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Jogadores que Admiro #56 – Rui Patrício

Marta Reis · 3 min

Jogadores que Admiro #56 – Rui Patrício
Rui Patrício foi uma das "vitórias" da noite em Alvalade Fonte: Sporting CP

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Às vezes, os guarda-redes não são os jogadores mais favoritos de uma equipa. Quando o são, das duas uma: ou se gosta muito da posição, ou é porque esse jogador fica na memória durante muito tempo, e por bons motivos. Sabe-se que são os primeiros a levar com as culpas quando se perde um jogo. A culpa é deles porque são o último obstáculo entre o adversário e o golo, e a obrigação deles é parar todas as bolas, por muito indefensáveis que sejam. Se a equipa ganha, é o último a quem se dá mérito, porque por muito que tenha feito defesas espetaculares, que tenha parado penáltis ou que tenha começado a jogada que daria golo, foi um outro a concretizar, a marcar o seu nome na história da partida e, quem sabe, do campeonato.

Assim, admiro profundamente a capacidade que um guarda-redes tem para aguentar com todas as críticas, boas ou más, e a força que tem de ter para superar tudo, entrar em campo e, mesmo que tenha sido um erro seu a dar vantagem à outra equipa (como o recente caso de Ter Stegen no Celta de Vigo-Barcelona), recuperar o pensamento vencedor e tentar dar a volta à questão.

Assim, pus-me a pensar há quanto tempo ouvia falar de Patrício na baliza do Sporting. Tentei recordar-me, mas não consegui e, afinal fazia sentido. Rui Patrício apenas teve dois clubes na sua vida: O Leiria e Marrazes e o Sporting Clube de Portugal. A sua transição dos escalões jovens para a equipa sénior foi muito suave, e esteve na sombra por uma razão bastante específica: era substituto de outro grande guarda-redes que marcou a história tanto leonina como também nacional.

Nunca me esquecerei daquele penálti defendido sem luvas e de outro, logo a seguir, convertido por ele, no Euro 2004. Falo, obviamente, de Ricardo. Rui Patrício realizou a sua estreia pelos leões em 2006/2007, mais exatamente no dia 19 de Novembro de 2006, frente ao Marítimo. Esse jogo, que acabou por ser mais favorável ao Sporting, com uma vitória por 1-0, foi o começo da era São Patrício. A partir da época seguinte, o testemunho foi-lhe passado por Ricardo e nunca mais o largou. Desde aí, raramente saiu da baliza e, quando esteve, raramente deixou o Sporting mal. Não é fácil ser guarda-redes, mas São Patrício sempre aguentou a pressão.

Rui Patrício vai ter uma estátua a imortalizar esta defesa na final de Paris Fonte: UEFA
Rui Patrício vai ter uma estátua a imortalizar esta defesa na final de Paris
Fonte: UEFA

O leão de Marrazes veio para ficar e para se afirmar também na seleção nacional. São ainda seis anos de quinas ao peito, na seleção A, a representar Portugal pelo Mundo fora. Assumiu a titularidade no Euro 2012 e começou ainda como titular no Mundial 2014, que lhe ficou na memória por sofrer uma lesão grave e não poder jogar mais esse torneio. Desde aí, conseguiu a proeza de se tornar campeão europeu este ano, para se afirmar como elemento fundamental do plantel nacional.

São dez anos de Rui Patrício na baliza dos leões. Veio para se afirmar e, como leão que é, não lhe deixa que lhe roubem o lugar. É dono e senhor da sua posição, e assume-o como poucos fazem. É de admirar a determinação de Patrício e, se há coisa que se pode afirmar, é que vai ficar na história, quer muitos queiram ou não. Dez anos de Patrício no Sporting e, sabem que mais? Que sejam muitos mais.

Foto de capa: Sporting Clube de Portugal

Texto revisto por: Carlos Valente

Marta Reis

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