📲 Segue o Bola na Rede nos canais oficiais:
Início Site Página 9849

O futebol é cada vez menos dos bem-formados

Cabeçalho Futebol Nacional

Hoje, dia 14 de Maio de 2016, o futebol português viveu um dos dias mais elucidativos e reveladores quanto ao seu estado actual. Na Ledman LigaPro – ou Segunda Divisão, como se chamava antes da ditadura do dinheiro -, discutiam-se os lugares de promoção à Liga NOS – ou Primeira Divisão, para os mais conservadores – e também a despromoção ao Campeonato de Portugal Prio – aqui, como o dinheiro em movimento é mais escasso, o nome é menos chique.

Para contextualizar os mais desatentos, estavam a batalhar pela subida o Freamunde e, sobretudo, o Portimonense e o Feirense, e pela descida havia um leque de equipas entre as quais o Benfica B e o Farense a tentar continuar nos campeonatos profissionais na próxima temporada. Sobre a luta pela subida pouco me alongarei, mas é curioso ler o comunicado que o Portimonense publicou depois de o Feirense bater o Gil Vicente, na penúltima jornada, com dois golos nos descontos – o último, aos 96 minutos -, e o conjunto de Barcelos reduzido a… 8 jogadores.

É mais cómodo e conveniente que os clubes se mantenham numa área geográfica próxima, de forma a diminuir despesas em deslocações e dormidas de adversários e equipas de arbitragem, mas isso não pode ter influência na presença de uma equipa em detrimento de outra. Contudo, basta estar atento, não só ao número das equipas do norte e do sul nos campeonatos profissionais, como à forma como uns se mantêm em detrimento de outros, para se constatar que não é por falta de talento ou competência que o norte é largamente dominador no que ao número de equipas diz respeito. Este caso Portimonense/Feirense foi só mais um exemplo disso mesmo.

Ainda mais engenhosa, trabalhada e, permitam-me, repugnante, foi a luta pela manutenção. Escreveu uma vez Marinho Peres no livro Golpe de Estádio, uma tentativa de denúncia daquilo que é o futebol em Portugal, que se há quem se revolte com o que vê nos jogos de futebol televisionados… imagine o que se passa nos não televisionados. Na presente época, o Benfica B ficou aquém de todas as expectativas, descendo mesmo aos lugares de despromoção e correndo o sério risco de cair para o terceiro escalão. Na 36.ª jornada, o Farense – também na luta pela manutenção – visitou o Seixal num jogo muito importante para os objectivos de ambas as equipas, mas utilizou Harramiz, jogador emprestado pelo Benfica, conforme proíbem os regulamentos.

Nesse sentido, não só lhe foi aplicada uma derrota administrativa (num jogo que perderam de qualquer forma) como foram retirados à equipa de Faro dois pontos adicionais. Perante o sucedido, o presidente António Barão afirmou ter-se tratado de um erro e disse achar que o jogador já não fazia parte dos quadros das ‘águias’. Como se não fosse suficientemente pouco credível, menos se torna quando se verifica que a equipa algarvia vendeu, algum tempo antes, os direitos televisivos à Benfica TV, e que teve nos ‘encarnados’ o seu principal patrocinador.

Fonte: Público
Fonte: Público

Regressando ao dia de hoje, ou quase, importa olhar às nomeações para a última e decisiva jornada da Segunda Divisão – sim, eu sou dos conservadores. Para o Benfica B vs Freamunde, Bruno Paixão foi o escolhido. No Aves vs Mafra, Luís Ferreira. E no Oliveirense vs Leixões, Manuel Mota foi o eleito. Para quem defende as nomeações, difícil tarefa esta de justificar a escolha de três dos árbitros mais frequentemente ligados às polémicas com o clube da Luz. Como não há fumo sem fogo, logo aos 23 minutos do Benfica B vs Freamunde se percebeu como seria o dia. Bruno Paixão, depois de assinalar livre directo à entrada da área, reuniu com o seu assistente e resolveu mudar a decisão para penalty a favor do Benfica B, entretanto convertido por Gonçalo Guedes. Aos 39’, o Freamunde foi reduzido a 10 jogadores e aos 41’, novo penalty para o Benfica. Pelo meio, os visitantes reclamaram grande penalidade na área ‘encarnada’, mas nada foi assinalado. Nada podia ser assinalado.

À conquista do Mundo – Entrevista a André Fialho

entrevistas bola na rede

André Fialho prepara-se para combater este sábado no cartaz principal daquela que é a segunda maior organização de MMA do mundo: a Bellator. Apesar de ser algo só por si já espantoso, ganha outras proporções quando se sabe que André se estreou no desporto apenas em 2014, após ter sido campeão nacional de Boxe no ano anterior. “Apaixonei-me um bocado pelo desporto e comecei a levar aquilo a sério. Na altura ainda estava na escola, mas decidi levar aquilo a 100%. Queria ser o melhor do mundo e decidi que não podia fazer as duas coisas”, diz André quando lhe perguntei pelo seu percurso até então.

A jornada de André Fialho fez-se de decisões difíceis e abdicações: deixou a escola para treinar, deixou a Nóbrega Team por razões que, segundo André, “não vale a pena pôr em público”, e deixou Portugal para ir para a América em busca do sonho. Concorreu no The Ultimate Fighter, mas não ficou:

Tinha um recorde de 6-0, 21 anos – só podes entrar para a casa com 21, fiz dia 7 de Abril e aquilo foi a 25 de Abril – e ainda por cima era europeu. Não tinham lá nenhum português de certeza… Perguntaram-me qual era o meu forte e eu disse que era Boxe, mas nem me viram fazer nada… Só grappling! Aquilo é um minuto e meio de “submission”, se passares fazes um minuto e meio de striking e depois tens uma entrevista. Eu fiz o minuto e meio de grappling e não passei sequer para mostrer o meu striking. E dominei o outro. Não fiz nada de doido, mas dominei o outro. Eles não me deram uma oportunidade. Fiquei irritado, claro. Fiz um minuto e meio de grappling e mandam-me embora”.

A oportunidade surgiu noutro lado, e essas, diz André, vai “agarrá-las todinhas”. Foi para a AKA, academia que conta com lutadores como Luke Rockhold e Daniel Cormier, ambos campeões na UFC, Cain Velasquez, ex-campeão da UFC, e Khabib Nurmagomedov. Apesar de estes serem os nomes mais sonantes, André garante que “o nível é muito alto e qualquer um é bom”. Marcou hotel para poucos dias, fez alguns treinos e captou a atenção de Javier Mendez, fundador da academia de San José, Califórnia. No último dia de hotel, Scott Coker, o Presidente da Bellator, foi vê-lo fazer sparring e achou que tinha potencial. Quando lhe disseram que ia assinar, André ligou para casa: “pai, já não volto”, disse. O futuro estava na América.

André Fialho (à direita) na AKA  Fonte: Facebook André Fialho
André Fialho (à direita) na AKA
Fonte: Facebook de André Fialho

Os primeiros tempos não foram fáceis. Quando lhe perguntei como estava a ser viver nos Estados Unidos da América, André foi rápido em dizer que “não tem nada a ver com Portugal”. Portugal, continuou Fialho, “é um paraíso do caraças. A comida é ótima, a gente é gira… E a água, sinto falta da água”. Tem-se habituado e cada vez gosta mais de onde vive, mas fácil não foi: chegou a ter de alugar quartos a uma hora e meia do ginásio até conseguir arranjar a sua própria casa. “Não há nada como ter o teu canto”, disse.

FC Porto 4-0 Boavista FC: É de manhã que se começa o dia

0

fc porto cabeçalho

O FC Porto termina da melhor forma os jogos no Dragão esta época, com uma goleada convincente por quatro bolas a zero, diante de um atrevido Boavista. Num horário pouco habitual, mas sempre sem perder a ambição de vencer, a equipa apresentou-se equilibrada e com várias alterações no onze, de modo a consolidar e afinar os processos para a final da Taça de Portugal agendada para dia 22 deste mês.

Os dragões foram a jogo com várias novidades no onze. Começaram, Iker Casillas, Maxi Pereira, Chidozie, Ivan Marcano, Miguel Layún, Danilo Pereira, André André, Herrera (Capitão), Varela, Jesús Corona e André Silva.

Os axadrezados hoje iniciaram a partida com Mika, Tiago Mesquita, Paulo Vinicius, Correa, Henrique, Idris (Capitão), Renato Santos, Tahar, Rúben Ribeiro, Iriberri e Anderson Carvalho.

O jogo começa algo atabalhoado, com “bola lá, bola cá”, as duas equipas muito encaixadas no meio campo sem grande notoriedade nas suas ações. Destacava-se André André, com passes e pormenores a encantarem as bancadas do Dragão. Num canto batido à maneira curta, Corona cruza com qualidade para a área, Idris acaba por não desfazer o lance da melhor forma, e Danilo Pereira abria o ativo no primeiro remate à baliza com um pontapé fulminante deixando Mika sem qualquer tipo de reação. Mais uma vez o incansável médio português a mostrar o seu enorme valor e também a revelar-se como opção indiscutível para a Seleção Nacional, neste próximo Euro que se avizinha.

Nota negativa para o decréscimo exibicional do FC Porto a todos os níveis, a partir do momento em que a equipa abriu o ativo. A concentração e a intensidade baixaram muito e os comandos de José Peseiro viram Casillas a brilhar numa excelente defesa a remate de Tiago Mesquita. Tiago que finalizou o jogo como capitão, e assumiu-se como figura maior do Boavista em toda a partida.

O intervalo fez bem ao FC Porto, que com as entradas de Brahimi e Rúben Neves subiram as suas linhas e pressionaram e encostaram muito mais o Boavista à sua baliza. O FC Porto chega outra vez ao golo sem muitas dificuldades, de novo aos onze minutos, mas desta vez pelo lateral esquerdo Miguel Layún. Estupendo remate de pé direito do ala, que assistido pelo miúdo André Silva, fez balançar as redes de Mika. Golo importante que deu tranquilidade à equipa para todo o resto do encontro. Minutos depois foi Brahimi, que com um pormenor técnico fantástico ia fazendo um golo de belo efeito. André Silva claramente o homem do jogo do FC Porto, protagonizou juntamente com Henrique um excelente duelo, que ao longo do resto da partida fez sempre “faísca”. O Boavista perdeu o fulgor à medida que os minutos se foram esgotando, e não causaram mais calafrios ao FC Porto.

Futebol, Compras, Azias e Bom Senso

0

sporting cp cabeçalho 1

Como em todos os anos, com o final do campeonato vêm os sacos de compras e os milhões estrangeiros para serem gastos. Este ano começa em grande com os avolumados valores da venda de Renato Sanches para o Bayern, que deixou muitos dos meus colegas sportinguistas a arder em raiva e outros tantos benfiquistas inchados de orgulho porque venderam o novo melhor jogador do mundo.

Pessoalmente eu fiquei contente com a venda e com os valores negociados por uma razão principal. À parte a rivalidade entre clubes, gostaria de ver uma liga portuguesa competitiva, valorizada e respeitada, e por isso não consigo compreender as razões para tanta indignação leonina, quando foi para isso que esta venda contribuiu. É infrutífero compararmos jogadores diferentes e o seu valor porque esse mesmo valor é algo intangível. Aquilo que nós definimos como o valor de um jogador é apenas uma percepção que varia aos olhos de cada um de nós.

Dois dos jogadores que serão difíceis de segurar mas que nenhum sportinguista quer ver sair Fonte: Sporting CP
Dois dos jogadores que serão difíceis de segurar mas que nenhum sportinguista quer ver sair
Fonte: Sporting CP

Pessoalmente eu acho que os adeptos benfiquistas ficaram demasiado deslumbrados com a qualidade de Renato Sanches, e que fazem dele um melhor jogador do que o que ele é na realidade, apesar de reconhecer que é um jogador útil numa equipa. Compreendo também que foi um dos grandes responsáveis pela mudança de mentalidade da equipa em campo, porque, numa altura em que ninguém sabia o que fazer à bola, apareceu o miúdo e começou a levá-la para a frente. Isto para dizer que, na minha opinião pessoal, o acho um bom jogador, com potencial e útil numa equipa, mas não o considero o craque que muitos querem fazer parecer que é.

Se vale os 35 milhões mais todos os milhões extra que pode vir a valer? E porque não? E como ele valem muitos outros na liga portuguesa, porque o importante é o que se passa na mesa das negociações, uma cadeira que raramente foi bem ocupada pelos dirigentes leoninos que nunca souberam estar sentados em posição de força, e que felizmente também é uma das coisas que Bruno de Carvalho está a mudar no Sporting. Porque, caros sportinguistas, principalmente os que ficaram aziados com a venda do miúdo, não nos podemos esquecer de que em tempos o Daniel Carriço, promissor defesa central formado no Sporting, na altura já como capitão da equipa principal, foi vendido por cerca de 700 mil euros. Quando essa era a capacidade negocial do Sporting (mais um dos grandes trabalhos da direcção Godinho Lopes) não nos podemos indignar com o facto de outros clubes, mesmo que sejam rivais, terem melhores capacidades de negociação, principalmente porque esta venda também é boa para o poder de negociação do Sporting e de todos os outros clubes portugueses.

Malas e maletines, lá como cá

0

Cabeçalho Liga Espanhola

Malas, maletines e incentivos extra. Aqui por Espanha não se falou de outra coisa durante toda a semana. Um vendaval de suspeitas e de lama varreu a Liga Espanhola de alto a baixo, desde a luta pelo título – em que o Real Madrid precisa de uma ajuda do Granada – à luta pela manutenção, onde Getafe, Sporting de Gijón e Rayo Vallecano sabem que só um deles terá lugar na primeira divisão na próxima época.

À entrada para a última jornada, o Real Madrid está a apenas um ponto do Barcelona e, para ser campeão, precisa que o Granada tire pontos aos atuais líderes. O problema é que, com a vitória sobre o Sevilha na passada jornada, o Granada já garantiu a manutenção e, assim, não tem nada em jogo no confronto com o Barça. Ficou, então, criado o cenário perfeito para alimentar a suspeita de que o Real oferecerá dinheiro para incentivar o Granada, uma prática que é ilegal, tanto em Espanha como em Portugal.

Na luta pela manutenção também se levantam suspeitas. O Presidente do Rayo diz que há jogos comprados na Liga Espanhola, e há quem desconfie da vitória do Granada em Sevilha, por 1-4, num campo onde nenhum visitante tinha conseguido vencer esta época. Há também quem levante suspeitas sobre o Sporting – Villarreal, do próximo domingo. É que Marcelino, o treinador do Villarreal, esta semana desabafou: “Oxalá o Sporting se mantenha.” Marcelino é asturiano e, noutra situação, seria normal que torcesse pela salvação de um clube da sua terra. O problema é que o Sporting precisa de, no mínimo, empatar para sonhar com a salvação. Nesta semana, dizer “Oxalá o Sporting se mantenha” equivale a dizer “Oxalá o Villarreal não ganhe”, o que fica mal vindo do seu próprio treinador. Por outro lado, o Presidente da Liga, Javier Tebas, confirmou que o Real Sociedad (2) – Rayo Vallecano (1) está a ser investigado para apurar se alguns jogadores do Rayo se terão deixado derrotar propositadamente.

Granada festeja a manutenção, ainda antes da última jornada. Fonte: Facebook Oficial do Granada
Granada CF festeja a manutenção, ainda antes da última jornada
Fonte: Granada CF

Enfim, ainda me está a acompanhar, aí desse lado? Ou já o perdi por entre esta nuvem de suspeição que se levantou, de repente, em Espanha? Durante a semana, a imprensa explorou o assunto de todas as formas possíveis. Recordou casos antigos, com destaque para aquelas duas épocas consecutivas em que o Real Madrid perdeu o campeonato na última jornada, no terreno do Tenerife. Já foi há mais de duas décadas (em 1991/92 e 1992/93), mas vi comentadores e antigos jogadores discutirem o caso como se tivesse sido ontem. Esse caso ficou famoso porque Toño, o capitão de equipa do Tenerife, reconheceu ter recebido uma mala com 21 milhões de pesetas de incentivo. A imprensa recuperou também declarações de Messi na época 2006-07.

O Barcelona entrava para a última jornada em segundo lugar, atrás do Real Madrid, e Messi dizia-se a favor de pagar um incentivo extra aos jogadores do Maiorca, para que derrotassem o Real. Esta semana, toda a gente que se cruzou com um microfone em Espanha teve de responder sobre a existência das famosas malas. Muitos antigos jogadores e dirigentes confirmaram-na, enquanto que profissionais ainda no ativo como Casillas, Suárez ou Luis Enrique dizem que nunca as viram.

Finalmente, a propósito do Granada – Barcelona, a imprensa foi investigar quantos jogadores do Granada são, assumidamente, madridistas. Encontrou três: David Barral, Fran Rico e Jesús Fernández, todos com passagem pelas camadas jovens do Real Madrid e que garantiram que o incentivo extra que têm para a última jornada é poder ajudar o clube do seu coração. Barral, às tantas, desabafava: “La que vamos a liar”, que é como quem diz: “Os sarilhos em que nos vamos meter” (se ganharem ao Barça). E este é um dos principais problemas deste clima de suspeição sobre as malas. Cria-se esta situação paradoxal em que, se os jogadores forem sérios e fizerem aquilo que lhes compete – conseguindo travar o líder – ficarão sob suspeita. Se perderem, estará tudo bem. É assim com os jogadores do Granada e é assim também com os do Nacional.

Foto de capa: Granada CF

Artigo revisto por: Mafalda Carraxis

Os ‘retornados’ que nunca voltam a ver a Luz

0

sl benfica cabeçalho 1

A época está a poucas semanas do fim e a agenda mediática desportiva tem de ser cumprida. Já se falou nas malas, nos bate bocas entre as direcções do Benfica e Sporting, já se discutiu a idade do Renato Sanches e já foram lançadas infinitas tabelas das ditas ligas da verdade; ironicamente, todas diferentes. Já com o mês de maio a meio entra o mercado de transferências. Para o Benfica este ano não se tem falado de jovens sérvios ou sul-americanos, mas sim de velhas figuras da casa. O ditado já é velho, “o bom filho a casa torna”, mas será que precisamos deles?

Enzo Pérez

Fonte: SL Benfica
Fonte: SL Benfica

O argentino, que já vai na casa dos 30 anos, foi a notícia desta semana. Diz-se que ele quer voltar à Luz; curiosamente, na mesma semana em que se anunciou a venda de Renato Sanches ao Bayern (o actual detentor do lugar deixado em branco pelo argentino, aquando da sua partida para o Mestalla). É difícil não imaginar aqui a mão de Jorge Mendes…

Se ele agora viesse tinha lugar? Provavelmente. Mas será que o povo benfiquista o quer de novo? Ele que se mudou para um clube de dimensão inferior apenas por dinheiro? Ele que se mudou para um clube sem palmarés nesta década, ele que deixou a população benfiquista de coração na mão em janeiro… Será que quero quem muda, não para subir na carreira, mas por dinheiro? Pessoalmente, não o quero na Luz. É um médio com qualidades que aprecio, indubitavelmente, mas há que ensinar os mais novos e dar o exemplo de amor ao clube. Não existimos para dar esmola quando as coisas não correm bem. Lamento, Enzo. Obrigado por tudo, mas arca com as consequências da tua decisão. Com toda a certeza que arranjamos um bom substituto para mandar no nosso meio-campo.

Rugby Clube de Santarém: Um caso de sucesso

Cabeçalho modalidades

Terminados os campeonatos nacionais de seniores, é altura de reflectir sobre os passos dados pelos clubes para o seu próprio desenvolvimento e sucesso, bem como analisar a actuação da Federação Portuguesa de Rugby. Estudando os clubes na sua generalidade, há que dar destaque ao Rugby Clube de Santarém, um clube, tal como o seu nome designa, que representa a capital de distrito, bem como toda a região envolvente.

Inserido na I Divisão, o RC Santarém atingiu o terceiro lugar do Campeonato Nacional na época de 2015/2016, a sua melhor classificação de sempre. O clube foi fundado em 1995, e desde a época de 2011/2012 que está inserido no segundo escalão de rugby em Portugal. Como maior feito, destaque-se a conquista da Taça Shield de Portugal, nessa mesma época de 2011/2012.

A inauguração do Campo da Escola Prática de Cavalaria trouxe consigo mais atletas, mais adeptos e mais rugby a Santarém Fonte: João Maria Fortuna
A inauguração do Campo da Escola Prática de Cavalaria trouxe consigo mais atletas, mais adeptos e mais rugby a Santarém
Fonte: João Maria Fortuna

Desde sempre a (sobre)viver em frágeis condições, devido aos poucos recursos financeiros e às falsas promessas da Câmara Municipal de Santarém, os Cavaleiros pareciam estar destinados a ser um clube de pouca expressão, jogando num débil campo (Chã das Padeiras) o que também não facilitava a atracção de atletas, bem como a captação de jovens jogadores para os escalões de formação. Mas, por entre avanços e recuos, e muitas contrariedades à mistura, a capacidade de resiliência dos escalabitanos venceu e em 2014 deu-se a inauguração do novo campo (localizado na antiga Escola Prática de Cavalaria).

Esforço, Devoção, Dedicação e Glória

0

sporting cp cabeçalho 1O Sporting Clube de Portugal é, sem sombra de dúvidas, o clube que mais tem apostado nas modalidades ditas amadoras ao longo dos tempos, e com isso tem tirado os dividendos de ganhar vários títulos, e medalhas.

É um facto indesmentível, e que não pode ser branqueado pelo menor fulgor dos últimos anos, apesar das últimas vitórias europeias de Andebol e Hóquei em Patins.

Esse menor fulgor deve-se ao facto de outros clubes estarem agora também a apostar nas modalidades, criando-se uma maior competitividade, mas também ao facto de, em anos anteriores a esta direcção, termos desinvestido na vertente ecléctica do clube, o que permitiu que os adversários tivessem tempo de nos “apanhar” em termos qualitativos.

Nos últimos anos, a aposta tem sido grande, o investimento também, mas o mal está feito e será preciso tempo para recuperar os índices de glória de outros tempos.

É necessário tempo aliado a competência para que se formem equipas com espirito vencedor, que lutem até ao último segundo.

Para se conseguir isso, tempos que adquirir/formar os melhores jogadores, e contar com os conhecimentos técnicos dos melhores treinadores e directores em todas as vertentes.

O investimento financeiro ajuda a conseguir os recursos humanos que se considerem ter mais qualidade para a ideia de jogo e os valores que uma equipa segue, no entanto, como em qualquer empresa, um empregado pode ter o “jeito”/talento e não ter esses valores, o profissionalismo, a fidelidade à empresa que o emprega.

O trabalho promovido por toda a secção do Futsal do Sporting é um exemplo para todas as modalidades Fonte: Sporting CP
O trabalho promovido por toda a secção do Futsal do Sporting é um exemplo para todas as modalidades
Fonte: Sporting CP

Nem sempre o talento é suficiente. São necessárias também características como a honestidade, fidelidade, profissionalismo, dedicação. E por isso, nem sempre os grupos recheados dos melhores jogadores, conduzidos pelos melhores treinadores, formam a melhor equipa.

Poderia falar de muitas modalidades, ou de todas, mas vou exemplificar com três das mais mediáticas (retirando o atletismo, que apesar de importante tem sido esquecido, até pela própria comunicação social) que são, o Andebol, o Hóquei em Patins, e o Futsal.

Quanto ao Andebol, poderíamos dizer que este ano teríamos mais possibilidades de ganhar porque temos melhores jogadores, um treinador mais conceituado, no entanto foi no ano passado que conseguimos lutar por todas as competições até ao último fôlego. Este ano já não temos possibilidade de ganhar nenhuma competição, não tendo sequer possibilidade de competir em qualquer final.

Somos todos Renato! (e nem precisamos de máscara)

sl benfica cabeçalho 1

 

Nota introdutória: Aviso, desde já, que este texto versa sobre Renato Sanches e a sua transferência para a Alemanha. Insisto no tema, pese as mais recentes publicações, pois soa-me bem, quando se trata de bola e de Benfica, sublinhar que, por regra ditada popularmente, não existem duas sem três – o que me parece cada vez mais lógico e verdadeiro. Não procuro justificar a decisão do Bayern de Munique; não caio no ridículo (tão generalizado) de me passar por Ancellotti. No fundo, ofereço apenas mais uma caixinha de comentários para se manifestarem – com a vantagem de o poderem fazer no bom e velho português (18th door é engraçado, mas soa mal).

Que defeito crónico se adequaria melhor para descrever os portugueses em geral? Correndo o risco de cair em generalizações (sempre enganadoras e injustas) eu diria, quase imediatamente, que é a inveja. Num país em que o valor de alguém é medido, essencialmente, pela sua profissão e ordenado, acaba por se tornar natural a persistência de uma cultura de competição pouco saudável, normalmente assente, antes de tudo, no demérito ou infelicidade alheia: o sucesso do vizinho é sempre encarado dolorosamente; o fracasso com alívio.

Diria existir um caso exemplar: o de Cristiano Ronaldo. Dizem-me que se fosse futebolista nascido e criado no Benfica mais adeptos portugueses veriam nele um ídolo; se fosse de personalidade branda e relaxada muitos mais o acarinhariam em profunda admiração. Eu, pelo meu lado, não creio nessas razões. Para mim, muitos não gostam de Cristiano Ronaldo – pese a partilha da nacionalidade – apenas e só pela sua qualidade. Por ele ser bom naquilo que faz, por ser milionário e por não ter pudor em mostrar uns abdominais bem definidos. As pessoas que não gostam de Cristiano Ronaldo sentem-se ameaçadas pelo seu sucesso inatingível; e invejam a sua forma física. Por isso, o atacam e denigrem: antipatizam com o jogador e com o homem – neste país, há quem viva pior quando alguém é (mais) bem sucedido!

No emotivo mundo do futebol, estes odiozinhos endémicos e primários renovam-se com irritante e periódica regularidade, motivados pelas mais variadas razões, bastando, para tal, que alguém ouse destacar-se dos demais. O alvo, desta vez, chama-se Renato Sanches, jogador de 18 anos, titular do bicampeão Benfica, dínamo do líder do campeonato, revelação da temporada e reforço do Bayern de Munique por 35 milhões de euros – naquela que é, para já, “apenas” a terceira transferência mais alta da história do futebol, envolvendo um jogador desta idade (ou com menos). Não me debruçarei sobre o valor actual e o potencial futuro deste miúdo. Não procurarei justificar a decisão do Bayern de Munique em contratá-lo, nem cairei no ridículo (tão generalizado) de me passar por Ancellotti, futuro treinador dos bávaros, que aprovou um investimento que, muito provavelmente, atingirá no espaço de cinco anos o valor de 60 milhões de euros.

Julguei ingenuamente que o anúncio deste negócio tivesse o condão de devolver a clarividência a alguns adeptos que continuam a destilar ódio sobre Renato Sanches, um jovem que, como todos os da sua idade, vive o seu presente projectando legitimamente, para si, um futuro idílico pautado pelo êxito. Renato Sanches fá-lo com humildade e trabalho e com a dignidade que qualquer pai deseja poder vislumbrar, um dia, no percurso pessoal e profissional do seu próprio filho – pois, caro leitor, este miúdo de quem tanto já se disse é mais que um cromo de caderneta, é feito de carne e osso, e poderia perfeitamente ser seu familiar ou amigo.

“Não fui eu que escolhi o Sporting; foi o Sporting que me escolheu a mim”

sporting cp cabeçalho 1

Chegou a “silly season” de apontar culpados à não vitória do Sporting Clube de Portugal no campeonato português…

Ora bem, vamos lá ver se não me falta algum culpado:

  1. Foi o Carrillo, esse traidor que a meio/início da época decidiu ir para o nosso rival;
  2. Foi o Ruiz, ao falhar aquele golo escandaloso em Alvalade frente ao Benfica (e noutros jogos, nomeadamente Guimarães);
  3. Foi o Teo, que amuou na 2.ª volta e não queria regressar a Alvalade;
  4. Foi o Jesus, que teve pouca humildade e humilhou colegas de profissão;
  5. Foi o Bruno de Carvalho, que não sabe estar calado e fala demais;
  6. Foi a Direcção de Comunicação do Sporting, que não soube manter o presidente calado;
  7. Foram os adeptos, que cantaram de galo cedo demais;
  8. Foram os jogadores, que embandeiraram em arco cedo demais com a vantagem pontual perante alguns rivais;
  9. Foi a falta de experiência da equipa em saber lidar com a pressão;
  10. Foram as lesões nos centrais do Sporting;
  11. Foram os jogadores que Jesus pediu e acabaram nos rivais (e outros simplesmente não vieram);
  12. Foi o William, que quebrou;
  13. Foi o facto de termos mandado o Montero embora por meia dúzia de tostões e apanhar um velho Barcos…
Estes jogadores derão tudo o que lhes foi permitido dar Fonte: Sporting CP
Estes jogadores deram tudo o que lhes foi permitido dar
Fonte: Sporting CP

São tantas as teorias, são tantas as ideias dos adeptos, são tantas as imposições da comunicação social para fazer parecer que o Sporting está em crise… Não, não estamos em crise.

Sim, podemos não ganhar o campeonato, mas ninguém o prometeu, ninguém garantiu isso. Ficou garantido, sim, que iríamos lutar até ao fim. Alguém acreditava que na última jornada o campeão ainda não estaria decidido?

Querem melhor maneira de cumprir a promessa do que lutar até ao último minuto? Sim, não dependemos de nós próprios, mas também dependemos de nós.

Tudo o que esta Direcção, este treinador, os jogadores e os adeptos prometeram cumpriram.

A Direcção a dirigir, o treinador a comandar, os jogadores a deslumbrar e os adeptos a gritar…