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O Passado Também Chuta: A final das finais do Euro

José Luís Montero · 4 min

O Passado Também Chuta: A final das finais do Euro

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o passado tambem chuta

Não se ouve outra frase, é a verdade; é o desejo, é a ambição da glória: “As finais são para ganhar…”. Ninguém fala em jogar, maravilhar os espectadores; fala-se na ambição de ganhar. É a negação do velho conceito do desporto. Por isso, escrever sobre a final mais memorável do Europeu de Seleções é difícil e nunca se acerta, porque as finais são memoráveis porque há um vencedor e são memoráveis para o vencedor. No entanto, tivemos finais simpáticas, como aquela em que a Dinamarca se sagrou campeã derrotando a Alemanha. A Dinamarca era uma seleção pequena que logrou derrotar uma grande potência.

Espanha, anos mais tarde, em 2008, por terras da Suíça e da Áustria, também derrotou a poderosa Alemanha e iniciou, pela mão de Luís Aragonês, quase uma década prodigiosa. O Sábio de Hortaleza, depois da vitória, afirmou que a base para uma seleção vitoriosa estava arquitetada. E assim foi. Mas, no caso espanhol, existiu uma virtude para além do feito de ganhar: Luís Aragonês transformou o mito espanhol do futebol-força e do futebol impetuoso pelo futebol do toque, do lateralizar, do esconder a bola ao adversário, do arriscar no momento certo ou pela genialidade do pé do habilidoso. Existiu criação.

A festa espanhola Fonte: UEFA
A festa espanhola
Fonte: UEFA

Luís Aragonês treinou até bem perto da hora do adeus. Viu a sua obra caminhar guiada por outros, mas viu como o que criara fora uma obra perfeita. Os gurus da informação ou opinião acompanhados pelos arautos da clubite começaram a associar a grande obra a uma cópia do futebol do Barcelona. Falso. Aragonês explicou e bem: disse que analisou e concluiu que, perante o futebol pujante das grandes equipas da Europa, Espanha só teria possibilidade de vencer se escondesse a bola e, para isso, Espanha tinha uns “bajitos” maravilhosos. Conseguiu criar um grupo de irmãos e camaradas e nesta lavoura teve grande importância o guarda-redes suplente Reina. Selecionou jogadores de toque: Xavi, Silva, Cesc e uma dupla de centrais indomáveis como Puyol e Marchena. Meteu-os a levar a bola de um lado para outro; retirou o brinquedo aos impetuosos. E a Alemanha de jogadores como Ballack, Podolski ou Klose viu como quatro rodas-baixas lhe roubaram a boneca e a Taça desejada. Esta final alterou, definitivamente, a apreciação que existia do futebol espanhol.

O estádio Ernst Happel, de Viana de Áustria, estava colorido. Uma das claques, a alemã, confiava; a outra, a espanhola, sonhava. Alemanha entra no jogo forte e vigorosa. Domina. A dupla central espanhola, Puyol e Marchena, resiste e transforma-se num muro. Espanha e os seus pequeninos começam a ter a menina dos olhos bonitos. O ballet do toca-dá-passa para trás e para a frente começa. Xavi coloca a bola no espaço de Fernando Torres; Lahm não pode fazer nada e Lehmann recolhe a bola do fundo das redes. Espanha recomeça o jogo no jogo do esconde-esconde e eles não a encontram; Alemanha mete sobre o relvado todo o seu vigor, mas a manha dos espanhóis consumiu o jogo, e chegam vitoriosos ao momento do apito final. Espanha saiu à rua. Os jogadores e os membros da comitiva foram recebidos como heróis em Madrid. Esta guerra mudara o futebol espanhol.

TOP 5 DAS FINAIS DE CAMPEONATOS DA EUROPA

O Campeonato de Europa de Seleções não chega à vintena, por isso seria demasiado pretensioso ir além das que marcaram época ao estar associadas a revelações ou mudanças de rumo radicais.

5.º – Final de 2004. Foi uma final de triste memória para Portugal. A seleção portuguesa estava recheada de craques mundiais e jogava em casa, concretamente no Inferno da Luz. No entanto, apareceu uma Grécia vinda do nada futebolístico que derrotou a seleção que somava todos os favoritismos. A excelência futebolística representada por Luís Figo, Deco ou Rui Costa encalhou perante uma equipa dura. Portugal perdeu por 1-0.

4.º – Final de 1988. A União Soviética apareceu mais uma vez numa final do Europeu de Seleções. No entanto, tropeçou com a Holanda de Marco Van Basten. Holanda ganhou 2-0. Para além de ser uma seleção de talentos, o seu futebol foi de excelência.

3.º – Final de 1992. Foi o campeonato nórdico. Disputou-se na Suécia e saiu vencedora uma seleção que não entrava nos pronósticos: a Dinamarca. Derrotou a poderosa Alemanha por 2-0. O futebol dinamarquês maravilhou os amantes do futebol.

2.º – Final de 1960. Esta final tem, além de ser a primeira, o valor simbólico da aparição da União Soviética no panorama internacional. Numa final disputadíssima a União Soviética venceu a Jugoslávia por 2-1 no prolongamento. O mundo do futebol deslumbrou-se com o Aranha Negra.

1.º – Final de 2008. Defrontaram-se Espanha e Alemanha. Esta final marcou uma nova forma de jogar de Espanha e foi onde o treinador Luís Aragonês mostrou todo o seu talento e toda a sua criatividade. Fernando Torres marcou o golo solitário da vitória.

Esperemos que o Portugal-França que se viverá hoje entre, no próximo Campeonato, para o 1.º lugar do TOP.

José Luís Montero

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