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Ivan Baptista e Lúcia Alves fazem a antevisão do dérbi entre Benfica e Sporting: «As equipas ainda estão também a ganhar o entrosamento e as dinâmicas que pretendem»

Francisco Vicente · 6 min

Ivan Baptista Lúcia Alves Benfica
Foto: Carlos Silva / Bola na Rede

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Ivan Baptista e Lúcia Alves fizeram a antevisão do dérbi feminino entre Benfica e Sporting. O treinador e a lateral destacaram a confiança na equipa encarnada.

Ivan Baptista e Lúcia Alves fizeram a antevisão, em conferência de imprensa, do dérbi feminino entre Benfica e Sporting, a contar para a quinta jornada da Primeira Liga Feminina. O jogo vai ser disputado este sábado, às 15h30, no Estádio da Luz.

Ivan Baptista, treinador das encarnadas, foi o primeiro a falar e começou por abordas as novas dinâmicas e novidades das duas equipas comparativamente com a temporada passada:

«Eu penso que este dérbi, numa fase tão precoce da época, tem características diferentes dos dois, por exemplo, que disputámos na época passada. Lembro que um foi mesmo a fechar a 1.ª volta e o segundo já no término do Campeonato, com as contas decididas. Neste momento, as equipas ainda estão também a ganhar o entrosamento e as dinâmicas que pretendem. Existe aqui um conhecimento de parte a parte, mas não um conhecimento tão profundo daquilo que possam ser as valências do adversário e as ideias, e o que as novas jogadoras que nesta época chegaram a ambos os clubes aportam aos dois lados. Ainda assim, os números, o facto de não termos sofrido golos, pouco ou nenhum peso terão num jogo como este, desta dimensão. São duas equipas que têm boas executantes, que têm boas qualidades coletivas e individuais e será um bom espetáculo a partir daí. A tabela, a nível de pontos, de golos, pouco ou nada conta. Nós focamo-nos muito naquilo que temos feito até então. São três jogos, três vitórias. À 3.ª, 4.ª ou 5.ª jornada, a forma como estamos na tabela pouco nos dirá. Se calhar, à 15.ª poderemos ter uma perspetiva um bocadinho mais consolidada. Neste momento, é prepararmo-nos o melhor possível para um jogo que será um jogo especial, mas que também é um início de época para ambos os lados naquilo que à Liga diz respeito».

Após a paragem para os compromissos internacionais, o Benfica teve quatro sessões de treino. Com isto, Ivan Baptista revelou que privilegiou o rendimento e o momento de forma na escolha das jogadoras:

«Na semana passada, acho que fui claro nisso. Recebemos jogadoras a um ou dois dias da competição, recebemos jogadoras que fizeram 180 minutos na paragem FIFA e tivemos jogadoras que ficaram cá a trabalhar connosco e que tiveram zero minutos durante essas duas semanas. Tudo isso carece de uma gestão diferenciada perante as jogadoras que temos à nossa frente, numa deslocação à Madeira que envolve também todo esse lado. Num grupo de trabalho como o nosso, com as soluções que nós temos, nunca sequer nos preocupou aquilo que pudesse ser o resultado e uma boa exibição, como foi o caso, porque temos soluções para dar resposta às diferentes circunstâncias. Nesta semana temos uma semana limpa, uma semana de quatro treinos para prepararmos da melhor forma este jogo. Por isso, a esse nível, numa fase inicial da época, é verdade, neste momento, essa questão de gestão de cargas não é tão importante, ou não tem um peso tão grande naquilo que são as escolhas, mas sim o rendimento e o momento de forma das jogadoras».

Embora uma vitória do Benfica permita ultrapassar o rival direto na classificação, ainda com um jogo em atraso, o treinador das encarnadas não coloca o primeiro lugar como o mais importante, neste momento:

«Passar para a liderança à 3.ª ou 4.ª jornada, como disse há bocado, não é o mais importante. O mais importante é irmos ganhando jornada após jornada. Eu disse isto na antevisão que fiz logo após o jogo da Madeira: este jogo com o Sporting vai valer os mesmos três pontos que valia o jogo na Madeira. Naturalmente, com a consequência de que a equipa que ganhar, o seu adversário direto à conquista ou à luta pelo título perderá também esses pontos. Torna-se importante porque é um Campeonato onde, pelo passado recente, não se perdem pontos em muitas jornadas. É um Campeonato curto. Tudo isso faz com que estes jogos ganhem ainda mais importância. Mas não me lembro de um Campeonato (no ano passado não foi assim) em que tenham sido os resultados dos dérbis a definir o campeão. É a consistência ao longo de uma época desportiva. Nós ainda não perdemos pontos, queremos continuar assim e é assim que encaramos este jogo de sábado».

Ivan Baptista garantiu ainda que gostaria de ver a equipa atuar mais vezes no Estádio da Luz e considera que a adesão dos adeptos é fundamental:

«Um dérbi é um dérbi. É especial para nós, treinadores, jogadoras, e muito também para a massa adepta. Tem esse lado especial, não fugimos a isso. E, naturalmente, jogar no Estádio da Luz… É um estádio onde nós gostaríamos de jogar todos os jogos. Sabemos que, para isso um dia poder ser uma realidade, precisamos também muito que a massa adepta se una a estes momentos e que compareça em grande número, para justificar também, ou ser um fator de acréscimo, ao facto de estarmos num palco daqueles. E depois temos a nossa responsabilidade. Não diria pressão. Uma equipa que vence seis Campeonatos consecutivos não tem pressão alguma, tem uma responsabilidade muito grande. Pressão teríamos se tivéssemos oito épocas sem ser campeãs nacionais ou, nas últimas quatro, ganhar uma Supertaça. Isso, sim, acarretava uma pressão grande sobre o Benfica. Neste caso, temos uma responsabilidade muito grande para dar continuidade a um excelente trabalho que o Clube tem feito no futebol feminino ao longo dos últimos anos e queremos continuar a encher o Museu de troféus».

Depois das palavras de Ivan Baptista, foi a a vez de Lúcia Alves. A lateral portuguesa revelou que está consciente da exigência necessária para manter o lugar na equipa, destacou o entusiasmo do dérbi e o privilégio de jogar no Estádio da Luz:

«Sabemos o jogo que é. Sabemos que é aquele jogo em que toda a gente quer estar, que toda a gente quer jogar e que toda a gente quer desfrutar. Sabemos o que é representar o Benfica nesse jogo e ter perto os nossos adeptos. É algo que nos dá uma força maior. É desfrutar de entrar naquele estádio, naquele relvado, e o máximo que podemos dar aos adeptos é uma vitória. Não, aqui não se sabe o onze antes do jogo. É trabalhar, como toda a gente faz diariamente. Todas as colegas dão o máximo para estar lá dentro e para representar o Clube da melhor forma. Sim, é um jogo em que, como referi, toda a gente quer estar, em que toda a gente quer poder ajudar a equipa, mas sabemos que quem for lá para dentro vai dar o máximo por este clube».

A internacional português também reconheceu a qualidade do Sporting, porém preferiu valorizar a identidade do Benfica:

«Sabemos o adversário que vamos encontrar, mas também estamos cientes daquilo que somos, daquilo que valemos e daquilo que podemos dar. Eu acho que o foco tem de estar sempre em nós e naquilo que temos de entregar em campo e aos adeptos. Por isso, a melhor forma que posso dizer é que 100% de nós vai estar lá dentro e, como referi há bocado, a força vão ser eles. Por isso, é poder encher o nosso estádio, poder estar com eles e desfrutar desse dia. Eu acho que não tem de haver pressão. Nós sabemos aquilo que valemos, sabemos o que está do outro lado também, e elas próprias acho que sabem aquilo que valem. É lutar ambas as equipas pela vitória. Enquanto jogadora, já estive muitas vezes nesses jogos. O máximo que posso dizer é que vou desfrutar do jogo, é que vai existir, de ambas as equipas, 100% de foco. E os adeptos podem esperar um jogo equilibrado, como sempre, mas claro que, da nossa parte, é tentar mandar em casa».

Por último, Lúcia Alves, deixou claro que o foco das encarnadas são os três pontos e que os resultados anteriores não terão interferência na preparação para este jogo:

«As estatísticas não contam para nada. Todos os jogos são diferentes, todos os jogos temos jogadoras novas, o Sporting tem jogadoras novas. O que podem esperar de nós é estar na máxima força e tentar assegurar os três pontos. Em relação à tabela, acho que isso não pode causar pressão em nenhuma equipa e em nós muito menos».

Francisco Vicente

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