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5 ascensões meteóricas de jovens jogadores

Inês Figueiredo Mendanha · 8 min

Foto: SC Braga

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Portugal descobriu na formação de jovens talentos, uma autêntica galinha dos ovos de ouro. Se há 15 ou 20 anos, surgia um talento excepcional uma vez ao ano, geralmente num dos “três grandes”, hoje em dia surgem seis ou sete, espalhados por vários clubes, de magnitudes diferentes.

Isto deve-se à excepcional organização dos clubes e dos seus escalões jovens, que propiciam aos seus diamantes por lapidar, condições exímias para a vida escolar e profissional, e com a ajuda da Liga Portuguesa de Futebol Profissional e da Federação Portuguesa de Futebol, conseguiram gerar berços de jovens talentos, ao criarem as chamadas “equipas B”, onde misturam jovens jogadores, com jogadores menos utilizados das equipas principais, que competem na Segunda Liga ou no Campeonato de Portugal, dois campeonatos extremamente duros e competitivos, e com a mais recente criação do Campeonato Nacional Sub-23, onde competem equipas formadas exclusivamente por jovens jogadores, que depois, consoante o seu grau de adaptação, ascendem às equipas B, para disputarem jogos com jogadores profissionais, ou mesmo às equipas principais.

Esta hierarquia facilita o crescimento dos jovens talentos que as nossas “canteras” albergam, porque ao subirem estes “degraus”, encontram equipas diferentes, com jogadores e exigências diferentes, que os prepara para disputar a Primeira Liga; é importantíssimo não saltar etapas, de modo a permitir uma evolução mais completa dos jogadores. Assim sendo, todos os anos, há jovens que ascendem às equipas principais e acabam por se destacar, agarrando o seu lugar e  pegando de estaca; este artigo pretende identificar as futuras novas estrelas, que já brilharam nas equipas principais do campeonato que findou.

5.

Gonçalo Ramos (SL Benfica) – Quem segue a formação do Benfica com atenção, sabe que Gonçalo Ramos tem demonstrado potencial para ser o futuro artilheiro do clube; quem não segue, teve um cheirinho daquilo que o menino é capaz no CD Aves 0-4 SL Benfica da época passada, onde o número 88 das águias marcou dois golos em dez minutos em campo, assinando uma estreia de sonho com o manto sagrado.

Gonçalo Ramos, que já veste de vermelho e branco desde os iniciados, tem nos últimos anos dividido a época entre a equipa de juniores A sub-19, a equipa sub-23 e a equipa B. Este ano, viu o seu esforço recompensado com a chamada à equipa A. Ao todo, disputou 30 jogos, divididos pelos escalões já referidos mais a UEFA Youth League, e marcou 12 golos, dois dos quais na estreia mágica pela equipa principal. Gonçalo tem, além de faro para golo típico de um avançado, uma mobilidade surpreendente, tendo já actuado como extremo e até médio.

Sendo extremamente agressivo, Gonçalo joga bem de costas para a baliza, algo a que a sua forte compleição física ajuda e é muito interventivo na transição defensiva. Com a sua experiência em várias posições no terreno, não tem problemas em vir atrás buscar jogo e participar na distribuição. O que o distingue dos demais é mesmo o instinto matador; com uma excelente capacidade de antecipação, chega quase sempre primeiro à bola do que os defesas.

Raramente se faz rogado, e remata de qualquer parte do terreno, com o pé que estiver “mais à mão”. Soma a isso um posicionamento impecável, uma técnica bastante virtuosa (necessária a qualquer avançado que não acampe na área) e um ataque à profundidade mortífero. Continuando o crescimento, a evolução, o trabalho em vários escalões e o apuramento das suas capacidades, com a humildade que já demonstrou, quer no clube, quer na selecção portuguesa, tem tudo para vingar. Aqueles 10 minutos deixaram-me com água na boca. Estou ansiosa que jogue 20, 30 ou 90. Mas calma; devagar se vai ao longe.

4.

Fábio Vieira (FC Porto) – Os Campeões Nacionais só têm motivos para festejar a época transacta: pelo dobradinha, evidentemente, mas também pelos jogadores que ao brilharem no futebol pós-confinamento, tornaram-se mais-valias para o clube. Neste contexto, gostaria de destacar Fábio Vieira. Desde a estreia pela equipa principal dos dragões, frente ao CS Marítimo, que aquele tratar a bola por tu não engana: o Porto tem ali um craque.

Os minutos que foi somando na equipa A, divididos por oito jogos, somaram dois golos, muita qualidade de passe, muito drible e sobretudo muita alma. Mas os mais atentos, sabem que Fábio Vieira espalhou magia por todos os escalões onde jogou. Nos Juniores A sub-19, à equipa B e a principal, o jovem médio-ofensivo/extremo, deixou sempre a sua marca: somou 13 golos em 39 jogos e uma evolução fantástico, que culminou com a sua presença assídua no plantel de Sérgio Conceição.

Fábio Vieira quer jogue a médio, quer a extremo tem sempre um traço distinto: bola coladinha ao pé esquerdo e visão de jogo acima da média. Com a matreirice própria de quem faz da bola o que que, dribla os adversários com muita facilidade (o que lhe vale valentes safanões); com a capacidade de levantar a cabeça e fazer jogar, o jovem põe a bola onde quiser, quer seja na baliza, já que remata muitíssimo bem (que o diga Koffi, do Belenenses SAD), quer seja nas costas de uma defesa.. Qualquer equipa gostaria de ter um jogador com esta facilidade em rasgar as linhas. A isso junta uns nervos de aço, como é exemplo o seu penálti convertido frente ao CD Tondela. Esta foi uma época de sonho para o jovem de Santa Maria da Feira: depois de vencer em 2018/2019 a UEFA Youth League, venceu o Campeonato e a Taça de Portugal, no seu primeiro ano como sénior. Espero que fique por terras lusas durante muito tempo, porque ainda tem muito a dar aos dragões e ainda tem muita magia para espalhar pêlos relvados portugueses.

3.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Nuno Mendes (Sporting CP) – Já estamos habituados a que os maiores clubes da Europa estejam dispostos a abrir os cordões à bolsa para contratar jogadores sonantes por preços exorbitantes. Mas que estejam dispostos a pagar uma “pequena” fortuna por um jogador de 17 anos é que já nos pode surpreender. É o caso do jovem lateral-esquerdo leonino, Nuno Mendes. Tendo já sido apontado ao Manchester United FC, quando ainda só actuava na equipa sub-23 e nos Juniores sub-19, após a aposta de Rúben Amorim, que lhe entregou a posição de lateral-esquerdo, fala-se agora em Real Madrid CF.

Este interesse dos grandes tubarões europeus em Nuno Mendes não é injustificado; o defesa-esquerdo leonino agarrou a oportunidade com unhas e dentes, tendo disputado nove jogos na recta final do campeonato e sido um dos destaques do Sporting. A sua velocidade e virtuosismo, importantíssimas para a vertente atacante, aliadas à sua consistência defensiva com uma excelente capacidade de antecipação e desarme, são alguns dos atributos que lhe valem o interesse de grandes clubes europeus. Tem também um grande pulmão que lhe permite fazer do corredor esquerdo uma auto-estrada, quer quando tem de defender, quer a atacar. Apesar de muito jovem, Nuno Mendes já conseguiu mostrar algum do seu talento; no entanto, não deve saltar etapas do seu crescimento enquanto jogador, pois tem ainda muito a aprender. Espero que continue com o excelente desempenho a que nos habituou no final da época passada e que, pelas mãos do treinador, evolua enquanto jogador para um dos melhores laterais-esquerdos do futebol. A ver vamos.

2. 

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

David Carmo (SC Braga) – David Carmo estreou-se pela equipa principal dos guerreiros no Estádio do Dragão, num jogo em que os bracarenses saíram vitoriosos, derrotando os dragões por 2-1. Dificilmente, o jovem defesa-central poderia ter começado a sua caminhada com um jogo de maior dificuldade. David Carmo, de 21 anos, fez 33 jogos, esta temporada, divididos pela equipa sub-23, equipa B e equipa principal, e somou dois golos. O jovem campeão da europa de sub-19 impressiona pêlo físico: 1,96m e 82 Kg. Impõe respeito. De tal forma que passou de promessa a certeza na equipa dos guerreiros.

Lançado por Rúben Amorim no tal jogo no Dragão, na jornada 17, David Carmo agarrou a oportunidade e fixou-se no onze inicial dos bracarenses. À medida que disputava os jogos, foi sacudindo o nervosismo e a falta de experiência própria de um jovem jogador; com a confiança dos treinadores, foi crescendo de jogo para jogo, fazendo uso do seu físico imponente para trancar a defesa bracarense, tendo como companheiros da defesa, grandes mentores, como Rolando, Bruno Viana ou Raúl Silva, ou jovens jogadores, como Bruno Wilson ou Pedro Amador. No final, fez 18 jogos na Liga Portuguesa; e com Carlos Carvalhal no comando, acostumado a limar e a apostar em jovens jogadores, pode na próxima época cimentar o seu posto na defesa dos guerreiros do Minho.

1.

Pedro Pelágio (CS Marítimo) – Pedro Pelágio foi para mim, uma das melhores surpresas deste campeonato e uma das figuras do CS Marítimo. O jovem jogador foi dividindo o tempo de jogo entre a equipa principal madeirense e a equipa sub-23, acabando por somar 16 jogos por cada uma, tendo apontado dois golos na Liga Revelação. O seu crescimento ao longo da época foi exponencial, e nos últimos jogos, já víamos um Pelágio adaptadíssimo à equipa e a espalhar todo o seu perfume pêlo relvado.

Apesar de ter apenas 20 anos, demonstra já ter uma maturidade e uma segurança mais que suficientes para ser titular indiscutível nos madeirenses e até almejar a voos mais altos. Sendo um médio mais defensivo, Pelágio é a âncora do meio-campo maritimista, tendo um posicionamento quase irrepreensível e lendo o jogo como um veterano. Com a sua visão de jogo, é capaz de antecipar os movimentos adversários e assim, de interceptar imensos passes, além de ser muito forte no desarme. Às capacidades defensivas, junta uma excelente capacidade de circulação de bola, revelando qualidade no passe e na distribuição de jogo.

A bola sai sempre redondinha dos seus pés, sendo por isso um farol na confusão que ocasionalmente se instala no meio-campo do Marítimo. Nesta primeira época na equipa A, afirmou-se como dono do meio-campo. Agora, há que continuar o crescimento e o trabalho, de maneira a cimentar a sua posição; a continuar assim, tem tudo para dar o salto para os grandes palcos do futebol português. Qualidade não lhe falta. Esperemos, em nome do futebol português, que oportunidades também não.

Inês Figueiredo Mendanha

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