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Rui Gomes da Silva foi o primeiro homem a candidatar-se à presidência do SL Benfica nas eleições que irão decorrer no próximo dia 30 de Outubro, sendo, actualmente, o sócio do Benfica nº 1812.
Natural do Porto, Rui Gomes da Silva é sócio desde nascença e rapidamente se tornou num acompanhante activo da vida do Benfica, seguindo o futebol e as modalidades. Foi praticante de hóquei em patins no Benfica entre 1976 e 1979.
Rui Gomes da Silva foi candidato a vice-presidente do Benfica em 1989, integrando a lista de Fernando Martins; e foi candidato a vice-presidente em 1998, fazendo parte da lista de Luís Tadeu. Em Julho de 2009, tornar-se-ia vice-presidente da Direcção liderada por Luís Filipe Vieira no seu terceiro mandato a comandar os destinos do clube, tendo deixado o clube após o fim do quarto mandato em Setembro de 2016.
Apesar de ter deixado de integrar a estrutura do Benfica, Rui Gomes da Silva não deixou de ser uma voz activa do clube enquanto comentador na SIC Notícias e, posteriormente, na TVI. Nos últimos anos, era um dos críticos mais incisivos da gestão de Luís Filipe Vieira, tendo há muito dado a entender que pretendia candidatar-se às próximas eleições.
Entre os quatro candidatos que se irão opor a Luís Filipe Vieira, Rui Gomes da Silva foi o primeiro a apresentar o seu programa. O programa eleitoral de Rui Gomes da Silva está assente em cinco pilares estratégicos que envolvem diversas áreas do clube e que apresentam várias propostas da lista.
Neste artigo, irei fazer um resumo do programa eleitoral da lista de Rui Gomes da Silva, sendo que irei seguir os cinco pilares estratégicos e mencionar as propostas que considero mais relevantes, exprimindo também uma breve opinião sobre as mesmas.
Devo também avisar que aqui a minha “inclinação eleitoral” será completamente posta de parte. Limito-me apenas a promover e divulgar uma das listas que se irá candidatar à presidência do Benfica de uma forma séria, ponderada e isenta.
1.

Futebol profissional – Ao todo, são 17 propostas apresentadas pela lista de Rui Gomes da Silva no âmbito do futebol profissional. A gestão do futebol sénior masculino tem sido um dos principais motivos de críticas por parte do ex-vice de Luís Filipe Vieira, de maneira que várias das propostas apresentadas mostram soluções a fim de retificar as falhas que se têm verificado nos últimos anos.
A nível da estrutura, Rui Gomes da Silva propõe a criação do cargo de Director Geral para o futebol, a ser desempenhado por alguém que possua as competências técnicas necessárias, bem como o poder necessário para ser uma voz activa nas contratações do clube.
O treinador principal também deverá cumprir certos requisitos tais como ter capacidades de liderança e não ter medo de apostar em jovens; sendo que este será coadjuvado por homem que conheça profundamente o campeonato e o clube, cabendo-lhe a responsabilidade de transmitir a grandeza e a mística do Benfica ao plantel e à restante equipa técnica.
A nível da política de contratações, Rui Gomes da Silva defende um critétio mais rigoroso nas mesmas, contratando em menor quantidade, mas com maior qualidade, procurando construir uma relação sã e cordial com os empresários.
A lista propõe ainda a reformulação da rede de scouting, de modo a detectar jovens talentos numa fase embrionária das suas carreiras; bem como a contratação de jogadores experientes com capacidade para acrescentar qualidade ao plantel no imediato, bem como servir de referência para os jogadores mais jovens.
Ligada também à vertente desportiva, a lista também propõe a elaboração de protocolos com clubes dos principais campeonatos europeus e também de campeonatos como o belga e o holandês, de modo a podermos enviar jogadores por empréstimo a esses clubes. Esta é uma medida sobre a qual falarei melhor no próximo pilar.
Na componente financeira, Rui Gomes da Silva tem a ambição de tornar o clube financeiramente sustentável, com mais receitas operacionais e menos vendas de jogadores, permitindo apenas que estes sejam vendidos apenas pelo valor da cláusula de rescisão. Na minha opinião, esta é uma visão utópica, visto que entendo que a venda de jogadores é uma realidade que os clubes portugueses não podem evitar.
O que defendo que o Benfica deve fazer não é vender os jogadores à primeira oportunidade, nem evitar ao máximo a venda dos mesmos, mas sim implementar uma estratégia que permita ao clube acautelar-se de cada venda, algo que é possível com um projecto sólido e bem estruturado.
A nível administrativo e institucional, Rui Gomes da Silva pretende que o Benfica tenha uma voz mais activa nos organismos que governam o futebol português, como a Liga de Clubes e a Federação Portuguesa de futebol; defendendo, por exemplo, que a Sede da Liga de Clubes deveria situar-se em Lisboa e não no Porto.
Uma outra medida em relação ao futebol masculino digna de realce e que vai ao agrado dos adeptos, é que a Eusébio Cup seja realizada todos os anos e sempre no Estádio da Luz, sendo o jogo de apresentação do plantel aos sócios.
O futebol feminino também não é esquecido, sendo algumas medidas propostas pela lista a sua integração na SAD e o direito a utilizar as instalações do Benfica Campus no Seixal, de modo a que o futebol feminino possa usufruir dos mesmos recursos financeiros e infra-estruturais que o masculino. Estas são duas medidas que merecem inteiramente a minha aprovação.
2.

Futebol de formação – Antes de mais, devo dizer que o projecto da formação do Benfica foi uma bandeira da Direcção liderada por Luís Filipe Vieira, fazendo com que o Benfica entrasse na vanguarda do futebol de formação.
Isto fez com que, para meu agrado, o futebol de formação merecesse um particular destaque particular no programa de todas as listas candidatas à presidência, promovendo assim mais um ponto de debate entre os candidatos, o que é sempre algo de louvar. Neste pilar estratégico, existem oito propostas apresentadas, de modo a dar continuidade ao trabalho realizado por Luís Filipe Vieira.
Umas das medidas propostas pela lista é as equipas técnicas da cada uma das equipas das camadas jovens possua uma antiga glória do Benfica, de modo a incutir a cultura e o amor pelo Benfica aos jovens da formação, algo que poderá ajudá-los a permanecerem no clube numa fase mais adiantada das suas carreiras.
Outra medida proposta é o investimento no scouting, de modo a aprimorar o recrutamento a nível nacional e internacional. O futebol anda em constante mudança e, como tal, é fundamental que um clube como o Benfica tenha a capacidade de se actualizar e reinventar, sendo que estas são duas medidas com as quais concordo.
Rui Gomes da Silva pretende também passar o futebol de formação para a SAD, visto que o investimento na formação é feito pelo clube, mas o seu produto final torna-se num activo da SAD, sendo mais uma forma de libertar fundos para o clube.
A medida que a meu ver merece mais destaque é a proposta para extinguir a equipa B ou de sub-23, aliando a esta medida uma política de empréstimos a clubes estrangeiros, entrando aqui, o tal protocolo com clubes de vários campeonatos europeus. Esta é uma proposta com a qual estou em total desacordo por várias razões.
A transição para o futebol sénior é uma fase determinante na carreira de um jogador, sendo que um ou dois anos sem competir regularmente pode destruir a carreira do mesmo, fazendo com que este não atinja o seu potencial. Como tal, a existência de dois escalões séniores reduz drasticamente a possibilidade de haver jogadores que não joguem regularmente.
Depois, a existência da equipa de sub-23 é vantajosa em dois aspectos: primeiro, porque cria uma ponte de transição para jogadores que ainda não estejam preparados para competir a um nível profissional; segundo, dá competição a jogadores que, sem a equipa de sub-23, seriam muito pouco utilizados durante a época, tanto nos juniores, como na equipa B.
Já em relação ao protocolo com clubes estrangeiros, creio que é uma proposta interessante no sentido que aufere aos jogadores uma via alternativa para crescerem noutro contexto e noutra realidade. No entanto, a FIFA pretende cortar nas políticas abusivas de empréstimos, fazendo com que esta medida perca efeitos práticos.
Fazendo um balanço, digo que estou de acordo com o protocolo com clubes estrangeiros (principalmente com algum clube do Championship), mas discordo completamente da ideia de extinguir a equipa B ou de sub-23, sendo que, na minha opinião, as três vias são perfeitamente compatíveis.
3.

Democratização e alteração dos estatutos – Os estatutos actualmente em vigor, existentes desde a última revisão em 2010, são bastante contestados por uma boa parte da massa adepta do Benfica. De maneira que este também foi um ponto no qual todos os candidatos se focaram bastante, situação que na minha opinião, deveria obrigar a actual Direcção a repensar os estatutos em caso de reeleição.
Está proposta a alteração das condições de elegibilidade para os Órgãos Sociais, onde para os cargos de Presidente da Direcção, Presidente da Mesa da Assembleia Geral e Presidente do Conselho Fiscal, pretende-se alterar a idade mínima de 43 para 35 anos de idade e o tempo de associado de 25 para 15 anos de sócio. Para os restantes candidatos aos Órgãos Sociais, pretende-se reduzir o tempo de sócio para 10 anos. Medidas com as quais estou de acordo, mas que não abrangem a igualdade de direitos eleitorais entre sócios efectivos e sócios correspondentes.
O sistema de voto electrónico também já foi alvo de críticas por parte de Rui Gomes da Silva. Por isto, este propõe que o voto electrónico seja acompanhado por voto físico em urna, privilegiando sempre o voto físico caso seja necessária uma recontagem dos votos.
A lista também defende a implementação de um sistema eleitoral a duas voltas, onde no caso de não haver um candidato com mais de 50% dos votos na primeira volta, se realize uma segunda volta entre os dois candidatos mais votados.
Rui Gomes da Silva pretende ainda implementar uma limitação de mandatos a dois consecutivos de quatro anos, sem possibilidade de uma nova candidatura no futuro, de modo a promover a renovação de liderança no clube e prevenir situações de comodismo e de abuso de poder, como eu creio que se verifica actualmente.
Em relação ao ajustamento de votos consoante a antiguidade, propõe-se um voto por casa ano de sócio. Em relação aos estatutos, esta é a única medida com a qual não estou de acordo. Nos estatutos actualmente em vigor, adeptos do Benfica com pelo menos 25 anos de associado têm 50 votos, o que gera muita contestação por parte de alguns adeptos, visto que faz com que haja uma grande disparidade de poder entre sócios mais antigos e sócios mais recentes.
Ora, eu considero que esta medida proposta, para além de fazer com que haja sócios com mais de 50 votos, também mantém essa disparidade de poderes, o que gera desmotivação aos sócios mais novos, ainda para mais, quando muitos benfiquistas só se tornam sócios já na idade adulta, quando têm a sua independência financeira.
Fora dos estatutos propriamente ditos, Rui Gomes da Silva ainda pretende que os sócios tenham mais poder nas decisões do clube, propondo a realização de Assembleias Gerais Extraordinárias para matérias como a alteração do símbolo do Benfica e a venda do naming do estádio.
Pretende ainda reformular a comunicação do clube e da SAD, contratando profissionais que para além de competentes, também sejam benfiquistas, visto que quem sente o clube como um adepto, consegue transmitir devidamente os sentimentos e emoções aos adeptos.
Por último, menciono a posposta de revisão do modelo de gestão do Museu Cosme Damião e da criação de um comité de história do clube, que servirá essencialmente para recolher informação de modo a aumentar o conhecimento da história do clube e revisão de dados históricos do Benfica.
4.

Modalidades e Benfica eclético – Sendo eu um acompanhante activo das modalidades do Benfica, tenho vindo a sentir que em algumas delas têm existido várias falhas de planeamento, que têm contribuído para a diminuição da conquista de títulos nos últimos anos. Por isso, este também é um ponto ao qual dou especial atenção.
Entre as principais medidas anunciadas neste pilar estratégico, está o investimento na formação, que passará por um projecto de iniciação às modalidades nas Casas do Benfica com ligação às escolas nas respectivas regiões. A meu ver, é uma medida pertinente, visto que defendo que um clube com um projeto feminino como o Benfica deve ter ligações às escolas e ao Desporto Escolar.
Outra das medidas passa pelo investimento numa rede de scouting, de modo a aumentar a eficiência na contratação de jogadores estrangeiros e também a garantir as maiores promessas nacionais. Este é um aspecto no qual algumas das modalidades têm falhado, principalmente o andebol.
Outra medida que vai ao agrado dos benfiquistas que acompanham as modalidades passa pela conjugação dos horários dos jogos de futebol com os horários dos jogos das modalidades, de modo a assegurar uma maior afluência aos pavilhões da Luz.
A proposta abrangente às modalidades que me agrada mais é a criação de laboratórios estatísticos para as modalidades. A ciência e a tecnologia têm vindo a ter cada vez mais influência no desporto, de maneira que esta é uma forma do Benfica se actualizar consoante a modernização dos tempos e de potenciar as competências técnicas e atingir maiores patamares de sucesso.
Entre as propostas para as modalidades, está também a avaliação da construção do Centro de Alto Rendimento. Este é um projecto que faz parte dos planos de Luís Filipe Vieira já há alguns anos, mas que ainda não entrou em prática.
Outro projecto em avaliação para esta lista é o regresso do ciclismo ao Benfica. O ciclismo foi a primeira modalidade introduzida no Benfica, bem como uma das que tem mais história. Porém, é uma modalidade que envolves grandes custos (mesmo através da obtenção de um parceiro estratégico) e que tem a reputação manchada pelo facto de estar constantemente associada a escândalos de doping.
Sendo Rui Gomes da Silva um acompanhante activo das modalidades do Benfica desde a sua infância e tendo sido praticante de hóquei em patins no clube, esperava que este desse uma especial atenção ao ecletismo no seu programa. De maneira que, sem surpresa, nada tenho a apontar a Rui Gomes da Silva neste pilar estratégico.
5.

Finanças, internacionalização e Benfica SAD – O último pilar estratégico do programa de Rui Gomes da Silva é também o mais complexo, sendo que este abrange vários parâmetros, como, por exemplo, a questão dos direitos televisivos.
Rui Gomes da Silva sempre foi um dos principais defensores do corte de relações com a Oliveiradesportos, corte esse que acabaria por se concretizar. No entanto, também é um crítico do contrato com a NOS, principalmente pelo facto desta usufruir das receitas de uma BTV paga pelos adeptos.
Rui Gomes da Silva também já disse em entrevistas que considera que a centralização dos direitos televisivos será um acontecimento inevitável no futebol português, e defende que o Benfica deverá ser um dos principais impulsionadores da mesma.
Com isto, a avaliação do contrato com a NOS é uma das medidas propostas por esta lista. No entanto, considero esta medida difícil de alcançar, visto que aquando do final do próximo mandato em 2024, ainda restarão dois anos de contrato por cumprir. Em relação ao contrato com a NOS, Rui Gomes da Silva ainda pretende criar um mecanismo de controlo interno que impeça a antecipação de receitas.
Também associado às transmissões televisivas, esta lista propõe ainda o regresso da BTV2 de forma gratuita, que estará destinada exclusivamente às transmissões dos jogos das modalidades e dos escalões de formação. Pessoalmente, é por estes conteúdos que ainda tenho a BTV subscrita, sendo que para mim, não faz muito sentido ter de pagar para usufruir destes conteúdos, quando outros canais como A Bola TV e o Canal 11 transmitem jogos das modalidades e de futebol de formação de forma gratuita.
Rui Gomes da Silva ainda propõe a criação de uma plataforma de streaming no Youtube, também destinada à transmissão de jogos e conteúdos das modalidades, bem como dos conteúdos do BPlay.
Outra medida deste pilar que me chamou particularmente a atenção foi a avaliação da criação de uma marca própria para os equipamentos desportivos. A principal vantagem desta medida é que permite ao Benfica ter um controlo total do design e dos padrões dos equipamentos, algo que não se verifica no contrato actual coma a Adidas e que tem gerado bastantes críticas por parte dos adeptos.
No entanto, considero que há muitas outras marcas desportivas que não a Adidas que estarão dispostas a trabalhar com o Benfica de uma forma mais vantajosa a nível do merchandising. De maneira que eu considero que esta é uma proposta que apesar de ter algumas vantagens, é pouco consensual.
Outra das propostas da lista resume-se à venda do naming do estádio, bem como à renovação da fachada do estádio e do espaço circundante ao mesmo, através da colocação de imagens históricas do Benfica, de modo a transmitir aos adeptos um maior sentimento pelo Benfica.
Entre as muitas medidas propostas neste pilar estratégico, estão também previstas alterações no modelo de governação da SAD de modo a cumprirem com as recomendações da CMVM; a criação de um Departamento de Auditoria Interna, que irá trabalhar em conjunto com o Conselho Fiscal da SAD; e a reavaliação dos projectos imobiliários que fazem parte dos planos da Direcção actualmente em funções, tais como a construção do Hotel Benfica em Lisboa, e de um Polo Universitário no Seixal. Pessoalmente, eu concordo com a criação do Polo Universitário, mas discordo em absoluto da construção do Hotel.
No geral, creio que este é um programa bastante ambicioso, que toca em muitas feridas causadas pela actual Direcção, mas com alguns pontos que considero utópicos e/ou com os quais eu não estou de acordo. Apesar disso, dou uma nota claramente positiva ao programa de Rui Gomes da Silva.
Considero Rui Gomes da Silva um grande e apaixonado Benfiquista, mas também alguém com um estilo excessivamente fervososo. Eu defendo que o Presidente do Benfica deve ter paixão pelo clube, mas também deve tomar muitas decisões mais com a cabeça do que com o coração, sendo que este deve ter a serenidade e a cabeça fria que lhe permita tomar as decisões certas em situações de maior tensão.













