Francisco Cabral e Nikola Mektic foram derrotados pela dupla de Daniil Glinka e Stefanos Sakellaridis, com parciais de 6-2, 4-6 e 5-10.
Este sábado, Francisco Cabral e Nikola Mektic foram eliminados nas meias-finais do torneio de Estugarda pela dupla composta pelo estónio Daniil Glinka e o grego Stefanos Sakellaridis. Desta forma, o português e o croata foram surpreendidos, apesar do estatuto de primeiros cabeças de série da prova.
Numa partida decidida no super ‘tie-break’, com uma hora e nove minutos de duração, Francisco Cabral (22.º do ranking mundial de pares) e Nikola Mektic (18.º) cederam parciais de 6-2, 4-6 e 5-10.
Com esta vitória, Daniil Glinka (sem classificação ATP) e Stefanos Sakellaridis (570.º) garantiram um lugar na final do torneio, no qual participam pela primeira vez na carreira.
Sete jogadores do Real Madrid estão em final de contrato com o emblema merengue e alguns podem não renovar.
O Real Madrid terá de ter em atenção que conta com alguns jogadores a entrar no último ano de contrato e ponderar que vínculos quer renovar. Existem alguns protagonistas nesta lista de nomes, mas igualmente outros elementos que procuram uma nova oportunidade na sua carreira.
Vinícius Júnior e Thibaut Courtois são as figuras mais relevantes entre os jogadores que terminam contrato até 2027. O brasileiro quer inclusivamente ficar mais uma época no Bernabéu, nem que para isso saia a custo zero do Real Madrid. Numa segunda linha, existem mais três nomes do plantel principal.
Fran García, que não entra nos planos de José Mourinho, Brahim Díaz e Dani Ceballos também podem sair dos merengues em 2027. Os jogadores possuem ordenados elevados para a realidade portuguesa, porém encaixariam nos projetos das equipas que lutam pelo título da Primeira Liga.
Manuel Ángel e César Palacios são as jovens promessas que terminam contrato no final da próxima época. Os dois médios foram utilizados na equipa principal do Real Madrid, embora sejam parte dos B’s. Em ambos os casos, atuaram em sete ocasiões pelos A’s.
Fotis Ioannidis encontra-se em Barcelona para apoiar Lando Norris durante o Grande Prémio da Catalunha, que se realiza este fim de semana.
Fotis Ioannidis encontra-se em Barcelona para assistir ao Grande Prémio da Catalunha de Formula 1, encontrando-se a apoiar Lando Norris, atual campeão do mundo e piloto da McLaren.
O avançado do Sporting está assim aproveitar de melhor maneira as férias, num sábado que fica marcado pela qualificação para a corrida, que se realiza no domingo. Fotis Ioannidis chegou a Alvalade no verão de 2025 e viu a sua época marcada por lesões, realizando 22 encontros, seis golos e três assistências.
Lando Norris não começou a temporada da melhor maneira, com a McLaren a não conseguir aproximar-se do rendimento dos Mercedes. O britânico ocupa a sexta posição do Mundial de Pilotos, com 58 pontos somados.
Será que é desta que vai dar Portugal ou não? É a pergunta que milhões de portugueses fazem, à medida que as caravelas portuguesas seguem novamente para a América, naquele que será, provavelmente, o último mundial de Cristiano Ronaldo.
Portugal deu um salto qualitativo em termos de talento individual de há uns anos para cá e desfruta de um par de gerações de ouro ao mesmo tempo que vê as suas camadas jovens a serem campeãs europeias e mundiais. O mote não pode ser outro: Portugal é uma seleção candidata a vencer toda e qualquer competição em que participe.
Entenda-se, ‘candidata’ é a palavra-chave aqui, até porque há uma distinção entre ser candidato e favorito a vencer um troféu. Considero Portugal um candidato por ter o mínimo de competência necessária para conquistar o troféu, mas creio que a Espanha é uma das seleções mais prováveis a fazê-lo.
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede
Nesse prisma, uma equipa candidata à vitória é uma equipa que consiga atingir, na competição em questão, os quartos de final do torneio de forma consistente e limpa. Como os quartos de final determinam quem são as oito melhores equipas do torneio, qualquer uma destas tem possibilidades de vencer, uma vez que a diferença entre as equipas é cada vez menor e mais decidida nos detalhes. Isto não quer dizer que todas as seleções que cheguem aos quartos de final tenham hipóteses concretas e sustentáveis de vencer a prova ou que todas estejam exatamente no mesmo pé de igualdade, mas sim que abre um caminho claro até à final, onde o coração e a cabeça falam da mesma maneira.
Uma equipa favorita à vitória, na minha ótica, tem uma definição menos curvilínea e muito mais concreta. São os grandes nomes da competição. Até considero que este Mundial em específico só tem dois grandes favoritos: Espanha e França, pois são as seleções que juntam melhor qualidade coletiva, no caso espanhol, e a maior panóplia de talento, no caso dos franceses. Há, contudo, uma grande diversidade de candidatos: Portugal, Inglaterra, Brasil, Argentina e Alemanha.
Trocando por miúdos, e digo-o com toda a convicção que estou enganado e que vou meter a viola no saco a meio de julho: Portugal é uma seleção de nível quartos/ meias-finais de Mundial. Em boa verdade, isto não é nenhuma crítica à seleção das quinas ou uma tentativa de mandar abaixo o coletivo – ser uma seleção de quartos/ meias-finais de Mundial quer dizer que Portugal está entre as oito/ quatro melhores seleções do mundo, o que não é, de todo, mau. Trago é a conjetura que há a sensação que a seleção portuguesa é melhor do que aquilo que na realidade é.
Fonte: Filipe Oliveira / Bola na Rede
Naturalmente, há pontos positivos na seleção das quinas: Diogo Costa é um guarda-redes bastante competente e promissor na sua posição. Nos corredores, Nuno Mendes é, argumentavelmente, o melhor lateral esquerdo do mundo e, apesar de já terem passado os seus melhores anos, João Cancelo ainda faz parte da elite do futebol.
Já no meio-campo encontramos o ouro de Portugal: João Neves, Vitinha e Bruno Fernandes dispensam apresentações, para não falar de Bernardo Silva e até de João Félix, que se fizer um mundial ao mesmo nível do resto da sua temporada, pode muito bem voltar à Europa na próxima temporada. Ainda, as segundas linhas da convocatória não destoam por completo o nível de talento português, sendo possível manter o nível médio da equipa conforme se muda o onze inicial.
Por outro lado, faltam alguns argumentos a Portugal para subir o nível – à partida, a dupla de centrais será o ponto fraco da equipa. Gonçalo Inácio, Tomás Araújo e Renato Veiga não são maus defesas centrais, mas o seu nível está longe do que é necessário para ser campeão mundial. Ruben Dias pedia um central de maior calibre, ainda que o próprio não seja exímio. O mesmo discurso aplica-se aos nossos extremos, e mesmo por isso concordo com a tese de que Portugal beneficiaria de jogar em losango, com a largura a ser providenciada pelos laterais.
Por fim, perante o facto de que Cristiano Ronaldo já perde a corrida contra o tempo e a consequência da idade, falta um ponta de lança unânime enquanto dos melhores do mundo, que possa suceder ao capitão. Isto não invalida que os restantes pontas de lança têm qualidade e características pertinentes ao futebol moderno, pelo que mereciam uma utilização e rotação diferente da atual.
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede
Bem sei que, na teoria, um meio-campo composto por Vitinha-João Neves-Bruno Fernandes é razão para entusiasmo e subscrevo que em grande parte dos jogos serão fundamentais. Não deixemos, no entanto, de analisar características dos jogadores apenas pelo nome – consigo imaginar meio campos agressivos que coloquem muitos desafios e dificuldades a este trio; à cabeça, Holanda e Inglaterra. Coloco ainda a dúvida se este meio-campo ganharia uma batalha técnica contra a Espanha ou contra um meio-campo que junta estas duas características, como o argentino.
Confesso que gostava de ver esta seleção em losango, reunindo os jogadores mais criativos e associativos no miolo do campo, juntando um avançado de área e um avançado móvel (como Rafael Leão ou Gonçalo Guedes) com missão conjunta com os laterais de atacar o espaço. Roberto Martinez já descartou essa ideia e deverá manter o sistema, oscilando entre os três centrais e uma linha de quatro, jogando sempre com extremos.
Em tom objetivo, estamos a olhar para uma boa seleção, de nível quartos final de Mundial, sendo candidata a vencer a competição, mas não sendo favorita. O plantel português é melhor na teoria do que na prática e os jogos de preparação dizem, ironicamente, que não estamos preparados para o Mundial e que esta não é a melhor maneira de potenciar os nossos jogadores.
Por outro lado, há que lembrar as palavras de Renato Paiva antes de ter servido 90 minutos de samba ao campeão europeu: o cemitério do futebol está cheio de favoritos.
Se vai dar Portugal? Hoje digo que não, mas a resposta é sempre diferente quando toca ‘A Portuguesa’.
Ruben Amorim pode repetir o percurso de Paulo Fonseca e Sérgio Conceição ao assinar pelo AC Milan. O técnico está a ser apontado ao San Siro.
Ruben Amorim está a ser apontado ao comando técnico do AC Milan, podendo vir a ser o terceiro treinador português da história do conjunto do San Siro. O antigo médio está livre no mercado e faz parte da lista de opções dos rossoneri para a sucessão de Massimiliano Allegri.
O ex-Manchester United seguiria assim o caminho de Paulo Fonseca e Sérgio Conceição, os dois lusos que passaram pelo banco de suplentes do AC Milan. No caso do atual técnico do Lyon, o treinador arrancou a época 2024/25 no norte de Itália, conseguindo 12 vitórias em 24 partidas.
Porém, apesar do bom trabalho realizado no Lille, a direção do AC Milan optou por uma mudança de equipa técnica, o que levou à entrada de Sérgio Conceição. Depois de alguns meses livre no mercado (após finalizar a sua etapa no FC Porto), sucedeu ao compatriota e até começou da melhor maneira.
O antigo extremo venceu a Supertaça de Itália, mas conquistou somente 16 triunfos em 31 encontros. O AC Milan acabou por finalizar a Serie A na oitava posição.
João Prates está na Tribuna VIP do Bola na Rede. É treinador de futebol, licenciado em Psicologia do Desporto e está no seu espaço de opinião no nosso site. O técnico de 52 anos já orientou o Dziugas da Lituânia, o Vaulen da Noruega e o Naft Maysan, do Iraque, e esteve na formação do Al Batin e Hajer Club da Arábia Saudita.
Portugal chega ao Mundial de 2026 com argumentos para acreditar. Poucas vezes na nossa história tivemos uma Seleção com tanta qualidade, tanta profundidade e tantas soluções em praticamente todas as posições.
No papel, Portugal tem talento suficiente para competir com qualquer seleção do mundo, mas o talento por si só não é suficiente para vencer. Mas à medida que a estreia da seleção de Portugal se aproxima, continua a existir um tema que domina todas as conversas, Cristiano Ronaldo.
Aos 41 anos, o capitão português prepara-se para disputar aquele que deverá ser o último Campeonato do Mundo da sua extraordinária carreira, e, como seria de esperar, as opiniões dividem-se. Uns defendem que continua a ser indispensável, outros acreditam que já não deve ser titular e há até quem considere que a equipa só poderá evoluir verdadeiramente quando deixar de depender da sua presença.
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Na minha opinião, a discussão está muitas vezes focada na pessoa errada, o Mundial de Portugal não será decidido por Cristiano Ronaldo. Será decidido por Roberto Martinez.
Porque, no final do dia, o papel do selecionador não é gerir emoções, nem responder ao ruído mediático, o seu trabalho é tomar decisões difíceis e escolher aquilo que considera melhor para a equipa, definir a identidade com que Portugal vai jogar neste Mundial. E é precisamente aí que reside o maior desafio.
Cristiano Ronaldo já não é o jogador de há dez ou quinze anos, o tempo passa para todos. Hoje já não tem a mesma capacidade física para pressionar durante noventa minutos, repetir ações de alta intensidade ou participar constantemente nos momentos defensivos e ignorar esta realidade seria um erro.
Fonte: Edmilson Monteiro / Bola na Rede
O futebol moderno exige compromisso coletivo, exige que todos participem nos diferentes momentos do jogo, quando um jogador já não consegue oferecer determinadas características, a equipa precisa de encontrar mecanismos que permitam compensar essa situação.
Com Ronaldo Portugal não terá capacidade para pressionar alto, por exemplo, mas será isso que o Treinador quer como identidade da seleção? Mas existe também o outro lado da equação.
Ronaldo continua a possuir algo que não se ensina nem se substitui facilmente, LIDERANÇA, continua a atrair atenções, a preocupar defesas, a fixar centrais, a criar espaços para os colegas e, acima de tudo, continua a ter uma capacidade rara para decidir jogos num único momento. Essa qualidade também tem valor, e muito.
Por isso, não valorizo a questão, talvez não seja se Ronaldo deve ou não jogar, a verdadeira questão é perceber quando deve jogar, quantos minutos deve jogar e em que contexto pode ser mais útil à equipa. É aqui que Roberto Martinez terá de demonstrar liderança.
Fonte: Edmilson Monteiro / Bola na Rede
Os grandes treinadores não tomam decisões por gratidão, não escolhem jogadores pelo que fizeram no passado, não cedem à pressão das redes sociais, dos comentadores ou dos títulos dos jornais.
Tomam decisões com um único objetivo, facilitar o caminho da equipa para ganhar, se Ronaldo for a melhor solução para determinado adversário, deverá jogar, se outro jogador oferecer mais garantias num determinado contexto, então deverá ser esse jogador a entrar em campo. Sem dramas, sem tabus, sem receio das críticas.
A história recente mostra precisamente isso. No Mundial de 2022, Portugal foi eliminado por Marrocos num jogo em que Ronaldo começou no banco e Gonçalo Ramos foi titular, isso demonstra que a questão nunca foi tão simples como escolher entre um ou outro. O futebol de seleções é muito mais complexo do que isso.
As equipas vencedoras são aquelas que conseguem colocar o coletivo acima das individualidades, por maiores que essas individualidades sejam e temos bons exemplos e o mais recente foi a transformação do PSG ou o próprio exemplo da conquista do campeonato europeu.
Portugal tem qualidade para sonhar, tem experiência, tem juventude, tem talento, mas para transformar esse potencial em sucesso será necessária uma liderança forte, capaz de tomar decisões difíceis nos momentos certos e o líder é Martinez.
Fonte: Edmilson Monteiro / Bola na Rede
Cristiano Ronaldo continuará a ser uma peça importante da Seleção, mas o futuro de Portugal neste Mundial dependerá muito mais da capacidade de Roberto Martinez gerir esse legado do que do legado em si.
Porque os troféus não são ganhos pelas equipas que tomam as decisões mais populares, são ganhos pelas equipas que tomam as decisões mais corretas em prol de tornar o colectivo mais forte.
E nenhuma decisão será mais importante para Roberto Martinez do que a forma como decidir utilizar o maior jogador da história do futebol português.
António Miguel Cardoso exerceu o seu direito de voto nas eleições presidenciais do Vitória SC deste sábado.
Este sábado, os sócios do Vitória SC escolhem o sucessor de António Miguel Cardoso em eleições presidenciais. Em declarações ao Record, o presidente demissionário reforçou que «É um dia importante para o Vitória» e deixou um apelo à união, independentemente do resultado:
«Existem quatro listas, o que mostra bem a vitalidade do clube. O mais importante é que depois que o presidente seja escolhido exista união em torno do nosso Vitória. A partir do momento em que for escolhido, acredito que irá haver união».
António Miguel Cardoso deixou ainda uma mensagem para os sócios vimaranenses:
«São quatro candidatos diferentes. Lutei muito pela independência da gestão desportiva do clube, o que para mim era importante. Acredito que as visões sejam todas de trabalhar mais em parceria, que provavelmente será o futuro do Vitória. Acredito que são quatro listas sérias, quatro listas de vitorianos, por isso quero desejar o melhor a quem ganhe e acima de tudo querer que o Vitória continue a ganhar porque foram anos de muitos sucessos desportivos que tivemos. Deixamos o clube organizado e queremos o melhor para o futuro do nosso clube».
Os primeiros votos de um dia importante 🗳️ Decidimos o futuro, todos #UnidosPeloVitória!
Sergi Altimira é um dos nomes que está a mexer com o mercado. O Sporting apresentou uma oferta ao Real Bétis pelo médio.
Sergi Altimira é um dos nomes que interessam ao Sporting neste mercado de transferências. De acordo com o jornal A Bola, o emblema de Alvalade apresentou uma oferta do Real Bétis por 18 milhões de euros fixos, com mais quatro milhões de euros em objetivos, dois deles de fácil cumprimento.
No entanto, os leões não têm uma tarefa fácil. Segundo o jornalista Matteo Moretto, o RB Leipzig prepara-se para enviar uma proposta para a Andaluzia, de maneira a garantir a contratação do espanhol. O Real Bétis tem de fazer 30 milhões de euros até ao dia 30 de junho, para cumprir com as normas financeiras.
Sergi Altimira tem 24 anos e um contrato válido até 2028. Esta foi a sua terceira temporada ao serviço do Real Bétis e em 2025/26 somou 40 encontros, com dois golos marcados e três assistências.
Sergi Altimira, entre el Sporting CP y el Leipzig.
El club portugués ha presentado una oferta verbal al Betis de 18 millones de euros más 4 en bonus, tal y como ha informado @abolapt.
Se espera que, en las próximas horas, el club alemán presente una oferta superior a la del…
Depois da sua primeira experiência como treinador principal no futebol profissional, no Vizela, Nuno Silva concedeu uma entrevista ao Bola na Rede, na qual analisou a passagem pelo clube minhoto, os desafios que encontrou ao assumir a equipa e a realidade vivida nos bastidores de uma equipa candidataà subida de divisão. O treinador português abordou ainda a competitividade da Segunda Liga, a necessidade de mudanças estruturais no futebol português, a convocatória de Portugal para o Mundial 2026 e os projetos que procura para o futuro da sua carreira.
Entrevista a Nuno Silva
«QUANDO CHEGUEI AO VIZELA NÃO TINHA JOGADORES SUFICIENTES PARA FAZER UMA CONVOCATÓRIA»
Bola na Rede: O que tem feito desde a saída do Vizela e de que forma tem aproveitado este período longe da competição?
Nuno Silva: Acima de tudo, tem sido um período de reflexão. Normalmente, quando se sai de um projeto, tem de haver reflexão, estabelecer uma rede de contactos e procurar perspetivas novas. Tem sido esse o trabalho que tenho feito nesta fase. O Vizela era um projeto que, a meu ver, merecia ter um pouco mais de tempo, pela forma como as coisas estavam, mas tenho estado à procura de melhorar certos pontos que considerava cruciais. Às vezes, estas fases servem para confirmar que aquilo que estava a ser feito estava no caminho certo. Esta fase tem sido marcada pela procura de melhoria.
Bola na Rede: O mister assinou com o Vizela a 15 de dezembro de 2025, na sua primeira experiência como treinador principal no futebol profissional. Como surgiu essa oportunidade?
Nuno Silva: Já andava à procura de um clube há algum tempo. Tive uma série de entrevistas entre a Primeira e a Segunda Liga. Na altura, estive em processo com o AFS, onde cheguei à fase final, mas acabaram por preferir o João Pedro Sousa. Também estive na fase final com o Estrela da Amadora e acabaram por optar pelo João Nuno. Tive ainda contactos com o Paços de Ferreira e depois apareceu o Vizela do nada. O Ricardo Sousa saiu e tive uma reunião com o diretor desportivo, Toni Dovale, que correu extremamente bem. Na última reunião, acabaram por optar por mim, principalmente por todo o contexto que se vivia lá dentro e porque era necessária uma intervenção mais aprofundada.
Bola na Rede: Numa entrevista anterior ao Bola na Rede, disse que esperava encontrar um projeto de estabilidade que permitisse regressar rapidamente à Primeira Liga. Foi isso que encontrou no Vizela?
Nuno Silva: Entrei no Vizela numa fase um pouco sensível. A minha intervenção no clube foi baseada, principalmente, em três pontos. Quando cheguei, tinha apenas 16 jogadores disponíveis, nem sequer tinha jogadores suficientes para fazer uma convocatória. O Vizela vinha de uma fase em que tinha tido 16 ou 18 lesões musculares em seis meses, quando a média de uma equipa profissional ronda as seis lesões. Estamos a falar de uma equipa profissional sem competições europeias, porque aí o cenário muda. Os próprios jogadores já estavam desacreditados do processo de treino e a minha primeira intervenção passou por mudar tudo isso. Foi chegar e criar uma metodologia de treino que permitisse recuperar os jogadores, otimizar o rendimento, colocar a equipa a praticar um futebol agradável e isso foi conseguido. A segunda área de intervenção teve a ver com o plantel que, apesar de muito apetrechado individualmente, tinha muitos jogadores de nacionalidades diferentes e faltavam lideranças. Num grupo, ter bons líderes faz toda a diferença. Durante esse período no Vizela, tentei começar a formar essas lideranças e, além disso, tivemos a contratação do Luís Rocha, que ajudou a criar esse espírito de grupo. Fiz entrevistas individuais aos jogadores e muitas das queixas estavam relacionadas com a falta de união no balneário. A terceira intervenção passou por criar uma ideia de jogo estável, que permitisse dominar os jogos, criar oportunidades e conceder menos ao adversário, e acredito que isso foi conseguido. Tirando o primeiro jogo, com o Académico de Viseu, em que efetivamente tivemos menos posse de bola e menos remates, em todos os outros os dados estatísticos dizem o contrário. Recordo-me dos jogos com o Torreense, FC Porto B e Paços de Ferreira, que foram marcados por um claro domínio da nossa equipa. Os encontros mais equilibrados foram frente ao Marítimo e ao Portimonense, em casa. Houve jogos que acabámos por perder de forma tremendamente injusta. A minha intervenção no Vizela incidiu nestas três áreas e, como é normal, tudo isto leva tempo. O Luís Rocha chegou na última semana do mercado e, além disso, era um projeto construído para subir de divisão. Quando as expectativas são essas, a paciência normalmente não existe. A verdade é que eu acabo por sair, o Vizela não contrata nenhum treinador de renome, sobe o treinador dos sub-23, que já lá estava, e sem mudar praticamente nada a bola começa a entrar e fazem cinco vitórias consecutivas. Quando cheguei, consegui mudar muitas coisas e senti claramente que faltava apenas aquele clique. Dos jogadores e do staff não tenho absolutamente nada a apontar. Depois, como sabemos, os adeptos não têm muita paciência e, por vezes, os dirigentes, em função daquilo que os adeptos dizem, também não têm. Há que respeitar as decisões. Agora, acredito que havia ali um bom caminho para ser feito e, se tivesse tido mais tempo, acredito que as coisas teriam corrido bastante melhor.
Fonte: Arquivo pessoal Nuno Silva
Bola na Rede: Já estava à espera de encontrar os problemas que acabou por encontrar no Vizela e de alguma instabilidade dentro do clube?
Nuno Silva: Das lesões não estava à espera. Acho que consegui fazer com que a minha entrada no Vizela fosse efetiva porque tenho uma metodologia de treino muito bem estabelecida. Consegui que jogadores que corriam nove quilómetros passassem a correr 11, que faziam cerca de 300 metros de alta intensidade, em média, passassem a fazer 600 ou 700 metros. Eu estava à espera de encontrar uma identidade pouco definida, porque era uma equipa de transições, que dividia muito os jogos, jogos mais de HxH, e sabia que ia encontrar alguns problemas táticos, até porque não existia um sistema tático bem definido. Quando isso acontece, também não tens uma identidade estabelecida e disso eu estava à espera. O que não estava à espera era da quantidade de lesões e do quão mal os jogadores estavam fisicamente. Tive jogadores no treino com medo de rematar à baliza porque já se tinham lesionado, ou porque tinham regressado de lesão e receavam voltar a lesionar-se. E isso é um sinal muito grave do que se estava a passar. Aí tive de conquistar os jogadores através da metodologia de treino e eles começaram a perceber que aquilo que se estava a fazer era benéfico para eles. Em termos de grupo, nós podemos ver os jogos de todas as equipas, mas só quando entramos lá dentro e começamos a perceber as relações é que sentimos as verdadeiras necessidades do grupo. Quando chego a um clube, costumo fazer entrevistas individuais a todos os jogadores e percebi que as queixas eram sempre as mesmas. Havia muita qualidade individual, mas faltavam lideranças, jogadores com personalidade que, para além do treinador, conseguissem colocar toda a gente a remar para o mesmo lado.
Bola na Rede: Do seu ponto de vista, essas lesões estavam mais ligadas ao trabalho do departamento médico ou à preparação física dos jogadores?
Nuno Silva: O treinador é o principal responsável pela ligação entre todos os departamentos. Cheguei ao Vizela e encontrei um departamento médico altamente competente, mas que não falava diretamente com o treinador. Ou seja, delegava tudo no preparador físico e a comunicação era feita por essa via. O fisiologista também não falava com ninguém, limitava-se a entregar os dados em bruto ao preparador físico. Felizmente, como treinador, conseguia olhar para aqueles dados e individualizar as coisas, mas o trabalho do fisiologista passa precisamente por entregar a informação de forma organizada e clara, para que seja mais fácil preparar o treino do dia seguinte. O que fiz foi estreitar a relação entre o departamento médico e eu próprio e acabámos por recuperar praticamente todas as lesões que existiam. O fisiologista passou a ter uma relação direta comigo e todos os dias apresentava os dados do treino ao departamento técnico e à equipa técnica. Todas estas questões são responsabilidade do treinador principal. Há treinadores que ligam mais a isto e outros que ligam menos. E eu posso fazer tudo isto bem, mas se no final a bola não entra, vale exatamente o mesmo. Agora, estas dificuldades atrasaram muita coisa? Atrasaram, como podes calcular.
Bola na Rede: Sente que todos os departamentos do clube estavam a remar para o mesmo lado nessa fase da temporada?
Nuno Silva: Senti, sim. O presidente da SAD, o Pedro Rodrigues, o team manager, o João Ribas, o pessoal dos transportes, da segurança e do marketing… tínhamos uma relação muito próxima. Em dois meses consegui criar essa relação e senti carinho da parte deles. Mais do que carinho, consegues criar uma relação próxima quando as pessoas percebem que estás a trabalhar e a dar tudo em função do clube. Eles viram efetivamente a minha preocupação em criar uma relação com todos e senti sempre muita comunhão com as pessoas que trabalham no Vizela. Nunca poderei acusar o staff do Vizela de estar a remar para um lado diferente da equipa ou de mim enquanto lá estive. O único senão que senti foi ter entrado e ter ficado com a equipa técnica do Ricardo Sousa. Não porque fossem mais ou menos competentes, mas porque isso retirou espaço a pessoas que poderiam entender o meu processo mais rapidamente. Mas não é por aí. Tentou-se fazer o melhor possível com aquilo que existia. Lembro-me de que, na primeira reunião técnica com os treinadores, éramos nove elementos e já havia seis pessoas que estavam no clube. Algumas eram da casa e outras pertenciam à equipa técnica anterior. Isso acaba por atrasar um pouco o processo, porque estavam habituadas a trabalhar de uma determinada forma e, de repente, tinham de trabalhar de outra. Era necessário perceber rapidamente aquilo que o treinador queria. Mas nunca senti que houvesse departamentos no Vizela a remar em sentido contrário.
«FORAM DECLARAÇÕES DURAS PARA QUEM ESTAVA A TENTAR FAZER AS COISAS DA MELHOR FORMA POSSÍVEL»
Bola na Rede: O presidente João Figueiredo fez declarações bastante críticas à gestão desportiva do clube, na altura da sua saída. «Estes números não são acidentais, são o reflexo direto de um planeamento desportivo desastroso e de uma gestão que parece alheada da realidade». Na altura, como olhou para essas palavras?
Nuno Silva: Em algumas questões, o Vizela acaba por ser um Vitória SC em ponto pequeno, no sentido em que a massa adepta cobra muito, e isso é normal. Se treinas o Vitória SC é exatamente a mesma coisa. A massa adepta quer ganhar e, se formos a ver, nos últimos anos, tirando o Fábio, que teve uma série de vitórias muito grande na época passada, desde que existe esta SAD do Vizela todos os treinadores passaram por dificuldades. Eu não fui exceção. O presidente do clube, como é lógico, quando não se ganha, tem facilidade em dizer que está tudo mal, que o planeamento foi mal feito. E este tipo de gestão mais baseada na componente emocional, sem olhar efetivamente para aquilo que é feito durante a semana, por vezes leva a decisões precipitadas. Se eu não estou dentro do que se passa no dia a dia e vejo os jogos apenas numa perspetiva emocional, é fácil dizer que está tudo mal. Mas o negócio do futebol é diferente. E existe aqui um divórcio entre SAD e clube que já existe no Vizela há alguns anos. Muitas vezes, no futebol, quando se ganha está tudo bem e quando se perde está tudo mal. Claro que são declarações duras para quem está a tentar fazer as coisas da melhor forma possível.
Bola na Rede: Tendo em conta esse divórcio entre a SAD e o clube, até que ponto pode ser prejudicial para um treinador implementar as suas ideias e tornar a equipa competitiva, especialmente quando existe um objetivo tão ambicioso como a subida de divisão?
Nuno Silva: Este divórcio entre SAD e clube retira tempo aos treinadores para executarem as suas ideias. O treinador que estava antes de mim tinha o seu estilo de jogo e contrataram-me a mim, que tinha um estilo de jogo exatamente oposto. E as coisas estavam a seguir o caminho certo, mas ao mínimo problema tudo foi por água abaixo. Depois é muito fácil, do lado do clube, dizer que a SAD contrata mal. E também é fácil, do lado da SAD, dizer que o clube critica sem saber o que se passa cá dentro. Este divórcio é prejudicial para os clubes porque aquilo que vejo é que a SAD do Vizela tenta manter uma relação com a comunidade e procura dar importância aos adeptos. A SAD do Vizela, tal como acontece noutros clubes, é também a entidade que consegue pagar as contas, criar um plantel competitivo e manter uma estrutura profissional. Tem de existir respeito da SAD por aquilo que é a identidade do clube, pelo que o clube representa e defende. E tem de existir respeito por parte do clube pela SAD, que no final paga as contas e faz de tudo para construir uma equipa competitiva. Quando existir este entendimento entre as duas partes, os clubes terão mais possibilidades de alcançar o sucesso. Um dos grandes casos de sucesso é o Wrexham, que já está no Championship. Eles têm uma enorme preocupação com a ligação à comunidade e a comunidade tem muito respeito por aquilo que eles estão a fazer pelo clube. Existe uma sinergia de ambas as partes.
Bola na Rede: Mas nesse sentido, e pelos casos que já existiram no futebol português, como o do Boavista, não existe uma maior desconfiança por parte dos adeptos para confiar numa SAD?
Nuno Silva: Eu percebo a desconfiança dos adeptos porque quem entra normalmente são pessoas que eles não conhecem. Os adeptos passam de um contexto em que elegeram o presidente e em quem confiaram para um contexto em que deixam de ter esse controlo. E o desconhecido gera incerteza, a incerteza gera dúvida, a dúvida gera frustração e a frustração leva a que, à primeira coisa com que não se identificam, considerem que está tudo mal. Aquilo que estou a dizer é uma sensibilização que considero muito importante para o contexto nacional. Eu trabalhei no Rio Ave com a antiga direção e trabalhei também no Rio Ave quando entrou o Marinakis. E aquilo foi uma mudança do dia para a noite. Hoje, o Rio Ave passou de ter um campo de treinos para ter três campos destinados à equipa principal e aos sub-23, um novo edifício para o futebol profissional, uma bancada cada vez mais renovada e um projeto para uma nova bancada que tem pernas para andar. Portanto, expliquem-me como é que esta SAD não está a melhorar o clube. As pessoas podem não concordar com a gestão desportiva ou com a entrada de um treinador estrangeiro, e isso é perfeitamente legítimo. Mas a verdade é que a SAD está a melhorar o clube.
Fonte: Arquivo pessoal Nuno Silva
Bola na Rede: Já aqui falou que encontrou um plantel recheado de qualidade técnica. Olhando para as características do plantel do Vizela, de que forma tentou implementar o seu modelo de jogo?
Nuno Silva: Para mim, a minha equipa será sempre agressiva na pressão ao adversário. Quero passar o máximo tempo possível a atacar e a ser perigoso, e quero conceder o mínimo possível. Estes três princípios serão sempre a base da minha ideia de jogo. Em termos de estrutura, quando cheguei ao Vizela encontrei bons centrais, laterais com bastante projeção ofensiva, extremos rápidos, altos e fortes no um para um, médios com várias características e jogadores para atuar num duplo seis. Tinha também o Morschel, que era um 10 com uma capacidade incrível de chegada à área. A única coisa que não tinha, e esse foi um dos pedidos que fiz e que não foi atendido, era um determinado perfil de ponta de lança. O Vizela jogava muito em transição e, por isso, os avançados eram jogadores capazes de atacar a profundidade. Nós passámos a jogar um futebol mais apoiado e não é a mesma coisa para um ponta de lança finalizar apenas com o guarda-redes pela frente ou começar a finalizar com dois centrais a um metro dele. Não é a mesma coisa finalizar uma bola ao primeiro toque ou em contextos de maior pressão. Acho que a estrutura do plantel foi bem pensada, mas faltou esse perfil específico de jogador. Até porque, para essa posição, existiam jogadores muito propensos a lesões. O Yassin Fortuné acabou por ser o jogador que mais vezes utilizámos nessa função, mas também não era propriamente um 9. Era mais um extremo para jogar por dentro, ou um 9,5. E todos sabemos que uma equipa que quer subir de divisão precisa de um ponta de lança que garanta golos. Caso contrário, os golos acabavam por recair todos sobre o HeinzMorschel. As outras equipas começaram a perceber que, se fechassem os espaços ao Morschel, o Vizela perdia capacidade de criar perigo. E quando a finalização passa a recair sobre jogadores que não têm esse perfil, naturalmente vão sentir mais dificuldades para marcar.
Bola na Rede: O que leva desta experiência no Vizela, enquanto primeira experiência como treinador principal no futebol profissional?
Nuno Silva: Levo uma grande aprendizagem: a importância de entrar num projeto desde o início. Porque aí consigo construir um grupo forte que represente verdadeiramente o clube onde está. Um grupo forte faz toda a diferença. No Nacional, com o Luís Freire, contratámos o Ruben Micael para trazer esse espírito de liderança. No Rio Ave saíram o Tarantini e o Fábio Coentrão e nós contratámos o Ukra e o Vítor Gomes. Todas estas decisões, tomadas no início da época, acabaram por poupar muitos problemas mais à frente. Muitas pessoas olham para o Ukra como uma personalidade mediática, alguém que faz toda a gente rir, mas o Ukra é um profissional de enorme nível. E foi também muito importante na gestão do balneário. Este tipo de decisões, na forma como se constrói um grupo, faz muita diferença. O futebol não é apenas juntar bons jogadores, porque isso, por si só, não chega. Uma das principais aprendizagens que levo é precisamente essa: começar desde o início para poder construir uma identidade forte. Não faz sentido, por exemplo, eu ir treinar o Varzim e as pessoas não perceberem o que significa ser da Póvoa de Varzim. Não faz sentido não existirem três ou quatro jogadores que sejam referências do clube e que mostrem aos restantes qual é o espírito que tem de existir no clube.
«SENTI MAIS DIFICULDADES EM TER ALGUÉM AO MEU LADO QUE DESEMPENHASSE O PAPEL QUE EU FAZIA COM O LUÍS FREIRE»
Bola na Rede: Quando estava na equipa técnica de Luís Freire, referiu que tinha espaço para intervir, tanto na liderança como na relação com a estrutura. Na sua primeira experiência como treinador principal, sentiu grandes diferenças ou foi uma adaptação natural?
Nuno Silva: Nessa parte não senti muitas dificuldades. Senti mais dificuldades em ter alguém ao meu lado que desempenhasse o papel que eu próprio fazia quando estava com o Luís Freire. Na parte técnica, os adjuntos ajudaram bastante. Mas senti falta daquela componente mais humana, de conseguirem criar relações com os jogadores, ouvi-los e perceber aquilo que sentem. Aliás, uma das coisas que estou a tentar melhorar no meu staff é encontrar alguém que me ajude precisamente nessa área, na capacidade de entender os jogadores. É uma competência muito específica: saber ouvir, ter empatia, criar proximidade. Ter alguém ao lado do treinador principal que consiga desempenhar esse papel é essencial para alcançar o sucesso. Porque a relação com a direção e a relação com os jogadores nunca foram problemas para mim. O que senti foi a necessidade de ter alguém que me ajudasse a potenciar ainda mais essa dimensão humana do trabalho.
Bola na Rede: Projetando já o Mundial 2026, o Leverton Pierre e o Yassin Fortuné estão na lista final da seleção do Haiti. Consigo, o Yassin Fortuné acabou por jogar com regularidade, enquanto o Leverton Pierre não chegou a somar minutos. Como olha para esta convocatória do Haiti e o que pensa destes dois jogadores?
Nuno Silva: Sou muito adepto daquilo que o Fortuné consegue trazer ao jogo. Não é um ponta de lança clássico, é mais aquele papel de nove e meio. É um jogador muito inteligente, com muita capacidade, e comigo jogou bastante. O Fortuné, se formos ver pela formação dele, esteve na formação do Arsenal e nas seleções jovens da França, o que às vezes as pessoas nem têm noção. Já o Leverton, quando cheguei, estava lesionado e acompanhei o seu processo de recuperação. Depois tinha outros jogadores à frente: o Aleksandar Busnic com muito jogo na equipa, o Moha Moukhliss, que é um dos melhores jogadores do plantel, e depois o Angel Bastunov, que no início jogou bastante comigo e cumpria muito bem o seu papel. Ou seja, quando o Leverton regressa, tinha várias opções a tapá-lo. Além disso, ele falava francês do Haiti e não falava inglês, e quem me ajudava a transmitir a informação ao Leverton era o próprio Fortuné. Ou seja, a comunicação acabava por ser um fator um pouco limitador. Agora, o Leverton é um muito bom jogador. Tivemos um amigável com o Gil Vicente, em que ganhámos 1-0 em Barcelos, na semana em que o Gil vende o Andrew e o Pablo, e o Leverton fez um jogo muito bom. Em relação ao Haiti, acho que pode surpreender algumas seleções, porque em termos de qualidade individual tem jogadores muito interessantes.
Bola na Rede: Depois de ter trabalhado de perto com o plantel do Vizela, há algum jogador que o tenha surpreendido mais do que esperava ou que considere merecer um destaque especial?
Nuno Silva: O Vizela tem jogadores com muita capacidade e que, no futuro, podem chegar a patamares muito interessantes. Um deles é o Antonio Gomís, que foi o número 3 do Atlético de Madrid nos últimos três anos. É um jogador altamente profissional, com uma mentalidade incrível, bom na comunicação, seguro entre os postes e que também joga bem com os pés. Tem apenas 22 anos. Tens o Jean-Pierre Rhyner, que é um jogador também muito evoluído, dos melhores centrais da Segunda Liga. O Andrea Hristov, que ainda agora foi chamado à seleção búlgara, é um jogador defensivamente muito forte, com muitos anos de Segunda Liga italiana, e nota-se essa cultura de saber defender. O Jojó também é um lateral muito evoluído. Tens o Moha Moukhliss, internacional sub-20 por Espanha, com formação no Real Madrid e que foi capitão do Barcelona B durante dois anos. O Moha entende muito bem o jogo, tem uma mentalidade competitiva muito forte e gostei muito de trabalhar com ele. Depois tens o Morschel, que não é um número 10 tradicional. Na seleção joga mais como 8 e tem uma chegada à área incrível. Não é um 10 de último passe, é um 10 que, quando recebe de frente para a baliza, se não faz golo, fica muito perto. Tens o Matías Lacava, que foi uma surpresa tremenda: um extremo altamente profissional, forte ofensiva e defensivamente, robusto fisicamente e com boa definição. E depois há dois jovens portugueses que não podemos esquecer: o José Sampaio, internacional sub-20, central alto, rápido, muito bom com bola e cada vez melhor defensivamente. Fez formação no Benfica durante muitos anos e, se ele quiser, vai dar muitas alegrias ao Vizela. E o Rodrigo Ramos, que pode ser um lateral muito ofensivo ou um extremo com uma capacidade de trabalho incrível, com bom 1×1 e boa definição.
Fonte: Arquivo pessoal Nuno Silva
Bola na Rede: O Torreense conseguiu eliminar o Sporting na Taça de Portugal. Tendo em conta que já defrontou a equipa, estava à espera que fosse possível esta conquista da Prova Rainha?
Nuno Silva: Acho que ninguém estava à espera da conquista da Taça de Portugal. Com todo o respeito pelo esforço que o Torreense fez, acho que, se jogarem aquele jogo dez vezes, o Sporting ganha nove ou dez. Para teres noção, fala-se que o Sporting jogou sem vontade, mas acabou o jogo com 30 remates, 60 entradas na área e um domínio avassalador. O Torreense acaba com três remates e faz dois golos. Isto não invalida todo o esforço e a capacidade defensiva que teve, mas foi um jogo muito unidirecional, em que o Torreense acabou por ter alguma sorte no primeiro golo, com a falha do Morita. E isso deu-lhes esperança. Quem marca a um grande tem de aguentar. O Luis Suárez empatou na segunda parte e depois o jogo seguiu para prolongamento. E há uma coisa que o Torreense tem: jogadores rápidos na frente, como o Dany Jean, o Musa Drammeh, o Ismail Seydi, o Luis Quintero, o Kévin Zohi. Pontas de lança rápidos, extremos rápidos. O Pozo não é o mais rápido, mas tem golo. Para um jogo de transições, têm jogadores muito perigosos. No segundo golo, há uma jogada do Dramé que acaba em penálti. E, às vezes, quando as equipas estão tão balanceadas no ataque, uma mínima distração dá nisto. E atenção: nos jogos do Torreense, todos os jogadores de fora festejam os golos. Quando juntas um bom grupo, com união e qualidade individual, tudo se torna mais forte. Ganharam a Taça, foi o dia deles, mas também acredito que todo aquele esforço lhes tenha custado na segunda mão da eliminatória com o Casa Pia.
Bola na Rede: Nesse sentido, de que forma olha para o calendário em que o Torreense jogou a Taça de Portugal no meio das duas mãos do playoff com o Casa Pia?
Nuno Silva: É impossível concordar com o calendário, tendo em conta que até tiveste o playoff da Liga 3 e da Segunda Liga jogado em datas totalmente diferentes. Eu percebo que exista uma data-limite para acabar as competições por ser um ano de Mundial, mas pelo menos a segunda mão do playoff podia ter sido jogada mais tarde. Foi jogada a uma quinta-feira, quando tinhas o Belenenses–Farense no sábado. Se tivesses o outro jogo no domingo, ganhavas dias importantíssimos para o Torreense. É preciso respeito pelas instituições. Jogar uma final da Taça depois de uma eliminatória de subida a meio da semana não é fácil. Já não basta a diferença de divisões e de orçamentos e o Torreense entrou em campo em piores condições físicas do que o Sporting. O Sporting também teve competições europeias durante a época, mas naquela semana específica entrou em campo com mais descanso.
«SE O FORMATO DA PRIMEIRA LIGA FOSSE MAIS PARECIDO COM O DA SEGUNDA LIGA, O FUTEBOL PORTUGUÊS TERIA MUITO A GANHAR»
Bola na Rede: Em relação à temporada na Segunda Liga, tivemos equipas a descer com quase 40 pontos. O que é que isto diz sobre o nível de competitividade da Segunda Liga?
Nuno Silva: A Segunda Liga é um contexto muito particular. Se fores ver os últimos dez anos, todos os anos começam com seis ou sete candidatos, e em janeiro já só restam três ou quatro. No fim, destacam-se duas ou três equipas. Na minha ótica, se o formato da Primeira Liga fosse mais parecido com o da Segunda Liga, o futebol português teria muito a ganhar. Na Premier League, o Wolverhampton desceu e ganhou 138 milhões de euros. Agora compara com o que ganhou o AFS ou o Tondela. Isto permite uma Primeira Liga mais competitiva, onde tens três ou quatro clubes fortes e depois o resto com épocas mais regulares ou menos regulares. Se formos ver, a diferença orçamental entre um Benfica e um AFS é tão grande que não podemos dizer que o jogo é equilibrado. E muitas vezes debatemos os direitos televisivos, mas como é que vamos ter um campeonato equilibrado se isto continuar assim? Na Segunda Liga, a diferença de orçamento entre o primeiro e o último não é assim tão grande. Pode ser acentuada, mas não é assim tão grande. Por exemplo, o Mafra desceu no ano passado e tinha o segundo maior orçamento da liga. Por isso, um jogo entre o primeiro e o último pode dar qualquer resultado. Não tens “equipas grandes”, e isso cria um equilíbrio muito forte, que torna o campeonato muito atrativo. O Paços de Ferreira desceu com 38 pontos, a Oliveirense com 34, o Farense foi ao play-off com 40. O Sporting B, que chegou a liderar na primeira volta, acabou com 42 pontos. Mas também colocou muitos jogadores na equipa principal, como o Rafael Nel ou o Blopa. É assim que funciona uma equipa B. E quando via o Sporting B jogar, jogava muito bem e o treinador deles foi agora para o Nacional. A Segunda Liga tem esta magia: pode acontecer tudo. E é isso que é bonito nos campeonatos de futebol.
Bola na Rede: Acredita que a valorização do futebol português pode passar pela centralização dos direitos televisivos?
Nuno Silva: A centralização dos direitos televisivos é um pequeno passo. Agora, a centralização dos direitos tem de ser para ontem porque perdemos capacidade de recrutamento. Temos treinadores que fazem milagres com pouco, porque atualmente perdes em termos de recrutamento para Primeira e segunda divisão de Espanha, Inglaterra, França, Alemanha e Itália. Tem países de leste a meio da tabela que financeiramente pagam muito melhor que a Primeira Liga Portuguesa. Só que depois a Primeira Liga Portuguesa tem mais impacto mediático, conseguiu vender mais para essas Ligas. Estás a perder capacidade financeira, recrutamento e condições de trabalho para quase toda a gente da Europa. Não é normal tu teres clubes de Segunda Liga que não tenha um campo de treinos, é algo que não faz sentido. Felizmente, já existem casos, como o do Rio Ave, Moreirense que tem boas condições. O Gil Vicente também deu uma volta muito boa, o Vitória SC, Braga também tem condições de treino. Se fores ver pela tabela, as melhores equipas que tem condições para trabalhar tem tendência para estar lá em cima na tabela. Coincidência? Não sei, mas ajuda muito.
Bola na Rede: Como é que olha para esta convocatória de Portugal para o Mundial 2026? Existiu alguma discussão em torno do número de laterais e da chamada de quatro guarda-redes. Enquanto treinador, fez sentido para si?
Nuno Silva: A convocatória acaba por ter muita profundidade. A questão dos guarda-redes acho que nem vale a pena discutir, se acha que é importante é a justificação do selecionador. O Ricardo Velho fez uma temporada incrível no Farense na temporada passada e merece o maior respeito possível. E o José Sá, apesar de ter corrido mal no Wolverhamtpton, é sempre o José Sá que fez grandes temporadas.
Bola na Rede: O Matheus Nunes tem sido utilizado numa função mais híbrida, muitas vezes partindo de lateral para zonas interiores no Manchester City. Como vê essa adaptação do internacional português?
Nuno Silva: O perfil de laterais que tens dá para muita coisa. E o que o Roberto Martinez às vezes faz, e se te lembrares chegou a jogar a final da Liga das Nações contra a Espanha com o João Neves a defesa direito para efetivamente atacar por dentro. E se tens um jogador que está a fazer isso numa equipa top a lutar pela Premier League, para que é que vais estar a colocar o João Neves? É por isso que acho que o papel do Matheus Nunes pode ser muito importante porque é um lateral diferente do João Cancelo, do Nuno Mendes, do Nelson Semedo. Dá coisas diferentes e a meu ver, perfeito. O Matheus Nunes melhorou muito em termos defensivos com o Guardiola este ano nesse papel de lateral direito e atacar faz isso exatamente que o Roberto Martinez quer. Se o Cancelo é muito bom nesse movimento a atacar por dentro, mas provavelmente há coisas que não consegue dar. Consegue jogar dos dois lados, o Nuno Mendes será sempre aquele poderio físico de trás para a frente para jogar projetado. O Nelson Semedo também tem 1×1, projeção, definição no último terço, é um jogador que fez 10 e extremo muito tempo até ir para o Benfica. O Perfil do Diogo Dalot é também um perfil mais perto ao do Nuno Mendes e o Dalot já chegou a ter o papel de atacar por dentro, mas não é igual. O Matheus Nunes é um perfil diferente e justificado. Só temos a ganhar isso.
Fonte: Edmilson Monteiro / Bola na Rede
Bola na Rede: Que seleções coloca como favoritas à conquista do Mundial? Portugal entra nesse lote?
Nuno Silva: A meu ver, Portugal entra claramente nesse lote. O Roberto Martínez, desde que chegou, e com todo o respeito por todos os treinadores que passaram pela Seleção Portuguesa, mudou o paradigma da Seleção Nacional. Antes, jogávamos com a França mais fechados atrás, à espera das transições. Umas vezes corria bem, outras nem tanto. Jogavas com a Alemanha e acontecia algo semelhante. Hoje em dia, quando Portugal defronta essas seleções de topo, a abordagem é diferente. Basta olhar para o último jogo com a Alemanha na Liga das Nações: Portugal esteve por cima da Alemanha praticamente durante todo o jogo. O mesmo aconteceu frente à França no último Europeu. Portugal acabou eliminado, mas se analisarmos o jogo, esteve por cima da França durante largos períodos. Os encontros mais equilibrados que Portugal tem atualmente, em termos de ideia de jogo, acabam por ser contra a Espanha. O Roberto Martínez trouxe uma forte preocupação com a gestão do grupo. Tanto que as convocatórias raramente mudam. Quando há alterações, muitas vezes estão relacionadas com questões de grupo. E depois acrescenta uma ideia de jogo muito clara. Portugal, pela qualidade individual que tem, é um dos candidatos. A Espanha, pela qualidade dos jogadores e pela ideia de jogo, também. A França, pelo plantel que possui. Tem um estilo diferente, não se importa de jogar em transição e tem jogadores perfeitos para isso, além de uma enorme qualidade individual. Depois tens os candidatos habituais. O Brasil será sempre o Brasil. A Argentina é a atual campeã do mundo. A Inglaterra tem vindo a jogar cada vez melhor. Tens também o Uruguai, que continua a ser uma seleção muito competitiva, embora já não tenha jogadores como Forlán, Cavani ou Luis Suárez. Está muito dependente do Darwin e já não é exatamente a mesma equipa. E depois há seleções como a Colômbia, que está no grupo de Portugal e é sempre muito incómoda. São equipas que acabam por ser um pouco uma incógnita e podem criar dificuldades a qualquer adversário.
Bola na Rede: Depois desta primeira experiência como treinador principal, que tipo de projeto procura agora?
Nuno Silva: Acima de tudo, procuro um projeto em que acredite, que valorize o processo e que tenha cabeça, tronco e membros. É verdade que, hoje em dia, muitas vezes o processo acaba resumido a bola entrar mais ou menos, mas procuro um projeto que acredite que uma boa ideia de jogo e uma boa metodologia de treino podem valorizar o clube e ajudá-lo a crescer. Acredito que entrar já num projeto de Primeira Liga possa ser mais difícil nesta fase, mas vejo com naturalidade a possibilidade de integrar um projeto ambicioso na Segunda Liga. Acima de tudo, acredito muito na minha capacidade para demonstrar qualidade. Independentemente do último trabalho que tive, houve muitos indicadores que me levam a acreditar que, se aquele processo tivesse sido desenvolvido desde o início da época, os resultados teriam sido bastante positivos. É nisso que continuo a acreditar e é esse tipo de projeto que procuro.
Pedro Porro foi questionado sobre os rumores que dão conta do interesse do Manchester City na sua contratação.
Pedro Porro tem sido associado ao Manchester City e, recentemente, foi questionado sobre o possível interesse dos cityzens na sua contratação. O internacional espanhol revelou estar focado apenas no Mundial 2026 ao serviço da Espanha:
«Não ouço nada até ao fim do Mundial. Tenho contrato com o Tottenham. Se o meu agente ligar, ou não atendo ou digo-lhe que agora só penso na Espanha. Manchester City? Não sei de nada», referiu o defesa de 26 anos.