Antes do jogo entre duas das suas antigas equipas, Benfica e AC Milan, Adel Taarabt anteviu o duelo e deixou elogios a Ruben Amorim e Gonçalo Ramos.
Adel Taarabt passou pelo AC Milan antes de assinar pelo Benfica em 2015 e estará atento ao duelo desta quarta-feira entre dois dos seus antigos clubes na Europa League. Em entrevista à Gazzetta dello Sport, o antigo médio marroquino começou por deixar elogios a Ruben Amorim:
«Conheço Amorim desde a altura dele no Benfica, embora nunca tenhamos jogado juntos. É um treinador de alto nível, tem muita classe e é muito direto. Se alguém tem de ser cortado do plantel, ele fá-lo sem hesitar. Ele diz o que pensa. Antes de ele assinar com o Milan, até ouvi rumores de um possível retorno ao Benfica. Mais cedo ou mais tarde, acho que vai treiná-lo. Comparo-o um pouco com Gasperini. Para ele, a equipa vem antes do individual».
Adel Taarabt cruzou-se com Gonçalo Ramos ao serviço do Benfica e também deixou elogios ao internacional português, comentando o arranque de temporada em Milão:
«Era um monstro. Não falo com ele há algum tempo, mas é ótimo. Não sei se é um 9 puro, na equipa B jogava como extremo, recebia a bola e corria. No Milan, parece estar a ter dificuldades a jogar de costas para a baliza. Pode jogar como segundo avançado, mas dá tudo pela equipa. Contra a Juventus ficou muito tempo sozinho na área, mas acho que, com tempo, Amorim conseguirá desenvolvê-lo».
O marroquino falou também sobre a relação próxima com Diego Moreira, reforço de verão do AC Milan com nacionalidade luso-belga que passou pela formação do Benfica:
«Falei com ele antes de assinar pelo Milan. Disse-lhe: ‘Diego, vais para um grande clube. Tens de ser forte, porque a pressão é enorme’. Ele sabia. É um rapaz humilde, está sempre a sorrir. Nas horas vagas adora dançar. As tranças tornam-no único. Só tem a crescer com Amorim. Os dois golos que marcou contra a Lazio foram apenas uma amostra daquilo que os adeptos do Milan verão».
Num olhar para os últimas temporadas do Benfica, Adel Taarabt afirmou:
«O Benfica mudou muito ao longo dos anos, inclusive em termos administrativos. Rui Costa, como presidente, conquistou apenas um campeonato. Os adeptos querem isso acima de tudo, a competição europeia fica em segundo plano. O foco principal agora é desenvolver jogadores e depois vendê-los por um bom preço».
O antigo médio encarnado elogiou ainda vários jogadores do Benfica, mostrando incertezas sobre um jogador:
«Acho que Pavlidis tem mais dificuldades na Europa. Ele marca muitos golos, mas em Portugal há uma diferença muito grande entre as equipas de topo e as restantes. Gosto muito do Prestianni: é um talento argentino, dribla e marca golos. Ainda preciso de perceber melhor o Sudakov. Tem boa técnica, mas não é muito dinâmico. Em espaços curtos, porém, atrás do avançado, pode causar problemas. Rafa Silva é como um irmão para mim e é muito subestimado. Tem visão de jogo e criatividade. Joguei com ele e ama o Benfica mais do que ninguém. Chegou a recusar uma proposta do Manchester United. Fiquem de olho no Barreiro, um médio que corre bastante e sabe construiu jogadas. Acho que será vendido por vários milhões».
Em antevisão ao jogo de quarta-feira, afirmou:
«O Milan continua forte e é o favorito. Os dias do Benfica de Darwin Núñez acabaram».
No entanto, Adel Taarabt mostrou-se agradado com o arranque de temporada encarnado, sob o comando de Marco Silva:
«(O Benfica) gosta de jogar com risco. (Marco Silva) é experiente e sabe adaptar-se aos adversários. Os laterais a subir ao ataque serão uma arma que o Milan terá de neutralizar. E cuidado com os contra-ataques: este Benfica é uma equipa extremamente vertical».
O antigo médio do Benfica relembrou a relação complicada com Rui Costa:
«Cheguei em 2015, mas durante dois anos praticamente não joguei. Estava cinco quilos acima do peso, o treinador Rui Vitória não me queria e nem sequer me cumprimentava. Nessa altura eu era desagradável. Fui emprestado ao Génova, depois voltei a Lisboa para jogar na equipa B. Ainda me restavam três anos de contrato».
Adel Taarabt explicou o impacto da chegada de Bruno Lage:
«As coisas mudaram quando o Bruno Lage foi promovido à primeira equipa. Ele estava louco por mim. Foi falar com o Rui Costa e disse-lhe que me queria no clube».

