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As casas de apostas eram claras, e seguiam a convicção do público em geral – a Espanha iria vencer o Europeu de Sub21 de 2017. Não foi. A Alemanha levou a melhor sobre ‘la rojita’. Não surpreendeu quem leva a peito as palavras de Gary Lineker (“(…)22 homens atrás da bola e no fim ganha a Alemanha”), mas surpreendeu a tendência.
Esta não foi, porém, a única surpresa do certame na Polónia. Houve, também dentro deste Europeu, jogadores que reclamaram, com boas exibições, um lugar nos blocos de notas da romaria de olheiros que acorreram ao país de Chopin ou Karol Wojtyla (Papa João Paulo II) … e de analistas desportivos.
De uns já se sabia a sua real capacidade, como Gonçalo Guedes, Deulofeu, Asensio, Ñiguez, Ceballos, Bellerin, Gnabry, Max Meyer, Donnarumma, Caldari, Bernardeschi, Berardi, Chalobah, Ward-Prowse ou Pickford. De outros, já se ouviu falar, mas nunca demonstraram essa mesma capacidade em contextos competitivos de alto nível (como já tinham feito, por exemplo, Demarai Gray [campeão pelo Leicester, por quem disputou 42 jogos] Zivkovic [presença assídua no onze do Benfica, incluindo jogos da Champions], Toljan [mais de 50 jogos de Bundesliga], Gerhardt [Internacional A alemão] Arnold [títularíssimo no Wolfsburg], Selke [22 anos e … 22 golos na Bundesliga] Mitchell Weiser [mais de 50 jogos na Bundesliga, incluindo 16 pelo Bayern] Niklas Stark [48 jogos em duas épocas no Hertha], Redmond [100 jogos de Premier League], Gagliardini [Internacional A por Itália] ou Skirinar [titular na Sampdoria] . É sobre esses… e os que saltaram do desconhecimento para a ribalta que nos debruçamos nas páginas seguintes, ainda que excluindo jogadores portugueses (como Bruma, Podence ou Ruben Neves), com prestação escapelizada pela imprensa nacional … e que já fazem parte do conhecimento dos apaixonados por futebol em Portugal.
Foto de Capa: UEFA
Martin Chrien

Fonte: Scoopnest
Seleção: Eslováquia
Posição: Box-to-Box
Clube antes do Europeu Sub 21: Viktoria Plzen
Valor de Mercado (Transfermarkt): €375 mil
Há um golo que não deixa margem para dúvidas quanto à qualidade de Martin Chrien – contra a Polónia, recebe a bola desde o meio e, com dois toques subtis (um deles de calcanhar), de costas para o marcador de serviço, tira-o do caminho e lança Valjent, que iguala a partida.
Este lance não foi fruto do acaso. Chrien comprovou-o durante o que restou do Europeu de Sub21 com outros rasgos de génio… mas não só de génio se fez Chrien na competição. Também se mostrou disponível para o colectivo, tanto com como sem bola – não se cansou de recuperar bolas, fechando bem as linhas de passe contrárias e distribuiu jogo com critério, conforme fica patente no tal golo frente à Polónia.
A isto ainda se associou boa chegada à àrea, bem patente nos dois golos que marcou. Ambos de cabeça… apesar dos 1,82 metros, que não fazem dele um jogador propriamente alto. Uma envergadura que ele contorna, porém, com a garra e a vontade enraízadas a um ADN eslovaco que tem, com orgulho, no sangue.
Albert Rusnak

Fonte: Real Salt Lake
Seleção: Eslováquia
Posição: Médio-ala direito
Clube antes do Europeu Sub 21: Real Salt Lake
Valor de Mercado (Transfermarkt): €1,25 milhões
O médio ala-direito eslovaco tem escola de elite europeia (Manchester City), porém, isso não belisca a surpresa de o ver aos níveis que atingiu no Europeu deste ano, formando com Valjent (também referido neste artigo) e Satka (apenas um jogo) uma faixa direita terrível, dada a forma como o miúdo do Real Salt Lake consegue potenciar as subidas dos laterais, devidamente comprovada com o seu contributo posicional (é excelente sem bola) no golo de cada um dos seus parceiros de corredor.
Jaroslav Mihalik

Fonte: FortunaLiga
Seleção: Eslováquia
Posição: Médio-ala Esquerdo
Clube antes do Europeu Sub21: Slavia Praga
Valor de Mercado (Transfermarkt): €750 mil
O nome dele é relativamente desconhecido dos media do centro da Europa. É que o seu apelido é o mesmo de uma modelo húngara, a quem as pesquisas do google (e da mente) vão parar em primeiro lugar.
Jaroslav Mikalik, porém, fez o suficiente para sair do “anonimato” neste Europeu Sub21, cotando-se como a melhor unidade eslovaca no jogo com a Suécia, onde ficou vincada a qualidade da sua seleção, ao vulgarizar os campeões europeus em título da altura por 3-0, com um golo do médio-ala esquerdo.
A sua ação não se esgotou aí, porém. Mihalik mostrou-se à altura do seu lugar contra Polónia e Inglaterra e nem sempre pelo que fez no último terço do terreno, pois tem já alguma bagagem de processo defensivo, conforme explicam as várias recuperações de bola (5 só no jogo com a Suécia) que somou ao longo do Campeonato da Europa, dando contributo importante para o estilo de jogo da sua equipa, assente numa pressão alta e agressiva.
Martin Valjent

Fonte: UEFA
Seleção: Eslováquia
Posição: Lateral-direito
Clube antes do Europeu Sub21: Ternana
Valor de Mercado (Transfermarkt): €1,2 Milhões
Beneficiou muito da ação de Rusnak (também referido neste artigo) nas suas incurssões ofensivas, mas isso não lhe tira pinga de mérito quanto ao lugar de destaque que merece, até porque as boas exibições do lateral direito não se esgotaram na manobra ofensiva.
Defensivamente, esteve bem na maior parte dos 180 minutos que disputou, chegou mesmo a surpreender. Quando o não fez, por um instante de segundo, quando defendeu um metro mais para dentro do que era o suposto a equipa ressentiu-se… e a Inglaterra marcou em contra-ataque. Um erro momentâneo que custou o apuramento à Eslováquia (de outra forma qualificar-se-ia em 1º lugar), porém, sem a assertividade do jogador do Ternana, essa qualificação seria uma miragem.
Lewis Baker

Fonte: FA
Seleção: Inglaterra
Posição: Box-to-Box
Clube antes do Europeu Sub21: Vitesse (por empréstimo do Chelsea)
Valor de Mercado (Transfermarkt): €5,5 milhões
Juntamente com Chalobah, foi um dos responsáveis da fortaleza em que se tornou o meio-campo inglês – apenas um golo sofrido durante a fase de grupos e muito futebol praticado no reduto contrário por força da influência da dupla formada no Chelsea.
Baker ainda molhou a sopa no último jogo da fase de grupos, marcando à Polónia. Não tremeu na hora da grande penalidade, o que revela muito sobre o seu carácter, sentido e alastrado aos companheiros, que tiveram nele uma referencia emocional.
A Inglaterra só caiu nas grandes penalidades, diante da campeã europeia (Alemanha) e muito deve a este miúdo, “escondido” na Eredivise – esteve emprestado ao Vitesse.
Enis Bardhi

Fonte: The Sun
Seleção: Macedónia
Posição: Médio Ofensivo
Clube antes do Europeu Sub21: Ujpest
Valor de Mercado (Transfermarkt): €700 mil
Do meio da rua, Bardhi disparou um míssil que silenciou Portugal. Um golpe nas ambições da seleção nacional que precisava de golear a Macedónia, sofrendo o mínimo de golos possível. Bardhi foi, portanto, uma espécie de carrasco, mas não podemos colocar o patriotismo à frente de quem merece um lugar de destaque. E Bardhi merece-o. Não só pelo que fez contra Portugal, mas também pelo que conseguiu fazer no resto do torneio, revelando-se como o melhor jogador da Macedónia… e não só.
Bardhi terá sido, provavelmente, o jogador que mais surpreendeu o mundo neste Europeu, relegando Babunski (formado em La Masia) para segundo plano, através de um talento que se reconhece nos predestinados, visível em cada toque de bola e numa visão de jogo com mira na baliza contrária, como refletem os dois golos e as várias oportunidades nascidas dos seus pés.
Lukas Zima

Fonte: ESPN
Seleção: República Checa
Posição: Guarda-Redes
Clube antes do Europeu Sub21: Genova
Valor de Mercado (Transfermarkt): €100 mil
Até final da fase de grupos, a República Checa teve esperança na qualificação, muito devido aos 3-1 aplicados à Itália. Aí, Zima destacou-se, negando grande parte das tentativas italianas em desvirginar as suas redes, coisa que até conseguiram por uma vez, mas falharam em… 6!
Na jornada anterior já tinha brilhado contra a Alemanha – por sete vezes, negou o golo aos germânicos e evitou uma goleada que poderia ter sido fatal no estado anímico dos checos.
Pertence aos quadros do Genova, mas nunca representou o histórico italiano. Depois deste Europeu, a coisa poderá mudar de figura na próxima época.
Jeppe Hojbjerg

Fonte: jv.dk
Seleção: Dinamarca
Posição: Guarda-Redes
Clube antes do Europeu Sub 21: Esbjerg
Valor de Mercado (Transfermarkt): €250 mil
É certo que já se tinha destacado no Jogos Olímpicos do Rio com grandes defesas, também é certo que a Dinamarca sofreu em todos os jogos e sempre 2 ou mais golos. Mas o seu guarda-redes não deixa de ser um destaque da sua equipa e do Europeu em geral pela forma abnegada como evitou que a participação dinamarquesa fosse uma humilhação total, reagindo em conformidade quando solicitado e sendo uma das peças fundamentais para a vitória na última jornada (4-2) diante de uma República Checa sedenta de golos.
Pawel Jaroszynski

Fonte: UEFA
Seleção: Polónia
Posição: Lateral-Esquerdo
Clube antes do Europeu Sub 21: Cracóvia
Valor de Mercado (Transfermarkt): €400 mil
A prestação da Polónia no Europeu que organizou foi um autêntico desastre (1 ponto, suado, em 9 possíveis), mas não terá sido pelo seu lateral-esquerdo, unidade mais regular dos anfitriões.
Jaroszynski fez, com Moneta, uma ala esquerda que chegou a criar ilusões entre o povo polaco, nem que fosse só pela passagem às meias-finais através da garra que impunha em cada lance e nas cavalgadas à àrea que assumia, de forma a sacudir o marasmo generalizado da sua equipa… pena os seus colegas não entrarem na sua “onda”.
Nemanja Maksimovic

Fonte: mozzartsport.com
Seleção: Sérvia
Posição: Box-to-Box
Clube antes do Europeu Sub21: Astana
Valor de Mercado (Transfermarkt): €3 Milhões
Não é bem uma grande surpresa porque já se tinha destacado ao serviço do Astana, num contexto competitivo alto (Champions League), porém, deixou na memória, a quem nunca o tinha visto (e deverão ser muitos), a forma como agarrou a seleção sérvia e remou contra a maré, cobrindo linhas de passe contrárias, ao mesmo tempo que as idealizava para a sua equipa de forma a atacar o adversário quando recuperasse a bola.
Foi assim Maksimovic durante o Europeu, provocando grandes dificuldades, por exemplo, no jogo de abertura, frente a Portugal ao guiar a seleção sérvia numa emboscada ao sonho luso, intacto nuns 2-0 que não refletem a exibição da seleção dos balcãs, cujo líder, de calções sujos e relva nos dentes, foi Maksimovic.
O Valência estava atento e, ainda em Janeiro, agarrou o internacional sub21 Sérvio… a custo zero!









