portistas.

Com a pressão do lado do Porto, o jogo foi assumido pelos dragões, embora a primeira jogada de perigo tenha sido dos madeirenses. De resto, apesar da circulação e posse de bola ter sido quase monopolizada pelo Porto, o União da Madeira saiu sempre com qualidade para o contra-ataque, errando principalmente no último passe. Aos 17 minutos, Ivo Rodrigues podia ter inaugurado o marcador, após um bom cruzamento de Quintero, mas o jogo continuava aborrecido e sem grandes momentos de brilhantismo, com um Porto espalhado ao longo do campo fazendo uma circulação larga. Aos 25 minutos, numa jogada individual, Quintero deu um remate no marasmo do jogo, inaugurando o marcador.

A partir daqui o jogo ficou ainda mais controlado pelo Porto, como espelham alguns lances perigosos – geralmente com o condão do pé esquerdo de Quintero -, entre eles mais um lance de finalização de Adrián, que, claro, foi defendida pelo guardião insular. Aos 39’, o União mandou uma bola ao ferro, mostrando a matreirice que caracterizou o seu jogo.

O regresso de Helton aos relvados foi um dos momentos altos da noite  Fonte: Facebook do FC Porto
O regresso de Helton aos relvados foi um dos apontamentos mais marcantes da noite
Fonte: Facebook do FC Porto

A segunda parte começou com uma alteração: Ivo Rodrigues cedeu o seu lugar a Ricardo Quaresma,  que marcou o segundo tento portista num remate que ainda tocou num defesa insular. A resposta madeirense foi rápida: aos 57’, Élio Martins reduziu o marcador.

O FC Porto teve sempre as linhas afastadas e nunca precisou de fazer um grande pressing, devido à ineficiente pressão do União da Madeira. Perante este “adormecimento”, Lopetegui substituiu Ruben Neves por Óliver Torres e o jogo melhorou um pouco com a irreverência e velocidade do espanhol , que se ocupou da transição entre o meio-campo defensivo e ofensivo, mas ainda assim nunca se viu uma grande acutilância ofensiva. Aos 87’ minutos, Evandro marcou um penalty, dando (mais) descanso aos portistas.

Este foi um jogo com pouca história e pouco espectáculo que serviu essencialmente para dar mais minutos à segunda linha portista. Com o grande objectivo cumprido, a conquista dos três pontos, o FC Porto conseguiu isolar-se na liderança do grupo D.

A Figura

Juan Quintero – Foi a estrela do meio-campo portista. Fez o jogo azul e branco rodar e teve apontamentos de classe.

O Fora-de-Jogo

Ivo Rodrigues – Esteve um pouco apagado mas tem desculpa, pois não está entrosado com os seus companheiros. Esperemos que seja uma aposta de futuro dos dragões.

 

Foto de capa: Facebook do FC Porto

Cristiano Ronaldo e Eusébio: Comparar o incomparável

futebol nacional cabeçalho

Ponto prévio: sou adepto do patriotismo. Admito que gosto de defender aquilo que é nosso, mesmo quando os argumentos são escassos. Por isso mesmo, sempre fui pró-Ronaldo, mesmo quando o internacional português estava a milhas da produção de Lionel Messi. Mas agora os tempos são outros. Ronaldo reina em Portugal, tem o mundo a seus pés e conta com uma legião de fãs cada vez mais forte e entusiasta.

No entanto, e como em tudo nesta vida, há sempre a tendência para se cair no exagero. De admitirmos como factos coisas que, se calhar, nem serão assim tão lineares. A conversa é cada vez mais recorrente e começou a ser reforçada, com insistência, no momento em que Cristiano Ronaldo ultrapassou Eusébio na lista de melhores marcadores da seleção nacional portuguesa (o madeirense soma 52 golos em 118 jogos contra os 41 golos em 61 jogos de Eusébio). Desde esse instante que começou uma campanha – algo desrespeitosa, diga-se – contra a antiga glória do futebol nacional. Os últimos tempos em vida de Eusébio foram sempre marcados pela constante abordagem de vários jornalistas e adeptos portugueses que teimavam em demonstrar que Cristiano Ronaldo já seria o melhor e que Eusébio já estava ultrapassado. O “King”, naturalmente, procurou defender-se da campanha montada, mas o mal já estava a ser feito. Contra Eusébio, contra o futebol português, contra Portugal.

Somos um povo que valoriza muito pouco aquilo que de bom tem. Temos dois dos melhores futebolistas da história do futebol mundial. Temos outros tantos, como Luís Figo, Rui Costa, Paulo Futre, Chalana, Bento ou Damas, que foram dos melhores nos seus tempos. Mas gostamos sempre muito de atacar e/ou desprezar aquilo que é nosso. Pior: conseguimos sempre cair no estado manifestamente interesseiro de apoiar quando remamos a favor da maré. Adversidades? Com isso é que já não sabemos lidar. Soubemos criticar Cristiano Ronaldo quando a produtividade dele na seleção era baixa. Conseguimos acusá-lo de ser um menino mimado, que só ligava a dinheiro e a fama. Agora que é o melhor já o sabemos acarinhar e dar-lhe o devido valor. Com Eusébio, a situação foi ainda mais grave. Soubemos valorizá-lo quando precisámos de dizer que tínhamos um símbolo português no futebol internacional. Depois? Depois já havia Ronaldo. Já não era preciso Eusébio e muitos quiseram colocá-lo na prateleira, fazendo crer que já estava ultrapassado. Um sentimento de ingratidão tão grande que deve ter ferido o Rei. Isto tudo porque, afinal, ele “já não era o melhor de sempre”.

Tal como Cristiano Ronaldo, Eusébio é um dos melhores futebolistas de sempre Fonte: Erik Cleves Kristensen
Tal como Ronaldo, Eusébio será recordado como um dos melhores futebolistas de sempre
Fonte: Erik Cleves Kristensen

Pelo menos, foi o que se fez crer. Na minha opinião, é impossível estabelecer-se qualquer tipo de comparação entre Eusébio e Cristiano Ronaldo nesse âmbito. Viveram em tempos diferentes, eram/são jogadores distintos e os contextos em que jogam/jogaram são completamente díspares. Eusébio quebrou recordes individuais e coletivos, conduziu Portugal à melhor classificação de sempre num Campeonato do Mundo (3.º), levou um clube português ao topo da Europa (o que, convenhamos, não era nada fácil) e, mais importante do que tudo, assegurou o respeito do Mundo inteiro. Tudo isso ficou bem visível nos dias após a sua morte. Já em relação a CR7, dispensam-se apresentações a tudo aquilo que tem feito: tem batido recordes atrás de recordes, quebrou barreiras no Manchester United e no Real Madrid e a 3.ª Bola de Ouro conquistada ontem foi mais um feito enorme no seu currículo invejável.

Para quê, então, insistirmos em conversas desnecessárias sobre qual é, efetivamente, o melhor? Tal como são escusadas as comparações entre Messi e Maradona (apesar de, neste caso, haver uma diferença temporal menor) ou Pelé e Ronaldo. A evolução do futebol assim não o permite. No passado, jogava-se perante defesas mais abertas e menos rigorosas, num clima de maior anarquia tática e com um conjunto de regras completamente diferentes. Mas também havia muito menos jogos e menos complacência por parte dos jogadores para com o bem-estar físico dos atletas adversários. Atualmente, tudo é mais rigoroso. Cada jogo é alvo de uma maior preparação tática e os jogadores estão muito melhor trabalhados e preparados. A transformação de Ronaldo é o exemplo máximo disso mesmo.

Por tudo isto, queria dizer que sou fã de Eusébio e de Ronaldo. Por Cristiano Ronaldo, tenho a máxima admiração por tudo aquilo que tem ganho e pela capacidade de superação que tem revelado nos últimos anos. Pelo Rei guardo apenas memórias e registos em vídeo daquilo que produziu enquanto jogador. Aliás, quantos dos que dizem que Ronaldo é “indiscutivelmente” o melhor português de sempre viram Eusébio jogar com regularidade? Poucos, calculo eu. Facto concreto é que Portugal continua a ser uma fonte de sucesso no futebol internacional. E, como português, só posso ter orgulho por ter nascido no mesmo país de Eusébio e Cristiano Ronaldo. Os dois melhores futebolistas de sempre do “nosso” futebol. Obrigado, Rei. Obrigado, Comandante.

Foto de Capa:  Jan Solo (Flickr)

Top 10 – Os mais sobrevalorizados do futebol

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[tps_title]10.º Kevin-Prince Boateng[/tps_title]

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Fonte: kartellpeople (Flickr)

Qual é a sua posição? Percebo que me digam que não é a escolha mais óbvia para esta lista, mas incluí-o porque simboliza o típico jogador cujo nome impõe respeito por já estar tão mitificado mas que, na prática, poucas vezes corresponde ao potencial que lhe é apontado. Tecnicamente é acima da média, mas falta-lhe maturidade táctica e emocional. Encarna na perfeição o estereótipo de futebolista caro e pouco produtivo para aquilo que custa e, além do mais, é potencialmente conflituoso, tendo estado dois anos afastado da sua selecção.

¿Qué pasó, El Niño?

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cab la liga espanha
Fernando Torres está finalmente de volta ao Vicente Caldéron. Nada melhor do que voltar aos braços de quem nos ajudou a dar os primeiros passos para tentar trazer à tona o melhor de nós. E a questão que se eleva é: para onde foi o melhor Torres? A sua ligação com o golo nunca foi doentia, mas tinham tal afecto que raramente ficavam longe. O Atlético de Madrid foi a casa que o viu nascer. Criou, deixou crescer e, quando atingiu a maturidade necessária, deixou voar. Foi adepto, goleador e capitão. Inglaterra esperava por ele, Anfield Road sonhava com alguém por quem cantar. Apresentou-se ao mais alto nível e rapidamente chegou ao topo do mundo. A jóia da coroa acabou por ser o bronze na corrida pelos dois troféus individuais mais importantes, em 2008.

Torres ao lado do capitão Fonte: Nigel Wilson (Flickr)
Torres ao lado do capitão
Fonte: Nigel Wilson (Flickr)

A contratação de Fernando Torres por parte do Chelsea foi o ponto crucial na curva descendente que tomou conta da carreira do espanhol. O apagão que tratou de escurecer um talento ímpar é algo digno de estudo. O jogador continuou a ser um trabalhador incansável, mas juntou a isso uma quantidade fatal de falhanços escandalosos. Os momentos embaraçosos tornaram-se virais e os golos não chegavam para calar os críticos. José Mourinho era o treinador com craveira e capacidade para alterar um caminho que se encontrava incerto. Tal não aconteceu, e o craque espanhol acabou por seguir para Itália, sem glória. O futebol italiano poderia ser de alguma maneira revitalizante, mas voltou a sair pela porta pequena. Espanha era o próximo destino.

Esta história só encontra semelhante num filme de 1996 chamado Space Jam. Um dos protagonistas é Michael Jordan e o trama da história passa pela recuperação do talento dele, e de outros jogadores, que tinha sido roubado por extraterrestres. O final deste filme é feliz, mas a história do jogador espanhol parece destinada a um futuro cinzento. Onde pára o furacão que decidiu a final do Euro 2008? Terá o jogador capacidade para voltar a ser relevante no futebol actual?

Foto de capa: Facebook de Fernando Torres

O campeonato português não permite dores de crescimento

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eternamocidade

Antes de começar a temporada portista, o entusiasmo que sentia pela composição do plantel – com a aquisição de jogadores de qualidade reconhecida – era proporcional ao nervosismo e desconfiança que tinha sobre a verdadeira capacidade que o plantel e o treinador do FC Porto tinham para dar resposta aos vários desafios que se lhes colocariam, tanto a nível interno como nas competições europeias. Esta desconfiança baseava-se sobretudo na premissa da inexperiência, que tantas vezes é descrita como algo fundamental durante uma época. É por demais evidente, por isso, que apesar da qualidade de reforços como Martins Indi, Casemiro, Oliver, Tello, Adrián Lopez, Brahimi ou Aboubakar, estes atletas teriam de passar por uma fase de compreensão de uma nova realidade. Este é um argumento que naturalmente se coloca também a Lopetegui.

E, afinal de contas, que nova realidade é esta? Bom, a realidade de que falo chama-se campeonato português e, por muita pena minha, tem tido uma cara cada vez mais feia à medida que os anos vão passando. O argumento da crise é o mais utilizado, mas para mim não chega. Quem como eu vê todos os jogos do FC Porto no Dragão e, por consequência, todos os clubes da liga, percebe que o nosso campeonato está cada vez a baixar mais a qualidade. E não é preciso ir muito longe para perceber do que falo: sábado, pior do que o frio assustador no Dragão, só mesmo a exibição do Belenenses. Obviamente que o comum adepto percebe que as diferenças entre grandes e pequenos são enormes. Sempre foram e possivelmente sempre serão. Mas apesar disto, a exibição do Belenenses no Dragão roçou a mediocridade. O primeiro e único remate com perigo da equipa de Lito Vidigal aconteceu apenas aos 90 minutos. Mas que futebol é este? É este o campeonato competitivo que queremos no nosso país?

Mas desengane-se se acha que neste texto vou apenas cingir-me ao Belenenses. Não, não tenho nada contra o clube lisboeta, e apenas o utilizei como exemplo para demonstrar aquilo que a nossa liga tem perdido nos últimos tempos. Tem sobretudo perdido qualidade, porque não é só do Belenenses que poderia falar: podia dar o exemplo de outros jogos no Dragão, como contra o Nacional ou Vitória de Setúbal, em que os adversários apenas pareciam que queriam perder por poucos. E quem fala do Dragão, fala da Luz e de Alvalade, onde este tipo de equipas tem o mesmo comportamento. Como já referi, obviamente não posso esperar que equipas como o Boavista, Belenenses ou Gil Vicente cheguem ao Dragão e joguem no campo todo. Claro que não, porque não têm recursos para isso. Mas a ambição e a qualidade neste tipo de plantéis tem, a meu ver, diminuído. E isso não se pode explicar só pela crise.

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Jackson é a figura de proa de uma equipa que não tem motivos para desistir
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

Mas então, afinal de contas, onde entra o FC Porto no meio disto tudo? Bom, é fácil e demonstra-se pela classificação do campeonato. Repare bem, caro leitor, nos resultados da primeira volta que termina no próximo fim-de-semana. Nas 16 jornadas já realizadas, o Benfica perdeu 5 pontos no campeonato, frente a Sp. Braga e Sporting. Quanto ao FC Porto, foram 11 os pontos perdidos, frente a V. Guimarães, Sporting, Benfica, Estoril e Boavista. Aqui reside a diferença entre as equipas: se, em relação ao Benfica, a equipa de Jorge Jesus cumpriu a sua obrigação – ou seja, “despachou” tudo aquilo que não é Braga, V. Guimarães, FC Porto e Sporting –, a equipa de Lopetegui deixou 4 pontos frente a Estoril e Boavista. Essa é a grande diferença entre as duas equipas. Existe, na minha opinião, a ‘leviandade’ de se afirmar que os campeonatos se resolvem na maioria dos casos nos jogos entre os grandes. Não podia estar mais em desacordo com isso. Aliás, se o FC Porto tivesse feito a sua obrigação, neste momento teria pelo menos mais 4 pontos (excluo aqui o empate em Guimarães, num jogo onde o FC Porto foi altamente prejudicado). Com esses 4 pontos, perdidos de forma inacreditável nessas duas partidas, o FC Porto, mesmo não ganhando aos grandes rivais, apenas dependeria de si para ser campeão.

As contas são fáceis de fazer e, no que respeita à nossa liga, a matemática é um exercício básico. Com um fosso tão grande entre os cinco primeiros classificados e todos os outros, não se pode perder pontos em jogos como o da Amoreira ou em casa com o Boavista. Com tanta falta de qualidade na maioria das equipas, uma formação como a do FC Porto, com jogadores tão preponderantes, dar estes brindes à concorrência pode ser fatal. Aliás, se bem se recorda, não foi à toa que, para além de enunciar a falta de experiência dos jogadores portistas, estendi esse argumento a Lopetegui. Se bem se recorda, nesses dois jogos malditos (Estoril e Boavista), o treinador espanhol decidiu rodar meia equipa contra os boavisteiros e mudar de sistema tático no jogo da Amoreira, deixando de fora do onze aquele que para mim tem sido uma das maiores figuras da época, Oliver Torres, em detrimento nessa partida do espanhol Adrián Lopez.

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Na próxima jornada da Liga, o FC Porto desloca-se ao terreno do Penafiel
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

Com esses jogos já bem longe no pensamento para a maioria do adepto portista, criou-se a ideia de que os seis pontos de avanço se baseiam única e exclusivamente no desaire contra o Benfica. Para mim, nada de mais errado. Num campeonato como o nosso, com tão grande falta geral de qualidade, é cada vez mais essencial ser forte com os fracos. Contra os fortes, é preciso sobretudo ‘sobreviver’ e se possível, pois claro, ganhar.

Com ainda 18 batalhas até ao fim, espero que treinador e jogadores portistas façam das palavras de Jackson uma ordem geral: não é possível perder mais pontos. A meu ver, o avançado colombiano não poderia estar mais de acordo: é que só com muita distração do nosso principal adversário e nossa também, será possível que a esmagadora maioria das equipas do nosso campeonato tirem pontos aos dois primeiros da liga. O problema é que, para nós, a distância face ao primeiro é de 6 pontos. E tudo porque, em determinados momentos da época, alguém não percebeu que em Portugal muitas das vezes não se pode vestir o fato de gala e é preciso vestir o fato de macaco. Ainda assim, e com 18 batalhas pela frente, só há um caminho: ganhar jogo a jogo sem nunca desistir, porque só desiste quem deixa de lutar. Pelo que tem mostrado esta época, não há razões para que o FC Porto desista.

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

O melhor que o Benfica tem

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raçaquerer

Os mais otimistas dizem que são mais de seis milhões, espalhados pelo país, a que se juntam outros tantos emigrantes. Outros admitem que pode já não ser exatamente assim e apontam números mais modestos. Certo é que eles continuam a dar ao Benfica uma força incomensurável, com que nenhum clube em Portugal é capaz de competir. São os adeptos, os benfiquistas. Do pedreiro ao diretor de uma empresa. Do algarvio ao minhoto. Do jovem de 10 anos, que se deslumbra ao chegar ao estádio com o pai, ao velho sócio, cujo coração, já fraco, é abalado pelas emoções dos jogos.

São eles que empurram a equipa quando o golo não aparece, que festejam as suadas conquistas, que criticam quando assim é preciso. Criticam para dentro, falam com outros benfiquistas, explicam o que está mal, sugerem soluções, para depois, na frente de um rival, defenderem o Benfica. É assim que deve ser, pois, como alguém lembrava, nunca se deve demonstrar as fraquezas ao inimigo “porque assim, ele não saberá onde atacar”. São eles que transformam a Luz num inferno em cada vez que a equipa lá joga, são eles que enchem cada estádio português, fazendo com que, em quase todos, os jogadores sintam que estão em casa. São eles que mantêm abertas casas do clube, centenas e centenas delas, da Austrália ao Brasil, de Macau à África do Sul. São eles que suportam o clube, também no plano económico, quando no final de cada mês muitos, sabe-se lá com que esforço, pagam as quotas. São eles que enchem o Marquês nas temporadas em que o primeiro lugar não nos escapou, lançando uma festa tão grande que até os americanos se impressionam.

ESPN publicou esta imagem, onde garante estarem 500 mil pessoas a festejar o título no Marquês Fonte: Facebook Benfica
ESPN publicou esta imagem, onde garante estarem 500 mil pessoas a festejar o título no Marquês
Fonte: Facebook Oficial do Sport Lisboa e Benfica

De entre toda a obra já feita pelo nosso atual presidente, talvez o mais importante foi o que Luís Filipe Vieira não alterou: a composição da SAD. Num período de crise, onde angolanos, chineses ou árabes se apoderam de muitos clubes, Vieira garantiu sempre que “o Benfica é dos sócios”, que “os sócios são a nossa maior força, a força que mexe e faz crescer o clube”. São eles, sócios e adeptos (porque nós somos todos Benfica / nous sommes tous Benfica), que esgotaram em poucas horas os bilhetes para a final da Taça de Portugal, remetendo o meu nervosismo para a frente de um ecrã, em vez de estar numa das cadeiras do Jamor.

São eles que acordam e adormecem a pensar no Benfica, a escolher os argumentos que usarão no dia seguinte a um jogo onde sentiram o peso da derrota quando, na escola ou no trabalho, se cruzarem com um portista ou um sportinguista. São eles que esperam no aeroporto até de madrugada para saudar o plantel, que veio de longe de um jogo europeu. São eles que saltam da cadeira quando aquele passe, aquele que iria colocar o nosso avançado na cara do guarda redes adversário, o último passe, fica demasiado curto. São eles os maiores embaixadores do clube, levando o símbolo a todos os recantos do planeta. São eles que enchem cafés por esse Portugal fora para assistir ao jogo do glorioso, durante aquela hora e meia sagrada, em que tudo o resto é esquecido e em que só a vitória interessa. São eles que, em pleno mês de Agosto, numa qualquer esplanada algarvia, folheiam o jornal e se apercebem da enorme panóplia de jogadores que poderão ingressar no clube na época que estará prestes a começar.

Aqueles que sentem verdadeiramente o clube sabem perfeitamente do que falo. Agora temos o estádio mais bonito da Europa (eleito pelo jornal francês L´Équipe entre 20 grandes estádios europeus, numa votação onde participaram um milhão e meio de pessoas), um museu moderno, recheado de memórias, porque o “passado inspira o futuro”. O centro de treinos do Seixal está a ser melhorado e alargado para que aqueles que preencherão as próximas páginas da vida do Benfica tenham todas as condições para desenvolver o seu talento. Foi criado um canal, a Benfica TV, o único canal de um clube do Mundo a possuir os direitos de transmissão de jogos oficiais. Porque a inovação é o garante do sucesso e porque é nosso dever, como foi no passado, estarmos sempre à frente dos outros. Mas, para além de tudo isto, eles, os adeptos são o melhor que o Benfica tem.

Foto de capa: Facebook Oficial do Sport Lisboa e Benfica

Il Re di Roma

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cab serie a liga italianaA repetição de uma situação faz com que a encaremos de forma mais fria e racional à medida que ela nos vai reaparecendo. O nervoso miudinho de lidar com algo pela primeira vez desaparece, e a ansiedade de falhar vai desaparecendo à medida que a situação é sucessivamente superada com sucesso. Psicólogos e psiquiatras apelidarão este processo de dessensibilização, analistas de futebol de crescimento, relacionando-o com a evolução de um jogador, que encara jogos de elevada pressão de forma cada vez mais desinibida à medida que vai crescendo na carreira.

Atinge-se um certo ponto de maturidade, e a partir daí começa-se a lidar com dérbis, finais ou jogos entre equipas aflitas para não descer de divisão com maior naturalidade. O fervor e a pressão que as bancadas emanam e o peso que um título ou um emblema exerce sobre o jogador vão sendo, com o passar dos anos, transformados em exibições acima da média exibida em encontros anteriores pela importância que este representa.

Um Derby della Capitale (Roma), porém, vai muito além do vulgar jogo com “pressão” ou uma final de qualquer coisa. É, sim, um campeonato privado entre Roma e Lazio, que remonta a 8 de Dezembro de 1929. Um confronto de duas regiões inseridas numa das mais importantes capitais europeias (ou talvez a mais importante, se olharmos para a história da civilização), um duelo de ideologias, a definição de quem é melhor, um jogo que se prolonga muito além dos 90 minutos e chega mesmo a marcar uma época. O Derby Capitolino é um dos espectáculos mais bonitos do futebol mundial, um dos marcos do desporto-rei, mas também um dos que mais pressão exercem sobre os seus protagonistas.

Homens de barba rija passaram por ele e por tudo o que o envolve… e tremeram. Terão passado noites em claro antes de o disputar pela pressão que este acarreta. Nomes históricos como os de Alessandro Nesta, Paul Gascoigne, Michael Laudrup, Pavel Nedved, Verón, Vieri, Hernán Crespo, Marcelo Salas, Roberto Mancini, Di Canio, Aldair, De Rossi, Falcao (o brasileiro), Conti, Cafu, Delvecchio, Fabio Capello, Rudi Voller, Walter Samuel, Emerson, Francesco Totti ou Gabriel Batistuta passaram por isso e guardam dessas noites mal dormidas e dos duelos que se sucederam a seguir histórias que contarão a atletas/aprendizes, filhos, netos e bisnetos.

Alguns deles tiveram o privilégio de conseguir encarar estes encontros “apenas” com o “nervoso miudinho” (que a dessensibilização não conseguiu retirar) inerente a estes duelos, mas apenas um poderá alegar-se verdadeiramente dessensibilizado para a ansiedade do Derby Capitolino: Francesco Totti.

"Selfie" histórica Fonte: Facebook da AS Roma
“Selfie” histórica
Fonte: Facebook da AS Roma

A noite do passado Sábado (dia anterior ao último Roma-Lazio) terá sido passada de forma tranquila, afinal, já está próximo de completar uma Serie A inteira (35 jogos, recorde) destes jogos. A saída para o passeio matinal de Domingo terá ocorrido de forma tranquila, e a viagem de autocarro até ao “Olímpico” foi passada quase como se fosse disputar outro jogo qualquer… e parecia estar a encará-lo como tal durante a primeira parte. Porém, quando teve de arregaçar as mangas e responder à pressão de um resultado negativo (a Roma perdia por 2-0 ao intervalo), voltou a ter a genica do miúdo que se estreou em 1994 com a camisola giallorossi e que em 1998 se estreou a marcar no dérbi, sentenciando uma das melhores edições deste duelo ao fixar o 3-3 final. Terá ficado frustrado com o resultado e, matreiro e conhecedor de todos os truques que existem, escondeu-se ao segundo poste e finalizou da melhor maneira um cruzamento de Strootman para reduzir a desvantagem. Não foi suficiente e, novamente escondido ao segundo poste, conseguiu, em esforço, numa execução notável que só a experiência e o talento de um predestinado podem proporcionar, igualar a partida e evitar que a Roma saísse do Derby Capitolino sem pontos.

Celebrou o 2-2 com os adeptos com a mesma alegria do Totti que igualara a três o primeiro dérbi de Roma de 1998/1999. Só que na altura não tinha um iPhone para tirar a “selfie” (ou auto-retrato, para os puristas da nossa língua) que comprovasse o sorriso genuíno e a expressão de deleite que só um jogador num encontro desta dimensão alcança.

No dia 11 de Janeiro de 2015, duas décadas depois (!!!) de se estrear com o emblema da Roma, Totti fixou-se como o melhor marcador de sempre do Derby della Capitale em jogos da Serie A (Dino da Costa detém o mesmo número de golos, mas dois deles conseguidos na Coppa Italia), marcando o 11º tento ao rival eterno, que lhe vincou o estatuto de lenda viva e activa do futebol mundial e o de figura maior de um dos encontros mais mediáticos do desporto-rei. O único com legitimidade para se autoproclamar Il Re di Roma*.

*O Rei de Roma

Foto de Capa: Facebook da AS Roma

Merecido: Cristiano Ronaldo vence a 3.ª Bola de Ouro!

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Cristiano Ronaldo acabou de receber a terceira Bola de Ouro da sua carreira, um prémio mais do que merecido para um ano de 2014 absolutamente arrebatador. Antes que se levantem dúvidas sobre a justiça desta eleição, aqui vão os dados mais relevantes que inviabilizaram os sonhos de Neuer e Messi.

Ronaldo ganhou a terceira Bota de Ouro da sua carreira, a segunda consecutiva, mercê dos 31 golos que apontou na Liga Espanhola 2013/14. Foi o melhor marcador da Liga dos Campeões da temporada passada, com 17 tiros certeiros, batendo o recorde de golos apontados numa fase final da maior competição europeia de clubes. Venceu a Liga dos Campeões pela segunda vez na sua carreira, em pleno Estádio da Luz, no passado mês de maio. Ainda no passado mês de dezembro, o astro português e o Real Madrid cumpriram a formalidade e conquistaram o Mundial de Clubes em Marrocos. Só nesta temporada, já marcou 33 golos em 28 jogos, e os números são ainda mais impressionantes se analisarmos apenas o campeonato espanhol: CR7 já apontou 26 golos em apenas 16 partidas! O único ponto fraco do seu ano civil foi o péssimo Mundial, onde não conseguiu destoar do nível apresentado pela equipa de todos nós.

Muita gente falou sobre esta disputa e algumas intervenções foram mesmo hilariantes, especialmente a de Michel Platini, que disse que o prémio de melhor jogador do Mundo devia ser para um jogador alemão porque a Alemanha venceu o Campeonato do Mundo realizado no Brasil. Contudo, Neuer, o candidato alemão presente nesta eleição, nem foi eleito o melhor jogador alemão do ano numa votação levada a cabo pela Federação Alemã de Futebol, que determinou para esse posto o médio do Real Madrid Toni Kroos. Curiosamente, Messi também não foi eleito o melhor jogador argentino do ano, perdendo essa distinção para Di María. Penso que estes dois factos apenas legitimam mais a eleição de Cristiano Ronaldo. Se os seus concorrentes nem sequer são eleitos os melhores do seu país, penso que também não era justo que fossem eleitos os melhores do mundo quando vemos as exibições de CR7. Cristiano Ronaldo foi inequivocamente o melhor futebolista mundial em 2014, e isso ficou devidamente registado nesta segunda feira na Suíça.

O menino formado no Nacional e no Sporting encheu mais uma vez de orgulho os portugueses, em especial os seus conterrâneos madeirenses e os adeptos sportinguistas, que, nas discussões com os rivais, têm sempre como uma das suas armas a formação. Ora, Cristiano Ronaldo é visto como o expoente máximo no mundo da qualidade da formação leonina. É certo que evoluiu muito no Manchester United devido à sua inesgotável capacidade de trabalho e ao dedo de Sir Alex Ferguson, mas a passagem por Alvalade deixou obviamente marcas muito positivas. Cristiano sempre retribuiu esse carinho aos “verde e brancos”, e ver Ronaldo a jogar pelo Sporting é um sonho que todos os sportinguistas desejam que se torne uma realidade, mesmo que seja em final de carreira. Fazendo as contas, é a quarta Bola de Ouro para jogadores formados no Sporting, juntando as três de CR7 à que foi conquistada por Luís Figo.

Fez-se justiça, e agora o internacional português está a apenas uma Bola de Ouro de empatar com o seu “eterno rival” argentino, Lionel Messi. Nesta disputa particular, penso que 2015 será mais um ano em que não haverá outro concorrente à altura destes dois deuses do futebol mundial. No ano que terminou, Neuer até poderia estar ao nível de Messi mas, ao nível de Ronaldo, não esteve ninguém. Cristiano Ronaldo foi mais uma vez eleito, com inteira justiça, Melhor Jogador do Mundo!

Foto de Capa: Facebook Oficial de Cristiano Ronaldo

Sp. Braga 0-1 Sporting: Justiça do Japão

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Com a derrota do Vitória de Guimarães frente ao Benfica, a luta pelo 3.º lugar ficou reservada para o encontro que opunha o Braga ao Sporting. A equipa de Sérgio Conceição ainda não tinha perdido no seu estádio mas a de Marco Silva vinha de cinco vitórias consecutivas. Esperava-se um bom jogo e assim foi: intensidade, estratégias e modelos distintos e qualidade a espaços.

O jogo começou como acabou por ser toda a primeira parte, com muito equilíbrio entre duas equipas que pretendiam ambas ganhar mas com formas de jogar distintas. O Sporting a tentar dominar o jogo com bola e o Braga a esperar pelo momento da recuperação e a apostar em transições rápidas. Pardo foi o elemento mais perigoso do conjunto da casa embora a melhor oportunidade da primeira metade tenha pertencido a Nani, negada por uma excelente intervenção de Matheus. Houve um remate de Éder ao lado e um cruzamento que ficou sem resposta de Carrillo, mas ao intervalo o nulo aceitava-se e era justo.

A grande diferença na partida surgiu depois, no reinício do encontro. João Mário alternou com Montero nos movimentos de procura da profundidade e de apoio frontal ao portador e, a partir daí, o Sporting começou a ganhar superioridade perto da bola e, depois, a aproveitar a maior largura que conferia ao jogo, quase sempre explorando Carrillo na direita. O peruano, que realizou mais uma belíssima exibição – está feito jogador! -, forçou constantemente as jogadas individuais, alternando entre a procura pelos espaços interiores e exteriores, e o Sporting só não marcou por várias vezes por mero acaso. A seguir à ocasião de Pardo, negada por Patrício, seguiram-se um sem número de oportunidades desperdiçadas pelos verde e brancos: Adrien, ao lado; João Mário, primeira de cabeça e depois a proporcionar enorme defesa de Matheus; Montero, de cabeça; João Mário de baliza praticamente aberta, na recarga de um remate de Montero e Carrillo a milímetros do poste. O jogo seguiu em aberto mas Marco Silva, sem mexer em qualquer jogador, mexeu em todo o jogo: nova dinâmica no ataque e desequilíbrios atrás de desequilíbrios.

A parte final do encontro foi, na sua maioria, bem mais morna do que a inicial mas acabou por ser aí que o jogo se decidiu. O Braga adaptou-se à alteração do Sporting e a equipa visitante perdeu gás depois de entrar de forma fortíssima. Já depois de Éder desperdiçar, de cabeça, a que foi a melhor ocasião do Braga em toda a partida, Matheus derrubou o recém entrado Tanaka já para lá do prolongamento, tendo visto a expulsão a ser-lhe perdoada. O livre com um jogador de campo na baliza seria bem mais fácil de ser executado, mas o avançado nipónico acabou por trazer justiça ao resultado com uma execução verdadeiramente incrível, fazendo a bola passar por cima da barreira e entrar no ângulo superior da baliza do Braga. Teremos de recuar aos tempos de André Cruz para ver tal nível na cobrança de um livre directo…

A Figura 

Paulo Oliveira – Em 90 minutos, dois erros: a entrada atrasada que lhe custou o amarelo e um passe para fora, na 2.ª parte, quando deveria ter optado por jogar simples. O nível exibido pelo central leonino tem sido verdadeiramente incrível. Elegância nas abordagens, inteligência nos espaços ocupados, qualidade com bola. Uma das principais razões para o Sporting não sofrer golos há cinco jogos.

O Fora de Jogo

Sérgio Conceição – Depois de uma expulsão por mais uma cena que vem sendo facilmente associável ao treinador português, chegou à conferência de imprensa – esqueceu-se do blackout que anunciou há dias? -, disse que teve três ou quatro oportunidade… e que Matheus só fez uma defesa. Uma ao Nani, uma ao Montero, umas quantas ao João Mário. Essa matemática, Sérgio…

Foto de capa: FPF

FC Porto 3-0 Belenenses: Homenagem ao mestre “sem mestria”

a minha eternidade

O Futebol Clube do Porto venceu o Clube de Futebol os Belenenses por 3-0. O Porto fez um jogo consistente, com segura troca de bola e certeza nos processos. A vitória é incontestável e o resultado justo, embora a exibição, mais concretamente na segunda parte, tenha ficado marcada por algum desacerto técnico e pouco nexo táctico.

Os azuis e brancos actuaram no seu usual 4x3x3, com a equipa titular composta por Fabiano na baliza; a defesa com José Ángel (que substituiu Alex Sandro por suspensão), Martins Indi, Maicon e Danilo; o meio-campo constituído por Casemiro, Óliver Torres e Herrera e o trio de ataque juntando Cristian Tello, Quaresma e Jackson Martínez.

O destaque positivo da exibição do Porto centra-se na articulação entre os dois médios interiores (Herrera e Óliver) e o ponta-de-lança Jackson. O espanhol teve uma inteligência de jogo superlativa: ora baixava para iniciar a saída de bola e possibilitava o jogo de posse, ora se chegava mais à frente para o último passe ou remate, interagindo bem com o jogo vertical de Herrera; ambos dialogaram bem com o colombiano. A jogada do golo é exemplo dessa profícua “tríplice aliança”: Óliver rasga a defesa belenense com um passe no pé a solicitar o mexicano que, depois de uma temporização inteligente, serviu com precisão o aparecimento voraz de “el Cha Cha Cha” Martínez. De ressalvar também a aliança Quaresma/Danilo, que, não estando particularmente inspirada, se movimentou num “bailado” complementar que proporcionou bons envolvimentos tácticos. Embora muitas vezes as jogadas tenham sido mal finalizadas, visto que o último passe não saía (mais desacertado o brasileiro do que o português), a sua pró-actividade foi um pavor para os “novos do Restelo”. Devo destacar ainda da primeira parte portista o posicionamento muito alto de toda a equipa, com os dez jogadores no seu meio campo ofensivo, numa predisposição predatória para roubar a bola ao adversário, o que foi conseguido com rapidez em vários lances.

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Óliver Torres tem estado exuberante, sendo o médio interior mais completo do Porto desde João Moutinho
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

O facto de o Belenenses ter sido esmagado em Braga para a Taça a meio da semana explica tão pobre exibição. O sismo que os azuis viveram na pedreira bracarense esmagou a confiança dos “homens da cruz de cristo”. A depressão instalou-se na mente dos futebolistas entorpecidos, desconfiados e desmoralizados. Quase nada fizeram no Dragão. Jogaram muitíssimo recuados, ocupando apenas 30 metros de relvado em processo defensivo, e também não tiveram frieza no passe para construir um contra golpe rápido. Apenas uma envolvência com perigo num remate seguido de recarga.

Quanto às substituições, saíram Óliver, Casemiro e Quaresma para entrarem Evandro, Quintero e Adrián. Todos os suplentes utilizados se comportaram bem e dinamizaram a partida. O médio brasileiro foi aquele que mais se destacou, tendo marcado um belíssimo golo, com um remate colocado, imbuído de efeito, num gesto técnico intencional e correcto.

 

A Figura

Óliver Torres – Jogo muito bom, na linha das suas últimas exibições. Toque curto/médio/longo sempre com precisão. Controlou e decidiu o ritmo de jogo da equipa. Foi elegante, eficiente e finalizador. Marcou ainda um bom golo. Aos 20 anos, já não tem muito por onde melhorar, apenas pode aprimorar o seu futebol graúdo e repleto de recursos e inteligência técnico/táctica. O melhor médio interior do Porto desde João Moutinho.

O Fora-de-Jogo

Fabiano – Apenas duas defesas em todo o jogo. Numa agarrou a bola; na outra deveria ter encaixado mas não o fez, tendo sido Maicon a impedir o tento dos do Restelo com um inacreditável corte em carrinho. Tem as atenuantes do pouco trabalho e do frio que se fazia sentir.

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto