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Olheiro BnR – Galatasaray

Levon Kaya · 4 min

Olheiro BnR – Galatasaray

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Galatasaray, o maior clube da Turquia. Ainda que os adeptos do Beşiktaş ou do Fenerbahçe não queiram aceitar esse facto, o nosso sucesso na Turquia e na Europa é maior do que o deles. Somos o clube que torna o futebol turco reconhecido na Europa. Quando se fala em Turquia, automaticamente se pensa em Galatasaray. Para nós, não se trata apenas de um clube; acordamos com Galatasaray, vivemos com ele, dormimos com ele. Por vezes nem dormimos, porque o clube perdeu um jogo ou ganhou uma importante partida. Talvez seja um pouco cliché afirmar que não é justo comparar o futebol na Turquia com o dos outros países, visto que os adeptos turcos são bastante fanáticos, mas a verdade é que a paixão é imensa, a atmosfera é diferente e os fãs são incríveis. O nosso estádio, Türk Telekom Arena Ali Sami Yen Spor Kompleksi, o inferno na terra para os adversários, é a casa do Galatasaray e da sua maior claque de adeptos, ultrAslan.

UltrAslan são os melhores adeptos do mundo, os mais audíveis (de acordo com o Guinness World Records), os fãs com as maiores e mais inovadoras demonstrações de amor ao clube: o verdadeiro 12.º jogador da partida. Apoiamos a nossa equipa em todo o lado e fazemos de cada lugar um inferno. Impossível é não ficar impressionado com os adeptos no nosso estádio. Fazem os adversários perder a sua concentração. Mesmo grandes jogadores tiveram de reconhecer que os nossos fãs são extraordinários. Como disse Maldini, “ninguém conseguirá fazer-me acreditar que estão lá 23 mil apoiantes” (o nosso estádio antigo tinha capacidade para acolher 23 mil pessoas, e o de agora 52500). Também Edgar Davids se pronunciou: “se tivéssemos adeptos como estes, seríamos campeões todos os anos”. É difícil explicar quão fantásticos são os nossos adeptos. Mas acreditem em mim, caros portugueses: na quarta-feira vão ver e experienciar o inferno na terra.

Como disse, o futebol é diferente na Turquia. Quando uma pessoa conhece alguém, perguntar-lhe-á de que clube é, antes mesmo de querer saber o seu nome. Quando o meu clube perde, por exemplo, não saio de casa no dia seguinte nem vejo notícias. Deixo-me ficar irritado em casa. O clube que apoiamos pesa também ao nível dos relacionamentos. Eu, tal como muitos outros, nunca irei casar-me com uma rapariga que não seja adepta do Galatasaray. É impossível. Quando morrer, quero ser enterrado com uma camisola do meu clube vestida, tal como muitos outros fãs pretendem fazer. Dizemos sempre que podemos mudar de mulher, de família, de religião, de namorada, mesmo de vida, mas nunca poderemos mudar o clube que apoiamos. Ainda que muita coisa possa terminar ao longo da nossa vida, a paixão pelo nosso clube vai manter-se. O teu clube é algo que sempre te fará feliz e te fará esquecer os teus problemas.

A equipa tem alguns bons jogadores, como Podolski, Fernando Muslera, Burak Yılmaz e, claro, Wesley Sneijder. Não fizemos grandes transferências esta época, à exceção de Podolski, e penso que isso seja a justificação dos nossos maus resultados na Liga dos Campeões. Os jogadores da equipa estão a habituar-se uns aos outros, e isso é visível nos resultados alcançados na Turquia. A boa notícia é que todos os atletas, excluindo o lesionado Hamit Altıntop, podem jogar contra o Benfica.

"O inferno na terra"; Fonte: Facebook oficial dos UltrAslan
“O inferno na terra”
Fonte: Facebook oficial dos UltrAslan

O melhor jogador da equipa é Sneijder, definitivamente. Não creio que precise de falar muito sobre ele. O Benfica deve ter receio. Antes de chegar ao Galatasaray, todos dizíamos que ele vinha apenas pelo dinheiro, mas a paixão que tem demonstrado pelo clube é algo maravilhoso de se ver. Ele ama o clube e joga cada partida com o seu coração. Mesmo quando houve um problema com o pagamento do seu salário ele continuou a lutar como um soldado. Não interessa para ele se a equipa está a ganhar por 3-0 ou a perder pelo mesmo resultado. Ele estará 100% concentrado e sempre a jogar na ofensiva. Acreditem em mim: ele será o homem do jogo contra o Benfica.

A última vez que o Benfica defrontou o maior clube da Turquia foi na Liga Europa de 2008. Ganhámos a partida por 2-0 (Emre Aşık, Ümit Karan). Dessa altura, preservámos dois jogadores: Sabri Sarıoğlu (será provavelmente um substituto na quarta-feira) e Hakan Balta. Este é um importante defesa quer para o Galatasaray quer para a Turquia. Ele é crucial em muitos momentos da partida, é muito calmo e racional.

Ao olhar para as equipas, as probabilidades talvez rondem os 50/50, mas é sempre preciso lembrar que o Galatasaray vai jogar com 12 homens. Os grandes adeptos vão ser, definitivamente, o grande motivo da nossa glória esta quarta-feira.

Artigo traduzido por Gonçalo Coelho

Levon Kaya

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