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Olhanense: Como não gerir um clube

André Conde · 3 min

Olhanense: Como não gerir um clube

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A época 2013/14 tem sido muito difícil para o Olhanense, que tenta, a todo o custo, manter-se na Primeira Liga. Ao contrário de Portimonense e Farense, que fazem um campeonato calmo na Segunda Liga e até lutam pela subida, os homens de Olhão têm tido uma época muito conturbada, ocupando o penúltimo lugar, com apenas três vitórias. Para esta situação contribuíram os inúmeros erros da Direcção.

Convém explicar que a situação do Olhanense não é recente. Já vem da época passada, com salários atrasados e ameaças de greves a jogos. Depois deste final conturbado e da crise que existia, o Olhanense encontrou em Itália alguém que investisse no clube. Quem apareceu foi Igor Campedelli, um empresário italiano, que detém 80% do capital do Olhanense. Este negócio levantou sempre muitas suspeitas e desconfiança, pelo facto de ser um desconhecido e de apostar num clube que atravessava uma grave crise e sem promessas de retorno desse investimento.

Igor Campedelli é o novo vice-presidente do Olhanense Fonte: totalsport
Igor Campedelli é o novo vice-presidente do Olhanense
Fonte: totalsport

Esperava-se que esse tal investimento se traduzisse num plantel equilibrado que cumprisse o objectivo da manutenção. Errado. O plantel do Olhanense é o exemplo de como não se deve fazer um plantel. Este foi feito em cima do joelho, com demasiados jogadores à experiência, um vai-e-vem de entradas e saídas durante a pré-época que não dá estabilidade a nenhum treinador. O resultado é um plantel com 14 línguas diferentes, o que dificulta a comunicação no interior do grupo. Nesse plantel de tão variadas nacionalidades, podemos encontrar jogadores como Per Kroldrup (ex-Fiorentina e Everton), Obodo (ex-Udinese) e Santana (ex-Fiorentina). Jogadores com alguma experiência no futebol, que já andaram por grandes palcos e que podem ajudar o Olhanense. Mas convém não esquecer que aparecem já numa fase terminal da carreira, onde a forma pode não ser a melhor.

E para um plantel destes, que não teve a estabilidade necessária durante a pré-época, o ideal seria um treinador experiente, já habituado a estas andanças, para tentar construir o melhor plantel, certo? Errado. A aposta do presidente do Olhanense foi em Abel Xavier, que assim teve a sua primeira aventura como treinador. Por muito que Abel Xavier tenha sido um jogador experiente, foi uma aposta errada por parte da Direcção do clube. Face a todas as condicionantes do plantel, era preciso outro tipo de treinador, que já tivesse mais calo na Primeira Liga. Mas os erros não ficam por aqui. Mantendo a aposta em Abel Xavier, o jovem treinador até estava a fazer um trabalho positivo, tendo em conta que tinha o plantel, na minha opinião, mais fraco do campeonato, mas acabou por ser despedido à oitava jornada, após uma vitória frente ao Arouca, e quando estava em 11º lugar. Um erro ainda maior do que a sua contratação, pois, na altura em que saiu, não se podia de todo criticar o seu trabalho. Para o seu lugar, veio Paulo Alves, treinador já com outra experiência, mas com ele veio também uma série negra de oito jogos sem vencer. Ao comando dos algarvios, o técnico nunca conheceu o sabor da vitória e saiu sem glória. Agora, os destinos do Olhanense estão nas mãos de Giuseppe Galderisi, um desconhecido para muitos dos adeptos portugueses. Com este italiano, a equipa já venceu um jogo e perdeu outro. Será Galderisi o homem certo para levar o clube de Olhão a realizar uma temporada mais calma?

Para dificultar a missão no campeonato há o facto de a equipa não ter jogado no seu estádio durante quase toda a primeira volta, mas sim no do Algarve, o que não é a mesma coisa, pois o apoio dos sócios faz-se sentir muito mais no Estádio José Arcanjo. Esta tem sido uma situação que tem sido ignorada por parte da direcção. A época do Olhanense adivinha-se muito complicada e é fruto de uma gestão danosa por parte da direcção. Aqui está um bom exemplo de como não gerir um clube.

André Conde

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