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Eslováquia 0-0 Inglaterra: Como uma primeira parte fantástica pode não chegar para vencer

Pedro Machado · 4 min

Eslováquia 0-0 Inglaterra: Como uma primeira parte fantástica pode não chegar para vencer

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A FIGURA

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

Jordan Henderson – Disponibilidade incrível e a perfeita noção sobre o que fazer em todos os momentos do jogo. Foi peça fulcral no domínio exercido pelos ingleses na primeira parte, funcionando como auxiliar perfeito de Dier na hora de destruir e tapar buracos no acesso à baliza inglesa, e ainda teve papel importante na hora de construir, iniciando várias jogadas de perigo e dispondo, ainda, de uma bola de golo, salva pela cabeça de Durica.

Na segunda parte, manteve a regularidade, e foi dos menos conformados com o resultado, sendo frequente vê-lo pisar terrenos adiantados em busca de um lance com perigo potencial – é dele o cruzamento para o lance mais perigoso da segunda parte.

O FORA-DE-JOGO

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

Viktor Pecovsky – É ingrato dar este “prémio” num jogo como este, onde ambas as equipas estiveram, dentro dos seus limites, bastante bem. Pecovsky acaba prejudicado pelo excelente desempenho dos seus outros 21 colegas de campo, não por ter estado abaixo das expectativas, mas por não ser capaz de suster o perigo inglês, principalmente no primeiro tempo, altura em que o caudal ofensivo inglês era intenso. Mais mérito inglês do que demérito do eslovaco, porém.

INGLATERRA

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

O onze inicial de Inglaterra não contemplava aquela que será a sua maior referência, Rooney; porém, a ausência do “10” inglês não foi minimamente consentida. Pelo contrário. O facto de não ter um “target” permitiu maior (e melhor) circulação de bola a toda a largura do terreno, com Henderson e Dier em destaque na recuperação, e com Wilshere na construção e Lallana a concluir, quer visando a baliza, quer procurando um homem a quem dar o último passe. Assim se chegou com perigo à baliza da Eslováquia: Henderson deu para Vardy e este, de costas para a baliza, assistiu Lalana para um disparo que não saiu longe das redes adversárias.

Era o primeiro aviso de um ataque organizado, quase sempre com muitos homens (laterais muito subidos) e com uma ideia consistente na construção ofensiva, contando, não raras vezes, com o recuo de um dos avançados.

A equipa foi insistindo, sufocando. Primeiro foi Vardy a espreitar uma desatenção, isolar-se e atirar contra Kozacik. Depois foi Lalana a concluir vistosa jogada colectiva com um disparo salvo por grande defesa do guarda-redes eslovaco e, por fim, Henderson, à entrada da área, a desferir um remate com selo de golo, mas evitado pelo voluntarismo de Durica, que deu o corpo ao manifesto.

Jogava-se bem; só faltava concluir.

Mas esse “só” foi suficiente para a equipa ficar ansiosa, no segundo tempo, com um atraso comprometedor de Smalling a Joe Hart a comprová-lo. É certo que a Inglaterra respondeu logo a seguir, por Clyne , mas isso não foi suficiente para acalmar as hostes britânicas, e a equipa deixou de construir tão bem, situação que piorou quando Hodgson colocou Rooney em campo, para o lugar de Wilshere, com a equipa a procurar uma referência individual em vez de um propósito comum. Isso saiu caro, e a última vez em que se viu perigo foi à passagem do minuto 60, quando Skrtel salvou o golo em cima da linha de baliza após remate de Delle Ali.

Defensivamente, a equipa não comprometia, mas o domínio passou a ser apenas territorial, sem grande consequência, e isso acabou por custar o 1.º lugar do grupo.

Classificação dos jogadores:

Hart – 5

Clyne – 7

Cahill – 6

Smalling – 5

Bertrand – 6

Dier – 7

Henderson – 7

Wilshere – 7

Lallana – 7

Sturridge – 6

Vardy – 6

Rooney – 4

Alli – 5

Kane – 4

ESLOVÁQUIA

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

Depois da excelente primeira parte frente à Rússia, que só não teve continuidade pelo cansaço que se foi acumulando e pela necessidade de gerir a conquista dos três pontos, a Eslováquia não mudou o seu esquema táctico nem os integrantes do onze… Porém, ao contrário do que aconteceu no jogo com os russos, não teve espaços nas costas para explorar, sendo surpreendida por uma pressão alta inglesa e pelo bom desempenho táctico.

Foi aguentando, como pôde, até ao intervalo, o caudal ofensivo que os ingleses iam impondo. As paredes dos balneários terão ouvido vários suspiros de alívio por se conseguir, por enquanto, sobreviver ao poderio britânico.

Talvez animados pelo facto de não terem sofrido golos, os jogadores eslovacos entraram mais afoitos no segundo tempo e não tardaram a criar perigo, com Vladimir Weiss a ganhar espaço na direita do ataque, flectindo para o meio, rematando de pé direito. Mas Hart opôs-se com segurança.

A ordem, com o passar do tempo, passou a ser de recuo no terreno, e a batalha do meio-campo foi sendo ganha, consentindo-se o domínio inglês sem que isso significasse a perda do controlo do jogo. Esse foi ficando, cada vez mais, nas mãos da Eslováquia, à medida que Kozak ia mexendo na equipa, dotando o ataque de maior velocidade e o meio-campo de mais presença física [saiu Duda, entrou Svento; e Weiss (que actuava, até então, a ala esquerdo) passou a ser a referência ofensiva]. A equipa respondeu bem, e depois foi só refrescar o miolo (Gyomber por Pecovsky, substituição de pivôs defensivos) e trancar os portões (saiu Weiss,  a referência ofensiva na altura, e entrou Skriniar, para tapar o meio-campo) de qualquer outra investida que pudesse surgir.

A Eslováquia sai mais satisfeita deste encontro, tendo o apuramento para os oitavos de final praticamente garantido.

Classificação dos jogadores:

Kozacik –  7

Pekarik – 5

Skrtel – 7

Durica – 7

Hubocan – 5

Mak – 6

Kucka – 5

Pecovsky – 5

Hamsik – 5

Weiss – 6

Duda – 5

Svento – 4

Gyomber – 5

Skriniar – 4

 

Foto de Capa:  UEFA

Artigo revisto por: Manuela Baptista Coelho

Pedro Machado

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