Olheiro BnR – Rui Fonte

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A 22 de Janeiro deste novo ano, como estudante bracarense, foi-me oferecido um bilhete para assistir ao derby minhoto,  SC Braga-Vitória SC, e fui, assim, com os meus amigos à bola. Apesar de não ser adepto de nenhum dos dois clubes em causa, reconheço o seu valor, o que fez com que estivesse, surpreendentemente, ansioso para ver este jogo que reúne sempre todas as condições para ser um grande espectáculo.

Com todo o ambiente espectacular que este derby costuma proporcionar – isto porque a rivalidade entre os “marroquinos” e os “espanhóis” acontece há centenas de anos – deixa o público em êxtase e leva a que os jogadores sintam aquele “frio na barriga”, onde quem se destaca costumam ser, precisamente, os melhores.

A noite estava fria e o jogo estava a ser muito disputado no meio campo, onde o físico dos Guerreiros tentava delimitar as acções ofensivas dos jogadores rápidos do Vitória. Com isto, difícil para os jogadores mais avançados da equipa bracarense, saltava-me à vista as várias acções de um jogador, quer pela sua inteligência posicional, quer pela sua capacidade de entender os vários processos ofensivos e defensivos nos diferentes momentos do jogo, quer pela sua qualidade técnica, quer no controlo, quer no passe, quer no tempo que guardava a bola, quando o jogo o pedia, ou quando jogava a um ou dois toques. Resumidamente, é daqueles jogadores que parece estar sentado com os adeptos na bancada, com uma visão a 360 graus.

Esse jogador era, claro, Rui Fonte. Para uma pessoa que não seja adepta de futebol, o melhor jogador será sempre aquele que marca mais golos ou então aquele guarda-redes que defende as grandes penalidades. Para um adepto que gosta de ver a bola “semana sim, semana não”, aquele jogador mais desenvolvido fisicamente, mais rápido ou mais decisivo será sempre o alvo de interesse. A verdade é que, como aficionado de futebol, sou fã daqueles que entendem todo o jogo da sua equipa e que, para além dos seus atributos técnicos, são aqueles que, caso a equipa acompanhe o seu pensamento, se tornam os motores de cada equipa e fazem o adepto querer ir à bola, querer, sobretudo, vê-los jogar. Rui Fonte é um destes jogadores

No passado Domingo, o jogo foi entre os guerreiros e um dos antigos clube de Rui Fonte, o Sport Lisboa e Benfica. Se o Braga mostrou carácter e futebol, muito se deve à capacidade que o Rui teve em entender o jogo e em aproveitar as fragilidades defensivas mostradas pelo meio campo encarnado.

Júnior Barroso
Júnior Barrosohttp://www.bolanarede.pt
Depois de 11 anos como federado, a tática, a estrutura, e tudo aquilo que envolve o futebol fizeram com que Júnior visse o futebol de uma maneira diferente. Adepto assíduo da Premier League desde os seus seis anos, acredita ainda que a essência do futebol de rua perdurará sempre em detrimento da tática. Considera-se um estudioso do futebol.                                                                                                                                                 O Júnior escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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