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Um top 10 de melhores jogos na Liga Inglesa poderia ser feito semana a semana, com a certeza que alguns bem dignos de nele marcar presença ficarem de fora. Um top 10 dos melhores jogos a partir do início deste século não me permite ser justo, porém elevam a célebres os que aqui são enunciados.
Como critério, a minha subjetividade neste capítulo consiste em golos (e/ou muitos lances de perigo), intensidade, bola cá/bola lá, excelente disposição tática, jogadores no pico de forma, determinação no sentido de arrecadar a vitória (incentivo: o contexto do jogo) e plateia ao rubro. Para mim, emoção é o que mais de belo tem este jogo. Toda a gente que gosta de futebol tem aquele(s) jogo(s) prediletos, que se emociona ao ver/rever. Para mim, esses são os melhores.
10.

Arsenal 4-4 Tottenham (29/10/2008) – Continuando por essa linha, o empate entre o Arsenal e o Tottenham (4-4), um derby bem escaldante do norte de Londres, logo no primeiro terço de campeonato (deu-se a 29 de Outubro de 2008). À imagem de qualquer derby, ou como a maior parte dos jogos da Premier League, este começou logo intenso e rápido. O Arsenal começou muito forte, mas ou desperdiçava ou elaborava em demasia as suas jogadas, algo característico dos gunners, verdade seja dita… Logo aos 13’, Bentley sacou uma chapelada de quase do meio campo a Almunia. Um golo nessas circunstâncias dá ainda maior azo a um jogo vivo e bem disputado. Para o que investira, o Tottenham tinha começado a Liga um pouco aquém, pois Harry Redknapp acabara de substituir, dias antes, Juande Ramos. Mas num derby nada disso interessava. Por sua vez, o Arsenal procurava dar uma resposta concreta, que aconteceu aos 37’, na sequência de um canto do lado direito. Silvestre devolvia o nulo ao placard.
Novamente de bola parada, mas de livre (também da direita), outro homem forte da defesa sobe à área e coloca o Arsenal na frente! A palestra ao intervalo de Wenger deve ter sido bem clara, logo no primeiro minuto da segunda parte, Gallas cabeceia e marca! Quase 20 minutos depois, Van Persie inicia um lance onde dá a bola a Nasri, que em posição favorecida, no cara a cara com Heurelho Gomes (atual keeper do Watford), faz a bola passar por cima deste. Tal não é suficiente, já que Adebayor teve de correr até ela e chegar primeiro do que Alan Hutton, de forma a introduzir o esférico na baliza. 3-1 para o Arsenal, mas o jogo parecia estar empatado! Aos 67, três minutos depois, Almunia defende para a frente e permite a recarga fácil de Darren Bent. Excelente ambiente que se vivia no Emirates. Na resposta, o Arsenal foi implacável e o inevitável Van Persie devolve os dois golos de vantagem aos da casa! Mas o melhor estava reservado para os últimos cinco minutos. Primeiro, um remate à entrada da área, do lado direito, de Jermaine Jenas, que descreve um arco perfeito e fora do alcance de Almunia. O golo foi marcado aos 89’ e pouco depois outro remate assim mas ao invés de entrar, bate no poste e volta ao radar de Aaron Lennon, que leva os adeptos visitantes ao delírio. Dessa forma fecha as contas de um dos melhores derbys londrinos de sempre. Tive a sorte de ver em direto a parte final desse jogo, quando ainda estava 4-2…
9.

Swansea 5-4 Crystal Palace (26/11/2016) – À semelhança do jogo acima descrito, aqui também se sucederam dois golos nos últimos cinco minutos, que ditaram a derrota do Palace, que vencia à passagem do minuto 90!!! Outro aspeto similar foi a ida de ambas as equipas para intervalo empatadas. Primeiro, aos 19’, Zaha, por entre vários adversários, consegue enquadrar-se com a baliza e bate Fabianski. 17 minutos depois, Sigurdsson restabelece o nulo com um livre direto muito bem batido logo à entrada da área. Henessey, guarda redes do Palace, não teve reação. Várias chances se iam sucedendo, mais para os lados do Crystal Palace, onde Zaha, o elemento mais criativo e habilidoso do ataque, surgia sempre com algo, como o cabeceamento à trave que efetuou já no final da primeira parte.
Na segunda, ambas as equipas jogavam na insistência, procuravam não cometer erros. E é através de um canto, num lance que poderia ter sido melhor abordado pela defensiva dos eagles, que Leroy Fer coloca os da casa na liderança! Mais curioso ainda, no minuto seguinte, novamente de bola parada, mas de livre, outra paragem cerebral por parte da defensiva do Palace, em Leroy Fer, outra vez, chega ao golo após facilidades por parte do adversário… Sete minutos depois, Tomkins reduz, mas sem querer… Após um canto na direita, a bola vem ao encontro do seu joelho direito e é obrigada a trespassar a linha de golo… Incrível! 3-2 para o Swansea. Jack Clork na tentativa de intercetar o remate de Wilfried Zaha, que vinha em diagonal em direção à entrada da área da ala esquerda, acaba por trair Fabianski e a bola acaba por entrar na baliza (82’)! Golos não muito convencionais, mas o jogo estava vibrante e notava-se que a bola estava propícia a entrar em qualquer uma das balizas. Dois minutos depois, Benteke marcava para os eagles! Jogo completamente partido na reta final! Já para lá dos 90’, Llorente corresponde a um cruzamento da esquerda, mas Henessey defende. A bola sobra para Sigurdsson, que remata de imediato e no caminho dela estava Llorente, que desta vez vê a bola abanar as redes! O golo foi encarado como um ponto obtido, nem os jogadores do Swansea pensariam em três pontos naquele momento. Mas este jogo é mesmo rico em surpresas, e a defensiva do Swansea, bombeia a bola para a frente, e na disputa da mesma é ganho um livre na zona central do terreno, aparentemente inofensivo, a cerca de 35 metros da baliza. Livre batido, bola na área, defesa do Crystal Palace, como é hábito, apática, e Llorente vê somente o esférico a saltitar e mesmo a jeito de ser chutada. É o que faz, o Swansea leva de vencido este Palace, que embora bem jeitoso em termos ofensivos, deixava muito a desejar na sua organização defensiva…
8.

Chelsea 2-2 Tottenham (2/5/2016) – O jogo que acabou por ditar o inédito campeonato ganho pelo Leicester. Como tal, considero-o histórico e muito simbólico. Além disso, foi um excelente jogo, um derby. Assim sendo, o Tottenham que estava também na corrida pelo título jogava contra um Chelsea já arredado do mesmo, mas que, por outro lado, queria “lixar” o seu rival e acabar ali com as chances dos de White Hart Lane prosseguirem na perseguição ao Leicester City. Primeiro Kane, no limite do fora do jogo, recebe a bola e em posição privilegiada arreda Begovic do caminho e insere a bola na baliza. Pelo meio, Diego Costa ia aquecendo os ânimos em volta do jogo, ao picar Vertonghen depois de uma disputa de bola mais agressiva entre ambos. Já ficava ali patente a rivalidade entre ambos os emblemas, e o Chelsea queria mesmo afastar os spurs da luta pela liga. Já no final da primeira parte, Ivanovic não acerta o passe e a redondinha sobra para Eriksen, que lança de imediato Son, que na cara do guarda redes também não perdoou. Ainda houve tempo para mais confusão: Danny Rose e Willian desentendem-se. Diego Costa agora com Dembéle também colocam água na fervura. O Tottenham apresentava um 4-2-3-1 muito compacto, mas ao mesmo tempo dinâmico, sobretudo no processo ofensivo entre o meio campo e os avançados. O Chelsea, por sua vez, não conseguia organizar o ataque eficazmente, embora por vezes Diego Costa conseguisse ir furando e disputando todas as bolas aéreas no último terço do ataque. Sempre que podia, rematava. Cahill reduz para os blues aos 58’ na sequência de um canto marcado na direita por Willian, fazendo com que a partida ficasse ainda mais intensa e emocionante. Do lado de fora, os de Leicester iam acompanhando o jogo na expectativa do Chelsea chegar ao empate e garantir desde logo a tão improvável determinação do campeão inglês. O Chelsea carregava bastante, estava por cima, mas Eriksen quase matava o jogo. A tal vontade dos pupilos de Ranieri é concedida pelo belga Eden Hazard, que remata já dentro da área, descaído para o lado esquerdo do campo, e bate Lloris com uma execução de enorme qualidade. Logo após o apito final de Mark Clattenburg, volta a dar-se uma maior confusão entre os elementos das duas equipas… Enquanto se sucediam tais incidentes, o Leicester celebrava o tão inesperado título!
7.

Newcastle 4-4 Arsenal (2/5/2011) – Um jogo que se desenrolou bem ao gosto do adepto inglês. Não tanto ao gosto de um simpatizante do Arsenal, mas vamos por partes. Walcott adianta logo antes de contar um minuto de jogo, dois minutos depois Djourou de cabeça faz o segundo, e Van Persie aos 10’ eleva a contagem para os três golos a zero! Um Arsenal, à data, a 4 pontos do líder United não podia mesmo desarmar. Aos 26’, Van Persie bisa e em menos de meia hora o resultado estava fixado em 4-0!!! Ao intervalo, vários adeptos do Newcastle iam abandonando o recinto de jogo! Uma primeira parte de opostos, em que o Arsenal, literalmente, destruiu o Newcastle na sua própria casa, ia dando um autêntico banho de bola aos magpies. O que estava reservado para a segunda metade apanharia qualquer pessoa desprevenida: Barton reduz de penálti quase aos 70 minutos. A estratégia do Arsenal para a segunda parte, a uma semana do embate com o Barcelona (Champions League), procurou controlar o jogo e não ser tão incisivo como na primeira parte. E também não parecia ser necessário. Porém, esse golo obtido por grande penalidade foi apenas o início: cerca de cinco minutos depois, Best, na insistência, após uma bola cruzada para a área, consegue fazer o 2-4! O Newcastle ganhava ânimo, e sentia que ainda havia tempo para remediar uma goleada certa. Aos 83’, Barton converte uma nova grande penalidade, e aí é que o encontro se tornou novamente incisivo e intenso, agora de ambas as partes. O Newcastle desequilibrava pelas alas, e procurava homens na área através de cruzamentos, mas foi na sobra após um alívio infeliz da defensiva do Arsenal, em que chega a Tioté, médio que faleceu há bem pouco tempo, e dispara um remate arrasador. Um remate que ficou eternizado num jogo também que nunca será esquecido por quem assistiu!
6.

Arsenal 2-4 Manchester United (1/2/2005) – Um jogo que já tinha começado no túnel de acesso ao relvado. Os protagonistas desse caso, Vieira e Roy Keane, iam trocando “bitaites” e umas “postas de pescada” um com o outro. O jogo começa logo com uma queda de Ashley Cole na área do United. Uma simulação bem evidente, em que ficou o amarelo por mostrar. A bola jogava-se sempre mais próxima da área dos red devils, onde Henry era a referência. Mas o Arsenal chega ao golo por Patrick Vieira, de cabeça. Canto batido por Henry, e Vieira é demasiado forte para ser marcado por Heinze, e com pouca dificuldade introduz a bola na baliza de Carroll. Assistia-se à resposta do United, num jogo muito equilibrado, entre duas equipas muito fortes. Giggs devolve o empate ao marcador, num lance muito bem desenhado. Pires, pouco depois, é travado por Silvestre, aparentemente de forma ilegal. É assinalado pontapé de baliza. Bergkamp volta a colocar o Arsenal na frente com um potente remate que passa por entre as pernas de Roy Carroll! Belas manobras ofensivas protagonizadas pelos gunners, já que contavam com um trio fenomenal na frente: Pires, Bergkamp e Thierry Henry. Por falar em craques, Cristiano Ronaldo, num lance rápido pela esquerda, manda calar os adeptos da casa com um remate muito forte e seco, fora do alcance de Almunia! Uma excelente primeira parte que colocava em ainda melhor plano a segunda. O Manchester United controlou bem as investidas do trio atacante adversário, e também não se podia queixar dos seus homens da frente: Giggs aproveita a saída em falso de Almunia e vai até à linha de cabeceira cruzar para Cristiano Ronaldo, que faz o segundo da conta pessoal! Na outra ponta, Henry utilizava como recurso, contra uma defesa bastante sólida e organizada, um pontapé de bicicleta, já que não conseguia, com espaço, encarar a baliza do United. O polivalente O’Shea supreendeu tudo e todos (inclusive a si mesmo) e saiu-se com “alta chapelada” ao guardião do Arsenal, sentenciando um jogo memorável.
5.

Liverpool 3-2 Manchester City (13/5/2014) – O Liverpool recebe o Manchester City numa altura em que seguia a dois pontos isolado na liderança da Liga Inglesa; o City ocupava o terceiro posto, a sete pontos do respetivo líder. O Liverpool, na primeira parte, chegou logo ao 2×0: Sterling (curiosamente, defende agora as cores do rival) foi lançado por Luis Suarez, e o seu génio foi demonstrado ao abrir a contagem. Gerard buscava concretizar o sonho de voltar a ver o seu Liverpool como campeão, e como é hábito, além de organizar o meio campo, participava ativamente no ataque. Algo bem característico do seu perfil enquanto jogador e, sobretudo, capitão. O City criava perigo, maioritariamente de bola parada, e a defesa dos de Anfield ia segurando a vantagem. Martin Skrtel marcou para os reds ao vir ao encontro da bola batida num pontapé de canto na esquerda! O City via-se desfalcado logo cedo, com a lesão de Yaya Toure, mas David Silva foi o eleito para fazer o papel de skipper, conceito da gíria inglesa que consiste em comandar a tripulação, neste caso liderar o processo ofensivo dos cityzens. Como tal, foi ele o homem a reduzir e silenciar Anfield Road. Milner cavalgava pela direita e assistiu David Silva, que remata sem chances de defesa para Mignolet.
Logo depois, o mesmo D. Silva, na insistência, consegue estar em boa posição para assistir Dzeko, mas o seu passe foi forte demais para o bósnio… Silva, inspirado, tem novamente a bola em posição privilegiada na área contrária e conta com a ajuda de Skrtel para bater o belga Simon Mignolet! Desta vez o estádio ficou apavorado, sem brilho e ecoava a frustração… O sentimento que mais bate nos aficionados do Liverpool, já se via o título por um canudo… Suarez, de forma a contrariar este facto, tenta cavar um penálti, mas sem sucesso. Kompany abordou o lance de forma limpa. Do lado contrário, David Silva esteve mesmo à beira do hat-trick! Tremia-se muito de nervosismo e ansiedade em Anfield… Kompany, agora foi cúmplice: falhou no alívio, a bola sobra para Coutinho, e adivinha: explosão em Liverpool! Decorriam 78 minutos de jogo, e Coutinho vê a bola a jeito e dispara. Selou o 3-2 final! O jogo não terminou sem que Hendersson varresse Nasri e acabasse expulso. Com os três pontos amealhados, e com mais 15 pontos por disputar, o Liverpool iria na próxima jornada enfrentar o Chelsea, o segundo classificado. Como é sabido, Gerrard escorregou e o resto já está mais do que escrito e debatido…
4.

Liverpool 4-4 Arsenal (21/4/2009) – A 21 de Abril de 2009, deu-se um dos jogos mais frenéticos que já teve existência: duas equipas conhecidas pelas suas debilidades defensivas, mas em oposição, que costumam contar com jogadores brilhantes e criativos no ataque, suscitaram uma terça feira à noite do melhor que pode haver.
O Liverpool apostou desde cedo na manobra ofensiva: à sua disposição jogadores como Torres, que no seu auge (era o caso) consistia num elo capaz de desequilibrar por si só, encontrar espaços e fazer golos. Todo o processo ofensivo dos reds tinham Torres como destino. O Arsenal tinha um jogador do mesmo género, mas não jogou (Robin Van Persie). Na primeira meia hora, os da casa dispuseram de várias e claras chances de golo, mas Fabianski estava em todas (Torres que o diga). E é absolutamente contra a corrente que o Arsenal chega à vantagem, por intermédio de Arshavin! O russo foi muito mal marcado pela defensiva da casa, e só trata de receber a bola e rematar. Benayoun foi o jogador que mais tentou alvejar a baliza de Fabianski até ao final da primeira parte, mas ,por incrível que pareça, o jogo foi mesmo para intervalo com o Arsenal na frente.
Na segunda parte, ao contrário da primeira, o Liverpool finalmente consegue bater Fabianski, que foi o melhor em campo, em absoluto, nos primeiros 45 minutos. Torres de cabeça, após um lance muito trabalhado por Kuyt, faz o empate. Pouco depois, nesta linha ofensiva muito insistente, o Liverpool dá a reviravolta através de Benayoun! No entanto, o Arsenal não se ficou e agora não era Fabianski, mas sim Arshavin a ter a estrelinha. Tudo lhe corria bem. Empata a partida com um golaço, um remate cruzado em diagonal vindo da esquerda, após lapso de Arbeloa. Reina não tem como fazer frente à colocação e potência daquela bomba. Somente três minutos depois, o contrário: remata fraco e mal colocado, mas mesmo assim Reina não esteve à altura…
O Liverpool, face a esta tamanha contrariedade, que acontecera em menos de cinco minutos, fica numa situação bem complicada, no que diz respeito à luta direta contra o rival United, numa fase já de final de campeonato. Era preciso ir em busca, desesperadamente, de golos. E é por isso que tinham Torres. O espanhol, um dos melhores jogadores do mundo na altura, troca as voltas, seja a defesas, seja ao guarda redes, e volta a estabelecer o empate! Fernando Torres jogava mesmo muito! Logo na resposta, Bendtner após se desmarcar, recebe de Song, e marca…mas foi apanhado fora de jogo. Um lance um pouco duvidoso em termos de análise. Numa partida que já teve tanto, o melhor ainda estava guardado para o fim: a dez segundos do minuto 90, Arshavin marca o quarto golo da conta pessoal!!!
Quatro golos, um grau de eficácia extremo, quando visava a baliza em boa posição, não falhava! Uma exibição ao nível do que fez no Euro 2008… Provavelmente foi a sua melhor exibição de sempre! Até ao final, foi Arsenal na área, Liverpool a tentar entrar nela ou a ter ângulo de remate perto dela. Mas não demorou muito o empate, num jogo extremamente frenético. Benayoun apanhou uma bola perdida, sem cobertura, marca, e corre novamente para o círculo central do campo… Onde é que os ferrenhos dos reds já tinham visto algo semelhante? Talvez dias antes, já que a contar para os quartos de final da Liga dos Campeões, num empate exatamente igual diante do Chelsea!! (Insuficiente, o Chelsea tinha ganho 2-0 em Stamford Bridge). Mas ultrapassado o desaire a nível europeu, o Liverpool apenas se interessava na vitória, que não surgiu, mas fica para sempre documentado uma das melhores noites de futebol que, muito possivelmente, Inglaterra já teve!
3.

Liverpool 4-3 Manchester City (14/1/2018) – Um jogo muito recente, muito mesmo. Um jogo que chamou o City esmagador à Terra. Jurgen Klopp, conhecido pelo “gegenpressing”, que designa um estilo de jogo, consistindo numa elevada pressão ao adversário, durante praticamente todo o jogo (a não ser que seja resolvido cedo, ou não requeira tanto esforço por parte dos atletas). Klopp é exigente e pede o máximo dos seus pupilos. E tal filosofia de jogo contrasta com a de Guardiola. A do último consiste na posse e na circulação da bola; a do primeiro consiste em pressionar quem circula essa bola.
O Liverpool recebia o, até então, imbatível Man. City de Guardiola (que já suscitava debate, se conseguia igualar o feito do Arsenal em 2003/04), e perspetivava-se um jogo daqueles…
A determinação do Liverpool em fazer descer o City à Terra, ficou logo visível por intermédio de Oxlade Chamberlain. O avançado contratado ao Arsenal, um jogador rápido e possante, corre sem oposição até à linha defensiva dos cityzens, ajeita a bola de forma a não ser cortada ou intercetada, e coloca a sua equipa na frente! O City via-se com dificuldades em chegar a zonas de perigo, a defensiva do Liverpool sempre muito coesa e organizada, não permitia as habituais fugas à marcação por parte do Manchester City, e De Bruyne vai tentando a sua meia distância… Na passagem do minuto 40, Sané aproveita o erro de Joe Gomez e consegue uma arrancada em diagonal em direção à área. Saca um potente remate, e Karius não deu oposição alguma… Estava feito o empate, e o jogo seguiu assim até ao intervalo.
O City teve uma boa ocasião através de um canto, mas Otamendi cabeceou à trave… Desde então, os lances mais perigosos pertencem ao Liverpool, que na hora de jogo dominou por completo e “ridicularizou” o primeiro classificado da Premier League. Firmino faz um jogo de chapéu a Ederson absolutamente fantástico, de grande categoria; pouco mais de um minuto depois (não foi menos devido ao tempo gasto em festejos), Mané fica perto de outro golo para o Liverpool! O Liverpool ia para cima do City sempre que tinha a bola, e não tinha grande oposição. Novamente Mané, recebe na ponta esquerda da área e sai-se com um grande remate de pé esquerdo! 3-1! O jogo estava empatado dois minutos antes!!! O Liverpool estava louco, Klopp estava possesso, o estádio ia abaixo! Os reds superiorizavam-se ao City. Guardiola, calmo, pensava a fórmula tática de inverter tal situação. Lançou a Bernardo, talvez para assegurar um melhor controlo e contribuir para uma circulação de bola melhor pensada, não precipitada como estava a acontecer, e o português chega mesmo ao golo, aos 83 minutos! E como se sabe, dez minutos é muito tempo para as equipas de Guardiola… Mesmo assim, o Liverpool segurou, mas sem se livrar de um golo ainda! Gundogan recebe na área e Karius nem teve tempo de reação… Anfield foi o único terreno em que o fantástico Manchester City desta época não conseguiu nem um ponto (à exceção do Shakhtar de Paulo Fonseca, para a LC).
2.

Tottenham 3-5 Manchester United (29/9/2001) – Não apenas um jogo de Liga inglesa, mas de Super Sunday. Um domingo, digamos… puxado. Um domingo em que a malta não vai só passear…
Numa fase precoce do campeonato, o United tricampeão dirige-se a White Hart Lane. E os da casa surpreendem os campeões: uma primeira parte onde o Tottenham dá um autêntico banho de bola ao rival. Dean Richards adianta os da casa cedo (golo na estreia, aos 15’), Les Ferdinand e Christian Ziege marcaram os seguintes! Ferguson deve ter mascado todas as chicletes que tinha levado ao norte londrino… E não teve papas na língua nem vergonha quando expressou o seu desagrado, no intervalo, estava a ferver… Ser jogador do United podia ser um sonho, mas naquele momento quem fazia parte do onze só queria que recomeçasse a segunda parte para não ouvir mais “ralhete”. Em 4-4-2, contra um esquema 3-5-2 dos spurs, Darren Anderton, Gus Poyet and Steffen Freund aniquilavam Scholes e Juan Sebastian Verón, os red devils não conseguiam montar uma jogada de ataque bem desenhada. Além disso, a defensiva do United não era considerada grande espingarda pela crítica, já no ano anterior se comentava isso…
Na segunda metade, Ferguson coloca Silvestre (como lateral esquerdo) e Solskjaer em campo. Quando algo está mal, o escocês não costuma perder tempo. Andy Cole reduz! Cruzamente do Gary Nevile e de cabeça, logo a abrir o segundo tempo, finaliza com sucesso. Tanto ele como Ruud Van Nistelroy, pouco em jogo na primeira parte, viam agora a bola chegar lá à frente com maior frequência. Laurent Blanc é quem cabeceia na sequência de um canto, e já cheirava a recuperação. Inversão de papéis: na segunda parte, era agora a equipa visitante a dominar e a encostar o adversário atrás! Corriam de feição as jogadas, Silvestre tinha espaço na ala esquerda e levava a bola para a frente, o Tottenham concedia demasiado espaço. É então que surge o empate: Van Nistelroy cabeceia numa zona de morte. O holandês, na altura, era implacável na área e, mais uma vez, isso ficou demonstrado! Empate, grande recuperação, grande segunda parte dos tricampeões! O lado esquerdo era a aposta da equipa de vermelho, e foi com naturalidade, mesmo parecendo que não, que Veron carimba a reviravolta no marcador. Remate cruzado, sem muita pressão, o argentino teve espaço para armar o disparo e não se inibiu! Novamente explorando o lado esquerdo, até lá o United trocava a bola brilhantemente, avançava com perigo, e colocava ao mesmo tempo muita gente a entrar na área à espera do cruzamento. Porém, Solskjaer cruza atrasado, para a entrada da área, Beckam ajeita, e sela a mão cheia final! Golaço! Incrível futebol que se jogava por esta equipa… David Beckham, ao marcar, dissipou qualquer dúvida que restasse quanto a esta partida. Sem mais demoras, adeptos do Tottenham abandonavam a bancada logo de seguida, decorria o minuto 87…
1.

Manchester City 3-2 Queens Park Rangers (13/5/2012) – Vibrante, dramático, épico são adjetivos que não chegam para descrever esta partida. Os adeptos do City que o digam… Se o dia 10 de Julho de 2016 foi um dos meus melhores de sempre, tenho a certeza que o dia 13 de Maio de 2012 também foi parecido para os cityzens.
Aos 40’, Pablo Zabaleta desbloqueia o nulo e todos saltam de alegria: o guarda redes podia ter feito melhor, não se questiona… City vai a ganhar para o descanso.
Reentram os jogadores, e volta o nulo: Djibril Cissé na cara de Hart não perdoou. Num jogo de tanta decisão, e com Joey Barton em campo, não se podia só jogar futebol: “danadão”, o inglês foi estupidamente expulso ao agredir Aguero. Os ânimos aqueciam facilmente, obviamente, numa equipa que jogava o campeonato naquele jogo e precisava de vencer.
Mackie, de cabeça, com a sua equipa reduzida a dez unidades, faz de cabeça o 1-2… Não se queria acreditar, Mancini não sabia o que dizer aos jogadores, o próprio estava desolado…
Minuto 90, Queens Park Rangers a vencer. O jogo do rival United, terminara, tinha vencido. Ganhariam o campeonato, caso o City não ganhasse. Tudo indicava isso.
De canto, aos 92 minutos de jogo, Dzeko eleva-se na área e faz o golo! Certamente houve quem dissesse, aquando esse momento, que o golo teria de ter surgido mais cedo para ser possível virar o resultado. Mas não. Partida recomeçava, City recuperava instantaneamente, lançava-se no ataque desesperadamente, nervos à flor da pele, quase tudo coração, quase nada de cabeça. E acontece: De Jong joga com um Aguero a vir buscar jogo, este combina com Balotelli, que por pouco não consegue devolver, mas devolve, Aguero evita o adversário, ajeita para o pé direito, e o resto já correu muita tinta! Uma explosão de alegria só vista pelas gentes daquele clube 44 anos antes… Mas Aguero foi herói num dia que poderia ter sido muito diferente, muito diferente mesmo. Facto curioso foi o alcance deste feito no período correspondente ao “Fergie time”, sendo que o rival de Manchester costuma ganhar jogos no tempo de compensação… Irónico, não?
Foto de capa: Premier League
Artigo revisto por: Rita Asseiceiro










