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O futebol português está apetrechado de momentos que marcaram de forma positiva e/ou negativa os adeptos que o ocupam neste ‘cantinho à beira-mar plantado’, e que podiam perfeitamente ser adaptados para conteúdos da famosa plataforma norte-americana Netflix.
Assim sendo, e tendo em conta o enorme sucesso das séries “The English Game” e “Sunderland ‘Til I Die, decidi escolher dez marcos do futebol português que seriam fortes candidatos a ser um conteúdo da plataforma, seja como documentário ou série, embora tenha a noção de que outras histórias também poderiam constar perfeitamente nesta lista.
10.

CF Estrela da Amadora – Glória, Sofrimento e Ressurgimento: Da glória alcançada no Jamor, em 1990, frente ao SC Farense, à declaração de insolvência em 2009, o Estrela da Amadora viveu um período em que chegou a participar em eliminatórias da extinta competição europeia Taça das Taças, foi conseguindo manter-se no convívio entre os grandes da Primeira Liga durante alguns anos – embora tenha descido à Segunda Liga por três ocasiões – e acabou por encerrar portas em 2010, devido às avultadas dívidas para com os credores. Rebatizado, em 2011, como Clube Desportivo Estrela para honrar o legado da equipa extinta, o conjunto tricolor encontra-se, atualmente, na 3.ª divisão da Associação de Futebol de Lisboa e continua a batalhar para voltar aos tempos áureos em que o Estádio José Gomes recebia jogos da Primeira Liga.
9.

Fonte: Boavista FC
A Pantera que não se rende: Apelidado como os “Panteras”, o Boavista Futebol Clube chegou ao topo do Futebol português na época 2000/2001, quando conseguiu interromper com a hegemonia partilhada entre os Três Grandes no que diz respeito à conquista do título. A participação na Liga dos Campeões na época seguinte e a quase ida à final da Taça UEFA em 2002/2003 – iria enfrentar o FC Porto em Sevilla, mas o Celtic de Glasgow impediu uma final 100% portuguesa – deixou os adeptos boavisteiros “nas nuvens” e longe de imaginar que, no final da época de 2007/2008, iriam ser despromovidos devido ao processo “Apito Final”. A jogar entre a Segunda Liga e a II.ª Divisão e tendo inclusive passado por algumas dificuldades financeiras, o conjunto axadrezado não deixou de exigir justiça junto da Federação, algo que acabou por acontecer com o retorno à Primeira Liga em 2014/2015, por onde tem permanecido até aos dias de hoje. A sua massa adepta mantém vivo o sonho de voltar a ter um “Boavistão” campeão.
8.

Fonte: Académica OAF
A “crise estudantil” de 1969 e a final da Taça: Um perfeito exemplo de que por vezes o Desporto e a Política se podem cruzar. O cenário é o Estádio Nacional e os protagonistas são a Académica OAF e o SL Benfica. Com a ditadura do Estado Novo a imperar sobre o nosso país, a final da ‘Prova Rainha’ de 1969 foi a mais politizada de todas as que se disputaram até agora. A crise estudantil estava ao rubro, a Académica estava ao lado dos estudantes de Coimbra e aproveitou o jogo para dar visibilidade às suas reivindicações. O topo sul do Estádio Nacional foi um autêntico “comício contra o regime” com os estudantes a mostrarem cartazes onde se podia ler “Universidade livre”, “Melhor ensino, menos polícias” ou “Ensino para todos”. Devido ao enorme clima de crispação, a final desse ano não teve transmissão televisiva e nem o Presidente da República, nem o Ministro da Educação marcaram presença no Jamor.
7.

Fonte: UEFA
Liga Europa 2010/2011 – Edição 100% Portuguesa: Longe da realidade verificada este ano, a Liga Europa 2010/11 ficará para sempre recordada com uma edição em que Portugal foi a nação mais forte, já que teve três equipas a atingir as meias-finais. No início da fase a eliminar, eram quatro os representantes lusos na segunda prova no panorama europeu de clubes, só que o Sporting CP acabou por ser logo eliminado nos dezasseis-de-avos contra o Glasgow Rangers. FC Porto, SC Braga e SL Benfica foram fazendo trajetos espetaculares, ultrapassando a concorrência com o objetivo de alcançar a glória europeia, mas apenas duas poderiam ir a Dublin: portistas e bracarenses garantiram a presença no jogo decisivo em que os comandados de André Villas-Boas conquistariam o caneco.
6.

Fonte: Vitória SC
O “Inferno Branco” da Cidade de Berço: Em Guimarães, existe uma massa adepta que é fortemente elogiada um pouco por todos no Futebol português, mesmo pelos que nem sequer simpatizam com o Vitória SC. Centrada na essência vitoriana, esta série tentaria explicar melhor aos fanáticos do Futebol algo que é inexplicável na visão dos adeptos vimaranenses: o porquê de seguirem o lema de vida “Aqui é só Vitória” e defenderem com todas as suas forças o clube que tem D. Afonso Henriques no seu símbolo. Falaria ainda de momentos marcantes como a descida à Segunda Liga, em 2006, em que esses mesmos adeptos foram fundamentais para puxar o clube novamente para a principal divisão e a conquista da Taça de Portugal em 2013.
5.

Fonte: Orlando Ciy FC
Da LS para o Mundo (retratos do viveiro de craques nacionais): A Linha de Sintra é provavelmente a zona que tem fornecido o maior número de craques ao futebol português nas últimas décadas. Marcada por grandes densidades urbanas e populacionais e pela vertente multicultural, a LS – sigla utilizada por alguns dos residentes na área que abrange a periferia noroeste de Lisboa (nomeadamente a freguesia de Benfica), Amadora, Sintra e o norte do concelho de Oeiras (Tercena e Barcarena) – está recheada de casos de sucesso no panorama nacional e internacional até aos dias de hoje: Jorge Andrade, Abel Xavier, Rui Costa, Nani, William Carvalho, Danilo Pereira, Nélson Semedo, entre outros. O objetivo da série passaria por entender os motivos para os jogadores oriundos da Linha de Sintra serem tão bem sucedidos e quais foram as maiores dificuldades encontradas para concretizar o sonho de ser atleta profissional.
4.

Fonte: Boavista FC
Caso Mateus e a Reintegração gilista: Um dos casos mais mediáticos da história recente do futebol português. O “ator principal” é Mateus Galiano, jogador angolano que, em janeiro de 2006, se transferia do Lixa para o Gil Vicente FC e cumpria o sonho de jogar na Primeira Liga aos 21 anos. Contudo, a transferência do atleta seria o início de uma longa história que durou dez anos, envolvendo Federação, Liga, CF “Os Belenenses”, Leixões SC e até a FIFA que foi chamada para tentar resolver esta situação. O longo processo só terminou em 2019 com a decisão da reintegração do Gil Vicente na principal divisão, e para isso muito contribuiu António Fiúsa, presidente do Gil, aquando do «Caso Mateus» e atual presidente honorário do clube, que lutou arduamente para que os “Galos de Barcelos” voltassem à Primeira Liga, algo que ocorreu em 2019/2020, após uma época em que o conjunto barcelense esteve a disputar o Campeonato de Portugal sem pontos atribuídos à equipa ou a qualquer adversário, por ordem da FPF.
3.

Fonte: FPF
Saltillo e Macau – Os desastres da seleção portuguesa em Mundiais: Os nomes Saltillo e Macau não trazem memórias bonitas ao Futebol português. Com uma distância temporal de 16 anos, os dois casos expuseram as debilidades da Federação portuguesa num correto planeamento de uma prova de elevada reputação como é o Mundial. Em Saltillo, os jogadores portugueses revoltaram-se face às condições encontradas e também devido aos prémios de jogo que não eram de acordo com as exigências dos 22 eleitos para representar a nação. Já em Macau, a escolha do estágio pré-Mundial foi vista como ‘irresponsável’, uma vez que não era o local ideal para se afinar a tática para o primeiro campeonato do mundo em solo asiático. Com algumas diferenças entre si, Saltillo e Macau são de facto dois episódios que deixaram marcas na seleção e que impossibilitaram um percurso positivo tanto no Mundial de 1986, como no de 2002.
2.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Mudança de Jorge Jesus do SL Benfica para o Sporting CP: Uma transferência que causou grande alvoroço no início de junho de 2015, e que ainda nos dias de hoje é motivo de conversas entre benfiquistas e sportinguistas, volvidos quase cinco anos desta mudança.
Acabado de conquistar o bicampeonato em maio desse ano, Jorge Jesus era visto como “O Salvador” nas hostes encarnadas, mas a sua renovação era um assunto que já fazia correr alguma tinta na imprensa desportiva e não era 100% certo que o técnico português iria manter-se à frente do SL Benfica.
Após muitos avanços e recuos, a “bomba” do mercado explode no dia 4 de junho: o treinador muda-se da Luz para Alvalade, soltando a euforia nos adeptos leoninos pela jogada que causou uma enorme revolta nas águias. O que de facto aconteceu entre o dia 17 de maio – dia em que o Benfica conquista a Liga em Guimarães – e o dia 1 de julho de 2015, data da apresentação de JJ em Alvalade? É uma pergunta que ainda não tem uma resposta clara com os verdadeiros factos que estiveram na origem da mudança que veio aumentar ainda mais a rivalidade entre os dois clubes lisboetas.
1.

Doze anos de luta pela consagração europeia: Tem mesmo de ser o número um desta lista. Neste período, a armada lusa alcançou duas finais (2004 e 2016) e uma meia-final em 2012, o que cimentou a posição de Portugal como uma potência nas competições europeias de seleções. 2004 foi o ano da tragédia grega na Luz, em que Luís Figo, Rui Costa, Pauleta e companhia desperdiçaram uma oportunidade de ouro para conquistar o Europeu, para profunda tristeza de um povo que nesses 12 anos tremia sempre que ouvia falar no nome Charisteas.
Se em 2012 a lotaria das grandes penalidades impediu o regresso a uma final, 2016 terminaria com um rumo diferente: em França e frente à Seleção da casa que era um dos adversários que costumava levar sempre a melhor, o pontapé de Éder aos 109 minutos ajudou a mudar a história do “triste fado português” e Portugal finalmente conquista a Taça Henri Delaunay, nome pelo qual é conhecido o troféu em disputa nos Europeus.
(Nota: Em 2006, Portugal alcançou a meia-final do Mundial alemão, mas o foco principal é o percurso da seleção nos campeonatos da Europa)
Artigo revisto por Joana Mendes












