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O impacto da covid-19 no futebol

Diana Oliveira · 2 min

O impacto da covid-19 no futebol
Foto: Carlos Silva / Bola na Rede

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O futebol sem os adeptos é “como ir ao circo e não ver palhaços”, rematou de forma tão certeira o capitão da Seleção Nacional, Cristiano Ronaldo, nas declarações proferidas após a recente partida das quinas frente à Suécia, a contar para a Liga das Nações. Poderemos discutir se foi a melhor expressão para retratar a situação, mas todos nós, amantes do futebol, sentimos uma espécie de vazio que teima em não ser preenchido, além duma ligeira revolta pela indefinição quanto a uma data para que tudo volte ao normal.

Mas, o que é o “normal” agora? Antes, era normal juntarmos os amigos e família para uma ida ao estádio e, a cada golo, festejarmos efusivamente com o vizinho da cadeira ao lado, mesmo que este fosse um completo desconhecido. Havia algo que nos unia – o amor ao futebol e ao nosso clube de coração. Era normal cantarmos junto com a claque aquelas músicas que sabemos desde pequeninos, que os nossos pais nos ensinaram orgulhosamente quando ainda nem tínhamos idade para perceber o verdadeiro significado das letras. Na verdade, não precisávamos de perceber, porque já sentíamos aquela emoção indescritível que é ver o nosso clube vencer.

Agora, tudo isto se perdeu. O “normal”, neste momento, é ver cada partida no sofá de nossa casa, que será mais confortável, é certo, mas não será a mesma coisa. Isto se realmente houver jogo, porque o normal agora também é vivermos na incerteza se vai haver algum adiamento a cada jornada, motivado pelos únicos testes positivos que ninguém deseja.

O regresso ao estádio é muito ansiado pelos adeptos Fonte: Bola na Rede

A situação não agrada a ninguém: treinadores e jogadores já manifestaram, por várias vezes, a falta que fazem os adeptos nos estádios para dar aquela motivação extra à equipa ou mesmo para providenciarem a assobiadela necessária para acordar os jogadores quando a exibição não está a ser a melhor. Os clubes, por sua vez, estão também cada vez mais desesperados financeiramente, afetados por uma crise que parece não ter fim e que afeta, sem exceção, todos os setores da sociedade.

O próximo passo, já alcançado noutros campeonatos, também não será o mais agradável, mas é aguardado com ansiedade. Trata-se do regresso às bancadas dos estádios, ainda que afastados pelo já habitual distanciamento social necessário e sempre munidos das nossas mais fiéis amigas nos últimos tempos: as máscaras. Não será o mesmo, é certo. Porém, acredito que, apesar de todas as condicionantes, conseguiremos matar as saudades e dar ao futebol o verdadeiro espetáculo que ele merece.

Obviamente, o panorama atual desperta-nos preocupações muito mais primordiais que o regresso dos adeptos aos estádios, ainda para mais com o recente aumento significativo de novos casos positivos à covid-19 nos últimos dias. De qualquer forma, no seu devido tempo, é importante discutir seriamente entre as entidades responsáveis como e quando vai acontecer este regresso – até porque já foram permitidos a outros deportos e atividades culturais a presença de público -, sob o risco de penalizar de forma irreversível alguns clubes (e todos os que dependem destes) que necessitam das receitas de bilheteiras para sobreviverem. Muito mais tempo sem adeptos e corremos o risco de matar o futebol.

Diana Oliveira

Redação Bola na Rede · ver artigos

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