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Um nulo de Primeira | Académico Viseu 0-0 Sporting B

O futebol tem destas ironias deliciosas: há empates sem história e há empates que ficam gravados para sempre na memória de uma cidade. O nulo entre Académico de Viseu FC e o Sporting CP B pertence claramente à segunda categoria. Porque o resultado dizia 0-0, mas o jogo contou muito mais do que isso.

O Académico entrou nervoso, sim — seria impossível não entrar. A subida à Primeira Divisão estava ali, a noventa minutos de distância, perante um Fontelo carregado de ansiedade e esperança. Mas, à medida que o encontro avançava, percebeu-se quem estava verdadeiramente mais perto de transformar aquele empate em vitória.

Foi o Académico quem teve mais intenção. Mais presença ofensiva. Mais vontade de resolver sem depender do relógio. A equipa viseense jogou quase sempre com o coração encostado à baliza leonina, empurrada por uma bancada que sentia cada lance como decisivo. Faltou talvez a serenidade do último toque, aquela calma que só aparece quando o medo de falhar desaparece. E numa tarde como aquela, ninguém estava verdadeiramente tranquilo.

O Sporting B teve qualidade na circulação, como quase sempre têm as equipas jovens do Sporting, mas viveu muito mais de transições do que de domínio. Ainda assim, o futebol gosta de provocar sustos até ao fim. E os leões quase congelaram o Fontelo perto do minuto noventa, em duas oportunidades que fizeram parar corações nas bancadas. Durante segundos, Viseu viu o sonho vacilar.

Contudo, talvez uma subida tivesse mesmo de ser assim: sofrida até ao último instante. Porque as conquistas que ficam são quase sempre aquelas que obrigam uma cidade inteira a prender a respiração.

Quando o árbitro apitou para o fim, percebeu-se que o Académico tinha feito mais do que segurar um resultado. Fez valer uma época inteira de consistência, resistência e ambição. O empate acabou por premiar a equipa que mais procurou vencer, mesmo sem conseguir marcar.

E há algo simbolicamente bonito nisso. O Académico subiu sem euforia artificial, sem espetáculo exagerado, mas com a maturidade de quem percebeu exatamente o que era preciso fazer para regressar ao lugar onde acredita pertencer. A Primeira Divisão deixou de ser uma memória distante contada pelos mais velhos. Voltou a ser realidade.

O 0-0 pode parecer pouco para quem olha apenas para o marcador. Para Viseu, significou tudo.

BNR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Bola na Rede: Só isso, disse que a primeira parte foi tão bem conseguida. O que tentou transmitir à equipa ao intervalo? E como é que se sentiu a equipa perante também este resultado algo perigoso perante a vantagem do Torreense frente ao Vizela?

Sérgio Fonseca: Sim, nós, ao intervalo, corrigimos ali algumas situações no meio defensivo. Não estávamos a acertar. Estávamos a precipitar, a saltar na pressão quando íamos fazer e estávamos a fazer alguma intranquilidade. O que nós pretendemos foi corrigir esses momentos e depois, como disse, o Jogo vai desenrolando sem aquela incerteza. Um marcador traz alguma ansiedade, algum nervosismo? Acho que depois acabamos por fazer bem as coisas até ao final de jogo.

Nenhum responsável do Sporting B prestou declarações na sala de imprensa.

FC Porto fecha a porta a Diogo Costa

O FC Porto não tem qualquer interesse em vender Diogo Costa no próximo mercado de transferências de verão.

O FC Porto não quer perder Diogo Costa na próxima janela de transferências. A informação está a ser avançada pelo Record que indica que o guarda-redes também está feliz de dragão ao peito, abrindo somente a porta de saída para um emblema de topo europeu, que lhe permitisse lutar por todos os títulos.

O internacional português é peça fundamental no Dragão, sendo o capitão de equipa e um dos líderes do projeto. Diogo Costa 26 anos e um contrato de longa duração, válido até 2030. A sua cláusula de rescisão é de 60 milhões de euros. O luso deve estar no Mundial 2026 e o seu valor pode aumentar no caso de boas prestações.

Diogo Costa leva esta temporada 55 partidas disputadas, com 34 golos sofridos. É titular absoluto do FC Porto desde 2021 e um dos jogadores mais acarinhados dos azuis e brancos.

Atlético Madrid prepara-se para avançar por Morten Hjulmand

O Atlético Madrid prepara-se para realizar algumas mudanças no próximo mercado. Morten Hjulmand é um dos alvos dos colchoneros.

Morten Hjulmand continua a ser um dos alvos do Atlético Madrid, com os colchoneros a prepararem uma oferta pela contratação do capitão do Sporting. A informação está a ser avançada pelo jornal O Jogo, que indica que o negócio pode ser feito por 40 milhões de euros, valor desejado pelos leões.

Os colcohoneros preparam-se para ver algumas mudanças no seu plantel, principalmente no setor dos médios, com a iminente chegada de João Gomes, proveniente do Wolverhampton, recentemente despromovido da Premier League. Diego Simeone não deve poder contar com Johnny Cardoso para os primeiros jogos de 2026/27.

Morten Hjulmand deve ser uma das grandes vendas do Sporting na próxima janela de transferências, com a saída do médio apalavrada com Frederico Varandas. O escandinavo prepara-se para entrar no lote de opções para a final da Taça de Portugal, contra o Torreense.

O jogador de 26 anos conta com equipas de Inglaterra e de Itália interessadas. Na presente temporada leva 44 encontros disputados, três golos e seis assistências.

FC Porto vai ter dupla mudança na mesma posição

O FC Porto prepara-se para ficar com apenas dois pontas de lança. Luuk de Jong e Terem Moffi não devem continuar no Dragão.

O FC Porto prepara-se para algumas mudanças na frente de ataque, com Samu Aghehowa e Deniz a prepararem-se para ser as únicas opções disponíveis para Francesco Farioli. De acordo com o jornal A Bola, Luuk de Jong decidiu não prolongar o seu vínculo com os azuis e brancos.

O neerlandês é um nome apreciado pela estrutura, mas sofreu uma lesão grave que fez com que estivesse parado nos últimos meses. O FC Porto ainda lhe fez uma oferta de renovação de contrato, mas a mesma vai ser rejeitada. Pelos dragões somou sete partidas, com um golo marcado.

Quem também não vai continuar é Terem Moffi, com regresso marcado para o Nice. O FC Porto tinha uma cláusula de opção de compra de oito milhões, mas a formação do norte do país não quer investir tanto no nigeriano, que passa assim a estar no mercado. Finalizou a sua passagem pelos dragões com 15 jogos, dois golos e uma assistência.

André Villas-Boas já estará a posicionar-se para contratar dois novos elementos para o setor, numa época em que o FC Porto vai regressar à Champions League.

Sporting: a via para o regresso de João Palhinha

O Sporting prepara-se para disputar a contratação de João Palhinha. O jogador também está disposto a regressar a Alvalade.

O Sporting quer contratar João Palhinha no mercado de transferências de verão. De acordo com o jornal A Bola, o jogador também está disposto a regressar a Alvalade e a negociação com o Bayern Munique poderá ser feita para que o jogador chegue aos verde e brancos por empréstimo.

O internacional português encontra-se cedido ao Tottenham pelos bávaros, mas a cláusula de rescisão de 30 milhões de euros não deve ser ativada (ainda que Robert De Zerbi seja um apreciador do médio), o que faz com que o Sporting possa entrar na disputa pelo antigo pupilo.

João Palhinha tem 30 anos e esta época soma 43 encontros, com seis golos marcados e duas assistências, alimentando o sonho de estar presente no Mundial 2026. O Sporting gostaria de colocar uma cláusula de opção de compra nesse possível empréstimo.

Benfica quer dar outro estatuto a António Silva

O Benfica prepara-se para dar um novo contrato a António Silva, pretendendo que o internacional português se transforme em capitão de equipa.

António Silva prepara-se para mudar de estatuto no Benfica, caso se mantenha no emblema da Luz. De acordo com o Record, o defesa central é o eleito da direção para assumir a braçadeira de capitão (posto livre com a saída de Nicolás Otamendi) e terá direito a uma proposta de renovação de contrato, já que o seu termina em 2027.

Caso não aceite a oferta da estrutura, será colocado no mercado pelo Benfica, de maneira a gerar lucro. A mesma fonte indica que António Silva tem recebido sondagens de outros clubes, já que é visto como uma oportunidade de negócio.

O defesa de 22 anos tem uma cláusula de rescisão de 100 milhões de euros e deve estar presente no Mundial 2026, já que é uma figura convocada por Roberto Martínez de forma recorrente. Na presente temporada soma 41 encontros, com um golo marcado e uma assistência.

José Mourinho, Andreas Schjelderup e Richard Ríos: para onde vai o futuro do Benfica?

José Mourinho, José Mourinho e José Mourinho. Não foi o treinador do Benfica que marcou qualquer um dos três golos com que os encarnados bateram o Estoril Praia na última jornada da Primeira Liga, mas é sobre o Special One que mais se centra a discussão do universo encarnado, demasiado debruçado sobre o treinador fenómeno mundial para cogitar outra hipótese sequer relativa à atualidade encarnada.

Não é para menos. Afinal, não é o treinador que joga, mas é o treinador que os mete a jogar. Não é o treinador que joga, mas quando o treinador é José Mourinho, nenhum jogador do Benfica terá o maior protagonismo no que concerne ao jogo. Não é o treinador que joga, mas é o treinador que está no centro de um ciclo noticioso entre Portugal e Espanha, com dois pés, um pé e meio ou um pé por Madrid, consoante a velocidade das informações e dos rumores façam querer parecer.

Muito se fala do futuro de José Mourinho. Afinal, o olhar já está na próxima temporada, quer o da estrutura, quer o dos adeptos e, fundamentalmente, pela mesma razão. Poucos serão aqueles os que, com mais ou menos carinho, vão desejar recordar o rumo da temporada encarnada. Há pontos altos, não fosse o golo de Anatoliy Trubin ter ajudado a que uma mistura mais ou menos maluca de resultados tornasse o Benfica na grande história da fase de liga da Champions League; ou não fosse o engenhoso António Silva ter percebido que um passo à frente colocaria Rafael Nel à frente dos demais e trocasse o momento mais feliz da vida do jovem avançado pelo raio de luz de Rafa Silva na área contrária; ou não fosse mesmo, aí como espectador, o período de quebra do Sporting na liga contra os últimos que, momentaneamente, colocou o Benfica com um pé na Champions League quando tal parecia uma utopia.

José Mourinho Benfica
Fonte: Rui Pereira / Bola na Rede

A verdade é que, para lá desses momentos áureos, tão efémeros como a própria passagem do tempo, há também momentos que muitos querem esquecer. Entre as lamentações e as constatações de um infortúnio mal amado, uma época sem derrotas ter redundado num terceiro lugar tão redondo quanto os oito pontos de distância para o título que nunca foi senão uma miragem, é algo estranho num Benfica tão difícil de analisar como de descrever.

É que, o Benfica das 0 derrotas, da alma capaz de fazer tombar o Real Madrid, um papa Champions League, na sua própria competição favorita, é também o mesmo dos 11 empates. É o do erro de Nicolás Otamendi diante do Santa Clara, o dos tropeços nos descontos numa primeira fase, do autogolo de Tomás Araújo tão improvável quanto inusitado. Numa fase em que tudo corria melhor, é também o Benfica que, de quatro golos ao Real Madrid, não marcou nenhum ao Tondela e que, quando ainda alguns celebravam o tropeço do FC Porto em Rio Maior, deixou pontos para trás – e a alma – no reduto do Casa Pia. E, mais indescritível que tudo, é o Benfica que falhou dois match-points quando, ao seu colo, caiu uma chance de terminar a época em segundo lugar. Os empates contra o Famalicão e o Braga, por mais que tenham de ser enquadrados no contexto – essa tal palavra definidora, mas tão difícil de recordar, por vezes – foram mais dois tropeços do Benfica quando dependia apenas de si. Tal como, há um ano, havia deixado fugir uma vitória contra o Arouca quando passou a depender apenas de si.

E Mourinho? Nenhuma recordação da sua passagem pelo Benfica, pelo menos em 2025/26 se por alguma razão todos os tabloides espanhóis estiverem de algum modo equivocados, não levará em conta nem os bons, nem os maus momentos. O percurso do lendário treinador pelas águias é uma espécie de dia normal na vida de qualquer um. Aqueles dias nem de sol, nem de chuva, nem de trabalho intenso, nem de folga prazerosa, que passam nem demasiado lento para chatear, nem demasiado rápido para desejar parar o tempo. Foi uma época, ajustando à temporalidade, demasiado semelhante à anterior ou à que antecedeu a esta para ter qualquer tipo de memória distante. Isto, claro, sem esquecer os méritos que o técnico tem no desenrolar da época a nível do futebol jogado. Mais do que uma ambição desmedida ou uma mudança radical de jogo, há a noção de uma maior conjugação e complementaridade de perfis em campo e algo que pode ser definido como a funcionalidade de um onze base.

José Mourinho Benfica
Fonte: Rui Pereira / Bola na Rede

Das dinâmicas nos corredores, com Samuel Dahl mais baixo e interior para permitir a Andreas Schjelderup abrir o campo e invadir o espaço de fora para dentro à esquerda, e Gianluca Prestianni a tornar-se mais um construtor por dentro, libertando o espaço por fora para as cavalgadelas de Amar Dedic, às dinâmicas dos médios, com Fredrik Aursnes finalmente por dentro a permitir maior segurança e liberdade a Richard Ríos e Leandro Barreiro a atacar espaços na frente, há uma noção de equilíbrio e ocupação de espaços mais condizente com o estilo de jogo de uma equipa grande e, naturalmente, do Benfica. Com o enquadramento de alguns dos melhores em campo – longe vão os tempos em que era quase obrigatório ver os cinco médios em simultâneo – em posições e funções que privilegiem as mais-valias, José Mourinho conseguiu fazer o Benfica crescer exibicionalmente no final da época.

A individualidade, por vezes esquecida, é o maior legado que José Mourinho deixa para o seu sucessor ou, num cenário ainda em aberto, para si próprio. Aí, há dois jogadores cuja comparação faz a noite e o dia parecerem entidades próximas na luminosidade. Porventura, Andreas Schjelderup e Richard Ríos são as melhores obras-primas de José Mourinho no Benfica.

Só o técnico e os jogadores saberão, exatamente, qual o peso de cada parte na melhoria de rendimento. No caso de Andreas Schjelderup, José Mourinho fez-lhe a vénia, preferindo reduzir a si próprio os méritos para destacar o processo de crescimento do jovem norueguês.

José Mourinho e Andreas Schjelderup Benfica
Fonte: Paulo Ladeira/Bola na Rede

«Ontem ou anteontem falei com ele e disse-lhe que tinha muitos motivos para estar orgulhoso com ele. Comparar o Schjelderup de há meses atrás com o de hoje é impossível, não há comparação. A cara de menino é a única coisa a comparar, sem barba e com cara de bebé. De resto, físico, tático e mental não há nada comparável. A continuar a evoluir desta maneira, será um caso sério de talento e eu diria de grande, grande talento. Tem motivos para estar orgulhoso. Via o potencial, mas não gostava do que via e levei-o ao limite em cada dia, não o convocando, pondo gente mais nova da B a jogar, sentado no banco. Muita crítica e muito trabalho no treino. Era vai ou racha e foi porque aguentou a pressão e o trabalho. Desenvolvimento extraordinário e mérito dele. A continuar assim, é um caso sério de talento», destacou José Mourinho há um par de dias.

De fora, o maior mérito de José Mourinho está mesmo na aposta e na confiança que depositou a Andreas Schjelderup, permitindo-lhe somar minutos com regularidade e entrar na dinâmica da equipa. Principalmente nos extremos, jogadores de rasgo e de risco, é importante a sequência de minutos, essa bebida dos deuses capaz de transformar a urgência em resolver na consciência em fazê-lo. Desde a maravilha de jogo do menino bonito da Luz contra o Real Madrid, numa altura em que a saída era tão comentada, que Andreas Schjelderup não mais saiu da equipa.

É certo que, defensivamente, há claramente mais noções de espaços, de timings e de ações, mas ofensivamente, não há grande coisa de novo no que faz Andreas Schjelderup. É um jogador com recursos quase infinitos para procurar o 1X1, superar o adversário e acionar o pé direito, de forma para dentro. A grande diferença está na quantidade, qualidade e regularidade das ações. Dos rasgos individuais – quem não se lembra do golo que ajudou a decidir a Taça da Liga ganha pelo Benfica – Andreas Schjelderup passou a ser protagonista. Num ano de Mundial 2026, o verão não é muito dado a certezas, mas a continuidade do norueguês e a construção da equipa tendo nele o epicentro trará boas notícias ao Benfica.

Andreas Schjelderup Benfica
Fonte: Rui Pereira / Bola na Rede

E Richard Ríos, aquele tosco de bola que veio por 20 milhões de euros? Há, no jogo do colombiano, duas grandes lições a retirar. A primeira é que não há um perfil certo e único para uma equipa, por maior que seja. É preciso é saber enquadrá-lo. A segunda é que 20 milhões de euros não passam exatamente disso: uma quantia absurda, que faria maravilhas nos metros quadrados de Lisboa cada vez mais caros, mas apenas uma quantia. Sendo capaz de se libertar um pouco dessa pressão e bem enquadrado por José Mourinho – e se em Schjelderup há espaço a interpretações distintas, aqui há dedo claro de treinador – o colombiano terminou a época num momento de forma contundente. A Colômbia sorri e Portugal bem pode tirar notas para o Mundial 2026.

De resto, o trabalho de José Mourinho foi facilitado pela identificação clara do seu perfil. Em novembro, depois do golo contra o Atlético que ajudou a relativizar muitas das críticas que o médio ouvia, o técnico encarnado começou por desvendar quem era, de facto, Richard Ríos.

«Tem sempre impacto na equipa, mesmo quando não faz as coisas que as pessoas esperam que façam. Mas há uma base que parece que com ele é inegociável, da entrega, da fisicalidade, da pressão, seja defensiva, seja ofensiva. Acho que tem justificado sempre, mesmo com alguns erros na confiança. Não é puxada de saco ao meu presidente, mas não vamos comparar Ríos com Rui Costa, só para dar um exemplo, mas dá-nos muito», disse, na altura, José Mourinho.

Richard Ríos Benfica
Fonte: Rui Pereira / Bola na Rede

O preço pago por Richard Ríos – um questionamento legítimo, mas à parte da qualidade do jogador – criou, em muitos dos adeptos e críticos, a sensação de que estaria para chegar um Messias capaz de resolver todos os problemas encarnados e de assumir, por si próprio, toda a organização do jogo. Não podia estar mais distante da realidade. E José Mourinho voltou a explicá-lo, em dezembro depois da epopeia contra o Nápoles.

«O Ríos precisa de ter raio ação muito grande. Limitá-lo é retirar-lhe uma das suas forças. Dizer que não pode ir ali ou aqui, é complicado. O que temos é de dizer que, quando ele vai para ali ou para lá, alguém tem de fazer isto. Aquela conexão Ríos – Barreiro – Aursnes está a dar-nos equilíbrio e permite ao Ríos ser um grande jogador. Ele é um grande jogador. Não conseguiram rebentar com ele», explicou José Mourinho, tocando na questão central para compreender o colombiano: o raio de ação.

Valorizando mais ou menos a fisicalidade dos jogadores, Richard Ríos é o protótipo de médio de deslocamentos. Para a frente ou para trás, é jogador para pressionar, para sair da sua zona e correr desenfreadamente. Para bem ou mal dos seus pecados, dependendo do contexto em que esteja enquadrado, o que pode ser uma força também pode tornar-se facilmente uma fraqueza. Num Benfica refém de uma referência criativa pura no meio-campo, Richard Ríos passou muito tempo restrito a funções de organização de jogo e de criatividade pura para iniciar jogadas. Aí, não é e provavelmente nunca será um elemento diferenciador.

Richard Ríos Gonçalo Costa Benfica Estoril Praia
Fonte: Rui Pereira / Bola na Rede

Com Enzo Barrenechea ao lado, torna-se também mais complicado a Richard Ríos gozar de toda a liberdade por que anseia. O argentino não tem perfil para cobrir espaços e segurar as pontas. Para o 20 do Benfica, a época começou quando Aursnes, um canivete suíço tão polivalente que o afastou demasiado tempo das zonas onde mais pode fazer a diferença, foi deslocado para a sua zona. Como 6, o norueguês foi capaz de oferecer segurança ao Benfica.

Também nunca será o elemento mais ousado na saída de bola ou a superar pressões altas, mas, ao contrário de outros médios do plantel, é capaz de dar segurança mesmo em situações de caos. Não se mete em trabalhos nem procura fazer o mais difícil. Sem bola, ajudou Richard Ríos a crescer. É um médio de entendimento de jogo refinando, jogando na antecipação e posicionando-se com eficiência sempre que é preciso apagar fogos. Esta dimensão do seu jogo deu ao colombiano maior confiança para se lançar em pressões, subir metros e encostar nos adversários. Aí, começou a notar-se o crescimento.

Com Aursnes mais recuado, Ríos também foi pisando cada vez mais terrenos avançados. Tem nessa dimensão de jogo, a chegada à área, uma característica de relevo. Também por isso se explica a veia goleadora demonstrada no final da época. Mais do que os remates de longe que gosta de tentar – ainda sem grande sucesso – é na chegada à área para responder a situações de cruzamentos atrasados que o colombiano mais oferece. E, depois, na bola de neve que é a confiança num futebolista, até já é possível ver outra influência em zonas recuadas pelo passe longo ou pela condução. O contexto nunca é impossível de ignorar.

Richard Ríos Benfica
Fonte: Rui Pereira / Bola na Rede

Os próximos dias começarão a dar novidades sobre a próxima época do Benfica. Seja José Mourinho, seja Marco Silva ou seja qualquer outro, há dois nomes em evidência nos encarnados. Não dite o mercado de transferências um veredicto diferente e Andreas Schjelderup e Richard Ríos estão aí para dar rendimento.

BnR na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: Já destacou a vontade em fazer uma análise a olhar para as duas épocas. Do primeiro jogo que faz no Estoril e depois dos primeiros meses difíceis, há duas temporadas, até hoje, taticamente e do ponto de vista do futebol jogado, que avaliação é que faz e onde sente, por um lado, que o Estoril mais cresceu e, por outro, mais precisa de continuar a crescer?

Ian Cathro: Eu acho que, olhando pela parte tática, sistema e maneira de jogar… Como o meu objetivo era trazer estabilidade ao Estoril, mudar a mentalidade, jogar sem medo, não é algo ligado com o 4-3-3, pressionar, bloco aqui ou bloco ali. Não era o objetivo. Ao longo das duas épocas, por necessidade ou por rendimento e disponibilidade de jogadores, fomos mexendo em várias coisas. Temos apresentado várias maneiras de jogar. Uma das coisas para o futuro é que não podemos estar a mexer tanto, nem trocar o nosso caminho tantas vezes. Por isso, vamos precisar de ter outro equilíbrio e outra robustez no plantel para começar a preparar a época na pré-época e a preparar a maneira como vamos jogar e fazer 34 jogos. Infelizmente, acho que toda a gente se esqueceu que esta época só fizemos 33 jogos e tivemos uma peladinha numa data FIFA. Espero que na próxima época façamos 34 jogos em condições normais. Nestes 34 jogos em condições normais, gostava de sentir que estávamos preparados para ter uma linha e seguir essa linha.

Infelizmente, não nos foi concedida a possibilidade de colocar uma questão a José Mourinho.

Ivan Baptista e Lúcia Alves respondem ao Bola na Rede: «A pressão das alas do FC Porto ia fazia com que o corredor central estivesse preenchido e que elas tivessem montado a teia para procurarmos zonas interiores»

Ivan Baptista e Lúcia Alves analisaram a vitória do Benfica na Taça de Portugal Feminina. Técnico e ala responderam à pergunta do Bola na Rede em conferência de imprensa.

O Benfica venceu o FC Porto por 2-0 na final e conquistou a Taça de Portugal Feminina. O Bola na Rede esteve no Jamor e, no final do encontro, teve a oportunidade de colocar uma questão a Ivan Baptista e Lúcia Alves, treinador e jogadora das águias.

Lê ainda a pergunta e resposta de Daniel Chaves, treinador azul e branco.

Bola na Rede: O Benfica cria muitas combinações pelos corredores, procurando gerar vantagens e superioridades numéricas. Na primeira parte, principalmente, acaba por conseguir várias chegadas através dessas dinâmicas. Pergunto à Lúcia quais foram as sensações e dentro de campo como foi operacionalizada a estratégia e ao mister o que pretendia com estas dinâmicas?

Lúcia Alves: Antes de mais, vou dizer-lhe que o relvado estava muito pesado e seco, o que não facilita as coisas. Como já referi muitas vezes, sinto-me super confortável em jogar com a Catarina [Amado]. Acabamos por jogar muitas vezes de olhos fechados porque já sabemos o movimento uma da outra. Achei que sim, havia vantagens, e havia outras alturas que não. Seja jogo de corredores, seja jogo interior sinto-me confortável nos dois.

Ivan Baptista: Nós viemos preparados para ter jogo interior, jogo exterior. Foi mais a reflexão que fazia há bocado, de elas conseguirem interpretar os espaços e as dinâmicas a que o adversário nos obrigava nos momentos de primeira e segunda fase de construção. Como estava a dizer, a pressão das alas do FC Porto, porque a avançada praticamente não pressionava as nossas centrais e preocupava-se mais com a Pauleta e a [Anna] Gasper, com a 6 que ia mais perto das centrais, e com a Angeline [da Costa] a encaixar entre as centrais dela e a acompanhar a Diana, ia fazia com que o corredor central estivesse, de certa forma, preenchido, e que elas tivessem montado essa teia para que nós procurássemos as zonas interiores, para depois procurarem aproveitar o facto de terem as alas, as extremas, a Maria [Ferreira] e a Lara [Perruca] altas no terreno na pressão às nossas centrais e melhores posicionadas em comparação com as nossas laterais para explorar essas transições. Isso fez com que os espaços se abrissem por fora. Não fui eu que lhes disse que hoje íamos jogar em combinações por fora mais do que em combinações por dentro. Nós, felizmente, temos muita qualidade no corredor central e no corredor lateral e são elas que têm de interpretar isso dentro de campo. A pressão do adversário fez com que a nossa lateral estivesse quase sempre solta. O “segredo” passava por conseguir colocar a bola lá, umas vezes com largura da lateral e ala por dentro, outras vezes com dupla largura com lateral e ala por fora, e explorar esses espaços. Colocar aí e depois tentar capitalizar o 2X1 que tínhamos nos corredores. Como a Lúcia falou, muitas vezes não foi possível capitalizar porque a bola travava. O relvado, com o vento que se fez sentir, rapidamente secou e depois criava muita dificuldade naquilo que era a velocidade que precisávamos para entrar no último terço. De forma geral, foi isso a leitura que fiz.

Daniel Chaves responde ao Bola na Rede: «O Benfica vive muito da qualidade da sua guarda-redes no primeiro momento de construção»

Daniel Chaves analisou a derrota do FC Porto na final da Taça de Portugal Feminina. Técnico respondeu à pergunta do Bola na Rede em conferência de imprensa.

O Benfica venceu o FC Porto por 2-0 na final e conquistou a Taça de Portugal Feminina. O Bola na Rede esteve no Jamor e, no final do encontro, teve a oportunidade de colocar uma questão a Daniel Chaves, treinador azul e branco.

Lê ainda a pergunta e resposta de Ivan Baptista e Lúcia Alves, treinador e jogadora das águias.

Bola na Rede: É um jogo muito diferente aos que o FC Porto está habituado a jogar, onde costuma ter mais capacidade de se impor e enquadrar no meio-campo ofensivo e de defender mais alto. Tendo em conta estes aspetos, quão diferente foi a preparação do jogo e depois a sua operacionalização?

Daniel Chaves: Acaba por ser diferente. Estou sempre a ressalvar, mas a verdade é que o Benfica vive muito da qualidade da sua guarda-redes no primeiro momento de construção, o que nos limita nessa tentativa de bloco mais alto. Não era por ser Benfica, porque não nos assustamos, claramente, e acho que o jogo demonstra isso. Demonstra é a qualidade que uma jogadora a mais consegue para colmatar as dificuldades de outras. Ajuda muito. Se quisermos saltar a zonas mais altas, acabam por ter desbloqueadoras porque alguma jogadora há de estar livre. Tivemos de nos adaptar a isso. Estrategicamente, quisemos roubar por outras zonas e sabíamos onde queríamos ferir e de que forma o adversário se iria ajustar a essa pressão. Depois, foi tentar trazer para campo. Operacionalizar é sempre mais difícil porque replicar a qualidade técnica do adversário em treino dificulta essa parte. É óbvio, mas sabíamos caminhos. Obviamente que também usamos estratégias para lá do treino para o fazer e explicar às jogadoras por onde queríamos ir e por onde queríamos chegar.

Jornada agitada na Liga Turca com resultados surpresa e uma despromoção confirmada

Jornada recheada de emoções na Liga Turca, com resultados surpresa tanto pela luta do segundo lugar, como na batalha pela manutenção. O Antalyaspor foi despromovido ao fim de 11 anos.

O Galatasaray, já campeão, não foi além de uma derrota por 1-0 frente ao Kasimpasa. Adrian Benedyczak marcou o único golo do encontro aos (27′) não se alterando assim o resultado até final.

Já o Trabzonspor sofreu uma derrota pesada por 3-0, em casa frente ao Glenclerbirligi. Adama Traoré abriu o marcador aos (45′), Franco Tongya ampliou aos (88′) e Metehan Minaraglu fechou contas aos 90+3 minutos.

No encontro mais animado da jornada, o Fenerbahce e o Eyupspor empataram a três golos. Na primeira parte, Legowski inaugurou o marcador aos (17′) e Metehan Altunbas ampliou para 2-0 aos (36′), na segunda parte, Fred reduziu aos (68′) e Arturkoglu operou a reviravolta com dois golos aos (79′) e (82′). Contudo Talha Ulvan restabeleceu o empate pelo Eyupspor aos (87′).

Por fim, o Antalyaspor venceu o Kocaelispor por 1-0, com o único golo da partida a ser apontado por Samuel Ballet aos (79′).

Na tabela da Liga Turca, o Galatasaray, já como campeão, finalizou a época com 77 pontos, à frente do Fenerbahce, que teve 74, e do Trabzonspor, que acabou com 69. Na luta pela manutenção, o Antalyaspor acabou por ser despromovido, juntamente, com o Kayserispor e o Karagumruk, caindo ao segundo escalão após 11 temporadas.