Depois de lermos um livro ou vermos um filme, é normal tirarmos lições para a nossa vida. Podem-nos colocar os pés no chão com chapadas de humildade ou motivar-nos a arriscar, a viver, a não termos medo de sermos felizes.
Essas lições também se podem extrair de finais de épocas desportivas ou de uma competição em particular. A Premier League deste ano é um bom exemplo, mas há outros, como o Euro 2004 ou a edição de 2000/2001 da 1.ª Liga Portuguesa, que consagrou o Boavista como campeão nacional.
A edição deste ano do campeonato português não conheceu um final dramático nem coroou um vencedor diferente do habitual, mas foi, na mesma, histórica e inspiradora. Não só por confirmar o regresso do Sporting à luta pelo título, não só pelo facto de o Benfica ter batido o recorde de pontos numa edição do campeonato, mas também pela qualificação europeia do Arouca e pela manutenção do Tondela.
É impossível ficar indiferente à história de uma equipa que há dez anos estava nos distritais de Aveiro e que foi, paulatinamente, conseguindo a sua afirmação no panorama médio-baixo português até conseguir a subida, em 2012/2013, ao escalão máximo principal. Depois de atingida a elite nacional, estabilizou-se nela e, apenas três anos mais tarde, consegue uma qualificação europeia que ninguém contesta. Não tanto pela espectacularidade do futebol praticado, mas pela eficiência dos processos incutidos por Lito Vidigal aos seus jogadores. O Arouca, agora, está entre a elite europeia, e isso só pode ser inspirador.
Já acabou. Em Braga até já se sabia o desfecho. 34 jornadas depois o quarto lugar é mesmo nosso. Com todo o mérito, diga-se. Sim, foi bom, mas não óptimo. Num campeonato para rodar, ficámos em quarto lugar. A aposta nas provas a eliminar foi a meu ver maior. Preterido em certas alturas, foi o campeonato.
«Claro que sim, meu bom senhor! Até que tem razão, podíamos ter dado mais…». Mas a verdade é que para primeiro ano, com um excelente treinador e uma equipa que se soube adequar às pedras que pelo caminho iam surgindo, fizemos um bom trabalho. Digo isto pois a marca deixada na época passada por Sérgio Conceição levou a um amargo de boca não só na Taça mas também no campeonato. E provavelmente com melhores soluções em alguns casos… É a minha opinião.
Falo do alto da minha ingenuidade para perceber que, a partir de certa altura, a luta estava a três e o Braga discutia consigo mesmo. Sendo assim, a meta seria ultrapassar os pontos conseguidos na época transacta. Chegámos lá, é certo… Mas não ultrapassámos… Sérgio e Paulo estão quites no que ao campeonato toca. Agora, é também de realçar que o que foi servido de prato principal este ano não só foi melhor do que a época passada como trouxe aquele «molhinho» extra europeu, uma dose de golos saborosos bem guarnecida, e ainda uma tacinha que estava na conta mas da qual não chegámos a beber… Na de Portugal lá estamos. Juntos. Chegados até aqui, 2-0 para o Paulo, e para a semana espera-se o hat-trick!
Ao longo do ano «futebolístico», o Braga soube bater-se contra qualquer equipa. Sim, perdemos alguns jogos e empatámos outros sem grande sentido, mas a verdade é que o prato não dava para ter de tudo… Neste ano, as soluções apresentadas pelo Braga eram reduzidas no que ao meio campo e à defesa toca, e nem assim a toalha foi atirada ao chão. Jogando com as segundas, terceiras e quantas mais linhas quiser traçar, o Braga mostrou sempre o coração guerreiro que o move e o faz sonhar sempre mais.
O 4.º lugar é justíssimo para o SC Braga Fonte: SC Braga
Como lhe dizia, em certas alturas aquele quê de sorte não existiu para catapultar os arsenalistas na tabela. Jogos frente ao Arouca, V. Guimarães, Benfica e Moreirense em casa são alguns dos exemplos em que o Braga não conseguiu impor-se e demonstrar todo o bom futebol que praticava. Não coloco os adversários em pé de igualdade, mas a verdade é que bastaram pequenos erros para não sairmos com a vitória. No primeiro exemplo, terá sido uma das melhores sestas que eu tive ao longo do ano. Foram 90 minutos de puro relaxamento. Uma massagem «vichy» para os olhos. No segundo, inserindo a ideia de que os dérbis são jogos diferentes de todos os outros, o resultado é adequado e algo justo, mas depois de ver o que somos capazes de fazer custou um bocadinho! Sim, o peso do jogo é diferente e só a vitória conta. 3-3, tanto golo e tanto jogo que só deu para o empate. Esteve pelo quase… O terceiro caso é totalmente diferente.
O Benfica dispõe de soluções para quase todos os gostos e soube encerrar cedo o jogo em Braga. Não jogava metade do que aquilo que o fez ser campeão nacional, mas a verdade é que chegou. Se aos trinta segundos a bola vai à rede e não ao poste, estou certo de que o desfecho seria totalmente diferente! Enfim, postes e Benfica… Por último, e já bem mais tarde no que ao calendário diz respeito, o jogo frente ao Moreirense só não chateou mais pois o quarto lugar já era terra e o quinto olhava pelo telescópio. Para o ano de certeza que há mais! Poderia falar-lhe mais um bocadinho, mas prefiro ser honesto e dizer-lhe que estou feliz. Estamos de parabéns por tudo o que conseguimos. Ou quase conseguimos… Para a semana o jogo que se avizinha é particularmente interessante, no qual eu desejo, espero e quero que o Braga traga a Taça. Se desta vez a Taça vier para Braga, não vai ser só alegria que se vai sentir. Vai ver-se também uma esperança única de acreditar que para o ano estamos mais que vivos, e começamos a época a disputar mais um troféu.
Por fim, queria deixar umas poucas palavras à equipa do Braga, ao clube, à estrutura e à direcção, aos adeptos e ao Paulo Fonseca. Para este último um agradecimento especial e um pedido para que continue. Pessoal, está tudo de parabéns e para a semana lá estamos a brindar de Taça na mão!
Para quem tapa o sol com a peneira e festeja campeonatos ainda antes de festejar o Natal será “sorte”, “vouchers” e o “poder da estrutura”. As hashtags criativas, os “comidos de cebolada” e outras demência afins são o perfeito retrato do espírito dos dois clubes: há o que fala e é o campeão da moral e depois há o que ganha. O Benfica falou durante muitos anos e com isso viu o Porto dominar a seu bel-prazer o futebol português. Calou-se e voltou a ganhar. Não tem grande segredo. Para quem não brinca ao futebol e já tem 35 campeonatos no museu é o campeonato mais saboroso de sempre. Erro crasso, pois, do rival ao não perceber que a sua patética campanha ao longo de toda a época só lhe foi prejudicial para si e benéfica para o Glorioso.
Estávamos no início do ano quando Jorge Jesus e a estrutura do Sporting – seguidos de pronto pelos seus adeptos-carneiros – decidiram fazer aquilo com que tanto atacam o tricampeão. A sobranceria atingiu níveis épicos e meteu a gasolina que estava a faltar no Ferrari. A partir daí foram 17 vitórias em 18 jogos, a confirmação de Jonas de ouro, o recorde de pontos (!!!!) da história dos campeonatos e o melhor ataque da prova. Um trabalho soberbo de Rui Vitória, que chegou de mansinho, se viu a quase dez pontos do objectivo e manteve sempre a postura, elegância e classe que se exige a um treinador desta casa.
Aguentou uma equipa nos limites físicos e mentais e que, a cada jogo, ia encontrando forças e alento nas provocações que diariamente chegavam do outro lado. Um título muito seu ao qual juntou uma fantástica campanha europeia onde olhou nos olhos de duas das melhores equipas do mundo e trouxe de volta o Benfica europeu, que joga à terça e quarta-feira e não à quinta. À volta de Jonas construiu um colectivo fortíssimo, com um espírito à prova de bala e que foi atropelando adversários a partir do início do ano. Estava, aí, montada a maré encarnada que empurraria a equipa para o 35.º
A forma como o Sport Lisboa e Benfica se reergueu da chacota e das traições de que foi alvo no início da época é simplesmente a prova de que este Clube é muito maior do que qualquer pessoa e manter-se-á SEMPRE destinado àquilo para que nasceu: ganhar. E pensar no 36.º. O Senhor Costa, companheiro de bancada que a injustiça da vida levou dias antes do tricampeonato, também deve estar feliz. Ele merece, porque era sempre “cincazero”.
Mentiria se dissesse que não sinto em mim uma enorme tristeza pela maneira como perdemos um campeonato que dominámos e no qual fomos a melhor equipa.
Mentiria também se não admitisse que me apetece falar em todos os lances polémicos – sim, a mão no Talisca fez-me pensar no que seria se tivesse sido assinalada grande penalidade – deste campeonato. Muito provavelmente, e contando com todos os benefícios de ambos os clubes, o Sporting seria campeão.
Mas ser do Sporting é ser diferente, é ser aquele tipo de crianças que gostam de colocar a dificuldade em modo Ultra Hard para serem melhores do que os outros. Na maioria das vezes a coisa corre mal; mas, quando corre bem, tem um sabor tão melhor do que qualquer campeonato ganho na sombra da corrupção.
Em momento algum do dia de ontem esperei outra coisa que não a conquista do campeonato por parte do clube rival, mas ainda assim vi o jogo feliz. Feliz porque não é qualquer equipa que vai vencer por 4-0 ao terreno do SC Braga. Mais ainda, não é qualquer equipa que cria hipóteses para uma vitória ainda mais expressiva e que apresenta um fio de jogo e uma qualidade como a que estes jogadores apresentaram.
Uma classe tremenda! Fonte: Sporting CP
Cresci a ver Balakov a jogar. Vi Figo, vi Cherbakov e Jardel. Vi João Pinto, Pedro Barbosa, Duscher e Schmeichel. Esta época, adiciono um jogador a esta lista, aquela lista que hei-de dizer ao meu filho na primeira vez que o levar a Alvalade. Falo de João Mário.
João Mário é daqueles que não enganam, e é um jogador verdadeiramente predestinado. Será um infortúnio não ser considerado o melhor jogador da Liga, por mais que reconheça a importância de Jonas no título conquistado pelos rivais.
A qualidade do médio leonino e a sua entrega às ideias de Jorge Jesus – já irei falar de ti, mister – catapultaram o Sporting para uma dimensão e uma qualidade que já não via desde meados da década de noventa.
É já amanhã, pelas 20h30, que Fernando Santos anuncia os 23 convocados para o Euro 2016. Quando o nosso seleccionador assumiu o comando técnico da selecção nacional, falou-se muito de “renovação”. E a verdade é que ela tem vindo a consumar-se progressivamente – há cada vez mais jovens a ganhar protagonismo entre os AA de Portugal. William Carvalho, Danilo Pereira e Cédric Soares, todos com 24 anos, são alguns dos que provavelmente vão marcar presença no Campeonato da Europa. E há mais, incluindo alguns com menos de 23 anos.
Ainda assim, grande parte dos nossos principais jogadores conta já com grande experiência. O nosso capitão, Cristiano Ronaldo, tem 31 anos e 125 internacionalizações. Na nossa defesa presumivelmente titular todos são trintões – Vieirinha (30), Pepe (33), Ricardo Carvalho (37) e Eliseu (32) – e outras peças-chave, como Rui Patrício (28), João Moutinho (29) ou Nani (29), não andam longe dessa faixa etária.
Um dos responsáveis pela emergência de novos valores na selecção AA é Rui Jorge, que vai liderar Portugal noutra grande competição: os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, cujo torneio de futebol decorre de 3 a 20 de Agosto. O apuramento foi obtido na brilhante campanha do Euro Sub-21 do ano passado e já não restam dúvidas de que alguns dos que jogaram essa prova estarão este ano em França.
Afinal, entre uma competição e outra, qual será o destino dos nossos sub-23 mais talentosos?
Quais dos que têm idade para ir aos Jogos Olímpicos (15 dos 18 convocados de Rui Jorge terão de ter nascido antes do dia 1 de Janeiro de 1993) irão ao Europeu? E quais estarão no Brasil?
O mais jovem de sempre a subir ao pódio. O mais jovem de sempre a liderar um Grande Prémio. O mais jovem de sempre a ganhar um Grande Prémio. Max Verstappen dilacerou todos os recordes. A partir de hoje, a história tem de ser reescrita.
Na semana em que deixou a Toro Rosso e ascendeu à Red Bull, por troca directa com Daniil Kvyat, Verstappen mostrou que o salto não foi demasiado grande. O piloto holandês deixou o mundo da Fórmula 1 de boca aberta ao vencer o GP de Espanha, este domingo. Apesar de ser uma confessa admiradora de Verstappen, de lhe ter atribuído, por diversas vezes, rasgados elogios, não adivinhava uma consagração tão imediata. O que aconteceu hoje é histórico, digno de nota, de recorde. No mesmo dia em que o Sporting não conseguiu dar-me uma alegria, Max fez-me festejar uma vitória num GP como já não acontecia desde os tempos de Schumacher.
Lewis Hamilton voltou às pole-positions, numa qualificação pautada por algumas surpresas. A Ferrari desiludiu e não conseguiu melhor do que a terceira linha da grelha. Por outro lado, a Red Bull colocou os dois mono-veículos logo atrás dos Mercedes e deu o mote para o resto da prova. Destaque ainda para o décimo lugar de Fernando Alonso; foi a primeira vez que um McLaren chegou à Q3 desde que a Honda voltou à F1.
E, como já vem a ser hábito neste Campeonato do Mundo, uma colisão logo na primeira volta ditou o tom da corrida. Rosberg arrancou bem mas Hamilton não desistiu da liderança do pelotão; um “chega para lá” de Rosberg atirou o colega de equipa para a relva, que acabou por abalroar o alemão enquanto se despistava. Os dois Mercedes anularam-se mutuamente e destruíram a corrida das “flechas de prata”. Numa análise posterior, é quase óbvia a responsabilidade de Lewis Hamilton. Rosberg defendeu-se como se fosse a última volta, mas a manobra agressiva do inglês não tem justificação numa fase tão embrionária do GP. Choque inaceitável; eliminação evitável.
Com os dois Mercedes fora das contas, os Red Bull assumiram o controlo da corrida, com Ricciardo no leme. Atrás deles, só os Ferrari se intrometiam. E, a partir daqui, a estratégia foi providencial. A Red Bull e a Ferrari optaram por separar estratégias, permitindo assim lançar pelo menos um dos seus pilotos para a vitória. A decisão parecia simples: duas ou três paragens para pit-stop? A Red Bull empregou a táctica mais agressiva – três paragens – com Ricciardo, enquanto que a Ferrari o fez com Vettel.
O mais jovem vencedor de sempre! Fonte: Red Bull
A opção das duas paragens nas boxes provou ser a mais eficiente. Verstappen e Raikkonen lutaram pelo triunfo até ao último fôlego, mas o jovem holandês estava no seu dia de sorte. A disputa entre o mais novo e o mais velho do grid deixa patente que a Fórmula 1 está viva e de boa saúde. Mais atrás, Vettel beneficiou de um furo de Ricciardo para garantir o último lugar do pódio.
Nota positiva, como não podia deixar de ser, para Max Verstappen. Arrisco-me a dizer que temos um novo Ayrton Senna a passear pelas garagens. A maturidade do holandês deixa qualquer um boquiaberto, as manobras que põe em prática são dignas de repetição e é dono de uma condução exemplar – “what a time to be alive”!
Nota negativa para a Mercedes: foi a primeira vez que a equipa viu os seus dois carros fora de um GP logo na primeira volta. Desilusão, também, para Fernando Alonso. Depois do motivador décimo lugar na grelha de partida, o espanhol acabou por abandonar. A factor “casa” não surtiu o efeito esperado.
Este Campeonato do Mundo 2016 está a trazer inesperadas reviravoltas. Verstappen está aí para fazer estragos. A hegemonia dos Mercedes já não é o que era. A Ferrari não quer perder pontos para a Red Bull. Adivinha-se um grande ano. A Fórmula 1 está de volta no fim-de-semana de 26 a 29 de Maio, com o espectacular Grande Prémio do Mónaco.
Escrevo estas linhas e admito, caro leitor, a minha inabilidade para colocar por palavras tudo aquilo que, como benfiquista, já vivi e senti neste dia tão único e especial. O Benfica é tricampeão nacional e ao escrever esta simples e curta frase compreendo, no imediato, a importância do momento. Aguardei uma vida inteira, suportei o fim do Benfica europeu, o período mais negro da história do nosso clube – que colocou a sua própria existência em risco – e o seu renascimento, no início deste século, lento e paciente. As vitórias regressaram, já não tão esporádicas, mas naturais e frequentes, consequência de um trabalho extraordinário (porém, não isento de erros) de consolidação desportiva por parte do presidente Luís Filipe Vieira. Este jogo, toda esta época que hoje termina, representa muito mais que a conquista de um campeonato: o actual Benfica é, mais do que nunca, aquele com que sempre sonhámos.
Rui Vitória é o grande protagonista deste título. Foram muitas as dúvidas – que tantas vezes partilhei – em torno da direcção seguida por este projecto; mas foram muitos mais os obstáculos ultrapassados brilhantemente. Rui Vitória uniu o grupo na adversidade; grupo que, já sem apostas a favor, com doses imprescindíveis de trabalho e humildade, pensando cada jogo como se de uma final se tratasse, realizou uma época de superação, que se conclui com a maior pontuação jamais obtida no campeonato português a 18 equipas. O Benfica termina na 1.ª posição com mais pontos, com o melhor ataque, com a segunda melhor defesa, com o melhor (Jonas, com 32 golos) e o terceiro melhor (Mitroglu, 19) marcadores, e com Renato Sanches, valorizado em 35 milhões de euros, como grande revelação da prova – é , por isso, um campeão justíssimo e inequívoco.
A força do Benfica nasce em cada um de nós Fonte: SL Benfica
A tarde foi de festa. Benfiquistas de todo o mundo rumaram à Luz para aquilo que, no coração de todos, só poderia desaguar na festa do tricampeonato. Milhares na Catedral e milhões, muitos milhões, espalhados pelos quatro cantos do globo. Rui Vitória não contou com os castigados Eliseu e Renato Sanches, fazendo entrar para os seus lugares Talisca e Grimaldo. O regresso de Gaitán (por troca com Carcela) foi a outra alteração comparativamente com a jornada anterior.
Podia escrever este texto por outro prisma, falando na injustiça que é perder-se um campeonato quando se foi a melhor equipa, ou perder um título quando mais uma vez o rival directo foi beneficiado. Não o irei fazer, porque o Sporting é melhor que isso. Prefiro ver cada finta do Bryan, cada passe mágico de João Mário, cada golo de Slimani e a alma leonina de Adrien (que injustiça não teres disputado este jogo, meu capitão).
Em Braga, vi entrega, vi crer e vi ambição. Vi leões a lutar por pouco mais do que um sonho de um campeonato. E mais não posso pedir daqueles que tudo deram em campo para alcançar o desfecho de época que todos queríamos ter.
A história deste jogo não pode ser descrita como um rescaldo comum. Vocês – leões – merecem muito mais do que isso.
Confesso que não acreditava, à partida, que o milagre fosse possível. Mesmo com a momentânea vantagem, nada mais me passou pela cabeça a não ser o quanto vocês mereciam outro desfecho.
Assim, nada mais posso pedir do que aquilo que vi neste jogo. Aliás, tenho um desejo secreto em mim, mas que apenas a direcção pode cumprir. Bruno, por favor, dá o teu melhor para que não percamos nenhum jogador este Verão.
O primeiro golo é, como não poderia deixar de ser, criado pela imaginação única de João Mário. É para ver e rever a forma como o melhor jogador do campeonato português isola Bryan Ruiz, que apenas tem que colocar a bola em Teo para um golo fácil.
Super Slim e João Mário: Dois jogadores que mostram bem o que é este Sporting Fonte: Sporting CP
Como disse, este golo incendiou as bancadas do Municipal de Braga, um estádio em que se vivia e respirava Sportinguismo. Falando sobre as bancadas, é inevitável mencionar a massa adepta leonina. Nem por um momento se deixou de ouvir cânticos de apoio aos leões, naquela que terá sido uma das maiores – senão mesmo a maior – “invasões” de adeptos a um jogo fora de casa.
Após a expulsão (justa) de Arghus, o Sporting continuou a pressionar alto e a realizar uma das melhores exibições da época. O segundo golo dos leões também teve um momento “à Sporting”. Um bom cruzamento de Bruno César da esquerda teve uma resposta à altura por parte de Islam Slimani, um cabeceamento à ponta de lança e que dava uma resposta mais que justa à superioridade da equipa de Jorge Jesus em campo.
Ao intervalo, os semblantes em Braga eram pesados, mas o sentimento primordial era o de trabalho bem feito, de orgulho numa equipa e num clube que há três anos “não incomodava ninguém”.
Chegou o fim de semana de todas as decisões. O domingo onde Lisboa será palco de uma festa gigantesca, onde só falta saber se será verde ou vermelha.
Precisamente neste fim de semana passam 16 anos da conquista do penúltimo título de campeão nacional do Sporting. Do campeonato que foi decidido em Paranhos, no terreno do saudoso Salgueiros. Um título marcado por defesas fantásticas de Schmeichel, por “sprints” ultra enérgicos de César Prates, pelo espírito de sacrifício sportinguista de Beto, os livres teleguiados de André Cruz, a segurança de Rui Jorge, a força inesgotável de Vidigal e Duscher, a magia de Pedro Barbosa, a ajuda para muitos inesperada de De Franceschi, os últimos 30 metros de Mbo Mpenza e, finalmente, pelos golos de Beto Acosta.
Sinceramente, é preciso apelar aos “melhores sonhos” para me imaginar a fazer a festa amanhã. Não porque não tenha esperança de ver o Sporting vencer em Braga, o que eu não acredito é que o Benfica não vença em casa frente ao Nacional. Porque o Nacional não vence há um mês, e porque tenho a certeza que, mesmo que os onze jogadores do Benfica tenham dificuldades, a “estrutura” terá o jogo assegurado, tal como teve vários em janeiro e fevereiro. Basta lembrar-me do jogo da Choupana entre estas duas equipas. Ainda assim, vou levar a minha t-shirt e o meu cachecol na mochila para o emprego, não vão os astros alinhar-se e dar o título à melhor equipa do campeonato, o Sporting Clube de Portugal.
Acreditar até ao fim! Fonte: Sporting CP
Desde que me lembro de ver futebol, já vi o Sporting perder lá algumas vezes, contudo, Braga também costuma ser local de vitórias memoráveis dos “leões” nos últimos 12 anos. Assim de repente, lembro-me de um hat trick de Mauricio Pinilla em 2005, de uma vitória com um golo solitário de Nani em 2007, e de três vitórias tardias nos últimos três campeonatos: em 2012/13, foi Ricky Van Wolfswinkel que marcou um hat trick, com o último golo a ser apontado no período de descontos; há duas épocas, foi um disparo pouco comum de Cédric Soares que valeu os três pontos; na época passada, foi um livre de “videojogos” de Tanaka que pôs em risco a vida do meu computador, tal o salto que dei ao ver um golo tão épico. Um daqueles golos que todos sonhamos marcar, quando apontamos uma bola parada num jogo com amigos.
O último jogo da Liga NOS entre Belenenses e Estoril disputou-se hoje às 19:30 no Estádio do Restelo. Este é um jogo de opostos para ambos os clubes. De um lado, um Belenenses em 11.º na classificação e com a manutenção, obviamente, garantida; e do outro lado um Estoril que, em caso de vitória e perda de pontos do Paços de Ferreira no Bomfim diante do Setúbal, assegurava a última vaga na Europa.
Antes deste encontro, as duas equipas vinham de resultados opostos: o Belém vinha de quatro jogos sem vencer (1-1 com a Académica, derrota com o Boavista, derrota por 0-2 com o Paços e empate a duas bolas na Madeira com o Nacional) e o Estoril vinha de quatro jogos sem perder (vitória diante do Boavista, empate em Guimarães, vitória contra o Marítimo e empate contra o Arouca).
O jogo começou com alguns minutos de atraso para começar ao mesmo tempo que o Tondela – Académica, Setúbal – Paços de Ferreira e União da Madeira – Rio Ave.
No Restelo, tempo ameno, vista soberba e estádio muito despido para este que é o último jogo da temporada 2015/2016.
Face à curta distância entre o Estoril e o Restelo, deslocaram-se ao Estádio do Restelo muitos adeptos do Estoril, que não se calaram um único minuto e tornaram o ambiente no estádio muito mais animado, visto que os adeptos da casa eram poucos e pouco entusiastas.
No que toca ao jogo em si, o Belenenses entrou de forma pressionante e muito aguerrida e logo aos três minutos inaugurou o marcou por intermédio de Miguel Rosa. O jogador de 27 anos formado no Benfica marcou o seu sexto golo no campeonato através de um excelente remate de pé esquerdo, o seu melhor pé. O remate sofreu um pequeno ressalto na defensiva estorilista; no entanto, não deixa de ser um excelente golo.
O Estoril estabilizou o seu jogo e começou a jogar melhor. Mais posse de bola, mais calma a subir no terreno, e começou a criar mais perigo à baliza, defendida por Ricardo Ribeiro. Aos dez minutos, o brasileiro Matheus cabeceia e só não empata porque o guarda-redes português responde com uma excelente defesa. Até aos 15 minutos de jogo, o Estoril dispõe de mais duas oportunidades para empatar o jogo, uma através de um cabeceamento e outra através de um remate perigoso mas fora do alvo.
Aos 27 minutos, o árbitro Bruno Esteves vê a falta de Babanco sobre André Sousa e marca penálti. Na conversão do mesmo, o montenegrino Bakic, emprestado pelos italianos da Fiorentina, marca e aumenta o resultado para 2-0. No melhor período do jogo da equipa visitante, os azuis do Restelo marcam, tornando assim mais complicada a apuração do Estoril para a Liga Europa.
Aos 36 minutos, Fabiano Soares tira o amarelado Marion e faz entrar Dieguinho.
No entanto, aos 38 minutos o guarda-redes português dos azuis calcula mal a distancia e em vez de passar para o defesa direito André Geraldes passa para o quarto melhor marcador da liga Léo Bonatini, que agradece a oferta e marca o seu 17.º golo na Liga. Ficou mal na fotografia o guardião dos azuis.
Aos 44 minutos, o árbitro vê uma mão na bola do defesa esquerdo Filipe Ferreira e assinala penálti, expulsando o mesmo. Decisão exagerada do árbitro da partida! Na conversão, o homem-golo da Amoreira falha e não consegue empatar. Boa defesa de Ricardo Ribeiro com os pés.
O árbitro apita para o intervalo e fica na retina um bom jogo de futebol. O Belenenses jogou muito bem nestes 45 minutos e o Estoril foi um pouco inconstante. Teve momentos bons, em que causava perigo e tentava assumir o jogo, mas depois desconcentrava-se e tinha momentos em que jogava mau futebol, dava muito espaço aos azuis e permitia que estes mandassem nas incidências do encontro.
Nos outros jogos, o Tondela vence a Académica por 1-0, o Setúbal está empatado com o Paços de Ferreira e o União vence o Rio Ave por 1-0.
Estádio muito vazio para o último jogo da época entre Belenenses e Estoril
No recomeço, como aconteceu no início do jogo, o árbitro só reinicia o jogo quando os outros jogos começam.