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Jogo Limpo: Análise à 9.ª Jornada da Primeira Liga

Rui Pedro Cipriano · 7 min

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Cabeçalho Futebol Nacional

Damos início esta semana a uma rubrica semanal sobre a arbitragem portuguesa. Uma rubrica que não pretende vir a ser mais uma polémica dentro da polémica que já é o nosso futebol português, mas onde o que é pretendido é explicar possível aos nossos leitores, através da minha experiência na arbitragem, as leis de jogo aplicadas no jogo jogado, e se são ou não corretamente aplicadas.

Não sou nem serei sempre o dono da razão, pelo que está será sempre a minha visão pessoal, aberta à não concordância, sobre os casos da semana. E tendo sempre como base a experiência pessoal que tive como árbitro, durante três épocas desportivas na AF Castelo Branco.  

CD Feirense – Rio Ave FC

– Braço na área de Marcão, Rio Ave FC, aos 13 minutos

Decisão Correta: Este é um lance muito complicado de se justificar e, não estando na cabeça do árbitro, aquilo que eu posso dizer é que os árbitros, por indicação do Conselho de Arbitragem, foram aconselhados a desvalorizar o facto de um jogador colocar os braços atrás das costas, não sendo isso impeditivo de marcação de falta se a bola embater no braço. Aquilo que é dito aos árbitros é que terá que ser a equipa de arbitragem a avaliar se o jogador tirou partido dos seus braços para cortar a trajetória da bola ou não, independentemente de os braços estarem colocados atrás das costas. Neste caso, e com o auxilio do vídeo-árbitro, parece-me que a equipa de arbitragem entendeu que o jogador do Rio Ave, Marcão, não tirou partido dos braços para cortar a trajetória da bola, pelo que a decisão de não assinalar falta tem que ser considerada correta.

 

– Expulsão de Rocha, CD Feirense, aos 35 minutos

Decisão Incorreta: Se no primeiro amarelo a Rocha não há nada a dizer, sendo um entrada negligente sobre Geraldes, este já deixa algumas dúvidas. Após um lance de confusão na área, o jogador do Feirense acaba por tocar com o braço na bola enquanto estava no chão; visionadas as imagens, podemos constatar que Pelé dá um toque da bola muito perto de Rocha, enquanto este vinha a fazer um carrinho, acabando a bola por embater no braço do Rocha. A Lei 12 sobre lances deste género diz o seguinte: “O árbitro deve ter em consideração os seguintes critérios: o movimento da mão na direção da bola (e não a bola na direção da mão) e a distância entre o adversário e a bola (bola inesperada)”.  Pegando nestes dois critérios que a Lei 12 menciona, não acho que houvesse lugar para a marcação de falta pois Pelé toca a bola muito perto de Rocha, e fazendo deste lance uma bola inesperada.

 

– Expulsão de Bruno Teles, Rio Ave FC, aos 54 minutos

Decisão Correta: Dois amarelos bem mostrados por duas faltas negligentes de Bruno Teles; nada a dizer.

 

– Golo anulado a Tarantini, Rio Ave FC, aos 57 minutos

Decisão Correta: Lance de difícil análise, mesmo com recurso às imagens televisivas. O árbitro anula o golo a Tarantini devido a um toque nas costas do defesa do Feirense. As imagens não conseguem esclarecer muito bem se o toque é forte ou algo de leve, casual do jogo, pelo que neste caso dá-se o beneficio da dúvida ao árbitro que estava em campo e perto do lance, aceitando-se a sua decisão.

 

– Grande penalidade sobre Guedes, Rio Ave FC, aos 59 minutos

Decisão Incorreta: Um dos piores erros em que um árbitro pode cair é o de perder o seu critério, e Rui Oliveira perde o seu neste lance. Se aos 57 minutos anula um golo a Tarantini por um toque nas costas do defesa do Feirense, aqui tinha que ser marcada a grande penalidade a favor do Rio Ave pelo toque nas costas do defesa do Feirense em Guedes.

 

– Grande penalidade sobre Etebo, CD Feirense, aos 64 minutos

Decisão Incorreta: O árbitro atravessava claramente um período mais nervoso no jogo e cometeu outro erro neste lance. Mesmo após a consulta do vídeo-árbitro, Rui Oliveira não viu a maneira negligente como Marcelo interrompeu o prosseguimento da jogada de Etebo. É bem percetível nas imagens televisivas a “joelhada” que Marcelo dá em Etebo, que já tinha passado a bola pelo defesa vila-condense.

 

– Expulsão de Marcão, Rio Ave FC, aos 75 minutos

Decisão Correta: Muito útil o vídeo-arbitro aqui. Após uma primeira análise do árbitro em campo, que classificava a falta de Marcão como falta negligente e, como tal, admoestando o central com cartão amarelo, o visionamento das imagens trouxe justiça à decisão. Podemos constatar que foi uma falta com força excessiva, o que deve ser sancionado com o cartão vermelho e não amarelo. A Lei 12 é muito especifica neste caso” um jogador é passível de ser expulso ao tornar-se culpado de uma falta grosseira”. Muito bem o contacto entre o árbitro e o vídeo-arbitro neste lance.

Vitória FC – CS Marítimo

 

– Grande penalidade sobre Gonçalo Paciência, Vitória FC, aos 64 minutos

Decisão Correta: O jogador do CS Marítimo, Zainadine, tem uma abordagem perigosa ao lance mas corta a bola de forma legal, pelo que não havia lugar à marcação de grande penalidade.

 

Expulsão de Fábio Pacheco, CS Marítimo, aos 65 minutos

Decisão Correta: Duas entradas negligentes sobre Gonçalo Paciência, dois amarelos e respetiva expulsão para Fábio Pacheco, nada a acrescentar.

FC Porto – FC Paços de Ferreira

Golo anulado a Felipe, FC Porto, aos 55 minutos

Decisão Correta: Tudo legal no lance com o remate de Felipe, tudo mal com a colocação de Aboubakar. Apesar de não ser percetível se o camaronês chega a tocar na bola, faz-se à mesma em posição de fora de jogo, interferindo assim com o julgamento do guarda-redes, pelo que foi bem decidido, por parte do arbitro, anular este golo. A lei 11 refere: “um jogador está em fora de jogo quando: tenta claramente jogar a bola que se encontra junto a si quando esta ação tiver impacto num adversário ou tomando uma ação óbvia que tenha um impacto claro na capacidade de o adversário jogar a bola.”

CD Tondela – CF “Os Belenenses”

– Expulsão de Åhman-Persson, CF “Os Belenenses”, aos 45 minutos

Decisão Correta: Que o médio sueco pisou o seu adversário, não há margem para dúvidas, se o fez no intuito de magoar o seu colega de profissão ou foi apenas um “acidente”, é a dúvida que fica. O árbitro, perto do lance, viu bem e não teve dúvidas ao decidir expulsar o jogador do Belenenses. O que se aceita, tendo em conta as imagens.

CD Aves – SL Benfica

Grande penalidade sobre Diogo Gonçalves, SL Benfica, aos 28 minutos

Decisão Correta: Uma entrada negligente por parte de Washington sobre o jogador do Benfica, Diogo Gonçalves, e penalty bem assinalado. Ficou, no entanto, o amarelo por mostrar ao jogador do Desportivo das Aves; tendo o arbitro classificado a entrada apenas como imprudente.

 

– Falta sobre Nildo Petrolina, CD Aves, aos 76 minutos

Decisão Incorreta: Jonas claramente estorva a ação de Nildo Petrolina ao embater contra ele pelas costas. Falta que ficou por assinalar, a Lei 12 não deixa dúvidas: “ Um pontapé-livre direto é concedido à equipa adversária do jogador que cometa uma das seguintes infrações por imprudência, negligência ou com força excessiva: (…) empurrar um adversário.”

 

– Grande penalidade sobre Pizzi, SL Benfica, aos 78 minutos

Decisão Correta: Provavelmente, o lance mais discutível e polémico da noite. Para mim, existe penalty porque o jogador do CD Aves estorva a ação do Pizzi ao puxar-lhe a camisola. O médio acaba por tirar proveito disso, ainda assim, lance à margem. Novamente lei 12 : “ Um pontapé-livre direto é concedido à equipa adversária do jogador que cometa uma das infrações seguintes: (…) agarrar um adversário.” Apesar de ser um lance precedido de falta é um penalty legal.

Sporting CP – GD Chaves

Grande penalidade sobre Gelson Martins, Sporting CP, aos 31 minutos

Decisão Incorreta: Apesar de Gelson se fazer claramente à falta -o que terá levado o árbitro, numa primeira decisão, a decidir-se pela simulação – após o visionamento das imagens percebe-se que Bressan ao tentar chegar à bola acaba por atingir a perna de Gelson, Contudo, e ao não tocar na bola, devia ter sido dado lugar à marcação da grande penalidade.
Muito mal o árbitro ao conferir as imagens e mesmo assim não voltar atrás na decisão; é por decisões destas que a credibilidade do VAR vai continuar a sofrer, uma das típicas faltas que se fosse fora da grande área eram marcadas sem a menor dúvida.

 

– Golo anulado a Doumbia, Sporting CP, aos 79 minutos

Decisão Correta: Bas Dost, que faz o passe para a finalização de Doumbia, estava em posição de fora de jogo quando a bola sai dos pés de Coentrão. Boa decisão.

Sabias que…

Na arbitragem existem três palavras-chave para se entender a gravidade de uma falta na ótica de um árbitro. Essas palavras-chave estão explicadas no livro das regras da FIFA:
• Imprudência: significa que o jogador mostra falta de atenção ou consideração ao entrar sobre um adversário, ou que atua sem precaução. Não é necessária qualquer sanção disciplinar.
• Negligência: significa que o jogador atua sem ter em conta o perigo ou as consequências do seu ato para o seu adversário e deve ser advertido.
• Força excessiva: significa que o jogador faz um uso excessivo da força colocando em perigo a segurança de um adversário e deve ser expulso.

 

Por isso sempre que quiseres consultar os relatórios dos árbitros, irás encontrar esta linguagem escrita para descrever um lance de cartão amarelo ou vermelho, é a linguagem técnica usada na arbitragem.

Foto de Capa: APAF

Rui Pedro Cipriano

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