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Força da Tática | FC Porto x Benfica

Miguel Costa · 3 min

Richard Ríos Benfica
Foto: Paulo Ladeira / Bola na Rede

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O clássico entre FC Porto e Benfica ficou definido pela capacidade de ambas as equipas se adaptarem ao longo do jogo.

O FC Porto venceu o Benfica nos quartos de final da Taça de Portugal, por 1-0, no Estádio do Dragão, graças a um golo de Jan Bednarek, na sequência de um pontapé de canto batido por Gabri Veiga.

Os onzes iniciais apresentados por ambos os treinadores transmitiram mensagens claras sobre o que poderia ser o duelo. Farioli não surpreendeu, integrou Thiago Silva no onze e “empurrou” Kiwior para uma posição que o internacional polaco conhece bem. De resto, não houve alterações que, à partida, causassem surpresa.

Thiago Silva FC Porto
Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

José Mourinho, em relação ao encontro do campeonato, optou por uma abordagem mais arrojada, lançando Sidny por Sudakov e Prestianni no corredor direito. Esta escolha deixou clara a intenção de apostar nos contra-ataques e em ataques rápidos. Merece também destaque o meio-campo composto por Barreiro, Richard Ríos e Aursnes, uma solução pouco utilizada ao longo da temporada. Esta opção ficou a dever-se ao desconforto físico sentido por Enzo Barrenechea nas últimas semanas.

Sidny Cabral Benfica
Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

O clássico ficou definido pela capacidade de ambas as equipas se adaptarem ao longo do jogo.

Foi um encontro em que ambas as equipas dificultaram os momentos de pressão alta, obrigando a soluções mais diretas e a uma leitura permanente dos diferentes momentos do jogo. Do ponto de vista tático, foi um jogo “rico”, em que nenhuma das equipas se “apequenou”, mesmo nos períodos de maior pressão do adversário.

Ainda assim, o FC Porto revelou-se mais criativo no último terço, principalmente na primeira parte. As ligações entrelinhas, as iniciativas individuais e as combinações interiores foram determinantes para desmontar a organização defensiva do Benfica. Defensivamente, os dragões mostraram-se competentes, evitando riscos excessivos que pudessem resultar em erros graves.

O Porto encontrou com frequência espaço nas costas de Dedic — situação que esteve na origem do lance que resultou no pontapé de canto do golo, após um lançamento longo — e soube explorar os apoios frontais de Samu.

O Benfica, por sua vez, e atendendo aos jogadores utilizados, optou por um jogo mais direto, recorrendo a movimentos de rutura em profundidade como principal forma de atacar a baliza defendida por Diogo Costa. Mourinho escolheu um onze mais preparado para explorar o espaço, mas esse espaço raramente existiu dentro do bloco organizado do FC Porto e quando existiu houve um “super Diogo Costa” e ineficácia na finalização.

Vangelis Pavlidis Benfica
Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

Porém, houve momentos em que o Benfica conseguiu impor ataques mais longos e organizados, algo pouco visto com consistência ao longo da temporada. A equipa mostrou capacidade para circular a bola com critério no corredor central, atraindo o bloco do FC Porto e procurando libertar os laterais em largura ou encontrar homens entrelinhas. Esses períodos de maior controlo permitiram às águias instalar-se no meio-campo ofensivo e ganhar metros com bola, ainda que sem grande eficácia no último passe.

Em suma, este clássico resumiu o que tem sido a época 2025/26 de ambas as equipas. O FC Porto  revelou uma maior eficácia nos momentos-chave e uma leitura tática mais ajustada aos diferentes contextos do jogo. Sem dominar de forma contínua, os dragões souberam gerir os ritmos, proteger os espaços e explorar as fragilidades do adversário — bola parada — enquanto o Benfica, apesar de ter alternado entre jogo direto e fases de construção, sentiu dificuldades em transformar o controlo territorial em golos.

Num duelo equilibrado e exigente do ponto de vista estratégico, a solidez coletiva e a eficácia em bola parada acabaram por fazer a diferença.

Miguel Costa

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