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10 Jogadores Jovens a Observar na Serie A

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serie aNa Serie A têm evoluído alguns dos maiores talentos do futebol europeu. Hoje trago-vos uma seleção de 10 jogadores com 23 anos ou menos que têm condições para fazer uma excelente temporada.

Simone Zaza (Sassuolo)

O jogador mais avançado do modesto Sassuolo é neste momento, com apenas 23 anos, o escolhido por Antonio Conte como o avançado titular da squadra azzurra à frente de jogadores como Balotelli e Immobile. Tentará, juntamente com Berardi, evitar a descida do seu Sassuolo, tarefa que se avizinha bastante difícil. Mais um avançado jovem que chegou a fazer parte dos quadros da campeã italiana Juventus mas que foi deixado sair, como Immobile.

Zaza apontou 9 golos na época transacta  Fonte: stopandgoal.net
Zaza apontou 9 golos na época transacta
Fonte: stopandgoal.net

Manolo Gabbiadini (Sampdoria)

O avançado italiano da Sampdoria, agora com 22 anos, tem sido o protagonista do forte começo da sua equipa na Serie A, ocupando de momento um fantástico quarto lugar, levando 4 golos em 5 jornadas e estando finalmente a jogar a um nível que tinha vindo a prometer já há algum tempo. Metade do seu passe ainda pertence à Juventus.

Manolo Gabbiadini  Fonte: talksport.com
Manolo Gabbiadini somou a sua única internacionalização AA por Itália em 2012
Fonte: talksport.com

Keita Baldé (Lazio)

O espanhol de 19 anos da Lazio começa o seu segundo ano na equipa principal, tendo apontado 5 golos em 23 jogos na sua primeira época como sénior pelo clube. Sendo um avançado, tem sido mais usado como extremo esquerdo. Rapidíssimo e com uma técnica bastante apurada, tem tudo para se tornar num grande jogador – ajuda ter passado os seus anos de formação em La Masia.

O ex-Barça estreou-se oficialmente na Taça de Itália e bisou na partida contra o Bassano  Fonte: topmercato.com
O ex-Barça estreou-se oficialmente na Taça de Itália e bisou na partida contra o Bassano
Fonte: topmercato.com

Daniele Baselli (Atalanta)

O regista de 22 anos da Atalanta deu um grande salto como jogador na época transacta, sendo de momento seguido por gigantes como o PSG e a Juventus e não deve tardar até que dê o salto. Destaca-se em campo pela sua visão de jogo e qualidade de passe – um grande talento para o futuro.

Daniele Baselli fez toda a formação no clube de Bergamo  Fonte: forum.kooora.com
Daniele Baselli fez toda a formação no clube de Bergamo
Fonte: forum.kooora.com

Alessio Romagnoli (Sampdoria)

O jovem central de 19 anos da Roma vai passar a época emprestado à Sampdoria para poder ganhar minutos. Estreou-se com 17 anos pela Roma e impressionou a central e a lateral esquerdo na época transacta, quando Rudi Garcia precisou dele. Este ano deverá assumir-se como titular no clube de Génova, famoso por apostar em jovens talentos.

Romagnoli parece ter conaquistado o seu espaço no onze da Samp  Fonte: giallorossi.net
Romagnoli parece ter conaquistado o seu espaço no onze da Samp
Fonte: giallorossi.net

Kingsley Coman (Juventus)

Com 16 anos tornou-se o jogador mais jovem de sempre a jogar pela equipa principal do PSG. De momento, com 18, o jovem francês faz parte do plantel principal da Juventus, entrando com regularidade e tendo mesmo sido titular no primeiro jogo da época, demonstrando a imensa confiança que Allegri tem nele.

Coman promete seguir as pisadas de Pogba em Turim  Fonte: fichajes.net
Coman promete seguir as pisadas de Pogba em Turim
Fonte: fichajes.net

Marco Van Ginkel (Milan)

O holandês de 21 anos emprestado pelo Chelsea vem de uma época para esquecer, depois de ter passado o ano inteiro lesionado. No Milan terá, em teoria, muito mais oportunidades para jogar do que no Chelsea. O único problema é que mal jogou se lesionou de novo e parou um mês. Independente disso, o talento está lá e se Van Ginkel, já internacional A holandês por diversas vezes, conseguir manter-se em campo deverá impressionar – é um box-to-box bastante completo e não deverá demorar a conquistar o seu lugar no meio-campo da equipa milanesa.

Van Ginkel tem tido azar com as lesões, mas talento não lhe falta  Fonte: gelderlander.nl
Van Ginkel tem tido azar com as lesões, mas talento não lhe falta
Fonte: gelderlander.nl

Simone Scuffet (Udinese)

Não tendo jogado um único jogo ainda este ano pela Udinese, o italiano de 18 anos é provavelmente o melhor guarda-redes jovem do mundo, tendo já sido ligado a gigantes do futebol mundial como o Benfica ou o Chelsea. É um dos grandes candidatos a substituir Buffon na baliza da selecção italiana, juntamente com Perin e Sirigu.

Scuffet, colega de equipa de Bruno Fernandes na Udinese  Fonte: Kingsley Coman
Scuffet, colega de equipa de Bruno Fernandes na Udinese
Fonte: Kingsley Coman

Stephan El Shaarawy (Milan)

Depois da saída de Balotelli, El Shaarawy, com 21 anos, é neste momento a estrela do ataque do AC Milan. Abençoado com uma técnica acima da média, a única coisa que tem impedido a evolução deste excelente jogador são as inúmeras lesões que o têm afrontado, mas se conseguir jogar a época inteira (como fez em 12/13, tendo apontado 15 golos em 22 jogos) poderá guiar de novo o Milan até aos lugares europeus.

El Shaarawy, o faraó de Milão  Fonte: FIFA.com
El Shaarawy, o faraó de Milão
Fonte: FIFA.com

Mateo Kovacic (Inter)

Neste momento, o croata é o melhor jogador jovem da Serie A. Com 20 anos, é titularíssimo no meio-campo do Inter e joga a anos-luz da sua idade – é extremamente disciplinado tacticamente e faz coisas maravilhosas com a bola nos pés. O possível sucesso do Inter passará pelos pés deste já fantástico jogador, que tem todo o potencial para se tornar um dos melhores da Serie A e do mundo no futuro.

O croata já é uma das figuras de cartaz da Serie A  Fonte: Daily Mail / Getty Images
O croata já é uma das figuras de cartaz da Serie A
Fonte: Daily Mail / Getty Images

Menções honorosas:
Mattia Perin (Genoa)
Mauro Icardi (Inter)
Roberto Pereyra (Juventus)
Álvaro Morata (Juventus)
Paulo Dybala (Palermo)
Salih Uçan (Roma)
Leandro Paredes (Roma)
Alessandro Florenzi (Roma)
Daniele Rugani (Empoli)
Domenico Berardi (Sassuolo)
Valerio Rosseti (Atalanta)
Bruno Fernandes (Udinese)

FC Porto 2-1 Athletic Bilbao: Lamber as feridas

tinta azul em fundo brando pedro nuno silva

Noite de Liga dos Campeões, noite de afogar as mágoas depois do jogo traumatizante de sábado. Lopetegui obviamente mexeu na equipa e entraram para o onze inicial Fabiano, Alex Sandro, Martins Indi, Brahimi e Tello.

O Porto entrou pressionante, com marcações mais fortes e com mais entreajuda entre jogadoes. Não arriscou tanto nos passes transversais mas continuou a demonstrar lacunas na circulação de bola. A transição defesa-ataque continua a ser um pouco deficiente e não muito rápida e a dificuldade de circulação no meio-campo é uma constante. Mas o cenário mudava assim que a bola chegava aos homens da frente – Tello estava com o turbo ligado e Quintero calçou as chuteiras de porcelana. Brahimi não esteve muito eloquente mas foi dando sequência às jogadas contruídas, assim como Jackson. Então o que estava realmente diferente em relação ao último jogo? A forma de fazer as transicções.

Tello afirmou-se como o motor da equipa e o Porto jogou com passes directos para os alas ou para o pivot Jackson – teve, portanto, uma abordagem muito mais virada para o jogo directo. Parece ser esta a solução portista. Com centrais muito recuados e com lacunas técnicas, com médios que não sustêm a bola como Casemiro e Herrera, e com extremos rápidos em que a principal arma é o sprint (mais para Tello,  dado que Brahimi joga de forma diferente) o futuro do Porto parece ser um 4-3-3 de transições velozes e não um 4-3-3 de posse e circulação, tal como Lopetegui queria (e, parece-me, como os portistas queriam também).

Ao longo da primeira parte foram surgindo diversas oportunidades para os portistas mas o jogo nunca esteve controlado – mais uma recorrente desta época – e foi sem surpresa que o Athletic Bilbao foi criando perigo com uma bola no poste de Fabiano. No entanto, quem dispõe de jogadores como Quintero tem magia assegurada e num passe a rasgar à entrada da área, descobrindo Herrera, o mexicano fez o primeiro para o Porto. Que talento tem Quintero!, quem melhor que ele rasga uma defesa com fintas e passes curtos?

destaque
Ricardo Quaresma voltou a brilhar e foi decisivo na vitória do FC Porto
Fonte: marca.com

A segunda parte arrancou com o Atlhetic Bilbao pressionante, o que expôs as fragilidades dos nossos centrais e médios. Muitos passes falhados, más decisões e ataque pouco apoiado. Assusta a facilidade com que uma equipa anula o Porto, sendo tão fácil provocar o erro nos nossos jogadores e expor as lacunas individuais. Como resolver este problema que é não jogarmos um futebol apoiado? Cabe ao treinador responder desta vez.

Foi fruto de mais um erro individual que surgiu o golo da equipa espanhola – aliás, já é norma oferecer pelo menos um golo ao adversário. Herrera em mais um passe disparatado e Casemiro (não estará com peso a mais?) sem velocidade deram a bola ao Athletic que num contra-ataque curto e rápido chegou à igualdade no marcador. Lopetegui retirou Quintero e Casemiro, entrando Ruben Neves e Quaresma. O Dragão aplaudiu o ‘Harry Potter’ – é interessante ver que os adeptos recompensam sempre quem gosta do clube – e Quaresma não se coíbe de o demonstrar, sendo algo que agrada – são precisos mais jogadores que sintam o clube, que saibam o que significa a derrota para os portistas. E foi Quaresma que mexeu com o jogo: cheio de vontade de ajudar, deu novo fôlego aos Dragões e num golpe de cinema o filho pródigo marcou. Estava feito o 2-1 e reposta a justiça depois de termos perdoado alguns golos aos Bascos. Restava então primeiro segurar a vantagem e depois tentar alargá-la – conseguimos a primeira e foi o suficiente.

Com alguns sustos lá pelo meio e com golos falhados da nossa parte, o certo é que a vitória ficou no Dragão e deixa o Porto com 7 pontos e a passagem muito mais perto. Somos uma equipa de Liga dos Campeões e não de Liga Europa – aqui lambemos as nossas feridas porque as grandes equipas querem os grandes palcos.

 

A Figura

Quaresma – Fez-lhe bem o banco: entrou com muita vontade, como já não lhe víamos há muito. Espero que mantenha o ímpeto, pois o Porto precisa de um Quaresma líder ao mais alto nível.

 

O Fora-de-Jogo

Casemiro – Não fez um jogo tão mau como contra o Sporting mas continua a falhar, a fazer entradas duras e a demonstrar dificuldade em reagir rápido. Parece fora de forma.

Schalke 04 4–3 Sporting CP: Raça? É este Sporting; Injustiça? É este jogo

sob o signo mozos

Depois da vitória no Dragão, o Sporting tinha de ultrapassar mais um adversário difícil. Era preciso controlar as emoções, nunca deixando de aproveitar todos os pontos positivos que havia para retirar do clássico que ditou a eliminação do FC Porto da Taça de Portugal. Com o onze que seria expectável, o Sporting entrou para este encontro admitindo o favoritismo dos alemães do Schalke 04 mas ambicionando a vitória contra uma equipa que nunca antes houvera defrontado.

A primeira parte começou com um ritmo baixo mas desde bem cedo o Sporting mostrou uma identidade de jogo que passava por pressionar alto e fechar as linhas de passe, organizando-se muito bem tacticamente. Os leões foram obrigando os alemães a jogar no seu próprio meio-campo. Via-se um Sporting tranquilo, seguro e com uma noção muito clara daquilo que estava a fazer.
Aos 16 minutos, um canto rasteiro batido por João Mário chega a Nani, que remata enrolado para o primeiro golo da noite. Uma vantagem que se justificava pela maior qualidade e segurança apresentada pelos verdes-e-brancos. O Schalke reagiu e começou a criar lances de perigo que o Sporting foi resolvendo sem nunca perder a cabeça ou vacilar, saindo sempre – ou na maioria dos casos – com a bola jogável. Mas os leões sofreram a primeira contrariedade à passagem do minuto 25, quando Marco Silva se viu obrigado a fazer entrar Fredy Montero para o lugar do lesionado Slimani. O Sporting manteve-se seguro e continuou a apresentar um estilo de jogo bem definido, com uma excelente organização táctica. Mas ao minuto 34 tudo mudou: Maurício, que já havia sido admoestado, fez uma falta imprudente a meio-campo e viu o segundo amarelo, num lance em que o excesso de zelo do árbitro ficou evidente. Na marcação dessa mesma falta o Schalke 04 acabou por chegar ao empate, num lance em que Patrício ficou mal na fotografia. Em termos psicológicos foi uma autêntica machadada em apenas dois minutos. Mas o Sporting aguentou.

Marco Silva fez a segunda substituição forçada colocando Sarr para o lugar de João Mário. O encontro foi para intervalo com as duas equipas a procurarem o golo – o que é de louvar, já que o Sporting jogava com menos um e já tinha sido obrigado a duas alterações. O início da segunda parte apresentou um Sporting a querer ir para cima do jogo, continuando a pressionar alto e a disputar o jogo mano-a-mano, não se deixando enfraquecer pelo facto de jogar com menos um homem. Num contra-ataque do Schalke, a equipa alemã apanhou a defensiva leonina em descompensação e fez o 2-1. Cambalhota no marcador aos 51 minutos. Mas como tudo conspirava contra o Sporting nesta chuvosa noite de Agosto em Gelsenkirchen, o tento de Huntelaar foi conseguido em fora-de-jogo. Mas o Sporting aguentou.

O 3-1 surgiu num lance de bola parada, aos 61 minutos, em que Sarr tem dupla responsabilidade: fez a falta e, após a marcação do livre, falhou na cobertura de Howedes, que acabou por colocar a bola no fundo das redes de Rui Patrício. Tudo parecia perdido. Mas o Sporting não deixou.  À passagem do minuto 64, um ataque de Carrillo no flanco esquerdo do Sporting originou uma grande penalidade, que Adrien Silva cobrou exemplarmente, reduzindo assim a vantagem para 3-2. O Sporting cresceu e sentia-se que o empate era bem possível. Mesmo jogando com dez, os leões deram uma lição de futebol, de raça, de alma, de garra e de vontade e, ao minuto 78, num lance de insistência do Sporting, Adrien Silva finalizou com um cabeceamento um excelente centro de Cédric. Estava reposta a justiça no marcador. 3-3.

Adrien Silva recolocou o Sporting na discussão do encontro ao converter um penálti aos 64 minutos Fonte: UEFA
Adrien Silva recolocou o Sporting na discussão do encontro ao converter um penálti aos 64 minutos
Fonte: UEFA

O Sporting lutou com o coração; deu a volta a um jogo que parecia perdido; controlou a partida em vários momentos do jogo mesmo jogando em inferioridade numérica. O Sporting é isto. O Sporting aguentou e renasceu das cinzas quando já ninguém o esperava. Exibição exemplar dos pupilos de Marco Silva, que tudo fizeram para tornar esta noite numa noite de glória.

Mas o pior estaria para vir… No último minuto do encontro o árbitro de baliza – que, aproveito para dizer, não tem qualquer utilidade ou razão de existir – decidiu inventar um penálti a favor do Schalke 04. A bola bate na cara de Jonathan Silva mas a equipa de arbitragem voltou a errar contra o Sporting e assinalou grande penalidade por mão na bola. Choupo-Moting encarregou-se da marcação e não falhou.  O jogo acabou com a derrota do Sporting. As contas estão muito complicadas, mas a revolta que a nação leonina sente neste momento por não terem deixado que o resultado fosse outro não permite sequer pensar na calculadora. Agora, o Sporting vai ter de aguentar. Mas preparem-se, pois o poder da raça, da qualidade, da personalidade e da garra do Sporting ficou mais do que patente neste jogo – e que orgulho e honra ver este Sporting jogar! Já sabem aquilo que os leões são capazes de fazer. Mas, para isso, é preciso que os deixem lá chegar…
A Figura: A atitude do Sporting, que conseguiu recuperar, em inferioridade numérica, um jogo que parecia perdido. De 3-1 para 3-3 em 15 minutos. Não deixaram o jogo acabar com o resultado que seria justo e adequado.

O Fora-de-Jogo: Arbitragem – Desde a expulsão de Maurício (segundo cartão amarelo forçado) até ao penálti inventado, que originou o quarto golo do Schalke, passando pelo segundo golo dos alemães em fora de jogo. Tudo correu mal a esta equipa de arbitragem hoje, que foi a principal responsável por não deixar o Sporting sair com outro resultado hoje na Alemanha.

A Graça de Graziano

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O dia 15 de Julho de 1985 foi mais um em San Cesario di Lecce, Itália. Uma segunda-feira normal, como todas as outras, de regresso ao trabalho dos poucos milhares de pessoas que lá habitavam na altura. O nascimento de mais um menino para a pequena localidade de 7 quilómetros quadrados era saudado, claro, mas a frieza dos números apontava para “apenas” mais um na contagem da população total. Graziano Pellè era apenas mais um.

Ao longo da sua infância foi alimentando o sonho. O sonho de ser responsável pela febre que invadiu Itália em 1990, quando lá foi organizado o Mundial de futebol. O sonho de marcar um penalty decisivo e dar à sua pátria a legitimidade de se entitular a melhor do mundo a jogar futebol. O sonho de ser Roberto Baggio (e converter aquele penalty falhado na final contra o Brasil), Gianfranco Zola, ou mais tarde, Del Piero, Enrico Chiesa ou Christian Vieri. Mas esse sonho era um sonho comum a todos os meninos que transpiravam o calcio jogado por milhões de ruas espalhadas por toda a Itália. O de Graziano era apenas mais um.

Graziano não era de estar quieto, e fez-se ao sonho. Ingressou nas equipas jovens do Lecce e deu logo nas vistas pela sua altura e pela facilidade com que visava as redes contrárias. Chegado à idade de júnior, e com a ajuda de excelentes e promissores executantes à sua volta, fez história no Lecce, oferecendo ao clube os seus dois únicos Campionato Primavera (campeonato nacional de juniores) do seu historial. A isto seguiram-se chamadas à principal equipa do sul de Itália, e, mais importante, chamadas aos sub-20 e sub-21 da squadra azurra, que tornavam o sonho mais próximo da realidade… mas, como em vários países acontece, nem sempre a estrutura das selecções e do futebol de um país favorece o crescimento de um atleta, e Graziano, entre empréstimos pontuais a equipas como Catania, Crotone e Cesena, tornou-se vulgar e distante da capacidade que ele próprio gostaria de ter quando sonhava. Muitos apontaram-lhe falta de preparação para jogar a um nível alto, e assim foi caíndo no esquecimento do futebol do seu país. Graziano era apenas mais um, entre muitos.

No Lecce, sonhava ser o jogador que se tornou uma década depois  Fonte: Four Four Two
No Lecce, sonhava ser o jogador que se tornou uma década depois
Fonte: Four Four Two

Emigrou para a Holanda, deu-se bem, e voltou ao seu país, ao Parma, mas não se tornou nada daquilo que ambiocionara um dia ser. Voltou a ser emprestado, primeiro à Sampdoria e depois ao Feyenoord. Antes de partir para Roterdão, parecia conformado com o destino de vir a ser mais um jogador vulgar que muito prometeu e pouco deu a não ser no seu início. Afinal de contas, já tinha 27 anos e mais de metade da sua carreira (começada em 2004) já tinha sido percorrida.

Deixou de sonhar, foi mais prático, e concentrou-se apenas nos poucos momentos que cada jogo lhe trouxesse (ou assim lhe terá ensinado Ronald Koeman). Focou-se no “agora” e o resultado foi 11 golos em 10 jogos. Um autêntico boost de confiança que o catapultou para uma época inesquecível, onde apontou 27 golos em 29 jogos no campeonato holandês, que fez com que o Feyenoord quisesse voltar a contar com ele para a época seguinte. Assim foi. E, mais uma vez com Ronald Koeman a orientá-lo, Pellè teve outra época extremamente produtiva, marcando 23 golos em 28 jogos. Terminou assim os dois anos de Feyenoord ao peito, com 50 tentos apontados em menos de 60 encontros, e ambicionava, perante tamanha regularidade e faro de golo, ser chamado à squadra azurra. Tinha, agora, mais legitimidade do que nunca para sonhar com um lugar nos eleitos para o Mundial… mas não aconteceu – Immobile, Cassano e Ballotelli reuniram a preferência do seleccionador. E Graziano voltou a sentir-se mais um, entre muitos.

Os dois anos passados em Roterdão deram uma "nova vida" a Pellè  Fonte: dailyecho.co.uk
Os dois anos passados em Roterdão sob a orientação de Koeman deram uma “nova vida” a Pellè
Fonte: dailyecho.co.uk

Aos 29 anos parecia ter o seu destino traçado e pareceu conformar-se com ele. Porém, tudo mudou, e mais uma vez houve um holandês muito especial a fazer com que a vida de Graziano fosse melhor – Ronald Koeman. Voou para Inglaterra, para o Southampton, e exigiu que o italiano viesse com ele. Assim foi. E os resultados estão à vista: Graziano Pellè não sentiu o impacto da mudança do futebol holandês para o inglês e provou que os 50 golos apontados ao serviço do Feyenoord não foram obra do acaso, adaptando o seu jogo àquilo que ele lhe pedia, focando-se em elevar os saints à equipa sensação que é, neste momento, na Premier League. Os resultados, mais uma vez, estão à vista – 8 jogos na Premier League, 6 golos, 1 prémio de melhor jogador do mês (Setembro). Graziano encontrou, finalmente, a sua graça. Brilhou ao mais alto nível e pôde finalmente representar o seu país ao mais alto nível…

… e não foi apenas mais um! Foi “o” tal. Aquele que qualquer miúdo de San Cesario de Lecce (ou de outra qualquer localidade italiana) com calcio no sangue quer ser – o jogador que decide um jogo a favor da sua pátria. Marcou à selecção da Malta, na sua estreia, o único golo do encontro e provou ao mundo, mas, mais importante, a si mesmo, que vale a pena sonhar, seja com que idade for, porque, por mais que demore, todos nós encontraremos a nossa graça.

Mudaram-se os artistas mas o circo mantém-se

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eternamocidade

À décima segunda tentativa, eis que a derrota apareceu. Já tinha aparecido a Benfica e Sporting, mas desta vez coube ao FC Porto sofrer dos seus males e passar pelo primeiro grande desaire da época, com uma consequência imediata: a eliminação da Taça de Portugal. Apesar de todo o alarido à volta do plantel portista e das profecias que se faziam há algumas semanas – de que com o plantel que o FC Porto tinha, tudo venceria esta época -, admito que a derrota de sábado não foi uma surpresa para mim.

De facto, depois dos ameaços de Alvalade e de Lviv e da sofrida vitória em casa frente ao Sp. Braga, percebia-se que não iria demorar muito a primeira derrota portista. Pela incapacidade que a equipa demonstrava em mostrar solidez, pela constante rotação que já ninguém percebe por parte de Lopetegui, por todos os erros defensivos e ofensivos que a equipa cometia, era fácil prever que o dia da derrota iria acontecer. Contra o Sporting, mais do que dois golos oferecidos, um penálti falhado e um punhado de defesas “impossíveis” de Rui Patrício, ficou mais uma vez provado que apesar da mudança do elenco para esta época, há coisas que não mudaram no FC Porto. Por entre a revolução feita no plantel portista ficaram os erros defensivos individuais, ficaram os golos oferecidos e ficou a incapacidade para dar a volta a resultados e equipas complicadas. Mesmo com todas as “estrelas” que supostamente vivem no Dragão, o circo de insuficiências mantém-se e, como no ano passado sempre afirmei que Paulo Fonseca não era o único responsável, também não acredito que Lopetegui possa ser o único acusado pela irregularidade que a equipa demonstra.

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Lopetegui não é o único culpado pelas prestações menos positivas do FC Porto
Fonte: fcpnacaoportista.wordpress.com

Ainda assim, e porque não estou de acordo com toda a rotatividade que o treinador tem imposto, obviamente que o técnico espanhol tem uma enorme culpa no que aconteceu porque voltou a inventar e a complicar uma tarefa que já de si seria complicada: do quinteto defensivo que tanta solidez mostrava nos primeiros jogos, apenas Maicon e Danilo ficaram na equipa; no meio campo, optou por um jogador que veio de lesão (Casemiro) em virtude de um jovem que tem mostrado credenciais; no ataque, optou por retirar Oliver da sua zona de conforto (o meio campo); colocou Quintero sobre uma ala e insistiu mais uma vez num Adrián López que parece desconectado de tudo. Com Alex Sandro e Martins Indi na bancada e Fabiano, Rúben Neves, Brahimi e Tello de fora, o jogo com o Sporting tinha tudo para correr mal… e acabou por correr. De forma incompreensível, Lopetegui optou por colocar o FC Porto com apenas dois médios posicionais, deixando William Carvalho completamente solto para construir o jogo ofensivo leonino. Em termos defensivos, Casemiro nunca foi uma solução sólida e as constantes falhas da defesa levaram o Sporting a superiorizar-se perante um FC Porto que tremia sempre que tinha a bola na sua posse.

Dois meses depois do início da temporada a primeira competição já foi, e apesar de todo o mérito do Sporting na vitória do passado sábado, fiquei mais uma vez com a impressão de que foi o FC Porto que se pôs a jeito para que tudo aquilo acontecesse. Por incapacidade de alguns jogadores e por escolhas incompreensíveis do treinador, o FC Porto sai do clássico com menos uma carta no baralho e sobretudo com muitas dúvidas na sua cabeça e nas dos adeptos. É que no campeonato o segundo lugar atual não traz garantias e a desvantagem de quatro pontos já praticamente não permite mais erros aos comandados de Lopetegui. Ainda que no futebol não haja fórmulas exatas, acredito que com menos rotação e mais rotinas de jogo as coisas possam começar a resolver-se. Para isso, basta pôr os melhores a jogar e inventar menos. É que, no futebol, está mais do que provado que jogar simples dá sempre mais resultados. É bom que Lopetegui e os jogadores percebam isso… é porque à custa dos erros do passado, o Jamor em maio do próximo ano já é uma miragem.

O Passado Também Chuta: Del Piero

o passado tambem chuta

Del Piero é uma lenda e ainda está presente na retina dos espectadores. Deixou o futebol europeu há meia dúzia de meses no clube da sua vida, a Juventus, para rumar à Austrália e, agora, à Índia. No entanto, acontece que defendeu a camisola biaconera durante dezanove anos. Por isso, parece um jogador longínquo. Por isso, parece um jogador do presente. Tinha os dois pés. Possuía uma técnica primorosa. Tinha finta e imaginação. Rematava as faltas com a precisão dos predestinados. Antes dos vinte e três anos arrebatou o Troféu Bravo, superando a esperança espanhola Emílio Butraguenho. A desolação que provocou em Espanha foi importante; o seu menino bonito, o seu menino educado, fora ultrapassado por um italiano.

E ganhou tudo; ganhou, inclusivamente, a Serie B italiana depois da queda e hecatombe da Juventus por problemas “misteriosos”. Venceu oito vezes a Seria A italiana. É fácil dizer ou escrever este dado, mas, se meditarmos, podemos assustar-nos. Não é fácil vencer quase metade dos campeonatos que se disputa. Foi Campeão de Europa. Foi Campeão Mundial com a seleção. Depois, com a idade, maravilhou o mundo com a forma como marcava as faltas. Não tinha posição ideal; todas as posições eram boas porque treinava as faltas desde todas as posições e ângulos. Até ao dia do seu adeus chutou a Itália marcou para dar vitórias ao seu clube.

Livres: uma das grandes especialidades de Del Piero  Fonte: fantasista10.co.uk
Livres: uma das grandes especialidades de Del Piero
Fonte: fantasista10.co.uk

Del Piero, ainda que admirado, careceu de alguns prémios individuais. Nunca ganhou uma Bola de Ouro. No entanto, era e é considerado entre os seus colegas como um dos grandes de sempre. Quero recordar que foi colega de um português que foi Campeão de Europa com o Juventus – Paulo Sousa, o geómetra – e foi membro destacado da geração do Luís Figo e do Rui Costa.

O Estádio do Real Madrid tem fama de exigente e sábio. O Real Madrid e a Juventus encontraram-se numa disputa durante o Campeonato de Europa. Del Piero marcou dois golos e foi determinante. O Estádio Santiago Bernabéu, em pé, aplaudiu a Del Piero. Poucos jogadores contrários tiveram esse privilégio, mas existe um trio sagrado de privilegiados: Maradona, Ronaldinho Gaúcho e Del Piero. O campo que viu evolucionar a Di Stéfano, Rial, Kopa, Didi ou Luís Figo quando tropeça com a excelência agradece e reconhece.

Podemos gostar ou não gostar da Liga Italiana, mas, fundamentalmente, é um campeonato muito difícil. Ganhar os campeonatos que Del Piero ganhou com a Juventus é epopeico; no entanto, disputar mais de quinhentos jogos com uma equipa do nível de exigência da Juventus e andar em todas as batalhas só os únicos, os grandes, os míticos o conseguem. Del Piero não só é um jogador mítico, foi flor que perfumou os campos de futebol.

Inter 2-2 Nápoles: Final de Loucos!

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Ambiente fervoroso no Giuseppe Meazza e um final frenético para mais tarde recordar. Os homens da casa foram mostrando que queriam claramente ganhar o jogo, mas faltou-lhes acutilância e só depois de se verem em desvantagem é que chegaram ao golo. As expectativas eram altíssimas para este jogo e a etapa final acabou por não reflectir o que se passou durante a maior parte do tempo.

Primeira parte com domínio total do Inter. A equipa de Mazzari assumiu o jogo e ocupou grande parte do tempo no meio-campo adversário. O Nápoles nunca tentou chamar a bola para si e foi-se perdendo em tentativas inconsequentes. Os pupilos de Benitez foram tentando sair rápido pelas laterais ou com bolas lançadas para as costas da defesa nezarazurri. O jogo ia sendo muito canalizado pela esquerda do ataque do Inter e Dôdo ia fazendo cruzamentos a procurar Icardi, sempre sem a sequência devida do avançado. Hernanes foi sempre o mais inconformado e foi tentando resolver com iniciativas individuais. Numa dessas tentativas ia inaugurando o marcador e enviou um forte remate de pé esquerdo ao poste.

O segundo tempo arrancou com as equipas mais retraídas, mas com o Nápoles a tentar mudar o rumo do jogo. No seguimento desta entrada mais pressionante por parte dos jogadores do Nápoles, Hamsik serviu na perfeição Insigne, que, isolado, mandou ao poste e por pouco não inaugurou o marcador. No entanto, o Inter foi sempre o mais expedito e foi tentando, com as incursões de Kovacic, sempre magnífico na condução da bola, chegar mais perto da baliza. O jogo acabou por entrar num período muito morno, com as equipas a anularem-se e a mastigarem muito a bola. Nada faria esperar o que estava para vir…

Callejón a festejar o golo que mudou o rumo do jogo  Fonte: Gazzetta dello Spor
Callejón a festejar o golo que mudou o rumo do jogo
Fonte: Gazzetta dello Spor

O período final foi diabólico. Lançamento de Ghoulam, desacerto defensivo do Inter, Callejón apareceu sozinho e não perdoou. O espanhol fez assim o quinto golo no campeonato e inaugurou o placard. Guarín, acabado de entrar, marcou no seguimento de um canto marcado por Dôdo e desviado por Icardi. A partir daqui o jogo “partiu-se” por completo e as equipas foram à procura do golo da vitória. O Nápoles assumiu a frente da corrida e voltou a marcar pelo inevitável Callejón. Quando se esperava que o jogo estivesse morto, os jogadores nezazurri acabaram por demonstrar que enquanto se está lá dentro tudo é possível. Hernanes (quem mais?) a corresponder a nova assistência de Dôdo com um cabeceamento fulminante que só acabou no fundo das malhas. O empate estava consumado e os pontos saíram divididos pelas equipas.

Já era sabido que o jogo teria uma grande imprevisibilidade, mas o Inter tentou chamar a si a responsabilidade do jogo. O resultado é injusto e o Nápoles acabou por ser o principal beneficiado.

A Figura
José Callejón – A alma da equipa. Muito competente a ajudar nas tarefas defensivas e sempre com acerto no ataque. Os dois golos são o ponto alto de mais um jogo muito bem conseguido.

O Fora-de-Jogo
Marek Hamsik – Nula. A palavra que melhor descreve a prestação do eslovaco neste jogo. Sem pegar na batuta do jogo e sempre muito escondido, ficou muito aquém das expectativas.

Humilhação

amarazul

hu·mi·lha·ção

(humilhar + -ção)

substantivo feminino

1. Acto ou efeito de humilhar ou humilhar-se.

2. Vergonha; rebaixamento.

 

Dói-me a alma. Estava reticente em relação ao regresso à Taça de Portugal – por tudo o que significava e por todos os contextos em que se envolvia. Tinha algumas dúvidas e poucas certezas mas, no final, nada se assemelha ao que previ.

Diz a pesquisa feita no dicionário Priberam, em poucos segundos, que humilhação é um substantivo feminino e se resume ao ato de humilhar ou, vá lá, ser humilhado. Pois bem, este é um aspeto sobre o qual eu detesto falar mas que considero ser fundamental abordar.

Fui humilhado. Fomos humilhados. Não dentro do campo, pois só quem não joga nunca perde, mas à volta. Fomos humilhados naqueles cinquenta milhares de lugares azuis que compõem o tão mítico Estádio do Dragão. Fomos humilhados em casa, a nossa casa, e isso dói. Deixa-me triste e por isso mesmo o partilho.

Se há algo que não admito é ver o meu Futebol Clube do Porto ser humilhado em casa. Não o admito e, mais do que isso, não compreendo. Ultrapassa-me a forma como 4.000 adeptos visitantes conseguem tornar-se audíveis de forma a serem escutados ‘olés’ no Dragão. Ultrapassa-me como é possível a dada altura a minha equipa ser assobiada em casa enquanto os adversários são superiores aos nossos cinquenta mil nas bancadas.

É claro que não compreendo nem defendo metade do que se passou dentro do campo durante os noventa minutos de jogo. Seria ingénuo se fosse capaz de ignorar os erros defensivos que deram aos visitantes dois golos ou o penalty (mais um) falhado, que acabou por se revelar a verdadeira machadada do encontro. Mas esses são erros característicos do desporto profissional – não do Porto, é verdade, mas há dias assim… — e quando ‘abafados’ por finais como este perdem todo o significado que para mim teriam.

Uma vez mais, fomos humilhados em casa e é bom ter isso presente na consciência. Hoje, amanhã e nas próximas semanas. Até ao final da época, de modo a que não aconteça novamente. Somos o Futebol Clube do Porto. Nós vamos a casa dos outros jogar, vencer, cantar. Não o contrário, e se nas bancadas não se corrige, dentro do campo não mudará. Somos um todo, não um grupo de atletas separado de um conjunto de apoiantes. Só juntos somos mais fortes.

Glamour do Mónaco sem a classe de Jonas = desperdício

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Terceiro Anel

Próxima quarta-feira, 19 horas e 45 minutos, Mónaco vs Benfica no Estádio Louis II. E logo agora que o maior de Portugal vai ter uma partida no Principado monegasco, local tão glamoroso e repleto de fantasia, não poderá contar com Jonas, esse tal jogador que até agora tem demonstrado que merece ser vestido com um portentoso fato de gala. Se o internacional brasileiro pudesse alinhar, certamente que haveria uma classe extra no futebol do meu lindo Benfica, certamente que as suas características se adaptariam a toda aquela zona em que não há lugar para a pobreza.

Mas vá, podem perguntar-me o porquê de já estar aqui a elogiar de uma forma incessante um atleta que chegou ao Benfica há pouco tempo, que estava desempregado, que acabou por viver uns últimos meses penosos no Valência, que nem nos poderá auxiliar nas competições europeias nos próximos tempos. E eis que a minha resposta é esta: sim, eu até me posso vir a enganar, mas duvido muito de que isso venha a acontecer. Normalmente um adepto de futebol tem olho para a coisa, e eu, que me considero sem rodeios como um doente mental benfiquista, afirmo quase de uma forma peremptória: Jonas tem classe nas chuteiras, tem requinte no pensamento, tem subtileza na corrida, tem sapiência no posicionamento em campo.

E agora podem perguntar-me se eu me estou a basear apenas num “simples” hat-trick obtido na Covilhã. Não somente, não somente. É que não foram só os três golos, mas toda a exibição de Jonas no estádio serrano. E aquele segundo golo? Garanto-vos que grande parte de nós, cidadãos portugueses, não conseguiríamos, por muito que tentássemos, rematar daquela forma, sem deixar cair no relvado uma bola enviada ainda atrás do meio-campo, culminando o lance com uma fineza fantástica, plena de oportunidade. Ah, e também não me esqueço da exibição de Jonas frente ao Arouca, há três semanas, nos minutos em que esteve em campo. Jogou, fez jogar, movimentou-se, marcou um golo, começou a cair no goto dos adeptos (a prova é que estou aqui a dedicar-lhe um artigo).

Até agora, Jonas tem sido sinónimo de eficácia a todos os níveis Fonte: globoesporte.com
Até agora, Jonas tem sido sinónimo de eficácia a todos os níveis
Fonte: globoesporte.com

E daí a minha pessoa estar a lamentar-se perante a ausência deste avançado na partida no Mónaco, partida essa tão importante para este clube esplendoroso. Tenho mesmo a convicção de que um Jonas, a atravessar este momento de forma, seria um trunfo importante para Jorge Jesus. Mas atenção! Senhor JJ, eu não quero desculpas! Os habituais titulares tiveram direito a descanso prolongado (e não é que à conta disso um tal de Sporting da Covilhã nos ia tramando?), houve tempo para recuperar jogadores, houve tempo para preparar mentalmente a equipa. Somos melhores do que o Mónaco, é que nem duvido disso! E somos o Sport Lisboa e Benfica! Caramba, eu sei que não vamos vencer a Liga dos Campeões 2014/2015, mas temos de seguir para os oitavos-de-final. Pelo menos temos de lutar por isso, terminando o grupo com uma pontuação digna. Zero pontos em dois jogos? Mas nós somos quem? Uma equipa checa? Uma equipa moldava? Jorge Jesus, treinador que já nos deu muito, é tempo de cerrar fileiras. O senhor é um grande treinador, mas o seu discurso europeu não condiz com a sua gigantesca competência. Não vamos poupar ninguém, não vamos dar abébias, vamos jogar no Louis II, e não em Camp Nou ou no Santiago Bernabéu. Força, SLB! Eu ainda sou daqueles que acreditam em ti em matéria europeia.

E quanto a ti, ilustre Jonas, faço-te um convite: acompanhas-me a um próximo baile de gala? É que tu tens muita, muita classe…

Banco de Portugal 1-4 G.D. MPL: Amadores com bastante qualidade

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Ontem assisti ao meu primeiro jogo da Liga Masters 35 e fiquei extremamente surpreendido com o que vi. Tive o privilégio de ver o jogo entre Banco de Portugal e Grupo Desportivo MPL, realizado às 9h30, tendo sido um agradável jogo de futebol.

Entrada das equipas em campo Foto: Duarte Sousa Vinagre
Entrada das equipas em campo
Foto: Duarte Sousa Vinagre

A equipa visitante entrou melhor na partida e inaugurou o marcador nos primeiros 10 minutos, fruto de uma falha defensiva da equipa da casa, que facilitou bastante.

Volvidos cerca de dois minutos, o Banco de Portugal empatou o jogo. O golo nasceu de uma bola parada, marcada pelo número 10, e aproveitada da melhor maneira através de um excelente cabeceamento. Com este golo, o jogo encontrava-se empatado e estava a ser muitíssimo bem disputado, com as duas equipas a praticarem um bom futebol.

Depois do empate, o Grupo Desportivo MPL reagiu da melhor maneira possível, marcando um belo golo. Este foi apontado pelo número 10, que fintou um defesa adversário e, perante a saída do guarda-redes, utilizou a sua elevada técnica e colocou o esférico dentro da baliza. Grande golo!

Com isto, a equipa visitante melhorou substancialmente o seu rendimento, chegando mesmo ao 1-3, aproveitando mais uma falha defensiva da equipa da casa.

O árbitro deu como concluída a primeira parte, e o resultado ao intervalo era de 1-3.

Foi uma excelente primeira parte, em que a equipa do Grupo Desportivo MPL foi superior, e isso refletiu-se no marcador. Teve mais posse de bola, fazendo-a circular bastante bem, e dispôs de mais oportunidades para marcar. Contudo, o Banco de Portugal beneficiou de duas belíssimas oportunidades para marcar: a primeira foi ligeiramente ao lado, e a segunda o guardião encarnado fez uma excelente defesa, cedendo canto.

O segundo tempo foi muito diferente. A equipa visitante precisou apenas de gerir o resultado, tendo inclusive ampliado a vantagem para 1-4 devido a um momento infeliz do defesa do Banco de Portugal, que colocou a bola na própria baliza. O jogo esfriou, tendo sido pouco competitivo mas bem gerido pela equipa vencedora: tentou manter a posse de bola o máximo de tempo possível, mexeu cedo na equipa, refrescando-a, e colhendo os frutos de uma estratégia bem montada no final do encontro, vencendo-o.

Classificação da Liga Masters 33 de Futebol 11. De referir que Grupo Desportivo MPL e Futebol Clube Estrelas apenas têm um jogo Fonte: Facebook Liga Masters 35
Classificação da Liga Masters 33 de Futebol 11. De referir que Grupo Desportivo MPL e Futebol Clube Estrelas apenas têm um jogo
Fonte: Facebook Liga Masters 35

Queria realçar a qualidade técnica do número 10 da equipa vencedora, Paulo Silva, que demonstrou ser muito bom tecnicamente, bom finalizador e apresentou-se como o “motor” da equipa.

Foi um bom jogo, a vitória é claramente justa, e fica na retina que, apesar de alguns jogadores terem alguma idade e uns quilinhos a mais, ainda há bastante qualidade.