
Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google
O CD Santa Clara já conta com a terceira participação seguida no primeiro escalão e está a fazer uma época bastante regular, militando na 7.ª posição da Primeira Liga. Orientada pelo mister Daniel Ramos, a equipa açoriana tem ideias de jogo bastante vincadas, valoriza muitos jogadores e pratica um futebol simples e eficaz. Observei vários jogos deste conjunto de modo a perceber um pouco as suas dinâmicas e o resultado foi este. Venham daí.
Onze Base
Sendo uma equipa bastante rotativa e um plantel com boas opções, a equipa de Daniel Ramos sofreu muitas mudanças ao longo do campeonato. Por isso, escolhi o que considero ser mais forte de acordo com as ideias da equipa técnica.
GR: Marco Batista
DD: Rafael Ramos
DC: Fábio Cardoso
DC: Mikel Villanueva
DE: Mansur
MC: Hidemasa Morita
MC: Anderson Carvalho
MO: Lincoln
AC: Cryzan
AC: Carlos Jr.
EE: Allano
Um 4-3-3 no papel que sofre várias mutações em campo, como vou mostrar nos quatro momentos do jogo que vou mostrar (exceto bolas paradas).
Organização ofensiva
OO
1ª fase de construção:
– construção a 3 com 2DC e LE
– LD (R. Ramos) e EE projetados
– 1º médio (Morita) aproxima aos centrais
– 2º médio (A. Carvalho) entre 1ª pressão e linha média do lado esquerdo
– MO (Costinha) na linha dos avançados
– 3x2x5
– Mikel e Morita com + bola pic.twitter.com/blTuXaE6Wl— jaimesilvapics (@jaimesilvapics) March 8, 2021
1ª fase de construção
– A equipa de Daniel Ramos sai a jogar com três defesas, com o lateral esquerdo a assumir a linha dos centrais.
– Lateral direito (Rafael Ramos) projeta-se na ala, extremo esquerdo faz o mesmo na linha horizontal do lateral direito.
– 1.º médio (Morita) aproxima e recebe junto aos três defesas.
– 2.º médio (Anderson Carvalho) posiciona-se entre a 1.ª linha de pressão e linha média mais do lado esquerdo, de modo a atrair a pressão adversária para junto dele e poder explorar a projeção de Rafael Ramos e do extremo esquerdo.
– O médio ofensivo posiciona-se junto aos avançados, formando uma linha de três, mas este com mais liberdade posicional.
– Os dois avançados Cryzan e Carlos Jr fixam ao lado do médio ofensivo de modo a desorientar a linha defensiva adversária. Para poder explorar a profundidade e sobrecarregar as marcações individuais da linha defensiva adversária, o que vai obrigar a um maior esforço defensivo dos alas e dar mais espaço à construção da equipa.
– A equipa tende a construir curto e com paciência desde trás, mas não teme em jogar longo se acontecer uma diagonal interessante de um atacante. Contudo, sempre com esse critério.
– Na primeira fase de construção a equipa forma um género de um 3-2-5.
– A equipa explora claramente os corredores laterais, sendo os corredores onde a equipa cria mais perigo.
– O jogador mais influente na construção é Mikel Villanueva, mas desde a chegada de Hidemasa Morita em Janeiro que se têm igualado nesse aspeto.
– Os jogadores que mais recebem da linha de três tendem a ser os alas (Rafael Ramos e extremo esquerdo), contudo, os dois médios também são opção para fazer essa ligação com os alas, aumentando a imprevisibilidade nesta fase.
Zonas de criação e finalização
OO
Criação e finalização:
– lateral com timing e espaço -> momento de aceleração
– papel do MO (Lincoln) – neste exemplo arrasta marcações pedindo no pé e abre espaço para Carlos Jr na ala
– Carlos Jr descai – Cryzan na área
– 1/2 jogadores entrada da área
– EE no 2º poste pic.twitter.com/xivocdTtco— jaimesilvapics (@jaimesilvapics) March 8, 2021
– O momento de aceleração acontece quando a bola chega aos alas e eles têm timing e espaço para conduzir ou explorar rapidamente a profundidade dada pelos avançados.
– Os defesas centrais (Fábio Cardoso e Mikel) exploram por vezes a condução com bola, sendo Mikel o mais perigoso nesta dinâmica dada a sua qualidade com bola no pé.
– A imprevisibilidade de movimentos do médio ofensivo é determinante quando a bola entra no ala. Ou sobe e explora a profundidade com o apoio dos avançados formando uma linha de três, ou recua e dá um apoio entrelinhas ao portador ou até descai na ala para arrastar marcação e poder combinar com o lateral.
– A equipa aposta na superioridade numérica nos corredores laterais já em zonas de criação.
– Esta superioridade é usada para aproveitar as “overlaps” dos alas que potenciam depois o cruzamento em zonas de desequilíbrio.
– Aquando da bola na ala, Carlos Jr descai no corredor da bola e Cryzan fixa-se na área. E vice-versa.
OO
Criação e finalização:
– bola entra no ala -> timing e espaço -> momento de aceleração
– neste exemplo, médio junta-se aos avançados, forma-se uma linha de 3 e procuram rapidamente a profundidade -> explorar explosão, velocidade e surpreender a linha def. adversária pic.twitter.com/EYlsVRFHOb— jaimesilvapics (@jaimesilvapics) March 8, 2021
– A maior ameaça da equipa em criação é claramente através de cruzamentos para a área, devido ao poderio em duelos e facilidade de finalização de Carlos Jr e Cryzan. Sete golos no campeonato com recurso a cruzamentos.
– A equipa tende a colocar um e/ou dois jogadores à entrada da área nos cruzamentos.
– Se o médio ofensivo consegue receber entrelinhas, tanto Cryzan como Carlos Jr exploram rapidamente a profundidade.
– Extremo esquerdo e lateral direito atacam o segundo poste nos cruzamentos.
Transição defensiva
TD
– local de perda – lançamentos e/ou junto à área
– dificuldades controlo da profundidade
– jogadores mais perto tentam recuperar
– mais recuados reorganizam
– espaços entre defesas e entrada de área -> equipa demora a organizar
– bola à entrada de área -> sai por cima pic.twitter.com/jSo6nEhn3R— jaimesilvapics (@jaimesilvapics) March 8, 2021
– Jogadores mais pertos da zona da perda reagem de forma intensa e pressionam o portador, mas quando esse jogador larga a bola não têm o “mindset” de fechar rapidamente os espaços.
– A equipa tem dificuldades em controlar a profundidade nas transições, nomeadamente os centrais.
– Tende a perder a bola em zonas junto à área adversária e em lançamentos laterais ofensivos.
– Após a perda e já em zonas mais defensivas, a equipa tem dificuldade em controlar os espaços quando a bola é jogada na largura: abre-se espaço entre defesas no lado da bola e também junto à área, devido ao facto de os jogadores que recuam se concentrarem demasiado junto à baliza.
– Após a perda, o principal objetivo da equipa de Daniel Ramos é reorganizar-se, apesar de os jogadores mais perto do portador serem agressivos na pressão.
– O bloco defensivo tende a recuar pós perda da bola, devido à dificuldade no controla da profundidade.
TD
– mais um exemplo de perda de bola no lançamento ofensivo
– bola rápida nas costas da defesa
– Fábio Cardoso não consegue fazer a cobertura a Mikel
– demora na reorganização -> dificuldade no controlo da largura em transição
– bola no coração da área -> golo de Meshino pic.twitter.com/CzXlllNsxP— jaimesilvapics (@jaimesilvapics) March 8, 2021
Organização defensiva
OD
– bloco médio/alto
– 4x3x3 manipulável no 4x4x2 -> lateral adv -> 1ºex
– MO (Costinha) fixa a 1ª pressão
– 1ª pressão passiva – intensa nas alas
– marcação à zona com 1/2 referências individuais
– bloco alto – espaço entrelinhas -> 2ºex
– 1ºex – blocos compactos pic.twitter.com/ZSX0UEkDXi— jaimesilvapics (@jaimesilvapics) March 8, 2021
– Momento mais difícil de análise devido à clara e boa adaptação às características ofensivas do adversário.
– A equipa organiza-se num 4-3-3 com o médio ofensivo a fixar a 1.ª linha de pressão. Um 4-3-3 que se pode tornar num 4-4-2 se um dos laterais adversários se projetar (um dos avançados baixa para a linha média).
– A equipa tende a jogar em bloco médio ou médio alto, raramente ou nunca em baixo.
– A 1.ª linha de pressão tende a ser passiva, mudando para alta intensidade quando a bola entra nos corredores laterais, que é para onde é forçada essa pressão.
OD
– 1 ª imagem – superioridade numérica nas alas -> falta de cobertura ao lateral -> espaço entre defesas
– 2ª e 3ª imagem – linha def. obrigada a recuar -> linha compacta e junta -> espaços no corredor contrário -> forte compensação dos alas pic.twitter.com/YcTYcUENRt— jaimesilvapics (@jaimesilvapics) March 8, 2021
– As marcações são feitas geralmente à zona, com exceção de uma/duas marcações individuais, normalmente a jogadores mais velozes e desequilibradores.
– O espaço entrelinhas tende a ser um problema devido à falta de uma referência em frente à linha defensiva (Anderson Carvalho e Morita alternam entre si) e à criação de uma linha média horizontal de três em organização defensiva (posicionamento subido).
– O comportamento aéreo não é um problema devido à capacidade dos centrais neste momento do jogo. A consequente 2.ª bola também não compromete esta equipa devido ao seu compromisso defensivo.
– Dificuldades da linha defensiva no controlo da profundidade.
– Quando é obrigada a recuar, a linha defensiva mostra-se compacta e mais junta, abrindo espaços nas alas, com forte participação dos alas neste processo defensivo.
– Quando os laterais são atraídos para os corredores laterais em zonas junto à área, os centrais tendem a permanecer na área e nenhum dos médios fecha esse espaço na linha defensiva maior parte das vezes. Esta situação provoca um buraco enorme junto da baliza.
Transição ofensiva
TO
– momento menos forte da equipa
– quando recupera em zonas centrais explora rápido a profundidade -> passe sai curto pic.twitter.com/TeEhYOsucc— jaimesilvapics (@jaimesilvapics) March 8, 2021
– Momento não tão forte da equipa, tendo apenas um golo marcado decorrido de uma transição.
– A reação ao ganho da bola é intensa.
– Se recupera em zonas avançadas, a equipa ataca rápido a baliza adversária.
– Se recupera em zonas recuadas, a equipa tende a preferir manter a posse de bola.
– Procura rápida da profundidade, falta de opções a procurar bola no pé.
– Dificuldades na articulação, jogadores longe uns dos outros.
– Linha defensiva e um dos médios ficam sempre a equilibrar atrás.
TO
– principal razão de não ser tão forte neste momento:
– recupera a bola nas alas -> lateral faz overlap -> Cryzan prefere reorganizar e jogar atrás pic.twitter.com/f6zPdbIXYY— jaimesilvapics (@jaimesilvapics) March 8, 2021
– Carlos Jr é o jogador mais influente devido à sua inteligência a atacar o espaço vazio.
– Foco nos corredores laterais.
– Imprevisibilidade e polivalência do médio mais ofensivo.
– Forte aposta nos cruzamentos.
– Procura da profundidade dada pelos avançados.
– “Overlaps” dos laterais/alas.
– Paciência na posse de bola do conjunto de Daniel Ramos.
– Aposta no jogo longo com critério.
– Jogadores inteligentes a receber dentro dos blocos adversários.
Defensivas
– Agressividade na pressão ao portador.
– Entreajuda nos duelos (2.ª bola).
– Marcação espacial.
– Adaptação ao adversário.
– Preocupação com a referência ofensiva adversária (forte concentração na área).
– Linha defensiva compacta.
– Equipa comprometida no processo defensivo (todos os jogadores participam).
TO
– único golo na Liga em transição. O q correu bem?
– linhas compactas -> sem espaço entrelinhas
– rápida saída dos jogadores mais ofensivos
– atração de um central por parte de Costinha (3ª imagem)
– linha def. e 1 médio a dar equilíbrio – padrão
– Carlos Jr no espaço – golo pic.twitter.com/4eqXH60XaA— jaimesilvapics (@jaimesilvapics) March 8, 2021
Principais debilidades
– Falta de uma referência à frente da defesa (médios formam uma linha).
– Dificuldades no controlo da profundidade (centrais um pouco lentos).
– Dificuldades no controlo da largura na transição (laterais participam muito no processo ofensivo).
– Daniel Ramos tem um conjunto com dificuldades nas coberturas em organização defensiva.
– Espaço entre central e lateral quando a bola está no corredor lateral.
– Falta de cobertura dos médios nesse espaço.
– Quando a bola está descoberta, a linha defensiva encontra-se pouco ativa, o que abre espaço nas costas.
– Dificuldades em fechar o espaço à entrada de área (concentração na área).
– Falta de capacidade de criar perigo em transição.
Principais figuras
Mikel Villanueva – Apesar de algumas dificuldades defensivas, a capacidade e a sua relação com bola tornam Mikel num jogador fundamental para Daniel Ramos no processo ofensivo da equipa. Critério, qualidade na condução, qualidade de passe e visão de jogo. Bom central.
Fábio Cardoso – Central mais decisivo no aspeto defensivo, apesar de ser um pouco lento e mostrar algumas dificuldades no timing de saída ao portador. Contudo, é decisivo nos duelos aéreos e no chão, no desarme e é forte na leitura de jogo, que lhe permite encurtar espaços e controlar os atacantes adversários. Muito aguerrido e agressivo.
Hidemasa Morita – Chegou em Janeiro, mas já agarrou a titularidade e assume-se como uma das contratações da época. Possui uma grande qualidade de passe, inteligência posicional, chegada à área e capacidade de finalização. Excelente reforço.
Carlos Jr. – O avançado brasileiro tem sido uma das figuras deste Santa Clara. Conta com oito golos e duas assistências na época, alia inteligência a explorar os espaços a uma grande capacidade de se associar com os colegas e qualidade na finalização. Determinante.
Cryzan – Companheiro de Carlos Jr. no ataque da formação de Daniel Ramos, tem sido tão influente como o colega. Leva quatro golos e quatro assistências na época, mas oferece muito mais à equipa. O seu poderio físico permite-lhe ganhar bastantes duelos e jogar de costas para a baliza, mas também ser uma referência na área. A sua irreverência e arrogância com bola tornam-lhe num jogador entusiasmante e importante nesta equipa.









