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As chaves do título do FC Porto

2 da manhã, noite de São João. Entre manjericos e martelos a cidade do Porto aproveitava a festa que entrava pela noite dentro para ir espreitando, com mais ou menos atenção, o que se passava à mesma hora, mas num fuso horário totalmente diferente. Se na cidade Invicta se espalhavam sorrisos boémios, a muitos quilómetros de distância multiplicavam-se as caras de desalento e frustração. O FC Porto empatava por 4-4 diante do Al Ahly e era eliminado do Mundial de Clubes sem vitórias conquistadas e com mais um prego no caixão de uma temporada particularmente infeliz. Wessam Abu Ali, avançado palestiniano que entrou no imaginário de vilões do FC Porto, expôs as feridas de um Dragão latejante e nas ruas da amargura. Menos de um ano depois, o momento é totalmente diferente e não é preciso nenhum santo para encher as ruas. Não é preciso celebrar o São João nem abrir caminho pelas multidões para arranjar um espaço suficiente para o bailarico. Basta um cachecol azul e branco, uma camisola com o emblema do FC Porto e um cântico a ecoar, não entredentes, mas com as cordas vocais bem amplificadas: o FC Porto é campeão.

Diogo Ribeiro · 10 min de leitura
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