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A incrível gestão danosa | Jesé e Bolasie

Tomás Parreira · 3 min

A incrível gestão danosa | Jesé e Bolasie
Foto: Carlos Silva/Bola na Rede

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Refleti bastante sobre este tema antes de começar a escrever, e tentei ser brando na minha reflexão, para não incorrer numa espécie de injustiça Varandopresidencial, se é que me entendem. As surpresas não param de chegar, e, como já referi em outros artigos de opinião, há sempre qualquer coisa que nos faz ficar com a sensação de que existe um desnorte pelos corredores de Alvalade: as chegadas de Jesé e Bolasie são um bom exemplo.

Já não há palavras para descrever os inúmeros casos caricatos que têm surgido no Sporting Clube de Portugal desde o início do mandato da atual Direção leonina. Não gosto de causar a sensação de que sou do contra, ou que só olho num determinado sentido, mas a verdade é que as razões têm sido mais do que muitas para não acreditar em quem dirige o nosso clube. 

No último mercado de verão fomos surpreendidos por movimentações de última hora. São, então, apresentados Jesé (proveniente do Paris Saint-Germain FC) e Yannick Bolasie (proveniente do Everton FC), ambos por empréstimo e para colmatar as saídas de Bas Dost e Raphinha. Devo dizer que nem queria acreditar, mas vamos por partes.

Jesé Rodríguez, uma jovem promessa com 27 anos de idade e um percurso futebolístico atribulado, tal como a sua carreira artística. Nunca compreendi a sua contratação e provavelmente nunca irei lá chegar. Admito que poderia ter sido uma nova oportunidade ou uma viragem para a sua carreira. Apesar de não ter apoiado esta contratação, dei o benefício da dúvida. A verdade é que não ficou aquém das expectativas, porque elas já eram baixas. O seu contributo acabou por ser nulo, ao invés do preço que pagámos ao Paris Saint-Germain FC pelo seu salário. Fim da linha. 

Yannick Bolasie, extremo congolês, que completa em maio 31 anos. Confesso que, quando ouvi falar no seu nome, lembrei-me de que foi um jogador que chegou ao Everton FC em 2016, por trinta milhões de euros, e recordo-me também de alguns lances de virtuosismo na Premier League. Jogador maduro, experiente e habituado a jogar a alto nível, poderia traduzir-se numa mais valia para a equipa, apesar de ter andado de clube em clube emprestado, nos últimos anos. Embora com as suas debilidades, a sua raça merece um aplauso. Tentou mas… fim da linha.

O rendimento do extremo não foi suficiente para acionar a opção de compra
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

O problema nunca esteve, nem nunca vai estar, nos últimos dois parágrafos. O problema surge quando há alguém que vê uma luz e tem a ideia de contratar jogadores, esbanjando dinheiro em ativos que nunca valerão a pena. De quem é a culpa? Quem é o responsável? Provavelmente nunca iremos saber. 

Oferecemos jogadores a custo zero e não tivemos capacidade financeira para manter ativos importantes, mas tivemos a capacidade de gastar recursos em jogadores que pouco ou nada contribuíram. Quando se fala em estratégia, fico com muitas dúvidas se Frederico Varandas e os seus colegas sabem o que é isso. Parece-me, na verdade, que têm estado sempre perdidos na procura por soluções.  

Se eu escrevesse sobre as declarações de Frederico Varandas no dia 4 de setembro à Sporting TV, provavelmente não iriam acreditar. Deixo-vos o vídeo para tirarem as vossas próprias conclusões: 

A vergonha alheia é, provavelmente, o sentimento que melhor que descreve a nossa sensação depois de se ouvirem tais declarações. E do Fernando? Lembravam-se? 

Devo dizer que Jesé e Bolasie são os menos culpados. Podemos afirmar que o contexto atual não é favorável para que os jogadores se destaquem, mas o Bruno Fernandes também cá estava e a sua qualidade era abismal. Porquê? Porque tem, de facto, qualidade! 

Fim dos empréstimos e acabamos de perder muitos milhões de euros que serviriam para manter outros que mereciam jogar de verde e branco. Além disso, conseguimos construir um plantel ainda mais fraco. Para os cientistas do futebol, chama-se a isto gestão com “cabeça, membros e pernas”. 

Artigo revisto por Mariana Plácido

Tomás Parreira

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