Já não há vilões em Alvalade (e um leãozinho não pára de crescer) | Sporting 3-1 Galatasaray

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O Sporting arrancou da melhor maneira a fase de liga da Champions League 2026/27, mantendo a tradição das anteriores edições. Aos dias de hoje, os leões não fazem parte daquela elite europeia de 10/12 equipas, mas surge no patamar abaixo, com um estatuto cada vez mais consolidado no velho continente. O Galatasaray seguiu o panorama da Turquia e investiu muitos milhões no último mercado, mas ainda lhe falta mais um passo para se afirmar como um eventual candidato a tubarão europeu. É um problema geral do desporto-rei no país dividido entre dois continentes: nomes de luxo, mas pouco entrosamento.

A primeira parte do Galatasaray foi satisfatória e aos 45’, a equipa de Okan Buruk merecia estar a vencer, conseguindo bastante espaço na zona central, mesmo que o Sporting defendesse em linha de 5 (Geny Catamo juntava-se aos defesas neste capítulo). Lucas Torreira, Gabriel Sara e Aleksey Batrakov mostraram que eram diferenciados, enquanto que Baris Yilmaz provou as suas valências para ser o substituto de Victor Osimhen.

Geny Catamo Sporting
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Porém, os verde e brancos assumiram o domínio da partida a partir da segunda parte. Alvalade já tinha ganho outro embalo com o 1-1. A passividade leonina desapareceu e os leões mostraram a sua melhor face. O Sporting, que não tem o futebol mais rendilhado, apostou em bolas longas para Luis Suárez, que se mostrou capaz de as receber e transportar e/ou passar a bola para Rodrigo Zalazar, outro dos maestros do ataque. O jogo acabou por se partir e os lisboetas foram letais.

Dois tentos de bola parada resolveram o jogo. Luis Suárez conquistou uma grande penalidade (produzida precisamente através de um ataque rápido provocado por um passe longo) e não desperdiçou. Rodrigo Zalazar provou que é um dos melhores da Primeira Liga no que diz respeito à execução de livres diretos. O uruguaio é como o algodão, não engana.

Uma partida que não foi taticamente rica. Os dois conjuntos exploraram as fragilidades dos oponentes. O Sporting venceu e a sua prestação foi q.b., não vai para o livro de encontros a recordar de 2026/27, por muito que seja importante começar com o pé direito a prova milionária.

Lucas Torreira
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

O que nos provou este Sporting 3-1 Galatasaray é que já não existem ‘vilões’ no José de Alvalade. Luis Suárez já não é assobiado e está a subir de forma a olhos vistos. A sua função no estilo de jogo de Rui Borges é clara: segurar a bola, esperando que a primeira linha chegue perto de si e que lhe permita soltar o esférico para um companheiro. Trata-se de unir os jogadores numa fase adiantada do terreno. Em certas ocasiões, o colombiano também baixa para procurar jogo, quando a partida não proporciona bolas longas. É completo. Além disso, convém manter a sua veia goleadora no pico. Foi natural que o ponta de lança se deixasse encantar com o interesse de outros emblemas no mercado de transferências. Não é um jogador com uma ligação íntima aos verde e brancos como Gonçalo Inácio, Eduardo Quaresma ou Geny Catamo. A relação entre as duas partes ainda está a ser construída.

Neste caso, o importante é que o atleta mostre que está focado dentro das quatro linhas, evitando polémicas. Tal como referiu na flash interview pós jogo ante Nacional da Madeira, Luis Suárez quer voltar a brilhar como fez em 2025/26.

Nos últimos dias, Rodrigo Zalazar foi alvo de críticas na imprensa, relembrando-se que tinha apenas um golo e uma assistência em cinco jogos. Para alguns, já estava a ser talhado como ‘flop’, uma vez que custou 30 milhões de euros. Contra o Galatasaray vimos uma das suas melhores versões, saltitando entre o centro e a esquerda, combinando com sucesso com Luis Suárez e coroando a sua exibição com um golo de livre direto.

Rafael Leão Galatasaray
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

É obrigatório entendermos o contexto. Rodrigo Zalazar no Braga era confrontado com outro estilo de jogo. Carlos Vicens é um guardiolista e o futebol praticado no Minho tem outras nuances do que é executado em Alvalade. O uruguaio tem direito ao seu período de adaptação.

Além disso, o atleta vinha de três temporadas a jogar com João Moutinho e Ricardo Horta. Aqui os protagonistas são outros (melhores ou piores) e a interligação entre todos não ocorre numa partida. Rodrigo Zalazar, tal como os restantes reforços, tem direito a uma margem. O atleta terá impacto, mas também contará com jogos maus. É a lei do futebol. Lionel Messi e Cristiano Ronaldo também já viveram exibições para esquecer.

Contudo, o grande destaque (e que nunca foi visto como vilão) da partida foi Eduardo Quaresma. Restam poucas dúvidas de que é o defesa central em melhor forma do Sporting. A sua qualidade sobressai ainda mais devido ao mau momento de Gonçalo Inácio, que fez uma primeira parte para esquecer frente ao Galatasaray.

Sporting atletas
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

O internacional jovem por Portugal está cada vez mais forte no capítulo dos duelos físicos e sabe ter a bola no pé, ligando bem com os elementos do duplo pivot e com o próprio Luis Suárez, realizando vários passes para o meio campo adversário. Eduardo Quaresma tem o estilo perfeito para o futebol de Rui Borges. Do ponto de vista mental, está cada vez mais concentrado, evitando-se erros básicos que podem ser fatais. Concorrência de luxo para Zeno Debast.

O defesa beneficia também do facto de ser adorado pelas bancadas. Formado em Alvalade, o atleta mostra constantemente que a sua ligação com o clube vai mais além da tradicional relação jogador – instituição (Luis Suárez, por exemplo, tem esse tipo de ligação). Eduardo Quaresma é semelhante aos adeptos que estão em Alvalade. Conhece o peso de representar a instituição e os seus valores, adotando-os para si. É um ídolo para os aficionados mais jovens e promete continuar a ser mais influente no seio leonino.

Hoje em dia, Eduardo Quaresma está perfeitamente em condições de ser convocado para a seleção nacional e Jorge Jesus certamente está atento. Rui Borges tem a ‘sorte’ de contar com quatro centrais que seriam titulares em qualquer emblema da Primeira Liga, se estiverem em forma. Não propriamente uma hierarquia. Não existe a figura do quarto central. O que ocorre é a colocação de elementos em campo com caraterísticas distintas face ao adversário que se vai enfrentar. Contra o Galatasaray, Eduardo Quaresma mostrou ter o perfil indicado.

O Sporting enfrenta na próxima jornada da Champions League o Lens, uma visita que não é tão agradável como a primeira sensação nos dá a parecer. Para já, o momento dos leões é positivo, mas até ao dia 13 de outubro muita coisa pode mudar.

Geny Catamo Sporting
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Bola na Rede na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: Durante os primeiros minutos da segunda parte o Sporting conseguiu ter mais margem para apostar em bolas longas para o Suárez. O que mudou taticamente dentro do encontro para que a equipa conseguisse apostar mais neste tipo de jogadas?

Rui Borges: Muitas vezes isso está relacionado com a possibilidade de conseguirmos ligar com ele mais cedo. Sabemos que, quando há uma pressão muito alta e efetiva do adversário, é importante saber ligar em segunda linhas para depois ligarem com a primeira. Foi isso que tentámos: procurar uma linha de passe para o Luis sem que ele tivesse que baixar muito. Tentar tirar o Zalazar, que era um 10, mais para zonas centrais e mais baixas, de maneira a que o central não conseguisse acompanhar. Seja direto no Zalazar, seja direto no Luis e depois entrar no Zalazar queríamos entrar num processo de ataque rápido. Também abrimos mais o Luis Guilherme na segunda parte precisamente para isso, para prender os laterais e para o Rodri ter mais espaço em ambos os momentos.

EM ATUALIZAÇÃO

Ricardo João Lopes
Ricardo João Lopeshttp://www.bolanarede.pt
O Ricardo João Lopes realizou a sua formação na área da História, mas é um apaixonado pelo desporto (especialmente pelo futebol) desde criança, procurando estar sempre a par da atualidade.

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