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Turquia 0-1 Croácia: Muito além de uma margem mínima

Pedro Machado · 4 min

Turquia 0-1 Croácia: Muito além de uma margem mínima

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Cabeçalho Futebol Internacional

A FIGURA

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

Modric – Normalmente, a figura de um jogo que termina com um golo marcado será o marcador desse mesmo golo. Neste caso, não se foge àquilo que é vulgar fazer-se, porém, mesmo que não tivesse marcado o golo, Modric seria eleito o melhor homem em campo.

Teve uma performance fantástica, com plena noção de todos os momentos de jogo, encostando ao duplo-pivô quando era preciso defender e saindo em velocidade quando se pedia organização ofensiva.

Recuperou muitas bolas no meio-campo turco e deu vida à circulação de bola croata. E claro, marcou um golaço!

O FORA-DE-JOGO

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

Calhanoglou – Aos melhores, cobra-se mais. Calhanoglou levava sobre os ombros a responsabilidade de uma dose generosa de expectativa turca, mas desapontou. Nunca conseguiu construir jogo, como era pedido, e quando cobrava bolas paradas, que costuma bater de forma primorosa, saía disparate.

Esteve muito abaixo do que pode dar e a sua equipa ressentiu-se.

TURQUIA

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

Desde cedo se percebeu que a estrutura de Fatih Terim estava montada na aposta do erro. O treinador turco colocou Inan muito junto aos centrais, e com Ozyakup e Tufan, os outros elementos do meio-campo, bem perto dos laterais de forma a condicionar o jogo adversário e o seu pendor ofensivo para depois procurar as referências Calhanoglou e Ardan Turan. O problema é que, por muito talento que tenham, estes dois génios não são propriamente velocistas, e quando a bola lhes chegava ao pé, tinham os acessos à área prontamente cortados pelo facto de o apoio, a que tanto estão habituados nos cubes, não surgir.

Assim, a estratégia ofensiva da Turquia era facilmente rebatida e os seus pontos fortes não eram devidamente explorados, não sendo de espantar o facto de o ataque ter estado inoperante no conjunto otomano, que se refugiava na garra e vontade para tentar levar as suas intenções avante, mas essas foram insuficientes para contrariar as próprias limitações (reforçadas pela própria estratégia).

Depois do golo croata, mandava o orgulho que se esticasse mais o jogo e que a equipa se descompactasse. Algo que até aconteceu, mas sem os efeitos práticos desejados – o lance mais perigoso da segunda parte foi um remate, no coração da àrea e de primeira, de Volkan Sen, que nem à baliza chegou, por ter sido interceptado por Yilmaz.

A equipa acabou por correr riscos, mas não tirou proveito nenhum. Pelas suas limitações. Porque é só isto: garra e vontade.

No final do jogo, em desespero, tentou o jogo directo, e até poderia, eventualmente, conseguir o empate no final do jogo, mas Fatih Terim teria que ponderar muito bem o que quer fazer desta equipa, tamanha a sorte que teve em não sair goleada!

Notas aos jogadores:

Babacan – 5

Gonul – 5

Topal – 4

Balta – 4

Erkin – 4

Tufan – 5

Inan – 5

Ozyakup – 4

Calhanoglu – 4

Turan – 5

Tosun – 3

Volkan Sen – 5

Yilmaz – 3

Emre Mor – 4

CROÁCIA

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

Esta equipa encanta qualquer adepto de futebol. Privilegia a circulação de bola e joga positivo, sem medo de se expor no ataque, fazendo subir muita gente quando parte para o meio-campo contrário, inclusivé os laterais, que tanto subiram, quer antes quer depois do primeiro golo, acompanhando a subida da equipa – lenta, é certo, mas contínua e efectiva.

Desde cedo ameaçou as redes de Babacan, procurando os flancos para criar desequilíbrios. O direito era o predilecto, com Srna em evidência, quase que a servir como um extremo quando Brozovic, o jogador mais à direita dos três que apoiavam Mandukic, se enquadrava com a baliza turca. Foi de um lance começado do lado direito que surgiu o golo. Cruzamento para a área, há um alívio da defensiva turca e Modric, sem deixar cair a bola no chão, à entrada da área, dispara um míssil que só termina no fundo das redes turcas. Um golo de antologia que figurará, por certo, na galeria dos melhores deste Euro.

Depois do golo, a Croácia não se contentou com a margem mínima e criou oportunidades suficientes para conseguir sair de Paris com o resultado mais desnivelado deste Europeu (pelo menos, até ao momento). Foi Srna, à trave e, depois, com a baliza à mercê, foi Brozovic também à trave e, depois, a chegar um segundo atrasado a um cruzamento de Perisic, e foi este, isolado, a atirar contra o corpo de Babacan… tudo situações que ilustram a superioridade croata nesta partida. Ficou 1-0, podiam ter sido 2 ou 3 e o resultado não seria injusto.

Esta selecção faz sonhar. Não só os croatas, como os adeptos de futebol.

Notas aos jogadores:

Subasic – 5

Srna – 6

Corluka – 6

Vida – 5

Strinic – 6

Badelj – 6

Modric – 8

Brozovic – 7

Rakitic – 6

Perisic – 7

Mandzukic – 6

Kramaric – Sem tempo

Schildenfeld – Sem tempo

Pjaca – Sem tempo

Pedro Machado

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