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A Crónica de (mais) uma vitória anunciada

Henrique Carrilho · 3 min

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Barcelona é tradicionalmente o palco do segundo evento “grande” da época europeia disputada sob terra batida. Barcelona é, quase por definição também, o palco da segunda vitória de Rafael Nadal na época europeia de terra batida, ano após ano. Assim aconteceu em nove das últimas treze épocas. Poucas (ou nenhumas) indicações havia de que o mesmo não acontecesse também este ano. Sim, porque no que toca a falar de Rafael Nadal e torneios em terra batida, o “raro” é mesmo o espanhol não sair com o troféu debaixo do braço.

Amplamente anunciada como “a melhor edição de sempre” do Barcelona Open Banc Sabadell, foram vários os craques que estiveram na Catalunha esta semana: para além de Rafa, também Djokovic recebeu wild-card à última da hora, fazendo companhia a Grigor Dimitrov, Dominic Thiem, David Goffin… enfim, um quadro “de luxo” tendo em conta a categoria ATP500 do torneio catalão.

Foi com estádio cheio que o público espanhol recebeu o sérvio 12 anos depois da sua estreia em terrenos catalães, quando ainda tenha somente 18 anos. O eslovaco Martin Klizan, de 28 anos, e que já anda fora dos grandes palcos do ténis há bastantes meses (resultando na sua atual classificação de 140.º) era o alvo a abater de um Djokovic nervoso e com uma falta de confiança assinalável, que esperava regressar às vitórias mas principalmente a um nível exibicional condizente com o estatuto que carrega às costas.

Mas não foi em Barcelona que o conseguiu. O sérvio voltou a desiludir os milhares de fãs e Klizan revelou-se competente e audaz no que toca a explorar as debilidades – físicas, táticas e psicológicas – do atual 13.º classificado da hierarquia ATP – derrotando o sérvio em três partidas. E este foi o principal destaque da metade superior da grelha, assumindo que já “não merece” destaque o facto de Rafa seguir “cilindrando” todos aqueles que à frente lhe surgem, distribuindo por duas vezes em quatro encontros os famosos “pneus” – vulgo, 6/0.

Djokovic chegou a Barcelona para encontrar o seu melhor ténis, mas saiu de mãos a abanar
Fonte: Barcelona Open BancSabadell – Trofeo Conde de Godo

Na metade inferior, um nome grande se destacou. E não digam que o Bola na Rede não avisou, porque já aqui falámos dele.

Pois é, Stefanos Tsitsipas deu o seu primeiro passo de gigante no circuito “dos adultos” e mostrou que sim, é possível ser-se (muito) competente em terra batida, sendo também um bom jogador em pisos muito rápidos, como relva. A aliança entre um serviço que abre as portas dos pontos ao grego, e uma consistência fabulosa para um miúdo de 19 anos, revelou-se letal para todos os seus adversários – Dominic Thiem incluído – até chegar à Final. Aí, o grego que jogava a sua primeira final do circuito ATP enfrentou Rafa Nadal que procurava “La undecima” em onze finais disputas…somente em Barcelona.

A Final começou muito cinzenta, literalmente. As nuvens que pairavam sob a “Pista Rafa Nadal” do Real Tenis Club de Barcelona preocuparam os presentes e fizeram abrir muitos guarda-chuvas nas bancadas tendo o jogo mesmo sido interrompido por duas breves vezes no início do encontro. Dissipadas as nuvens, veio o sol e com ele as condições climatéricas que melhor encaixam no ténis de Nadal: o tempo seco torna a terra batida mais rápida, e o top-spin do maiorquino faz muito mais moça no adversário. Por isso, foi com toda a naturalidade que o líder do ranking ATP foi somando pontos atrás de pontos, breaks e, ao fim de pouco mais de uma hora, quebrou de forma derradeira o serviço do jovem grego consumando mais um título com os parciais de 6/2 e 6/1.

Stefanos Tsitsipas, 19 anos, foi a grande revelação do torneio catalão, atingindo a sua primeira final no circuito ATP
Fonte: Barcelona Open BancSabadell – Trofeo Conde de Godo

De Barcelona, e no que a Nadal diz respeito, fica (mais do que a vitória da prova) um apontamento importante: o espanhol recuperou aquela “aura” que possuiu durante tantos anos, e que se vinha a desvanecer com o tempo. Alturas houve em que, vendo o “touro ferido”, qualquer adversário ansiava entrar para dentro do campo de terra batida frente a Nadal, na busca de ficar registado no reduzido leque de atletas que lograram derrotar o maiorquino. E essa condição alimentava as esperanças dos adversários de Nadal ao mesmo tempo que causava mais problemas ainda a Rafa.

Agora que a tormenta (aparentemente) passou, o espanhol quebrou esse ciclo menos positivo e desde o ano passado que vem reconstruindo a condição de imbatível em terreno argiloso. Fruto disso, Rafa quase que já entra em campo com um set (ou mesmo dois) de avanço. E essa aura que gira em torno de Nadal é quase impossível de quebrar. Que o diga Federer que é, porventura, o jogador que mais frustração terá sentido frente ao maiorquino, na última década.

Foto de Capa: ATP

Henrique Carrilho

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