«No outro dia estivemos mal, toda a equipa. Recebi mais críticas do que outros, mas compreendo. Na verdade, já o esperava. Muitas pessoas não percebem de futebol. É o que é. Fixam-se em parvoíces, golos e assistências. Para mim, o futebol é muito mais do que isso, mas pronto, cada um vê como quiser».
Ainda assim, o médio do Barcelona mostrou-se crítico da contestação que a Espanha recebeu e comparou com Portugal, que também empatou com a RD Congo:
«Se tivéssemos ganho, não haveria tanta gente a falar. Eles tinham uma linha de cinco e não era fácil. Não estivemos bem no passe. Mas, por exemplo, Portugal empatou com a RD Congo e não teve nem metade das críticas que nós recebemos».
Acerca da transferência de Marc Cucurella para o Real Madrid, Gavi admitiu ter ficado surpreendido:
«Apenas soubemos isso depois do treino da véspera da confirmação. O sacana manteve tudo escondido. Não estávamos à espera».
Depois de sagrar-se campeão nacional de Futsal Feminino, Paulinho Roxo disse adeus ao Benfica e deixou fortes críticas à direção encarnada.
Paulinho Roxo está de saída do comando técnico do Benfica, depois de conquistar o campeonato nacional de Futsal Feminino. Momentos após a última vitória frente ao Nun’Álvares, o treinador confirmou que vai abandonar o clube e deixou fortes críticas à direção encarnada:
«É a sensação de que o trabalho desde o primeiro dia de agosto deu resultado. Se for fazer uma retrospetiva daquilo que foi o nosso ano, elas foram muito guerreiras. Um ano difícil, houve gente a tentar mexer diretamente no meu trabalho e uma coisa é muito certa: eu tirei o meu curso sozinho, ninguém mexe no meu trabalho. Muito provavelmente por causa disso eu vou sair. Saio com o coração limpo, saio com a alma lavada, e com consciência de que o burro tem sorte. Mágoa? Jamais, nenhuma. O que eu tinha para fazer… Eu vim e fiz. Agora, a Maria [n.d.r Maria Martins vai suceder-lhe no cargo] vem e que tenha toda a sorte do mundo. Agora vai pegar num equipa campeã e que mantenha essa equipa onde ela merece que é no topo».
O Benfica superou o Nun’Álvares à melhor de cinco jogos (3-2), conquistando assim o 8.º título de campeão nacional.
Miguel Figueiredo vai fazer parte da próxima pré-temporada do Benfica. Marco Silva é um apreciador das suas qualidades.
Miguel Figueiredo vai integrar a próxima pré-temporada do Benfica, que arranca já na quinta-feira. De acordo com o Record, Marco Silva gostou muito dos relatórios recebidos sobre o jovem e quer vê-lo ao vivo, podendo mesmo integrar o plantel principal da época 2026/27.
O jogador de 17 anos também deve renovar o seu contrato quando atinja a maioridade, como aconteceu com outras promessas como Daniel Banjaqui, José Neto ou Anísio Cabral. Enquanto não chegue aos 18 anos, apenas pode ter um contrato amador e de curta duração. Miguel Figueiredo foi um dos vencedores do Mundial Sub-17.
O médio chegou à Luz em 2020 depois de se destacar na Casa do Benfica de Estarreja e é assim uma das coqueluches do Seixal. Na última época somou no total 42 encontros disputados, com quatro golos e uma assistência, sendo que na maioria do tempo esteve ao serviço dos B’s, já num contexto profissional.
O atual vínculo de Miguel Figueiredo termina em 2028. Para o centro do campo, Marco Silva conta com algumas alternativas, mas podem existir mexidas no setor, especialmente com Enzo Barrenechea a ser associado à saída.
Eloy Room foi eleito homem do jogo no empate entre Curaçau e Equador, após realizar 15 defesas na partida da segunda jornada do Mundial 2026.
O empate a zero entre Curaçau e Equador teve Eloy Room, guarda-redes da seleção das Caraíbas, como o grande protagonista do encontro, ao realizar 15 defesas aos remates da seleção sul-americana. No final da partida, o guardião de 37 anos destacou o esforço de toda a equipa:
«Sim, inacreditável, eu nem consegui acompanhar. No final, fazemos isso como uma equipa, mas acho que já tínhamos entrado bem no início do jogo com aquela defesa e depois foi só segurar», declarou o guarda-redes em entrevista no relvado.
Iván Fresneda não tem qualquer interesse em mudar-se para o Valência no mercado de verão, desejando manter-se no Sporting.
Iván Fresneda não tem qualquer intenção de trocar o Sporting pelo Valência no mercado de transferências de verão, apesar do interesse do conjunto do Mestalla. A informação está a ser avançada pelo jornal Record, que indica que o plantel do lateral direito é manter-se em Alvalade.
O jogador quer estar na próxima edição da Champions League e ambiciona ser convocado para a seleção de Espanha, algo que nunca aconteceu. Iván Fresneda acabou por se tornar titular indiscutível no Sporting, apesar de nos seus primeiros meses ter sido alvo de críticas.
O espanhol tem apenas 21 anos e foi comprado pelos verde e brancos em 2023, depois de se ter destacado no Real Valladolid. Na última temporada somou 39 encontros, com um golo e duas assistências. Iván Fresneda tem contrato até 2028 e uma cláusula de rescisão de 60 milhões de euros.
O Valência perdeu recentemente Thierry Correia, que terminou contrato e procura um sucessor para o luso. Iván Fresneda tem a concorrência de Georgios Vagiannidis e Salvador Blopa no Sporting.
O Curaçau resgatou um empate a zero diante do Equador e Eloy Room tornou-se o segundo guarda-redes com mais defesas na história dos Mundiais.
O Curaçau somou o seu primeiro ponto no Mundial 2026 ao empatar com o Equador (0-0), na segunda jornada da competição. O herói do encontro acabou por ser Eloy Room, ao realizar 15 defesas ao longo da partida.
Com este registo, o guarda-redes do Curaçau tornou-se o segundo jogador com mais defesas na história dos Mundiais. Apenas Tim Howard, dos Estados Unidos, fez mais defesas num jogo do Campeonato do Mundo. O antigo guarda-redes norte-americano registou 16 defesas frente à Bélgica, nos oitavos de final do Mundial 2014, num encontro que teve direito a prolongamento.
Na próxima e última jornada do Grupo E, o Curaçau vai defrontar a Costa do Marfim.
🚨🇨🇼 Eloy Room makes history with 15 (!) saves against Ecuador, the second most EVER in World Cup history. pic.twitter.com/YenRtLds5a
Sidny Cabral concedeu uma entrevista onde recordou a sua passagem pelo Benfica e revelou uma história curiosa com José Mourinho.
Em entrevista ao El Mundo, Sidney Cabral fez uma retrospetiva sobre os últimos anos no futebol profissional, desde a saída da quarta divisão da Alemanha até à chegada ao Benfica. O ala cabo-verdiano falou sobre esse processo rápido:
«A verdade é que acho que ainda não me apercebo bem de tudo isto. Como dizes, há pouco tempo estava na quarta divisão da Alemanha… Tudo aconteceu muito depressa e continuo a adaptar-me ao que vai acontecendo. Agora vou estar numa das melhores equipas da Turquia e, neste momento, estou a disputar um Mundial. É um sonho tornado realidade».
O agora jogador do Trabzonspor deixou rasgados elogios a José Mourinho:
«[Foi] muito importante [na minha carreira]. É um dos melhores treinadores da história e teve uma enorme influência em mim. Acho que, se tivesse continuado a trabalhar com ele, teria atingido o meu máximo potencial, mas, por caprichos da vida, ele está agora no Real Madrid e eu no Trabzonspor. Mas ter estado sob as suas ordens foi uma honra».
Sidney Cabral recordou ainda uma história curiosa com José Mourinho, após um jogo no Benfica:
«O Mourinho é muito direto. Muito mesmo. Lembro-me de um dia em que não joguei muito bem num jogo e, no dia seguinte, ele aproximou-se de mim e disse-me: “Sidny, ontem jogaste uma merda”. Ele fala-te sempre com franqueza e é sincero. E quando jogas bem, ele diz-te isso. Outros treinadores não são como ele, não são tão sinceros. Dizem-te algo negativo, mas tentam vendê-lo como algo suave, como algo positivo. O Mourinho não… ao Mourinho não lhe importa dizer-te isso na cara e dizer-te a verdade. Isso é muito importante».
Raphinha contraiu uma lesão muscular na coxa direita durante o encontro entre o Brasil e o Haiti e está em dúvida para o restante do Mundial 2026.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) confirmou, em comunicado, o pior cenário para Raphinha relativamente às queixas musculares apresentadas durante o encontro entre o Brasil e o Haiti. Após a realização de exames, foi confirmado que o extremo do Barcelona sofreu uma lesão muscular na coxa direita e será submetido a um tratamento intensivo, com o objetivo de ainda poder ser opção para Carlo Ancelotti ainda neste Mundial 2026.
«O atleta Raphinha passou, neste sábado, por exame de imagem que confirmou lesão muscular na região posterior da coxa direita. O jogador seguirá um protocolo de tratamento intensivo, acompanhado pela equipa médica da Seleção Brasileira, visando sua recuperação e retorno às atividades no menor tempo possível», referiu a CBF, em nota oficial.
Para já, sabe-se que Raphinha falhará o encontro frente à Escócia. O objetivo da CBF passa por recuperar o internacional brasileiro a tempo dos oitavos de final do Mundial 2026.
A primeira jornada do Mundial 2026 foi um erro na avaliação de Países Baixos e Suécia. Nem os neerlandeses deixaram tantas dúvidas como muitos quiseram ver, nem os suecos são tão fortes como a estreia aparentou. No embate entre os dois europeus, uma lição de capacidade de relativizar. Nem sempre são amores à primeira vista no futebol.
A goleada dos Países Baixos deixa uma garantia para os adversários da equipa de Ronald Koeman. Permitir espaço para os neerlandeses explorarem é um pedido para sofrer. Também deixou uma garantia a Ronald Koeman. Nestes contextos, Brian Brobbey é uma obrigatoriedade. A afirmação de Donyell Malen como avançado central dá ao timoneiro neerlandês várias opções para a posição, mas nestes cenários, o possante avançado que reergueu a carreira com Francesco Farioli e agora vai brilhando em Inglaterra é fundamental.
É difícil olhar para Brian Brobbey e associar o avançado à pausa, mas nesta função, é capaz de ser, pelo menos, um abrandar antes do acelerar. Com ele em campo, os Países Baixos deixam de ter de tentar procurar o espaço de forma direta e podem contar com o avançado para ganhar o primeiro duelo, aguentar a pressão e dar seguimento ao ataque, quer tocando para alguém que esteja de frente, quer rodando e dando velocidade ao jogo. Não será o melhor avançado neerlandês, mas será o que melhor proveito tirá dos melhores avançados neerlandeses. E isso diz muito.
Fonte: Federação Neerlandesa de Futebol
Com Brobbey a enquadrar, os Países Baixos ganharam desequilíbrio exterior. À direita, Denzem Dumfries e Donyell Malen, à esquerda Cody Gakpo e Tijjani Reijnders, a criar constantes superioridades numéricas nos correores. Pelos perfis, não é de estranhar que o lado direito tenha concentrado a maior quantidade de cruzamentos e o esquerdo tenha sido, por excelência, o lado da chegada. Brian Brobbey, o próprio, tratou-se de marcar dois golos dentro da área. Também Cody Gakpo, quer a atacar o segundo poste, quer num movimento habitual, a procurar a entrada da área, conseguiu rubricar dois golos. O último, esse, chegou de Crysencio Summerville. Começou no banco, depois de ter sido titular, mas conseguirá sempre, de início ou não, acrescentar uma dimensão técnica importante para não afunilar demasiado o jogo num universo de transições ou de ataques ao espaço.
Quanto à Suécia, deixa muitas dúvidas relativamente a dois pontos que seriam sempre essenciais. O primeiro é a solidez defensiva. Desta feita, Isak Hien, o grande protetor da área e ponto forte nos duelos individuais, perdeu tudo para com Brian Brobbey e fez a defesa sueca tremer. O segundo está na capacidade de enquadrar da melhor maneira a dupla Alexander Isak e Viktor Gyokeres. Sem conseguir retirar o melhor rendimento dos dois, quer individualmente, quer no trabalho feito em conjunto, será mais complicado.
De nota positiva, para o futuro, a exibição de Yasin Ayari. Novamente mais longe da saída, no papel de interior esquerdo, acabou por ser decisivo na forma como, no melhor período da Suécia em campo, depois da pausa para a hidratação – que deveria ter outro nome, porque a hidratação, entre a publicidade e o dedo de treinador está em terceiro plano. Aí, chegou perto da área e aproveitou as atenções dos centrais neerlandeses em Isak e Gyokeres para surgir como elemento surpresa. Também Anthony Elanga, um jogador com um perfil distinto, capaz de explorar espaços, entrou e marcou um golo. Por mais insuficiente que tenha sido para o resultado, pode ter sido suficiente para a última jornada.
Em março, a Alemanha defrontou um Gana em ebulição na preparação para o Mundial 2026. A vitória foi mínima, um 2-1 surgido apenas aos 88 minutos com um golo de Deniz Undav, que tinha entrado ao intervalo. Há muito tempo que em terras alemãs, imprensa e público pediam mais minutos ao avançado, que se tornou num daqueles assuntos inquietantes e que sempre deixou Nagelsmann inquieto.
Nessa altura, foram várias as perguntas feitas ao treinador da Alemanha sobre o golo de Deniz Undav, um jogador a quem todos menos Julian Nagelsmann viam como merecedor de mais minutos. As palavras do treinador foram, no mínimo, surpreendentes.
«Ele não estava muito envolvido no jogo, não teve ações antes do golo. Não acho que a exibição dele tenha sido boa Se ele tivesse corrido durante 70 minutos antes, não sei se ele teria conseguido fazer aquilo [marcar o longo]. Após 70 minutos, especialmente considerando o calor do verão e 42ºC, poderia ser difícil para ele», disse Julian Nagelsmann sobre o autor do golo decisivo para a vitória. O técnico retratou-se, assumiu que pediu desculpas ao jogador e que as palavras, mais duras do que queria, foram exacerbadas por uma irritação relativa ao excesso de perguntas sobre o tema.
Fonte: Federação Alemã de Futebol
Independentemente da força das palavras, é evidente que Julian Nagelsmann não tem em Deniz Undav o seu jogador favorito. Aliás, ainda neste sábado, depois do bis do avançado para selar a reviravolta contra a Costa do Marfim e o apuramento para os 16 avos de final, o treinador alemão voltou a ser algo evasivo.
«Agora, de certeza que vão começar as perguntas sobre se ele vai entrar em campo e ser titular nalgum momento. Isso é perfeitamente possível, mas ele está a desempenhar o seu papel de forma incrível», destacou Julian Nagelsmann. Deniz Undav já fez o suficiente para merecer outro protagonismo, para lá do papel secundário de somar alguns minutos em segundas partes resolvidas, para ter a assinatura no papel, mas também quando a urgência impera por um avançado de área, diferente do perfil mais associativo de Kai Havertz. E, se é evidente para todos que Deniz Undav não é o sonho de Julian Nagelsmann, há cada vez menos razões para não ser a realidade.
A Alemanha foi inferior à Costa do Marfim durante grande parte do jogo e só melhorou quando Nagelsmann mexeu e foi ao banco mudar o perfil de três jogadores. À hora de jogo, Nadiem Amiri entrou para o lugar de Aleksandar Pavlovic, empurrou Felix Nmecha para a base das jogadas e ajudou o meio-campo alemão a ganhar imposição; Jamie Lewling entrou, para dar energia ao corredor direito, numa altura em que Leroy Sané sofre de cada vez mais contestação e mostra cada vez menos futebol; e Deniz Undav entrou para o lugar de Musiala, que até estava bem em jogo, permitindo a Kai Havertz jogar nas suas costas.
Fonte: FIFA
Nos golos da Alemanha, houve Felix Nmecha, um dos melhores alemães no Mundial, a lançar, houve Nadiem Amiri a cruzar, mas acima de tudo houve Deniz Undav a impôr-se como avançado de área. No primeiro golo, tem também participação na jogada antes de aparecer no espaço certo a cabecear. No segundo golo, mérito seja dado ao passe de Nmecha que rasga a defesa e descobre Deniz Undav, o avançado tem uma rotação destinada aos avançados de área, aqueles que ainda fazem do golo a sua maior força. E, nisso, o avançado ganha cada vez mais ímpeto. Até quando a teimosia se fará impor?
Depois de marcar nos descontos, a Costa do Marfim sofre nos descontos. Mais do que justo ou injusto, um resultado penalizador para toda a capacidade que os africanos tiveram de competir. Num futebol continental cada vez mais competitivo e estratégico, a Costa do Marfim tem um lugar cada vez mais elevado. Depois do 4-4-2 na estreia, Emerse Faé regressou ao 4-3-3 mais comum nos marfinenses e a aposta impediu a Alemanha de jogar tranquilamente, ocupando a zona central, reduzindo a influência dos passadores alemães e evitando que o jogo entrasse naquele espaço fulcral, onde se juntam os principais criativos, levando a bola para a zona de Leroy Sané.
Aliado à estratégia, houve duas exibições individuais que fizeram a Costa do Marfim ser superior à Alemanha durante a primeira parte e, principalmente, até às substituições alemãs. Yan Diomande não fez um jogo tão vistoso como diante do Equador, mas foi um autêntico tormento para a cabeça de Joshua Kimmich, que, defensivamente, não é lateral nenhum, muito menos contra a irreverência e velocidade do extremo marfinense, destaque do torneio. Depois, o maior destaque dos africanos foi mesmo o menino Christ Inao Oulai. Tem 20 anos e joga no Trabzonspor, mas não deverá muito tempo a entrar no radar de clubes de outro patamar. À esquerda, até para tentar isolar Diomande contra Kimmich, Konan projetava por dentro e era Oulai quem procurava iniciar saídas e dar andamento à bola. Além do passe, é um médio completo, com capacidade de transporte e um sentido defensivo notável, sendo de todos os médios o menos fulgurante do ponto de vista físico. Para quem não o conhecia, disse Olá(i).
O futebol já nos habituou a ser imprevisível e a oferecer múltiplas possibilidades de contar uma história. Ainda assim, de todas as histórias e contos de fadas que um Mundial está carregado, muito poucos poderiam prever que Curaçau marcasse um golo, desde logo, como fez na primeira jornada diante da Alemanha. Ainda menos gente estava crente numa possibilidade do modesto país das Caraíbas, o mais pequeno do Mundial 2026 e com apenas Tahith Chong, curiosamente o mais popular da convocatória, nascido na ilha, conquistar pontos. Foi isso que aconteceu diante de uma das seleções com mais estatuto para fazer uma gracinha. O equivalente ao 0-0 seria um milagre em quase todas as áreas da vida. Como é futebol, talvez seja um bocadinho menos miraculoso. Afinal, será que tendo justificações, continuará a ser chamado milagre?
Curaçau nem nas Caraíbas é uma seleção demasiado confiável no processo defensivo, onde tem dificuldades claras na defesa da área e no foco extremo numa tarefa a que a maioria dos jogadores, perfilados para atacar, não estão destinados a cumprir. Foi essa versão, livre, leve e solta, que Curaçau presenteou a Alemanha, num jogo fiel à sua identidade, mas com zero senso competitivo. Afinal, estar no Mundial já era competitivo o suficiente, poderíamos pensar.
Contra o Equador, ainda assim, foi uma versão bem diferente de Curaçau. Dick Advocaat apostou no 5-4-1 que já havia testado umas quantas vezes e procurou garantir a defesa da área, evitar que a equipa se partisse e tentar frustrar o Equador que tem, naturalmente, muitas culpas no cartório. Ainda assim, e antes dos deméritos equatorianos, há quatro exibições na seleção das Caraíbas que merecem destaque.
Fonte: FIFA
Eloy Room somou 15 defesas no mesmo jogo. Num Mundial, em qualquer um nos seus quase 100 anos de existência, só por uma vez alguém fez mais: Tim Howard, em 2014, fez 16 contra a Bélgica nos oitavos de final. Ainda assim, esse recorde teve um prolongamento e mais 30 minutos. Em 90 minutos, são 15 o recorde. Tudo dito sobre o impacto que o guarda-redes de 37 anos teve. À sua frente, exibição muito sóbria de Armando Obispo, o jogador a nível mais elevado da seleção, muito forte na defesa da área e nos duelos, e de Sherel Floranus, mais impulsivo nas ações, mas totalmente dominador. Por fim, Tahith Chong merece um destaque curtinho. Dá tempo de bola à seleção e guia ataques. Mesmo pecando na definição em quase todos os lances, só o manter para si a bola já ajudou uma equipa que passou a maioria do tempo a defender.
E, tendo em conta o adversário, a opção entende-se. O Equador é uma das seleções mais estáveis e seguras do ponto de vista defensivo, mas ofensivamente, quer individualmente, quer coletivamente, tem lacunas notórias. Por mais que a exibição de Curaçau tenha sido meritória, há muito a dizer sobre a exibição equatoriana. Dos elementos da frente, apenas Gonzalo Plata conseguiu fazer algo diferente, na base da vontade em ficar perto da bola para gerar combinações que saíram sempre melhores na cabeça que na prática.
De resto, um deserto, mais ou menos árido, de ideias. No Equador, reina a desconfiança a partir dos primeiros lances falhados, no caso bem cedo no jogo. O passar dos minutos é doloroso para os equatorianos, e ainda mais complicado se torna quando a responsabilidade da bola fica aí. Sebastian Beccacece faz um trabalho bem sólido do ponto de vista defensivo, mas a estratégia para o jogo confundiu a equipa. A aposta nos três centrais deu meia parte de avanço e permitiu a desconfiança assumir o protagonismo Ao intervalo, o treinador até tentou ajudar a equipa a fluir melhor, com Kevin Rodríguez a entrar para ser o avançado pela esquerda e metendo Pedro Vite mais vezes em contacto com a bola, mas há um défice criativo claro. Kendry Páez anda perdido, algures entre más escolhas da carreira e uma cabeça que teima em não acompanhar o desenvolvimento dos pés. Sem o nome que já foi a grande esperança do país, o ataque do Equador concentra não mais do que jogadores banais e sem diferenciação. Esta discrepância entre o nível ofensivo e defensivo justifica quase tudo o que aconteceu e uma possível surpresa positiva, do nada, está em risco de não passar sequer ao grupo dos melhores 32.
O Tunísia x Japão não será o mais memorável jogo do Mundial 2026, longe disso, mas vai ser um daqueles que, quando alguém quiser dados sobre a história dos Mundiais, se deparará inevitavelmente. Desde que em 1930 a bola começou a rolar em Montevideo, num França x México ganho pelos gauleses, já se realizaram 1.000 encontros a contar para a competição. No último, o mais redondo dos números, uma vitória também ela com contornos redondos: 4-0 a favor do Japão.
Mais do que o Japão, uma das equipas mais consagradas do futebol mundial desde que Hajime Moriyasu tornou mais séria uma das seleções mais divertidas do mundo, havia uma expectativa, mais ou menos curta dependendo da confiança de cada um, para ver como se comportaria uma seleção que despediu um treinador após um jogo no Mundial, depois de lhe ter dado a confiança necessária para fazer uma revolução no plantel.
Sabi Lamouchi foi embora depois de uma derrota humilhante, por 5-1. Seguindo o mesmo princípio, Hervé Renard também já deverá estar a pensar no voo de regresso a casa. A Tunísia não só perdeu por 4-0, exatamente os mesmos golos de diferença, como foi eliminada do Mundial 2026. Se o objetivo for ver processos e não resultados, uma nuance bem menor em torneios como este, de tiro curto, a imagem deixada pelos tunisianos ainda conseguiu ser pior. Tudo o que está mau pode pior, basta continuar a fazer coisas erradas e esperar que, por milagre algum, passem a resultar.
Fonte: Federação Japonesa de Futebol
Num Mundial 2026 que se tem afirmado como de ascensão geral do nível de futebol continental de África, as exibições da Tunísia roçam o constrangedor. O objetivo da renovação, empreendida primeiramente pela Federação local, era dar espaço a jovens e a uma ideia de jogo mais positiva, um pouco à semelhança do que Marrocos procurou fazer. No entanto, e ao contrário dos marroquinos, esta tentativa foi feita no vazio e ainda piorou o que já era mau. Tudo ao contrário.
180.º depois está a seleção japonesa, que teve uma espécie de passeio diante da Tunísia. Houve nomes em destaque – Ayase Ueda a liderar o ataque, Junya Ito por dentro, Ao Tanaka como médio dinâmico, Daichi Kamada de regresso ao trio da frente – mas o impressionante nos nipónicos é a regularidade atingida pelo trabalho. Hajime Moriyasu assumiu os destinos da seleção depois do Mundial 2018 e deu-lhe uma cara renovada, marcada pelo entretenimento inerente à capacidade técnica e habilidade com bola dos jogadores japoneses, mas também pela competitividade.
Só assim o Japão conseguiria já ter o apuramento carimbado, ainda de forma oficiosa, mas certa, depois de tamanhas dificuldades. Fora do Mundial 2026 estão Wataru Endo, Kaoru Mitoma e Takumi Minamino. Lesionado na estreia, Takefusa Kubo também é carta fora do baralho durante a fase de grupos. Mesmo assim, o Japão continua a jogar como se nada se tivesse passado. Aí está a grande evolução no jogo nipónico.
A Tunísia está eliminada do Mundial 2026. Tunisinos são a terceira seleção a ver confirmado o afastamento da competição.
O Mundial 2026 continua e, a meio da fase de grupos, com metade da segunda jornada completa, já há três seleções sem esperança em seguir em frente, a Tunísia a mais recente.
Depois da derrota por 5-1 diante da Suécia na primeira jornada, a Tunísia mudou tudo, despediu o treinador e chamou Hervé Renard, mas nem assim resultou. Com a derrota por X diante do Japão, os africanos vão para a última jornada para cumprir calendário.