Publicidade

Recordar é Viver | Ben Arfa, a arte do futebol de rua em estado puro!

Bernardo Santos · 2 min

Ben Arfa no Bordeus
Foto: Bordéus

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Ben Arfa é um dos últimos exemplos de jogador que trazia para dentro do campo a “ginga” do futebol de rua e a arte do joga bonito

Decorria o ano de 2004, e o Lyon via nascer aquela que prometia ser uma das grandes pérolas do futuro do futebol francês e mundial. De origem tunisina, mas com raízes francesas profundas, o jovem Hatem Ben Arfa procurava aos poucos o seu espaço no grande clube francês.

Dono de um pé esquerdo fabuloso, aliado à sua rapidez de execução, drible fácil e uma velocidade desconcertante, Ben Arfa é um dos últimos exemplos de jogador que trazia para dentro do campo a “ginga” do futebol de rua e a arte do joga bonito que empolgava tudo e todos. 

Durante anos a fio, todos os olhos tiveram postos em Ben Arfa, o “Houdini” francês, outrora apelidado de futuro Zidane, que prometia, prometia, mas que nunca chegou a cumprir realmente o seu enorme potencial. Para os grandes amantes de futebol, como eu próprio, Ben Arfa está diretamente ligado aquilo que é o futebol em estado puro, com todas as suas especificidades. 

Lembro-me como se fosse hoje daquela eliminatória do Benfica de Jorge Jesus frente ao Newcastle, onde a equipa inglesa tinha uma grande ameaça nas suas fileiras. Pois claro, essa ameaça chamava-se Hatem Ben Arfa, e entrou em campo com os holofotes postos em si, com a bola sempre colada ao pé esquerdo, brilhou e encantou todos os adeptos no estádio e nas televisões por este mundo fora… Assim era Ben Arfa, um dos últimos agitadores puros, sem medo de partir para cima do adversário, numa finta magnífica ou numa movimentação eficaz que pudesse causar o maior perigo possível na defesa adversária, sempre com a sua classe a brilhar mais alto. 

Durante a sua carreira, para além do Lyon e do Newcastle, passou ainda por clubes como Marselha, Nice, Paris Saint Germain, Rennes, Valladolid, Bordéus e Lille, num percurso ligado à controvérsia e à sua pouca concentração. 

Na sua melhor época da carreira, ao serviço do Nice, Ben Arfa fez 18 golos e sete assistências em 37 jogos, números estes que quase o catapultaram para a lista final de Deschamps para o Euro 2016, o que ainda assim acabou por não acontecer.

O que faltou realmente a Ben Arfa para que a sua carreira tivesse sido muito melhor? Acredito que faltou o compromisso, faltou a garra do próprio jogador para se assumir perante todos os outros, no entanto, teve também algumas lesões complicadas, o que pode também ter anulado a sua plena afirmação. 

Hoje, o que lemos da carreira do “Houdini” não faz, de todo, jus aquilo que Ben Arfa era em campo, por isso convido todos os jovens a ver e rever vídeos do mago francês, um autêntico doce para os nossos olhos, alguém que fazia tudo parecer mais fácil, mantendo sempre, no entanto, um perfume e uma classe que eram realmente diferenciadas.

 As ruas nunca vão esquecer o pé esquerdo e a figura que era Hatem Ben Arfa, um dos últimos grandes desequilibradores que o futebol mundial teve a honra de ver brilhar 

Obrigado Houdini por fazeres os meus olhos um bocadinho mais felizes a cada toque teu numa bola.

Bernardo Santos

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
La Liga

Quem vive do passado é che | Valência

Para os adeptos do Valência, os che, o virar do milénio foi sinónimo de coleccionar quadros bonitos para mais tarde apreciar. No final dos anos 90 e início dos anos 2000, o Valência encheu a vitrina: uma Taça do Rei, uma Supertaça de Espanha, dois campeonatos, uma Taça UEFA e uma Supertaça Europeia. Importa referir que, embora não tenha vencido, disputou duas finais consecutivas da Liga dos Campeões, sendo derrotado primeiro pelo Real Madrid, depois pelo Bayern de Munique. Em campo brilharam nomes como Santiago Cañizares, David Albelda, Pablo Aimar, Rubén Baraja e Gaizka Mendieta; já no banco, Claudio Ranieri, o futuro obreiro do conto de fadas em Leicester, plantou as sementes que Héctor Cúper e Rafael Benítez souberam regar e transformar em frutos.

Ailton Pereira · 3 min de leitura
Ler a crónica
Seleção Nacional

5 jogadores que mais se destacaram com Jorge Jesus na Seleção Nacional

Os primeiros quatro jogos de Jorge Jesus ao comando da Seleção Nacional permitiram perceber quais os jogadores que melhor se adaptaram às ideias do novo selecionador. Entre golos, assistências e novas dinâmicas táticas, cinco nomes destacaram-se pela influência que tiveram no rendimento da equipa e pela forma como potenciaram as suas qualidades individuais. De João Félix a Rúben Neves, passando por Gonçalo Ramos, Vitinha e João Cancelo, este é o top-5 dos jogadores que mais se evidenciaram neste arranque da era Jorge Jesus.

Miguel Costa · 3 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.