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Segunda semana do Tour de France: Roglic segue de amarelo

André Filipe Antunes · 8 min

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Após duas semanas de Tour de França, o líder continua a ser o esloveno Primoz Roglic (Team Jumbo-Visma), com diversos candidatos à vitória da classificação geral a ficarem arredados, o seu maior rival de momento é o seu compatriota Tadej Pogacar (UAE Team Emirates).

A semana começou com uma etapa para os homens mais rápidos, com uma chegada histórica para o irlandês Sam Bennett (Deceuninck- Quick Step) que, após várias tentativas, conseguiu a sua primeira vitória de sempre no Tour. O ciclista pertence agora a um grupo restrito de corredores que já ganhou pelo menos uma etapa em todas as Grandes Voltas.

O comboio da Team Sunweb acabou por não resultar para o sprinter Cees Bol, mas Sam Bennett aproveitou a boleia e terminou à frente de Caleb Ewan (Lotto Soudal) e de Peter Sagan (Bora-Hansgrohe). Não houve alterações significativas na classificação geral, no entanto, a camisola verde passou a ser envergada pelo vencedor da etapa, ultrapassando Peter Sagan. Durante a etapa houve o abandono do ciclista Sam Bewley (Mitchelton-Scott). O ciclista Domenico Pozzovivo (NTT Pro Cycling) abandonou no dia de descanso.

Na etapa 11 tivemos nova chegada ao sprint. O australiano Caleb Ewan acabou por bisar neste Tour, batendo Sam Bennett e Peter Sagan. Uma chegada que acabou por ser polémica, visto que Peter Sagan deu um encosto a Van Aert durante o sprint.

O belga queixou-se do eslovaco, que acabou por ser relegado para a última posição do grupo, por decisão dos comissários, perdendo os pontos conquistados para a camisola verde nesta chegada. Na classificação geral não se registaram grandes alterações. Davide Formolo (UAE- Team Emirates) não alinhou à partida, enquanto que Gregor Muhlberger (Bora-Hansgrohe) e Ion Izaguirre (Astana) desistiram devido a queda.

A 12.ª tirada ficou marcada pelo sucesso de um dos protagonistas desta edição do Tour. O jovem suíço Marc Hirschi atirou-se de longe em busca da vitória na etapa, e acabou por conseguir a sua primeira vitória numa grande volta. A Team Sunweb lançava-se ao ataque com vários corredores, com Benoot, Hirschi e Soren Kragh Andersen, enquanto que Alaphilippe (Deceuninck-Quick Step), Schachmann (Bora-Hansgrohe) e Marc Soler (Movistar) seguiam no encalce.

No final, ninguém conseguiu agarrar Hirschi, que venceu com 47 segundos de vantagem para o segundo classificado Pierre Rolland (B&B Hotels- Vital Concept). O ataque da vitória aconteceu na última contagem de montanha, com o ciclista a manter sempre um ritmo constante, tornando-se um osso duro de roer para quem perseguia atrás. Tanto procurou que acabou por conseguir o desejado triunfo. Etapa sem grandes alterações na classificação geral.

Foto de capa: Team Jumbo-Visma

A etapa 13 ficou marcada pelo sucesso de uma fuga numerosa e cheia de qualidade. Nos últimos 50 quilómetros destacaram-se os dois elementos da Bora-Hansgrohe, Lennard Kamna e Maximilian Schachmann e os três da EF Pro Cycling, Hugh Carthy, Daniel Martinez e Neilson Powless. Acabou por restar apenas na frente Schachmann e Powless, com o segundo a não aguentar o ritmo do primeiro durante muito tempo.

Atrás de Schachmann vinha um grupo perseguidor, de onde saltou Daniel Martínez e Kamna. Obviamente, o alemão Kamna não trabalhava visto que tinha o seu colega na frente. A subida foi feita na totalidade com o colombiano na frente. Os dois alcançaram Schachmann já dentro dos últimos dois quilómetros. Parecia que Kamna poderia levar a vitória, visto que se vinha a poupar há largos quilómetros, mas Martínez mostrou-se mais forte no sprint final.

No grupo dos favoritos, os dois eslovenos, Roglic e Pogacar, ganharam vantagem nos últimos dois quilómetros, e conseguiram ganhar alguns segundos importantes para a classificação geral. Richie Porte e Mikel Landa perderam 13 segundos. Miguel Ángel López perdeu 16 segundos, enquanto que Egan Bernal e Rigoberto Uran chegaram com um atraso de 38 segundos. Quintana e Yates chegaram a 40 segundos.

Os grandes derrotados do dia foram Guillaume Martin (Cofidis) e Romain Bardet (AG2R), terceiro e quarto da geral, respetivamente, que saíram do top dez, perdendo quase 3 minutos para Roglic. Bardet acabou por concluir a etapa, mas não partiu no dia seguinte, combalido devido a queda, teve de ficar sobre vigia médica. A queda envolveu também o holandês Bauke Mollema (Trek-Segafredo) que abandonou durante o decorrer da etapa.

A etapa ficou marcada pela subida na geral de Tadej Pogacar, subindo da sétima posição para o segundo lugar. O esloveno também ultrapassou Bernal na camisola da juventude. Com a fuga a ter sucesso, a EF Pro Cycling ultrapassou também a Movistar na classificação por equipas.

O dia seguinte ficou marcado por mais um ataque bem-sucedido. A Team Sunweb tem sido das equipas que mais arrisca, com ataques dos jovens audazes. A fuga do dia foi alcançada muito cedo, e só tivemos ataques a cerca de 10 quilómetros do fim. Tiesj Benoot tentava lançar-se em busca da vitória, mas o trabalho no pelotão não permitiu o seu distanciamento. Alaphilippe, Thomas de Gendt e Kamna escapavam-se também, mas sem sucesso. Marc Hirschi tentava nova vitória de etapa, mas a Bora Hansgrohe de Peter Sagan não permitiu que o suíço fugisse.

Soren Kragh Andersen conquistou a sua primeira vitória numa grande volta.
Fonte: Team Sunweb

Quem decidiu sair, com um ataque fulminante, foi Soren Kragh Andersen, atacando para não mais ser alcançado. O dinamarquês utilizou todo o seu poder de bom rolador para alcançar o triunfo. O segundo classificado foi Luka Mezgec, já a 15 segundos, e o terceiro lugar foi para Simone Consonni. Foi novo dia para a equipa da Sunweb poder festejar, com a segunda vitória neste Tour. Não houve alterações significativas nas classificações das camisolas. Pierre Latour (AG2R) abandonou a prova durante a etapa.

A última etapa antes do dia de descanso trazia muita dureza, com chegada ao Grand Colombier, com pendentes médias a rondar os 7,3%, durante quase 18 quilómetros. Houve desde logo uma fuga a marcar a etapa, com Gogl e Rolland a serem os últimos escapados a resistir, sendo apanhados na subida final. Estávamos praticamente a entrar na última dificuldade do dia, e já o colombiano Egan Bernal ficava para trás. Seguiu-se Nairo Quintana a descolar dos favoritos. Adam Yates tentou mexer na corrida, mas o ritmo imposto pela Jumbo-Visma era elevado.

Robert Gesink, George Bennett, Wout Van Aert e Tom Dumoulin tiveram um papel preponderante na ascenção, sempre com um ritmo que não permitia ataques. Já dentro do último quilómetro, Roglic tentou sair, seguido de Pogacar e de Porte. O homem da Emirates foi o mais forte no sprint final, batendo Roglic, com uma grande pujança acabou por conseguir levantar os braços pela segunda vez neste Tour. Porte chegou logo atrás, a 5 segundos. Nairo Quintana perdeu 3m50s, enquanto que Bernal foi o maior derrotado do dia, com uma perda de 7m20s.

Bernal caiu da terceira posição da geral para o 13.º lugar. Pogacar manteve-se na segunda posição, agora a 40 segundos de Roglic. Rigoberto Urán, sem se dar por isso, subiu ao terceiro lugar da geral, a 1m34s do primeiro lugar. Neste dia, o colombiano Sergio Higuita abandonou a prova devido a uma queda provocada por um desvio repentino da bicicleta de Bob Jungels.

Após duas semanas de Tour, quando ficam a faltar apenas seis dias de competição, podemos tirar várias ilações. A equipa Jumbo-Visma está claramente num patamar superior a todas as outras. Uma equipa que tem o sprinter a puxar na frente do pelotão, enquanto que os líderes das outras equipas já estão a descolar atrás, quer dizer algo.

Tadej Pogacar parece ser o principal rival de Roglic, tendo já batido por duas vezes o camisola amarela nas chegadas. O problema é que não chega ganhar os sprints para conquistar a liderança da geral. Pogacar vai ter de atacar nesta terceira semana se quiser ganhar o Tour. Roglic será teoricamente superior no contrarrelógio, e Pogacar sabe disso, portanto, deverá atacar certamente nas próximas três etapas. A margem é curta, 40 segundos, portanto está tudo em aberto.

De destacar ainda a excelente semana da Team Sunweb, conquistando duas vitórias, com muita audácia, proporcionando momentos agradáveis para o espectador. Marc Hirschi é um dos nomes que vai sobressair do Tour 2020, pelo estilo atacante que tem tomado, e pela vitória de etapa. Agora, vamos entrar na terceira semana do Tour, ficam várias perguntas no ar, por responder, mas a principal será sempre: Quem vai ganhar a Volta a França e vestir a amarela nos Campos Elísios?

Classificação geral após a segunda semana (Top 10):

1.º lugar– Primoz Roglic (Team Jumbo-Visma) 65h37m07s

2.º lugar– Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) +40s

3.º lugar– Rigoberto Urán ( EF Pro Cycling ) +1m34s

4.º lugar– Miguel Ángel López (Astana) +1m45s

5.º lugar– Adam Yates (Mitchelton-Scott) +2m03s

6.º lugar– Richie Porte (Trek-Segafredo) +2m13s

7.º lugar– Mikel Landa (Bahrain-Mclaren) +2m16s

8.º lugar– Enric Mas (Movistar Team) +3m15s

9.º lugar– Nairo Quintana (Team Arkéa Samsic) +5m08s

10.º lugar– Tom Dumoulin (Team Jumbo-Visma) +5m12s

Português:

61.º lugar- Nélson Oliveira (Movistar) +2h08m29s

 

Camisola verde (pontos): Sam Bennett (Deceuninck-Quick Step) 269 pontos

Camisola branca (juventude): Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) 65h37m47s

Camisola das bolinhas (montanha): Benoit Cosnefroy (AG2R) 36 pontos

Classificação por equipas: Movistar 97h04m16s

André Filipe Antunes

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