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Falsos ídolos podem destruir

Nuno Almeida · 4 min

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Desde miúdos, e mesmo já crescidos, ouvimos ser-nos perguntado quais são os nossos ídolos, e quase sempre sai o nome de um jogador de futebol. E quando não sai, a pergunta seguinte é “e no futebol?”. É um reflexo da sociedade em que vivemos, obcecado com futebol, sendo o único escape que encontramos para o stress do dia a dia (no nosso caso, não passa de mais um provocador de stress que influencia relações pessoais, familiares e profissionais.). Vendo bem, não será bem um escape, mas onde reflectimos as nossas frustrações, e onde tentamos encontrar vitórias, e superioridade sobre outros, que não conseguimos na nossa vida pessoal e profissional.

Mas voltando à questão inicial, sempre gostei de futebol, e sempre gostei mais de uns jogadores do que outros, essencialmente pela forma de jogar, mas também pela personalidade que pensamos terem. Ora, como não lidamos diariamente com esses jogadores, pessoalmente e intimamente, só conhecemos o que eles tentam projectar para o exterior, conseguindo ou não, conforme o seu jeito para comunicar. Ou seja, nem sempre o que pensamos de um jogador reflecte exactamente o seu verdadeiro eu. E percebendo nós como são egoístas os futebolistas, não poderemos esperar que estes sejam um modelo de modéstia e valores, apesar de esperarmos que o sejam para as gerações mais novas.

Pedro Barbosa foi acusado de forçar o despedimento de Inácio
Fonte: sporting.filtro.pt

Ainda há poucos dias, um ex-jogador e treinador deu uma entrevista onde descrevia esse mesmo cenário. E vindo de alguém que conhece tão bem os bastidores do nosso futebol, por várias vertentes e de todas a barricadas, só me leva a acreditar nisso mesmo. Dizia ele que determinado jogador, que eu sempre considerei, como capitão que foi pelo nosso clube, apesar de deixar a desejar no que tocava a entrega, que a determinado momento tudo fez para que o treinador fosse despedido, em conluio com os dirigentes de então por não haver acordo em termos de contratações. Sabendo nós que, muitas vezes, os jogadores, não estando satisfeitos com o treinador, seja por razões válidas ou não, conseguem mesmo despedir um treinador, não acho descabido acreditar nesta versão. Temos vários exemplos a comprová-lo.

Assim, em vez de ir pela via mais fácil, um presidente, o que deve fazer é entrar no balneário e comunicar ao grupo, que o treinador será aquele, e quem não gostar não joga ou é encostado. Se querem ganhar, terá que ser com esse treinador. E Jorge jesus já passou por uma situação dessas no seu anterior clube, tendo sido segurado pelo presidente. O que se passou depois, todos sabem apesar de ter sido mau para nós (ainda está a ser, apesar de sabermos que não foi apenas pelo treinador).

Não pode ser apenas o treinador a conseguir segurar um balneário, porque ninguém consegue agradar a todos, e os jogadores todos querem jogar para serem vendidos por milhões. Tem que haver apoio da estrutura, e passar para o grupo, de forma a que não passe sequer pelas suas cabeças a possibilidade de poderem boicotar trabalho de quem os comanda.

Jogadores, ídolos? Não. São apenas miúdos com jeito para jogar à bola, cujos valores e convicções nós não conhecemos, e podemos nem nos rever. Ídolos são os meus pais, avós e pessoas que me são chegadas, cujas acções, convicções e valores me fazem querer seguir como exemplo futuro.

Cuidado com os falsos ídolos. Segundo algumas crenças, já se destruíram cidades por adorarmos falsos deuses, por isso não deixem que se destrua o bom trabalho que tem sido feito, por golos falhados, por ídolos, com baliza aberta. Não deixem que egos destruam o trabalho de muitos para muitos.

Não podemos dar-lhes esse poder, idolatrando-os. Eles não podem sentir que podem decidir. Devem ser tratados apenas como alguém que faz bem o trabalho e ser acarinhado por isso. E os jogadores, que tenham noção de que quem os considera ídolos, rapidamente os passa a considerar de maçãs podres, dependendo das suas acções e decisões.

João Moutinho passou de capitão idolatrado a “Maça Podre”
Fonte: Sporting CP

Não quero com isto criticar os jogadores. Apenas não aceito que todos os males sejam imputamos ao treinador, até porque muitas vezes não temos a menor ideia do que se passa nos balneários e bastidores.

E não quero que aconteça agora o que aconteceu em 2000/2001, em que nos convenceram que o melhor a fazer era despedir um treinador campeão, tendo esta decisão sido talvez a principal razão por estarmos agora a passar por mais esta seca de títulos. Não se deixem levar na mesma música.

Não vale a pena andar a pedir a cabeça deste e daquele, até porque a culpa pode ser de todos, de ninguém, ou ate de alguém que nem é conhecido do público em geral. E por isso, vamos apoiar os jogadores, treinadores, presidente, e confiar no trabalho que está a ser feito, porque, para um clube que esteve quase a fechar, e a disputar sétimos lugares, quando outros estão há tantos anos tão bem estruturados e com poderes enraizados a vários níveis, só para os alucinados seria de esperar que passássemos de repente a ganhar. Eu já só espero ver o meu clube a melhorar de ano para ano, e não falo de futebol, porque nunca fui do Sporting apenas pelo Futebol.

Foto de Capa: Sporting CP

Nuno Almeida

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