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Ao longo das várias edições que se foram realizando da Primeira Liga Portuguesa, muitos casos tivemos de jogadores que se destacaram ao serviço de clubes ditos “pequenos”, ou seja, que normalmente não lutam por títulos e que têm uma expressão de adeptos e mediática inferior a SL Benfica, FC Porto e Sporting CP.
Precisamente por terem este destaque – muitas vezes até em jogos onde as suas equipas não eram favoritas – despertaram o interesse não só dos “três” com mais poder económico e desportivo, mas também de clubes estrangeiros que não se importaram de bater as cláusulas e levá-los para os seus projetos.
Sem prejuízo para as suas qualidades, a verdade é que alguns deles nunca demonstraram no clube “grande” a qualidade que evidenciaram no habitat onde conseguiram atrair a sua cobiça. Por exemplo, o Rio Ave FC tem sido, ao longo do tempo, um clube onde alguns destes jogadores vêm para “ressuscitar” as suas carreiras ou para lançar as mesmas. Diego Lopes, Krovinovic, Kieszek, Ruben Semedo, Gelson Dala ou Galeno são alguns dos nomes, mas há mais.
Então, quais poderão ser as razões para o insucesso dos jogadores? Pressão acrescida? Não se esforçaram o suficiente? Falta de aposta por parte dos treinadores? Alteração tática para um modelo que não os favorece? Muitos fatores podem ser apontados, mas só podemos teorizar, não estamos lá a acompanhar os treinos. Aqui segue o “meu” top desta semana.
5.
Yo fans, Bruno Varela is here! 👋😁#OláBruno pic.twitter.com/hg6leBbNHu
— AFC Ajax (@AFCAjax) January 29, 2019
Bruno Varela (AFC Ajax) – Formado no SL Benfica, foi sempre visto como um dos grandes produtos da formação em termos de guarda-redes e foi criando muita antecipação, especialmente depois de terem saído do Seixal jogadores como Oblak e Ederson. No entanto, Bruno Varela acabou por ser um tiro ao lado. Não estou com isto a dizer que é um guarda-redes fraco, mas creio que para um clube grande como SL Benfica ou até mesmo para o AFC Ajax – equipa que representa até ao momento – tem algumas limitações, quer entre os postes, quer a sair nas divididas pelo ar.
Saiu da formação benfiquista por empréstimo para o Real Valladolid CF, onde jogou pouco. Porém, foi na época seguinte, no Vitória FC, que fez a sua melhor temporada da carreira. Aliás, todos os adeptos encarnados se lembram do jogo em que a sua equipa perdeu por 1-0 em Setúbal, com uma exibição fabulosa de Varela na baliza, que apanhou tudo. Talvez a partida que convenceu os dirigentes do SL Benfica a avançarem para a sua recompra, no fim dessa época.
Foi aposta firme de Rui Vitória no ano seguinte, mas intercalando algumas exibições mais seguras, com outras onde lhe caía o “Carmo e a Trindade” das mãos, o que fez com que passasse de primeira para terceira opção no ano da “Reconquista”. Acabou por sair por empréstimo para o AFC Ajax, onde sabia bem que ia para ser o substituto de Onana. Quando terminar 2019/20, será devolvido à casa-mãe.
A minha aposta: vai-se motivar quando for contratado por uma equipa do meio da tabela da Primeira Liga Portuguesa em 2020/21 e vai novamente deixar os clubes de maior expressão a suspirar por ele, depois de fazer uma época com grandes exibições, sobretudo contra os próprios, roubando-lhes pontos.
4.
Joga bonito 🔥@MatheusPereira | #WBA pic.twitter.com/YqabSMNrht
— West Bromwich Albion (@WBA) February 6, 2020
Matheus Pereira (West Bromwich Albion FC) – Este é um daqueles casos que acho diferente de todos os que são abordados aqui neste top. Matheus Pereira é um craque e um dos jogadores que aprecio muito, que considero mesmo que ainda vai chegar longe. É formado no Sporting CP, onde ingressou nos juvenis desde tenra idade, vindo do seu país natal, o Brasil.
A partir de 2016/2017 começou a perceber-se que a formação leonina era curta para a qualidade, então começou a ser aposta na equipa principal. O problema dele nesta altura (não só dele, mas de muitos outros) era que Jorge Jesus estava com uma excelente equipa em mãos e estava a haver um progressivo desinvestimento na formação, por parte do antigo Presidente, Bruno de Carvalho. Para sermos justos, parece-me que o seu comportamento para com a entidade patronal Sporting CP nem sempre foi o mais correto.
Por tudo isto, saiu para o GD Chaves por empréstimo, onde partiu a loiça toda, sob a batuta de Luís Castro (30 jogos/oito golos, isto num extremo). Seguiu-se novo empréstimo ao FC Nürnberg, da Alemanha, onde era uma das estrelas de uma equipa moribunda e que acabou por descer de divisão.
No início desta época, tomou a melhor decisão carreira ao ir para o West Bromwich Albion FC, clube muito bem orientado por Slaven Bilic e que tinha claras ambições de subir de novo à Premier League. Passou a ser colega de outro dos jogadores que também podia ter visto melhores dias num clube “grande”, o SL Benfica, embora por razões diferentes (lesão grave), Krovinovic. Depois de mais 30 jogos e seis golos marcados, os campeonatos foram interrompidos e Matheus Pereira subiu à Premier League.
Agora, penso que cabe a si ter cabeça e continuar a exibir-se em campo como tem jogado. Tenho a certeza que vai dar o salto para outras paragens “mais ambiciosas”, até mesmo já dentro da Liga Inglesa. Aliás, já há mesmo rumores que apontam nesse sentido.
3.

Ricardo Esgaio (SC Braga) – Mais um caso de um dos jogadores do Sporting CP, formado em Alcochete, que não singrou em Alvalade. Ricardo Esgaio, natural da Nazaré, ainda chegou a fazer 87 jogos e 34 golos pela equipa B leonina, entre 2011 e 2017. Já na equipa principal fez 44 jogos mas não apontou nenhum tento.
Desde cedo se percebia que poderia estar talhado para outras tarefas dentro de campo, diferente do que fazia enquanto extremo, posição na qual deu nas vistas em tenra idade. Em 2015 esteve emprestado à Associação Académica de Coimbra, mas acabou por chegar a 2017 a jogar cada vez menos.
Foi nesse mesmo ano que surgiu o interesse do SC Braga, que o revitalizou como jogador. Com as apostas de Abel Ferreira, Ricardo Sá Pinto e Rúben Amorim em que atuava ou como lateral direito, ou a fazer toda aquela ala, demonstrou-se um jogador muito fiável: cresceu em capacidade defensiva, assertividade na marcação e não perdeu muitas qualidades nas incursões atacantes.
Veja-se como o futebol é um lugar onde um jogador num dia é dispensável e no outro imprescindível. Tudo depende de como são utilizados e do contexto em que são lançados. Já se fala que pode dar novamente o salto para um dos grandes ou até para o estrangeiro.
2.
João Carlos Teixeira assinou pelo Vitória SC e é reforço surpresa na apresentação aos adeptos. pic.twitter.com/3AgRzTnpFT
— B24 (em 🏠) (@B24PT) July 26, 2018
João Carlos Teixeira (Vitória SC) – Um daqueles “jovens” craques do qual não se duvida da qualidade, mas que se estranha como é que não explodiu de vez. Formado no Sporting CP, foi muito jovem para o Liverpool FC, o gigante inglês. Por lá andou entre 2012/13 e 2015/16, com alguns empréstimos pelo meio, sem nunca se afirmar definitivamente.
Em 2016/17 despertou a atenção do FC Porto, mas fez apenas dez jogos e não apontou nenhum golo. Daí, seguiu para Braga, por empréstimo, onde também não deslumbrou, mas esteve melhor. Em 2018/19 chega ao Vitória SC, onde permanece até hoje, e com a aposta de Ivo Vieira em si, de forma mais consistente, está a fazer atualmente a melhor época da carreira. Em 26 jogos já tem oito golos marcados, tendo mesmo chamado à atenção daqueles que escolhem os melhores jogadores da semana para o jogo FIFA 20, depois daquela exibição brilhante em Famalicão.
Ainda vai bem a tempo de singrar num clube com outras aspirações. Tem apenas 27 anos e bons “pezinhos”.
1.
Kléber foi o principal destaque da sessão de trabalho desta manhã na Amoreira. 💪⚽
Sabe mais em https://t.co/fyC3eLEFh1#OrgulhoEstorilista #EstorilPraia 💛💙 pic.twitter.com/NGqccypyy1— Estoril Praia SAD (@estorilpraiasad) August 31, 2018
Kléber (JEF United) – Foi entre 2009 e 2011 que Kléber Pinheiro deu nas vistas no CS Marítimo, por empréstimo do Club Atlético Mineiro. Um avançado muito móvel, que vinha muitas vezes atrás buscar jogo para começar o ataque da sua equipa, mas que podia ter mais golo. Ainda assim, foi o suficiente para o FC Porto apostar nele e, a verdade é que em quatro anos que esteve contratualmente ligado ao clube da cidade invicta, marcou 11 golos em 43 jogos (entre 2011 e 2012) e depois de regressar de empréstimo, na época 2013/2014, apontou três tentos em 15 jogos.
Para a qualidade que lhe apontavam e para o que adiantam que tenha custado (cerca de três milhões de euros), parece-me curto. Especialmente pelas valências que demonstrou no CS Marítimo e, no último ano de contrato com os “Dragões”, por empréstimo ao GD Estoril Praia, parece-me que foi “curto” para um clube com aspirações a ser campeão. Podem-me dizer que os números não são assim tão maus, e é verdade, mas para se singrar numa equipa como o FC Porto, tem se ter mais qualquer coisa, o tal “ADN à Porto” que os seus adeptos tanto apregoam.
Artigo revisto por Diogo Teixeira









