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Os 5 jogadores que podem estar a um passo dos três grandes

Inês Figueiredo Mendanha · 6 min

O guardião brasileiro do Boavista FC, Helton Leite, estará a caminho do SL Benfica, pela módica quantia de dois milhões de euros.
Foto: Carlos Silva / Bola na Rede

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Em circunstâncias normais, sem pandemia nem vidas em stand-by, devíamos estar a duas semanas de finalizar o campeonato, antevendo campeões, descidas de divisão, apuramentos para a Europa… tempos pelos quais anseio e que em breve voltarão. Nesse mundo sem Covid-19, já teriam começado os rumores próprios do mercado de transferências, apontando um sem número de jogadores a diferentes clubes. No entanto, com a grave crise sanitária que vivemos, e a económica que já aí espreita, poderemos ter um mercado de Verão atípico, com todos os clubes a apertar o cinto e com menos especulação. A realidade que vivemos pode levar os ditos clubes grandes a olharem para dentro, cingindo-se ao mercado interno, onde certamente encontrarão jogadores preparados para dar o salto na carreira. Assim, falemos de cinco jogadores de equipas “pequenas”, no radar dos grandes, com mais que qualidade para vingar.

Lourency Rodrigues (Gil Vicente FC)

Este extremo-direito brasileiro, chegado ao Gil Vicente FC no início deste ano, trazia consigo as expectativas de uma pérola da Associação Chapecoense de Futebol, aliado a uma história de sorte, já que escapou à tragédia que assolou o clube de Chapecó ao jogar pelos sub-20 em vez da equipa principal. Lourency assentou que nem uma luva ao estilo de jogo dos comandados por Vítor Oliveira, afirmando-se cedo como uma das figuras dos galos. A primeira vez que o vi em acção, conquistou-me de imediato; no Gil Vicente x FC Porto da primeira jornada, aqueles detalhes de craque não engavam, uma vez que entre dribles, sprints e remates, era uma autêntica seta envenenada apontada à baliza portista. Esse jogo ilustra na perfeição o melhor de Lourency: uma técnica bem acima de média, uma capacidade de explosão enorme, um pé direito mágico, que alia jeito à força, um lutador incansável com uma capacidade de desmarcação absolutamente extraordinária.

Nesse jogo, além do golo, fez também a assistência para Kraev que carimbou o resultado, contrariando aquele que considero talvez o seu maior problema: o querer levar a bola para casa, muito característico de um jogador virtuoso. Uma outra característica importante de Lourency é a ligação que cria com jogadores dos diferentes sectores do campo; além das inúmeras combinações com o lateral-direito, a quem muitas vezes socorre, joga praticamente de olhos fechados com o criativo Kraev, e forma com o ponta-de-lança Sandro Lima, uma dupla temível para qualquer defesa. As suas exibições já chamaram a atenção de vários clubes, entre os quais Sporting CP e FC Porto, cientes da margem de progressão de um jogador com um potencial enorme. Veremos se um dos responsáveis pela fantástica época do Gil Vicente dá o salto para um dos grandes.

Mehdi Taremi (Rio Ave FC)

O Rio Ave FC ocupa à data, um sensacional quinto lugar, em grande parte devido à equipa técnica fantástica e à excelente época de vários jogadores. Arrisco-me a dizer que é uma das equipas-sensação do campeonato. Isto desperta naturalmente a cobiça de outros clubes nalgumas das figuras da equipa, nomeadamente o artilheiro Mehdi Taremi. Com oito golos em 20 jogos no campeonato, ocupa a quarta posição na lista de melhores marcadores, o que constitui um excelente indicador do trabalho de um ponta-de-lança. Mas desengane-se quem pensa que Taremi é um homem que “só” marca golos (o que já não seria mau): com uma técnica sublime, tem também capacidade para fazer circular a bola e graças à sua excelente compleição física, joga muito bem de costas para a baliza. Um avançado muito completo e que continua a surpreender com o seu timing de desmarcação, a sua capacidade de antecipação e a sua frieza em frente à baliza. Esta fantástica primeira época em Portugal chamou a atenção de SL Benfica e Sporting CP, que, conscientes da qualidade do iraniano, ponderam a sua contratação para a próxima época. Quer me parecer que o Rio Ave terá muitas dificuldades para segurar o seu homem-golo.

Fahd Moufi (CD Tondela)

Este lateral-direito do Tondela tem vindo a ser uma das melhores surpresas do campeonato. Com uma escola de luxo, já que é formado no Olympique Lyonnais, adaptou-se na perfeição ao futebol português, somando exibições de luxo nos beirões, afirmando-se como um pilar na defesa da equipa. Forte fisicamente mas com técnica suficiente para só adoptar o “ ‘tá apertado, bota fora” em último recurso, é praticamente um muro do lado direito da defesa do Tondela. É um lateral ofensivo, com uma excelente técnica de cruzamento; além disso, joga sempre de cabeça levantada, saindo a jogar com facilidade, sem nunca comprometer a sua equipa. Com um pulmão inesgotável, faz do seu corredor um vaivém constante. Um defesa que teve uma evolução espantosa, o que lhe vale agora o interesse de FC Porto e SL Benfica, que disputam taco a taco a liderança do campeonato, e que, inexplicavelmente, apresentam uma lacuna no lado direito da defesa (o SL Benfica sem alternativa confiável a André Almeida e o FC Porto com Corona adaptado), que poderá em breve ser colmatada pêlo lateral francês.

Helton Leite (Boavista FC)

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Na época passada, Helton Leite chegou a Portugal para representar o Boavista FC, cedo convencendo no clube nortenho, habituado a ter grandes guarda-redes. O mineiro sempre  demonstrou excelentes reflexos, aliados a uma elasticidade fulcral aos guarda-redes, além de saídas felinas da baliza; a isto, junta um posicionamento irrepreensível, capacidade de antecipação e um excelente jogo de pés, cada vez mais importante no futebol moderno, onde a construção de jogo começa no guardião. Após uma lesão grave, que o afastou dos relvados por algum tempo, Helton voltou em força, conquistando o prémio de guarda-redes do mês em fevereiro e março, premiando assim as suas qualidades indiscutíveis. Na minha opinião, o brasileiro é um dos melhores guarda-redes da Liga, e o scouting do Benfica parece partilhar da minha opinião, já que o clube levou a cabo uma sondagem pelo jogador no final da época passada, aquando da autêntica novela mexicana que foi a posição de guarda-redes dos lisboetas e o mercado de transferências. O negócio acabou por não se concretizar, pois o jogador ainda apresentava mazelas nos exames médicos. No entanto, este namoro antigo poderá agora ter um final feliz, uma vez que os actuais campeões nacionais parecem querer reforçar a baliza, não obstante a confiança tremenda no guardião Vlachodimos; no final de contas, a concorrência entre jogadores é sempre benéfica.

Uros Racic (FC Famalicão)

O FC Famalicão tem feito uma época memorável. Um clube que subiu esta época à primeira divisão e que tem mostrado um futebol cheio de identidade e qualidade. Dá gosto vê-los jogar. Poderíamos destacar grande parte do plantel famalicense, mas optei por escolher um jogador discreto, mas absolutamente fulcral na manobra da equipa: Uros Racic. O sérvio é uma autêntica âncora no meio-campo dos nortenhos, um porto-seguro que muitas equipas invejam. Dono de um físico que impõe respeito, ninguém diria que tem pezinhos de lã. No entanto, a verdade é que, combina a virtuosidade no drible e a eficácia no passe, com um pé esquerdo capaz de meter a bola na gaveta com a facilidade com que se faz um passe para trás (algo que raramente faz). Parece-lhe tudo fácil. Apesar de comandar o jogo, raramente se dá por ele, até haver uma transição defensiva em que faz uso da sua excelente capacidade de desarme para sanar a situação. É, quiçá, dos médios-defensivos mais completos do nosso campeonato, +e daqueles típicos jogadores que todos os treinadores querem. Com o campeonato na recta final, adensa-se o mistério sobre o futuro do jogador. Presume-se que voltará ao Valencia CF, clube que detém o seu passe, mas quer FC Porto, quer SL Benfica já demonstraram interesse no jogador. Uma coisa é certa: está preparado para jogar em qualquer uma destas equipas.

Inês Figueiredo Mendanha

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