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Top 10 – Vitórias do Benfica sobre o Sporting

Tiago Martins · 14 min

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[tps_title]10.º Sporting 3-6 Benfica (Campeonato)[/tps_title]

Sporting 3-6 Benfica
Sporting 3-6 Benfica

14 de Maio de 1994. Um dos sábados mais chuvosos que Lisboa teve o desprazer de conhecer trouxe também consigo um temporal de golos. Foi o jogo dos jogos. O orgasmo futebolístico que arrepiou os pêlos da nuca de qualquer amante de futebol. Uma orgia de pontapés, cabeçadas, fintas e sprints de deixar a língua de fora que, por sua vez, de fora deixou a língua de muitos.
Vou-me deixar de hipocrisias: não me lembro de nada. Ainda nem três anos tinha na altura. Muitos de vós não se lembrarão também. Mas quantos já não perderam horas e horas a procurar na Internet e na RTP Memória nem que seja o resumo destes nove pedaços de céu que mais de 60 mil presenciaram em Alvalade?
Foram 90 minutos como poucos. Aliás, acredito que nunca voltemos a presenciar tal tipo de jogo por muitos derbies a que assistamos. É que nunca as duas equipas lisboetas mediram forças tão iguais e tão interessantes: de um lado havia um Benfica enorme, com Isaías, Neno, Mozer, Schwarz e um Rui Costa que nem a campo foi. Do outro, aquele que muitos acreditam ter sido o melhor Sporting de sempre, com estrelas como Figo, Balakov, Stan Valcxx, Paulo Sousa e até mesmo Jorge Cadete. No final, um outro nome fez a diferença. Sousa Cintra chamara-lhe “mercenário”. Os benfiquistas optaram por “Menino d´Ouro”. João Vieira Pinto, em menos de quinze minutos, fez um inenarrável hat-trick que ainda hoje vive e sobrevive na memória de milhões. Naquela relva empapada presenciava-se História: aquele havia de ser o jogo da vida de João Pinto e um dos mais gloriosos encontros que o Glorioso havia de disputar. Impossível, portanto, não o colocar neste TOP 10.

Vejam o resumo do jogo em: http://www.youtube.com/watch?v=Ww_DOQN2Sg8

[tps_title]9.º Benfica 3-0 Sporting (Campeonato)[/tps_title]

Benfica 3-0 Sporting
Benfica 3-0 Sporting

3 de Dezembro de 2000. Aqui a memória já nos conta histórias. Estamos no primeiro ano do novo milénio e um senhor muito especial chega ao Benfica para substituir Jupp Heynckes, treinador que confirmou durante cerca de um ano a gestão ruinosa de Vale e Azevedo. Esse senhor de quem falamos é o treinador português com o maior palmarés de sempre. Palmarés esse que, para meu pesar, ganhou especial recheio aquando da sua jornada pelo FC Porto. Falamos de Mourinho, técnico que sai do Benfica após 9 jogos (!), pois o novo presidente, Vilarinho, já tinha em Toni o homem que queria para liderar o plantel. Se dúvidas havia, por aqui se percebe a dimensão do alcoolismo que perturbava (e com certeza perturba) a mente deste senhor, ao qual somente agradeço por ter corrido com o corrupto mais famoso que o futebol português já conheceu…depois de Pinto da Costa, claro.
A história do jogo reside no facto de o Benfica ter feito uma das piores épocas de sempre (terminando em sexto lugar a 23 pontos do primeiro lugar, o Boavista), ter no seu plantel um conjunto de pouco brilhantes estrelas que não sabiam jogar em conjunto e mesmo assim ter conseguido dar monumental tareia num Sporting que vinha de um período de seis jogos sem perder e que só tinha tido maus resultados na Europa. Depois de ter sido claramente puxado por André Cruz dentro da área, o enorme, mas sempre vacilante, Pierre van Hooijdonk fez o primeiro da noite de grande penalidade…por duas vezes. Isto porque o primeiro penálti foi (ridiculamente) invalidado. O jogo decorre depois com os sobressaltos inerentes a um dérbi até ao momento em que João Tomás – o mais subvalorizado avançado do nosso futebol – entra na partida e minutos depois marca dois golos que ninguem fazia esperar. A Luz vem abaixo com um chorrilho de olés, clamores que envergonhavam uma equipa que havia entrado em campo e deixado o espírito no balneário. Para compensar, e porque o futebol tem destas coisas, na segunda ronda do Campeonato, e já a actuar em casa, os leões haviam de nos levar por vencidos…e também por três bolas a nada.

Vejam o resumo do jogo em: http://www.dailymotion.com/video/x1599y_benfica-3-sporting-0-de-2000_sport

[tps_title]8.º Sporting 0-1 Benfica (Campeonato)[/tps_title]

Sporting 0-1 Benfica
Sporting 0-1 Benfica

2 de Maio de 2004. Pensemos na expressão “balde de água fria”. Imaginemo-la como se fosse no mundo a única coisa atingível pela nossa mente. Percamo-nos nela e esqueçamos tudo. Lentamente sentimos os arrepios dignos de tal exercício mental. O desespero. O susto e a raiva que imediatamente daí advêm. Toda a cor que pinta o nosso universo desaparece momentaneamente e já nem sabemos o que significa o momento. Parece que ali pertencemos para sempre.
Depois de fazer um dos jogos mais fracos que vi frente ao Sporting – a condizer com o triste campeonato que ia arrastando até ali -, do nada, e a três minutos do fim aparece um brasileiro, malandro como só ele, que faz aquele que seria o primeiro golo a ficar-me na memória e a nunca mais desaparecer. O momento, o tal balde de água fria que lavou (e silenciou) Alvalade, ficou lembrado como “o tiro lá do meio da rua do Geovanni”. Um golo tal, um momento de arte tão e uma felicidade assim não podiam deixar de marcar presença nesta lista. Ainda hoje revejo este bocadinho de “lenda” e delicio-me como se fosse ontem.

Vejam o resumo do jogo em: http://www.dailymotion.com/video/x18da9_sporting-0-benfica-1-de-2004_sport

[tps_title]7.º Benfica 3-3 Sporting (7-6 nas g.p.) (Taça de Portugal)[/tps_title]

Benfica 3-3 Sporting
Benfica 3-3 Sporting

26 de Janeiro de 2005. Acho que vos menti. Na realidade, esqueci-me da beleza dos dérbis e da capacidade que têm de se perpetuarem no tempo e serem sempre, e para sempre, jogos únicos e diferentes de tudo. Se há pouco defendi que nunca mais assistiríamos a um jogo como o 3-6 em Alvalade, agora vejo-me obrigado a apresentar-vos aquele que é o meu sétimo lugar desta lista:
Estamos na Catedral. Aos três minutos, Simão aponta um daqueles seus livres com assinatura e, com a bola a pingar sobre a linha, aparece Geovanni para a emenda. Primeiro para o Benfica. Dez minutos depois o pé-canhão Hugo Viana faz um golo tal à entrada da área que Quim repensou toda a sua carreira como guarda-redes. Ora, e se o Benfica estava na frente foram precisos só mais outros três minutos para tudo mudar de figura com Liedson – o carrasco do Benfica durante tantos anos – a aproveitar uma jogada oportuna da equipa visitante. Trapattoni perdia a paciência no banco quando, nem outros oito minutos depois passaram e o Benfica empatou aquele que estava já a ser um jogaço enorme. Golo a papel químico. Igual ao primeiro: Petit chuta de longe no decorrer de um livre e lá vem o teimoso Geovanni encostar para o (seu) segundo da noite. Vamos para os descontos, muitos minutos (mais calmos) depois , quando aos 109’ o moçambicano Paíto, ala do Sporting, faz um dos golos mais fulgurantes que já tive a oportunidade de ver na minha vida. Rouba a bola a Carlitos, faz todo o lado esquerdo do campo e, ainda não contente, mete um túnel a Luisão para depois, já na área, disparar para longe das mãos do guarda-redes de encarnado. Que momento! Mas é quando os sportinguistas começam a gritar vitória que aparece, a quatro minutos do fim, outro golaço…o golaço da noite. Simão empata depois de meter a bola na gaveta superior esquerda da baliza de Tiago. Jesus Cristo, nosso Senhor, alguém chame uma ambulância. Depois de um jogo destes ainda vamos para penálties. Com Alcides a fazer o tento mais bonito da marca de 11 metros (!), aparece depois Miguel Garcia que acerta na barra e “deixa” o Benfica seguir para os quartos de final da Taça de Portugal. Impróprio para cardíacos!

Vejam o resumo do jogo em: http://www.youtube.com/watch?v=NdNuUsSu3zo

[tps_title]6.º Sporting 1-3 Benfica (Campeonato)[/tps_title]

Sporting 1-3 Benfica
Sporting 1-3 Benfica

10 de Dezembro de 2012. O dérbi que fez correr mais tinta do que os próprios jogadores correram realmente. De espectacular neste encontro…só a improbabilidade do mesmo. Foi um jogo morno, com o Benfica a dominar a maioria dos momentos, mas a verdade é que foi o Sporting a adiantar-se no marcador com uma malandrice do hoje já esquecido van Wolfswinkel. Primeira improbabilidade da noite.
A segunda chega com o empate. Ainda hoje não se percebe muito bem como, mas quem faz o primeiro do Benfica não é Cardozo, o homem do hat-trick da noite…é Rojo, o lateral do Sporting. O árbitro assim não entendeu e atribuiu o golo ao paraguaio.
Terceira improbabilidade: o Sporting perde a noção do encontro e cede de tal forma que o central (caceteiro) Boulahrouz pára com a mão o que seria o golo de Salvio. Lá vem o Tacuara para marcar a grande penalidade e fazer o 1-2.
Quarta improbabilidade: o paraguaio chega mesmo ao terceiro da noite, num lance muito semelhante ao do primeiro tento e que foi mais tarde posto em causa pela Direcção leonina que defende que se trata na realidade de um auto-golo…o segundo da partida, portanto.
Este remoinho de emoções e casos dão direito a um sexto lugar neste Top, ainda para mais se nos lembrarmos que o jogo foi em casa alheia…

Vejam o resumo do jogo em: http://www.youtube.com/watch?v=vTVMy05RHdY#t=15

[tps_title]5.º Sporting 1-4 Benfica (Taça da Liga)[/tps_title]

Sporting 1-4 Benfica
Sporting 1-4 Benfica

9 de Fevereiro de 2010. Jogo sem história…para o Sporting. No reduto do seu maior rival, o Benfica entra em campo com um onze bem mais desfalcado do que o do Sporting – por se tratar de um jogo para a Taça da Liga – e, mesmo assim, cilindra com uma violência tal a equipa da casa que Carlos Carvalhal, cada vez que aparecia nas imagens, parecia estar a ver o mundo a arder.
O que ardia era, na realidade, os ânimos da equipa de encarnado que de cada vez que ia à baliza do Sporting só lá não deixava um presente porque o Di María estava em noite inconciliável com as redes. Para compensar, o trio brasileiro David Luiz, Ramires e Luisão (por ordem) meteu os leões a dançarem o samba com três golos que só tiveram resposta…por parte de um outro brasileiro: Liedson. Pontapé fraquinho, mas certeiro, a entrar no buraco da agulha da baliza de um Júlio César bem diferente do de hoje em dia. O melhor ficou para o fim e é esse melhor que justifica este quinto lugar: a uns 24/25 metros da baliza, sem sequer tomar balanço, Óscar Cardozo puxa do pé esquerdo atrás e coloca a bola na baliza de Rui Patrício que fica inconsolável e sem saber o que o atingiu. Quando o dia não me corre bem é recorrente chegar a casa e meter esse momento em loop no YouTube. Experimentem.

Vejam o resumo do jogo em: http://www.youtube.com/watch?v=ouGAsczGRuc

[tps_title]4.º Benfica 1-0 Sporting (Campeonato)[/tps_title]

Benfica 1-0 Sporting
Benfica 1-0 Sporting

14 de Maio de 2005. A duas jornadas do fim da Super Liga, o Sporting entrou na Luz empatado em pontos, mas com vantagem no confronto directo. O encontro foi delicioso, mas nenhuma das equipas parecia corajosa o suficiente para se desprender das amarras do jogo controlado e da bola na pé, ou não fossem os treinadores Trappatoni e Peseiro, dois técnicos de sangue frio, como tão bem sabemos.
Tanto parecia que o Sporting ia conseguir sair por cima, como no minuto seguinte parecia que seria o Benfica a aproveitar o factor casa para galgar o muro que a defesa leonina ia pondo em frente à baliza de um nervoso Ricardo. Se terão sido os nervos ou não, ainda hoje ninguém parece saber, mas a verdade é que aos 83 minutos o guardião que tantas alegrias nos deu na Selecção saltou atrasado para um lance dividido com o carecão Luisão…dando, desta vez, muitos motivos para chorar aos sportinguistas. Segundos depois a bola parava junto ao interior das redes da baliza do topo sul do Estádio da Luz. O Benfica passava para a frente e preparava-se para vencer o primeiro Campeonato que eu haveria de ver em vida.
O que eu senti ao ver este golo ainda hoje não consigo explicar. Foi para lá do razoável, do humanamente possível. Todo um peso saiu-me do peito e transformou-se em gritos de euforia e lágrimas de alegria. Já ninguém me roubava a esperança de ver a “velha raposa” levar o troféu e logo no seu primeiro ano à frente do Benfica. Primeiro e último, com muito pesar da minha parte.
Muitos anos mais tarde, e através do Bola na Rede, tive a oportunidade de conhecer o Ricardo pessoalmente e perguntei-lhe, sem reservas ou rodeios, se o Luisão tinha feito falta. Imediatamente e sem hesitações me respondeu que sim. Que não tinha dúvidas. Respeitei a sua opinião, mas vi-a somente dessa forma: como uma opinião. Depois voltei a lembrar-me do quão feliz fui no rescaldo daquele empate contra o Boavista.

Vejam o resumo do jogo em: http://www.youtube.com/watch?v=J8eKb2KmXaI

[tps_title]3.º Benfica 2-0 Sporting (Campeonato)[/tps_title]

Benfica 2-0 Sporting
Benfica 2-0 Sporting

11 de Fevereiro de 2014. Faz quase um ano. Meu Deus do Futebol, e quão perfeito foi esse ano. Faltou um troféu. Faltou ser feliz uma única e última vez. Mas já passou. Há outras coisas, bem melhores, para lembrar e relembrar. Este jogo é uma delas.
Se virem o vídeo, logo depois do primeiro golo (do Gaitán) a câmara filma a bancada e aparece na imagem um tipo de óculos. É meu amigo. Não é por isso, no entanto, que o menciono aqui. O motivo é bem diferente: é a expressão dele. É a mágoa que ele deixa cair ao tapete quando celebra. É a raiva acumulada. É a dor de outros tempos. É uma alegria mascarada de alma combativa, sentimentos bem dignos de um adepto que chorou e chorou no decorrer dos acontecimentos da injusta, infeliz e tão triste época anterior. Ele mostra ali uma espécie de “grito do Ipiranga”. Um “já está!” cheio de alívio, como quem foi à guerra e voltou para contar a história. Oh! E se fomos! E se voltámos.
Este dérbi está a par com o jogo contra o Porto, também na Luz, também para o Campeonato. O que estes homens deixaram no campo…nunca eu tinha visto. Não foi só vontade. Foi talento e magia também. O segundo golo, o golo do Enzo, é o espelho perfeito disso mesmo. E depois a alegria de menino patife com que festeja…tenho saudades sem sequer ter saudades. Que bonito que foi. Que bonito que é.

Vejam o resumo do jogo em: https://www.youtube.com/watch?v=unBZlzF9LKk

[tps_title]2.º Benfica 2-0 Sporting (Campeonato)[/tps_title]

Benfica 2-0 Sporting
Benfica 2-0 Sporting

21 de Abril de 2013. «Meus amigos, isto não é ballet! É futebol! Mas para mim…nota 10! Que golo! Mas que golo!». Não precisam das minhas palavras para este jogo. Precisam das do Nuno Matos, da Antena 1. Vejam o vídeo e atentem ao segundo golo. Este segundo lugar nesta lista justifica-se por aí mesmo: nunca eu vi golo como este. Nunca eu vou esquecer este momento. Nunca eu fiquei de boca aberta assim naquele estádio…e estava atrás da baliza oposta. Não me esqueço. É impossível esquecer. O jogo foi bom, mas ninguém se lembra de outra coisa a não ser do minuto 75. Obrigado, Salvio. Obrigado, Lima. Obrigado, Gaitán. Obrigado.
Que golo.

Vejam o resumo do jogo em: http://www.dailymotion.com/video/k3bB65rEU5v8Qh405sO

[tps_title]1.º Benfica 4-3 Sporting (a.p.) (Taça de Portugal)[/tps_title]

Benfica 4-1 Sporting
Benfica 4-1 Sporting

9 de Novembro de 2013. Eu estive lá em três destes dez jogos. É provável que isso influencie a minha escolha e sua ordem…até porque os três em que estive são os três que figuram no pódio. Bom, não posso deixar de ser fiel a mim mesmo e de trazer para este artigo as emoções que vivi nesses dérbies. Não estaria a escrever-vos com a devida honestidade. Não valeria a pena investir o meu tempo e fazer-vos perder o vosso. É assim, com esta pequena e pseudo explicação, que chegamos ao porquê de ser este o melhor e mais fantástico jogo que eu já vi o meu Benfica jogar (e ganhar) contra o Sporting.
Sabem o que é viver uma partida de futebol em que, dos sete golos que entram, seis são marcados na baliza onde vocês estão logo atrás? Só o do Capel é que eu não vi ao pormenor. Todos os outros…nem sei que vos diga. O terceiro do Cardozo então, é de uma violência tão cheia de beleza que é ali que eu percebo porque gosto de futebol. Não tivesse aquela baliza redes e a bola vinha direitinha à minha cabeça. E eu juro que sairia do estádio tão ou mais feliz.
Mas vê-los entrar? Ninguém merece. Estava 3-1. E de repente volta tudo do intervalo. Canto para o Sporting, ali mesmo à minha frente, e aparece o Maurício a deixar o Artur sem qualquer possibilidade de resposta. 3-2. Do outro lado o Patrício ia salvando o Sporting. E é neste vai-não-vai que uma falta estranhíssima dá aos de verde um livre curtinho onde Slimani aparece para converter da mesma forma que Maurício marcou o seu único golo frente ao Benfica. 91 minutos. 3-3.
Deixei-me cair na cadeira. Não queria acreditar. Não conseguia acreditar. O Sporting não merecia vencer. Mas nós merecíamos perder pelos péssimos 20/25 minutos que oferecemos já na segunda parte. Aquilo não era Benfica nem era porra nenhuma. Apetecia-me sair dali. Apetecia-me não ver mais nada e ir sofrer para um qualquer recanto em que ninguém gritasse “Mas que merda é esta?! Isto assim não pode ser!”.
Começa o prolongamento. Não há uma cadeira que não esteja aos saltinhos em todos os quase 50 mil lugares que estão ocupados. Pede-se o final daquele sofrimento atroz, mas ao mesmo tempo sabe-se que, lá bem no fundo, nunca fomos tão felizes…excepto quando a derradeira bola entra sem ninguém perceber muito bem como. Vem o êxtase. Vem o choro. Vem tudo. Vem tudo ao de cima. Já nem sabemos onde estamos, o que está a acontecer ou a quantas andamos. Porque naquele momento tudo o resto desapareceu. E fomos nós. Nós e o Benfica. E fomos felizes. Felizes como nunca. Ou felizes como só daquela vez.
Que se lixe. É esta tão certa incerteza que vale a este dérbi o primeiro lugar da minha lista.

Vejam o resumo do jogo em: http://www.youtube.com/watch?v=M0hUdxTf8sM

Tiago Martins

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