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Sérvia 0-2 Brasil: A Canarinha está afinada para as fases a doer

Rui Pedro Cipriano · 4 min

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Um jogo após o “choque” que foi a eliminação da Alemanha na fase de grupos. O Brasil entrava em campo, na Otkrytie Arena, em Moscovo, sabendo à priori que o trauma do 7-1 não se iria repetir nos oitavos de final, como já se vinha a adivinhar desde a derrota da Alemanha aos pés do México. A Sérvia encarava este jogo, de grande dificuldade, ainda com legitimas aspirações de se qualificar.

As duas equipas possuem sistemas táticos semelhantes, um 4x2x3x1, pelo que seria em campo que se teria uma melhor perceção de como as duas equipas se prepararam para penetrar as linhas defensivas uma da outra. O jogo começou, assim, amorfo e bastante disputado a meio-campo. Notava-se claramente que a Sérvia era a equipa que tinha alguma urgência no processo ofensivo, mas nada que trouxesse preocupação à defensiva brasileira.

Na grande parte do jogo, a bola foi sempre muito disputada a meio-campo
Fonte: FIFA

Preocupados ficaram os adeptos brasileiros e o treinador, Tite, ao ver Marcelo sair do campo em lágrimas, naquilo que parece ser uma lesão muscular. Muito preocupante para a seleção brasileira, dada a importância que Marcelo têm no jogo brasileiro. Felipe Luís é um bom suplente, mas o mesmo já tinha estado em dúvida para o Mundial.

O primeiro aviso à baliza de Stojkovic chegou pelos pés de Neymar após uma excelente combinação com Gabriel Jesus aos 25 minutos de jogo. Do outro jogo chegavam más notícias, a Suíça começava a vencer o seu jogo, frente à Costa Rica, e o Brasil estava apenas a um golo da Sérvia de ficar fora do Mundial, um empate atirava a equipa brasileira para o segundo lugar do grupo.

A Sérvia tentava responder da melhor forma que podia, as bolas em profundidade à procura da altura de Mitrovic, um clássico já desta seleção Sérvia. O mesmo teve a sua primeira oportunidade à passagem do minuto 34, arriscou o pontapé de bicicleta, mas a bola saiu por cima. E foi numa altura em que o empate, ao intervalo, se começava a “cozinhar” que surgiu o golo do Brasil. Excelente visão de jogo do Coutinho, que grande mundial, até agora, do astro brasileiro, que isolou Paulinho, na cara com o guarda-redes o médio brasileiro não facilitou e com um chapéu abriu o marcador do jogo aos 36 minutos.

Imagem curiosa do pormenor técnico de Paulinho e da abordagem de Stojković ao lance
Fonte: FIFA

A segunda-parte trouxe mais do mesmo, daquilo que vimos no inicio da primeira parte. A Sérvia a impor urgência nos seus processos e transições, mas sem conseguir incomodar muito a defensiva brasileira. Com o avançar do tempo e o cansaço dos sérvios com a sua falta de afinação, o Brasil, tal como na primeira parte, começava a aparecer aos poucos. Neymar esteve muito perto de marcar o segundo aos 57 minutos. Entretanto chegava a notícia do empate da Costa Rica, no Nizhny Novgorod, e este golo foi como que uma libertação para a equipa brasileira e um alarme muito sério para a equipa sérvia.

A Sérvia começava, finalmente, a atinar no último terço do campo e esteve muito perto do golo com duas situações aos 62 e 66 minutos. Faltava claramente a bola entrar para impulsionar a equipa sérvia no jogo. Mas como diz o ditado popular “quem não marca, sofre”, e o Brasil iria sentenciar o jogo através da marcação de um pontapé de canto, muito bem marcado por Neymar que teve a excelente correspondência de Thiago Silva. 2-0 no marcador, 68 minutos de jogo, o Brasil fazia a sua melhor exibição neste Mundial e o primeiro lugar do grupo estava mais do que assegurado.

Os sérvios “morreram” psicologicamente aqui, sofrer um golo numa altura em que se está por cima do jogo é cruel. Os brasileiros passaram, assim, a jogar a seu belo prazer. Trocas de bola constantes, controlar o jogo e poupar energias para a próxima fase.

A seleção Sérvia continua sem conseguir passar a fase de grupos do Campeonato do Mundo, desde a separação da Jugoslávia. O Brasil claramente a demonstrar que tem equipa para ganhar este Mundial, apesar de ter sofrido nesta fase de grupos.

Onzes Iniciais:

Sérvia: Stojkovic; Rukavina, Milenkovic, Veljkovic e Kolarov; Matic e Milinkovic-Savic; Tadic, Ljajic ( Zivkovic ’75) e Kostic (Radonjic ’82); Mitrovic (Jovic ’89).

Brasil: Alisson; Fagner, Thiago Silva, Miranda e Marcelo ( Felipe Luís ’10); Casemiro e Paulinho ( Fernandinho ’66); Willian, Philippe Coutinho ( Renato Augusto ’80) e Neymar; Gabriel Jesus.

A FIGURA

Fonte: FIFA

Coutinho – Tem sido o maestro desta seleção brasileira. Está num grande momento de forma e o Brasil bem irá precisar dele para o que resta deste Mundial. Acabou por sair a meio da segunda parte, numa altura em que Tite já procurava dar descanso aos seus jogadores, mas deixou a sua marca em campo através de uma grande assistência para o golo de Paulinho.

O FORA DE JOGO

Fonte: FSS

Sérvia – Para mim, pessoalmente, a seleção sérvia foi uma deceção. Com uma mistura de experiência, Kolarov, Ivanovic, Matic, e juventude campeã do mundo de sub-20, Jovic, Živkovic, esperava-se muito mais a nível de jogo jogado. A equipa Sérvia foi sempre muito básica e raramente se viram rasgos individuais. Talento a esta equipa não lhe falta, mas mais uma vez sai de uma competição sem deixar marca.

Foto de Capa: FIFA

Rui Pedro Cipriano

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